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Madrid

Madrid é uma cidade solar, luminosa, um arco-íris.

Há, sem sombra de dúvida, os apelos irrecusáveis dos museus, dos livros, do imenso e poderoso escrínio da cultura hispânica mas, acima de tudo, Madrid é uma tentação para os sentidos do viajante.

O ARCO-ÍRIS DE MADRID

Madrid
Parque do Retiro, em Madrid

Desce sobre a Puerta del Sol uma luz claríssima, frágil como todas as luzes de Inverno. O céu descerra um manto de azul vivo, cristalino, campânula irisada que abraça todo o centro da meseta ibérica.

“El aire de Madrid es vivo y elástico”, escrevia Azorín - um dos escritores da geração de 98, injustamente pouco conhecido entre nós - em certas páginas de um memorial literário onde o autor de «Castilla» se interroga “hasta qué punto Madrid influyó en la estetica y en la psicología de los escritores del grupo dicho”.

Muito se escreveu sobre as consequências civilizacionais do clima - bem exemplares são os escritos de H. D. F. Kitto sobre a Grécia. Explicar uma cultura simplesmente como produto do clima seria loucura, lembra o autor de «Os Gregos», mas não foram, em todo o caso, os deuses tão fortemente personalizados na sua imagem das potências naturais?

Os jardins da Odisseia, tanto como as peripécias infaustas de Ulisses, são frutos do clima, o mesmo clima de que Hesíodo evocava a caprichosa trama ao falar dos seus ventos de predilecção por oposição a outros menos benfazejos, que “sopram caprichosamente no mar” e que quando menos se espera “destroem os agradáveis trabalhos dos homens, enchendo-os de pó e de cruéis perturbações”.

Também em Madrid o vento pode ser um intruso, gélido arauto das neves dos cumes das serranias de Guadarrama, que os madrilenos podem avistar do Paseo de Rosales. Mas o transmigrante ar frio que desce à capital deixa-se proverbialmente vencer pela luminosidade meridional e parece quase nada perturbar a rítmica festiva dos madrilenos.

As tardes solarengas na Plaza Mayor ou no Retiro, as noites matizadas da Calle de las Huertas, da Chueca, da Praça Dois de Maio ou de La Latina, com os seus bares de tapas, cafés, discotecas e clubes de jazz, lidam bem com os igualmente desassossegados contrastes climáticos da meseta. Com razão andava Masdeu, autor de uma oitocentista «Historia crítica de España», quando assentava doutoralmente que por clima entendia “... no sólo el aire (que es lo principal), sino el agua, la tierra y los alimentos”.

E como pode, afinal, o sentido desta integração ser realizado sem o assentimento cúmplice, participante, do povo madrileno que debruçado sobre as “barras” das tabernas degusta umas tapas e um lento copo de vinho de Rioja?

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Plaza Mayor, Madrid

De tão solar, Madrid é uma tentação para os sentidos. Há, sem sombra de dúvida, os apelos irrecusáveis dos museus, dos livros, do imenso e poderoso escrínio da cultura hispânica - e mesmo aí, perante a luz de Ribera ou as sombras de Velazquez, não são ainda os sentidos que escutam, mesmo que filtrados pela razão cultural?

A cidade monumental - dos palácios e dos jardins, da arquitectura dos anos 20, das desafogadas avenidas - convida à deriva e à pródiga respiração de tanta largueza. “Sí, sí, cabe callejear, discurrir por Madrid soñando a España, sin temor a que le rompan a uno el sueño, que nos le escuda y ampara este cielo que laña la cuenca del Duero com el Tajo, Castilla la Vieja y la nueva”, escrevia Unumano numa crónica publicada no El Sol em 15 de Março de 1932, respondendo ao seu amigo Guerra Junqueiro, a quem custava entender os encantos de Madrid.

DA QUIMERA IMPERIAL À MULTICULTURALIDADE

Teria Madrid pouco mais de vinte mil habitantes quando Felipe II para lá transferiu a corte. A pequena cidade subitamente transformada em capital de um imenso império reunia então escassa monumentalidade, um ou outro convento, certamente alguns palácios como a seiscentista Casa de la Vila que actualmente acolhe Ministério dos Assuntos Exteriores.

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Flamenco e tapas numa taberna que evoca o patrono de Madrid

Lançadas as primeiras pedras da Madrid dos Austrias - a Casa de Campo e a Ponte de Segovia foram algumas das obras desse trecho imperial da história da cidade -, seria necessário, contudo, esperar por Carlos III e pelo desenrolar da espiral dinástica dos Filipes para que a dimensão monumental que hoje conhecemos principiasse a tomar forma. Émulos das desmesuras parisienses, os monarcas espanhóis rasgaram praças e avenidas com a missão expressa de fazerem jus aos seus sonhos de impérios universais.

A velha cidade de feição medieval, cujo santo padroeiro era um simples lavrador, respira ainda hoje, todavia, por detrás das paredes que afloram as ruas estreitas de velhos quarteirões como os do bairro da Cantarranas, encravado entre amplidões das avenidas do Prado e da Gran Via, ou em topónimos como a Ribera de Curtidores, pátria da Feira do Rasto. Até a Cibeles, fonte que tomou nome de deusa oriental em jeito de tributo a modas exóticas que o império alimentou, resistiu a baptismos espúrios.

Depois de Unamuno e da movida muita água correu da fonte de Cibeles ou sobre o leito do Manzanares. Os anos da democracia assistiram ao acrescentar de outras cores ao arco-íris madrileno. A capital do país vizinho - tal como algumas outras cidades europeias - tem vindo a atrair fluxos imigratórios em busca do El Dorado, ironicamente agora sonhado no Velho Continente e para muitas ilusões menos real do que o outro.

O corpo social da cidade alargou os seus matizes e alguns bairros vestem os ritmos de outras culturas. El Greco e Velazquez coabitam hoje com o odor da marroquinaria do Rastro ou com o rumor das orações muçulmanas. Africanos, chineses, mexicanos e sul-americanos compõem o variegado painel de tipos humanos com nos cruzamos em lugares tão centrais e carismáticos de Madrid como o bairro de Lavapiés, a dois passos do Centro de Arte Contemporânea Rainha Sofia, da Puerta de Toledo e da Plaza Mayor.

Os quarteirões de Lavapiés representam actualmente uma das zonas mais emblemáticas da multiculturalidade madrilena. Cafés e restaurantes árabes, lojas chinesas e africanas, linguarejares senegaleses, lamentos de guitarras flamencas, eis algumas das peças do puzzle da Madrid contemporânea que o viajante descobre nas ruas estreitas de Lavapiés, particularmente na Calle Mesón de Paredes.

Um domingo na capital espanhola não pode ignorar a agitada e labiríntica feira do Rastro, uma espécie de feira da ladra que se estende pela Plaza de Cascorro e ao longo da Ribera de Curtidores abaixo. Duas galerias repletas de lojas de antiguidades, de cada um dos lados da rua, atraem centenas de curiosos e compradores, entre os quais um razoável número de portugueses à procura de peças que aí encontram frequentemente a preços mais aliciantes do que na sua terra.

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Praça das Cibeles, em Madrid

De Lavapiés, a velha judiaria agora islamizada, e da sua vizinha Latina pode o viajante partir para a descoberta de universos paralelos à capital monumental, outros mundos que os roteiros não recusam mas que o viajante apressado e corrompido por generalizações simplistas reduz a ganga dispensável. Madrid não existe sem o que a transparência nos oferece - um pouco dessa Madrid solar, “a capital do sol”, como lhe chamava Ruy Belo, habitante de passagem da placidez do Café Gijón - mas não deixa também de se arquitectar sobre as peças de um caleidoscópio de múltiplas visões.

E face a esse arco-íris de preciosas especiarias haveria que apelar também à disponibilidade do viajante para a influente verdade das lendas e das histórias menos oficiais - que, de resto, são liturgia antiga nas charlas madrilenas. Conta-se, ao caso, que em certo recanto da Puerta del Sol o hábito madrileno tinha instituído um mentidero”, ali mesmo ao lado onde a estátua de uma Vénus refrescando-se sobre uma fonte era tomada pelo povo como uma representação da Fé... Dizia-se, pois, que nesse especial lugar de encontro que “as noticias llegan antes de que sucedan los hechos que las provocan”...

A IRONIA CONTRA A MELANCOLIA, EM MADRID

A clara luz da meseta é um tónico contra a melancolia. Como ironia será o Paseo de los Melancolicos na sua condição de miradouro das neves invernais da serra da Guadarrama, cenário breve que a calina corrige a tempo. Também a alma do clima se toma de desassossego e inconstância e de horizonte a horizonte faz tombar oceanos de luz.

“El madrileño, inteligencia viva e sutil, es analitico y ironico”, sentenciava Azorín. Sim, a cidade tem seus alicerces de ironias, contrastes e contradições carregadas de sentidos inesperados. Cervantes descansa hoje no Convento das Trinitarias, em rua que leva o nome do seu inimigo figadal, Lope de Vega, cuja casa nos espera na Calle Cervantes...

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Praça de Espanha, Madrid

A prosa turística costuma empurrar os turistas para lugares ou nomes cuja substância se esgota na sua apressada e pragmática enunciação. Na Calle de los Cuchileros, um “comedor” evoca o nome de Luis Candelas, célebre bandido nascido na cidade profunda de Lavapiés e executado na napoleónica Porta de Toledo. A rua, em ligeiro arco que abraça a Plaza Mayor, esforça-se por conservar pergaminhos medievais.

É rua de comezainas, à mão de semear das hordas de turistas que descem as escadinhas da Plaza Mayor. Adiante, o restaurante Sobriño de Botín não dorme sobre os louros que atiraram para o Guiness como o mais antigo e ilustre comedor do mundo. Entre os ilustres clientes que serviu desde 1725, conta-se um certo amigo americano, Hemingway. A fanfarronice histórica é glosada com ironia pelo seu congénere e vizinho El Cuchi, que faz questão de receber os convivas com honesto aviso: “Hemingway never ate here”...

A luminosidade madrilena sobrevive ainda, em múltiplas metamorfoses hedonistas noite dentro. Os contrastes perduram numa disponibilidade de prazeres que vão do design de Philip Starck no Teatriz, antigo teatro transformado em restaurante e bar de tapas, à atmosfera hard da Praça Dois, com as suas inúmeras tribos de jovens em movimento, ou aos santuários de flamenco como a Casa Patas ou a Sala Caracol. Não sem razão tem também o ócio madrileno uma luz de transparências fragmentadas - um arco-íris tão sugestivo nas suas significações que bem poderia ser capaz de subverter o sentido da metáfora.

Fonte: www.almadeviajante.com

Madrid

É caliente, vibrante, festeira e, ainda por cima, barata. Ela vai te seduzir

Madrid

Num primeiro momento, você vai perceber que a capital espanhola não tem o charme arquitetônico de Barcelona nem as belezas naturais de outras localidades, como as Ilhas Baleares. Não se deixe levar pelas aparências.

A reputação boêmia de Madri é famosa internacionalmente, como provam Chueca e Lavapiés, áreas moderninhas cheias de bares descolados que ficam lotados até amanhecer.

A cidade também é a capital cultural da Espanha.

Há excelentes museus, como o Prado, que tem um dos melhores acervos de arte moderna e contemporânea do mundo; o Thyssen-Bornemisza, que narra a evolução da arte européia do século 13 ao 20; e o Reina Sofía, onde está o famoso Guernica, de Picasso.

Madri também tem seus ícones incontestáveis: a Puerta del Sol, praça que é o coração da capital, e o Parque del Retiro, enorme área verde no centro da cidade, são dois deles.

Para completar, Madri inventou com competência a categoria hotel-museu.

Quer dormir em instalações de arte moderna?

Então rume para o Puerta America, onde cada andar foi projetado por um designer ou arquiteto diferente, de todos os cantos do mundo.

Não bastasse tudo isso, o madrileno é aberto e amável, o que faz com que o visitante sinta-se acolhido, mesmo estando em uma metrópole de mais de 3 milhões de habitantes.

Fonte: www.viajeaqui.com.br

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