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Greve inútil

Lima Barreto

Os empregados dos bancos de Berlim declararam-se em grève

Está aí uma grève para muita gente bastante sem significação. Eu, por exemplo, nunca tive a mínima idéia da serventia de um banco.

Para mim, tal instituição como muitas outras coisas, absolutamente coisas quiméricas.

Por isso, fico sempre muito admirado que toda a gente peça bancos para o desenvolvimento do país.

Eu não sei por quê, nem para quê.

Não são só os bancos cuja existência acho inútil. Há coisas, entre as quais posso citar assim de pronto: jóias, as representações no Municipal, além dos navios transatlânticos que levam os homens felizes e os revolucionários estrangeiros para a Europa.

Muito tem demais o mundo, para minha existência; mas nem por isso deixo de apreciar o supérfluo nos outros.

O banco, porém, é que não vejo para mim, nem nos outros das minhas relações.

O único que conheci, foi o dos Funcionários Públicos, mas esse não me deixou boas recordações.

Agora, porém, os de Berlim, por intermédio de seus empregados, por terem aderido ao socialismo, anarquismo ou coisa que valha, estão empregando também a malsinada greve.

Não me compete censurá-los por isso, pois o uso da grève generaliza-se em todas as profissões; o que me parece, porém, é que essa grève só pode interessar os capitalistas e, certamente, esses não estarão dispostos a dar o seu apoio a essa arma com que os guerreiam os seus inimigos.

Essa grève vai resultar inútil, daí pode ser que não e até concorra muito para a solução da questão social.

Veremos.

Marginália, 22-5-1920

Fonte: www.biblio.com.br

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