Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  Glosa A Mote Alheio (Poesias De Luís Vaz De Camões)  Voltar

Glosa a mote alheio

Poesias de Luís Vaz de Camões

Vejo-a na alma pintada,
Quando me pede o desejo
O natural que não vejo.

Se só no ver puramente
Me transformei no que vi,
De vista tão excelente
Mal poderei ser ausente,
Enquanto o não for de mi.
Porque a alma namorada
A traz tão bem debuxada
E a memória tanto voa,
Que, se a não vejo em pessoa,
Vejo-a na alma pintada.

O desejo, que se estende
Ao que menos se concede,
Sobre vós pede e pretende,
Como o doente que pede
O que mais se lhe defende.
Eu, que em ausência vos vejo,
Tenho piedade e pejo
De me ver tão pobre estar,
Que então não tenho que dar,
Quando me pede o desejo.

Como àquele que cegou
É cousa vista e notória,
Que a Natureza ordenou
Que se lhe dobre em memória
O que em vista lhe faltou,
Assim a mim, que não rejo
Os olhos ao que desejo,
Na memória e na firmeza
Me concede a Natureza
O natural que não vejo

Fonte: www.astormentas.com

Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal