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Maneirismo

Pintura

Os pintores tinham como objetivo valorizar a arte pela própria arte.

Uma das principais fontes de inspiração do Maneirismo foi o espírito religioso predominante na época.

Utilizando os mesmos elementos do Renascimento, mas com enfoque diferente, os maneiristas criaram uma arte de labirintos, espirais e proporções estranhas.

Havia uma visível tendência à estilização exagerada. Os corpos bem torneados do Renascimento tomaram formas esguias e alongadas, rostos misteriosos e melancólicos surgiram entre as vestes, os protagonistas dos quadros começaram a não aparecer no centro da figura e um número grande de figuras se comprimem em espaços reduzidos. Há então o aparecimento de planos paralelos completamente irreais

Escultura

Maneirismo

Maneirismo

A escultura seguiu a mesma linha da pintura maneirista, muitos detalhes, formas desproporcionais e um distanciamento da realidade.

Com formas de proporções estranhas, respeitando entretanto o equilíbrio e a graciosidade da obra.

Suas esculturas apresentavam figuras enlaçadas numa superposição de planos, dispostas umas sobre as outras, numa composição dinâmica.

Um dos grandes escultores do maneirismo foi Giambologna.

Arquitetura

O estilo maneirista teve um espírito totalmente diferente das outras formas de expressão artística e arquitetônica, exibindo labirintos, espirais e proporções estranhas, dando efeitos dramáticos e usando as cores de modo arbitrário. A arquitetura maneirista sobressaiu com as construções de igrejas de plano longitudinal, mais longas do que largas, com cúpulas descentralizadas e preocupada com a decoração e a distribuição da luminosidade no espaço.

Maneirismo
Igreja de San Giorgio Maggiore, Veneza, Itália - (XVI)

Nas igrejas

As naves escuras, iluminadas apenas de ângulos diferentes

Os coros com escadas em espiral

A decoração de interiores exibindo guirlandas de frutas e flores, balaústres com figuras, muros e altares com caracóis, conchas e espiralados.

Nos ricos palácios e casas de campo:

Uso de formas convexas que permitiam o contraste entre luz e sombra

A decoração de interiores exibindo um estilo refinado e ricamente adornado, com afrescos nas abóbadas.

Maneirismo
Igreja do Redentor, Ilha de Giudecca, Veneza

Fonte: www.edukbr.com.br

Maneirismo

O termo maneirismo aplica-se a um movimento amplo e diversificado. Menos que um estilo, o rótulo é mais apropriado para designar um certo estado de espírito, uma perspectiva, um certo ponto de vista sobre a arte e o fazer artístico de um período histórico, compreendido entre 1530 e 1600 aproximadamente.

O termo aparece primeiro na Itália no original maniera, para designar “estilo” na acepção de singular refinamento. Foi usado por Giorgio Vasari na segunda metade do século XVI, para designar as obras de alguns artistas que, segundo este, tinhas traços peculiares onde se ressaltavam a sofisticação e a graça.

Historicamente, o Maneirismo não gozou de muito prestígio ou de autonomia, sendo considerado durante muito tempo como a fase final e decadente do grande ciclo renascentista, mas hoje é reconhecido como um estilo autônomo e com valor próprio, e que de certa forma apontava para a arte moderna.

Características gerais:

O que distinguiu o Maneirismo dos restantes estilos e em particular na pintura foi uma deliberada revolta dos artistas contra o equilíbrio clássico do Renascimento, explicando-se como uma atitude de modernidade anticlássica e anti-academica , criando um estilo, nas palavras de H. W. Janson "perturbador, voluntarioso, visionário que denuncia uma profunda ansiedade interior".

Assiste-se ao aparecimento das figuras alongadas, retorcidas, em posições afetadas e teatrais, numa busca de movimento nas composições às vezes desequilibradas; as cores usadas são exageradas sem correspondência com as naturais; os enquadramentos são invulgares em que a cena é vista de cima ou de lado e verifica-se uma certa ambigüidade na perspectiva: por vezes aparecem mais do que um ponto de fuga o que dificulta a leitura do quadro, já que não se percebe o que é mais importante.

Enfim, parece ao observador que o pintor teve a intenção de o impedir de avaliar o que está representado pelos padrões da experiência comum.

Em linhas gerais caracterizou-se pela deliberada sofisticação intelectualista, pela valorização da originalidade e das interpretações individuais, pelo dinamismo e complexidade de suas formas, e pelo artificialismo no tratamento dos seus temas, a fim de se conseguir maior emoção, elegância, poder ou tensão.

Artistas: Parmigianino, Tintoretto, Rosso Fiorentino, Arcimboldo, El Greco, Pontormo entre outros.

Em face a tantas e tão drásticas mudanças, a cultura italiana não obstante conseguiu manter seu prestígio internacional, e o espoliamento de bens que a Itália sofreu pelas grandes potências no fundo serviu também para disseminar sua influência para os mais afastados recantos do continente. Mas a atmosfera cultural reinante já era completamente outra.

A convocação do Concilio de Trento (1545 a 1563) levou ao fim a liberdade nas relações entre Igreja e arte, a teologia assume o controle e impõe restrições às excentricidades maneiristas em busca de uma recuperação do decoro, de uma maior compreensibilidade da arte pelo povo e de uma homogeneização do estilo, e desde então tudo devia ser submetido de antemão ao crivo dos censores, desde o tema, a forma de tratamento e até mesmo a escolha das cores e dos gestos dos personagens.

Veronese é chamado pela Inquisição para justificar a presença de atores e bufões em sua Ceia em casa de Levi, os nus do Juízo Final de Michelangelo têm suas partes pudendas repintadas e cobertas de panos, e Vasari já se sente inseguro de trabalhar sem a presença de um dominicano ao seu lado.

Apesar disso, a arte em si não foi posta em questão, e as novas regras se dirigiam mormente ao campo sacro, deixando o profano relativamente livre.

De fato, antes do que suprimir a arte, a Igreja Católica a usou maciçamente para propagar a fé em sua nova formulação e estimular a piedade nos devotos, e ainda mais como um sinal distintivo em relação aos Protestantes, já que Lutero não via qualquer arte com bons olhos e condenava as representações sagradas como idolatria. Variantes do Luteranismo como o Calvinismo foram ainda mais rigorosas em sua aversão à arte sacra, dando origem a episódios de iconoclastia.[15][16]

O resultado disso tudo foi um grande conflito espiritual e estético, tão bem expresso pela arte ambivalente, polimorfa e agitada do período: se por um lado a tradição clássica, secular e pagã, não podia ser ignorada e continuava viva, por outro a nova idéia de religião e suas conseqüências para a sociedade como um todo destruiu a autoconfiança e o prestígio dos artistas como criadores independentes e autoconscientes, que foram conquistados a duras penas havia tão pouco tempo, e também revolucionou toda a estrutura antiga de relações entre o artista e os seus patronos e o seu público, sem haver ainda um substituto consolidado, tranqüilo e consensual.

A saída para uns foi se encaminhar para o puro esteticismo, para outros foi a fuga e o abandono da arte, para outros foi a aceitação simples do conflito como não resolvido, deixando-o visível em sua produção, e é nesse conflito entre a consciência individual do artista e as forças externas que demandam atitudes pré-estabelecidas que o Maneirismo aparece como o primeiro estilo de arte moderna e o primeiro a levantar a questão epistemológica na arte. A pressão deve ter sido imensa, pois, como diz novamente Hauser,

"Despedaçados por um lado pela força e por outro pela liberdade, (os artistas) ficaram sem defesa contra o caos que ameaçava destruir toda ordem do mundo intelectual. Neles encontramos, pela primeira vez, o artista moderno, com o seu interior, o seu gosto pela vida e pela fuga, o seu tradicionalismo e a sua rebelião, o seu subjetivismo exibicionista e a reserva com que tenta readquirir o último segredo de sua personalidade. De então em diante, o número de maníacos, excêntricos e psicopatas, entre os artistas, aumenta de dia para dia".[17]

Murray Edelman complementa a idéia dizendo que

"Os pintores e escritores maneiristas do século XVI eram menos "realistas" do que seus predecessores da Alta Renascença, mas eles reconheceram e ensinaram muito sobre como a vida pode se tornar motivo de perplexidade: através da sensualidade, do horror, do reconhecimento da vulnerabilidade, da melancolia, do lúdico, da ironia, da ambiguidade e da atenção a diversas situações sociais e naturais. Suas concepções tanto reforçaram como refletiram a preocupação com a qualidade da vida cotidiana, com o desejo de experimentar e inovar, e com outros impulsos de índole política. (…) É possível que toda arte apresente esta postura, mas o Maneirismo a tornou especialmente visível"..[18]

Fonte: br.geocities.com

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