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Macapá

A corrida do Ouro

Em 1893 (alguns mencionam 1894) os ânimos passam a se acelerar mais na região do Contestado. Dois garimpeiros brasileiros e naturais de Curuçá-Pa., os irmãos Germano e Firmino Ribeiro, após tanta procura, descobriram ouro na bacia do rio Calçoene. Isto causou uma verdadeira corrida sem precedentes, invadindo a região aventureiros de todas as nacionalidades. A descoberta do referido metal também provocou um crescimento desordenado, aumentando inclusive a violência e os problemas de saúde, consequenciados pela falta de saneamento. O incontentamento grassou em toda a região, atravessando fronteiras.

Sabedor do achado do ouro, o governador da Guiana Francesa, Mr. Charvein, cuidou logo de colocar um representante da França lá. Assim, Eugene Voissien é escolhido para assumir a função de delegado da região contestada. Com essa regalia, Voissien passa a fiscalizar a região. facilitando assim todo o trabalho de coleta do ouro, que era desviado para o lado francês, que se arvorava na cobrança de altas taxas de impostos.

Esse período, que vai de dezembro de 1893 até novembro de 1894 é, para alguns brasileiros um período de intranquilidade, pois incontáveis vezes alguns garimpeiros foram aprisionados por Voissien, que alegava nas suas faltas a prática do contrabando. Outros achavam que tais denúncias eram vazias, defendendo um pouco a imparcialidade discutida de Charvein.

As reações dos brasileiros não tardaram, reunindo-se a população para nomear, ali, um governo triúnviro sob a presidência do cônego Domingos Maltez, tendo como seus auxiliares, Veiga Cabral e Desidério Antonio Coelho Esta decisão do Triunvirato foi uma idéia do próprio Desidério Antonio Coelho, que antes foi nomeado para dirigir a região; mas opinava ele que isto poderia ser eficaz com a nomeação de três pessoas. Quanto a Voissien, ele se contentou com o cargo honorífico de Capitão Honorário do Exército Defensor do Amapá.

Em 1895 os ânimos se acirraram, provocando em 15 de maio, uma 'invasão' francesa, sob o comando do Capitão Lunier, ao Amapá. O paraense Francisco Xavier da Veiga Cabral (o Cabralzinho) foi quem administrou a retirada dos 'invasores', sagrando-se, com o feito, o Herói do Amapá.

Em 1897, um termo de compromisso assinado no Rio de Janeiro, em 10 de abril, pelos delegados do Brasil (Ministro Gabriel e Piza) e da França, confiava a resolução do Contestado á arbitragem do presidente da Confederação Suíça, Walter Hauser, e o advogado Barão do Rio Branco ( José Maria. da Silva. Paranhos ), especialista experiente em questões de fronteiras, é escolhido para defender o Brasil. Este encargo foi confiado, primeiramente, a Ruy Barbosa, mas este hesitou em assumir a questão, indicando como mais experiente que ele nesses assuntos, seu colega Barão do Rio Branco.

Após inúmeros estudos e conferências, a sentença foi pronunciada pelo governo suíço, três anos mais tarde, isto é; em 1º de dezembro de 1900, fixando ao Brasil a posse definitiva da região contestada, que se situava entre o Oiapoque e o Araguari. A data de lº de dezembro ficou consolidada como o nascimento do Amapá como parte territorial integrativa.

Os topônimos Amapá e Oiapoque

Amapá

Na língua tupi, o nome Amapá significa O Lugar da Chuva. Antonio Lopes (TOPÔNIMOS TUPIS, in "Revista de Geografia e História", nº 2, São Luiz, Maranhão, 1947) diz que Amapá veio de Ama (Chuva) Paba (Lugar, estância, morada), significando, portanto, Lugar da Chuva. Esta novidade é citada também por Sarney (SARNEY, José e COSTA, Pedro, Amapá, a Terra onde o Brasil Começa, Editora do Senado Federal, 1999.). A tradição diz, no entanto, que o nome teria vindo do nheengatu, uma espécie de dialego tupi jesuítico, que significa Terra que Acaba, ou seja: ilha.

O topônimo também reporta à árvore Amapá, da família das Apocináceas (Parahancornia amapá hub Ducke), muito comum no Pará e Amapá. Seu leite é usado na farmacopéia regional; é um grande fortificante, servindo para levantar as forças e estimular o apetite. Seu fruto, da grossura de uma maçã, roxo-escuro, contém um soco leitoso e pegajoso na pele; a polpa é doce e saborosa. Amadurece no mês de março. A madeira é branca, aproveitável na mercenária.

Oiapoque

Também vem do tupi, e significa Casa dos Guerreiros (OIAP, WAIAPI, WAIAP, UIAP + OCA, OQUE, OC, OCCO). O nome WAIAPI, que lembra os indígenas da reserva atual do Amapari, também significa parentes. Os Waiapi que teremos a oportunidade de falar mais adiante, são os mesmos Guaiapi (Guaiapise) que teriam lutado com os Mocura (Mucura, Mukura) no século XVII, no sul do Pará. Foi o explorador Keymis (Sarney, José Amapá, a Terra onde o Brasil ) que em 1596 primeiro deu o nome Oiapoque ao então rio de Vicente Pinzón.

Oiapoque é um rio que nasce no alto da Serra do Tumucumaque, e despenca bruscamente, para traçar uma linha precisa, de sudoeste a nordeste, em direção ao Cabo Orange.

Os primeiros Tratados

Os portugueses, desde que iniciaram a conquista da Amazônia, devido a maior presença de índios da nação tucujus na região compreendida entre o rio Jari e a margem esquerda do Amazonas, desde o Paru até a foz, passaram a denominá-la Terra dos Tucujus ou Tucujulândia.

A fixação portuguesa nessa região, de fato, começou em 1688, formada pela guarnição da Fortaleza de Santo Antônio, mas após a assinatura do Tratado Provisional com a França, em 4 de março de 1700, foram obrigados a abandoná-la, porque esse acordo determinava a neutralização, proibindo até mesmo que colonos portugueses ou franceses se estabelecessem na região.

O Tratado Provisional foi ratificado em 18 de julho de 1701, ficando pendente a questão de limites. Mas os franceses não o respeitaram e continuaram incursionando pela região. Os portugueses protestaram e anularam os dois acordos, ao mesmo tempo em que apelavam à sua aliada Inglaterra, para que interviesse, visando a uma solução negociada da questão.

Na Holanda, sob a mediação da rainha inglesa Anne, em 11 de abril de 1713, ocorreu a assinatura do Tratado de Ultrecht entre Portugal e a França, que estabeleceu o rio Oiapoque como limite entre o Brasil e a Guiana Francesa.

A assinatura do Tratado de Ultrecht, embora correto e justo foi entendido por segmentos da sociedade francesa como condescendente, vindo influenciar os governantes da Guiana Francesa, que não respeitariam esse acordo, determinando incursões na área. O auge dessas investidas, ocorreu quando governava aquela Colônia, Claude d'Orvilhers, com corsários franceses aprisionando indígenas para escravizá-los. Eram combatidos, mas sem eficiência.

Quando o capitão-general, João da Maia da Gama, em 19 de julho de 1722, assumiu o governo do Estado do Maranhão e Grão-Pará, as investidas francesas começaram a ser combatidas de forma mais intensa. No período de 1723 a 1728, além das rotineiras expedições guarda-costas, que percorriam o litoral, esse governador ordenou quatro grandes expedições militares a região, comandadas pelos capitães João Paes do Amaral, Francisco de Mello Palheta, Diogo Pinto da Gaya e Francisco Xavier Botero, que não chegaram a combater invasores, contudo fizeram como que fossem reduzidas substancialmente as invasões francesas sobre o setentrião pátrio.

Os primeiros bairros de Macapá

Vista do alto, a cidade aparenta uma unidade. Esta aparência uma desfaz-se, contudo, quando estamos dentro dela e conhecemos suas inúmeras divisões. Dentro de uma cidade existem, por exemplo, as ruas; nas ruas as casas; nas casas as famílias; nas famílias as pessoas. Dentre as divisões da cidade existem, particularmente, os bairros uma grande área formada por ruas, casas, famílias, pessoas...

Uma espécie de pequena cidade dentro da cidade maior. Muitos bairros têm o poder de despertar a paixão de seus moradores. Tanto que, quando se quer dizer que uma pessoa está fazendo a defesa apaixonada de uma determinada região, colocando-a acima das demais, chama-se esta pessoa de "bairrista". Geralmente os bairros mais antigos são os que têm mais charme, exatamente por terem mais história. Mas também não é raro um bairro virar tradição, ainda que tenha sido criado há pouco tempo. No texto abaixo, contamos a história de alguns dos bairros mais famosos de Macapá . É necessário acrescentar que este texto foi baseado em declarações do professor Estácio Vidal Picanço.

Bairro Central

O bairro Central é o berço da cidade, fundada em 4 de fevereiro de 1758. É a "cidade velha" de Macapá . O bairro encampou os primeiros bairros de Macapá , como o da Fortaleza, onde ficava a antiga doca; do Cemitério; do Alto; do Formigueiro, onde vivera a Mãe Luzia (Francisca Luzia da Silva) e da Favela onde viveram grandes figuras da nossa cultura popular, entre eles Benedito Lino do Carmo, o velho Congós, e D. Gertrudes. Ali se fixaram as primeira famílias e a cidade cresceu.

Bairro do Laguinho

Segundo a tradição, o local era conhecido como "Poço da Boa Hora", onde morava um senhor descendente de escravos. Nas horas do meio-dia e das seis da tarde ninguém se atrevia a passar pelo local, pois esse senhor fazia malvadezas. A referência do nome do morador (Pretinho) está na obra de Fernando Canto: "Telas e Quintais". Não foi encontrado ainda o local exato onde ficaria localizado o "Poço da Boa Hora". Maioria dos moradores diz que recebeu a estória de seus pais, e que estes receberam de seus avós.

O primeiro governador do então Território do Amapá, capitão Janary Nunes, depois de instalar seu governo, desejando a expansão urbana de Macapá e de áreas nobres para construir prédios públicos e residências para o funcionalismo e para a construção da própria residência governamental, entrou em contato com os moradores da praça Barão do Rio Branco, a fim de convence-los a aceitar uma transferência de local.

Com a ajuda do líder, Mestre Julião (Julião Tomás Ramos), os moradores da praça formavam uma comunidade negra chamada vila Santa Engrácia. Esta vila era o local onde se manifestavam as tradições folclóricas amapaenses.

Os membros da comunidade aceitaram a proposta de Janary Nunes e tiveram suas residências transferidas para os campos do Laguinho, onde o governo havia construído uma série de casas. O local se chamava campo dos Laguinhos porque tinha suas terras cercadas por pequenos lagos.

O Laguinho era limitado, ao norte, pelo antigo campo de aviação onde o cantador de Marabaixo, Raimundo Ladislau, escreveu estes belos versos, daquele que pode ser considerado o Hino da Nação Negra do bairro do Laguinho:

"Aonde tu vai, rapaz
Por estes campos sozinho?
Vou fazer minha morada
Lá nos campos do Laguinho..."

Mais tarde o Laguinho mudou de nome, passando a se chamar Julião Ramos. Após um plebiscito realizado entre a população do bairrro, o local voltou a ser chamado de Laguinho. Lá se encontra a Escola Estadual General Azevedo Costa, a União dos Negros do Amapá, além da Praça Julião Ramos.

Bairro do Trem

Logo após a instalação do governo territorial, foram encontrados no começo da avenida Feliciano Coelho de Carvalho, vestígios de alguns trilhos de trem, que possivelmente serviram às carretas que transportavam material para a construção da Fortaleza de São José de Macapá , no século XVIII. Este achado é a fonte do nome do bairro do Trem.

Ali foram construídas as primeiras casas para abrigar os operários que chegavam ao Amapá, para construir os prédios públicos do Território. Por este motivo o local ficou conhecido como Bairro Proletário.

Bairro tradicional de Macapá , ali surgiu o Trem Desportivo Clube, tendo como fundadores Bellarmino Paraense de Barros, Benedito Malcher, os irmãos Osmar e Arthur Marinho, Walter e José Banhos, além de outros.

Em 1º de maio de 1950 foi fundada a primeira escola do bairro, conhecida atualmente como Escola Estadual Alexandre Vaz Tavares, em homenagem ao poeta e político macapaense.

Nessa mesma data, em uma cerimônia que contou com a presença do então monsenhor Aristides Piróvano, do padre Antonio Cocco, do governador Janary Nunes e seu secretariado, foi lançada a pedra fundamental da igreja de Nossa Senhora da Conceição.

O bairro do Trem viu surgir, ainda, o Ypiranga Clube, atual campeão amapaense de futebol profissional. Outras fontes de atração do Trem são a escola Santina Riolli, a praça da Conceição, padroeira do bairro, cuja data é comemorada em 8 de dezembro; o antes Museu de Plantas Medicinais Waldemiro Gomes, que teve seu nome trocado para Museu do Desenvolvimento Sustentável, e a sede do Sesi.

O Trem é um dos bairros mais tradicionais de Macapá . Lá existiu, na década de 50, o Bar do Barrigudo, na esquina da rua Leopoldo Machado com a avenida Feliciano Coelho, onde eram realizadas saudosas batalhas de confetes, resquícios dos velhos carnavais.

Beirol

A denominação deste bairro origina-se de um antigo paredão existente ali, no final do século passado. O paredão servia de referência para que os artilheiros da Fortaleza de São José praticassem o tiro-ao-alvo, usando os centenários canhões da fortificação. A crônica da época conta que o padre Gregório Álvares da Costa, terceiro vigário de Macapá , destacava-se como exímio artilheiro nestes exercícios. A ele competia dar lições de tiro e de arte militar aos soldados da fortaleza. Os exercícios de tiro-ao-alvo eram praticados nos dias santificados e nas datas cívicas.

Logo após a instalação do governo territorial, foi construído no local, que ainda não se chamava Beirol, o primeiro presídio de Macapá , mas também ficou conhecido com o nome do bairro. Assim desfaz-se o comentário tradicional de que o bairro tivesse se originado do presídio.

No bairro encontram-se a maioria das estações transmissoras das emissoras de rádio e televisão do Amapá; as antenas da Embratel; o balneário do Araxá; a sede campestre do Sesc; a estação de tratamento de água da Caesa; o Ginásio Castelo Branco e a Igreja de São Pedro, entre outros locais de destaque.

Pacoval

O topônimo é derivado de Pacobal, que segnifica "bananal", referindo-se a um tipo de banana, chamada de pacova (ou pacova). Os primeiros moradores deste bairro populoso foram os nordestinos, que localizaram-se às margens do Lago do Pacoval, onde passaram a praticar a agricultura rudimentar, sendo que alguns tentaram trabalhar com a pecuária.

No século XVIII, Mendonça Furtado mandou abrir um canal no Lago do Pacoval, para o escoamento de suas águas, pois o canal era foco de mosquitos transmissores da malária, que atingia os moradores da então vila de São José de Macapá . As principais vítimas da malária eram os índios. Por sinal, existem no bairro duas áreas que forram usadas como cemitérios. Um está situado no começo da avenida Piauí e outros às margens do lago.

Tudo indica que o pacoval encontrado pelos colonos nordestinos tenha sido plantado pelos indígenas. O bairro possui várias escolas e igrejas, destacando-se a de Nossa Senhora Aparecida. Ali estão localizados o Terminal de Abastecimento e o Centro Social Asa Aberta.

Perpétuo Socorro

Era o bairro do antigo Igarapé das Mulheres, onde as mulheres lavavam as roupas de suas patroas e tomavam confortáveis banhos, ficando de guarda uma mulher com uma espingarda, chamada de Lazarina, para o caso da aproximação de alguém do "sexo feio" (nome que, no século passado, eram tratados os nomes nos festejos do Marabaixo) para espiá-las na hora do banho.

Hoje o bairro está totalmente saneado, com vilas e casas populares. Ali existe também a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padroeira do bairro, além de um centro social, um destacamento de polícia e um centro de saúde.

As Comunicações Sociais no Amapá

A história das Comunicações Sociais no Amapá prescreve o esforço e a dedicação de vários intelectuais e empresários ligados ao setor que, mesmo diante de dificuldades geradas pela falta de estrutura para o setor, no início do Território do Amapá, se colocaram na posição de pioneiros e, hoje, graças a eles, o Estado teve um grande avanço neste campo, contribuindo para um aprimoramento no ramo das comunicações.

O início de tudo é 1895, com o lançamento do jornal PINSONIA, fundado pelo intelectual macapaense Joaquim Francisco de Mendonça Junior, muito embora nesse mesmo ano já circulassem em Macapá edições esparsas do jornal paraense O DEMOCRATA, de propriedade do Partido Republicano Democrático do Pará. Além de pregar idéias revolucionárias, o Democrata cuidou, em especial, de relatar conflitos ocorridos no Amapá, principalmente o de 15 de maio de l895, quando franceses invadiram a pequena vila de Amapá.

O PINSONIA, sendo historicamente o primeiro jornal fundado no Amapá com tipografia própria, teve efêmera duração. Ainda hoje encontra-se em frente à Biblioteca Pública do Estado, o cutelo que cortava os jornais para serem vendidos. O último número do PINSONIA circulou em 1898.

O CORREIO DE Macapá , considerado o segundo jornal, apareceu em julho de 1915, iniciativa do coronel e intelectual Jovino Dinoá. Como veremos, ele teve a presença marcante do padre Júlio Maria Lombardi, a esse tempo vigário de Macapá , que colaborou assiduamente, focalizando assuntos relacionados à história de Macapá . Em 1918 já não se ouvia mais falar no CORREIO.

Com o desmembramento do Amapá do Pará a partir de 1943, o Governo do Território do Amapá ativa a imprensa, com o aparecimento dos serviços de auto-falantes do governo que deram origem à primeira estação de rádio difusão, a RÁDIO DIFUSORA DE Macapá , que até hoje conserva o lema inicial: "Uma voz do Amapá a Serviço do Brasil".

Em 19 de março de 1945 circula pela primeira vez o jornal AMAPÁ, de propriedade do Governo do Amapá, tendo como primeiro diretor Paulo Eleutério Cavalcante de Albuquerque. Também a REVISTA DO AMAPÁ passa a ser editada nesse tempo, por Raul Montero Valdez, que a essa época exercia o cargo de secretário geral do Governo do Amapá.

A fundação desses três veículos (Rádio Difusora, jornal Amapá e Revista do Amapá) veio dar impulso a uma leva de intelectuais e jornalistas da terra, que proliferavam, marcando época, como Terezinha Fernandes, Edna Luz, Elfredo Gonçalves, Alcy Araújo Cavalcante, Pedro Silveira, Agostinho Souza, Theodolino Flexa de Miranda, Hélio Pennafort, Estácio Vidal Picanço, Carlos Cordeiro Gomes entre outros.

Diante disso, um grupo de intelectuais resolveu fundar a Academia Amapaense de Letras, a partir de 1952. Em 1958 aparece a revista RUMO, tendo como diretor Ivo Pontes Torres. Em 1962 vem a VOZ CATÓLICA, o jornal OPINIÃO e MENSAGEM DO AMAPÁ, independentes, sendo um religioso (A Voz Católica) e outros particulares. Isso estimulou a fundação da primeira associação de jornalistas da terra: Associação Amapaense de Imprensa e Rádio", em 1963, na Piscina Territorial, pelo então governador Terêncio Furtado de Mendonça Porto. Entre outros, figuravam como fundadores dessa associação: Paulo Conrado, Alcy Araújo, Antonio Munhoz Lopes, Ezequias Assis, Jorge Basile, Luís Ribeiro de Almeida e Mário Quirino da Silva.

Foi nesse período que surgiu, também, a primeira emissora particular de rádio-difusão: "Rádio Equatorial" (não tem nada a ver com a emissora atual). A Equatorial, contudo, durou pouco. Em 1967 surgiu a RÁDIO EDUCADORA SÃO JOSÉ, cuja duração também foi curta. Em 1969 aparece a revista LATITUDE ZERO, que teve como editor Ribeiro de Assis, e figuras como Alcy Araújo e Cordeiro Gomes entre seus redatores.

O ano de 1974 marca a era do off-set em Macapá . A primeira estação de TV funcionou a partir de 1975, transmitindo imagens da Rede Globo. Em 1978 aparece nas bancas o primeiro número do jornal MARCO ZERO, de propriedade do médico radiologista Roberto Hescket Cavaleiro de Macedo, que funcionou por muito tempo como uma espécie de "mecenas", ajudando vários talentos amapaenses que se dirigiam à capital paraense em busca de mais conhecimentos.

O jornal MARCO ZERO teve duração de nove anos. Dele participaram Correa Neto, Guilherme Jarbas, Osvaldo Monteiro, Aloísio Brasil, Hélio Penafort, Coaracy Barbosa, Pedro de Paula, Alcinéia Cavalcante, Edgar Rodrigues, entre outros. O ano de aparecimento do Marco Zero e de outros jornais, como JORNAL DO POVO e O ESTADO DO AMAPÁ marcam início da era off-set no Estado.

O aparecimento do JORNAL DO DIA marca a era dos diários, iniciada pelo JORNAL DO POVO, que é considerado, na história, como o primeiro diário do Amapá. Vejamos agora, passo a passo, como surgiram os veículos de comunicação no Amapá.

OS JORNAIS

Pinsonia - 1895

Em 15 de novembro de 1895 é lançado o jornal Pinsonia, iniciativa do intelectual macapaense Joaquim Francisco de Mendonça Junior, e do comerciante José Antonio Siqueira (José Antonio de Cerqueira). Mendonça Junior já era conhecido dos paraenses pelos seus poemas, pelo pseudônimo de Múcio Javrot. Unindo-se a José Antonio Siqueira, eles conseguiram um feito inédito: lançar um jornal de periodicidade semanal, tipo tablóide, cuja tipografia, fabricada na Alemanha, se instalou primeiramente em Belém.

Em 14 de julho de 1897 o Pinsonia passa a ser impresso em Macapá , com a transferência de seu maquinário. Hoje só resta uma peça desse maquinário: o cutelo, que está exposto em frente à Biblioteca Pública Estadual.

A periodicidade era semanal, com tiragem média de 500 exemplares. A linha editorial, apesar de particular, tinha certa ligação com o governo republicano do Para. Atualmente ele está inativo. Sua última edição circulou em 1898.

O nome Pinsonia se deu em homenagem a Vicente Yanez Pinzón, um dos primeiros navegadores a andar pela região setentrional do Brasil, atingindo o Oiapoque, bem antes de Pedro Álvares Cabral.

Correio de Macapá 1915

Data de fundação: 11 de julho de 1915. Periodicidade semanal/quinzenal. Tiragem média: 500 exemplares. Fundador: Jovino Albuquerque Dinoá. Linha editorial: particular, mais society. Ligação política com a Intendência de Macapá . Atualmente está extinto.

Em 1915 é lançado o CORREIO DE Macapá , 20 anos após o aparecimento do PINSONIA. O "Correio" foi dealizado pelo tenente-coronel Jovino Albuquerque Dinoá, e tinha entre seu corpo redacional a presença do padre Júlio Maria Lombardi, belga de nascimento, que muito contribuiu para a história da Igreja Católica e da vida local. Foi o Correio quem noticiou, entre outras coisas, a chegada dos primeiros evangélicos (em especial os pentecostais, da Assembléia de Deus) em Macapá , capitaneados pelo pastor boliviano Clímaco Bueno Aza, que chegou à cidade vendendo bíblias e folhetos evangélicos.

Amapá 1945

Data de fundação: 19 de março de 1945. Periodicidade: semanal. Tiragem média: mil exemplares. Fundador: Tem-Cel. Janary Gentil Nunes, governador do então Território do Amapá. Primeiro diretor: Paulo Eleutério Cavalcante de Albuquerque. Linha editorial: órgão oficial do Governo do Amapá. Atualmente está extinto.

O jornal era composto e impresso nas oficinas da Imprensa Oficial, em tipografias. Teve grandes nomes das letras locais tais como Alcy Araújo, Wilson Sena, Waldemiro Gomes, Cordeiro Gomes, entre outros. Circulou até 1976. A partir de 1964 foi um verdadeiro porta-voz da ideologia militar, que àquela época tinha o Poder. Entre outras coisas, o Amapá noticiou: 1 - A exibição em Macapá , do primeiro filme de longametragem (Um Barco e Nove Destinos), de produção americana, em 1946. 2 - A inauguração do Estádio Municipal Glicério Marques, em 1950. 3 - A fundação da UECSA (União dos Estudantes dos Cursos Secundaristas do Amapá, 1952). 4 - A chegada dos primeiros japoneses em Macapá (1948). 5 - A realização do primeiro pouso noturno da Cruzeiro do Sul (hoje Varig) em Macapá , em 1953.

A Notícia 1956

Data de fundação: 7 de abril de 1956. Periodicidade semanal. Tiragem média: 500 exemplares. Fundador e primeiro diretor: Danilo Du Silvan. Linha editorial: particular e independente. Atualmente está extinto.

Entre outras coisas, a NOTÍCIA publicou: 1 - O início da exportação do manganês da região de Serra do Navio pela Icomi (Indústria e Comércio de Minérios), para os Estados Unidos, através do Porto de Santana (NA 12.Ol.1957); 2 - Instalação oficial do município de Calçoene, criado em 22 de dezembro de 1956. (NA 25.01.1957); 3 - Chegada das religiosas da Congregação de Nossa Senhora Menina, para o Hospital Geral de Macapá ; 4 - Chegada da carnavalesca Alice Gorda (a Rainha Moma do Carnaval Amapaense), aos 25 anos de idade, trazida pelo empresário Orlando Ventura, proprietário do Hotel Coelho, em Belém, a quem o Macapá Hotel estava arrendado.

A Voz Católica 1962

Data de fundação: 19 de março de 1962, dia de S. José. Periodicidade semanal, com tiragem média de mil exemplares. Iniciativa da então Prelazia de Macapá . Órgão religioso. Seu primeiro editor foi o padre Jorge Basile, auxiliado pelo cônego Ápio Campos. Atualmente está extinto.

O jornal surgiu para divulgar as notícias da Igreja Católica em Macapá , mas também em sua linha editorial havia publicação de notícias sobre o cotidiano do Território do Amapá. A grande importância da Voz Católica, é que nele poderiam ser publicadas notícias censuradas pelo órgão oficial do Governo (jornal Amapá). Resistindo aos caprichos e exageros da ditadura militar, a Voz Católica ficou entre nós até meados de 1974, quando desapareceu, juntamente com a Rádio Educadora São José. Entre outras notícias, a Voz Católica publicou: 1 - A instalação do "Tiro de Guerra 130" (AVC 20.02.1962); 2 A criação da Guarda Noturna de Macapá , pelo tenente R-2 Uadih Charone, à época comandante da Guarda Territorial (AVC 01.03.1963); 3 A fundação da Associação Amapaense de Imprensa, ocorrida em 14 de abril de 1963, no pavilhão da então Piscina Territorial, às 20h30min, pelo governador Terêncio Porto, e o desportista Paulo Conrado (AVC 15.04.1963); 4 A fundação da Sociedade Esportiva e Recreativa São José (AVC 16.05.1963); 5 A publicação do primeiro Manifesto Popular Pró-Estado doAmapá (AVC 09.06.1963).

Jornal de Opinião 1962

Data de fundação: 1962. Periodicidade: semanal. Tiragem média: 500 exemplares. Fundador: Pauxy Gentil Nunes. Linha editorial: particular. Primeiro diretor: Pauxy Nunes. Situação atual: extinto.

Há pouca informação sobre este periódico. Sabe-se que o tempo de circulação foi curto, mas nele figuraram personalidades de destaque da imprensa local como Alcy Araújo, Agostinho Santos, Antonio Munhoz Lopes, Coaracy Barbosa, Ezequias Assis, Fernando Laércio dos Santos e Juarez Maués. O jornal era mais crítico, com as famosas crônicas de Pauxy Nunes, que muito incentivou o esporte amapaense. Parte de suas crônicas escritas neste jornal estão em uma obra sua: "Mosaicos da Realidade Amapaense".

Folha do Povo 1963

Data de fundação: 13 de agosto de 1963. Periodicidade semanal. Tiragem média de 300 exemplares. Fundador e primeiro diretor: Elfredo Távora Gonçalves. Linha editorial: particular. Situação atual: extinto.

As repercussões antes e após o Golpe Militar de 1964 fazem parte dos arquivos deste periódico.

Jornal do Povo 1973

Este é considerado o primeiro diário do Amapá. Inicialmente funcionou como semanal, e em 1974 saíam exemplares diários, com exceção dos domingos. Data de fundação: 29 de agosto de 1973. Periodicidade: semanal e diário. Fundador e primeiro diretor: Haroldo Franco. Linha editorial: particular. Situação atual: extinto.

Entre as principais notícias que o Jornal do Povo vivenciou e escreveu, destacamos: 1 A fundação da Escola de Samba Piratas Estilizados (JP 05.01.1974); 2 Inauguração da TV Amapá Canal 6, filiada à Rede Amazônica de Televisão, a primeira emissora de TV a se instalar no Amapá, com programação direta da Rede Globo (25.01.1975); 3 Criação da Polícia Militar do Amapá (JP 11.01.1977) e da Federação Espírita do Amapá. (JP 15.01.1077).

Fronteira 1973

Data de fundação: 12 de outubro de 1973. Periodicidade semanal/quinzenal. Tiragem média de 500 exemplares. Fundador e primeiro diretor: Ezequias Assis. Linha editorial particular. Situação atual: extinto.

Jornal do Amapá (Encarte de A Província do Pará 1974)

Data de fundação: 31 de março de 1974. Periodicidade semanal. Tiragem média de 1000 exemplares. Iniciativa do Governo do Amapá. Primeiro diretor: o jornalista Paulo Oliveira. Oficial do Governo do Amapá. Tamanho standard. Circulou até 1985.

Jornal Marco Zero 1978

Data de fundação: 31 de março de 1978. Periodicidade: semanal. Mil exemplares. Fundador e primeiro diretor: Roberto Hescketh Cavaleiro de Macedo. Linha editorial particular. Extinto em 1985. A iniciativa foi dos jornalistas Guilherme Jarbas, João Silva, Corrêa Neto e Aloísio Brasil entre outros. Figuraram como repórteres-redatores Euclides Farias, Edgar Rodrigues, Humberto Moreira e Alcy Araújo.

Amapá Estado 1978

Data de fundação: 28 de agosto de 1978. Periodicidade semanal. Tiragem média: mil exemplares. Fundador e primeiro diretor: Haroldo Franco. Linha editorial: particular, independente e combativo. Tamanho standard. Situação atual: Está circulando esporadicamente, sob nova administração: Silvio Assis, após passar um período sob o comando do seu pai, Sillas Assis.

O Combate 1985

Data de fundação: 12 de setembro de 1985. Periodicidade: semanal. Tiragem média: 500 exemplares. Fundador Jarbas Gato. Primeiro diretor: Ranolfo Gato. Linha editorial: particular. Tamanho médio standard. Situação atual: Trocou de nome. Agora se chama Jornal da Cidade.

Jornal do Dia 1987

O segundo diário do Amapá. Tiragem média: mil exemplares. O aparecimento do Jornal do Dia em 4 de fevereiro de 1987 foi um embrião para a consolidação da presença dos jornais diários no Amapá. Foi idealizado pelo empresário Júlio Maria Pinto Pereira. Na realidade, o jornal foi uma extensão da Gazeta Trabalhista, um noticioso de tendência político-partidária, que divulgava, naquela época, notas públicas e notícias do PDT (Partido Democrático Trabalhista) a quem Julio Pereira estava filiado.

Folha do Amapá 1990

Periodicidade: semanal. Data de fundação: 1990. Tiragem média de mil exemplares. Fundadores: Élson Martins e Corrêa Neto. Situação atual: ativo. Linha editorial: particular e investigativo.

O Folha do Amapá teve seu primeiro número publicado em 1990, mas de lá para cá sofreu várias paralisações, em razão de seus idealizadores que, além da atividade jornalística, exerciam outras funções na administração pública. O jornal surgiu em razão da dificuldade inicial de integralizar comunicações, informações e notícias do Governo do Estado, já que a linha editorial do único então diário (Jornal do Dia) tinha mais afinidades com entidades políticas que faziam oposição ao então prefeito de Macapá , João Alberto Capiberibe. Com a volta do jornalista Élson Martins, que já tinha morado no Amapá nos anos 70, e tinha conseguido uma larga experiência na imprensa acreana, ele, aliado a Correa Neto e outras personalidades do jornalismo local como Bonfim Salgado, houve a consolidação de mais um veículo de comunicação a se instalar no Amapá. Atualmente a Folha funciona na Av. Ceará nº 7, bairro do Pacoval. Entre suas editoriais, o leitor pode encontrar Idéias e Opiniões, Política, Espaço Livre, Política, Perfil, Geral, Variedades, Memória, Horóscopo, Rádio, TV, Radar, Cultura, Esportes etc.

Jornal da Cidade - 1990

Data de fundação: 23 de julho de 1990. Periodicidade semanal. Tiragem média: mil exemplares. Fundador: Jarbas Gato. Primeiro diretor: Ranolfo Gato. Linha editorial: particular. Tamanho: tablóide e semi standard. Situação atual: em atividade.

Diário do Amapá - 1993

Diário. Tiragem inicial de mil exemplares. Fundador: Luís Melo. Em 1993 aparece o Diário do Amapá, com um corpo redacional mais profissional e experiente do que os da mesma época. O tamanho tablóide do Diário ainda hoje é conservado, e o jornal possui um estilo mais "magazine", figurando assuntos que vão desde cultura, sociedade e notícias de interesse local.

O Liberal Amapá 1996

Diário. Circulando inicialmente como encarte de O Liberal, de Belém (PA), denominado Amapá, hoje ele existe como um veículo separado, com 16 páginas diárias. A redação funciona em Macapá , mas a sua confecção é feita no parque gráfico de O Liberal, em Belém (Pará). Tudo começou em 3 de junho de 1997 quando, preocupados com a pouca presença de jornais diários no Estado, que retratassem mais acontecimentos locais e regionais, veio a Macapá o jornalista Paulo Silber que, ao voltar para Belém deixou a sucursal nas mãos de Paulo Silva, cujo trabalho continua com Edson Cardoso, com a gerência geral dos trabalhos sob o comando de Rubens Onétti, este com três décadas de jornalismo vividas em Belém.

O arrojo e pioneirismo dos proprietários de O Liberal em toda a Amazônia Legal, que resolveram investir na própria "prata da casa" para o empreendimento, hoje é realidade. Atualmente o Liberal Amapá já faz parte dos lares e bibliotecas escolares, pois já é parte integrante da história da Imprensa local.

Com a instalação de dois diários (Jornal do Dia-1987 e o Diário do Amapá, 1993), houve uma necessidade de maior ampliação das notícias sobre os acontecimentos locais e suas repercussões a nível nacional, como a Área de Livre Comércio de Macapá e Santana, a política energética ampliando no Amapá e o crescimento do eco-turismo, além dos primeiros influxos de cidade grande que Macapá já experimentava.

A idéia foi lançada em Belém e as Organizações Rômulo Maiorana, estudando com carinho a questão, resolveu aplicar também no Amapá a tecnologia e a experiência de mais de meio séculos de jornalismo aqui. Assim, em 6 de junho de 1996 surge, inserido nas edições de O Liberal, o caderno diário O Liberal Amapá, estendendo para o Estado um jornalismo mais investigativo, mais fundamentado na notícia. Assim, diariamente o amapaense acorda também com as notícias de O Liberal Amapá.

A Pioneira Estrada de Ferro do Amapá

O manganês do Amapá foi descoberto em 1946, na Serra do Navio. O governo federal, após constatar a importância da jazida, declarou-a reserva nacional, através do decreto-lei nº 9.858, de 13 de setembro de 1946 (três anos após a criação do Território do Amapá), incumbindo a administração territorial de proceder ao imediato estudo do seu aproveitamento e autorizando-a a contratar uma entidade particular ou de economia mista para a exploração. Com base no mesmo decreto, o Conselho Nacional de Minas e Metalurgia procedeu concorrência pública para a exploração do minério. A Icomi, dentre três concorrentes, foi declarada vencedora.

As cláusulas contratuais que regeriam os direitos e obrigações relacionadas com o aproveitamento do manganês de Serra do Navio foram aprovadas pelo decreto federal nº 24.156 de 4 de dezembro de 1947 e revistas pelo de nº 28.162 de 31 de maio de 1950. O respectivo instrumento de revisão do contrato escritura pública de 6 de junho de 1950 firmado entre o governo do Território do Amapá, na qualidade de delegado da União, e a Indústria e Comércio de Minérios (Icomi), foi registrado no Tribunal de Contas da União, e ratificado pelo Congresso Nacional, pela Lei nº 1235 de 14 de novembro do mesmo ano.

Em 25 de fevereiro de 1953, o presidente da República, em despacho exarado em exposição do ministro da Fazenda, a propósito da obtenção de financiamento para a execução do projeto de aproveitamento das mencionadas jazidas, declarou-o economicamente vantajoso do ponto de vista nacional.

A 8 de junho do mesmo ano, em decorrência da tramitação do registro do contrato de concessão da Estrada de Ferro do Amapá, no Tribunal de Contas da União, pronunciou-se o Conselho de Segurança Nacional unanimemente favorável ao projeto, cuja execução seria iniciada em janeiro de 1954, inaugurando-se em janeiro de 1957, praticamente dez anos após os primeiros estudos e trabalhos realizados pela Icomi no Amapá, as instalações industriais que possibilitariam o escoamento do minério para os centros consumidores.

Half Medelin

Mexicano, naturalizado americano, foi um dos técnicos em construção de ferrovias que viajou juntamente com a primeira equipe de técnicos para iniciar a primeira e única estrada de ferro do Território. Half Medelin, que já ultrapassou os 70 anos de idade.

A construção da ferrovia iniciou em março de 1954 e foi concluída em janeiro de 1957, quase três anos depois.

Primeiro Embarque

No dia 10 de janeiro de 1957, com a presença do presidente Juscelino Kubitschek, saiu o primeiro carregamento de manganês no navio Areti-XS Baltimore, que havia chegado no dia 9 e saiu no dia seguinte, levando 9.050,05 toneladas de manganês do Porto de Santana. Medelin explicou que simultaneamente à construção da ferrovia, outra equipe erguia os prédios administrativos, casa de hospedes, hospital, escola, instalação da mina e montagem do equipamento de mineração.

Cotidiano

A partir da construção da ferrovia, várias comunidades começaram a surgir em função da existência do novo transporte. Ele conta que em 64 todos os americanos retornaram. Em 72 recebeu uma correspondência do assistente do diretor na época, Antônio Seara, e de outro diretor, Osvaldo Pessoa, convidando-o a retornar à Icomi. Na empresa ocupou os cargos de chefe da manutenção da Estrada de Ferro, chefe do Departamento, também da Estação Ferroviária, e chegou a superintendente.

A viagem de trem, nos seus 193,73 quilômetros, ainda lembra o clima dos filmes de bang-bang: bandidos, mocinhos, cavalos e muita ação. Os passageiros começaram a chegar bem cedo na estação ferroviária em Santana para assegurar sua vaga. Redes, camas improvisadas e muita carga se misturam na madrugada. Colonos aproveitam para colocar em dias o papo; comerciantes fazem negócios e outros simplesmente contam "causos" ou vantagens.

O trem partia de Santana às 7 horas e retornava às 14 horas de Serra do Navio todas as segundas, terças e quintas-feiras. Na sexta, para facilitar o retorno dos colonos que desciam na quinta, a saída foi alterada para as 12h30. Além disso, eram três vagões de minérios por dia, que transportavam anualmente até 1,6 milhão de toneladas de manganês.

Viagem fantástica

Durante o trajeto que vai de Santana a Serra do Navio, são atravessados cinco cursos de água por meio de pontes, a maior das quais cruza, com quase 220 metros, o rio Amaparí. Ainda hoje, durante as paradas nas estações, são feitas as colheitas das produções agrícolas das regiões, quase que num sistema de trocas de mercadorias entre as comunidades. O mais curioso dessas viagens é que durante as paradas os responsáveis pelo vagão de cargas, Clodovil Souza Silva, apenas com um código muito pessoal, consegue despachar, sem nenhuma identificação, todas as cargas aos seus respectivos donos sem que alguma vez tivesse cometido algum engano.

Clodovil Silva, que trabalhava há décadas na empresa, além de responsável pelas cargas, servia também como o comunicador e o elo mais confiável entre as comunidades.

O Primeiro Avião em Macapá

No dia 18 de março de 1922, pousou em Macapá o primeiro avião. Na realidade, era um hidro-avião. Ele fez um pouso de emergência por causa de problemas técnicos ocorridos durante a viagem. O avião, um Junkier D 217, fazia o percurso New York-Buenos Ayres, quando teve problemas mecânicos, forçando o aviador a amerissar em frente à baía de Macapá . O depoimento de uma das testemunhas, Raimundo Perez Nunes, foi colhido de uma reportagem publicada no jornal A Voz Católica, e de familiares do depoente. A notícia é um documento para a história que ilustra, sem dúvida alguma, os primeiros tempos da aviação no Amapá. Vejamos o que relata-nos Perez Nunes:

"Sete horas da manhã do dia 18 de março de 1922, véspera de São José. Aporto em Macapá , oriundo de Igarapé do Lago, a remo, motivado por mais um dia de trabalho duro. Naquele tempo, a comunidade não dispunha de motor, aí a gente tinha a alternativa do transporte fluvial, movido a vela ou a remo. Nédia dia a maré estava baixa. Exausto da viagem, encosto a embarcação perto do guindaste, estendendo uma pequena tela encerada sobre as pedra. Deito. A baía estava serena. A brisa soprava do norte e o sol espalhava seus raios sobre a natureza. Todo esplendor, naquela manhã inesquecível.

Toda a cidade estava na rotina normal. Os pescadores haviam chegado da pesca. Na fortaleza de Macapá , nada de anormal. O intendente já estava prestando serviços. O vigário se preparando para a celebração da missa, após ter distribuído a comunhão aos doentes. Eu estava um pouco cansado, trabalhando desde a madrugada alta.

O silêncio, de repente, foi quebrado, e vinha do alto. Levantei-me e volvi os olhos em seu rumo. Vi uma canoa fundeada e cinco homens em movimento. De bordo, um grito fez-se ouvir: "avião". Fiquei atordoado, pois tinha ouvido falar em avião, mas não tinha visto algum até a minha mocidade. Com a mesma curiosidade da população que já olhava o céu, tentando localizar o avião, levantei a vista e vi uma pequena mancha no azul do espaço.Era o sexto homem a avista-la.

A população passou a se aglomerar em frente ao porto. Uma velha mulata começou a gritar em voz alta: "Meu Deus, é o fim do mundo! É o fim do mundo!". O pastor da Assembléia de Deus começou a chamar seus fiéis para o templo: ´Meus irmãos, arrependei-vos enquanto é tempo, que o fim do mundo está próximo!. O rugido de Deus através de seu filho está ecoando aos quatro cantos do mundo. Oremos para que Jesus seja nosso advogado! Alelula!´. E os evangélicos, começando a se concentrar ao redor do pastor: ´Aleluia! Glória a Deus! Estamos vendo a glória de Deus! Obrigado, Jesus...`. E assim, todos os pentecostais estavam solicitando à população que ´aceitasse Jesus enquanto havia tempo!´.

Um soldado começou a dizer seus pecados em voz alta. Um deles, é que tinha traído sua esposa na noite passada. A esposa, por desespero, o perdoou. Um velhinho de 66 anos, alquebrado pela doença, começou a correr de um lado para outro. Mais tarde ficou constatado que era paralítico e não conseguia dar mais de três passos. A caboclada começou a recolher seu material de pesca.

As beatas da igreja de São José largaram tudo e foram para o templo católico rezar. O vigário, mal acabava de celebrar a missa, e experiente em aeronaves, começou a falar para a população que se acalmasse, pois o avião não iria fazer mal a ninguém, e o mundo ainda tinha muito tempo de vida a cumprir. Todas as lavadeiras que estavam no Igarapé das Mulheres, largaram tudo, até de falar mal da vida alheia, e correram em disparada às imediações da Fortaleza de Macapá , sem saber, ao certo, o que estava acontecendo. O vulto crescia rápido. O povo foi dominado por um verdadeiro êxtase naquela hora.

Pouso Forçado

O "pássaro metálico" deu uma volta sobre a cidade e rumou para a baía., amerissando, dirigindo-se para a praia até encalhar. Na cidade, os foguetes subiam no ar, comemorando alguma coisa que não se sabia, após o susto da "ameaça do fim do mundo" ter passado. A população, na verdade, não sabia ao certo o que era um avião, mas diante dos reclames do vigário, passou a encarar aquele espetáculo de outra maneira. Na rua da praia, perímetro do Macapá Hotel, o povo se aglomerava. Um grupo de pessoas corria pela praia rumo ao avião, fazendo com que o resto da população corresse atrás.

Um dos pilotos, pressentindo que iria ter problemas se todo mundo subisse à plataforma do avião, desceu para os flutuadores a fim de impedir que os populares aí subissem. Eram alemães, e só um deles sabia falar algumas palavras de português. O primeiro homem a chegar ao avião foi Cirilo José Simões, que apresentou as boas vindas à tripulação. O aviador foi carregado pelos populares até a rua, e conduzido num local de destaque próximo à fortaleza de Macapá , onde a água não alcançava. Já em terra firme, e no meio do povo que se comprimia em torno do aviador, estava José Siqueira Lemos, que falava fluentemente o francês, idioma que os alemães conheciam.

O aviador explicou o motivo da chegada inesperada em Macapá . Viajavam da América do Norte para Buenos Aires em dois aviões Junkier, de fabricação alemã: D-217, que transportava combustível, gêneros alimentícios e material indispensável à viagem, e o D-218, hidroavião de comando. Sobrevoavam a costa brasileira, quando o D-217 projetou-se no mar. Dos três tripulantes, apenas o mecânico foi salvo pelo D-218.

Visita ao público

Sem gasolina para reabastecer, rumaram costa acima até Macapá , chegando com combustível apenas para cinco minutos de vôo. Quando a água encheu, o avião foi levado para o Igarapé da Ponte da Fortaleza, ficando novamente encalhado numa praia de areia. As autoridades locais deram toda a assistência necessária aos aviadores.

O avião foi vigiado pelo pessoal da prefeitura. À tarde foi franqueada a visita ao público. Viam-se todas as classes sociais, autoridades, famílias e o povo em geral. As irmãs religiosas do Colégio de Santa Maria (que funcionava onde atualmente é a Farmácia Cristo Rei) levaram as alunas para visitar o avião. A saraivada de perguntas das alunas foi motivo de curiosidade. O prefeito, à época, era Alexandre Vaz Tavares. Ele decretou dois dias de folga para todo mundo. No dia seguinte, José Lemos fez seguir sua canoa "Marina" para Belém, levando o comandante do avião. Dez dias depois, chegava a "Marina" com combustível. Reabastecido, o avião partiu rumo a Belém, levando como passageiros José Lemos que, conhecedor da costa marajoara, salvou a tripulação de forte temporal, orientando a descida na Ilha das Flexas, e lutou contra o mar e o vento até abrigar o avião em tempo seguro. Nessa luta, foi José Lemos acometido de forte pneumonia. Dia seguinte, em Belém, ele foi hospitalizado por conta do governo alemão, até seu complexo restabelecimento.

Edgar Rodrigues

Fonte: www4.ap.gov.br

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