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Lesão por Esforço Repetitivo

 

A revolução eletrônica é uma das grandes mudanças ocorridas no mundo do trabalho nas últimas décadas.

Com o processo de automação crescente, um número cada ve z maior de trabalhadores é levado a ficar mais e mais tempo sentados na frente de computadores.

Esta atividade tem sido apontada como a principal causa das afecções conhecidas como LER/DORT.

No entanto, estudos mostram que vários são os fatores existentes no trabalho que podem contribuir para incidência dessas afecções, tais como: fatores biomecânicos, psicossociais e fatores ligados à psicodinâmica do trabalho.

Os fatores biomecânicos incluem a repetitividade de movimentos, a manutenção de posturas inadequadas por tempo prolongado, o esforço físico e a invariabilidade das tarefas. Incluem também a pressão mecânica sobre determinados segmentos do corpo, o trabalho muscular estático, choques, impactos, vibração e frio.

Os fatores psicossociais estão relacionados às interações hierárquicas com chefias imediatas e chefias superiores, às interações coletivas intra e intergrupos e às características individuais do trabalhador, como os traços de personalidade e o seu histórico de vida.

Os fatores ligados à psicodinâmica do trabalho estão relacionados à maneira como o trabalhador organiza suas atividades, de acordo com a liberdade que lhe é dada, à forma como ele percebe o seu trabalho e qual o significado deste para ele.

A organização do trabalho freqüentemente caracterizada pela exigência de ritmo intenso de trabalho; pelo conteúdo pobre das tarefas; pela pressão e autoritarismo das chefias; pelos mecanismos de avaliação, punição e controle da produção dos trabalhadores em busca da produtividade, desconsiderando a diversidade própria do homem; e pela falta de estratégias operatórias que permitam reduzir o custo humano do trabalho, configura um ambiente fértil para a incidência de LER/DORT.

Os sinais e sintomas de LER/DORT são múltiplos e diversificados, caracterizando-se por dor espontânea ou decorrente da movimentação; por alterações sensitivas de fraqueza, cansaço, dormência e formigamento; por sensação de diminuição, perda ou aumento de sensibilidade (agulhadas e choques); por dificuldades para o uso dos membros, particularmente das mãos; por sinais flogísticos e áreas de hipotrofia ou atrofia. (MS/OPAS, 2001)

Segundo a Norma Técnica do INSS sobre DORT, LER é “uma 'síndrome clínica', caracterizada por dor crônica, acompanhada ou não por alterações objetivas e que se manifesta principalmente no pescoço, cintura escapular e/ou membros superiores em decorrência do trabalho ”.

“O comportamento do indivíduo frente a um processo de dor não segue um curso linear, nem possui estágios bem definidos”. Ao contrário, ele depende da interação de vários elementos, como a percepção do sintoma, sua interpretação, expressão e comportamentos de defesa. Nesse contexto, os fatores culturais e sociais devem ser considerados. A sensação dolorosa é acompanhada de reações cognitivas e emocionais, podendo explicar o comportamento dos indivíduos.

A dor não deve ser analisada somente do ponto de vista fisiológico, ou seja, como resultado de uma estimulação dos receptores do sistema sensorial. Ela envolve uma conceituação mais ampla, pois o tipo e a intensidade com que é sentida e expressada dependem da experiência prévia do indivíduo e da sua percepção quanto às implicações futuras da injúria.

Segundo resume Moon:

"Dor não é uma sensação simples, mas uma experiência sensorial e emocional complexa
Dor aguda e crônica diferem-se fundamentalmente
Dor que cursa com neurofisiologia central reflete componentes sensorialdiscriminativo (localização e qualidade) e afetivo-emocional
Os conhecimentos atuais em neurofisiologia permitem hipóteses ainda não completamente testadas
A ausência de danos ou de lesões físicas não justifica a aceitação de que a dor seja menos real ou menos severa”. (MS/OPAS, 2001).

De difícil diagnóstico, particularmente em casos subagudos e crônicos, a LER/DORT têm sido objeto de questionamento, apesar das evidências epidemiológicas e ergonômicas, no que diz respeito ao nexo com o trabalho, principalmente porque, de acordo com a NT/DORT - INSS, o que deve ser considerado “... não é tanto a integridade física ou funcional, mas a integridade produtiva, isto é, o indivíduo enquanto portador de uma determinada potencialidade de trabalho (rendimento), não basta à existência da doença, mas sim a repercussão da doença em sua capacidade laborativa...”.

O termo DORT não é aceito como diagnóstico clínico, fazendo-se necessário ser mais específico, definindo exatamente qual das doenças está sendo referida e que deverá constar no LEM (Laudo de Exame Médico), inclusive com os exames subsidiários pertinentes. “Isto significa que haverá dois momentos: um primeiro, em que se define uma doença ou um quadro clínico específico, e um segundo, em que se estabelece ou não a relação com o trabalho, que, caso confirmado, define -se como DORT”. (INSS, 1988)

Diante do exposto, pode-se dizer que a complexidade do fenômeno da LER/DORT se deve à heterogeneidade do quadro clínico, à dificuldade de diagnóstico em alguns casos, às influências sócio-econômicas no reconhecimento como doença ocupacional, às repercussões psicossociais, aos conflitos de interesses, à dificuldade de tratamento e reabilitação.

A contribuição da análise ergonômica do trabalho, no que diz respeito a LER/DORT, reside no fato de que os estudos sistemáticos das situações de trabalho, através da análise ergonômica da atividade, têm como objetivo compreender o esforço despendido pelo trabalhador no desenvolvimento e realização de suas tarefas. Por isso, os fatores de risco devem ser avaliados no contexto organizacional onde o trabalhador está inserido.

A intervenção sobre os ambientes e condições de trabalho deve basear-se na Análise Ergonômica do Trabalho – AET, nas medidas de proteção coletiva e individual implementadas pela empresa/organização, e nas estratégias de defesa individuais e/ou coletivas adotadas pelos trabalhadores.

“A construção de ambientes de trabalho saudáveis tem sido apontada como uma alternativa de programa para a prevenção de LER/DORT e um facilitador para o retorno de lesionados ao trabalho.

As inúmeras dificuldades que envolvem o manejo de LER/DORT somente serão superadas à medida que os distintos atores sociais envolvidos adotarem uma postura desarmada e respeitosa para lidar com os diferentes olhares, interesses e limites intrínsecos à questão”. (MS/OPAS, 2001).

Assim, o enfrentamento desse problema de saúde pública é um desafio colocado aos empregadores, aos trabalhadores e suas representações sindicais, às universidades, aos serviços de saúde e ao poder público.

Áurea Magalhães

Fonte: www.anvisa.gov.br

Lesão por Esforço Repetitivo

A LER­DORT  (Lesão  por  Esforço  Repetitivo  ou  Distúrbios  Osteomoleculares  Relacionados ao Trabalho) não é uma consequência natural do processo de trabalho e sim uma anomalia gerada por diversos  fatores, destacando­se a política dos grandes  grupos  econômicos  que fazem qualquer coisa  para reduzir os  custos  do trabalho para conseguir lucros cada vez maiores. Esse tipo de atitude é consequência da globalização,  que faz com que a competição entre as empresas fique cada vez mais acirrada. 

Na  prática os  trabalhadores  percebem isso porque as  empresas  submetem os  funcionários a condições inadequadas de trabalho como jornadas excessivas de trabalho,  ausência de pausas durante a jornada de trabalho, falta de equipamentos adequados ao tipo físico  de quem o utiliza (cadeiras  reguláveis  na altura,  por exemplo),  exigência  de rapidez  e movimentos  repetitivos  por horas.  Esses  são apenas  alguns  exemplos.

O  resultado são trabalhadores doentes em função do serviço e que muitas vezes ficam com lesões irreverssíveis.

Por isso, a rotina de trabalho para os funcionários de alguns setores  tornou­se sinônimo de tortura.  Muitos  deles  com um ou dois  anos de trabalho já  apresentam sintomas da LER­DORT. 

O  governo federal também contribui  para que essa situação permaneça no País,  na medida em que emprega a nefasta política neoliberal que vem acelerando o processo de flexibilização dos direitos dos trabalhadores e a precarização das condições de trabalho. 

O  governo é responsável por esse resultado quando propõe leis  que dificultam a caracterização da LER­DORT como doença do trabalho para que fique mais complicado ter acesso aos benefícios previdenciários. E o governo é conivente com um problema que atinge milhares de trabalhadroes brasileiros quando não exige dos órgãos de fiscalização que essa fiscalização seja feita e que se tenha um número de fiscais correspondente ao tamanho do problema.  Tudo isso é resultado de uma política que prioriza os interesses  das empresas.  É preciso reverter esse processo urgentemente. É isso é possível com decisões simples  como a adequação dos equipamentos de trabalho, diminuição do ritmo de trabalho,  rodízio de função, parada para descanso em determinados períodos da jornada e a adoção de uma política governamental de prevenção de doenças profissionais e de punição severa aos que privilegiam o lucro em detrimento de condições decentes de trabalho. E essa cartilha é o começo de uma luta que é de todos.

O QUE SÃO DOENÇAS DO TRABALHO

São doenças geradas pelo exercício de determinada atividade ou profissão e tem relação direta com as condições de trabalho. 

O que é acidente de trabalho?

É o acontecimento que ocorre pela realização do trabalho, provocando lesão corporal, ou distúrbio psicológico, e que cause a morte, a perda, ou redução temporária ou permanente, da capacidade para o trabalho.

Por que ocorrem?

O aparecimento das doenças dos trabalhadores está ligado ao modo como o trabalho está organizado em nossa sociedade.  De olho nos lucros, as empresas querem diminuir os custos da produção, reduzir o emprego e aumentar a produtividade. Para isso introduzem novas formas de organização, novas tecnologias e equipamentos, sem levar em conta as conseqüências para a saúde de quem trabalha. 

As Lesões por Esforços  Repetitivos, as doenças mentais entre outras, são a conseqüência mais evidente de todo esse processo nos dias atuais. 

QUAIS  SÃO OS FATORES DE RISCO?

Trabalho automatizado, onde o trabalhador não tem controle sobre suas atividades. 
Obrigatoriedade de manter o ritmo de trabalho acelerado para garantir a produção. 
Trabalho onde cada um exerce uma única tarefa de forma repetitiva. Trabalho  sob pressão permanente das chefias. 
Quadro reduzido de funcionários, com jornada prolongada e com freqüente realização de horas extras. 
Ausências de pausas durante a jornada de trabalho. 
Trabalho realizado em ambientes frios, ruidosos e mal ventilados. 
Postos de trabalho e máquinas inadequadas, que obrigam a adoção de posturas incorretas do corpo durante a jornada de trabalho. 
Equipamentos com defeito. 
Tempo excessivo na mesma posição em pé.

COMO PREVINIR AS DOENÇAS DO TRABALHO

Para preveni­las é preciso reestruturar o processo de trabalho.  

Para se chegar a esse estágio os trabalhadores deverão reivindicar:

Controle do ritmo de trabalho pelo trabalhador que o executa;  variação das  tarefas.
Definição do período da jornada de trabalho, com eliminação das horas extras.
Pausas durante a jornada de trabalho para que músculos e tendões descansem e se diminua o stress, sem que por isso haja aumento do ritmo ou volume de trabalho;
Adequação dos postos de trabalho para  evitar a adoção de posturas corporais  incorretas. O mobiliário e as máquinas devem ser ajustados às características físicas  individuais dos trabalhadores;
Ambiente de trabalho com temperatura, ruído e iluminação adequados ao bem­estar;
Vigilância da saúde dos trabalhadores com exames  médicos voltados para aspectos  clínicos e relativos  a ossos e articulações;
Cláusulas nos acordos de trabalho que privilegiem  a prevenção de doenças do trabalho ou  profissionais,  tratamento e reabilitação dos trabalhadores;
Postura ética dos médicos da empresa e peritos do INSS no atendimento aos  trabalhadores vítimas de doenças profissionais ou acidentes do trabalho.  Em muitos  casos, os médicos têm se negado a  diagnosticar as Doenças do Trabalho e o Inss vem descumprindo suas próprias normas técnicas, criando obstáculos para caracterizá­las

O QUE É LER­DOR

LER significa Lesão por Esforço Repetitivo e é reconhecida também com o nome de  DORT – Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho  ( definição do INSS ).

A sigla foi criada para  identificar um conjunto de doenças que atingem músculos, tendões  e membros superiores ( dedos, mãos, punhos, antebraço, braços e pescoço) e  tem relação direta com as condições de trabalho.  São inflamações provocadas por atividades do trabalho que exigem do trabalhador movimentos manuais repetitivos, continuados, rápidos e ou vigorosos, durante um longo período de tempo. 

SEUS TIPOS

A maioria dos trabalhadores  não sabe, mas há várias outras doenças consideradas LER/DORT além da tenossinovite, que é a mais conhecida.  

Saiba quais são elas:

TENOSSINOVITE: Inflamação  do tecido que reveste os tendões. 

TENDINITE: Iflamação dos tendões. 

EPICONDILITE: Inflamação das estruturas do cotovelo. 

BURSITE: Inflamação das bursas (pequenas bolsas que se situam entre os  ossos e tendões das articulações do ombro). 

MIOSITES: Inflamação dos músculos. 

SÍNDROME DO TÚNEL DO CARPO: Compressão do nervo mediano na altura do punho. 

SÍNDROME CERVICOBRAQUIAL: Compressão dos nervos em coluna cervical. 

SÍNDROME DO DESFILADEIRO TORÁCICO: Compressão do plexo (nervos e vasos) . 

SÍNDROME DO OMBRO DOLOROSO: Compressão de nervos e vasos em região do ombro.

As LER podem surgir em qualquer ramo da atividade, desde que existam funções e postos de trabalho que exponham os trabalhadores a esforços repetitivos. 

As funções mais atingidas têm sido os digitadores, operadores de caixa, açougueiro, padeiros, repositores, recepcionistas, copeiras, telefonistas, remarcadores de mercadorias. Trabalhadores que fazem serviços de faxina, ascensoristas, porteiros,  copeiras telefonistas, entre outros. 

Fonte: www.fecesc.org.br

Lesão por Esforço Repetitivo

O que é LER?

O termo LER (Lesão por Esforço Repetitivo) refere-se a um conjunto de doenças que atingem principalmente os membros superiores, atacam músculos, nervos e tendões provocando irritações e inflamação dos mesmos.

A LER é geralmente causada por movimentos repetidos e contínuos com consequente sobrecarga do sistema músculo-esquelético.

O esforço excessivo, má postura, stress e más condições de trabalho também contribuem para aparecimento da LER.

Em casos extremos pode causar sérios danos aos tendões, dor e perda de movimentos.

A LER inclui várias doenças entre as quais, tenossinovite, tendinites, epicondilite, síndrome do tunel do carpo, bursite, dedo em gatilho, sindrome do desfiladeiro toracico e síndrome do pronador redondo. Alguns especialistas e entidades preferem, atualmente, denominar as LER por DORT ou LER/DORT. A LER também é conhecida por L.T.C. (Lesão por Trauma Cumulativo).

A quem a LER ataca? A LER é contagiosa?

As principais vítimas são digitadores, publicitários, jornalistas, bancários e todos os profissionais que têm o computador como companheiro de trabalho.

Não é contagiosa, pois não é causada por bactérias, fungos ou virus, mas sim por movimentos repetitivos.

Porque há quem diz que LER não existe?

Penso que por se definir a LER como um conjunto de doenças e não como uma doença específica. Quando alguem diz que tem LER, na verdade trata-se de uma tendinite, tenossinovite ou outro tipo de doença causada por esforço repetitivo.

Que significa DORT?

Disturbio osteomuscular relacionado ao trabalho

Qual a diferença entre LER e DORT?

LER é a designação de qualquer doença causada por esforço repetitivo enquanto DORT é o nome dado as doenças causadas pelo trabalho. Alguns especialistas e entidades preferem, atualmente, denominar LER por DORT ou ainda LER/DORT.

Quais os sintomas da LER ?

Em geral dores nas partes afetadas. A dor é semalhante a dor de reumatismo ou de esforço estático, como por exemplo a dor causada quando se segura algo com o braço, por longo tempo, sem movimentá-lo. Há formigamentos e dores que dão a sensação de quemadura ou as vezes frio localizado.

A LER é uma doença nova?

Não. Já na idade média era conhecida sob outros nomes, como por exemplo, a “Doença dos Escribas”, que nada mais era do que uma tenossinovite, praticamente desaparecendo depois da invenção da imprensa por Gutemberg. amazzini, em 1700, também, descreve a doença dos escribas e notórios.

Em 1895 o cirurgião suiço Fritz de Quervain descrevia o “Entorse das Lavadeiras” , atualmente conhecida como Tenossinovite de De Quervian, um tipo de doença causada por esforço repetitivo.

A LER, entretanto, acentuou-se demaisiadamente na decada de 1990, com a popularização dos computadores pessoais.

A LER é causada somente pelo trabalho?

Não, também podem ser causa de LER atividades esportivas que exijam grande esforço. Da mesma forma a má postura ou postura incorreta, compressão mecânica das estruturas dos membros e outors fatores podem causar LER.

Quais as possíveis causas das lesões por esforços repetitivos?

Podemos citar entre tantas outras

Posto de trabalho inadequado e ambiente de trabalho desconfortável
Atividades no trabalho que exijam força excessiva com as mãos,
Posturas inadequadas e desfavoráveis às articulações,
Repetição de um mesmo padrão de movimento
Tempo insuficiente para realizar determinado trabalho com as mãos.
Jornada dupla ocasionada pelos serviços domésticos.
Atividades esportivas que exijam grande esforço dos membros superiores.
Compressão mecânica das estruturas dos membros superiores.
Ritmo intenso de trabalho
Pressão do chefe sobre o empregado
Metas de produçao crescente e pre-estabelecidas
Jornada de trabalho prolongada
Falta de possibilidade de realizar tarefas diferentes
Falta de orientação de profissional de segurança e ou medicina do trabalho
Mobiliário mal projetado e ergonomicamente errado.
Postura fixa por tempo prolongado
Tensão excessiva e repetitiva provocada por alguns tipos de esportes
Desconhecimento do trabalhador e ou empregador sobre o assunto

Quais as doenças decorrentes de esforços repetitivos?

São diversas, a saber as mais comuns são:

Tenossinovites
Tendinites
Epicondilite
Síndrome do tunel do carpo
Bursites
Dedo em gatilho
Dindrome do desfiladeiro toracico
Síndrome do pronador redondo
Mialgias

Que fazer em caso de suspeita de LER?

O Que Mais Dói

Lesão Por Esforço Repetitivo

Por Etapas:

1) Se a doença for identificada nesta fase, caracterizada por algumas pontadas, pode ser curada facilmente.
2)
Dor mais intensa, porém tolerável, mais localizada, acompanhada de calor e formigamento.
3)
Nem o repouso consegue, nesta fase, fazer com que a dor diminua por completo.
Incapacidade para certas funções simples.
4)
Dores insuportavesi e só pioram tornado a parte afetada dorloria, sem força e deformada. O paciente tem depressão, ansiedade, insônia e angústia.
A doença já não tem mais cura.

Simulando o Descanço

A posição em que há menores chances de usuáruios de computadores desenvolverem LER simula a postura da pessoa quando descança em posição sentada; ou seja, com as mãos (quase) apoiadas sobre as pernas e o corpolevemente para trás.

Certo

Lesão Por Esforço Repetitivo

Errado

Lesão Por Esforço Repetitivo

Fonte: cliquesaude.com.br

Lesão por Esforço Repetitivo

As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT), como são denominados pela Previdência Social, constituem-se num dos mais sérios problemas de saúde enfrentados pelos trabalhadores e seus sindicatos nos últimos anos no Brasil e no mundo.

Cerca de 80% a 90% dos casos de doenças relacionadas ao trabalho notificadas nos últimos 10 anos no país são representados pelas LER/DORT, o que evidencia a gravidade e a abrangência do problema. Esse é, sem dúvida, um dos reflexos mais diretos das mudanças ocorridas nas condições e ambientes de trabalho com a introdução de processos automatizados, com o aumento do ritmo e da pressão para execução do trabalho e com a redução dos postos de trabalho

Por esse motivo, nessa série intitulada "Cadernos de Saúde do Trabalhador" do Instituto Nacional de Saúde no Trabalho (INST) da CUT, dedicamos duas publicações ao assunto, sendo uma delas essa, de autoria da Dra. Maria Maeno, que procura orientar os trabalhadores e sindicalistas a identificar os primeiros sinais e sintomas da doença, a encaminhar o assunto junto à assistência médica e previdenciária e, finalmente, a garantir que, em todas essas etapas, o trabalhador ou trabalhadora seja respeitado em seus direitos como profissional, como segurado da Previdência e como cidadão.

Aoutra publicação da Série (Caderno nº 9) é aquela promovida pela Confederação Nacional do Bancários (CNB) da CUT, de autoria da Dra. Regina Heloísa Maciel, intitulada "Prevenção da LER/DORT: o que a ergonomia pode oferecer". Como o próprio título sugere, trata-se de uma obra voltada para a prevenção da doença e que visa sobretudo, proporcionar aos sindicatos dos bancários e a todos os demais, uma ferramenta de luta.

Somadas às diversas publicações específicas de muitos sindicatos, federa- ções e confederações cutistas e aos demais números da série "Cadernos de Saúde do Trabalhador", essas duas publicações complementam uma lacuna na informação sobre o assunto, contribuindo sobretudo para consolidar um ponto de vista e um estilo de ação sindical em saúde do trabalhador e meio ambiente.

INTRODUÇÃO

As Lesões por Esforços Repetitivos ou como são denominadas pela Previdência Social, Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho provocam diferentes reações nas pessoas que, de alguma forma, têm contato com o problema.

Os adoecidos, no início, geralmente, tentam se esconder achando que os sintomas passarão. Protelam ao máximo a procura por auxílio e quando chegam à conclusão de que não conseguem continuar trabalhando, procuram assistência e suas vidas se tornam uma busca de “provas” de seu adoecimento. Tentam a todo custo convencer suas chefias, colegas e familiares que sentem dores e não conseguem mais fazer o que faziam antes. Tentam provar que não estão inventando doenças e nem se tornaram preguiçosos. Os profissionais de saúde e segurança no trabalho das empresas, atropelados pelo grande contingente de trabalhadores adoecidos, não conseguem compreender que os determinantes causais vão além de um agente específico, como estão habituados a pensar. Muitos estão certos de que se trata de modismo e acabam culpabilizando os trabalhadores, numa atitute mais cômoda do que admitir que não conseguem prevenir.

No máximo tentam administrar o problema. Centram as explicações para a ocorrência da doença em fatores individuais, tais como gênero, alterações hormonais ou suscetibilidade psíquica, ignorando aspectos sociais, exigências reais do trabalho e a rela- ção do trabalhador com o trabalho. As empresas vêem esses trabalhadores adoecidos como perigosos disseminadores de insatisfações, queixas, dores, incapacidades. A Previdência Social, constatando que, há quase 10 anos, as LER/ DORT r e p r e s e n t a m entre 80 a 90% das doenças relacionadas ao trabalho notificadas e certamente o maior gasto pelo longo tempo de incapacidade no trabalho dos pacientes, tentam a todo custo diminuí-las nas estatísticas. Sem se preocupar com a prevenção, vem adotando critérios mais rigorosos para enquadrar os casos como relacionados ao trabalho.

As perguntas que pairam entre os que atuam na área de Saúde do Trabalhador são:

Conseguiremos mudanças nas condições e organização do trabalho para que haja diminuição do número de adoecidos?
L E R / D O RT continuarão a s e r reconhecidos como doenças relacionadas ao trabalho pela Previdência Social atual ou por outro eventual sistema de seguro?
Há claramente um movimento de determinadas instituições em busca de soluções cosméticas, visando queda de casos apenas nas estatísticas
Esse movimento tem sido respaldado por teses e posturas de profissionais de saúde inseridos nas mais variadas instituições, inclusive universidades.

A nós, promotores da saúde, incomoda mais do que a ninguém constatar o adoecimento e sofrimento de tão grande contingente de trabalhadores brasileiros. Mas não nos interessa uma solução cosmética, de manipulação de dados estatísticos. Resta saber se conseguiremos conquistar soluções reais que resgatem a dignidade e a saúde do ser humano, freqüentemente visto somente no aspecto produtivo. E isso só será possível com a mobilização social, em particular dos trabalhadores.

ENTENDENDO O SISTEMA MÚSCULO - ESQUELÉTICO HUMANO

O sistema músculo-esquelético é composto por vários elementos: ossos, que são a part e que compõem a estrutura do esqueleto e as partes moles, compostas por músculos, fáscias, sinóvias, tendões, ligam e n t o s , nervos. Esses elementos permitem que os ossos se sustentem, se articulem e se movimentem.

Imagine se só existissem os ossos, sem nada que os articulasse. Eles despencariam no chão como um monte de ossos.

E imagine se só existissem as partes moles, sem uma estrutura consistente. Também despencariam no chão como um monte de “carne”. Assim, para existir o que conhecemos como corpo, é preciso que o sistema músculo-esquelético esteja completo e íntegro.

Algumas doenças do sistema músculoesquelético, como por exemplo, artrite reumatóide, podem causar deformidades visíveis a olho nu.

Outras não são perceptíveis a uma simples inspeção visual, como por exemplo, tendinites crônicas

COMO É O SEU FUNCIONAMENTO?

Os movimentos do corpo são voluntários, isto é, dependem da vontade da pessoa. Se alguém quer segurar um lápis e escrev e r, há um comando de seu cérebro (sistema nervoso central) e os músculos, tendões e articulações trabalham harmoniosamente para que esses atos sejam realizados. Tudo isso é tão rápido, que a vontade da pessoa e a realização do ato acontecem praticamente na mesma hora.

É “automático”. Porém, dependendo de alterações que possam ocorrer nos nervos periféricos e músculos, mesmo que haja vontade e seja dado um comando, os atos podem demorar a ocorrer ou até mesmo não ocorrer. Para que mesmo um simples movimento seja feito como se quer, é preciso que tudo esteja funcionando perfeitamente.

O QUE SÃO LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS (LER)?

Há muitas definições. Porém, o conceito básico é que LER é uma terminologia guarda-chuva, que engloba várias alterações das partes moles do sistema músculo esquelético devido a uma sobrecarga que vai se acumulando com o passar do tempo. Sem tempo para descansar adequadamente e se recuperar , os tendões , articulações e músculos vão sofrendo alterações, e come- çam a ter dificuldades para obedecer “ordens” do sistema nervoso central, seja pela dor ou pela lentidão, por exemplo. Quando essas situações de “abuso” acontecem no t rabalho, temos as diversas al tera- ções que expressam o sofrimento das estruturas do sistema músculo-esquelético, que se enquadram nas Lesões por Esforços Repetitivos. São alterações que variam, desde dores musculares (mialgia) e inflama- ções de tendões e sinóvias (tenossinovites) até alterações graves do sistema modulador da dor.

O QUE É SISTEMA MODULADOR DA DOR?

O sistema modulador da dor é o que regula a relação entre o estímulo potencialmente provocador da dor e reações sensitivas do organismo a esse estímulo.

Assim, a dor sentida por uma pessoa é o resultado da interação de um estímulo poten cialmente provocador da dor e as sensações do organismo em resposta a esse estímulo. Pela existência do sistema modulador da dor, a intensidade e característica da dor a ser sentida por uma pessoa diante de um determinado estímulo são previsíveis. Por exemplo, nós conhecemos o tipo e a intensidade aproximados da dor que sentimos normalmente, quando uma agulha penetra na musculatura do braço. Também conhecemos o tipo e a intensidade da dor que sentimos, quando nos queimamos com leite fervendo. Como também sabemos que não sentimos dor alguma se alguém passar um algodão no braço.

O QUE ACONTECE QUANDO HÁ ALTERAÇÕES DO SISTEMA MODULADOR DA DOR NAS LER?

Quando há alterações no sistema modulador da dor, um estímulo que deveria produzir uma sensação não dolorosa produz dor. Por exemplo, o roçar da roupa em uma pessoa “normal” provoca uma sensação que todos nós conhecemos. Quando há alteração do sistema modulador da dor, esse mesmo roçar de roupa pode causar dor, em vez de uma sensação de contato.

O TERMO DISTÚRBIOS OSTEOMUSCULARES RELACIONADOS AO TRABALHO (DORT) É SINÔNIMO DE LER?

Quem utilizou pela pr imei ra vez o termo D O RT no Brasil foi a Previdência Social, na sua ordem de serviço OS 606, de 5 de agosto de 1998.

Essa ordem de serviço trata da Norma Técnica sobre Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho e é uma atualização da

Norma Técnica sobre Lesões por Esforços Repetitivos, de 1993. Contém duas partes. Na primeira parte, adotou a terminologia DORT, tradução de Work-Related Musculoskeletal Disorders (WRMD) e definiu critérios para diagnóstico. Na segunda parte, definiu os critérios de incapacidade e de concessão de benefícios previdenciários. Se considerarmos apenas a primeira parte da ordem de serviço, podemos afirmar que os conceitos lá expressos nos levam à conclusão de que DORT é sinônimo de LER. O que mudou foram os critérios de concessão de benefícios por parte da Previdência Social. E mais ainda do que as mudanças na Norma T é cnica em questão, o que mudou realmente, foi o comportamento dos peritos do INSS.

QUAIS SÃO AS DOENÇAS QUE PODEM SER ENQUADRADAS COMO LER OU DORT?

Depende do ponto de vista. O Ministério da Saúde publ icou, at ravés da Por tar ia MS n º 1 3 3 9 /GM, d e 1 8 de nov embro d e 1999 , uma lista de doenças relacionadas ao trabalho e há várias que podem ser enquadradas como LER/DORT. Entre elas, citamos tendinite de flexores e extensores dos dedos, bursite de ombro, tenossinovite de DeQuervain, tenossinovite do braquio-radial, síndrome do túnel do carpo, tendinite de supraespinhoso, tendinite de biciptal, Epicondilite.

Lesão Por Esforço Repetitivo

A Previdência Social considera entre as L E R / D O RT várias doenças, listadas tanto na Ordem de Serviço 606/98 (Norma Técnica de L E R / D O RT) e mais recentemente no Decreto 3048, de 6 de maio de 1999. Em tese ambas as listas são bastante amplas.

POR QUE HÁ DUAS LISTAS: A DO MINISTÉRIO DA SAÚDE E A DA PREVIDÊNCIA SOCIAL?

As finalidades são diferentes e se referem ao papel de cada uma das pastas governamentais. Ao Ministério da Saúde compete estabelecer critérios de diagnóstico precoce (no início), tratamento, reabilitação e prevenção.

Interessa ter notificação não só de casos suspeitos como também de situações de risco, mesmo que não haja notícias de nenhum caso.

Assim, as perguntas cabíveis são:

Em que tipo de empresas há situações de risco para a ocorrência de LER? (independentemente da existência de casos de pacientes com LER).
Em quais atividades há situações de risco para a ocorrência de LER? (independentemente da existência de casos de pacientes com LER)
O caso do(a) paciente em questão pode ser de LER?
Quais as alternativas de tratamento e reabilitação?

Ao Ministério da Saúde interessam todas as informações que permitam traçar políticas de prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e reabilitação.

Ao Ministério da Previdência Social, que é uma seguradora, compete atuar a par t i r do momento em que haja casos de segurados do Seguro Acidente de Tr a b a l h o diagnosticados no sentido de conceder ou não benefícios previdenciários.

As questões que interessam à Previdência Social, avaliadas pelos seus peritos, são:

O(s) segurado(a) está incapacitado(a) para o trabalho?
Se está, qual é a causa: uma doença relacionada ao trabalho ou não? Essa decisão implica concessão de auxílio-doença por acidente do trabalho (B 91) ou auxíliodoença comum (B 31) respectivamente.
No momento da alta, o(a) paciente apresenta limitação da capacidade de trabalho? Parcial ou total? Permanente?

VAMOS A UM CASO PARA ILUSTRAR

Uma bancár ia de 32 anos de idade, trabalha há 10 anos com o caixa e sente dor intensa e fadiga no membro superior direito, pr incipalmente no ombro.

Trabalha em uma agência muito movimentada e praticamente não tem pausa nem para ir ao banheiro, seja porque a gerência não gosta que as filas se avolumem, seja porque os usuários se revoltam com o tempo de espera. Procura um médico, que faz diagnóst ico de tendinite de supraspinhal do ombro direito relacionada ao t rabalho ( L E R / D O RT ), levando em cont a o quad ro clínico e as possíveis causas, tais como movimentos repet i t ivos de ombro direito para passar documentos na máquina e entregá- los ao cliente, suspensão do ombro direito sem apoio, pressão de gerência e fila de clientes que dificulta pausas até para necessidades fisiológicas.

Do ponto de vista do Ministério da Saúde, o raciocínio segue a lógica da importância do diagnóst ico precoce e como se t rata de um caso decorrente de uma situação já sobejamente conhecida, deve haver encaminhamentos ao tratamento e reabilitação

Porém, tratando-se de trabalhadora com vínculo empregatício regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), caso haja necessidade de afastamento do trabalho por mais de 15 dias, é fundamental que a paciente seja encaminhado ao INSS para ser periciada.

Há 4 possibilidades de conclusão pericial para fins de concessão de benefícios previdenciários:

a) há concordância total com o médico assistente (da paciente); isto é, o perito do INSS considera o caso relacionado ao trabalho e considera o paciente incapacitado para o trabalho, o que implica a concessão de auxíliodoença acidentário (B91).
b)
há concordância parcial com o médico assistente; isto é, o perito do INSS considera o caso relacionado ao trabalho, mas considera o paciente capacitado para o trabalho, o que implica o registro do caso, sem concessão de benefício previdenciário.
c)
há concordância parcial com o médico assistente; isto é, o perito do INSS não considera o caso relacionado ao trabalho, mas considera o paciente incapacitado para o trabalho, o que implica a concessão de auxílio-doença comum (B31)
d)
há discordância total com o médico assistente; isto é, o perito do INSS não considera o paciente incapacitado para o trabalho, e portanto, sem direito a qualquer tipo de afastamento do trabalho.

QUAL É O MECANISMO DE “PRODUÇÃO” DE LER/DORT?

Comparemos duas situações:

Numa delas, um trabalhador escorrega e cai sobre a mão direita. Nos dias seguintes, ele poderá ficar com a mão e punho extremamente doloridos, com inflamação nos tendões. Neste caso, as lesões têm como causa principal uma “agressão” súbita. Mesmo sem tratamento, as estruturas do sistema músculo-esquelético agredidas tenderão a se recuperar.

Em outra situação, uma pessoa que trabalha em uma linha de montagem de rádios e gravadores há 10 anos, de segunda a sexta-feira, durante 8 horas diárias. As peças a serem montadas vêm em esteira, cuja velocidade é definida pela gerência de produção. Os movimentos rápidos que é obrigado a fazer e a posição na qual permanece trazem uma sobrecarga ao sistema músculo-esquelético. As noites e fins de semana passam a ser insuficientes para que as estruturas descansem e se recuperem do trabalho executado durante a jornada de trabalho, e vai ocorrendo desgaste principalmente das partes moles do sistema músculo-esquelé- tico.

Neste caso, as lesões são resultado de “agressões” diárias, que duram meses e anos, causando fadiga e dor, que vão aumentando pouco a pouco.

O segundo caso representa o mecanismo de surgimento das LER.

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COMO SURGEM OS SINTOMAS?

Pensemos na segunda situação acima. Os meses e anos vão passando, os músculos, tendões e articulações continuam sendo exigidos para sustentar o corpo e executar movimentos repetitivos, vão se desgastando e começam a provocar fadiga e dor, que inicialmente nem são percebidos pela pessoa. Depois, são percebidos durante a execução de movimentos, passando a invadir noites e fins de semana, dando a sensação de que os períodos de repouso são insuficientes.

Geralmente, quando se tornam mais fortes, passam a incomodar e a causar sofrimento, dificultando a realização de atividades de rotina.

Muitas pessoas relatam que perceberam pela primeira vez que havia algum problema quando passaram a ter dificuldades para abrir uma garrafa, ou para lavar alguns pratos ou mesmo para pegar algum objeto em uma altura superior aos ombros.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS? EM OUTRAS PALAVRAS, O QUE A PESSOA SENTE?

Os principais sintomas são dor, formigamento, dormência, sensação de peso, fadiga, fraqueza, queimação, repuxamento, choque. Esses sintomas geralmente aparecem insidiosamente, isto é, vão se instalando vagarosamente. Podem estar presentes em diferentes graus de intensidade e podem estar presentes ao mesmo tempo.

QUAIS SÃO AS ATIVIDADES ROTINEIRAS MAIS DIFÍCEIS PARA UMA PESSOA COM LER?

As pessoas com LER relatam que as maiores dificuldades ocorrem para realizar algumas atividades de rotina, tais como limpar azulejo, abrir latas, polir panelas, torcer, estender e passar roupas, segurar o telefone, escolher feijão, abotoar roupas, lavar cabelos longos, segurar bebês, dirigir, carregar compras, trocar lâmpada, fazer pequenos consertos caseiros.

TODAS AS PESSOAS PODEM TER LER?

Depende de suas atividades de trabalho.

Eis algumas atividades de pessoas que podem ter LER:

Caixas de supermercados e no comércio em geral
Caixas de bancos e de serviços em geral
Outras atividades do setor financeiro tais como compensação de cheques, escrituração, abertura de contas
Operadores de tele-atendimento, telemarketing, tele-informações
Telefonistas
Embaladores de vários setores da indústria: cosméticos, vidro, metalúrgica, farmacêutica, plástica, alimentos
Trabalhad ores e trabalhadoras de linhas de montagem nos setores da eletro-eletrônica e metalúrgica
Operadores de máquinas de diversos ramos de atividade, entre as quais, conicaleiras, prensas de alimentação manual, microfilmagem
Vidreiros manuais
Costureiras, riscadeiras, bordadeiras, arrematadeiras
Açougueiros
Bilheteiros de metrô.

O QUE ESSAS ATIVIDADES DE TRABALHO PODEM TER EM COMUM?

E xigência de execução de movimentos repetitivos com os braços.
E xigência de manutenção de posição fixa dos ombros e pescoço por tempo prolongado.
Padronização dos tempos em que cada etapa do trabalho deve ocorrer. O trabalhador ou trabalhadora é colocado em fluxos de trabalho pré-determinados e com poucas possibilidades de mudança.
Exigência de cumprimento de cada etapa naquele momento e daquela maneira. Há pouca ou nenhuma autonomia.
O trabalho é realizado em “série” , e cada etapa depende da outra.
O ritmo de trabalho exigido não depende do trabalhador ou trabalhadora e sim de quem planeja o processo de trabalho.
Há uso de máquinas ou equipamentos que exigem posturas ou movimentos forçados e/ou repetitivos.
O mobiliário e o ambiente físico não são adequados.
Há exigência de prolongamento de jornada de trabalho com freqüência.
Há pressão para se produzir.
Não há possibilidade de pausas espontâneas para descanso
O ciclo de trabalho é determinado por esteira rolante.
O ciclo de trabalho tem duração semelhante e curta em cada operação, independentemente de sua complexidade.
Não há canais formais de manifestações dos trabalhadores ou trabalhadoras sobre o trabalho executado, suas dificuldades, alternativas para melhorar

As questões acima dão idéia de quanto o trabalho exige do(a) trabalhador(a) e de seu sistema músculo-esquelético. Quanto mais o trabalho exige a execução de movimentos repetitivos, sem possibilidade de realizar pausas, sem respeitar o ritmo de cada trabalhador(a), mais sobrecarga traz aos músculos, tendões e articulações.

O QUE DETERMINA AS QUESTÕES ACIMA? O QUE DETERMINA COMO SE TRABALHA, O QUE SE FAZ E COMO SE FAZ?

É a organização do trabalho que determina o grau de participação dos trabalhadores(as) na realização das atividades e também como o trabalho será realizado.

Geralmente a organiza- ção do trabalho é determinada com a finalidade de se produzir mais, em menos tempo, com menos gente e com menos custos, não levando em conta a saúde dos(as) trabalhadores(as) ou suas necessidades. Assim, no caso das LER, os(s) trabalhadores(as) convivem com uma organização de trabalho na qual há excesso de exigências, falta de autonomia, pressão de chefias, falta de flexibilidade no ritmo, combinadas com a necessidade de executar grande número de movimentos repetitivos, de permanecer em determinadas posições por tempo prolongado e de empregar esforços localizados.

COMO ISSO SE DÁ NA PRÁTICA?

Pensemos por exemplo, em um grupo de empresários que abra uma empresa de eletrodomésticos (ferros de passar roupa e ventiladores). Eles devem planejar como será feito todo o ciclo de produção, desde onde adquirir a matéria-prima para cada componente, onde fabricá-lo, como realizar a montagem de peças e dos produtos, como embalar, como expedir e distribuir para venda. As metas da empresa em todas as etapas desse ciclo visam geralmente atingir o menor custo possível concomitantemente à maior produtividade possível e à qualidade desejável, considerando o mercado. Na busca dessa equação menor custo/ maior produtividade, a saúde e segurança dos(as) trabalhadores(as) geralmente não são levadas em conta, a não ser que haja uma ação ativa dos principais interessados, quais sejam, os pró- prios trabalhadores e suas entidades representativas, como o sindicato, a confederação do ramo e a CUT

HÁ FORMAS DE SE PREVENIR LER/DORT?

Se considerarmos os fatores que propiciam a ocorrência de LER/DORT, rapidamente chegaremos à conclusão de que não é fácil eliminá-los ou controlá-los. Como deixar de executar ou diminuir os movimentos repetitivos em um banco? Como diminuir o ritmo de trabalho de um caixa de supermercado? Como diminuir a exigência por produtividade em uma empresa de eletro-domésticos?

É fundamental analisar a organização de trabalho, identificando aspectos que se const i tuem em fatores de r isco. No entanto, f reqüentemente a alteração desses aspectos entra em conflito com as gerências de planejamento e produção, como por exemplo, o número de funcionários para executar determinada tarefa.

Freqüentemente há orienta- ções das gerências de planejamento para que as chefias “apertem” o ritmo com o objetivo de produzir mais com menos gente. Essa filosofia tão disseminada vai frontalmente contra políticas de prevenção. Por outro lado, sabe-se que apenas o aumento de funcionár ios também não é a solução, se não houver um planejamento adequado. O importante em todo esse processo de prevenção é que haja um acordo entre trabalhadores e trabalhadorases e empregadores. Esse acordo deve atingir todos os níveis hierárquicos da empresa, mudando desde o direcionamento da gerência até o comportamento individual das pessoas. Do lado dos trabalhadores, é fundamental que as negociações também atinjam desde a CUT até as organizações locais,como a CIPA, o Delegado Sindical, o Sistema Único de Representação (SUR), etc.

GERALMENTE HÁ CONTRADIÇÕES ENTRE QUEM PENSA NA PRODUÇÃO E QUEM PENSA NA SAÚDE E SEGURANÇA

Exemplo 1

Uma grande empresa do ramo metalúrgico, realiza montagem de rádios e gravadores. Os trabalhadores, na sua grande maioria mulheres, sentam-se ao lado de uma esteira que traz os componentes a serem montados. O ritmo de trabalho é dado pela velocidade da esteira, não permitindo pausas nem espontâ- neas e nem programadas. O setor de produ- ção está sempre pensando em como fazer para produzi r o maior número de produtos, com o menor número de trabalhadores, mantendo a qualidade necessária ou desejada. Essa linha de ação do setor de produção se opõe a qualquer programa de prevenção de ocorrência de LER.

Exemplo 2

Atualmente há uma orientação geral dos bancos para que se vendam produtos. Os funcionários bancários são todos vendedores de cartões de crédito, seguros de vida, seguros educação, entre outros produtos. Alguns deles detestam vender, outros não acreditam nos produtos, outros ainda sentem-se constrangidos em vender aparentes benefícios que na realidade de nada servirão aos compradores. Essas situações trazem sofrimentos a muitos funcionários, que ficam entre o cumprimento das exigências das direções dos bancos mesmo contra sua vontade e a pressão das chefias, que por sua vez reproduzem a pressão que recebem de escalões mais altos. A d i c i o n a lmente, atrás de cada venda há uma série de procedimentos necessários, que exigem digita- ção, cadastro e escrita

Em ambas as situações, não há possibilidade de prevenir a ocorrência de LER através de medidas unilaterais. Não se trata de isolar um forno que exala fumos de chumbo, como ocorre em fundições de chumbo, por exemplo. Trata-se de buscar mudanças que passam pela reorganização do trabalho, que por sua vez foi pensada para atingir o máximo de produtividade e competitividade. Assim, só é possível ter soluções se houver negociações entre trabalhadores e suas entidades representativas e empregadores. Como em outros casos, essas negociações serão mais positivas para os trabalhadores quanto mais houver pressão e organização de base.

Lesão Por Esforço Repetitivo

HÁ ALGUM CASO DE NEGOCIAÇÃO BEM SUCEDIDA?

Esse tipo de negociação se refere à essência de como se trabalha e como se faz lucro em cada empresa. É parte da luta para que a saúde do(a) trabalhador(a) seja levada em conta pelos empresários tanto quanto a produtividade e capacidade de competitividade no mercado. O acordo nacional entre a Executiva Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (FENABAN) sobre um Programa de gerenciamento é uma conquista dos trabalhadores, mas não acaba em si mesmo. Dependendo da organização e pressões das bases, pode ajudar na luta pela preservação da saúde.

Esse Programa contém 5 etapas:

1. Política de sensibilização: Atividades dirigidas aos chefes, diretores e gerentes, com o objetivo de comprometê-los com a implantação do Programa.

2. Política de conscientização: Atividades de informação e orientação, com o objetivo de conscientizar o conjunto de trabalhadores e trabalhadoras sobre a gravidade das LER/DORT, levando-os a estimular atitudes prevencionistas.

3. Política de enfrentamento das LER/ D O RT: O Programa define medidas práticas e objetivas para diminuir a incidência e cronicidade de LER/DORT, como sugestões e orienta- ções sobre mudanças na organização do trabalho, no mobiliário e equipamentos; sugestões para realização de diagnósticos precoces, encaminhamento adequado dos lesionados ao INSS, para garantia de tratamento, de reabilita- ção e de respeito aos direitos previdenciários deste trabalhador ou trabalhadora.

4. Criação de um fluxograma: Com o objetivo de orientar bancos e trabalhadores e trabalhadorases sobre como se conduzir para assegurar direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, desde o aparecimento dos primeiros sintomas da doença ao retorno do funcionário ao trabalho.

5. Avaliação: Construção de mecanismo de avaliação do Programa

É previsto que o Programa deverá ser implementado por agentes multiplicadores. Estes agentes serão treinados por especialistas, para ficarem aptos a informar, orientar, monitorar e estimular o conjunto dos funcioná- rios à adoção de atitudes prevencionistas em relação às LER/DORT.

Esse Programa deve ser cumprido pelos bancos, porém sua efetiva implantação pressupõe uma trajetória a ser percorrida pelas entidades sindicais e trabalhadores(as), que devem se apropriar do conhecimento e da negociação conquistados em acordo nacional, utilizando o acordo como instrumento de luta no seu cotidiano. O acordo não representa o final de um processo. Para se chegar lá foi preciso muita luta e para sua implantação é fundamental continuar a luta, através da ação concomitante das representações nacionais dos trabalhadores e da pressão e negociação contí- nuas e cotidianas em cada local de trabalho.

Do contrário, todo o esforço em se chegar a um acordo terá sido em vão

Entre uma idéia e sua aplicação há um fosso que deve ser ultrapassado pela organiza ção e pressão dos trabalhadores. Sem isso a negociação é vazia.

Trocando em miúdos, um programa de prevenção de LER consiste em:

Investigação de indicadores de problemas de LER/DORTnos locais de trabalho, tais como queixas freqüentes de dores por parte dos trabalhadores, trabalhos que exigem movimentos repetitivos ou aplicação de forças
Comprometimento da gerência e direção com a prevenção e com a participação dos trabalhadores para a solução dos problemas.
Capacitação dos trabalhadores, incluindo a gerência, sobre LER/DORT, para que possam avaliar os riscos potenciais dos seus locais de trabalhoColeta de dados, através da análise das atividades dos postos de trabalho, para identificar as condições de trabalho problemáticas, incluindo a análise de estatísticas médicas da ocorrência de queixas de dores ou de LER/DORT.
Criação de controles efetivos para neutralização dos riscos de LER/DORT e avaliação e acompanhamento da implantação dos mesmos.
Desenvolvimento de um sistema efetivo de comunicação, enfatizando a importância da detecção e tratamento precoce das afecções para evitar o agravamento das afecções e a incapacidade para o trabalho
Planejamento de novos postos de trabalho ou novas funcões, operações e processos de tal maneira a evitar condições de trabalho que coloquem os trabalhadores em risco.

Fonte: Instituto Nacional de Saúde do Trabalho | Ministério da Saúde

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