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Lixo Nuclear

 

O que é radioatividade?

Lixo Nuclear
Estes tambores de lixo raioativo estão sendo transportados para depósitos especiais.
Medidas rígidas de segurança são necessárias, como o encaixamento em concreto ou aço

Em 1896, um cientista francês, Antoine Becquerel, estava estudando o elemento urânio. Casualmente, ele colocou o urânio perto de uma placa fotográfica e, olhando para a placa, algum tempo depois, viu marcas pretas incomuns sobre ela. O urânio estava desprendendo, ou emitindo, partículas (ou raios), que estavam afetando a placa. Foi assim que se descobriu a radiação.

A radiação é emitida por muitos outros elementos, além do urânio – rádio, potássio, tório, carbono e iodo são apenas alguns desses elementos –, chamados radioativos. Toda radiação pode ser prejudicial aos homens e outros animais, porque danifica as células vivas. Quanto maior for o nível de radiação, maior será o dano. As pessoas têm usado essa capacidade destrutiva da radiação para tratar algumas doenças, como o câncer. Uma determinada dose de radiação é aplicada no paciente para matar células cancerosas do corpo.

Materiais radioativos são utilizados na agricultura, indústria, medicina, em pesquisas científicas e engenharia, bem como na produção de energia e bombas nucleares. Todos esses processos produzem lixo que deve ser descartado. Embora toda radioatividade se desintegre com o tempo, alguns materiais levam muitos milhões de anos para se desfazerem. É importante, portanto, que o lixo seja estocado seguramente, para não prejudicar a vida da geração atual e das futuras.

Lixo de baixo nível de radiação

Esse é um lixo de vida curta, que tem baixo teor de radioatividade. Inclui a roupa protetora contaminada e alguns equipamentos de hospitais, fábricas, universidades e de indústrias de energia nuclear.

Métodos de descarte: enterrar em fossos; jogar no mar, dentro de tambores de aço (isso não é mais permitido em alguns países); certos lixos líquidos são lançados no mar e o gasoso é descarregado na atmosfera.

Lixo de nível intermediário de radiação

É constituído por lixo sólido de maior volume, como equipamentos usados, frascos de transporte e lama radioativa de usinas atômicas, de fábricas de processamento de combustível e unidades de fabricação de armas nucleares.

Método de descarte: envolver em concreto e armazenar em locais especiais, geralmente em usinas atômicas. Pesquisadores estão procurando métodos de descarte em armazéns subterrâneos, ou nas partes mais profundas do mar.

Lixo de alto nível de radiação

Lixo Nuclear
Em outubro de 1988, militantes alemães do Greenpeace protestaram contra o depósito de lixo nuclear sueco em seu país

Esse tipo de lixo inclui combustíveis sólidos e líquidos usados em indústrias de energia nuclear.

Métodos de descarte: os líquidos são estocados em tanques de aço inoxidável, envoltos em concreto, num local apropriado. Podem também ser solidificados em vidros e armazenados em containeres de aço dentro de construções de concreto ou em armazéns subterrâneos. Pesquisadores estudam a possibilidade de serem depositados nas profundezas dos oceanos.

Dispor seguramente do lixo radioativo é um problema controverso. Muitas pessoas estão preocupadas com a radioatividade, principalmente porque não pode ser vista, tocada, cheirada ou experimentada. Um grande número de grupos locais têm batalhado contra o descarte de lixo em suas regiões. Grupos de defesa ambiental têm, também, empreendido longas campanhas para acabar com os depósitos de lixo radioativo. Em 1983, uma bem-sucedida campanha do Greenpeace pôs fim a um depósito no Oceano Atlântico. Em 1984, os militantes do Greenpeace impediram, temporariamente, que pipas contendo lixo radioativo líquido da fábrica nuclear Sellafield fossem lançadas no Mar da Irlanda.

Lixo Nuclear
O acidente nuclear de Three Mile Island, em 1979, provocou a retirada de muitas pessoas de seus lares

A energia nuclear é muito importante, mas seu lixo é perigoso. Além do problema do lixo radioativo, tem havido também vários incidentes nucleares. Em 1957, um incêndio em Windscale, na Inglaterra, resultou na contaminação radioativa das terras vizinhas. Em 1979, na usina Three Mile Island, Estados Unidos, um acidente no reator nuclear contaminou o local e sua limpeza custou 1 bilhão de dólares.

O mais grave acidente nuclear ocorreu na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986. Uma explosão, seguida de incêndio, jogou materiais radioativos nas redondezas, o que causou 32 mortes e obrigou a retirada de moradores das cidades e vilarejos próximos. A área possui altos índices de radioatividade e ficará assim por muitos anos. As partículas radioativas foram levadas pelos ventos a outros países, incluindo Suécia, Alemanha e Grã-Bretanha. Mesmo depois de alguns anos, terras e vegetação de algumas áreas da Grã-Bretanha ainda apresentam radioatividade e as pastagens, também contaminadas, afetam carneiros que se tornaram impróprios para o consumo humano. A pior contaminação de todas foi a que atingiu as manadas de renas e os lapões – povo do norte da Suécia. Os animais silvestres e algumas manadas ficaram radioativos.

Energia nuclear e radioatividade – os riscos

Lixo Nuclear
Em julho de 1988, uma explosão no Piper Alpha, Mar do Norte, matou 167 pessoas

E necessária grande quantidade de energia para iluminar e aquecer casas, cozinhar alimentos, viajar e prover energia a indústrias. Nos países desenvolvidos, a maioria das residências, escritórios e fábricas são protegidos de eletricidade, gerada em usinas de energia que usam carvão, óleo ou energia nuclear.

Toda produção de energia gera lixo e envolve riscos ao ser humano e ao meio ambiente. O lixo das minas de carvão se amontoa; há acidentes que matam mineiros e os gases expelidos pelas termelétricas movidas a carvão contribuem para o problema da chuva ácida. O óleo queimado lança gases e óleo no ar e podem ocorrer acidentes na exploração do petróleo, como a explosão no Piper Alpha, em 1988.

Enquanto um suprimento adequado de energia for essencial à vida moderna, devem-se examinar com cuidado os vários tipos de energia. Antes de mais nada, é necessário levar em conta a saúde dos seres humanos e do meio ambiente.

Fonte: www.conhecimentosgerais.com.br

Lixo Nuclear

É formado em sua maior parte em Usina Nucleares como a de Angra I e II, mas também pode ser formado em industrias de tecnologia, centros de pesquisas físicas e industrias de aparelhos que utilizam material nuclear como as maquinas de raio X.

O lixo radioativo ou nuclear como também é conhecido é resultado da manipulação de materiais radioativos, assim luvas, roupas, ferramentas, peças e outros objetos que são usados em locais radioativos devem ser recolhidos, porque se contaminam com a radiação. De um modo geral ele são armazenados em tambores e lacrados, esse tambores devem ser guardado em locais com vigilância constante e que tenham sua radiação monitorada.

Ele também pode ser estocado como liquido concentrado em tanques de aço inoxidável, rodeado por concreto. O lixo nuclear mais perigoso é transformado em blocos de gelo.

E esse blocos devem ser estocados em minas profundas sob o solo. Em alguns países como os Estados Unidos o lixo e armazenado em túneis profundos localizados no deserto.

Os principais problemas do lixo radioativo e que ele permanece contaminado por um longo período, podendo chegar até mais de 100 mil anos; ele também representa um constante risco, pois caso haja um vazamento a radiação pode causa graves problemas de saúde nas pessoas que forem expostas, como o queimaduras, câncer, mal formação de crianças e dependendo do grau de radiação levar a morte.

Contudo o lixo nuclear continua sendo produzido todos os anos, e cada vez mais, enquanto isso os depósitos em alguns países ainda são precários e falta lugar para armazenar esse material. Somente a criação de políticas serias que restrinjam o uso de material radioativo e determine normas rígidas poderá impedir a multiplicação de depósitos de lixo radioativo, visto que não ainda não existem maios eficazes para seu tratamento.

Hoje o lixo nuclear menos radioativo é armazenado em tamboreslacrados que ficam guardados em depósitos.

Lixo nuclear com maior carga radioativa é armazenado em tanques de aço inoxidável.

Lixo Nuclear

Fonte: br.geocities.com

Lixo Nuclear

As cosequências da utilização da energia nuclear em relação ao lixo nuclear, produto das reações nucleares.

Lixo Nuclear é todo resíduo resultante da utilização de elementos e substâncias químicas radioativas, que são aqueles formados por nuclídeos radioativos ou radionuclídeos.

Consideram-se lixo nuclear as sobras de materiais radioativos que não mais serão utilizados e tudo o que estiver contaminado por eles:

Os resíduos de mineração

Os resíduos da preparação dessas substâncias químicas radioativas

Oo encanamento por onde elas passaram

As vestimentas moderamente impregnadas de radioatividade usadas pelos trabalhadores.

Enfim, tudo o que entra em contato com material radioativo e o próprio material radioativo que não for mais útil é lixo nuclear.

Nos produtos da fissão do urânio-235 já foram identificados mais de duzentos isótopos pertencentes a 35 elementos diferentes. Muitos deles emitem radiações alfa, beta e gama, representando um risco à população e necessitando, portanto, ser armazenados em recipientes de chumbo e/ou concreto e guardados em locais seguros por tempo suficiente para que a radiação caia a níveis não-prejudiciais.

Dentre os muitos nuclídeos presentes no lixo nuclear, podemos destacar três bastante perigosos para o ser humano:

Estrôncio - 90

Iodo - 131

Césio - 137

Fonte: www.sociedadenewtoniana.kit.net

Lixo Nuclear

O lixo atômico é produzido em todos os estágios do ciclo do combustível nuclear- desde a mineração do urânio até o reprocessamento de combustível nuclear irradiado. Grande parte desse lixo permanecerá perigoso por milhares de anos, deixando uma herança mortal para as futuras gerações.

Durante o funcionamento de um reator nuclear são criados isótopos radioativos extremamente perigosos - como césio, estrôncio, iodo, criptônio e plutônio. O plutônio é particularmente perigoso, já que pode ser usado em armas nucleares se for separado do combustível nuclear irradiado por meio de um tratamento químico chamado reprocessamento.

Como parte da operação de rotina de toda usina nuclear, alguns materiais residuais são despejados diretamente no meio ambiente. Resíduo líquido é descarregado (como "água de resfriamento de turbina") no mar ou em rio próximo à usina; resíduos gasosos vão para a atmosfera.

Há três categorias de lixo atômico:

Resíduo de alto nível (HLW, de high level waste)

Resíduo de nível intermediário (ILW, intermediate level waste) e

Resíduo de baixo nível (LLW, de low level waste).

O HLW consiste principalmente de combustível irradiado proveniente dos núcleos de reatores nucleares (embora a indústria nuclear não o considere como "lixo") e de resíduos líquidos de alta atividade produzidos durante o reprocessamento. A remoção de plutônio pelo reprocessamento resulta num imenso volume de resíduo líquido radioativo. Parte desse mortal resíduo de reprocessamento, armazenado em grandes tanques, é misturado com material vítreo quente e solidificado.

Os blocos de vidro resultantes também são classificados como HLW. Ainda que o processo de vitrificação possa tornar mais fácil o transporte e o armazenamento do lixo atômico, de forma alguma diminui o terrível risco para as pessoas e o ambiente durante o milênio que virá. De maneira geral, o HLW é mil vezes mais radioativo que o ILW.

O ILW consiste principalmente de "latas" de combustível metálicas que originalmente continham urânio combustível para usinas nucleares, peças de metal do reator e resíduos químicos. Têm de ser blindado para proteger operários e outras pessoas contra a exposição durante o transporte e a destinação final.

Normalmente, ele é estocado no local em que é produzido. O ILW, de maneira geral, é mil vezes mais radioativo que o LLW.

O LLW pode ser definido como o resíduo que não requer blindagem durante o manuseio normal e o transporte.

O LLW consiste principalmente de itens como roupas de proteção e equipamentos de laboratório que possam ter entrado em contato com material radioativo.

Fonte: www.compam.com.br

Lixo Nuclear

Lixo atômico

Ainda que fosse possível uma total segurança quanto a acidentes, restaria o grave problema do lixo atômico, isto é, da inevitável produção de uma grande quantidade de escórias radioativas, inerentes ao processo de fissão nuclear. Várias têm sido as soluções propostas para o isolamento do lixo atômico, mas, considerando-se o fato de que a produção de radioatividade nociva por esses resíduos se prolonga por milhares de anos, é absolutamente impossível garantir que os invólucros, por mais espessos e resistentes que sejam, não venham a se deteriorar ou ser violados.

Questões tecnológicas importantes, como essa, permanecem abertas. Até o direito básico da população de Angra à segurança está mal explicado. Para os críticos, o Plano de Evacuação da cidade em caso de acidente é uma ficção. Tem tudo para dar errado.

De qualquer forma, adotar tal sistema de geração de energia é assumir uma séria responsabilidade perante as gerações futuras.

Na manhã do dia 6 de agosto, apareceu em um jornal a manchete que dizia que uma enorme bomba havia sido lançada sobre a cidade de Hiroshima. Três dias depois outra dessas bombas foi jogada sobre Nagasaki, forçando os japoneses a se render em 14 de agosto. As bombas eram tão potentes que os rapazes do 991o Pelotão nem sequer teriam de ir a Tóquio.

Lixo Nuclear
Lixo Atômico

A tremenda força de coesão nuclear, isto é, a energia que faz do núcleo dos átomos a entidade mais compacta de todo o universo, havia sido rompida, liberando uma força inimaginável – a bomba de Hiroshima equivalia a 13 mil toneladas de TNT – e dando início a uma corrida para a construção de bombas cada vez mais poderosas. Sete anos depois foi detonada a primeira bomba de hidrogênio americana, cujo nome em código era "Mike", com uma potência equivalente a 9,4 milhões de toneladas de TNT. Se tivesse sido lançada sobre Nova York, ela teria eliminado a cidade da face da Terra.

Até meados da década de 60, no auge da Guerra Fria, os Estados Unidos haviam armazenado cerca de 32 mil bombas nucleares, responsáveis pelo surgimento de montanhas de lixo radioativo, um subproduto da fabricação de plutônio para esses letais armamentos. Para obter 1 quilo de plutônio, era preciso processar cerca de mil toneladas de minério de urânio. Produzido a partir do urânio bombardeado com nêutrons em um reator nuclear, o plutônio era em seguida separado do urânio em infernais banhos de ácido e solvente cujo destino final não fora decidido.

Agora uma limpeza longamente adiada está sendo realizada nas 114 instalações nucleares americanas, que ocupam uma área de 8,5 mil quilômetros quadrados.

Muitas das instalações menores já foram limpas, mas os problemas maiores ainda não foram resolvidos. O que será feito das 47 mil toneladas de combustível, ainda radioativo, usado em reatores nucleares comerciais e militares? Dos 344 milhões de litros de resíduos líquidos resultantes do processamento de plutônio?

De mais de meio milhão de toneladas de urânio empobrecido? De milhões de metros cúbicos de equipamentos, pedaços de metal, roupas, óleos, solventes e outros dejetos contaminados? E de cerca de 245 milhões de toneladas da escória do processamento de minério de urânio – metade das quais estabilizada – empesteando o meio ambiente? Para transportar essa escória em vagões ferroviários de carga, e os resíduos líquidos em vagões-tanques, seria preciso um inimaginável trem com 5,3 mil quilômetros de comprimento.

Lixo Nuclear
Radioatividade

Lixo de baixo nível de radiação

Esse é um lixo de vida curta, que tem baixo teor de radioatividade. Inclui a roupa protetora contaminada e alguns equipamentos de hospitais, fábricas, universidades e de indústrias de energia nuclear.

Métodos de descarte: enterrar em fossos; jogar no mar, dentro de tambores de aço (isso não é mais permitido em alguns países); certos lixos líquidos são lançados no mar e o gasoso é descarregado na atmosfera.

Lixo de nível intermediário de radiação

É constituído por lixo sólido de maior volume, como equipamentos usados, frascos de transporte e lama radioativa de usinas atômicas, de fábricas de processamento de combustível e unidades de fabricação de armas nucleares.

Método de descarte: envolver em concreto e armazenar em locais especiais, geralmente em usinas atômicas. Pesquisadores estão procurando métodos de descarte em armazéns subterrâneos, ou nas partes mais profundas do mar.

Lixo de alto nível de radiação

Esse tipo de lixo inclui combustíveis sólidos e líquidos usados em indústrias de energia nuclear.

Métodos de descarte: os líquidos são estocados em tanques de aço inoxidável, envoltos em concreto, num local apropriado. Podem também ser solidificados em vidros e armazenados em containeres de aço dentro de construções de concreto ou em armazéns subterrâneos. Pesquisadores estudam a possibilidade de serem depositados nas profundezas dos oceanos.

Dispor seguramente do lixo radioativo é um problema controverso. Muitas pessoas estão preocupadas com a radioatividade, principalmente porque não pode ser vista, tocada, cheirada ou experimentada. Um grande número de grupos locais têm batalhado contra o descarte de lixo em suas regiões. Grupos de defesa ambiental têm, também, empreendido longas campanhas para acabar com os depósitos de lixo radioativo.

A energia nuclear é muito importante, mas seu lixo é perigoso. Além do problema do lixo radioativo, tem havido também vários incidentes nucleares. Em 1957, um incêndio em Windscale, na Inglaterra, resultou na contaminação radioativa das terras vizinhas. Em 1979, na usina Three Mile Island, Estados Unidos, um acidente no reator nuclear contaminou o local e sua limpeza custou 1 bilhão de dólares.

O mais grave acidente nuclear ocorreu na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986. Uma explosão, seguida de incêndio, jogou materiais radioativos nas redondezas, o que causou 32 mortes e obrigou a retirada de moradores das cidades e vilarejos próximos. A área possui altos índices de radioatividade e ficará assim por muitos anos. As partículas radioativas foram levadas pelos ventos a outros países, incluindo Suécia, Alemanha e Grã-Bretanha. Mesmo depois de alguns anos, terras e vegetação de algumas áreas da Grã-Bretanha ainda apresentam radioatividade e as pastagens, também contaminadas, afetam carneiros que se tornaram impróprios para o consumo humano. A pior contaminação de todas foi a que atingiu as manadas de renas e os lapões – povo do norte da Suécia. Os animais silvestres e algumas manadas ficaram contaminados.

Energia nuclear no Brasil

Fonte energética pouco expressiva no país, tendo em vista que o potencial hidrelétrico brasileiro ainda não foi totalmente aproveitado. O Brasil busca, porém, dominar a tecnologia da geração de energia nuclear, considerando a sua importância para a segurança nacional e para o futuro do país, como fonte útil para o meio de transporte no espaço e nos mares, como é o caso do submarino nuclear em construção pela Marinha brasileira.

Apesar de o desenvolvimento da física nuclear no Brasil ter começado em 1938, no Departamento de Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (o departamento iniciou seus estudos sobre fissão nuclear quase na mesma época em que pesquisas semelhantes ocorriam no exterior), o interesse pelas aplicações desse tipo de energia só surgiu depois do fim da II Guerra Mundial. Materializou-se a partir dos anos 50, quando o almirante Álvaro Alberto, envolvendo a comunidade científica, alertou o governo da sua importância para a segurança do país.

Dois foram os principais debates que surgiram na ocasião em relação à energia nuclear. Em primeiro lugar, discutiu-se a exportação indiscriminada, pelo Brasil, de suas reservas de minérios de importância nuclear, como o urânio e tório. A segunda questão polêmica foi a fracassada tentativa de compra, pelo Brasil, de ultracentrífugas de origem alemã, equipamentos destinados ao enriquecimento de urânio. Impedido de adquiri-las, porque às nações detentoras da tecnologia de produção do urânio enriquecido não interessava repassá-la a países em vias de desenvolvimento, o Brasil, país rico em minérios atômicos, decidiu lançar-se numa linha autônoma de pesquisas, que permitisse o uso do urânio natural. Para isso foi criado em 1951 o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq), atualmente rebatizado de Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e, em 1956, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

Enquanto ao CNPq caberia financiar pesquisas e a formação de pesquisadores, à CNEN foi dada a tarefa de desenvolver a utilização da energia nuclear em todas as formas de aplicação pacífica, com crescente autonomia tecnológica; garantir a segurança das usinas nucleares, das instalações do ciclo de combustível e das demais instalações nucleares e radioativas.

Foram vinculados à CNEN os seguintes institutos de pesquisa e desenvolvimento nuclear: Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), em São Paulo; o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN), em Belo Horizonte; o Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) e o Instituto de Energia Nuclear (IEN), os dois últimos no Rio de Janeiro.

No final dos anos 60, a situação brasileira em relação à tecnologia nuclear continuava, contudo, a ser de dependência em relação ao exterior. A linha de pesquisas de aproveitamento do urânio natural pouco havia avançado. Em 1969, o governo brasileiro decidiu construir uma usina nuclear na praia de Itaorna, no município fluminense de Angra dos Reis. Adquiriu um reator de urânio enriquecido nos Estados Unidos. Esta decisão foi muito criticada pelos físicos brasileiros, principalmente porque a compra se deu em regime de turn-key, o que significava um pacote fechado de equipamentos, que não permitia o acesso à tecnologia.

A construção da usina, mais tarde batizada de Angra I, começou em outubro de 1972 sob suspeitas de instabilidade geológica e sísmica do local escolhido. O nome da praia, Itaorna, em língua tupi significa "pedra podre". Simulações de acidentes revelaram a fragilidade do projeto e a impossibilidade de evacuação dos moradores da região no caso de uma emergência. Prevista para entrar em operação comercial em 1979, sofreu grande atraso, só sendo inaugurada em 1983.

Ainda na década de 70, o governo do presidente Ernesto Geisel assinou um amplo acordo de transferência de tecnologia nuclear com a então República Federal da Alemanha. Assinado em 1974, incluía, além da aquisição de usinas nucleares, a possibilidade de transferência das diversas tecnologias do ciclo do combustível nuclear, tais como o enriquecimento e o reprocessamento de urânio. Na realidade, o processo de enriquecimento a ser transferido, batizado de jato centrífugo, encontrava-se ainda em estudos nos laboratórios alemães, portanto sua aplicação era muito duvidosa.

Pelo acordo, seriam instalados mais oito reatores no país: dois em Angra dos Reis, ao lado de Angra 1, e outros seis no litoral sul do Estado de São Paulo.

Reagindo rapidamente, a população paulista impediu a construção de "suas" usinas através da criação de uma estação ecológica exatamente no local onde seria implantada a central nuclear.

Assim, das oito usinas previstas, o governo federal decidiu erguer mais duas usinas em Angra dos Reis. Batizou o complexo de Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto. As duas outras unidades — Angra II e Angra III — previstas no projeto somam uma capacidade total de 2.600 MW. Com reatores também de água leve pressurizada, foram adquiridas em indústrias alemãs. Apenas Angra 2 foi concluída. Sua construção foi marcada por problemas técnicos e constantes atrasos no cronograma. Começou a operar somente em 2000, após quase vinte anos de construção, a um custo de cerca de US$ 10 bilhões.

Ao longo dos anos 80, o ambicioso programa de cooperação nuclear com a Alemanha desenhado na década anterior foi sendo gradativamente reduzido. Nesse período, o Brasil conseguiu dominar a tecnologia de algumas etapas da fabricação do combustível nuclear que periodicamente abastece a usina de Angra I.

Em setembro de 1987, porém, o governo do presidente José Sarney anunciou o domínio da tecnologia de enriquecimento de urânio por ultracentrifugação, admitindo que pesquisas alternativas e autônomas vinham ocorrendo em segredo, no IPEN, em São Paulo. De fato, um dos mais avançados resultados no campo da energia nuclear vem sendo obtido pela Marinha, que objetiva a construção de um submarino de propulsão nuclear, assim como uma tecnologia brasileira de construção de reatores nucleares.

Segundo números oficiais, já foram gastos com Angra 3 US$ 750 milhões entre a compra e a estocagem dos equipamentos. O projeto de Angra 3 foi paralisado em 1992 por motivos econômicos pois para entrar em operação, necessitaria de mais US$ 1,5 bilhão.

Em setembro de 2002, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou a Eletronuclear, empresa estatal que pleiteia a construção de Angra 3, a iniciar o licenciamento ambiental, o debate sobre a armazenagem dos rejeitos radioativos e o equacionamento econômico-financeiro da proposta. A decisão final sobre Angra 3 será tomada ainda este ano, na próxima reunião do CNPE.

Os ambientalistas têm trabalhado para demonstrar que é possível atender às necessidades crescentes da população e estender a eletrificação aos mais distantes locais deste país através de fontes de energia renováveis. É possível criar uma nova matriz energética para o país, contemplando a redução de desperdícios e privilegiando a geração de energia a partir de fontes limpas, renováveis, economicamente viáveis e socialmente justas.

Boa parte dos brasileiros ainda não recebe eletricidade em suas casas. Cerca de 40% das escolas em zonas rurais não possui luz elétrica. Imensas áreas no Norte e no Centro-Oeste do país não são atendidas pela rede de distribuição de energia. O Brasil precisa rever a sua maneira de gerar energia e o CNPE poderá desempenhar um papel importante nessa mudança, optando por abandonar de vez velhas propostas e por viabilizar formas de energia modernas, seguras e limpas.

Hoje, no mundo inteiro, inclusive na Alemanha, reatores nucleares têm sido gradativamente desativados e não há praticamente nenhuma nova usina sendo planejada ou construída, já que são consideradas caras e perigosas.

Lixo Nuclear
Angra III

Quem paga a conta de Angra 3?

Segundo o governo, Angra 3 custará R$ 7,2 bilhões. Técnicos do governo vêm afirmando que o plano federal inclui a construção de oito novas usinas a serem inauguradas até 2030. A empreitada esconde vários subsídios. Eles podem multiplicar o investimento para valores que a sociedade ainda desconhece. Os valores envolvidos e as incertezas despertam dúvidas sobre as razões da decisão.

A aprovação de Angra 3 levanta uma questão: será a via nuclear realmente uma escolha energética apropriada para o Brasil?

Após o acidente de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, os países desenvolvidos cancelaram seus planos para a construção de novas usinas. A indústria nuclear passou duas décadas no ostracismo. A opção nuclear voltou à cena nos últimos anos como uma alternativa energética para enfrentar as mudanças climáticas. A vantagem dos reatores é que não emitem gás carbônico, o principal causador do aquecimento global. No Brasil, porém, não está claro se essa é uma opção eficaz. Se a idéia é reduzir as emissões de gás carbônico, pesquisadores afirmam que o caminho poderia ser outro. A prioridade é reduzir o desmatamento da Amazônia, nossa principal fonte de emissão de gases de efeito estufa. As usinas nucleares podem ter outros impactos, ainda maiores, para o meio ambiente.

A primeira preocupação em torno da energia nuclear é sua segurança. Países desenvolvidos, como os Estados Unidos, a França, o Japão e a Alemanha, produzem há décadas energia de algumas dúzias de usinas nucleares, sem grandes incidentes com vítimas. Mas há indícios de que o cenário nuclear brasileiro não segue os critérios ideais. Um estudo realizado no ano passado pela Câmara Federal em parceria com especialistas constatou que o país não tem a estrutura adequada nem para fiscalizar o setor nuclear nem para garantir a segurança da população.

Para começar, há um problema estrutural: o conflito de atribuições do Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Ele é responsável tanto pela promoção quanto pela fiscalização do setor nuclear no país. Mas a Convenção Internacional de Segurança Nuclear, da qual o Brasil é signatário, proíbe que as duas atividades sejam exercidas pelo mesmo órgão.

O resultado disso pode ser verificado na forma como foi executado o plano de emergência de Angra. A região tem cerca de 119 mil habitantes. Suas belas praias atraem até 1 milhão de turistas por ano. Poucos moradores já foram informados sobre o que fazer no caso de um acidente nuclear. Edson Jorge, chefe do serviço de emergência nuclear da Defesa Civil Municipal, afirma que já foi feita uma campanha de esclarecimento, com a distribuição de panfletos e calendários com instruções de fuga. Mas diz que não se lembra quando. Sobre os turistas, Jorge informa que não há orientação. “Não há esse direcionamento de informar ao turista. Não diretamente”, diz Jorge. E se houver uma emergência? “Na hora a gente indica o caminho que eles têm de seguir.” Analistas de segurança temem que a única estrada pavimentada, normalmente congestionada nos fins de semana de sol, não dê vazão para a população em fuga.

Lixo Nuclear
Complexo angra

95% é quanto a energia nuclear custa a mais que a gerada por termelétricas a gás, segundo o MIT. Além da segurança, outra questão não resolvida em relação à energia nuclear é sua viabilidade econômica. De acordo com os cálculos da Agência Internacional de Energia, referência mundial no tema, construir usinas nucleares é mais caro que optar por usinas hidrelétricas e termelétricas a carvão ou gás. Outro levantamento, do Departamento de Energia e Comércio, da Inglaterra, também aponta a energia nuclear como mais cara que as outras.

Há ainda uma comparação feita pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA: a eletricidade dos reatores é 95% mais cara que a das termelétricas a gás.

Um dos raros estudos que colocam a energia nuclear como mais competitiva foi feito justamente pelo Ministério de Minas e Energia brasileiro. Segundo o levantamento, divulgado em maio deste ano, a eletricidade nuclear só perderia para a gerada pelas hidrelétricas. Boa parte do custo nuclear é paga pelo governo de forma obscura. Um exemplo é o custo de destinação dos rejeitos radioativos. Nenhum país do mundo encontrou uma solução definitiva para estocar esse material. Os EUA estão construindo um depósito nas montanhas de Nevada, ao custo de US$ 5 bilhões. No Brasil, isso não foi nem orçado. A Eletronuclear, empresa estatal responsável pelo setor, não divulga o valor gasto com o armazenamento de rejeitos nucleares de Angra 1 e 2, provisoriamente guardados no interior das próprias usinas, em piscinas de contenção. Dentro de alguns anos, os rejeitos terão de ser remanejados para um local mais seguro. A Eletronuclear não tem informações exatas sobre como isso será feito. Segundo a empresa, os depósitos de longa duração estão sendo trabalhados e só terão de pensar nisso daqui a uns 20 anos.

O país não tem um bom histórico na previsão de gastos nucleares. O governo diz que a conclusão de Angra 3 vai custar R$ 7,2 bilhões, equivalentes a US$ 3,6 bilhões. Em 2003, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciava que a obra sairia por US$ 1,8 bilhão. As projeções do MIT sugerem que uma usina com a mesma potência de Angra 3 custa, no mercado internacional, 40% abaixo do que o governo diz que pretende gastar. Mudanças de previsão de gastos são comuns na história nuclear do país. A construção de Angra 2, orçada inicialmente em US$ 2 bilhões, terminou custando o quíntuplo.

Parte do subsídio oficial para a energia nuclear está embutida no seguro para acidentes. Isso é uma prática internacional. Nos EUA, o Congresso limita o valor segurado para o caso de acidentes a US$ 9 bilhões. É uma fração do que custaria um acidente como o de Chernobyl, dizem especialistas em energia. No Brasil , não é diferente. De acordo com a Eletronuclear, o pagamento do seguro em caso de acidente envolvendo Angra 1 e 2 é de US$ 500 milhões, para cada uma das usinas. Esse valor, porém, não paga nem uma parcela da construção das usinas nem indenizações a terceiros. O resto do prejuízo seria custeado pelo governo.

Tal privilégio pode ajudar na competitividade aparente da energia nuclear. Outras indústrias, como a do petróleo, precisam embutir o preço dos possíveis acidentes em suas operações. Pergunte à Petrobras. Em 2001, a empresa perdeu sua maior plataforma, a P-36. O prejuízo de US$ 356 milhões foi plenamente pago pela seguradora responsável.

Na Inglaterra, durante a década de 1980, a então primeira-ministra, Margaret Thatcher, terceirizou todo o sistema público de geração de energia, menos a parte nuclear, exatamente porque o setor privado não vê vantagens no setor. Os empresários brasileiros também pensam assim. Existem várias energias economicamente mais viáveis, especialmente no Brasil, com enorme potencial hidrelétrico.

Cientistas independentes e economistas sabem que energia nuclear é a mais cara fonte de eletricidade disponível, contando os custos de construção, administração, funcionamento, manutenção e desativamento das estações de energia nuclear. Mas uma análise econômica, sozinha, não consegue calcular os imensos custos desse tipo de tecnologia, como os impactos nos genes, unidades fundamentais da vida, o seguro e o custo de potenciais acidentes, o depósito de lixo radioativo a longo prazo, para cujo problema nenhuma solução viável foi encontrada até agora.

A energia nuclear não é uma solução para mudanças climáticas. A enorme soma de subsídios necessária para manter a indústria nuclear viva está desacelerando e acabando com a revolução de energia renovável – que é a real solução para o problema das mudanças climáticas. Desde os anos 50, quando a eletricidade gerada por energia nuclear foi saudada como a resposta para os problemas mundiais de energia, a energia nuclear se mantém somente como uma fonte de energia marginal, atendendo a apenas 2% da demanda de energia primária global. Até mesmo essa pequena proporção não teria sido possível sem imensos subsídios públicos.

Fonte: www.vivaterra.org.br

Lixo Nuclear

O lixo radioativo é produzido em todos os estágios do ciclo do combustível nuclear- desde a mineração do urânio até o reprocessamento de combustível nuclear irradiado. Grande parte desse lixo permanecerá radioativo por milhares de anos, deixando uma herança mortal para as futuras gerações. Portanto, o grande desafio é como mantê-lo em condições seguras e invioláveis por tanto tempo. Mas, embora tudo isto seja aterrorizante, a Agência Internacional de Energia Atômica informa que o que há de lixo radioativo, depois de 50 anos de uso comercial da energia nuclear, não enche um estádio de futebol.

Durante o funcionamento de um reator nuclear são criados isótopos radioativos extremamente perigosos - como césio, estrôncio, iodo, criptônio e plutônio. O plutônio é particularmente perigoso, já que pode ser usado em armas nucleares se for separado do combustível nuclear irradiado por meio de um tratamento químico chamado reprocessamento.

Como parte da operação de rotina de toda usina nuclear alguns materiais residuais são despejados diretamente no meio ambiente. O resíduo líquido é descarregado junto com a "água de resfriamento da turbina" no mar ou em rio próximo à usina e os resíduos gasosos vão para a atmosfera. Em ambos os casos, a vazão destes efluentes é controlada para que não altere a radioatividade natural (background) do meio ambiente.

Má administração e descaso também acontecem aonde menos se imagina. A Noruega teve lixo radioativo jogado no esgoto por 9 anos. Em 17.04.2001 foi noticiado pela AFP que o lixo radioativo de uma central nuclear foi lançado acidentalmente por nove anos na rede de esgotos da cidade norueguesa de Haldn (Sudeste, informou o jornal eletrônico norueguês Nettavisen. Devido a um erro na tubulação da rede, o cobalto e o césio que emanavam do reator experimental Haldn foram regularmente jogados no sistema de esgoto em lugar de ser tratados e lançados em um duto próprio.

Mundialmente são gerados 10.000 t/ano de resíduos radioativos. Os EUA dispõem de Yucca Mountain, local capaz de estocar 70.000 t ao custo de 15 bilhões de dólares.

Para que a energia nuclear substituísse o petróleo como combustível para geração elétrica seria necessário que sua participação aumentasse até 30% em meados de 2020, com isto a geração de resíduos chegaria a 40.000 t/ano.

Alto, Médio e Baixo

Há três categorias de lixo radioativo: resíduo de alto nível (HLW, de high level waste); rejeito de nível intermediário (ILW, intermediate level waste); e rejeito de baixo nível (LLW, de low level waste).

O HLW consiste principalmente de combustível irradiado proveniente dos núcleos de reatores nucleares e de rejeitos líquidos de alta atividade produzidos durante o reprocessamento. A remoção de plutônio pelo reprocessamento resulta num imenso volume de rejeito líquido radioativo. Parte desse mortal rejeito de reprocessamento, armazenado em grandes tanques, é misturado com material vitrificante quente. Novas tecnologias vêm sendo desenvolvidas, como os ADS - Accelerator Driven Systems, que podem usar o lixo como combustível e assim reduzem o tempo de armazenamento em centenas de anos.

Os blocos de vidro resultantes também são classificados como HLW. Ainda que o processo de vitrificação possa tornar mais fácil o transporte e o armazenamento, de forma alguma diminui o terrível risco para as pessoas e o ambiente durante o milênio que virá. De maneira geral, o HLW é mil vezes mais radioativo que o ILW.

O ILW consiste principalmente de "latas" metálicas de combustível que originalmente continham urânio combustível para usinas nucleares, peças de metal do reator e rejeitos químicos. Têm de ser blindadas para proteger operários e outras pessoas contra a exposição durante o transporte e a destinação final. O ILW, de maneira geral, é mil vezes mais radioativo que o LLW.

O LLW pode ser definido como o rejeito que não requer blindagem durante o manuseio normal e o transporte. O LLW consiste principalmente de itens como roupas de proteção e equipamentos de laboratório que possam ter entrado em contato com material radioativo.

Destinação Final

O combustível nuclear altamente radioativo é retirado do reator e armazenado em piscinas de resfriamento no interior da própria usina. De acordo com estimativas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), a quantidade total de combustível usado era de 125.000 t em 1992 e vai subir para 200.000 t no ano 2000 e para 450.000 t em meados do próximo século. Contudo, embora diversos métodos de destinação tenham sido discutidos durante décadas — incluindo o envio para o espaço — ainda não há solução para o lixo radioativo.

Já surgiram propostas para se dispor de tais resíduos, inclusive colocá-los em foguetes e dispará-los para o sol. A maioria das "soluções" atualmente propostas para a disposição final do lixo radioativo envolve seu enterro no subsolo numa embalagem especial com proteção forte o bastante para impedir que sua radioatividade escape.

Não bastam perfurações de teste ou levantamentos geológicos para o manejo do lixo radioativo. Os testes adequados demandariam dezenas de milhares de anos

Há dois riscos principais no enterro de lixo radioativo: a contaminação do ar e a da água.

Contaminação do Ar

As liberações explosivas ou lentas de gases de um sítio de destinação final subterrâneo são possíveis teoricamente. Infelizmente, não há forma confiável de estimar esse risco — há incógnitas demais relativas aos atuais métodos de deposição e às interações químicas possíveis num ambiente real.

Contaminação da Água

Geralmente este é considerado o mecanismo de poluição mais provável ligado à disposição final de rejeitos em rochas. Elementos radioativos podem vazar do invólucro e entrar em contato com o lençol freático, contaminando a água potável de comunidades locais e distantes.

Além do enterro dos rejeitos, vários esquemas de armazenamento no local de uso estão sendo investigados. Nisso, o armazenamento de combustível usado em grandes recipientes de aço ou concreto é de interesse primordial. Ainda que esse tipo de armazenamento conserve o material no ponto em que foi criado e reduza os custos de transporte, centenas de comunidades de todo o mundo estão ameaçadas de fato por depósitos de alto nível às suas portas. Também há planos para consolidar o combustível usado e colocá-lo em contêineres em algumas poucas instalações regionais de superfícies, o que resulta num número imenso de viagens em recipientes não destinados a resistir a possíveis acidentes.

A melhor solução para o futuro é que não mais seja produzido lixo nuclear em qualquer parte do mundo.

Descomissionamento

Grande quantidade de lixo radioativo também é produzida quando um reator nuclear é desativado. Isso porque muitas das peças que o compõem, incluindo o combustível, tornam-se radioativas. O processo de tratamento de uma usina nuclear nesse ponto é chamado "descomissionamento". Entretanto, além da remoção do combustível usado, não há consenso sobre o que deve acontecer a seguir. Nenhum reator de dimensões normais foi desmontado em lugar algum do mundo.

Ainda que alguns países planejem retirar toda a estrutura, até mesmo as partes radioativas, restando um espaço plano desocupado; outros sugerem deixar a edificação onde está, cobrindo-a com concreto ou, possivelmente, enterrando-a sob um monte de terra.

O custo do descomissionamento dos reatores nucleares é objeto de muita especulação. As estimativas de custo originam-se de estudos genéricos, a partir da projeção dos custos de descomissionamento de pequenas instalações de pesquisa. O detalhamento e a sofisticação empregados no desenvolvimento dessas estimativas varia demais; a falta de padronização torna difíceis as comparações. Além disso, a limitada experiência de descomissionamento — nenhuma, se considerados reatores de grande porte — torna impossível saber se as estimativas são razoáveis, mas já se sugeriu que os custos de descomissionamento poderiam ser de até 100% do custo de construção inicial.

Nas próximas três décadas, mais de 350 reatores nucleares serão desativados. Quarenta anos depois de a primeira usina nuclear começar a produzir eletricidade, a indústria nuclear ainda não tem respostas sobre como desmantelar, de forma segura e economicamente eficiente, um reator.

Rejeitos no Rio de Janeiro

A região Sudeste poderá abrigar dois depósitos definitivos de rejeitos nucleares. Não basta uma solução técnica, mas é necessária uma lei federal tratando do assunto em definitivo.

Um deles ficaria dentro do complexo nuclear de Angra dos Reis, para guardar o lixo radioativo produzido pelas usinas de Angra I e II e um segundo depósito pode ser erguido em algum ponto da divisa dos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo para estocar os demais rejeitos radioativos do país, produzidos por hospitais, indústrias, universidades e centros de pesquisa.

A opção pela divisa entre os três Estados, se justifica porque o Sudeste concentra grandes produtores de rejeitos radioativos, como centros hospitalares de medicina nuclear, instituições de pesquisa, o Instituto de Engenharia Nuclear e Instituto de Pesquisas de Energia Nuclear, o projeto Aramar, em Iperó (SP), onde a Marinha desenvolve um reator para o submarino nuclear e a mineração de urânio em Poços de Caldas (MG).

Em 08.12.2001 o Jornal do Brasil publicou matéria sobre um novo depósito de lixo no Rio de Janeiro para atender a captação de rejeitos de material nuclear da rede hospitalar, no Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), localizado no campus da UFRJ - Universidade do Brasil. Este depósito além de material de medicina nuclear guarda pára-raios e outros materiais de baixa e média radioatividade, provenientes de institutos de pesquisas. O novo depósito com capacidade 15 vezes maior foi construído com verba de R$ 500 mil e aguarda mais R$ 1 milhão para compra de equipamentos de segurança; para o início das obras recebeu uma licença provisória do IBAMA, que os secretários de Meio Ambiente do Estado e do Município desconheciam e pretendem contestar.

CNEN e Depósitos

Os rejeitos gerados ao longo de mais de quatro décadas, encontram-se armazenados em instalações pertencentes ou supervisionadas pela CNEN. Esses rejeitos dão um volume de 13.700 m³. A cada ano, a CNEN realiza operações de recolhimento de rejeitos em todo o país.

A CNEN atua na área de segurança de rejeitos da seguinte forma:

1. Processo de licenciamento, pela CNEN, dos sistemas de processamento (baixa e média atividade)
2.
Encapsulamento em embalagens qualificadas para transporte e armazenagem (baixa e média atividade)
3.
Imobilização em matriz sólida, como cimento e betume (baixa e média atividade)
4.
Armazenamento inicial na própria usina (baixa e média atividade)
5.
Armazenamento prolongado na piscina de elementos combustíveis na própria usina (alta atividade)
6.
Armazenamento intermediário na própria usina, em instalações monitoradas, até a transferência para o depósito definitivo, ainda não existente (alta atividade).

O físico Anselmo Paschoa, consultor do Ministério Público sobre as questões nucleares e chefe do Laboratório Van de Graaff (PUC), disse que, mais grave do que o problema dos depósitos de rejeitos, é a situação da CNEN, que exerce ao mesmo tempo o papel de fiscal e de responsável pelo desenvolvimento da energia nuclear no país:

O repositório de rejeito não é um problema em si. É apenas conseqüência do conflito de interesses que sempre existiu nas funções de fiscalização, licenciamento e fomento da energia nuclear no Brasil. A legislação tem de ter mudar. Se o Brasil quiser usar responsavelmente a energia nuclear, a CNEN precisa ser dividida para evitar tais conflitos.

A CNEN tem 3 depósitos de materiais de baixa e média radioatividades:

Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) - material do Rio de Janeiro e Espírito Santo
Instituto de Pesquisa Energética Nuclear (IPEN) -
material de São Paulo e Sul
Centro de Desenvolvimento de Técnicas Nucleares (CDTN) -
material de Minas Gerais e Nordeste

A CNEN reúne papéis antagônicos e inconciliáveis: projetar, construir, instalar depósitos e ao mesmo tempo licenciá-los e fiscalizá-los, o que fere a Convenção Internacional de Segurança Nuclear, da qual o Brasil se tornou signatário em 02.06.1997. Desobedecendo também outra convenção sobre gestão da segurança de combustível usado e gestão da segurança de rejeitos radioativos. O Projeto de Lei 189 aprovado na Câmara de Deputados e em exame no Senado Federal confere a CNEN o direito de projetar, construir, instalar e licenciar depósitos de rejeitos radioativos.

As leis produzidas por políticos carecem muitas vezes de profundidade técnica e se solucionam alguma coisa, não abrange um grande espectro de detalhes.

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União realizada no segundo semestre de 2000 indicou que a CNEN não consegue cumprir o plano anual de inspeções das instalações radioativas, por limitações financeiras ou restrições orçamentárias. Os depósitos sob sua guarda estão praticamente cheios e sem acompanhamento de sua ocupação.

O relatório cruzou dados do Cadastro de Pagamento do Sistema Único de Saúde (SUS) -instituições que receberam pagamentos relativos à prática de medicina nuclear, com o cadastro da CNEN - instituições que praticam medicina nuclear, constatando uma diferença de 45% no rol da CNEN -órgão fiscalizador e licenciador destas atividades. Esta diferença cadastral significa que há material radioativo sem controle que pode ser usado de qualquer forma e ser descartado em qualquer lugar até acontecer um novo acidente, como o de Goiânia. A CNEN mantem um quadro de 20 inspetores para mais de 400 entidades a serem fiscalizadas.

Planta Original da Usina Sem Depósito

Quando o Governo federal autorizou o início das operações da usina de Angra I, em 1982, nem havia depósito. Somente com o processo de licenciamento de Angra II, que o IBAMA avaliará pela primeira vez o impacto ambiental do depósito.

Atividade - Materiais - Origem - Destino

Alta Elementos transurânicos (urânio 237, plutônios 239, 240, 241 e 242, amerício, netúnio) e produtos de fissão (samário, xenônio, estrôncio, iodo, césio) Criados quando o urânio 235 absorve nêutrons sem entrar em fissão (elementos transurânicos) ou pela fissão nuclear Aglomerados, vitrificados e postos em recipientes fechados, no fundo de uma piscina. A água impede que o calor da radioatividade aqueça demais o material Média Resinas e filtros Utilizados na limpeza das águas do circuito primário e da piscina Guardados provisoriamente na antiga pedreira da Praia de Itaorna Baixa Luvas, sapatilhas, roupas e ferramentas Utilizadas no trabalho na área do reator Estocados junto com os rejeitos de média atividade

O projeto original do complexo não previa o depósito porque, de acordo com a legislação, o destino dos rejeitos nucleares no Brasil é responsabilidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Como o Congresso Nacional nunca aprovou uma lei regulamentando o processo de construção de depósitos definitivos, FURNAS Centrais Elétricas, antiga gestora do complexo, foi obrigada em 1988 a erguer o primeiro dos dois galpões que formam o depósito provisório.

Criou-se então uma situação curiosa: conscientes de que não havia outro lugar para o lixo radioativo, as autoridades responsáveis pela fiscalização do complexo nunca cobraram a licença do depósito. Preferiram conviver com a situação provisória a transportar tambores contaminados por rejeitos radioativos para outro lugar menos seguro. Uma matéria do jornal O GLOBO, em 20.02.2000, questionava o que fazer com o rejeito estocado na área da Central Nuclear há mais de 15 anos. O combustível queimado fica no Edifício do Combustível Usado, um dos prédios ao lado do Edifício do Reator de Angra I. O projeto original previa capacidade de estoque por 20 anos, mas o prazo foi ampliado para 40 anos, toda a vida útil da usina, com a instalação de novos racks para acondicionamento.

No depósito provisório, formado por dois galpões, encontram-se 6.162 tambores com 2,1 mil t de rejeitos nucleares (filtros e resinas usados na purificação da água que passa pelo sistema primário, além de luvas, sapatilhas, macacões e ferramentas contaminadas). Um dos galpões já está cheio. A CNEN só poderá dar destino em definitivo a este lixo depois que o Congresso Nacional aprovar uma lei sobre o tema. O único depósito definitivo de rejeitos nucleares no Brasil fica em Abadia de Goiás, que guarda o lixo produzido pelo acidente com a fonte de césio. A abertura desta discussão lembra os protestos de vários Estados sobre o assunto de destinação de rejeitos nucleares quando aconteceu este acidente em Goiânia e a controvérsia também atinge países com maior tradição na indústria nuclear (Alemanha). Ninguém deseja ter um depósito de rejeitos e apressam-se em aprovar leis de âmbito municipal e estadual para evitar mais tarde uma determinação federal. O Estado do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro já expressaram isto em suas constituições estaduais, porém o Supremo Tribunal Federal já declarou tais atos como inconstitucionais, pois somente o Governo federal pode estipular políticas nucleares.

Angra Pode Ter Depósito Definitivo

Com base no estoque acumulado, calcula-se que Angra I produza por ano 410 tambores de lixo radioativo (1,12 tambor/dia). Com a inauguração de Angra II, a produção vai dobrar.

O engenheiro Alfredo Tranjan, assessor especial da presidência da CNEN, disse que o terreno das usinas é ideal porque já sofreu o impacto de duas usinas, oferece a segurança necessária e evitaria o perigoso transporte do material contaminado para outro local.

Por sua vez o município de Angra dos Reis proibiu o depósito definitivo em sua lei orgânica. "Em Angra não, pelo amor de Deus. Já temos duas usinas. E certamente outros rejeitos também serão levados para lá." protesta o prefeito de Angra, José Marcos Castilho (PT).

Mesmo depois de tudo aprovado pelo Congresso, serão precisos cinco anos para o depósito definitivo ficar pronto. Isto incluindo as obras e o tempo gasto na superação de resistências - disse Tranjan.

Minas Contra Lixo Radioativo

O Governo de Minas barrou a entrada de rejeitos no Estado. O presidente da Fundação Estadual de Meio Ambiente (FEAM), José Cláudio Junqueira, anunciou que, por ordem do governador Itamar Franco, pediu aos postos da Polícia Rodoviária Federal nas principais estradas de acesso a Minas que proíbam a passagem de carretas com lixo nuclear, pois os veículos circulam sem o licenciamento obrigatório fornecido pelo IBAMA.

A reação surgiu com a reportagem publicada pelo GLOBO, mostrando a existência de 15.000 t de torta II, concentrado de tório e urânio obtido como rejeito na exploração e beneficiamento da monazita, estocadas no complexo da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) em Caldas, estância hidromineral do Sul de Minas.

Procedentes do Rio e São Paulo, os rejeitos estão guardados em galpões e piscinas perto de uma mina de urânio desativada. A INB garante que as instalações são seguras e o material não representa risco à população local.

O Governo mineiro quer montar uma comissão permanente, com representantes dos poderes estadual e municipal, da empresa e da comunidade, para fiscalizar a conservação dos rejeitos.

Rio Contra Lixo Radioativo

O Governo do Rio cobrou da ELETRONUCLEAR uma análise de risco sobre o depósito provisório de rejeitos nucleares mantido no local. O governador Anthony Garotinho fez uma reunião com técnicos da área ambiental para discutir o assunto e saber se a legislação vigente permite uma instalação desta natureza no Estado.

Os secretários estaduais de Meio Ambiente, André Corrêa, e de Energia, Wagner Victer, enviaram intimação administrativa para a ELETRONUCLEAR, responsável pela administração do complexo, solicitando a contratação de uma empresa independente - preferencialmente a Agência Internacional de Energia Atômica, para fazer a avaliação do risco representado pelo depósito. A intimação dará prazo para que a ELETRONUCLEAR apresente o nome da empresa escolhida. Além disso, a ELETRONUCLEAR teria assumido o compromisso de investir na melhoria da Rodovia Rio-Santos, aumentando assim o grau de segurança numa necessidade de se fazer a retirada de emergência da população local. No IBAMA, a questão ainda está sendo analisada. Foram requisitadas informações sobre as condições da usina e um dos problemas é a situação da Rodovia BR-101 Rio-Santos, que dá acesso à usina.

MP e a Falta de Licença

O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, deputado Carlos Minc (PT), pretende levar o caso à Justiça e prometeu pedir a interdição da usina, caso o problema não seja resolvido. Segundo ele, os depósitos são ilegais porque não têm licença concedida pelo IBAMA.

Carlos Minc encaminhou em 21.02.2000 duas representações, uma ao IBAMA e outra ao Ministério Público Federal, cobrando providências sobre a existência de depósitos de rejeitos nucleares sem licença de funcionamento e uma ação na Justiça pedindo para que seja dado prazo de dois meses à ELETRONUCLEAR para regularizar a situação de 92 t de césio 137, xenônio, plutônio e urânio dos depósitos de rejeitos nucleares.

O Ministério Público Federal já abriu procedimento administrativo para acompanhar o licenciamento de Angra II, que necessita das licenças da CNEN e do IBAMA.

O outro problema é saber se a ELETRONUCLEAR com apenas suas receitas conseguirá manter todos os procedimentos de segurança.

A CNEN, ao confirmar que o depósito não tem licença ambiental, alegou que, na época em que o primeiro galpão foi construído, o IBAMA não existia. Sobre o segundo galpão, a CNEN informa que não foi feito o licenciamento pois não existe legislação que exija este procedimento para depósitos provisórios.

Firulas Legislativas no Congresso Nacional

Desde 1988, o Poder Legislativo discute o destino do lixo nuclear sem chegar a um consenso. Após passar pelo Senado, o projeto ficou até 1999 parado na Comissão de Minas e Energia da Câmara. Seu relator, o deputado federal Antônio Feijão (PST-AP), chegou a visitar usinas nucleares pelo mundo, mas nunca concluiu o trabalho.

Irritado com a demora, o deputado Luiz Sérgio Nóbrega (PT-RJ), conseguiu convencer o presidente da Câmara a transferir o projeto para a Comissão de Meio Ambiente. Antes de chegar ao plenário, o projeto passou ainda pela Comissão de Constituição e Justiça.

O deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) anunciou que iria pedir ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para colocar em regime de urgência a votação do projeto de lei 189/91, de autoria do então senador Itamar Franco, que regulamenta o destino dos rejeitos nucleares no Brasil. O projeto não foi votado em abril de 2000, mas no final de maio. As Forças Armadas torceram o nariz e obstruíram porque não querem seus galpões sendo inspecionados pela sociedade civil.

Além de estabelecer o processo de seleção dos locais, determina algum tipo de incentivo ao município que se dispuser a abrigar os depósitos definitivos. No projeto que agora vai ao Senado, as instalações militares ficam isentas de pagamento de taxa aos municípios onde desenvolvem atividades nucleares ligadas à Segurança Nacional.

IBAMA Faz Inspeção

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) fez inspeção detalhada no complexo nuclear, para decidir se renova a licença ambiental de funcionamento das usinas (que não inclui os galpões provisórios que abrigam os rejeitos radioativos já produzidos), que vence em abril.

A presidente Marília Marreco disse que seriam observadas três questões: a necessidade ou não de duplicação da estrada de acesso ao complexo; o preparo das comunidades e das equipes técnicas para a necessidade de evacuação de emergência; e o relatório de segurança do empreendimento.

Nas operações simuladas de acidente nuclear, ficou constatado que nem a população nem os técnicos estão preparados. Outro detalhe é que o relatório de segurança, que deveria ter sido entregue há anos pela ELETRONUCLEAR e pela CNEN, até agora não foi concluído.

Ajustamento de Conduta

A inspeção não tem o poder de alterar o calendário de Angra II, que inclui o início do funcionamento da usina de Angra II em 15 de junho de 2000. Mesmo com avaliação negativa do IBAMA, a usina poderá funcionar mediante a assinatura de um ajustamento de conduta, uma licença provisória, dada pelo órgão mediante compromisso de que as exigências de segurança ambiental serão adotadas.

Tanto a Refinaria Duque de Caxias, da PETROBRAS, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), tiveram suas licenças ambientais renovadas mediante a assinatura de um mero "ajustamento de conduta".

Inspeções Realizadas

A Secretaria de Meio-Ambiente contratou a empresa Safety, Health & Environmental para avaliar o local de estocagem, o laudo foi transmitido na sexta feira de Carnaval e recomenda ampliação da área, passando com louvor nos quesitos segurança e proteção.

Em se tratando de boa vontade, até que o pessoal da área nuclear é bem intencionado, embora tenham lá suas fraquezas e ataques de corporativismo.

Fonte: www.energiatomica.hpg.ig.com.br

Lixo Nuclear

Qual é o destino do lixo nuclear produzido no mundo?

Cada tipo de resíduo nuclear tem um destino. "Depende do grau de radioatividade e dos materiais de que ele é composto", diz o engenheiro Alfredo Tranjan Filho, diretor da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão governamental criado para fiscalizar o uso de material radioativo.

O lixo nuclear - ou "rejeito radioativo" - é classificado em três tipos: os de alta, média e baixa radioatividade.

Entre uma gradação e outra, a radiação aumenta cerca de mil vezes.

Os rejeitos de nível baixo e médio são guardados em depósitos provisórios ou permanentes. No Brasil, há depósitos provisórios em centros de pesquisa nuclear no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais - o único depósito permanente fica em Goiás. O grande problema está mesmo no lixo de alta radioatividade, como restos do combustível nuclear que move as usinas. De tão perigosas, essas pastilhas gastas de urânio vão sendo empilhadas em uma piscina de resfriamento ao lado do reator onde são usadas.

Tanto a piscina quanto o reator são cercados por várias barreiras de aço, chumbo e concreto.

A piscina da usina de Angra II, por exemplo, tem capacidade para armazenar lixo por mais de 40 anos, o mesmo tempo de vida útil do reator. E o que acontece depois? "Por incrível que pareça, no mundo inteiro ainda não se chegou a uma resposta definitiva", afirma a física Emico Okuno, da USP.

Em um passado recente, alguns países jogaram rejeitos no mar e em minas de sal abandonadas. Hoje, devido à maior consciência ambiental, essas opções foram descartadas. "Por mais que se diga o contrário, é impossível garantir 100% de segurança para esses materiais. A única solução seria parar de usar energia nuclear", diz Reinaldo Canto, diretor de comunicação no Brasil do Greenpeace, principal organização mundial de defesa do meio ambiente.

Os rejeitos mais perigosos são guardados em piscinas especiais

Lixo de baixa radioatividade

Produtos: Tudo que entra em contato com material radioativo, como ferramentas, luvas, roupas de proteção de operários e material de laboratório
Destino:
Latas sem blindagem especial, guardadas em depósitos temporários, perto de onde o lixo é produzido. Depois, elas podem seguir para depósitos subterrâneos

Lixo de média radioatividade

Produtos: Recipientes usados de combustível nuclear, peças de reator e rejeitos químicos dos processos de mineração e enriquecimento de urânio
Destino:
Em geral, é guardado nos mesmos locais que o lixo de baixa radiação, mas com uma grande diferença: esse tipo de rejeito fica dentro de tonéis blindados de concreto

Lixo de alta radioatividade

Produtos: Pastilhas gastas de urânio, usadas como combustível de reatores, e rejeitos líquidos oriundos da extração de plutônio para fabricação de bombas nucleares
Destino:
É guardado em piscinas protegidas junto aos próprios reatores das usinas, ou em depósitos provisórios

Fonte: mundoestranho.abril.com.br

Lixo Nuclear

Um dos principais argumentos utilizados pelos defensores das usinas nucleares é o seu baixo nível de poluição do ambiente. Segundo eles, a usina nuclear seria capaz de produzir energia elétrica "limpa". Esta, entretanto, não costuma ser a opinião das organizações de defesa do meio ambiente, como o Greenpeace. O Greenpeace acredita que os testes já realizados envolvendo o destino do lixo nuclear são insatisfatórios e que testes confiáveis demandariam dezenas de milhares de anos.

Os rejeitos produzidos em Angra 1 e 2 podem ser classificados em três níveis de radioatividade: alta, média e baixa.

Ainda não há, no Brasil, um lugar escolhido para o depósito definitivo do lixo nuclear, ficando o lixo de Angra em depósitos intermediários.

Para os rejeitos de baixa e média radioatividade (que deveriam ficar no depósito intermediário por no máximo três anos) o destino são dois galpões de concreto construídos dentro de rochas, ao lado da usina. Nestes galpões ficam armazenados tambores que, ou contém botas, macacões e outras roupas contaminadas (rejeitos de baixa radioatividade, com meia-vida aproximada de 60 anos) utilizadas por trabalhadores ou peças de metal do reator e resíduos químicos (rejeitos de média radioatividade). A maior parte dos tambores contém rejeitos de baixa radioatividade que podem, inclusive, ser reutilizados. Segundo Kleber Cosenza, Superintendente de produção de Angra 2, em uma inspeção periódica, feita há três anos, o material estocado passou de 1400 tambores para 400, devido à constatação de que aqueles objetos haviam perdido a radioatividade. Algumas peças de roupas foram reutilizadas.

O rejeito de alta radiotividade, que a indústria chama de subprodutos, é formado pelo elemento combustível já irradiado dentro do reator. Este rejeito tem uma meia-vida bastante longa, podendo chegar a dezenas de milhares de anos, o que torna a questão sobre o destino a ser dado a ele muito mais importante. Por incrível que pareça, o elemento combustível também pode ser reutilizado. Normalmente, ele é retirado do reator com apenas 15% de sua capacidade utilizada. Se a usina recebe elementos combustíveis com qualquer tipo de problema, pode recorrer ao combustível estocado a ser utilizado em combinação com o novo. O local de estocagem dos rejeitos de alta radioatividade de Angra são as suas piscinas. Para a usina de Angra 2 foi construída uma piscina dentro do reator (diferente da de Angra 1, que fica fora) com capacidade para armazenar os rejeitos produzidos por metade de sua vida útil, 20 anos. A piscina de Angra 1 pode armazenar os resíduos de seus 40 anos de atividade previstos. Ambas mantém os resíduos submersos a mais de dez metros de profundidade, sendo a água a blindagem utilizada.

O projeto que define normas para a construção de locais definitivos de armazenamento de lixo nuclear já foi aprovado pelo Congresso, estando em tramitação no Senado. Ele segue as normas internacionais, que propõe a construção de silos de concreto no subsolo. A cidade em que fossem construídos estes silos seria beneficiada com compensações financeiras. O atual prefeito de Angra dos Reis, José Marcos Castilho, é contrário à escolha de sua cidade para sede também dos rejeitos.

Os ambientalistas questionam as soluções propostas pelas centrais nucleares. Segundo eles, poderia haver contaminações do ar causadas por explosões ou vazamento contínuo de gases de um sítio (possíveis teoricamente), ou contaminações da água, causadas por vazamento do invólucro que armazena o rejeito e que poderia atingir um lençol freático. O fato é que, principalmente com relação aos rejeitos de alta radioatividade, a solução encontrada deve levar em conta a longa meia-vida do lixo, que chega a milhares de anos.

Fonte: www.comciencia.br

Lixo Nuclear

O que é Radioatividade

A radioatividade é uma propriedade natural de algumas substâncias, que emitem espontaneamente partículas ou energia.

O urânio é a mais famosa dessas substâncias.

A radioatividade não pode ser vista, ouvida, cherada ou tocada.

Quando começaram a estuda-la não sabiam que ela era perigosa, muitos cientistas morreram de cânser, isso aconteceu no século XX.

Os materiais radioativos podem ser usados no tratamento de doenças, como: o câncêr,

Na agricultura: para alterar a característica de composição de sementes.

Nos reatores de usinas nucleares.

Fonte: www6.ufrgs.br

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