Há de se reconhecer sua grandeza e riqueza. Mas as dinastias e faraós cansaram-se, renderam-se às mudanças e ficaram no passado histórico. Os povos indígenas da América lutaram, sofreram perseguições, enfrentaram mudanças, e aí estão: em bem menor número do que o inicial, enfraquecidos, mas presentes, contando um passado histórico, porém construindo a história hoje e transmitindo às suas gerações a carga hereditária social para continuar uma história futura. Grandes civilizações são as da América indígena, que além de servirem ao não-branco, ensinaram-no muito de sua cultura, sendo honrosos em seus princípios de divisão.

Nos séculos XVI e XVII exploradores embrenharam-se no Rio Amazonas atrás de escravos, terras e tesouros mitológicos. Mas o que encontraram de mais precioso foram os relatos de ricas e complexas culturas. As terras às margens do Rio Amazonas eram organizadas em “províncias/estados” pertencentes aos diferentes povos. Estas sociedades viviam em constante comunicação, seja para transações comerciais e políticas ou mesmo em situações de guerra (Mota, Lúcio, 1994). As regiões andinas e amazônicas são as mais ricas, histórica, antropológica e arqueologicamente, por serem grandes potências de sociedades indígenas complexas. As cerâmicas e vestígios materiais indígenas que a arqueologia e a antropologia vêm descobrindo em toda América, revelam enormes variações e fases culturais datadas de até 6000 a.C (...). Suas contribuições e desenvolvimento vêm acontecendo através da história nos níveis não só culturais, mas ideológicos e ecológicos.
O mito do indígena passivo é desacreditado pelo próprio fato de ainda existirem e deixarem na sociedade não-índia marcas de sua identidade cultural. Foram e são sociedades duras em sua luta pela liberdade e contra os vilipêndios a que são submetidos. Apesar de ágrafos em sua maioria e com uma parcela de sociedades com proto-escrita, os povos indígenas da América possuem incomparável qualidade de transmissão oral, que permite que a tradição seja passada de geração em geração do mesmo modo e com os mesmos exemplos.
Além disso, possuem a arte cerâmica em diversas tribos e a pintura rupestre que, com inscrições, transmitem costumes, detalhando aos arqueólogos e antropólogos sua ordem de execução das tarefas, os executores e toda hierarquia e processo de desenvolvimento da vida diária indígena por vários séculos.”
O texto vigoroso da autora ainda enfatiza as relações entre a transmissão do conhecimento oral com aspectos da própria relação das sociedades índias e o ecossistema em que habitam.
“Estas histórias fantásticas da estrutura social, política e religiosa, além do cotidiano de rituais, etiquetas e educação só são encontrados em livros específicos de etnografia/etnologia. Não há divulgação da maravilhosa e rica história destes povos de cultura diferente da capitalista do mundo não-indígena. Não há interesse dos meios de acesso à grande massa, a mídia, em levar a conhecer mais a fundo tais riquezas da história humana”.
Outro olhar que também considera a transmissão do conhecimento tradicional é o ambientalista, que, inclusive, subsidiou a construção do termo “populações tradicionais” que hoje está amplamente divulgado em muitos setores da sociedade incluindo os governamentais. Esta afirmativa é corroborada quando se analisa o texto publicado pelo órgão governamental “ Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA)” transcrito a seguir:
“A idéia de Populações Tradicionais está essencialmente ligada à preservação de valores, de tradições, de cultura. Ao longo da sua história, o homem através de múltiplas experiências e situações vivenciadas, tem alcançado importantes conquistas que o fazem avançar, que elevam sua dignidade de espécie humana. Acontece que o ritmo das mudanças, a velocidade das descobertas tem crescido em ritmo geométrico, nos últimos 50 anos, tornando obrigatória à consolidação de certos valores, ou então o resgate de valores que apenas são conservados por populações tradicionais; caso contrário, podem ser jogadas ao esquecimento conquistas seculares da humanidade. (...) Para entender melhor a questão das populações tradicionais é fundamental entender sua cultura que está intimamente dependente das relações de produção e de sobrevivência.
O professor Diegues enumera as seguintes características das culturas tradicionais: (a) dependência e até simbiose com a natureza, os ciclos naturais e os recursos naturais renováveis a partir do qual se constrói um "modo de vida"; (b) conhecimento aprofundado da natureza e de seus ciclos que se reflete na elaboração de estratégias de uso e de manejo dos recursos naturais.
Esse conhecimento é transferido de geração em geração por via oral; (c) noção de território ou espaço onde o grupo se reproduz econômica e socialmente; (d) moradia e ocupação desse território por várias gerações, ainda que alguns membros individuais possam ter-se deslocado para os centros urbanos e voltado para a terra dos seus antepassados; (e) importância das atividades de subsistência, ainda que a produção de mercadorias possa estar mais ou menos desenvolvida, o que implica numa relação com o mercado; (f) reduzida acumulação de capital; (g) importância dada à unidade familiar, doméstica ou comunal e às relações de parentesco ou de compadrio para o exercício das atividades econômicas, sociais e culturais; (h) importância de mito e rituais associados à caça, à pesca e às atividades extrativistas; (i) a tecnologia utilizada é relativamente simples, de impacto limitado sobre o meio ambiente.
Há uma reduzida divisão técnica e social do trabalho, sobressaindo o trabalho artesanal. Nele, o produtor e sua família, dominam o processo de trabalho até o produto final; (j) fraco poder político, que em geral reside com os grupos de poder dos centros urbanos; e (k) auto-identificação ou identificação pelos outro de se pertencer a uma cultura distinta das outras.
Ainda podem ser agregados a visão antropológica e ambientalista, estudos da área de genética de populações sobre a migração humana para as Américas em interação com elementos históricos relacionados com o desenvolvimento da escrita. Cabe salientar que os resultados por ora obtidos baseiam-se e estão limitados por três condições: (1) que a investigação das causas relacionadas à diversidade genética da espécie humana tem sido objeto de estudo há muitos anos e assim, a construção deste conhecimento é continuada e não está finalizada; (2) que à medida que novas estratégias metodológicas e tecnológicas, como é o caso do uso de marcadores moleculares, tem sido utilizadas está sendo possível aprofundar cada vez mais estas investigações; (3) que dentro da abordagem genético-molecular além de marcadores mitocondriais já utilizados a partir da década de 80, nesta última década, outros marcadores mais confiáveis como os presentes no cromossomo Y e no DNA nuclear do genoma humano em regiões conhecidas como microssatélites começaram a ser utilizados aumentando ainda mais a acurácia das análises.
Respeitando estas condições, atualmente o estudo considerado referência mundial é o de BORTOLINI et al. (2003). A autora e seus colaboradores compararam o perfil genético de 438 indivíduos de 24 populações nativas da América (indígenas) e 404 indivíduos originários da Mongólia. Os resultados obtidos foram consistentes com a idéia da ocorrência de duas migrações principais a partir da região sudeste e central da Sibéria para as Américas. Baseado na diversidade genética observada, os autores estimaram que a migração para o continente Americano ocorreu a cerca de 14 mil anos atrás, período, que está em concordância com dados arqueológicos previamente estudados.
Se for tomada esta estimativa de migração humana para o continente americano, a mesma ocorreu cerca de 8 mil antes da evolução da escrita no velho continente. Mesmo que seja considerada uma “redução conceitual” duas categorias comportamentais divergentes na espécie humana podem ser visualizadas a partir desta estimativa temporal: a dos que ficaram e progrediram tecnologicamente e a dos que migraram e progrediram geograficamente. Em ambos os casos é inegável o “esforço” de cada grupo e a relevância das suas ações.
Entretanto, é importante que se questione se o esforço de “migrar” teria cobrado o tributo de “empobrecimento cultural” a estas populações? Muitos poderiam argumentar que a “força da estratégia da escrita e subseqüente metodologia científica para produzir conhecimento (ciência?) seria inegável em relação à força da transmissão oral do conhecimento” (sabedoria?). Será que esta visão representa uma verdade concreta?
É inegável a contribuição da ciência moderna para o progresso da civilização humana não-india. Entretanto, a explosão de conhecimento gerada a partir do estabelecimento do método científico e que teve seu auge ao longo do século XX levou a um acúmulo de informações específicas e simplificadas a partir da aplicação da estratégia do “isolamento de variáveis”. O problema foi que a idéia de o todo seria constituído pela soma das suas partes não se mostrou verdadeira na medida que sistemas complexos passaram a ser analisados O todo mostrou ser mais do que a soma das partes, pois é um conjunto de inter-relações que inclui elementos sinérgicos, vetoriais, etc. não previstos.
Como nas ciências ditas naturais, o método científico com padrão newtoniano-cartesiano acabou se constituindo praticamente em um dogma, a compreensão de que “sistemas complexos não eram um somatório de partes” foi um duro golpe a racionalidade técnica. Sem desprezar a relevância da ciência moderna e seus produtos, não resta outra alternativa do que a de fazer uma auto-critica, reconhecendo o que há muito tempo as “ciências sociais” já tinham percebido, existe ciência para além da visão positivista.
Nestes termos o final do século XX foi um período em que o paradigma da ciência baseada nas especializações começou a ser questionado, dando lugar a emergência de uma concepção de ciência que busca perceber o todo, considerando as complexidade dos fenômenos e causas envolvidas. Tomando a química e a biologia como exemplo, após uma corrida pela identificação de estrutura e função de moléculas provenientes de sistemas bióticos e abióticos, o mundo científico volta-se para a investigação de interações que ocorrem entre tais moléculas.
Tais investigações mostram que, muitas vezes propriedades funcionais relacionadas a um determinado composto de origem vegetal e animal não são, necessariamente, produzidas por uma única molécula, mas sim pelo sinergismo de diversas moléculas. Um bom exemplo desta afirmativa é o caso do vinho.
Este alimento, considerado desde a antiguidade como possuidor de propriedades positivas a saúde humana, quando quimicamente investigado mostrou um conjunto de moléculas ativas (denominadas flavonóides) com funções definidas, mas que, quando ingeridas isoladamente não tinham o mesmo efeito observado com a ingestão do “alimento integro”. Este exemplo é um dos milhares que põem em xeque a idéia de que a “ciência se constrói obrigatoriamente por um isolamento asséptico e atemporal de variáveis”.
Deste modo, o novo milênio parece caminhar para um retorno a produção de um conhecimento mais sistêmico, holístico, interativo, inter-relacional e integrativo, que, em termos gerais, significa a base do conhecimento das populações tradicionais como é o caso das indígenas.
Segundo GOTTLIEB E BORIN (2002), no seu artigo “Shamanism or science?”: “um novo entendimento holístico do funcionamento da natureza contrasta com abordagens convencionais reducionistas, requerendo integração dos níveis básicos da organização da vida: metabolismo, morfologia e biogeografia”.
GARRIDO E OLMOS (2005), em seu artigo “Las historias de vida como método de acercamiento a la realidad social” comentam que:
“Definitivamente o método científico é único; mas isso não significa aceitar sua “ditadura3 metodológica”. Na atualidade posturas extremas são rechaçadas. A concepção científica se flexibiliza, não só aceitando uma explicação causal, mas também teleológica, e a complementaridade dos métodos abre espaço para a hora da investigação e a primazia de uns sobre outros que ocorre em função dos objetivos de cada pesquisador.”
Neste sentido, é pouco provável que comunidades tradicionais como as indígenas tenham acumulado conhecimento sobre princípios ativos ou mecanismos, que estão por trás de uma determinada ação ou função da natureza. Entretanto, isto parece não ter sido um empecilho para que tais comunidades produzissem, ao longo da sua história, conhecimento sobre os seus usos, de modo tão confiável quanto o mais rigoroso teste científico realizado. Ou seja, apesar de não entender as causas do fenômeno, entendem o fenômeno e conseguem usar este entendimento em benefício próprio.
É claro que tecer uma afirmativa desta natureza requer evidências, se for considerado o “rictus científico tradicional”. Desta forma, as autoras deste estudo, conscientes da necessidade de trabalhar dentro modelo científico, evitando assim que as afirmativas feitas sejam consideradas “ideológicas” e, por conseqüência, “espúrias perante o mundo da ciência”, optaram por analisar questões relacionadas ao conhecimento tradicional na área da saúde resgatado a partir de revisão bibliográfica em uma base de dados ampla e mundialmente utilizada (MEDLINE).
Utilizando como palavra-chave “traditional medicine” foram identificados 15106 estudos publicados de 1979 até 2005. Quando a palavra “indians” foi agregada, estes estudos foram reduzidos a 443, existindo 42 revisões sobre o tema. Uma análise geral dos temas relacionados às revisões permitiu a identificação de alguns estudos que merecem serem comentados. Alguns destes estão relacionados aos cuidados com os pacientes e outros a procedimentos (uso de drogas ou outras abordagens).
Em relação ao cuidado, SHANKAR E LIAO (2003) na sua revisão sobre sistemas tradicionais de medicina (Traditional systems of medicine) comentam que:
“Os caminhos tradicionais de cura originados em sociedades ancestrais são hoje denominados de “medicina complementar”. Muitos dos sistemas médicos tradicionais estão baseados em princípios fundamentais e de práticas seculares pelos “cuidadores da saúde” da comunidade. Na revisão feita, uma característica, que permeia todos os sistemas estudados, é a abordagem holística da pessoa que se baseia no bem estar integrado do corpo, da mente e do espírito da pessoa”.
Nesta mesma linha, outra publicação baseada em pesquisa fenomenológica de “mulheres cuidadoras de saúde de comunidades tradicionais” de índios canadenses (índios Ojibwa e Cree) mostra que a ação destas é diferenciada das sociedades ocidentais e, também, fortemente baseada em uma concepção holística (STUTHERS, 2003).
Outro estudo conduzido, nos Estados Unidos, relacionado com o cuidado de pacientes, mostrou diferenças importantes no comportamento do atendimento da população indígena de profissionais de saúde que eram também nativos. No caso, mesmo que sejam utilizadas abordagens clínicas de sociedades não-indias, indivíduos nativos demonstraram sensibilidade no atendimento dos seus pares e tendem também a empregar uma postura holística na sua atuação. Deste modo, os autores salientam que fatores culturais influenciam significativamente as práticas de saúde desenvolvidas por profissionais de origem ameríndia (SANCHEZ et al. 1996).
Em relação a procedimentos, foi observado que muitos estudos descrevem e analisam aspectos etno-farmacológicos relacionados às comunidades tradicionais. Um estudo brasileiro, conduzido por ELISABETSKY E POSEY (1994) avaliou a busca por compostos antivirais para o tratamento de desordens gastrointestinais a partir da farmacopéia indígena Kayapó. Após a identificação das plantas utilizadas, sugeriram que as mesmas teriam um potencial uso clínico.
Dentro dos trabalhos revisados, talvez o de LEONTI et al. (2003) é o que mais expressa a acurácia potencial da produção e transmissão de conhecimentos tradicionais entre gerações de comunidades não-indias. Estes autores basearam-se nos seguintes pressupostos para a realização do seu estudo: nas ciências biológicas o uso de plantas medicinais em culturas indígenas parece ser comumente baseado em um processo longo de transmissão de conhecimento (medicina tradicional).
Entretanto, sob condições normais, estudos etnobotânicos não conseguem fornecer evidências da antiguidade do uso específico de certas plantas, uma vez que a tradição oral acaba deixando evidências históricas e arqueológicas limitadas. Para tentar investigar o tempo potencial de conhecimento produzido, estes pesquisadores levantaram os tipos de plantas utilizados na região dos Olmecas, no México, e compararam com a farmacopéia de plantas medicinais usadas por dois grupos indígenas contemporâneos, que estão geograficamente separados a mais de 2000 anos (Mixe das terras baixas e Zoque-Popoluca).
Os resultados mostraram que, apesar desta separação, o vernáculo das plantas medicinais possui um núcleo comum. Para 15 espécies, nomes cognatos foram identificados. Adicionalmente, um segmento estatisticamente significativo da flora é utilizado com propósitos similares. Esta afirmativa pode ser mais bem visualizada a partir da observação de que cerca de 123 espécies são compartilhadas entre os dois grupos e, destas, 62 são utilizadas para a mesma finalidade. Em nove casos também estas plantas possuem nomes similares. Estes achados mostram que a transmissão de tal conhecimento ocorreu desde a época dos Olmecas.
Apesar da escassez, este tipo de estudo expõe nitidamente a “qualidade potencial da transmissão oral” na produção e preservação do conhecimento. Apesar do conjunto de evidências ainda ser fragmentado e estar subsidiado por diversas áreas do conhecimento que historicamente não tem dialogado por um longo período, o debate sobre o tema apresentado é, no mínimo instigante. Assim, para as autoras, conjunto das considerações feitas questiona “o discurso da primitividade indígena baseado na pretensa pobreza do seu conhecimento e progressão cultural”.
É claro que, uma das possíveis limitações presentes no estudo diz respeito ao “viés ideológico” das autoras frente ao seu objeto de estudo (populações índias). Isto porque, não é possível negar a “sedução” sofrida pelas autoras por conseqüência do contato com sujeitos índios que parece ter levado a ruptura, ou, no mínimo a um questionamento do “elemento narcísico eurocêntrico” comumente presente nos sujeitos não-indios. Outro viés seria o da formação acadêmica das autoras na área das ciências biológicas com forte base conceitual ecológico-evolutiva que reconhece as diferenças como “diversidades” interativas, cooperativas. Apesar destas limitações, a texto aqui proposto, ainda que não esgote o tema, tenta produzir um dialogo entre áreas do conhecimento a décadas ofuscadas pelo “iluminismo científico do século XX”.
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Fonte: sis.funasa.gov.br
Através da história, quando se reuniam líderes indígenas e representantes dos Estados se esperavam confrontações. A segregação e a pobreza despertam rancores que são utilizados pelos que querem se aproveitar das terras e florestas de uso indígena.
Um novo tipo de relacionamento vem se constituindo entre o Estado e os povos indígenas nas Américas. Mas por que agora? Porque em um mundo globalizado os povos indígenas vêem os Estados democráticos como uma garantia para seus direitos. E os Estados vêem aos povos indígenas como uma organização social e produtiva, parte integrante de sua dinâmica política.
O fim da guerra fria fez desaparecer idéias obsoletas e retirou sentido às lutas que deixavam os indígenas "entre dois fogos". Essa percepção se faz sentir a partir de conquistas concretas em todo o continente. O Canadá vem estabelecendo novas formas de cooperação, auto-governo e desenvolvimento com as comunidades indígenas.
Em vários países da América Latina as constituições e os governos estão regularizando questões como a posse de terras e o respeito às autoridades indígenas. No Brasil, mais de 80% das terras indígenas já estão demarcadas.
No Chile, Bolívia, Paraguai, Argentina e Colômbia, entre outros países, novas leis e acordos estão buscando resolver os problemas relacionados com a posse das terras e a sobrevivência da cultura indígena. Na Venezuela, a Suprema Corte de Justiça está exigindo o respeito ao direito de consulta quando as ações do Estado podem afetar as comunidades indígenas. No Equador, Guatemala e Guiana as organizações indígenas estão participando das reformas constitucionais.
Na América Central e no Caribe, o recente reconhecimento da contribuição dos povos indígenas e afro-caribenhos está criando soluções inovadoras, tais como o crescente gráude à autonomia política conquistada pelos Miskitos na Nicaragua e os Kunas no Panamá. No México, o sistema educativo indígena atinge a quase um milhão de jovens no curso primário e, em alguns estados mexicanos, a administração política local está sob controle indígena.
Nos Estados Unidos, a instituição de graus de imunidade e a concessão de cassinos demonstram uma evolução da realidade indígena. Os organismos internacionais de financiamento e cooperação técnica vem adotando normas específicas para favorecer o respeito às comunidades indígenas.
Não estão solucionados, ainda, os problemas relacionados com a pobreza, marginalidade e a segregação que atingem muitos indígenas. A população indígena nas Américas tem menor escolaridade e recebe salários mais baixos que os demais cidadãos. O respeito que se encontra nos museus não é transmitido ao indígena real, repetidamente marginalizado da vida política, cultural e econômica.
Fonte: OEA