Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  Líbano  Voltar

Líbano

DADOS SOBRE O LÍBANO

Nome Oficial

República Libanesa (Líbano significa “branco”, nome que vêm da neve que cobre as montanhas).

Área Geográfica

10.452 km².

População

Aproximadamente 3.500.000 habitantes. População urbana: 60%.

Capital

Beirute (800.000 habitantes).

Língua

O Árabe é a língua oficial, mas o Francês e Inglês também são largamente difundidos. O Armênio também é falado por uma minoria.

Sistema Educacional: 20 universidades e outras instituições de ensino superior tais como:

Divisão Administrativa

O país é dividido em 6 províncias (Mohafazats): Beirute (capital), Monte Líbano (capital Baabda), Norte do Líbano (capital Tripoli), Sul do Líbano (capital Saida), Nabatieh (capital Nabatieh) e Bekaa (capital Zahle).

Governo

O Líbano é uma república parlamentarista, possui regime democrático e sua Constituição é fundamentada sobre a separação dos poderes executivo, legislativo e judiciário. O Presidente é eleito pelo parlamento. Os deputados são eleitos pelo Sufrágio Universal. Em 1998, foi eleito pelo parlamento libanês o General Emile Lahoud, Presidente da República, 12º Presidente eleito após a independência, em 22 de novembro de 1943.

Economia

Turismo e comércio

60%

Agricultura

20%

Indústria

20%

Câmbio

Mercado livre.

Moeda

Lira Libanesa 1.500 = 1 US$ (2000).

Emigrantes

14.000.000 (7.000.000 no Brasil).

Organizações Internacionais

FAO, G-77, IAEA, IBRD, ICAO, IFAD, IFC, ILO, IMO, IMF, INTELSAT, INTERPOL, IPU, ITU, NAM, ONU, UNESCO, UPU, WFTY, WHO, WMO, WSG. Fundo Árabe para a Economia e Desenvolvimento Social, Liga Árabe, Conselho Internacional do Trigo, Organização da Conferência Islâmica, Banco Islâmico para o Desenvolvimento.

Geografia e Clima

O Líbano é um belo país, situado no extremo leste do Mediterrâneo. Está localizado no ponto de encontro de três continentes. Sua costa possui aproximadamente 225 km de extensão e 70 km de largura. Ao longo da costa estão cinco cidades: Beirute, Byblos, Sidon, Tripoli e Tyro. Faz fronteira ao Norte e ao Leste com a Síria e ao Sul com os territórios palestinos ocupados.

A beleza do Líbano é iluminada pela sua geografia - sua larga planície costeira e suas duas cadeias de montanhas ao norte e ao sul (as montanhas do Monte-Líbano e Anti-Líbano). O fértil Vale de Bekaa, com seus rios Litani e Orontes, separam essas montanhas e regam o terreno.

Residindo majestosamente sobre o vale, Qournet Assouda no Norte do Monte Líbano (altitude 3.083 metros) e Jabal al-Sheikh no sul da região do Anti-Líbano (altitude 2.814 metros) permanecem como alguns dos maiores picos do mundo.

O esplendor natural sem paralelos é acrescentado pelo clima mediterrâneo moderado. O Líbano desfruta de 250 dias ensolarados por ano, um período de 4 meses. O inverno é úmido na costa e nevado na montanha enquanto o verão é quente na costa e úmido nas montanhas. É possível que no outono você possa esquiar nas montanhas e nadar no litoral no mesmo dia.

Lugares históricos e turísticos mais importantes: Byblos, Beirute, Baalbeck (várias civilizações como a fenícia, a babilônica, a grega, a romana, dentre outras), Sidon, Tyro, Gruta de Jeita, Trípoli, Beiteddine, Cedros (Museu de Gibran Khalil Gibran).

Cedros do Líbano

Cedros do Líbano
Cedros do Líbano

O Cedro é uma árvore muito antiga. Existem muitos tipos de cedros, mas o Cedro do Líbano é o mais velho, o mais forte e o mais bonito, e pode viver centenas e centenas de anos. O Cedro do Líbano se chama ‘Cedrus libani’. Antigamente, todas as montanhas do Líbano estavam cobertas de cedros. O cedro é muitas vezes mencionado na Bíblia Sagrada, e é um símbolo de força e de eternidade.

“Os Cedros são os monumentos naturais mais célebres do universo. A religião, a poesia e a história igualmente os consagrou. São seres divinos sob forma de árvores.” – Lamartine, Poeta francês – Século XIX.

Temos conhecimento do Cedro do Líbano desde o ano 3.000 a.C., quando a cidade de Biblos Jbeil era um centro de comércio muito importante da antiga Fenícia, junto ao Mar Mediterrâneo. O papiro de Unamon, datado do século XI a.C. testemunha o intercâmbio comercial entre o Líbano e o Egito. Unamon narra que foi encarregado pelo Grande Sacerdote do Deus Amon, de Tebas, para procurar os famosos Cedros do Líbano afim de construir o barco sagrado à divindade.

O Cedro do Líbano marcou sua presença na história da humanidade:

os fenícios empregavam sua madeira na construção de embarcações, utilizadas para a navegação no Mar Mediterrâneo e no Oceano Atlântico. Grandes navegadores, contornaram o continente africano e chegaram até mesmo ao litoral brasileiro, onde, na Paraíba, foram encontradas inscrições fenícias;

segundo a Bíblia, o Rei Salomão construiu seu famoso templo com a madeira dos cedros libaneses;

a madeira do cedro era perfumada e utilizada pelos faraós do Egito para mumificar os mortos;

os turcos foram quem mais utilizaram a madeira do cedro.

Houve uma época em que até cem mil empregados cortavam as árvores para extrair o cedro. Destes, dez mil apenas para trazer água para os outros. Hoje temos dezoito florestas. Na floresta de Bcharri, floresta relíquia (1920 metros de altitude), há 375 árvores, duas trimilenares e dez milenares (mais de 1500 anos). Temos ainda a Floresta de Jaj Laqlouk e a Floresta de Barouk Maaser Chouf (quase 6 milhões de árvores antigas e novas), entre outras.

O cedro cresce muito devagar. Pode atingir até 40 metros de altura e 14 de diâmetro de tronco.

Em 1985 foi criada uma associação chamada Amigos da Floresta dos Cedros e tinha como objetivo plantar novos cedros sobre as montanhas do Líbano e reflorestar a região que foi devastada. No ano de 1995, esta organização fez um concurso de desenho sobre o Cedro do Líbano. 60 escolas participaram e o resultado foi 15 mil desenhos feitos por crianças libanesas de 07 a 15 anos de idade. Esta organização ensinou às crianças sobre como plantar e tratar dos cedros, e os jovens fizeram uma grande plantação de cedros sobre as montanhas.

O cedro do Líbano é mais que uma árvore, é o símbolo do Líbano, foi escolhido como emblema da bandeira libanesa, porque se identifica com a força e a imortalidade.

“Um cedro sempre verde é um povo sempre jovem, apesar de um passado cruel. Embora ter sido oprimido, jamais conquistado. O cedro é o seu sinal de união. E pela união, poderia enfrentar todos os ataques.”

Texto da proclamação do Grande Líbano como Estado Independente em 1920.

Informações sobre os cedros

Nos primeiros três anos de vida do cedro, as raízes crescem até um metro e meio de profundidade, enquanto a planta tem só 4 a 5 centímetros. Aos quatro anos o cedro começa a crescer – 20 centímetros a cada ano – e só aos 40 anos produz sementes.

Lugares interessantes para visitar

Vale de Qadisha e Gruta de Qadisha, perto da floresta de cedros de Bcharre

Cemitério e museu de Gibran Khalil Gibran, o famoso poeta e escritor libanês que escreveu o livro “O Profeta”

no inverno, os centros de ski são Cornet e Saouda, a 3.100 metros de altitude. É de onde podemos ver todas as encostas do Líbano e até mesmo as ilhas de Chipre

Onyoun Orchoch: um lindo lugar em meio à natureza, onde se pode comer peixes frescos e beber arak com cubos de neve ao invés de cubos de gelo, mesmo no verão.

Economia Libanesa

A Constituição do Líbano, promulgada em 23 de maio de 1927, garante a economia de livre mercado, a iniciativa pessoal e a propriedade privada. O Líbano respeitou esta liberdade econômica, mesmo na época onde o socialismo se espalhou em muitos países da região. A iniciativa pessoal permaneceu como a base de seu progresso econômico. O Líbano não impôs nenhuma restrição sobre a liberdade de provisão.

Desde 1956, o Líbano adotou o sigilo bancário que se tornou outra base de seu progresso econômico. Durante a Guerra do Líbano, entre 1975 e 1990, os libaneses mantiveram estas bases da economia, confiantes de que estavam no caminho certo. A flexibilidade que caracteriza a mentalidade do povo libanês permite uma capacidade de integração em todas as circunstâncias, para poder enfrentar e ultrapassar as dificuldades que o Líbano conheceu através de sua história.

A situação geográfica do Líbano é a causa de todas as dificuldades, as guerras e as ocupações através de sua história - a última foi a israelense, até o ano de 2000. Por causa dessa situação geopolítica, o Líbano foi obrigado a pagar um preço bem acima de sua capacidade.

O Líbano é um país pequeno – 10.452 km2, com muitas montanhas e pobre em recursos naturais. Possui sítios históricos e arqueológicos, uma natureza privilegiada na região e um ser humano dinâmico, pioneiro nas áreas do turismo, da cultura, dos serviços bancários, do comércio, do jornalismo, das artes, dentre outros. O escritor francês Georges Buis escreveu em seu livro “La Barque”: “Esse país nada produz além de seus habitantes, mas que são príncipes da mente”.

O Líbano saiu da guerra com sua economia totalmente destruída e sua infra-estrutura paralisada. E mesmo assim, deveria enfrentar um novo sistema econômico internacional: a globalização, a comunidade européia, o lançamento do mercado comum dos países árabes e a instituição do comércio internacional. E a única arma usada nesse confronto foi a livre movimentação de investimentos, as fronteiras abertas. E como toda economia depois de uma guerra, precisava ser protegida antes de se lançar novamente.

O verdadeiro problema da economia é a sua capacidade de competir.

Para possibilitar o seu desenvolvimento econômico, o Líbano:

O mecanismo da reconstrução da economia libanesa é o seguinte:

O Líbano pode ser pioneiro em muitos setores:

A economia da Líbano conta também com os investimentos dos emigrantes, que foram desde o começo da emigração, até 150 anos atrás, os melhores investidores no Líbano. Neste objetivo, o governo trabalha também para reforçar as orientações aos emigrantes, explicando as oportunidades dos investimentos atuais do Líbano, através do congresso especializados e das visitas organizadas aos homens de negócios e da indústria.

Diante de todas estas informações, podemos observar que o Líbano é um mercado promissor, onde os investidores internacionais podem aplicar seu capital com segurança e desfrutar os benefícios de um país em franco desenvolvimento, que, ao longo de sua história, conseguiu por diversas vezes renascer das próprias cinzas e se reposicionar diante do cenário mundial.

Pequeno Resumo da História do Líbano

O Líbano possui duas cadeias de montanhas, a primeira, chamada Monte Líbano, estende-se ao longo do Mar Mediterrâneo e seu ponto mais alto tem 3100m de altitude. A segunda, a Anti Líbano, paralela à primeira e separada dela por uma larga planície chamada Bekaa, muito fértil, conhecida na Antigüidade como “o armazém de Roma”. Sua costa compreende 220 Km.

O Líbano tem uma superfície de 10.452 km2. Possui atualmente três milhões e meio de habitantes e quatorze milhões de emigrantes espalhados pelo mundo. O historiador libanês Philippe Hitti, professor em várias universidades americanas disse sobre o Líbano: “O Líbano é um microcosmo pela sua superfície e um macrocosmo pela sua influência”.

O idioma oficial é o árabe, mas o ensino do francês e do inglês é obrigatório nas escolas, facilitando, assim, as relações de comércio e de herança cultural.

Antigamente, desde as épocas mais longínquas, o Líbano era coberto de florestas: carvalhos, pinheiros e, sobretudo, de cedros; isso explica a cobiça dos invasores que vinham buscar a madeira necessária para a construção de seus templos e navios. Segundo a Bíblia, o cedro, sobretudo, era uma manifestação viva de grandeza, beleza, força imortalidade e santidade. E hoje é o símbolo do Líbano, presente em destaque sobre a bandeira libanesa. A resina dos cedros era usada para mumificar os faraós egípcios mortos.

O nome Líbano tem sua origem na mais remota antiguidade. É citado setenta e cinco vezes na Bíblia e, na língua hebraica, Líbano significa branco, talvez devido às suas montanhas, sempre cobertas de neve.

O clima ameno e temperado do Líbano, dividido em quatro estações bem definidas, e sua privilegiada posição geográfica nas rotas comerciais da antiguidade, contribuíram para o seu povoamento.

Muitas cidades foram fundadas desde o terceiro milênio antes de Cristo, tais como Beirute, Byblos, Sidon, Tiro e Trípoli.

Sob o nome de Fenícia, o Líbano de outrora conheceu a prosperidade e tornou-se uma nação de grande renome.

OS FENÍCIOS (3000 – 333 a.C.)

Iniciamos a História do Líbano a partir dos Fenícios, ou seja 3000 anos antes de Cristo.

Foram os Semitas, vindos da Mesopotâmia (atual Iraque), que se estabeleceram na costa libanesa no terceiro milênio antes de Cristo. Estes Semitas são chamados também de Cananeus e a Antiguidade Clássica os denominou de Fenícios. As cidades fenícias mais importantes foram: Byblos, Beirute, Sidon, Tiro, Arvad e Ugarit (sendo que as duas últimas estão agora na Síria).

O comércio e a navegação foram as atividades dos fenícios e desde estes tempos intermediaram as relações entre o Oriente e o Ocidente. Para facilitar a sua atividade comercial, eles inventaram o alfabeto.

As prósperas cidades fenícias foram cobiçadas pelos Faraós do Egito. Ramsés II, vindo para a região, confrontou-se os Hititas nos territórios fenícios e deixou uma placa comemorativa nos rochedos do rio “Nahr el Kolb”(o rio do cão), perto de Beirute, rochedos estes que abrigam mais 10 inscrições comemorativas que marcam a passagem de diferentes conquistadores.

Apesar das diferentes dominações no decorrer dos séculos, as cidades fenícias sempre preservaram uma autonomia interna, o que lhes permitiu prosseguir as suas atividades comerciais.

As suas cidades tinham características de cidades-estados.

Os habitantes de Tiro (Tyr) fundaram a cidade de Cartagena ou Cartago, na Tunísia, no século IX a.C. e era considerada a mais importante de suas colônias. As indústrias eram prósperas, sobretudo a de vidro, que sabiam fazer transparente enquanto no Egito e na Assíria era grosso e impuro.

Os Fenícios transmitiram para a Europa alguns de seus conhecimentos técnicos, artísticos, industriais e comerciais, tais como a matemática, astronomia, os pesos e as medidas. Eles difundiram no II milênio a.C. o alfabeto na região do Levante, dando origem a todos os alfabetos utilizados no mundo de hoje.

Os habitantes de Tiro foram os primeiros a efetuar a volta da África, no século VI a. C (seis antes de Cristo), vinte séculos antes de Vasco da Gama. Partiram de um porto no Egito, no Mar Vermelho, a pedido do faraó Nekhao e voltaram pelo estreito de Gibraltar. Segundo Heródoto, a viagem durou três anos. Há ainda uma hipótese de que os Fenícios chegaram ao novo mundo: a América.

De fato, há uma longa série de inscrições ligadas ao antigo mundo, que foram achadas na terra americana. A mais famosa é a inscrição de Pouso Alto, na Paraíba, Brasil. Nela é mencionado o Grande Deus Fenício Baal; foi redigida em um dialeto hebraico antigo, próximo do fenício, e escrita com letras fenícias.

A inscrição diz:

“Somos os filhos de Canaã, de Sidon, a cidade do rei. Ele nos enviou para esse país distante, um país de montanhas. Sacrificamos um jovem aos deuses e deusas celestes o 19º ano de Hiram, nosso rei. Navegamos, partindo de Ezion-Geber, situada no Golfo de Akaba, pelo Mar Vermelho e viajamos com 10 navios.

Resistimos ao mar durante dois anos e contornamos a Ham (África). Fomos separados pela mão de Báal e perdemos nossos camaradas. Dez morreram e 12 homens e 3 mulheres sobreviveram nesta ilha inabitada. Abra! Que os deus e as deusas celestes nos protejam!”

(Hiram III, 523 a. C.)

Traços do mundo antigo estão conservados na América, nos campos da escrita e da língua falada. Há, ainda, semelhança no culto, cosmologia, arte, arquitetura, agricultura e na vida cotidiana. Algumas palavras indígenas são de origem fenícia e hebraica, tais como: quéchua, chibíka, aimerá, guarani, tupi, dentre outras.

A CONQUISTA GREGA, DE ALEXANDRE O GRANDE - 333 a. C.

A conquista grega, de Alexandre, O Grande, em 333 a.C. e dos romanos, em 64 a.C., tornaram o Líbano um centro importante para as civilizações helenística e romana.

A decadência dos Gregos abriu margem à entrada dos Romanos na região, em 64 a.C. Esta conheceu o apogeu, o progresso econômico e uma autonomia completa que favoreceu o comércio, a construção e a atividade intelectual.

Atribui-se a esse período, a construção do Templo de Baalbeck e da Escola de Direito, em Beirute.

Baalbeck, cidade que data de 1300 a.C., foi escolhida pelos romanos para sediar o famoso Templo de Baalbeck no ano 100 d.C. Hoje é o palco de um grande festival anual, onde são apresentadas obras musicais, artísticas e danças, de artistas do mundo inteiro.

A Escola de Direito de Beirute, fundada no Século II d.C., tornou-se de grande renome ultrapassando as fronteiras do Oriente chegando às cidades da Europa e tornou-se a Meca dos estudantes de Direito da época e fez importantes contribuições ao Código Justiniano.

Quando a religião Cristã surgiu na Palestina, o Líbano foi um dos primeiros a abraçar a nova fé. Contam os Evangelhos que após ter instruído o povo, Jesus se retirou na região de Tiro (Tyr) e Sidon onde realizou o milagre da cura da mulher cananéia.

No ano 636, a Conquista Árabe gerou uma nova estrutura na sociedade libanesa, que seria designada mais tarde de Regime Comunitário.

AS CRUZADAS

Em 1099, os cruzados conquistaram Jerusalém e ocuparam todo território libanês.

Foi desta forma que os cristãos maronitas iniciaram as trocas com o Ocidente Latino. A comunidade maronita se uniu definitivamente a Roma e estabeleceu relações estreitas com o reino da França. Os muçulmanos lançaram uma contra-ofensiva e expulsaram as cruzados em 1252.

Os monumentos deixados pelos cruzados no Líbano são: O Castelo de Trípoli (atribuído a São Gilles), o Castelo do Mar em Sidon, entre tantos outros.

A queda do reino latino não teve como conseqüência a ruptura das relações entre o Oriente e o Ocidente. Os interesses comerciais das duas partes exigiram a continuidade destas relações. Portanto, Beirute foi o centro desta atividade comercial, favorecida pela sua situação geográfica, entre Chipre e Damasco.

No decorrer dos séculos treze, quatorze e quinze, os comerciantes italianos criaram diversos estabelecimentos comerciais em Beirute e foram fundadores das instituições consulares.

A DOMINAÇÃO OTOMANA – 1516 / 1914

O Líbano conheceu a dominação otomana entre 1516 e 1914. Foi o período mais difícil da história do Líbano. No fim da Primeira Guerra Mundial, no ano de 1918 o Líbano sofria com a fome e tinha perdido mais de um terço de sua população. Teve início então o Protetorado Francês, que durou até 1943, ano da Independência do Líbano.

O REGIME COMUNITÁRIO DO LÍBANO

A sociedade libanesa aparece como o resultado progressivo de sua tumultuada e movimentada história. Sua natureza é muito complexa, pelo fato da existência de várias comunidades distintas no plano religioso, social e cultural, gozando cada uma de certa autonomia legislativa e jurídica em matéria de direito de família. É esta estrutura confessional que dá ao Líbano sua feição tão particular.

Desde 1943, data da independência, o Líbano viveu pacificamente graças ao pacto nacional, um “modo de vida coletivo” que traduz a vontade de todos de viver juntos.

Atualmente, o Líbano é uma democracia liberal. Sua economia é baseada no comércio competitivo e na propriedade privada. Serviços e bancos predominam nesse comércio. O Líbano tem a reputação de ser o centro turístico do Oriente Médio. É um ponto de encontro entre o Oriente e o Ocidente, mosaico de raças, religiões e ideologias.

O Líbano tem sido habitado desde sempre por povos de religiões diferentes e origens étnicas que explicam a presença de diversas religiões nas cenas política e religiosa.

A diferença de vários outros países onde existem estas diferentes comunidades, a sua convivência no Líbano, tem características próprias baseadas no respeito recíproco às suas particularidades nas diversas facetas da vida. O papel de cada uma das comunidades se encontra protegido pelos poderes políticos nas atividades econômicas e nas dimensões culturais. Esta realidade se consagrou na Constituição Libanesa e na organização política. Desta maneira, o Líbano se tornou a terra do diálogo e dos encontros.

O Líbano teve sua Constituição promulgada em 1926. Seu sistema político foi adaptado para satisfazer as profundas necessidades sociológicas e históricas criadas pela presença de 18 comunidades no país.

Este sistema político é distribuído entre as autoridades, reconhecido como um sistema democrático, com três poderes: executivo, legislativo e judiciário. O Poder Executivo é dirigido pelo Conselho de Ministros (o governo) presidido pelo Primeiro Ministro, General Emile Lahoud. O Poder Legislativo é dirigido por um Parlamento composto por 128 membros, que são eleitos pelo povo para um mandato de 4 anos, admitida uma reeleição. O Poder Judiciário baseia-se no sistema francês.

Entre 1975 e 1990, o Líbano viveu um período conflituoso. Divergem os historiadores ao descrever esta guerra. Alguns a descrevem como sendo guerra civil, outros como sendo guerra externa, cujo palco foi a terra libanesa. Há também quem diga que o Líbano sempre será vítima de sua localização geopolítica. Podemos concordar dizendo que esta guerra reuniu todos os aspectos acima mencionados. No entanto, o mais importante são as lições que os libaneses aprenderam desta experiência.

Hoje o Líbano, sob a nova organização econômica internacional chamada globalização, trabalha para desenvolver uma economia capaz de competir.

A economia do Líbano é liberal. Turismo, serviços e bancos predominam representando 60% do produto nacional. A agricultura ocupa 15% e os 25% restantes são o setor industrial.

O Líbano está no auge de um completo programa de reconstrução. Até 1975, tinha a reputação de ser o centro turístico do Oriente Médio e gozava de um “boom” turístico sem precedentes.

Agora, com a volta da estabilidade, há grandes esperanças de que o turismo seja de novo voltado para o Líbano. Este país goza de uma posição privilegiada, com a um litoral mediterrâneo, suas montanhas, seus sítios arqueológicos de muitas civilizações, natureza e esqui no inverno.

O Líbano desempenhou também um papel muito importante na vida cultural do Oriente Médio, sobretudo na renovação da cultura árabe. Esse assunto será tratado mais tarde.

Terra de sol, de mar e de montanhas, país do Oriente Médio ligado ao Brasil por laços de amizade. Apesar de sua pequena superfície, o Líbano tem um valor único aos olhos do mundo e faz parte da estrutura psicológica universal. O Líbano foi assim descrito por um poeta libanês: “Esse país que vejo de minha janela é o Líbano, o meu país. Ele até poderia ser visto por inteiro de minha janela se a História não o tivesse expandido mundo afora.”

Esta história longa e rica fez do Líbano um grande museu de lugares antigos. Os trabalhos arqueológicos em Beirute em 1992 revelaram 16 civilizações sobrepostas umas sobre as outras.

Gibran Khalil Gibran, poeta, pintor e filósofo libanês, nasceu na cidade de Becharré, ao norte do Líbano, não muito longe da sagrada floresta dos cedros milenares. Emigrou para Nova York em 1895 e, em companhia de sua mãe, seu irmão e suas duas irmãs e lá faleceu no dia 10 de abril de 1931.

Gibran, cuja obra é abundante e traduzida também em português, tornou-se conhecido pelo seu célebre livro “O Profeta”, escrito em inglês e traduzido em 40 idiomas. Esta obra prima é, antes de tudo, um livro de moral, muito útil em nossos tempos. Segundo Gibran, a mensagem das religiões perdeu sua força por causa do comportamento das igrejas, a ideologia política mostrou suas falhas e o materialismo ateu revelou-se carente de valores espirituais. O livro “O Profeta” reflete o pensamento do autor, suas esperanças, sua filosofia sobre o casamento, os filhos, as leis, a morte, etc, assim como outros assuntos que podem ser resumidos pelo poder curador do amor universal e da unidade do ser.

Para bem compreender o personagem e a obra de Gibran, é preciso sobretudo conhecer o quadro no qual viveu o escritor, o que impregnou suas idéias e seu pensamento.

O CENÁRIO ONDE VIVEU GIBRAN

Gibran nasceu numa pequena cidade, Becharre, situada a 1500 metros de altitude, à beira da Floresta de Cedros e pendendo para um vale insondável – o Vale Santo (Wadih Kadicha). Este vale se abre como uma larga fenda, de mil metros de profundidade, onde corre o Rio Kadicha, o “rio santo”. Sobre suas paredes verticais estão alojadas 800 grutas, dificilmente acessíveis, onde se alojavam piedosos eremitas. A fonte presta homenagem a São Sérgio, de quem recebe o nome.

Toda essa paisagem é favorável ao recolhimento, à solidão, à piedade, à santidade e à contemplação de Deus, através da beleza de sua natureza. Alguns orientalistas compararam este vale a um templo natural de Deus, a “Jerusalém do Líbano” (Jerusalém = Al Quods = santa, em árabe, raiz etimológica idêntica à de Kadicha = santa).

Percorrendo este vale que sobe, deparamo-nos subitamente com uma floresta, a Floresta dos Cedros ou a floresta de Becharre, chamada também “Arz al Rabb”, “os cedros do Senhor”. O cedro é conhecido desde os tempos bíblicos. É o símbolo dos justos: “O justo crescerá como uma palmeira e elevar-se-á como o cedro do Líbano”(Salmo quarenta e dois, versículo três). É também o símbolo da incorruptibilidade e da imortalidade. Gilgamesh, o grande homem que não queria morrer, segundo uma lenda da Babilônia, precisou sair da Babilônia rumo ao Líbano para procurar o segredo da alma. Chegando na Floresta dos Cedros, ele esperava em vão receber a planta da imortalidade.

Os Egípcios usavam a resina dos cedros na mumificação dos mortos, portanto, para a imortalidade. A floresta dos cedros é conhecida também, desde os tempos passados, como o “trono de Deus” e, a cada ano, na festa da transfiguração, é organizada uma peregrinação e o patriarca celebra uma missa. O cedro ocupa um espaço fundamental na obra de Gibran. Vale santo, solidão oriental, cedros milenares, rios cobertos de espuma: este é o cenário onde Gibran passou sua juventude e que forma o dicionário léxico básico de sua obra.

O ambiente infiltrar-se-á também na sua pintura: sua pitoresca arte não abrangerá a representação da paisagem do norte do Líbano, mas unicamente formas humanas. Ele desenha corpos humanos de tal maneira que representam exatamente essa natureza que ele tanto ama. “Se eu desenho uma montanha com um amontoado de formas humanas ou se pinto uma cascata sob a forma de corpos nus caindo, é porque vejo na montanha um montão de coisas vivas e numa cascata uma corrente de vida que cai.”

Todo este cenário se alegra ao sol. De todos os lados jorram fontes de água chamadas “Oyum El Ard” (os olhos da terra), que transbordam lágrimas de alegria. Diante das fontes, as jovens carregando suas jarras vos convidam a beber desta água que corre em ondas, filtrada pelas raízes dos cedros - Tomai, bebei, este é um presente de Deus.” Esses dois componentes da natureza de Becharré, a montanha e o vale, nós os encontramos encarnados na arte e na literatura de Gibran. Para o nível da personalidade de Gibran, a montanha tem uma dimensão vertical, coincidindo com seu papel de profeta, e o vale uma dimensão interina que corresponde a seu feitio materno e dogmático.

Em Becharré, a cidade natal de Gibran, erguem-se sete igrejas e três conventos, assim como vestígios de um templo fenício. O padre Henri Lammens, eminente orientalista belga, sugere como etimologia para Becharré “Bayt Achéra” (casa de Ishtar, ou Ashtarté). Ashtarté era uma divindade feminina da antiguidade, esposa de “El”, o pai dos deuses. Ela também é considerada a mãe dos deuses, chamada de Maryam (Maria) que significa, em línguas semíticas , “senhora do mar” (Mar yam).

Tudo previa que a cidade de Becharré adotaria cedo o cristianismo: sua veneração à árvore do cedro, Ashéra, sua crença na virgindade de Ashéra, mãe dos deuses que gerou Adônis, “o que ressuscitou da primavera”.

Os persas tinham como herói vivo o Mithra.

Os egípcios tinham Osíris.

Os fenícios tinham Adônis (Tammouz).

Gibran escreveu: “Osíris não desapareceu senão com a vinda de Jesus e Mithra (herói vivo dos persas) e com a vinda de Maomé; assim, a humanidade muda o nome de seus heróis, mas não muda sua fé neles.” Toda obra e todo pensamento de Gibran estão impregnados desta espiritualidade.

Finalmente, dentro deste contexto espiritual, é preciso reservar um lugar para a lâmpada eterna: o sol. Becharré é a primeira cidade de toda a montanha libanesa a ser iluminada pelo sol do alvorecer porque é a cidade mais elevada e a que se encontra mais ao leste entre todas as cidades. Becharré e seu cenário natural constituem uma escola de misticismo cujos mestres são os eremitas e cujo ensinamento é o silêncio.

GIBRAN – SUA INFÂNCIA, SUA VIDA

Gibran nasceu no dia 06 de janeiro de 1883 (Natal na Igreja do Oriente) e morreu em 10 de abril de 1931 (sexta-feira santa oriental). Ainda pequeno, era fascinado pelas tempestades. “Cada vez que havia uma tempestade, eu saia e corria para me entregar a mercê do vento. Existia alguma coisa em mim que se soltava e se liberava gloriosamente diante de uma tempestade.”

Sua mãe descobria os talentos precoces do filho, um artista em potencial. Quando tinha seis anos, recebeu de presente de sua mãe uma obra de reprodução de Leonardo Da Vinci. Ela o iniciava à musica e à poesia. Durante horas o pequeno Gibran sabia ficar quietinho enquanto sua mãe lhe recitava, narrava doces romances levantinos, lhe contava histórias das mil e uma noites ou lhe recitava poemas. Os primeiros poemas de Gibran não foram escritos com palavras, mas modelados com a neve; ele construía figuras de uma beleza estranha na neve na frente de sua casa, desenhava e pintava com misterioso frenesi, mas destruía sempre seus desenhos, dizendo: “Eles não eram jamais como aquilo que eu via com os olhos fechados.” Ele permaneceria toda sua vida em busca da perfeição.

O Líbano estava neste tempo sob a ocupação Otomana e a população sofria a dupla feudalidade religiosa e temporária que, entre 1860 e 1880, estimulava várias famílias a emigrar em direção ao novo mundo, entre as quais a família de Gibran (excomunhão do avô materno, padre, por ter celebrado um casamento entre duas famílias feudais em conflito – e a prisão do pai de Gibran spor conta da denúncia de um religioso e de uma calúnia sobre seu trabalho).

Gibran tinha doze anos na época desta viagem. Ele escreverá mais tarde se lembrando do momento da partida: “Minha casa diz: Não me deixe, teu passado está aqui, e a rua me diz: vem segue-me, eu sou o teu futuro. Então eu lhes disse: Eu não tenho nem passado, nem futuro, na sua casa do passado, o eu aspira por um futuro e no seu caminho em direção ao futuro, o eu carrega com ele o passado. Somente o amor e a morte podem mudar tudo.”

O segundo período de sua vida se passa na América, em Boston, onde ele freqüentou a escola pública do bairro para aprender inglês, e também a célebre biblioteca da cidade de Boston onde descobriu as grandes obras literárias. Gibran chamara a atenção primeiramente por seus desenhos e foi contratado por uma mecenas americana, que tinha uma biblioteca importante onde Gibran passava os dias inteiros. Foi assim que ele descobriu os grandes pensadores, filósofos e escritores ingleses. O duplo dom literário e artístico de Gibran constituiu as duas trilhas de sua vocação.

Na idade de quinze anos, no ano de 1898 a família decide enviar Gibran ao Líbano para um melhor conhecimento de sua própria civilização e de sua língua materna. Gibran estudou então o árabe e o francês, e descobriu as literaturas destas duas línguas. Ele ficou quatro anos no Líbano e efetuou, antes de retornar à América, uma viagem ao Egito, Síria e Palestina. Em particular, aos lugares santos.

De volta aos Estados Unidos em 1902, num espaço de quinze meses, ele perdeu sua mãe (com quarenta e cinco anos), seu irmão primogênito e sua irmã caçula (com quatorze anos) . A perda de sua mãe o mergulhou numa dor inconsolável.

“Para todo ser na Terra, a palavra mais pura é a palavra mãe e o chamado mais doce é mamãe. Essas miúdas letras de tão sublimes valores são modeladas pela esperança, pelo amor e por tudo o que é belo e puro na vida; mãe é a consolação na tristeza, o socorro no abandono, a força na fraqueza, ela é a fonte da ternura, da compaixão e do perdão. Aquele que perde sua mãe perde um colo onde pousar sua cabeça, uma mão que o abençoa e um olhar que o protege.”

Em 1904, ele conheceu Mary Haskell, diretora de escola que se tornou sua protetora e lhe ofereceu uma bolsa de estudos artísticos em Paris, entre 1908 e 1910. Ele se inscreveu na Academia Julien e no Instituto de Belas Artes. Em uma de suas cartas a Mary Haskell, ele escreveu: “Os professores da Academia me dizem sempre: ‘Não torne o modelo mais belo do que ele é, e minha alma não cessa de suspirar.’ Ah! se você pudesse apenas pintar o modelo tão belo quanto ele é realmente... Que devo fazer, será preciso agradar os professores ou então a minha alma? É verdade que estes respeitáveis e velhos professores possuem um imenso saber, mas a alma está bem mais próxima da verdade.”

Gibran passou dois anos em Paris, onde pôde encontrar-se com Debussy, Maeterlink, Rostand, Pierre Loti e Auguste Rodin. O estilo de sua pintura, de par com sua simplicidade instintiva, torna a pintura semelhante à arte da escultura. Em toda a pitoresca obra de Gibran, o corpo nu é a sua própria vestimenta, o véu que dá forma à alma. Com isso, poder-se-ia dizer que sua arte é uma tentativa de pintar o espírito.

De volta à América, Gibran mergulha na leitura de obras, não só em árabe mas em inglês, fazendo o equilíbrio entre a influência de Blake, de Nietzche e dos poetas místicos muçulmanos, como Ibn Al Arabi e Ibn Al Farid. Entretanto, a influência mais importante foi, sem dúvida, a Bíblia, obra que não pertence nem ao Oriente nem ao Ocidente.

A herança libanesa da infância e a cultura americana da adolescência vão se aliar a uma nova influência latina, na verdade humanista, que iria completar a gama deste espírito aberto... Ele descreveria mais tarde: “A terra é minha pátria e a humanidade, minha família. Eu te amo, meu irmão, qualquer que sejas, eu te amo em oração dentro de tua mesquita, em devoção dentro de tua igreja, ou em veneração dentro de teu templo, porque tu e eu somos filhos de uma mesma religião: o Espírito. E os diversos caminhos religiosos representam os vários dedos de uma única mão amante do ser supremo. E essa mão se volta para nós com ardor para nos guiar em direção à plenitude da alma.”

Os primeiros livros de Gibran (Asas Partidas, As Ninfas do Vale, As Almas Rebeldes, Temporais), entre 1905 e 1920 foram uma série de escritos revolucionários, com os quais Gibran esperava destruir tradições e instituições, denunciar a vilania e a estupidez, desmantelar o trono dos gananciosos, humilhar o clero que prega o que não pratica, edificar um novo estilo de vida.

Após esses livros, Gibran, o revolucionário, transformou-se em Gibran o filósofo, o sábio, mais preocupado com a alma humana do que com as instituições sociais, convencido de que os piores inimigos do homem estão dentro e não fora dele mesmo, e que a compreensão e a compaixão são melhores instrumentos de reforma e progresso do que a condenação e a destruição. Viriam, então, os livros de mais ampla visão e de mais profunda ternura, como O Profeta, Jesus – O Filho do Homem, Areia e Espuma, dentre outros.

Em sua maturidade, os livros de Gibran são um hino ao amor, apresentado como o único caminho da salvação num mundo onde todos os valores são ilusórios e onde a repetição dos dias e das noites e do que há nos dias e nas noites dá à vida uma monotonia insuportável.

“É melhor para nós e mais sábio,

Procurar um recanto à sombra

E dormir em nossa divindade terrestre

E deixar o amor, humano e frágil,

Comandar o dia que chega.”

(deuses da Terra)

Gibran procura fazer do homem um homem melhor, sensível, justo, generoso, benévolo, mais apegado aos valores espirituais do que aos materiais, mais orientado pelo coração do que pelo interesse, mais feliz em dar do que receber. Seu ideal da vida: harmonizar-se com a natureza. “O amor é a única liberdade neste mundo, porque eleva a alma às alturas, além das leis e das tradições dos homens e das necessidades e imposições da natureza.” (Asas Partidas). A leitura de Gibran é mais do que uma leitura, é uma renovação da alma.

Gibran foi também quem deu origem à criação de uma associação literária e política para reunir as forças dos emigrantes sírios-libaneses nos Estados Unidos, a fim de emancipar os países do Oriente-Médio submetidos ao jugo otomano. Ele criou ainda um grupo de escritores sírios–libaneses em 1920, a “Liga da Pluma”, que contribuiu para o renascimento da literatura árabe, tirando-a de sua letargia. Ele disse um dia: “o que a vida reservou para nós, pesquisadores do absoluto, foi a alegria de ter sede permanente do saber”.

Ele teve igualmente a idéia de fazer uma coleção de quadros que ele chamou de Templo da Arte, onde aperfeiçoou os grandes homens da época.. Foi assim que ele conheceu Thomas Edison (inventor da lâmpada elétrica e da fotografia), o psiquiatra Carl Jung, que havia recentemente se afastado de seu mestre Freud, Sarah Bernarht, o filósofo francês, Henri Bergson e vários outros. Gibran encontrara várias vezes o poeta indiano Tagore, que tinha recebido o prêmio Nobel. Em um dos seus encontros, o poeta indiano criticou a América qualificando-a de uma terra que se agarra ao dinheiro e é desprovida de toda visão. Gibran responde defendendo seu país acolhedor e revelando seu pensamento universal: “O espírito pode se manifestar através da máquina; o espírito e a matéria não são contraditórios, pois o espírito se acha em toda parte onde há vida.”

Falando do traço característico de cada povo, ele disse um dia: “A maior ambição de um Russo é ser um santo, a de um Alemão é ser um conquistador, a de um francês é ser um grande poeta, a maior ambição do povo do oriente é ser um profeta.”

Falando de si próprio, ele se define da seguinte maneira: “Eu estou sempre trabalhando, mesmo dormindo, mesmo se estou inerte como uma rocha. Nas profundezas de minha alma, há um movimento independente da palavra, das linhas e das cores. O trabalho para o qual eu nasci escapa da pena e do pincel.

Ele disse também: “Está em mim, um amigo que me consola cada vez que os males me atingem e as tristezas me afligem. Aquele que não sente amizade por si mesmo é um inimigo público e aquele que não é seu próprio confidente morrerá de desespero, porque a vida jorra do foro íntimo e não daquilo que o cerca. Eu vim para dizer uma só palavra e esta palavra eu a direi, mas se a morte me impedir de dize-la, então ela será dita no amanhã, pois o amanhã não deixará qualquer segredo no livro da eternidade.”

O LIVRO “O PROFETA” – O QUE ELE REPRESENTA PARA GIBRAN

Gibran diz: “O Profeta é uma obra na qual eu penso há mil anos, é para mim um segundo nascimento e meu primeiro batismo, é o único pensamento que me torna digno de me por diante do sol. Esse profeta me colocou no mundo antes que eu tivesse concebido, ele me modelou antes que eu tivesse pensado em lhe dar forma e, enfim, ele me ordenou andar mudo no seu encalço, durante sete mil léguas, antes que ele parasse para me ditar suas tendências e suas intenções.”

O profeta cujo nome é Al-Mustapha, que significa “o bem amado e o eleito”, ora, “o bem amado” (que é também uma tradução da palavra Khalil) é um atributo dado a Abraão e, em seguida, a Jesus, enquanto que “o eleito” é um atributo de Maomé. O profeta de Gibran seria, então, o filho de todos os profetas do Oriente que o precederam?

Gibran tinha uma saúde muito frágil e, apesar disto, ele trabalhava com afinco, desenhava durante o dia e escrevia à noite. Seu coração fraquejou quando ele atingiu os 48 anos. Seu corpo foi transportado para o Líbano e enterrado num local escolhido anteriormente por ele: um antigo convento, situado ao pé da floresta dos cedros, pendendo para o vale santo, sua morada por toda a eternidade. Ali se encontra o Museu de Gibran, que reúne sua obra literária e artística.

Gibran influenciou de modo extraordinário a vida de milhões de pessoas, fazendo chegar ao mundo uma mensagem de reconciliação, de tolerância e de paz, de fraternidade, de perdão e auxílio mútuo, que devia ser a passagem da comunidade internacional para a aurora do terceiro milênio.

Em 1991, o Presidente George Bush declarou no seu discurso da inauguração do Memorial Gibran, na Avenida Massachusettts: “Este poeta escrevera um dia: ‘o amor é uma palavra luminosa, traçada por uma mão iluminada numa página de luz’ e, de minha parte eu digo: a mão é sua e nossos corações são a página sobre a qual esta palavra luminosa foi traçada”.

CRONOLOGIA DA VIDA DE GIBRAN KHALIL GIBRAN

1883 – Nascimento de Gibran Khalil Gibran em Becharré (Norte do Líbano). Ele fará seus primeiros estudos em árabe e siríaco em Becharré até 1894.

1895 – Emigração da família de Gibran para os Estados Unidos (Boston). Gibran faz seus estudos em inglês.

1898 – Gibran, com saudades do Líbano, volta para estudar em árabe; matricula-se no Colégio da Sabedoria, em Beirute.

1902 – Fixa-se definitivamente nos Estados Unidos, fase da juventude e da rebeldia, dominada por seu gosto pelas tempestades; Gibran escreve 8 livros, todos em árabe: A Música (1905), As Ninfas do Vale (1905), As Almas Rebeldes (1908), Asas Partidas (1912), Uma Lágrima e Um Sorriso (1914), As Procissões (1919), Temporais (1920) e Curiosidades e Belezas (1923).

1920 – Começa a fase da maturidade e da sabedoria. Surge Gibran, o filósofo; produz também 8 livros, todos em inglês: O Louco (1918), O Precursor (1920), O Profeta (1923), Areia e Espuma (1926), Jesus – O Filho do Homem (1928), Os Deuses da Terra (1931), sendo duas publicações póstumas: O Errante (1932), O Jardim do Profeta (1933).

1931 – Gibran falece em Nova York. Segundo sua vontade, suas cinzas são enterradas no Líbano, perto dos cedros, no mesmo lugar onde se encontra hoje o Museu de Gibran Khalil Gibran.

Alguns pensamentos de Gibran

Extraídos do livro “Areia e Espuma”:

“O desejo é a metade da vida, a indiferença é a metade da morte”.

“Não podemos atingir a aurora sem passar pela noite.”

“A generosidade não está em dar-me aquilo que eu preciso mais que você, mas em dar-me aquilo de que precisas mais do que eu.”

Extraídos do livro “O Profeta”:

“Quando um de nós ama, que não diga: ‘Deus está em meu coração’, mas que diga antes: ‘Eu estou no coração de Deus’.”

“Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não são de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem.”

“Vós pouco dais quando dais de vossas posses; é quando dais de vós próprios que realmente dais.”

“O trabalho é o amor feito visível.”

“ – O que é trabalhar com amor?

É tecer o tecido com fios desfiados de vosso próprio coração, como se vosso bem-amado fosse usar esse tecido;

É construir uma casa com afeição, como se vosso bem-amado fosse habitar essa casa;

É semear sementes com ternura e recolher a colheita com alegria, como se vosso bem-amado fosse colher os frutos;

É por em todas as coisas que fazeis um sopro de vossa alma;

É saber que todos os abençoados mortos nos rodeiam e nos observam.”

“Sereis, na verdade, livres, não quando vossos dias estiverem sem preocupação e vossas noites sem necessidades e sem aflição, mas antes, quando essas coisas sobrecarregarem vossa vida e, entretanto, conseguirdes elevar-vos acima delas, desnudos e desatados.”

“Se quiserdes conhecer a Deus, não procureis transformar-vos em decifradores de enigmas. Olhai, antes, à vossa volta e encontrá-lo-eis a brincar com vossos filhos. E erguei os olhos para o espaço e vê-lo-eis caminhando nas nuvens, estendendo os braços no relâmpago e descendo na chuva. E o vereis sorrindo nas flores e agitando as mãos nas árvores.”

Que é morrer se não expor-se, desnudo, aos ventos e dissolver-se no sol? E que é cessar de respirar, senão libertar o hálito de suas marés agitadas, a fim de que se levante e se expanda e procure a Deus livremente?”

“Mais um curto instante, e minha nostalgia começará a recolher argila e espuma para um novo corpo. Mais um curto instante, mais um descanso rápido sobre o vento, e outra mulher me conceberá”.

Fonte: www.libano.org.br

voltar 12345avançar
Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal