Facebook do Portal São Francisco
Google+
+ circle
Home  Bicho Papão  Voltar

Bicho Papão

No sertão existe um inseto que habita o subsolo, e fura o terreno para abrigar-se. A terra extraída do lugar em que escava, lembra a forma do fundo de uma garrafa. Diz o caipira ser a pegada do duende.
Entes há, acreditam, que patuam nas sextas-feiras santas, nalguma encruzilhada onde os caminhos se bifurcam, à meia-noite, com o gênio do mal, metamorfoseando-se em um grande Bode Preto, conquistando a felicidade em troca da alma e selando com algumas gotas de sangue, contratos macabros minutados pelo próprio demônio.

Para isso, porém, é preciso que o aspirante à felicidade seja dotado de grande fortaleza d'alma para que o Sujo não lhe pregue alguma peça, como sucedeu a um que combinara firmar contrato com o Espírito das Trevas e lhe entregava a alma com a condição deste de fazê-lo invencível no jogo do facão.

Bicho Papão

Combinaram que o Diabo o ensinaria e o familiarizaria com todos os truques do jogo. O aspirante, por maior que fosse o aperto, não poderia chamar pelo nome de santo algum.

Em meio da lição, porém, tal foi a conjuntura, ameaçado pelos coriscos do Diabo, que olvidando a combinação, a um bote que lhe deu o macabro professor, num salto à retaguarda, irrefletidamente, exclamou:
-São Bento!!!
-Serás molambento, urrou o Diabo, sovertendo-se pelo chão a dentro.

Desde então o triste viveu andrajoso: não havia roupa que o agüentasse, por mais forte e bem tecido que fosse o pano e, apoupado, viria a arrastar seus molambos com a alma entregue ao Diabo, sem a compensação que ambicionava.

Fonte: ifolclore.vilabol.uol.com.br

Bicho Papão

O município de Americano do Brasil pertence ao estado de Goiás. Situado a cem quilômetros a oeste de Goiânia, capital estadual, sua história é relativamente recente porque, segundo se conta, começou quando em 1946 um fazendeiro de nome Benedito de Almeida Lara, o Benedito Brás, instalou em suas terras uma pequena venda, nome que no interior brasileiro se dá aos modestos estabelecimentos comerciais que trabalham com mantimentos, bebidas e coisas desse tipo

Tempos depois o Benedito Brás vendeu seu “comércio” e mandou fazer uma casa ali por perto, destinada a servir de pensão (hospedaria) aos viajantes que por lá passavam. Nessa época, a construção de Brasília, capital federal, não muito distante dali, começara a atrair homens e mulheres de todos os rincões da nação, da mesma forma como o norte e o centro-oeste brasileiro passaram a receber gente interessada em “fazer a vida” naquele novo eldorado.

Nessa altura dos acontecimentos, Godofredo Amaral, homem de boa visão empresarial, comprou e loteou parte daquelas terras. Esses terrenos aos poucos foram sendo adquiridos por diferentes pessoas que logo trataram de construir neles as suas casas de morada, iniciando dessa maneira a formação do povoado de Olhos D’Água.

Esse novo aglomerado urbano cresceu, e em 10 de abril de 1961 se tornou distrito do município de Anicuns, ganhando, porém, o nome de Americano do Brasil em homenagem ao poeta, jornalista, escritor, advogado e político goiano, dr. Antônio Americano do Brasil, falecido em 1932. Como o progresso havia chegado para ficar, novas lojas, padarias e escolas foram se instalando na localidade, até que em novembro de 1979 a maioria absoluta da população aprovou em plebiscito a elevação do distrito à categoria de município. O que foi sacramentado em 10 de junho de 1980, com a homologação da Lei Estadual nº 8844, cujo texto mantinha o seu nome e determinava que a eleição pa-ra a escolha de seu prefeito e vereadores fosse realizada em 1982.

Hoje, Americano do Brasil tem em torno de 4.933 habitantes (dados estimados em 2005), com 4.116 deles na zona urbana e 817 na rural. Sua área territorial é de 133,6 km², e sua densidade demográfica de 36,90 habitantes por km². Mas apesar de ainda jovem e possuidora de muitas riquezas naturais, culturais e sociais, a cidade também tem no próprio nome motivo de sobra para envaidecer-se, porque através dele contribui para conservar viva a lembrança de um goiano ilustre que sempre procurou recolher e preservar na palavra escrita, o passado e o folclore de sua gente e de sua terra. Daí que entre as histórias contadas por Americano do Brasil, está a do bode preto, publicada pelo jornal A Gazeta. São Paulo em 22 de abril de 1960, e que diz:

O bode preto é uma figuração do diabo, o espantalho da distração cinegética, lançando a confusão no espírito dos que andam em procura ou então à espera da lépida caça. Simula animais: veados, antas e outros, desaparecendo à vista da mira do caçador. Manifesta-se o bode preto dentro de várias peles, mas comumente é o próprio animal lendário que vem intrigar o homem: um enorme bode, com longos pêlos, olhos brilhantes como fogo, e um bigodão de causar terror aos mais destemidos. Tem um berro agudo, como só mesmo satanás seria capaz de emitir: reboa, reboa e por muito tempo o eco repercute nas quebradas a pique. O bode preto fala, e pela manifestação articulada é que se distingue dos outros colegas da mesma cor; também se distingue pelo colossal cavanhaque, característico do monstro, anotado pelos caçadores do alto sertão.

Certa vez um caçador, ao atravessar uma ponte, avistou um vulto do outro lado; a montaria refugou e o nosso homem fez pontaria, mas o vulto, que era o bode preto, replicou com voz de cana rachada: “Não me atire que você será feliz!”. O homem fez fogo e uma enorme gargalhada rompeu no meio da mataria, enquanto um cheiro de enxofre espesso e nauseabundo invadia a atmosfera.

Algumas lendas sertanejas brasileiras sustentam que na sexta-feira santa, se alguém estiver em alguma encruzilhada por volta da meia noite, poderá pactuar com o diabo, que lhe aparecerá na forma de um grande bode preto oferecendo muito dinheiro e felicidade de sobra, mas exigindo, em troca, a alma dessa mesma criatura. Dizem que o acordo é selado com sangue num contrato escrito pelo próprio diabo, mas que é preciso muita atenção e força de vontade por parte do interessado, porque o demônio procura sempre enganar o cidadão descuidado.

Existem no Brasil várias lendas sobre o bode preto. Como uma de Sergipe, que fala de certa figura estranha, alta, focinho comprido, olhos de fogo, pernas tortas e rabo pelu-do, que vira bode preto em altas horas da noite e sai à procura de recém-nascidos para devorar. Ou a relatada por alunos da Universidade Federal em Afuá, no Amapá, “identificada como manifestação autêntica do folclore local”, aludindo a um bode que sai da igreja e anda pelas ruas arrastando a corrente nele enrolada. Segundo comentários, o bicho é preto e apavora as pessoas que chegam a ouvir o barulho da corrente arrastada, mas nem a berro se aproximam para ver o que do que se trata.

Ou a que fala do gênio do mal metamorfoseado em um grande bode preto sempre oferecendo felicidade em troca da alma do interessado, selando com gotas de sangue os contratos preparados por ele mesmo. (Anuário do Folclore – Festival do Folclore de Olímpia, SP). Segundo o texto, alguém contratou com o Espírito das Trevas que lhe entregaria a alma sob a condição do demo torná-lo invencível no jogo do facão, ficando combinado que o professor ensinaria ao aluno todos os truques a respeito, sem que este pudesse chamar por nenhum santo, qualquer que fosse o seu aperto. Durante a lição, sentindo-se ameaçado pelos coriscos do diabo, o aprendiz esqueceu a combinação, pulou para trás e exclamou, sem pensar: -São Bento! Ao que o diabo retrucou num urro: – De hoje em diante serás maltrapilho, sovertendo-se pelo chão à dentro.

Desde então o triste passou a andar em andrajos, pois não havia roupa que o agüentasse, por melhor que fosse o pano, arrastando seus molambos com a alma entregue ao diabo, e ainda por cima sem a compensação que ambicionava.

Fonte: www.efecade.com.br

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal