Em princípio, todos os dias são do trabalho. Ou para sermos exatos: de trabalho.
Até mesmo os sábados, domingos, feriados nacionais ou religiosos. Pois sempre há gente trabalhando, desde que, lá atrás, após a queda de Adão no Paraíso Terrestre, o homem foi condenado a ganhar o pão com o suor de seu rosto.
No início, o trabalho teve o caráter de castigo.
Daí que os poderosos de todas as épocas enalteciam o ócio, considerado uma virtude, um prêmio, sinal de força e manifestação de prazer. Quando algum desses poderosos precisava ou desejava fazer alguma coisa de concreto, ele apelava para o nec otio, ou seja, para o negócio.
Interrompia o ócio mas não trabalhava: negociava, o que no fundo, daria na mesma.
De qualquer forma, com a obrigação de ganhar suando o seu sustento, ou negociando para ganhar a mesma coisa e seus suplementos de luxo ou prazer, foi criada a clássica divisão entre o capital e o trabalho.
E, por extensão, o problema social, que acompanha a humanidade desde os tempos mais remotos da Antiguidade.
Problema que, aqui e ali, e de forma quase permanente, tornou-se a guerra das guerras, pois nunca houve uma paz estabelecida, mas eventuais tréguas, geralmente não cumpridas de parte a parte.
Com a Revolução Industrial, a classe trabalhadora viu-se diante de um paradoxo: de um lado, criavam-se novos empregos; de outro, a mão-de-obra humana poderia ser substituída gradativamente pela máquina. Era o início da exclusão.
O Dia Mundial do Trabalho não nasceu de repente nem de graça.
Foi uma conquista sangrenta, ganha por etapas e perdida repetidas vezes, em ditaduras que o consideram um incentivo à desordem, ao desequilíbrio de uma paz social que na verdade nunca existiu.
Se nos regimes conservadores o 1° de maio é uma data inquietante, que motiva emergências e prontidões nos quartéis e delegacias, nos regimes populistas ela foi absorvida politicamente para produzir um clima de estabilidade que mantém ditaduras.
Foi assim na antiga URSS e no Estado Novo (1937-1945), quando a data tornava-se mais importante do que a própria data nacional.
No momento que atravessamos, aqui no Brasil, há um evidente desgaste nas comemorações do 1° de maio.
Aparentemente, todos estão de acordo com os reclamos da classe trabalhadora, ela é enaltecida e até mesmo bajulada por todos os setores da sociedade. Na prática, o trabalhador é cada vez mais isolado do bolo nacional, sendo destinado a produzir apenas mão-de-obra cada vez mais barata e com menos direitos sociais.
A crise produzida pelos dois fatores que se destacaram na economia dos nossos dias – a supremacia do mercado e a realidade da globalização – fez reverter algumas das maiores conquistas do trabalhador, como o direito ao trabalho, a garantia de saúde, educação, moradia e aposentadoria decente. O desemprego crescente é também globalizado, e os sindicatos, que sempre atuaram na linha de frente das reivindicações da classe, tiveram de refluir para não aumentar o número dos sem-emprego.
São inúmeras as urgências do operariado em qualquer parte do mundo.
Em tempos mais voltados para o problema social, o Dia do Trabalho era um toque de reunir de grandes massas que lutavam por uma pauta específica de reivindicações. Com o congelamento da vida sindical, a data agora se limita às generalidades consentidas, uma luta conceitual e, pior do que isso, consensual. Empregadores e empregados a comemoram do mesmo jeito, com as palavras óbvias de que um não pode existir sem o outro, que são complementares, que a paz entre o capital e o trabalho é a maior conquista da sociedade moderna.
A história do 1° de maio não é pacífica. Nem pode ser pacífica a reflexão que ela nos impõe. Nunca foi uma data subversiva, de contestação à paz social. Mas ela é necessária para nos fazer lembrar que a humanidade só encontrará a verdadeira paz quando o direito do trabalho for uma realidade e não uma concessão do capital, que, enquanto precisar de mão-de-obra, será obrigado ao mínimo para ganhar o máximo.
Carlos Heitor Cony
Fonte: www.scipione.com.br
1º de maio é o dia em que as pessoas de diversos países comemoram o trabalho, ou melhor, comemoram as conquistas dos trabalhadores.
Final do século XVIII. A Revolução Industrial espalha-se pelo mundo, e nos Estados Unidos, Chicago era um de seus grandes representantes.

No dia 1º. de maio de 1886, os operários, cansados da falta de direitos e das condições desumanas de trabalho, resolvem fazer uma paralisação.
Concentraram-se na Haymarket Square, a fim de reivindicar a diminuição da jornada diária de 13 para 8 horas de trabalho.
A polícia reage violentamente, e vários trabalhadores são mortos.
Fonte: www.cidadaopg.sp.gov.br