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Que levas, cruel Morte? - Um claro dia (1598)

Sonetos de Luís Vaz de Camões

Que levas, cruel Morte?- Um claro dia.

- A que horas o tomaste?- Amanhecendo.

- Entendes o que levas?- Não o entendo.

- Pois quem to faz levar?- Quem o entendia.

Seu corpo quem o goza?- A terra fria.

- Como ficou sua luz?- Anoitecendo.

- Lusitânia que diz?- Fica dizendo:

Enfim, não mereci Dona Maria.

Mataste quem a viu?- Já morto estava.

- Que diz o cru Amor?- Falar não ousa.

- E quem o faz calar?- Minha vontade.

Na corte que ficou?- Saudade brava.

- Que fica lá que ver?- Nenhüa cousa;

mas fica que chorar sua beldade.

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

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