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Dia da Língua Nacional

21 de Maio

História da Língua Portuguesa

O SURGIMENTO

O surgimento da Língua Portuguesa está profunda e inseparavelmente ligado ao processo de constituição da Nação Portuguesa.

Na região central da atual Itália, o Lácio, vivia um povo que falava latim. Nessa região, posteriormente foi fundada a cidade de Roma. Esse povo foi crescendo e anexando novas terras a seu domínio. Os romanos chegaram a possuir um grande império, o Império Romano. A cada conquista, impunham aos vencidos seus hábitos, suas instituições, os padrões de vida e a língua.

Existiam duas modalidades do latim: o latim vulgar (sermo vulgaris, rusticus, plebeius) e o latim clássico ( sermo litterarius, eruditus, urbanus). O latim vulgar era somente falado. Era a língua do cotidiano usada pelo povo analfabeto da região central da atual Itália e das províncias: soldados, marinheiros, artífices, agricultores, barbeiros, escravos, etc. Era a língua coloquial, viva, sujeita a alterações freqüentes. Apresentava diversas variações. O latim clássico era a língua falada e escrita, apurada, artificial, rígida, era o instrumento literário usado pelos grandes poetas, prosadores, filósofos, retóricos... A modalidade do latim imposta aos povos vencidos era a vulgar. Os povos vencidos eram diversos e falavam línguas diferenciadas, por isso em cada região o latim vulgar sofreu alterações distintas o que resultou no surgimento dos diferentes romanços e posteriormente nas diferentes línguas neolatinas.

No século III a.C., os romanos invadiram a região da península ibérica, iniciou-se assim o longo processo de romanização da península. A dominação não era apenas territorial, mas também cultural. No decorrer dos séculos, os romanos abriram estradas ligando a colônia à metrópole, fundaram escolas, organizaram o comércio, levaram o cristianismo aos nativos. . . A ligação com a metrópole sustentava a unidade da língua evitando a expansão das tendências dialetais. Ao latim foram anexadas palavras e expressões das línguas dos nativos.

No século V da era cristã, a península sofreu invasão de povos bárbaros germânicos ( vândalos, suevos e visigodos). Como possuíam cultura pouco desenvolvida, os novos conquistadores aceitaram a cultura e língua peninsular. Influenciaram a língua local acrescentando a ela novos vocábulos e favorecendo sua dialetação já que cada povo bárbaro falava o latim de uma forma diferente.

Com a queda do Império Romano, as escolas foram fechadas e a nobreza desbancada, não havia mais os elementos unificadores da língua. O latim ficou livre para modificar-se.

As invasões não pararam por aí, no século VIII a península foi tomada pelos árabes. O domínio mouro foi mais intenso no sul da península. Formou-se então a cultura moçárabe, que serviu por longo tempo de intermediária entre o mundo cristão e o mundo muçulmano. Apesar de possuírem uma cultura muito desenvolvida, esta era muito diferente da cultura local o que gerou resistência por parte do povo. Sua religião, língua e hábitos eram completamente diferentes. O árabe foi falado ao mesmo tempo que o latim (romanço). As influências lingüísticas árabes se limitam ao léxico no qual os empréstimos são geralmente reconhecíveis pela sílaba inicial al- correspondente ao artigo árabe: alface, álcool, Alcorão, álgebra, alfândega... Outros: bairro, berinjela, café, califa, garrafa, quintal, xarope...

Embora bárbaros e árabes tenham permanecido muito tempo na península, a influência que exerceram na língua foi pequena, ficou restrita ao léxico, pois o processo de romanização foi muito intenso.

Os cristãos, principalmente do norte, nunca aceitaram o domínio muçulmano. Organizaram um movimento de expulsão dos árabes (a Reconquista). A guerra travada foi chamada de "santa" ou "cruzada". Isso ocorreu por volta do século XI. No século XV os árabes estavam completamente expulsos da península.

Durante a Guerra Santa, vários nobres lutaram para ajudar D. Afonso VI, rei de Leão e Castela. Um deles, D. Henrique, conde de Borgonha, destacou-se pelos serviços prestados à coroa e por recompensa recebeu a mão de D. Tareja, filha do rei. Como dote recebeu o Condado Portucalense. Continuou lutando contra os árabes e anexando novos territórios ao seu condado que foii tomando o contorno do que hoje é Portugal.

D. Afonso Henriques, filho do casal, funda a Nação Portuguesa que fica independente em 1143. A língua falada nessa parte ocidental da Península era o galego-português que com o tempo foi diferenciando-se: no sul, português, e no norte, galego, que foi sofrendo mais influência do castelhano pelo qual foi anexado. Em 1290, o rei D. Diniz funda a Escola de Direitos Gerais e obriga em decreto o uso oficial da Língua Portuguesa.

Fonte: www.portugues.com.br

Dia da Língua Nacional

21 de Maio

A realidade, que se busca atingir, no contexto brasileiro, é de um tipo que, desde a antigüidade, se intuiu. Efetivamente é lícito ressaltar que, apesar de Platão (República) e Aristóteles (Poética) se terem distinguido, respecitvamente, na análise do significado da poesia, por atribuir ao poeta a função de inflamar as paixões humanas ou, ao contrário, de satisfazê-las e regulá-las, tem ambos pontos comuns: poesia como mimesis, emoção em quem se debruça sobre a realidade, justificação da poesia pelo serviço prestado ao Estado, exercício pelo poeta de grande poder sobre os outros homens.

Língua Nacional

Dando ao termo poesia o sentido mais largo, para abranger toda a produção literária, vemo-nos diante do fato de que é naquilo que separa fundamentalmente os dois filósofos que se situa o problema das relações entre o evoluir da literatura de uma dada sociedade e o desenvolvimento de sua expressão lingüística. Sendo indivíduo e sociedade entidades que interagem continuamente a partir de moviemntos do primeiro (paixões, no contexto aristotélico-platoniano) é dentro de uma abordagem psicossocial da realidade expressional que o lingüista deve buscar o verdadeiro confronto entre os dois desenvolvimentos, o literário e o lingüístico. Isso porque a evolução da realidade lingüística é também evolução do sentimento da mesma.

O obrar lingüístico é da essência da natureza humana e não exterior a ela e a literatura, como forma de expressão humana, é um dos indicadores, à disposição do analista, do sentido real da evolução lingüística em seu conjunto. A função atribuída por Aristóteles ao poeta, de satisfazer e regular os movimentos humanos, está presente em todo falante, ao imitar este a realidade dentro de um contexto de liberdade em relação a regras expressionais prévias, pois esta sua ação acaba sendo, basicamente uma interpretação. Assim como a arte do poeta - escritor, no sentido mais amplo - é uma virtude intelectual essencialmente prática, cujo papel primordial é a imitação do real, da natureza física ou do mundo moral, sem ser pura cópia mas síntese dos caracteres das coisas, o usuário da língua, em um contexto de livre interação com a realidade de seu interesse, procede igualmente por imitação, sendo menos eficiente na manutenção das estruturas gramaticais de sua realidade, preexistente que são com respeito a essa livre interação.

A função imitativa, presente no obrar lingüístico de tal falante, é também progressiva, levando à sedimentação, caso influa ele no meio social e seja prolongada sua experiência, de um novo conjunto de regras. a imitação começa com propósitos de exatidão, passa a ser, na segunda fase, seletiva e, persistindo as condições da livre interação, transforma-se em produção. Este fato é abonado por Aires de Casal que, citando Muratori, afirma que os índios do Uruguai sabiam ler com desembaraço os livros espanhóis, mas não os entendiam.

A situação, assim indicada por Aires de Casal, era comum a todos os territórios em que os jesuítas eram protagonistas da cena de atração dos indígenas e inserção dos mesmos em sua esfera de interesses, que não eram os da coroa portuguesa. Esse quadro fundamental explica o processo imitativo do desempenho lingüístico indígena e a conseqüente formação de uma realidade expressional progressivamente diversa, sem nenhum retorno ao estado de 1500 a não ser, e na língua escrita, após a destruição do esquema cultural dos padres da Companhia de Jesus.

O que diremos, a seguir, visa a demonstrar que, no Brasil, até o advento da era pombalina, viveu-se uma experiência lingüística de todo dissociada da que contemporaneamente se realizava em Portugal, interagindo, em nosso meio, os falantes de todas as procedências sob a égide da imitação progressiva daquilo que progressivamente resultava do bilingüísmo, realizado com o português vivo europeu e o tupinambá. Até cerca de 1750 não era dessas línguas, nesse processo, mais prestigiosa que a outra. A decisão política de Pombal, de alçar a língua portuguesa ao status de língua única, fez com que aflorasse, dentro da sociedade brasileira, uma realidade lingüística que não correspondia, pelos duzentos e cinqüenta anos decorridos, à denominação que recebia.

A história posterior deste instrumento lingüístico, assim oficializado, é a história da contradição entre política da língua, tardiamente imposta pelo lusismo político dominante, e realidade, com o natural apoderamento dos meios de disseminação da língua escrita para o fim de deter a continuada diferenciação da língua falada. Para realizar nosso intento, acompanharemos o conceito de língua, no contexto da expansão política das nações européias, desde o tempo das Cruzadas até o fim da era pombalina, passando pelas vicissitudes políticas do Estado português em suas relações com a Companhia de Jesus.

Após a era pombalina, seguiremos o espírito romântico a contrastar com o tenaz esforço, quase sempre bem sucedido, dos lusóficos no sentido de preservação de uma unidade expressional de caráter escrito, sob a ilusão de poder este anular o livre, espontâneo e historicamente coerente desempenho do usuário brasileiro no plano da língua viva. No desenvolvimento do trabalho, a preocupação maior será com as fontes, dando-se ênfase, na bibliografia da questão da língua, aos trabalhos que representem principalmente renovação doutrinária.

Evitar-se-á, tanto quanto possível, a citação de contemporâneos para não se produzir polêmica. Os poucos que receberem referência o serão por corresponderem a algum aspecto particularmente relevante do estado atual do problema. O trabalho enquadra-se no setor da lingüística referente à classificação das línguas e corresponde ao aspecto da justificação do ato político de se dar nome a um idioma com base no levantamento rigoroso dos fatores históricos e sócio-culturais presentes em sua formação.

Fonte: www.brasilcultura.com.br

Língua Portuguesa
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990

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