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Malária

Malária como Prolema de Saúde Pública

O diagnóstico precoce e o tratamento oportuno da malária são medidas efetivas na prevenção de formas graves e complicadas da doença, as quais muitas evoluem para óbito.

O diagnóstico precoce pode ser feito pelo exame clínico, através de sinais e sintomas da doença que o médico é capaz de reconhecer. Igualmente, o exame microscópico do sangue do doente permite identificar os parasitas que produzem a malária.

Entretanto, nem sempre está presente o médico, assim como não existem laboratórios em muitas áreas rurais distantes, no interior da Amazônia, onde a terçã maligna, produzida pelo Plasmodium falciparum, é sempre grave e se complica quando o tratamento não é administrado oportunamente. Em tais condições, o pessoal de saúde constitui recurso valioso para o imediato reconhecimento de pacientes com malária, particularmente dos casos com sinais e sintomas de gravidade, para administrar-lhes tratamento e evitar agravamento ainda maior que possa conduzir ao óbito.

Caso os recursos disponíveis não sejam suficientes ou adequados para um atendimento apropriado, o pessoal de saúde deverá encaminhar o doente para outro lugar com maiores recursos, depois de iniciar o tratamento.

O propósito deste manual é fornecer conhecimentos e orientação técnica para que esse pessoal de saúde possa reconhecer, clinicamente, casos de malária, identificar neles sinais e sintomas de gravidade e administrar o tratamento sem esperar o resultado dos exames parasitoscópicos.

Considerando-se que a malária é uma das endemias mais freqüentes na Região Amazônica e que deve ser combatida de forma integrada, com a participação de todas as unidades do SUS e da sociedade, a FUNASA está contribuindo para aumentar a capacidade de diagnosticar e tratar doentes de malária, objetivando-se evitar óbitos,diminuir a freqüência de casos e reduzir as perdas econômicas e sociais produzidas pela malária. Como resultado, poderão se alcançar melhores condições de saúde e de bem-estar das populações atendidas.

A MALÁRIA COMO PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA

A malária é um dos mais importantes problemas de saúde em todo o mundo, estimando-se que surjam, a cada ano, 100 milhões de casos novos da doença.

Em 1994, no Brasil, foram registrados em torno de meio milhão de casos, provenientes, em sua quase totalidade, da região Amazônica. Como se trata de uma doença que debilita, enfraquece e incapacita as pessoas para o trabalho e que pode levar à morte, pode-se imaginar o sofrimento humano que gera e as perdas que causa para o pais.

A luta contra a malária no Brasil se desenvolve, de forma organizada, há mais de 50 anos, tendo envolvido muitos recursos e o trabalho de muitas pessoas. A experiência acumulada ao longo desses anos revela que a forma como vem se dando a ocupação de novos espaços pelo homem, particularmente na região Amazônica, tem muita influência sobre os fatores que favorecem a disseminação da malária e mostra que as antigas estratégias já não são tão eficazes para combatê-la.

A compreensão da doença, dos fatores que favorecem sua transmissão e da história do combate à malária no Brasil são importantes para que os profissionais de saúde reconheçam os desafios que se apresentam hoje para o controle da enfermidade e como podem enfrentá-los, ativa e criativamente.

A DOENÇA MALÁRIA

A malária é uma doença infecciosa causada pelo parasita plasmódio e transmitida de pessoa a pessoa pela picada do mosquito anofelino que se infectou ao sugar o sangue de um doente.


As pessoas também podem se infectar por transfusão de sangue de doadores portadores de plasmódios

O AGENTE TRANSMISSOR DA MALÁRIA

O mosquito anofelino, transmissor da malária, é conhecido pelo nome de mosquito prego, pela forma peculiar com que pousa.

Agente transmissor da Malária

As fêmeas põem seus ovos em águas paradas ou com pequena correnteza, e geralmente relativamente limpas sombreadas.

Ainda nesses criadouros, os ovos dão origem a larvas, que se transformam em pupas e em seguida, em mosquitos adultos.

Nesta fase, os mosquitos abandonam a água e a alimentação e procuram um lugar de abrigo até o momento do acasalamento.

Os mosquitos machos alimentam-se de sucos de vegetais e néctar de flores e as fêmeas de sangue, necessário ao amadurecimento dos ovos .

Deste modo, somente as fêmeas transmitem a malária.

Agente causador e seus ciclos de desenvolvimento

Os anofelinos costumam ter preferência por lugares abrigados como casas, acampamentos, etc., onde costumam picar no período que vai do anoitecer ao amanhecer. Mas podem também picar ao relento e, depois de se alimentarem, voltar aos lugares onde costumam abrigar-se.

O conhecimento dos hábitos do agente transmissor orienta as medidas de extinção e tratamento de criadouros e de proteção dos indivíduos que podem interferir diretamente na transmissão da malária.

O AGENTE CAUSADOR E SEUS CICLOS DE DESENVOLVIMENTO

Em nosso país, há três espécies de plasmódio que causam a malária:

Plasmodium vivax

Plasmodium falciparum

Plasmodium malariae.

Depois de o plasmódio penetrar no corpo humano através da picada do mosquito, o parasita vai se diferenciar e se multiplicar no organismo do homem em um ciclo que se desenvolve, em uma primeira etapa, nas células do fígado e, em uma etapa seguinte, dentro dos glóbulos vermelhos do sangue.

Plasmódio penetrando no corpo humano através da picada do mosquito

Nas infecções por P.falciparum, não fica nenhum reservatório de parasitas nas células do fígado, depois de completada a primeira etapa. Nas infecções por P. vivax e P. malariae, uma parte dos parasitas permanece "dormindo" nas células hepáticas por períodos de duração variável, enquanto a outra se desenvolve dentro das hemácias. Ao "acordar", posteriormente, os parasitas armazenados no fígado vão desencadear novos ataques da doença.

Tanto no organismo do homem quanto no organismo do mosquito, o plasmódio se desenvolve passando por várias formas, as quais recebem nomes diferentes. Os gametócitos, forma desenvolvida no interior dos glóbulos vermelhos do sangue, são o único elemento capaz de evoluir no organismo do mosquito. Por isso se diz que os gametócitos são a forma infectante para o mosquito.

A fêmea do anofelino se infecta quando se alimenta e suga o sangue com gametócitos de um doente com malária. Os gametócitos evoluem no organismo do mosquito e convertem-se em esporozoitos que se localizam nas glândulas salivares do mosquito.

Posteriormente, o mosquito infectado, para facilitar a sucção do sangue durante o processo de alimentação, injeta saliva com esporozoitos e, desta forma, transmite a infecção. Os esporozoitos são, assim, a forma infectante para o homem.

Cada vez que o mosquito se alimenta, o processo se repete e assim a transmissão continua.

Como se desenvolve um caso de malária

Como regra geral, todas as pessoas são suscetíveis à infecção malárica. As infecções sucessivas podem desenvolver no homem um certo grau de imunidade que o torna mais resistente aos efeitos da novas infecções. Esse fato pode ocorrer em populações que vivem em regiões altamente endêmicas, onde as repetidas infecções podem originar um abrandamento dos sintomas clínicos da doença.

Como se desenvolve um caso de malária

Os sintomas da malária não aparecem de imediato. O período compreendido entre a picada do mosquito e o aparecimento dos primeiros sinais e sintomas é chamado de período de incubação, e sua duração depende da espécie de plasmódio.

Passado o período de incubação, os sintomas mais freqüentes são dor de cabeça e dor no corpo, seguidos de calafrios alternados com febre e sudorese abundante, decorrentes da presença de plasmódios no sangue. Como esse quadro clínico é comum para as três espécies de plasmódio, só o exame do sangue permite diferenciar a espécie parasitária.

A febre característica da malária surge sob a forma de acessos febris. A periodicidade do acesso varia segundo a espécie de plasmódio causadora da infecção. Quando a malária é causada pelo P. vivax ou pelo P. falciparum, o acesso se repete, mais freqüentemente, com um intervalo de um dia (febre terçã).

Quando a infecção é causada pelo P. malariae, o intervalo entre os acessos costuma ser de 2 dias (febre quartã). Nem sempre esses padrões se repetem, havendo casos, por exemplo, em que a febre é diária.

À medida que os acessos de febre vão se repetindo, a pessoa vai ficando anêmica, porque os plasmódios vão destruindo os glóbulos vermelhos do sangue. Com a evolução da doença, o baço e o fígado podem aumentar de tamanho.

Os sinais e sintomas apresentados pelo doente são importantes para o diagnóstico clínico da malária. Os dados sobre a procedência do doente e a história de situações anteriores semelhantes também colaboram para o diagnóstico clínico. Quando não há possibilidade de confirmação imediata pelo exame de sangue, é o diagnóstico clínico que orienta a decisão de iniciar o tratamento.

O tratamento da malária tem como objetivo principal eliminar os plasmódios do sangue que são os que produzem o ataque clínico de todas as malárias (falciparum, vivax e malariae) e os que são responsáveis pelas complicações da malária causada pelo P. falciparum.

Nos tratamentos das infecções por P. vivax e por P. malariae, é necessário também eliminar os plasmódios que permanecem no fígado, para evitar as recaídas da doença após a cura clínica.

O Plasmodium falciparum produz a malária mais grave e perigosa e é, por isso, chamada de febre terçã maligna. O quadro clínico é mais variado e complicado, com sintomas e sinais que mostram o comprometimento progressivo de outros rgãos do corpo humano, como os rins e o sistema nervoso. O tratamento precoce é a forma mais importante de evitar as complicações e as mortes causa­das pela infecção pelo P. falciparum. Se o tratamento não for correto, suficiente e completo, podem remanescer na circulação sangüínea parasitas que, posteriormente, produzirão recidivas e novos ataques clínicos.

Alguns tipos de Plasmodium falciparum, resistentes a medicamentos antimaláricos, não são totalmente eliminados do sangue pelo tratamento e podem ser responsáveis por novas manifestações clínicas.

O conhecimento dos ciclos de desenvolvimento do plasmódio no homem e no mosquito e o entendimento de como se desenvolve a doença são fundamentais para compreender as bases do tratamento da malária e a importância da detecção precoce dos casos e da administração adequada e imediata dos medicamentos, para o controle da doença. O tratamento oportuno e correto, além de evitar o sofrimento humano pela eliminação dos sintomas clínicos, previne a morte e contribui para bloquear a transmissão da doença.

Fonte: www.geocities.com

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