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Maneirismo

O termo vem sendo empregado pela crítica moderna para designar a produção artística, especialmente a italiana, que tem lugar por volta de 1520 a 1600, isto é, entre o final do chamado Alto Renascimento e o início do barroco.

A recuperação da noção como categoria histórica, referida a um estilo específico - que se observa no período entre-guerras, sobretudo na década de 1920 - não deve obscurecer sua trajetória tortuosa, marcada por imprecisões e por uma série de conotações negativas.

O termo é popularizado por Giorgio Vasari (1511-1574) - ele próprio um artista do período - que fala em maniera como sinônimo de graça, leveza e sofisticação.

Nos escritos posteriores de Giovanni Pietro Bellori (1613-1696) e de Luigi Lanzi (1732-1810), a noção aparece ligada à elegância artificial e à virtuosidade excessiva.

Essa chave crítica de leitura, que irá reverberar em diversos estudos posteriores, associa maneirismo à decadência em relação à perfeição clássica representada pelas obras de Michelangelo Buonarroti (1475-1564) e Rafael (1483-1520).

De acordo com essa linhagem crítica, maneirismo aparece como imitação superficial e distorcida dos grandes mestres do período anterior, como abandono do equilíbrio, da proporção e racionalidade cultivados pelo classicismo. "Vácuo entre dois cumes", "momento de cansaço e inércia que seguiu fatalmente, quase por reação ao esplêndido apogeu das artes na primeira metade do século XVI", ou "fase de crise", a história do maneirismo, indica Giulio Carlo Argan, é inseparável das avaliações negativas que rondam a noção.

Despida dos sentidos pejorativos a ela atribuídos pela crítica até o início do século XX, a arte maneirista passa a ser pensada a partir de então como um desdobramento crítico do Renascimento.

O corte com os modelos clássicos se observa, entre outros, pelo rompimento com a perspectiva e com a proporcionalidade; pelo descarte da regularidade e da harmonia; pela distorção das figuras; pela ênfase na subjetividade e nos efeitos emocionais; pelo deslocamento do tema central da composição. Criada nos ambientes palacianos para um público aristocrático, a arte maneirista cultiva o estilo e a elegância formal, a beleza, a graça e os aspectos ornamentais.

Aspectos maneiristas podem ser encontrados tanto na fase florentina de Michelangelo, quanto no período tardio da produção de Rafael, indicam alguns comentadores, o que leva a pensar essa produção como um desdobramento de certos problemas postos pela arte renascentista.

À primeira geração maneirista ligam-se os nomes de Pontormo (1494-1557) e Fiorentino Rosso (1494-1540), em Florença; o de Domenico Beccafumi (1486-1551) em Siena; e o de Parmigianino (1503-1540), no norte da Itália. Os murais realizados por Pontormo em Certosa di Val d'Ema (1522-1523) são emblemáticos das opções maneiristas.

Neles não se nota nenhum recurso à perspectiva. As figuras, de proporções alongadas e modo anti-natural, encontram-se dissolvidas na composição, cujo movimento é obtido pelos contrastes acentuados. A falta de harmonia vem acompanhada por forte intensidade espiritual e expressão emocional, o que leva Erwin Panofsky (1892-1968) a localizar neles uma influência de certas obras de Albrecht Dürer (1471-1528).

Procedimentos e influências semelhantes podem ser observados em trabalhos de Beccafumi, como Descent of Christ into Limbo (1528).

Uma segunda fase do maneirismo aparece associada a trabalhos de Vasari (Allegory of the Immaculate Conception) - em que se notam influências de Michelangelo - e a obras de Agnolo Bronzino (1503-1572), como Descent into Limbo (1552).

Este trabalho, que comenta o anterior de Beccafumi, conhece nova sistematização: maior firmeza dos contornos e ênfase acentuada nos aspectos plásticos da composição. Longe da harmonia clássica, a segunda fase maneirista, nos termos de Panofsky, expõe tensões - por exemplo, as derivadas do jogo entre realidade e imaginação - que serão exploradas em seguida pelo Barroco.

Fora da Itália, o maneirismo é associado à obra de El Greco (1541-1614), célebre pelas figuras alongadas pintadas com cores frias que, em sua fase italiana, absorve as inspirações visionárias da obra de Jacopo Tintoretto (1519-1594).

Os artistas franceses ligados à Escola de Fontainebleau conhecem o estilo maneirista pelas mãos de Rosso, que trabalha na decoração da Grande Galeria Real do Palácio de Fontainebleau, de 1531 a 1540.

Nos Países Baixos, o maneirismo se desenvolve principalmente por meio das obras de Bartholomaeus Spranger (1546-1611) e Hans von Aachen (1552-1615).

No campo da arquitetura, o maneirismo conhece a adesão de Giulio Romano (ca.1499-1546), autor da decoração do Palazzo del Tè, iniciado em 1526, na corte de Federico Gonzaga, Mântua, e de Andrea Palladio (1508-1580), responsável por diversos projetos, entre os quais, a Igreja de San Giorgio Maggiori, em Veneza, iniciada em 1566, e o Teatro Olímpico em Vicenza, começado em 1580.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Maneirismo

Após o aparecimento de Leonardo da Vinci, Rafael e Michelângelo, muitos artistas italianos tentaram buscar uma nova arte, contrária aos princípios da alta renascença.

Trata-se de uma arte mais turbulenta, em que se buscavam idéias novas, invenções que surpreendessem, insólitas, cheia de significados obscuros e referências à alta cultura. Acredita-se que tenha sido influenciada ainda pela contra-reforma católica e pelo clima de inquietação do momento.

O estilo artístico que daí decorre recebe o nome de Maneirismo e faz a passagem entre a alta renascença e o barroco, apresentando alguns elementos ora mais próximo de uma escola, ora de outra. Seu período estende-se de mais ou menos 1520 ao fim do século XVI.

O termo Maneirismo, derivando da palavra italiana maneira (estilo), pode nos dar mais informações sobre esse tipo de arte. Utilizada pelo pintor, arquiteto e teórico de estória da arte da época, Vassari, no sentido de graça, sofisticação, estabilidade, elegância. Por extensão a denominação prosseguiu para a arte análoga à realizada pelo artista.

Entretanto esse novo estilo foi visto com desconfiança pelos críticos até o nosso século. Eles consideravam-na uma arte menor, uma falha de compreensão por parte dos artistas da época sobre a arte dos grandes mestres, imitações sem alma.

O próprio termo Maneirismo, relacionado ao mau gosto e excesso. Entretanto, mais ou menos no período entre as duas guerras mundiais, os artistas de então passaram a ser melhor compreendidos e admirados pelos críticos. Entre as obras de Giorgio Vassari (1511 - 1574), estão os afrescos do grande salão do Palazzo della Cancelleria, em Roma (mostrando a vida do papa Paulo III) .

Entretanto, ele é mais conhecido por seu livro "A Vida dos Artistas" - uma das principais fontes de informações sobre a Itália Renascentista e por seus conceitos e opiniões artísticas que acabaram por pautar, durante longo tempo, o trabalho dos críticos e historiadores de arte que o seguiram.

Dentro do Maneirismo são colocados vários artistas que desenvolveram atividades no período e é grande a diversidade das obras. Entretanto, podemos destacar, como outros nomes importantes, que ajudaram na " formação" da escola (que até hoje não se encontra muito clara para os pesquisadores), além de Vassari, Rosso Fiorentino (1494 - 1540) e Jacopo Pontormo (1494 - 1557), na pintura e Benvenuto Cellini (1500 - 1571) e Giovanni da Bologna (1529 - 1608), na escultura e Giulio Romano (1492 - 1546), na arquitetura.

Mas talvez seja na Escola Veneziana que podemos encontrar o maior mestre do período: o pintor Tintoretto (Jacopo Robustini; 1518 - 1594).

Enquanto grande parte dos artistas do período contentavam-se em imitar os mestres, ele utilizou-se de maneira extremamente pessoal e crítica o aprendido com suas maiores influências: Michelângelo e Ticiano.

Era conhecido por sua grande imaginação, por sua composição assimétrica e por produzir grandes efeitos dramáticos em suas obras, sacrificando, às vezes, até as bases da pintura desenvolvida por seus antecessores (como, por exemplo "a suave beleza" de Giorgione E Ticiano).

Seu quadro São Jorge e o Dragão, retratando o auge da batalha entre as duas figuras, através de um jogo de luz e tonalidades, produzem grande tensão. Em alguns países da Europa, (principalmente a França, Espanha e Portugal), o Maneirismo foi o estilo italiano quinhentista que mais se adaptou à própria cultura desses países, encontrando mais seguidores que a própria arte da alta renascença.

Fonte: www.brasilcultura.com.br

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