Mote
A dor que minha alma sente
Não na sabe toda a gente.
Que estranho caso de amor!
Que desejado tormento!
Que venho a ser avarento
Das dores da minha dor.
Por se não tornar pior,
Se se sabe ou se se sente,
Não na digo a toda a gente.
Minha dor e causa dela
De ninguém ouso fiar,
Que seria aventurar
A perder-me ou a perdê-la.
E pois só com padecê-la
A minh'alma está contente,
Não quero que a saiba a gente.
Ande no peito escondida,
Dentro n'alma sepultada;
De mim só seja chorada,
De ninguém seja sentida.
Ou me mate ou me dê vida,
Ou vida triste ou contente,
Não na saiba toda a gente.
Fonte: Jornal da Poesia



