Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Mandioca - Página 2  Voltar

Mandioca

Planta é de origem sul-americana, da parte oriental tropical, de onde foi levada para a Ásia e África. No Brasil existe cultivo da mandioca em quase todas as unidades da federação.

Produz-se no país acima de 24 milhões de toneladas de raízes/ano, principalmente nos estados do Nordeste - que contribui com 49% para a produção nacional; - a Bahia contribui com cerca de 17% da produção do Brasil e situa-se entre os principais produtores. O Brasil contribui com 15% para a produção mundial.

Botânica/Descrição/Variedades

A mandioca é conhecida cientificamente, como Manihot esculenta, Crantz, Enphorbiaceae, Dicotyledonae.

A palavra mandioca parece derivar da língua dos índios tupis - Mani (nome da filha de um chefe) e oca = casa.

Na língua inglesa é manioc e em língua espanhola manioca.

A planta é um arbusto perene, resistente à seca, com raízes tuberosas (que acumulam amido) de formato variado e em número de 5 a 20. O caule (sem ramificação no período vegetativo) pé ereto, de cor cinza ou prateada ou pardo-amarelada; as folhas são simples, com 5-7 e lóbulos, as flores unisexuadas masculinas ou femininas e o fruto é uma cápsula (tricoca) com 3 sementes e que se abre quando seco. A semente, parecida com a da mamona, contém óleo.

Mandioca

Há 2 tipos de mandioca: mandioca brava ou amarga e a mandioca doce ou mansa (aipim, macaxeira).

Mandioca brava: contém a substância linamarina (no látex, notadamente na casca da raiz e nas folhas) em teor elevado; essa substância transforma-se em ácido cianídrico (altamente tóxico) no estômago do homem e dos animais. É de uso industrial.

Mandioca mansa: contém baixíssimo teor de linamarina podendo ser consumida ao natural (uso culinário).

Obs.: há variedades de mandioca mansa cujas flores tem teor de linamarina mais alto que nas raízes de mandiocas bravas. Cuidados devem ser tomados na utilização de folhas de variedades mansas na alimentação animal.

Conforme uso há variedades de mandioca para indústria, para a mesa, para forragem, mistas (vários usos).

Ainda separa-se mandiocas segundo finalidades de uso: indústria (farinha, amido, raspas, álcool), consumo humano(mesa) para forragem (raízes frescas e desidratadas, parte aérea fresca e fenada), mistas (para farinha e forragem), e segundo o ciclo de colheita: precoces (10 a 12 meses), semi-precoces (14 a 16 meses) e tardias (18 a 20 meses).

As variedade (cultivares) para indústria devem ser precoces e de grande produtividade, com elevado teor de amido (30%), com raízes cilíndricas, com película fina facilmente destacável.

As variedades para mesa devem ter baixo teor de ácido cianídrico (50 mg/kg de polpa fresca), raízes curtas, grossas, com casca facilmente removível, polpa branca ou amarelada de odor agradável, de cozimento rápido.

As variedades para forragem devem produzir grande quantidade massa verde (ramas tenras e folhas), e raízes, devem ter teor baixo de ácido cianídrico, folhas persistentes, alta capacidade de brotação pós corte, bom teor de proteínas.

Variedades indicadas para o Nordeste trópico sub-úmido: Mmex e Fio de Ouro (indústria), Saracura e Abacate (para mesa) Maragogipe, Casca Roxa e Paraguai (mesa e forragem).

Variedades para o semi-árido: Platina (mesa, indústria e forragem fenada) para região de Itaberaba; Branquinha (mesa) região de Irecê; Alagoana (mesa) para região de Ribeira do Pombal e Caetité (mesa) para a região de Caetité.

Obs : aipins Maragogipe, Paraguai, Casca Roxa, Manteiga são indicados para consumo humano e para forragem (raízes frescas e parte aérea fresca).

A composição química de 100g. de raízes de mandioca é: umidade (65g.), glucídios (30g.), lipídios (0,8g.), protídios (1,5g.), celulose (1,6), cálcio (0,2g.) fósforo (0,1g.).

Utilização da mandioca

A utilização da mandioca é feita através das raízes, do caule (maniva) e folhas.

Raízes: produzem farinhas (para mesa, para indústria) beijus diversos, tapioca (mingau, cuzcuz, bolinho de estudante), puba ou carimã (mingau, amido, álcool etílico).

Da raiz do aipim faz-se aipim frito, aipim cozido, angu de aipim, sopa, bolinhos, mingau, bolo, broa. Ainda a raiz é forragem de alto poder calórico.

Caule: é o principal órgão multiplicador da planta e presta-se também como forragem para animais.

Folhas: frescas, sob forma de fenos e de silagem prestam-se ao forrageamento de animais e até para alimentação do homem.

Necessidades da Planta

Clima: desenvolve-se bem em climas tropicais e sub-tropicais e é cultivada no mundo na faixa compreendida entre 30º latitude norte e 30º latitude sul.

A planta medra em temperaturas entre 18 e 35ºC com faixa de 25 - 28ºC de temperatura media anual como ideal para desenvolvimento e produção. As chuvas anuais devem estar entre 1.000 a 1.500mm. com suprimento adequado de chuvas para os primeiros 90 dias de vida da planta; em alguns locais em condições especiais, a mandioca vive com menos de 600mm./ano de chuvas. A planta requer alta luminosidade para desenvolvimento e produção.

Solos: devem ter topografia plana, com boa profundidade efetiva, arenosos a argilo-arenosos, leves, frouxos, frescos bem drenados, pH entre 5,0 e 6,0. Evitar solos sujeitos a encharcamento e solos massapés. Altitude até 2.000m.

Solos encharcados ou pesados podem induzir apodrecimentodas raízes e dificultam seu desenvolvimento.

Plantio

Material de plantio: A escolha da variedade deve ser feita segundo objetivo da exploração (alimentação humana, produção de amido ou para alimentação animal). Variedades diferentes devem ser plantadas individualmente em áreas separadas.

As manivas devem estar maduras (apresentam queda de folhas da base para o topo naturalmente), com 10-14 meses de idade. A maniva deve ter diâmetro de 2,5cm. (com medula com 50% do diâmetro), verificando-se se há fluxo de látex logo após corte (denota bom teor de umidade). Utilizar somente o terço médio da maniva.

A maniva deve ser cortada em pedaços de 20cm. de comprimento contendo pelo menos 5 a 7 gemas; o corte (com facão ou serra circular) deve formar angulo reto em relação a haste o que facilita o enraizamento.

A quantidade de maniva para o plantio de 1 hectare de mandioca é estimada entre 4,0m3. e 5,0m3. 1 hectare da cultura com 12 meses de vida, produz hastes para plantio de 4 a 5 hectares. Um metro cúbico de hastes pesa 150Kg. e pode fornecer 2.500 a 3.000 pedaços de maniva - semente com 20cm. de comprimento. -

Por fim a haste deve estar sadia, livre de pragas e doenças.

Preparo da área: àreas devem ser planas a suavemente onduladas (declividade máxima em 10%). A profundidade da aração deve ser 20cm. podendo-se utilizar a sequência gradagem - aração - gradagem.

Os sulcos de plantio devem ter 10cm. de profundidade; em terrenos sujeitos ao encharcamento efetuar plantio em camalhões.

Correção do solo / adubação básica: em aso de necessidade de aplicação de calcário não se deve aplicar quantidades acima de 1 tonelada/ha.. A mandioca parece tolerar certas condições de acidez do solo.

Aumentos de produção da mandioca tem sido devidos à adubações orgânica e fosfatada (esta indispensável para a maioria dos solos). Recomenda-se aplicação paralela de adubos contendo nitrogênio e potássio (para maior efeito do fósforo).

Calagem: efetuar 60 dias antes do plantio aplicando-se metade da dose antes da aração e a outra metade antes da gradagem incorporando a 20cm. de profundidade. Utilizar calcário dolomitico.

Adubação: Os adubos fornecedores de fósforo (superfosfatos) devem ser aplicados no sulco de plantio numa quantidade de 20 a 60Kg. de fósforo (P2O5) por hectare (110 a 330Kg. de superfosfato simples) segundo recomendação de análise de solo.

O nitrogenio (N) deve ser colocado no sulco do plantio na quantidade de 30Kg. de N, através de adubos orgânicos (6t. de esterco de curral ou 600Kg. de torta de mamona) se disponiveis. Se torta aplicar 30 dias antes do plantio.

O potássio (K2O), deve ser fracionado em solos muito arenosos aplicando-se 50% na cova junto do superfosfato (20 a 40Kg. de cloreto de potássio por hectare) e o restante em cobertura junto ao nitrogenio (30-40 dias pós plantio).

Em cerrados recomenda-se aplicar também 20Kg. de sulfato de zinco/ha., na adebação de fundação

Espaçamento: os melhores rendimentos em raízes tem sido obtidos pelo uso de espaçamentos para plantio com 1m. x 0,5m. ou 1m. x 0,6m. (fileiras simples) e 2,0m. x 0,6m. x 0,6m. ( fileiras duplas); em solos férteis o espaçamento pode ser 1,2m. x 0,6m.

Para produzir ramas para ração animal usar 0,8m. x 0,5m. Segundo necessidades da mecanização espaçamento de 1,2m. e até 3,0m.

Plantio: Planta-se mandioca em sulcos (abertos a enxada ou sulcador) ou covas (preparada com enxada) na profundidade de 10cm. Utilizando-se a plantadeira mecanizada esta sulca, aduba, planta e cobre a maniva. Em solos pesados (argilosos) e em regiões chuvosas recomenda-se preparo de cova alta ou camalhões.

Planta-se a maniva - semente nas posições horizontal (facilita a colheita) vertical e inclinada (45º); estas duas ultimas posições aumentam rendimentos em raízes mas dificultam a colheita (raízes profundas).

O plantio deve ser feito no inicio da estação chuvosa.

Consorciação

A mandioca pode ser plantada sozinha ou em consórcio com feijão (predominante), com milho ou com feijão e milho. Também a mandioca é plantada com culturas perenes.

Mandioca x feijão: (comum ou macassar).

Feijão plantado intercaladamente nas fileiras de mandioca.

Espaçamento da mandioca 1m. x 0,5m. até 2,0m. x 1,0m. e espaçamento para feijão 0,6m. x 15 sementes por metro. linear de sulco ou 0,5m. x 0,2m.

Mandioca x milho: Em geral uma a duas fileiras de milho entre as de mandioca (fileiras simples ou duplas). O milho tem espaçamento de 1m. x 0,2 ou 0,4m.

Mandioca x feijão x milho: Espaçamento entre fileiras de mandioca 1m. x 0,5m. até 2m. x 1m. com fileiras de feijão e milho alternadas, lançando-se três sementes por cova.

Para reduzir despesas na formação de culturas permanentes (citros, café, coco, dendê, banana ) usa-se consorcio com mandioca em fileiras duplas mais estreitas (0,6m. entre fileiras e 2m. entre duplas).

Tratos culturais

Controle de ervas daninhas: a mandioca sente muito a concorrência das ervas nos quatro primeiros meses do ciclo (a partir de 20 dias após a brotação) e durante 100 dias a planta deve estar livre da interferência do mato.

O controle de ervas é feito à enxada exigindo 2 capinas no período de 100 dias ou através do emprego de cultivador mecanizado ou através do uso de herbicidas (a base de clomazone, diuron, linuron, outros).

O controle integrado - herbicida + capina mecânica - é feito aplicando-se herbicida na linha de plantio e cultivador mecanizado nas entre linhas; este tem sido o controle com custo mais baixo.

O crescimento rápido da lavoura e o fechamento da cultura é uma ação complementar - cultural - no controle de ervas.

Poda: nem sempre é recomendada. É justificável quando se necessitar material para plantios de ramas para a alimentação animal, como proteção em áreas sujeitas à geadas e no caso de alta infestação de pragas / doenças. A poda, se necessária, deve ser feita no inicio do período chuvoso cortando-se a 15cm. de altura do solo em plantas com 10-12 meses de idade. A colheita de raízes deve ser feita 4 a 6 meses após a poda.

As manivas podem ser conservadas em local fresco, com umidade moderada, sombreado, protegido de ventos. As estacas com 0,8m. a 1,2m. podem ser dispostas verticalmente (enterradas cerca de 10cm. em solo fofo e úmido), ou horizontalmente (quando as estacas devem conservar a cepa).

Adubação em cobertura: trinta a quarenta dias após o plantio procede-se, em plantios comerciais, a adubação em cobertura com 30Kg. de N (ureia 65Kg. ou sulfato de amonio 150Kg. por hectare) seguindo-se leve incorporação.

Pragas

Mandarová: Praga de grande importância para a cultura. Lagartas consomem enormemente as folhas nos primeiros meses do cultivo. As lagartas podem ter cores verde, castanho escuro, amarela, preta.

Controle: boa preparação do terreno e controle adequado de ervas podem reduzir a população do inseto. Em plantios pequenos costuma-se catar as lagartas; inseticida biológico à base do Bacillus, Thuringiensis, é eficaz contra a lagarta até o seu 3º instar (3,5cm. de comprimento). Outro agente biológico para o controle é o Baculovirus erinnyis preparado com lagartas doentes encontradas no mandiocal.

Percevejo de renda: praga que ocorre na época seca; o adulto é de cor cizenta e o jovem de cor branca. São encontrados sugando a face inferior das folhas baixeiras e medianas. Pontuações amarelas que se tornam marrom-avermelhadas na folha são sinais da presença do inseto.

Controle: uso de variedades resistentes ou tolerantes ao percevejo e uso de inseticidas fosforados (dispendioso).

Mosca-branca: os adultos são encontrados na face inferior das folhas da parte superior da planta que sacudida, faz as moscas voarem. O inseto suga a seiva deixando as folhas amareladas e encrespadas e cobertas com substância escura (fumagina). Folhas podem secar e cair.

Controle: uso de cultivares resistentes ou tolerantes e uso de inseticida sistemico - à base de dometoato - (altas populações).

Ácaros: pragas mais severas que atacam a mandioca e encontrados em grande número na face inferior da folha, notadamente na época seca. Os ácaros mais importantes são o ácaro verde (tanajoá) e o ácaro rajado.

O verde suga a seiva de folhas em brotação no alto da planta deixando pontuações amarelas nas folhas (que se deformam).

O rajado tem preferência pelas folhas na parte media e basal da planta, sugam a seiva deixando pontos amarelos na base da folha e ao longo da nervura central.

Controle: umidade relativa alta e contínua da e chuvas ajudam a reduzir as populações das pragas; o uso de variedades resistentes e/ou tolerantes, destruição de outros hospedeiros, destruição de restos de cultura são também ações de controle.

Formigas: podem atacar as folhas e gemas desfolhando a planta; a perda das folhas reduz teor de amidos. O ataque da formiga dá-se nos primeiros meses do ciclo (vida) da mandioca. Logo que se observa folhas cortadas iniciar o controle pelo uso de formicidas granulados (iscas) colocadas ao longo dos "caminhos" das formigas (épocas secas) ou fumigação de formigueiros (época chuvosa).

Doenças

Bacteriose: doença mais importante da mandioca, é fator limitante da produção. Murchas das folhas novas, seguida de morte da planta além do escurecimento e obstrução dos vasos são sintomas. Manchas angulares aquosas também aparecem e que resultam em coloração parda da folha.

Controle: uso de material sadio no plantio, uso de variedades resistentes ou tolerantes, rotação de cultura, evitar transporte de material contaminado para áreas sem a doença.

Antracnose: Doença por fungo que provoca morte dos ponteiros das hastes que mostram lesões elipticas com pontuações róseas na região central. Em plantas jovens a doença causa seca descendente das hastes.

Controle: uso de variedades tolerantes, poda da parte afetada e aplicação de fungicida à base de mancozeb ou cobre.

Podridão das raízes: causada por vários fungos de solo que podem atacar a cultura ao longo do ciclo. Podridão mole (com odor forte), podridão seca (cor negra), falhas na germinação são sintomas da doença.

Controle: uso de variedades tolerantes, seleção rigorosa do material de plantio, cultivo em sistema de camalhão, rotação de culturas.

Superbrotamento: o sintoma básico é brotação excessiva na região das gemas (dezenas de brotos saindo de um só ponto). Esses brotos são raquíticos e finos com cor amarelada (ataque severo). Pode comprometer quase que totalmente a produção de raízes, de farinha, de ramas para plantio.

Controle: evitar introdução de material doente em áreas sem a doença, eliminar plantas doentes dentro da lavoura. Selecionar material sadio para o plantio e uso de variedades tolerantes.

Colheita

Operação que onera os custos de produção;pode ser feita com as mãos ou com auxílio de ferramentas (enxada, enxadeta e picareta). A poda das ramas a 20 a 30cm. de altura do solo é seguida pelo arranquio das raízes. Um homem colhe de 800 a 1.000Kg. de raízes em 8 horas de trabalho. Existem equipamentos mecanizados para a colheita da mandioca.

Colhidas as raízes devem ser amontoadas em locais dentro da lavoura e serem apanhadas em, no máximo, 24 horas e transportadas em cestos, caixas, sacos, grades de madeira para local de beneficiamento.

Para indústria ou alimentação animal indica-se a colheita na segunda fase do ciclo (maior produção de raízes e amido).

De ordinário o ciclo das variedades indica época de colheita.

Os aipins para consumo humano podem ser colhidos entre o 8º e 10º mês do ciclo. A produção de raízes é de 10 a 25 toneladas por hectare podendo chegar a 45 toneladas.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Conceição, Antônio José da
A Mandioca
Cruz das Almas / Ba - 1979
EMBRAPA
Instruções práticas para o Cultivo da Mandioca
Circular Técnica nº 19 - Maio 1993
Cruz das Almas / Ba
Editora Abril
Guia Rural Plantar
São Paulo - 1991
Editora Agronomica Ceres
Manual de Entomologia
São Paulo - 1978

Fonte: www.seagri.ba.gov.br

Mandioca

"Variado era o uso da mandioca na culinária indígena; e muitos dos produtos preparados outrora pelas mãos avermelhadas da cunhã, preparam-nos hoje as mãos brancas, pardas, pretas e morenas da brasileira de todas as origens e de todos os sangues".

A botânica econômica é o ramo da botânica que se ocupa do estudo dos vegetais que têm importância sob o ponto de vista econômico, para isso são exploradas as características do vegetal nas mais diversas aplicações.

Mandioca

Conhecendo-se adequadamente sua aplicabilidade, toda planta têm importância econômica; todavia, algumas reúnem características de aproveitamento tão evidente que merecem maior atenção em seu estudo.

A mandioca é uma espécie de grande importância econômica, embora seu consumo de certo modo concentre-se no Nordeste, no Norte e no Centro-Oeste, ela está presente em todo o território nacional.

Mandioca, aipim ou macaxeira são alguns nomes vulgares dessa euforbiácea, vegetal com uma grande variedade de exemplares.

As espécies podem ser divididas em dois grupos: espécies mansas e espécies bravas, obedecendo a um critério de toxicidade que será abordado logo adiante.

Mandioca

Esse vegetal além do valor econômico, reflete também um grande valor cultural, estando suas origens profundamente ligadas às origens dos índios da América do Sul.

Historicamente, a cultura da mandioca teve papel importante em todos os períodos do Brasil desde colônia e poderá ainda, ser um dos alicerces de um desenvolvimento sustentável.

Como surgiu essa estranha raiz?

Contam os índios tuxaua que, há muito tempo atrás, a filha de um poderoso chefe foi expulsa de sua tribo porque havia ficado grávida misteriosamente. Ninguém (nem ela!) sabia quem era o pai da criança.Por isso, a índia foi morar em uma velha cabana, bem longe da aldeia. Alguns parentes levavam comida para ela todos os dias. E assim se passaram muitos meses. Um dia, a índia deu à luz uma menina muito branca e muito bonita, a quem ela chamou de Mani. Todos ficaram sabendo da notícia, e de como era branca e linda a neta do chefe! Cheio de curiosidade, o velho índio viajou até a cabana para ver Mani.

A criança era mesmo muito especial. E o avô logo esqueceu as mágoas que tinha contra a filha! A criança cresceu amada por todos.Mas, assim que completou três anos de idade, morreu de repente. Não ficou doente, nem fraquinha, nem nada. Apenas, morreu. A mãe ficou desesperada, mas nada pode fazer. Assim, enterrou a filha perto da cabana e, ali, chorou, chorou e chorou, durante muitas horas.

Suas lágrimas corriam pelo seu rosto e iam pingar no chão da floresta, no lugar onde Mani fora enterrada. De repente, a pobre mãe viu uma brotar, num instante, da terra molhada, uma planta! Parecia um verdadeiro milagre, toda a tribo veio ver! As raízes da plantinha eram brancas, como Mani, e em forma de chifre.Todos quiseram provar daquela raiz miraculosa. E foi assim que a mandioca ("Mani", a criança morta, e "aca", chifre) se tornou o principal alimento dos índios da Amazônia!

Um pouco da história da mandioca

Entre os séculos XVI e XIX a alimentação do brasileiro, de um modo geral, e, sobretudo nas áreas em que mais se fez sentir a influência indígena, sustentava-se basicamente na cultura e no consumo da mandioca (Manihot spp.) e da cana-de-açúcar (Saccharum officinarum) segundo suas diferentes maneiras de preparo. Se a desnecessidade de solos muito férteis e de técnicas refinadas para a cultura, manipulação e transformação da mandioca muito contribuíram para isso, outros fatores atuaram para disseminar e propagar seu uso, que acabou por incorporar-se de modo permanente ao regime alimentar do brasileiro.

Aceitação da mandioca pelos europeus

Elementos decisivos para a aceitação da mandioca pelos europeus que vieram habitar o Brasil foram: a facilidade de cultivo, rusticidade, capacidade de regeneração e de adaptação ecológica a ela inerente.

Mandioca

Características Gerais

Trata-se de um arbusto com crescimento vertical, com folhas palmadas contendo cinco a sete lóbulos, de cor verde azulada, sua altura varia de 1,50 a 2,40 metros. Segundo a classificação botânica pertence à família Euphorbiaceae, assim como a mamona e a seringueira.

O cultivo da mandioca é tão antigo e o intercâmbio de mudas e sementes tão intenso e descontrolado que se torna impo ssível uma classificação botânica absolutamente certa, devido à modificação das características das variedades silvestres em relação às cultivadas. Também é impossível julgar o valor econômico das diversas variedades, cada uma comporta-se diferentemente em cada clima, altitude e solo, ou seja, a inconstância das variedades no aspecto botânico também se manifesta na produção.

O Brasil é o maior produtor mundial, colhendo aproximadamente trinta por cento de toda a mandioca consumida no mundo, são cerca de dois milhões de hectares plantados.

Em medidas de calorias por meio hectare, só é igualada pelo arroz e pela banana. Além do valor energético devido ao elevado teor de amido das raízes, as folhas de mandioca contêm elevados índices de proteínas e vitaminas A e B.

Toxicidade

Vulgarmente, classificam-se as variedades de mandioca, em "bravas" (mandioca) ou "mansas" (aipim e macaxeira), conforme o teor de veneno que possuem. Anteriormente, pensava-se que eram espécies distintas, sabe-se agora que a toxidez muda entre as diferentes variedades, com a idade das plantas, sob outras condições ambientais (solo, clima, altitude) e forma de cultivo.

São considerados os seguintes tipos de mandioca, relativamente ao conteúdo em ácido cianídrico:

Grupo: HCN/100g de polpa fresca

Mansas: Até 10mg

Intermediárias: Entre 10 e 20mg

Bravas ou tóxicas: Acima de 20mg

O ácido cianídrico (HCN) é um veneno perigoso, a partir de certa dosagem, tanto para o homem como para o animal.

A mandioca brava é muito plantada em certas regiões, para o preparo de farinha, pois seu rendimento é maior. A preparação artesanal ou industrial do produto da mandioca (farinha, por exemplo), faz com que se evapore o veneno, técnica já dominada pelos indígenas sul-americanos desde a chegada dos primeiros europeus.

Usos da Mandioca

O componente mais importante da raiz da mandioca é a fécula (amido), cujo teor nas raízes frescas varia de 25 a 35%.

Dependendo do vegetal de origem, o amido possui uma denominação:

Amido (propriamente dito) - Reservado para o de origem de sementes ou grãos como milho, trigo, arroz.

Fécula - Quando extraído de raízes, tubérculos e rizoma.

Sagu - O verdadeiro sagu é obtido da parte central ou da medula de certas palmeiras.

bolo, bolinho, farinha, frita, refeição

A fécula, amido da mandioca, é mais conhecida como polvilho ou goma, extraído com a decantação da água de lavagem da mandioca ralada. Vários tipos de farinha são obtidos da mandioca, a farinha branca de mesa, puba, tapioca (transformação do polvilho) e outros, além de bolos, caldos e bebidas, originariamente típicos da culinária indígena.

A mandioca também é usada como forragem na alimentação animal, as folhas, ramas e restos de casca ou os desperdícios industriais do processamento da mandioca dão ótima ração.

Através de processos de fermentação e ação enzimática, além de outras reações químicas, as indústrias extraem da mandioca vários produtos químicos dentre os quais o principal é o álcool combustível.

Fonte: uvnt.universidadevirtual.br

voltar 123456789avançar
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal