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Sarças de Fogo

Olavo Bilac

PARTE III

Sahara Vitae

Lá vão eles, lá vão! O céu se arqueia
Como um teto de bronze infindo e quente,
E o sol fuzila e, fuzilando, ardente
Criva de flechas de aço o mar de areia...

La vão, com os olhos onde a sede ateia
Um fogo estranho, procurando em frente
Esse oásis do amor que, claramente,
Além, belo e falaz, se delineia.

Mas o simum da morte sopra: a tromba
Convulsa envolve-os, prostra-os; e aplacada
Sobre si mesma roda e exausta tomba...

E o sol de novo no ígneo céu fuzila...
E sobre a geração exterminada
A areia dorme plácida e tranqüila.

Beijo Eterno

Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue. Acalma-o com teu beijo,
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

Fora, repouse em paz
Dormida em calmo sono a calma natureza,
Ou se debata, das tormentas presa, -
Beija inda mais!
E, enquanto o brando calor
Sinto em meu peito de teu seio,
Nossas bocas febris se unam com o mesmo anseio,
Com o mesmo ardente amor!

De arrebol a arrebol,
Vão-se os dias sem conto! e as noites, como os dias,
Sem conto vão-se, cálidas ou frias!
Rutile o sol
Esplêndido e abrasador!
No alto as estrelas coruscantes,
Tauxiando os largos céus, brilhem como diamantes!
Brilhe aqui dentro o amor!

Suceda a treva à luz!
Vele a noite de crepe a curva do horizonte;
Em véus de opala a madrugada aponte
Nos céus azuis,
E Vênus, como uma flor,
Brilhe, a sorrir, do ocaso à porta,
Brilhe à porta do Oriente! A treva e a luz - que importa?
Só nos importa o amor!

Raive o sol no Verão!
Venha o Outono! do Inverno os frígidos vapores
Toldem o céu! das aves e das flores
Venha a estação!
Que nos importa o esplendor
Da primavera, e o firmamento
Limpo, e o sol cintilante, e a neve, e a chuva, e o vento?
- Beijemo-nos, amor!

Beijemo-nos! que o mar
Nossos beijos ouvindo, em pasmo a voz levante!
E cante o sol! a ave desperte e cante!
Cante o luar,
Cheio de um novo fulgor!
Cante a amplidão! cante a floresta!
E a natureza toda, em delirante festa,
Cante, cante este amor!

Rasgue-se, à noite, o véu
Das neblinas, e o vento inquira o monte e o vale:
"Quem canta assim?" E uma áurea estrela fale
Do alto do céu
Ao mar, presa de pavor:
"Que agitação estranha é aquela?"
E o mar adoce a voz, e à curiosa estrela
Responda que é o amor!

E a ave, ao sol da manhã,
Também, a asa vibrando, à estrela que palpita
Responda, ao vê-la desmaiada e aflita:
"Que beijo, irmã! Pudesses ver com que ardor
Eles se beijam loucamente!"
E inveje-nos a estrela... - e apague o olhar dormente,

Morta, morta de amor!..

Diz tua boca: "Vem!"
"Inda mais!", diz a minha, a soluçar... Exclama
Todo o meu corpo que o teu corpo chama:
"Morde também!"
Ai! morde! que doce é a dor
Que me entra as carnes, e as tortura!
Beija mais! morde mais! que eu morra de ventura,
Morto por teu amor!

Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!
Ferve-me o sangue: acalma-o com teu beijo!
Beija-me assim!
O ouvido fecha ao rumor
Do mundo, e beija-me, querida!
Vive só para mim, só para a minha vida,
Só para o meu amor!

Pomba e Chacal

Õ Natureza! ó mãe piedosa e pura!
Ó cruel, implacável assassina!
- Mão, que o veneno e o bálsamo propina
E aos sorrisos as lágrimas mistura!

Pois o berço, onde a boca pequenina
Abre o infante a sorrir, é a miniatura
A vaga imagem de uma sepultura,
O gérmen vivo de uma atroz ruína?!

Sempre o contraste! Pássaros cantando
Sobre túmulos... flores sobre a face
De ascosas águas pútridas boiando...
Anda a tristeza ao lado da alegria...
E esse teu seio, de onde a noite nasce,
É o mesmo seio de onde nasce o dia...

Medalha Antiga

(Leconte de Lisle.)

Este, sim! viverá por séculos e séculos,
Vencendo o olvido. Soube a sua mão deixar,
Ondeando no negror do ônix polido e rútilo,
A alva espuma do mar.

Ao sol, bela e radiosa, o olhar surpreso e extático,
Vê-se Kypre, à feição de uma jovem princesa,
Molemente emergir à flor da face trêmula
Da líquida turquesa.

Nua a deusa, nadando, a onda dos seios túmidos
Leva diante de si, amorosa e sensual:
E a onda mansa do mar borda de argênteos flóculos
Seu pescoço imortal.

Livre das fitas, solto em quedas de ouro, espalha-se
Gotejante o cabelo: e seu corpo encantado
Brilha nas águas, como, entre violetas úmidas,
Um lírio imaculado.

E nada, e folga, enquanto as barbatanas ásperas
E as fulvas caudas no ar batendo, e em derredor
Turvando o Oceano, em grupo os delfins atropelam-se,
Para a fitar melhor.

No Cárcere

Por que hei de, em tudo quanto vejo, vê-la?
Por que hei de eterna assim reproduzida
Vê-la na água do mar, na luz da estrela,
Na nuvem de ouro e na palmeira erguida?

Fosse possível ser a imagem dela
Depois de tantas mágoas esquecida!...
Pois acaso será, para esquecê-la,
Mister e força que me deixe a vida?

Negra lembrança do passado! lento
Martírio, lento e atroz! Por que não há de
Ser dado a toda a mágoa o esquecimento?

Por quê? Quem me encadeia sem piedade
No cárcere sem luz deste tormento,
Com os pesados grilhões desta saudade?

Olhando a Corrente

Põe-te à margem! Contempla-a, lentamente,
Crespa, turva, a rolar. Em vão indagas
A que paragens, a que longes plagas
Desce, ululando, a lúgubre torrente.

Vem de longe, de longe... Ouve-lhe as pragas!
Que infrene grita, que bramir freqüente,
Que coro de blasfêmias surdamente
Rolam na queda dessas negras vagas!

Choras? Tremes? É tarde... Esses violentos
Gritos escuta! Em lágrimas, tristonhos,
Fechas os olhos?... Olha ainda o horror

Daquelas águas! Vê! Teus juramentos
Lá vão! lá vão levados os meus sonhos,
Lá vai levado todo o nosso amor!

Tenho Frio e ardo em Febre!

E tremo a mezza state,
ardendo inverno.
(PETRARCA.)

Tenho frio e ardo em febre!
O amor me acalma e endouda! o amor me eleva e abate!
Quem há que os laços, que me prendem, quebre?
Que singular, que desigual combate!

Não sei que ervada frecha
Mão certeira e falaz me cravou com tal jeito,
Que, sem que eu a sentisse, a estreita brecha
Abriu, por onde o amor entrou meu peito.

O amor me entrou tão cauto
O incauto coração, que eu nem cuidei que estava,
Ao recebê-lo, recebendo o arauto
Desta loucura desvairada e brava.

Entrou. E, apenas dentro,
Deu-me a calma do céu e a agitação do inferno...
E hoje... ai! de mim, que dentro em mim concentro
Dores e gostos num lutar eterno!

O amor, Senhora, vede:
Prendeu-me. Em vão me estorço, e me debato, e grito;
Em vão me agito na apertada rede...
Mais me embaraço quanto mais me agito!

Falta-me o senso: a esmo,
Como um cego, a tatear, busco nem sei que porto:
E ando tão diferente de mim mesmo,
Que nem sei se estou vivo ou se estou morto.

Sei que entre as nuvens paira
Minha fronte, e meus pés andam pisando a terra;
Sei que tudo me alegra e me desvaira,
E a paz desfruto, suportando a guerra.

E assim peno e assim vivo:
Que diverso querer! que diversa vontade!
Se estou livre, desejo estar cativo;
Se cativo, desejo a liberdade!

E assim vivo, e assim peno;
Tenho a boca a sorrir e os olhos cheios de água:
E acho o néctar num cálix de veneno,
A chorar de prazer e a rir de mágoa.

Infinda mágoa! infindo
Prazer! pranto gostoso e sorrisos convulsos!
Ah! como dói assim viver, sentindo
Asas nos ombros e grilhões nos pulsos!

Nel Mezzo Del Camin...

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha,
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

Solitudo

Já que te é grato o sofrimento alheio,
Vai! Não fique em minh'alma nem um traço,
Nem um vestígio teu! Por todo o espaço
Se estenda o luto carregado e feio.

Turvem-se os largos céus... No leito escasso
Dos rios a água seque... E eu tenha o seio
Como um deserto pavoroso, cheio
De horrores, sem sinal de humano passo...

Vão-se as aves e as flores juntamente
Contigo... Torre o sol a verde alfombra,
A areia envolva a solidão inteira...

E só fique em meu peito o Saara ardente
Sem um oásis, sem a esquiva sombra
De uma isolada e trêmula palmeira!

A Canção de Romeu

Abre a janela... acorda!
Que eu, só por te acordar,
Vou pulsando a guitarra, corda a corda,
Ao luar!

As estrelas surgiram
Todas: e o limpo véu,
Como lírios alvíssimos, cobriram
Do céu.

De todas a mais bela
Não veio inda, porém:
Falta uma estrela... És tu! Abre a janela,
E vem!

A alva cortina ansiosa
Do leito entreabre; e, ao chão
Saltando, o ouvido presta à harmoniosa
Canção.

Solta os cabelos cheios
De aroma: e seminus,
Surjam formosos, trêmulos, teus seios
À luz.

Repousa o espaço mudo;
Nem uma aragem, vês?
Tudo é silêncio, tudo calma, tudo
Mudez.

Abre a janela, acorda!
Que eu, só por te acordar,
Vou pulsando a guitarra corda a corda,
Ao luar!

Que puro céu! que pura
Noite! nem um rumor..
Só a guitarra em minhas mãos murmura:
Amor!...

Não foi o vento brando
Que ouviste soar aqui:
É o choro da guitarra, perguntando
Por ti.

Não foi a ave que ouviste
Chilrando no jardim:
É a guitarra que geme e trila triste
Assim.

Vem, que esta voz secreta
É o canto de Romeu!
Acorda! quem te chama, Julieta,
Sou eu!

Porém... Ó cotovia,
Silêncio! a aurora, em véus
De névoa e rosas, não desdobre o dia
Nos céus...

Silêncio! que ela acorda...
Já fulge o seu olhar...
Adormeça a guitarra, corda a corda,
Ao luar!

A Tentação de Xenócrates

I

Nada turbava aquela vida austera:
Calmo, traçada a túnica severa,
Impassível, cruzando a passos lentos
As aléias de plátanos, - dizia
Das faculdades da alma e da teoria
De Platão aos discípulos atentos.

Ora o viam perder-se, concentrado,
No labirinto escuso de intricado,
Controverso e sofístico problema,
Ora os pontos obscuros explicando
Do Timeu, e seguro manejando
A lâmina bigúmea do dilema.

Muitas vezes, nas mãos pousando a fronte,
Com o vago olhar perdido no horizonte,
Em pertinaz meditação ficava.
Assim, junto às sagradas oliveiras,
Era imoto seu corpo horas inteiras,
Mas longe dele o espírito pairava.

Longe, acima do humano fervedouro,
Sobre as nuvens radiantes,
Sobre a planície das estrelas de ouro;
Na alta esfera, no páramo profundo
Onde não vão, errantes,
Bramir as vozes das paixões do mundo:

Aí, na eterna calma,
Na eterna luz dos céus silenciosos,
Voa, abrindo, sua alma
As asas invisíveis,
E interrogando os vultos majestosos
Dos deuses impassíveis...

E a noite desce, afuma o firmamento...
Soa somente, a espaços,
O prolongado sussurrar do vento...
E expira, às luzes últimas do dia,
Todo o rumor de passos
Pelos ermos jardins da Academia.

E, longe, luz mais pura
Que a extinta luz daquele dia morto
Xenócrates procura:
- Imortal claridade,
Que é proteção e amor, vida e conforto,
Porque é a luz da verdade.

II

Ora Laís, a siciliana escrava
Que Apeles seduzira, amada e bela
Por esse tempo Atenas dominava...

Nem o frio Demóstenes altivo
Lhe foge o império: dos encantos dela
Curva-se o próprio Diógenes cativo.

Não é maior que a sua a encantadora
Graça das formas nítidas e puras
Da irresistível Diana caçadora;

Há nos seus olhos um poder divino;
Há venenos e pérfidas doçuras
Na fita de seu lábio purpurino;

Tem nos seios - dois pássaros que pulam
Ao contacto de um beijo, - nos pequenos
Pés, que as sandálias sôfregas osculam.

Na coxa, no quadril, no torso airoso,
Todo o primor da calipígia Vênus
- Estátua viva e esplêndida do Gozo.

Caem-lhe aos pés as pérolas e as flores,
As dracmas de ouro, as almas e os presentes,
Por uma noite de febris ardores.

Heliastes e Eupátridas sagrados,
Artistas e Oradores eloqüentes
Leva ao carro de glória acorrentados...

E os generais indômitos, vencidos,
Vendo-a, sentem por baixo das couraças
Os corações de súbito feridos.

III

Certa noite, ao clamor da festa, em gala,
Ao som contínuo das lavradas taças
Tinindo cheias na espaçosa sala,

Vozeava o Ceramico, repleto
De cortesãs e flores. As mais belas
Das heteras de Samos e Mileto

Eram todas na orgia. Estas bebiam,
Nuas, à deusa Ceres. Longe, aquelas
Em animados grupos discutiam.

Pendentes no ar, em nuvens densas, vários
Quentes incensos índicos queimando,
Oscilavam de leve os incensários.

Tíbios flautins finíssimos gritavam;
E, as curvas harpas de ouro acompanhando,
Crótalos claros de metal cantavam...

O espúmeo Chipre as faces dos convivas
Acendia. Soavam desvairados
Febris acentos de canções lascivas.

Via-se a um lado a pálida Frinéia,
Provocando os olhares deslumbrados
E os sensuais desejos da assembléia.

Laís além falava: e, de seus lábios
Suspensos, a beber-lhe a voz maviosa,
Cercavam-na Filósofos e Sábios.

Nisto, entre a turba, ouviu-se a zombeteira
Voz de Aristipo: "És bela e poderosa,
Laís! mas, por que sejas a primeira,

A mais irresistível das mulheres,
Cumpre domar Xenócrates! És bela...
Poderás fasciná-lo se o quiseres!

Doma-o, e serás rainha!" Ela sorria.
E apostou que, submisso e vil, naquela
Mesma noite a seus pés o prostraria.
Apostou e partiu...

IV

Na alcova muda e quieta,
Apenas se escutava
Leve, a areia, a cair no vidro da ampulheta...
Xenócrates velava.

Mas que harmonia estranha,
Que sussurro lá fora! Agita-se o arvoredo
Que o límpido luar serenamente banha:
Treme, fala em segredo...

As estrelas, que o céu cobrem de lado a lado,
A água ondeante dos lagos
Fitam, nela espalhando o seu clarão dourado,
Em timidos afagos.

Solta um pássaro o canto.
Há um cheiro de carne à beira dos caminhos...
E acordam ao luar, como que por encanto,
Estremecendo, os ninhos...

Que indistinto rumor! Vibram na voz do vento
Crebros, vivos arpejos.
E vai da terra e vem do curvo firmamento
Um murmurar de beijos.

Com as asas de ouro, em roda
Do céu, naquela noite úmida e clara, voa
Alguém que a tudo acorda e a natureza toda
De desejos povoa:

É a Volúpia que passa e no ar desliza; passa,
E os coraçóes inflama...
Lá vai! E, sobre a terra, o amor, da curva taça
Que traz às mãos, derrama.

E entretanto, deixando
A alva barba espalhar-se em rolos sobre o leito,

Xenócrates medita, as magras mãos cruzando
Sobre o escamado peito.

Cisma. E tão aturada é a cisma em que flutua
Sua alma, e que a regiões ignotas o transporta,
- Que não sente Lais, que surge seminua
Da muda alcova à porta.

V

É bela assim! Desprende a clâmide! Revolta,
Ondeante, a cabeleira, aos níveos ombros solta,
Cobre-lhe os seios nus e a curva dos quadris,
Num louco turbilhão de áureos fios subtis.
Que fogo em seu olhar! Vê-lo é a seus pés prostrada
A alma ter suplicante, em lágrimas banhada,
Em desejos acesa! Olhar divino! Olhar
Que encadeia, e domina, e arrasta ao seu altar
Os que morrem por ela, e ao céu pedem mais vida,
Para tê-la por ela inda uma vez perdida!
Mas Xenócrates cisma...

É em vão que, a prumo, o sol
Desse olhar abre a luz num radiante arrebol...
Em vão! Vem tarde o sol! Jaz extinta a cratera,
Não há vida, nem ar, nem luz, nem primavera:
Gelo apenas! E, em gelo envolto, ergue o vulcão
Os flancos, entre a névoa e a opaca cerração...

Cisma o sábio. Que importa aquele corpo ardente
Que o envolve, e enlaça, e prende, e aperta loucamente?
Fosse cadáver frio o mundo ancião! talvez
Mais sentisse o calor daquela ebúrnea tez!...

Em vão Laís o abraça, e o nacarado lábio
Chega-lhe ao lábio frio... Em vão! Medita o sábio,
E nem sente o calor desse corpo que o atrai,
Nem o aroma febril que dessa boca sai.

E ela: "Vivo não és! Jurei domar um homem,
Mas de beijos não sei que a pedra fria domem!"

Xenócrates, então, do leito levantou
O corpo, e o olhar no olhar da cortesã cravou:

"Pode rugir a carne... Embora! Dela acima
Paira o espírito ideal que a purifica e anima:
Cobrem nuvens o espaço, e, acima do atro véu
Das nuvens, brilha a estrela iluminando o céu!"

Disse. E outra vez, deixando
A alva barba espalhar-se em rolos sobre o leito,
Quedou-se a meditar, as magras mãos cruzando
Sobre o escamado peito.

Fonte: www.biblio.com.br

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