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Maneirismo

 

Paralelamente ao Renascimento clássico, desenvolve-se em Roma, do ano de 1520 até por volta de 1610, um movimento artístico afastado conscientemente do modelo da antiguidade clássica: o Maneirismo (maniera, em italiano, significa maneira).

Uma evidente tendência para a estilização exagerada e um capricho nos detalhes começam a ser sua marca, extrapolando assim as rígidas linhas dos cânones clássicos.

Alguns historiadores o consideram uma transição entre o Renascimento e o Barroco, enquanto outros preferem vê-lo como um estilopropriamente dito.

O certo, porém, é que o maneirismo é uma conseqüência de um renascimento clássico que entra em decadência. Os artistas se vêem obrigados a partir em busca de elementos que lhes permitam renovar e desenvolver todas as habilidades e técnicas adquiridas durante o Renascimento.

Uma de suas fontes principais de inspiração é o espírito religioso reinante na Europa nesse momento. Não só a Igreja, mas toda a Europa estava dividida após a Reforma de Lutero. Carlos V, depois de derrotar as tropas do sumo pontífice, saqueia e destrói Roma. Reinam a desolação e a incerteza. Os grandes impérios começam a se formar, e o homem já não é a principal e única medida do universo.

Pintores, arquitetos e escultores são impelidos a deixar Roma com destino a outras cidades.

Valendo-se dos mesmos elementos do Renascimento, mas agora com um espírito totalmente diferente, criam uma arte de labirintos, espirais e proporções estranhas, que são, sem dúvida, a marca inconfundível do estilo maneirista.

Mais adiante, essa arte acabaria cultivada em todas as grandes cidades européias.

PINTURA

É na pintura que o espírito maneirista se manifesta em primeiro lugar. São os pintores da segunda década do século XV que, afastados dos cânones renascentistas, criam esse novo estilo, procurando deformar uma realidade que já não os satisfaz e tentando revalorizar a arte pela própria arte.

Uma estética inteiramente original, distanciada dos cânones clássicos renascentistas, começa a se insinuar dentro das novas obras pictóricas.

Pode-se tomar como exemplo uma composição em que uma multidão de figuras se comprime em espaços arquitetônicos reduzidos. O resultado é a formação de planos paralelos, completamente irreais, e uma atmosfera de tensão permanente. Nos corpos, as formas esguias e alongadas substituem os membros bem-torneados do Renascimento. Os músculos fazem agora contorsões absolutamente impróprias para os seres humanos.

Rostos melancólicos e misteriosos surgem entre as vestes, de um drapeado minucioso e cores brilhantes. A luz se detém sobre objetos e figuras, produzindo sombras inadmissíveis.

Os verdadeiros protagonistas do quadro já não se posicionam no centro da perspectiva, mas em algum ponto da arquitetura, onde o olho atento deve, não sem certa dificuldade, encontrá-lo. No entanto, a integração do conjunto é perfeita.

E é assim que, em sua última fase, a pintura maneirista, que começou como a expressão de uma crise artística e religiosa, chega a seu verdadeiro apogeu, pelas mãos dos grandes gênios da pintura veneziana do século XVI. A obra de El Greco merece destaque, já que, partindo de certos princípios maneiristas, ele acaba desenvolvendo um dos caminhos mais pessoais e únicos, que o transformam num curioso precursor da arte moderna.

ESCULTURA

Na escultura, o Maneirismo segue o caminho traçado por Michelangelo: às formas clássicas soma-se o novo conceito intelectual da arte pela arte e o distanciamento da realidade.

Em resumo, repetem-se as características da arquitetura e da pintura.

Não faltam as formas caprichosas, as proporções estranhas, as superposições de planos, ou ainda o exagero nos detalhes, elementos que criam essa atmosfera de tensão tão característica do espírito maneirista.

O espaço não é problema para os escultores maneiristas.

A composição típica desse estilo apresenta um grupo de figuras dispostas umas sobre as outras, num equilíbrio aparentemente frágil, unidas por contorsões extremadas (figura serpentinada) e exagerado alongamento dos músculos.

A composição é definitivamente mais dinâmica que a renascentista, e as proporções da antiguidade já não são a única referência.

O modo de enlaçar as figuras, atribuindo-lhes uma infinidade de posturas impossíveis, permite que elas compartilhem a reduzida base que têm como cenário, isso sempre respeitando a composição geral da peça e a graciosidade de todo o conjunto. É dessa forma que o grande gênio da escultura, Giambologna, consegue representar, numa só cena, lementos iconográficos tão complicados como a de sua famosa obra "O Rapto das Sabinas".

ARQUITETURA

arquitetura maneirista dá prioridade à construção de igrejas de plano longitudinal, com espaços mais longos do que largos, com a cúpula principal sobre o transepto, deixando de lado as de plano centralizado, típicas do renascimento clássico.

No entanto, pode-se dizer que as verdadeiras mudanças que este novo estilo introduz refletem-se não somente na construção em si, mas também na distribuição da luz e na decoração.

Naves escuras, iluminadas apenas de ângulos diferentes, coros com escadas em espiral, que na maior parte das vezes não levam a lugar nenhum, produzem uma atmosfera de rara singularidade. Guirlandas de frutas e flores, balaustradas povoadas de figuras caprichosas são a decoração mais característica desse estilo.

Caracóis, conchas e volutas cobrem muros e altares, lembrando uma exuberante selva de pedra que confunde a vista.

Na arquitetura profana ocorre exatamente o mesmo fenômeno. Nos ricos palácios e casas de campo, as formas convexas que permitem o contraste entre luz e sombra prevalecem sobre o quadrado disciplinado do renascimento. A decoração de interiores ricamente adornada e os afrescos das abóbadas coroam esse caprichoso e refinado estilo, que, mais do que marcar a transição entre duas épocas, expressa a necessidade de renovação.

Fonte: www.geocities.com

Maneirismo

Principais Artistas

BARTOLOMEO AMMANATI , (1511-1592)

Autor de vários projetos arquitetônicos por toda a Itália, tais como: a construção do túmulo do conde de Montefeltro, o palácio dos Mantova, a villa na Porta del Popolo. a fonte da Piazza della Signoria.

Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os tratados de Alberti e Brunelleschi, com base nos quais planejou uma cidade ideal. De acordo com os preceitos dos jesuítas, que proibiam o nu nas obras de arte, legou a eles todos os seus bens.

GIORGIO VASARI, (1511-1574)

Vasari é conhecido por sua obra literária Le Vite (As Vidas), na qual, além de fazer um resumo da arte renascentista, apresenta um relato às vezes pouco fiel, mas muito interessante sobre os grandes artistas da época, sem deixar de fazer comentários mal-intencionados e elogios exagerados.

Sob a proteção de Aretino, conseguiu realizar uma de suas únicas obras significativas: os afrescos do palácio Cornaro. Vasari também trabalhou em colaboração com Michelangelo em Roma, na década de 30. Suas biografias, publicadas em 1550, fizeram tanto sucesso que se seguiram várias edições. Passou os últimos dias de sua vida em Florença, dedicado à arquitetura.

PALLADIO, (1508-1580)

O interesse que tinha pelas teorias de Vitrúvio se reflete na totalidade de sua obra arquitetônica, cujo caráter é rigorosamente clássico e no qual a clareza de linhas e a harmonia das proporções preponderam sobre o decorativo, reduzido a uma expressão mínima.

Somente dez anos depois iria se dedicar à arquitetura sacra em Veneza, com a construção das igrejas San Giorgio Maggiore e Il Redentore. Não se pode dizer que Palladio tenha sido um arquiteto tipicamente maneirista, no entanto, é um dos mais importantes desse período. A obra de Palladio foi uma referência obrigatória para os arquitetos ingleses e franceses do barroco.

PINTURA

Principal Artista

EL GRECO, (1541-1614), Ao fundir as formas iconográficas bizantinas com o desenho e o colorido da pintura veneziana e areligiosidade espanhola.

Na verdade, sua obra não foi totalmente compreendida por seus contemporâneos. Nascido em Creta, acredita-se que começou como pintor de ícones no convento de Santa Catarina, em Cândia. De acordo com documentos existentes, no ano de 1567 emigrou para Veneza, onde começou a trabalhar no ateliê de Ticiano, com quem realizou algumas obras.

Depois de alguns anos de permanência em Madri ele se estabeleceu na cidade de Toledo, onde trabalhou praticamente com exclusividade para a corte de Filipe II, para os conventos locais e para a nobreza toledana.

Entre suas obras mais importantes estão O Enterro do Conde de Orgaz, a meio caminho entre o retrato e a espiritualidade mística. Homem com a Mão no Peito, O Sonho de Filipe II e O Martírio de São Maurício. Esta última lhe custou a expulsão da corte.

ESCULTURA

Principais Artistas

BARTOLOMEO AMMANATI, (1511-1592)

Realizou trabalhos em várias cidades italianas. Decorou também o palácio dos Mantova e o túmulo do conde da cidade. Conheceu a poetisa Laura Battiferi, com quem se casou, e juntos se mudaram para Roma a pedido do papa Júlio II, que incumbiu-o da construção de sua villa na Porta del Popolo. Começaram assim seus primeiros passos como arquiteto.

No ano de 1555, com a morte do papa, voltou para Florença, onde venceu um concurso para a construção da fonte da Piazza della Signoria. Seu interesse pela arquitetura o levou a estudar os tratados de Alberti e Brunelleschi, com base nos quais planejou uma cidade ideal. De acordo com os preceitos dos jesuítas, que proibiam o nu nas obras de arte, legou a eles todos os seus bens.

GIAMBOLOGNA, (1529-1608)

De origem flamenga, Giambologna deu seus primeiros passos como escultor na oficina do francês Jacques Dubroecq. Poucos anos depois mudou-se para Roma, onde se supõe que teria colaborado com Michelangelo em muitas de suas obras.

Estabeleceu-se finalmente em Florença, na corte dos Medici. O Rapto das Sabinas, Mercúrio, Baco e Os Pescadores estão entre as obras mais importantes desse período.

Participou também de um concurso na cidade de Bolonha, para o qual realizou uma de suas mais célebres esculturas.

A Fonte de Netuno.Trabalhou com igual maestria a pedra calcária e o mármore e foi grande conhecedor da técnica de despejar os metais, como demonstram suas esculturas de bronze.

Giambologna está para o Maneirismo como Michelangelo está para o renascimento.

Fonte: www.galeriafernandobarbosa.kit.net

Maneirismo

O termo vem sendo empregado pela crítica moderna para designar a produção artística, especialmente a italiana, que tem lugar por volta de 1520 a 1600, isto é, entre o final do chamado Alto Renascimento e o início do barroco.

A recuperação da noção como categoria histórica, referida a um estilo específico - que se observa no período entre-guerras, sobretudo na década de 1920 - não deve obscurecer sua trajetória tortuosa, marcada por imprecisões e por uma série de conotações negativas.

O termo é popularizado por Giorgio Vasari (1511-1574) - ele próprio um artista do período - que fala em maniera como sinônimo de graça, leveza e sofisticação.

Nos escritos posteriores de Giovanni Pietro Bellori (1613-1696) e de Luigi Lanzi (1732-1810), a noção aparece ligada à elegância artificial e à virtuosidade excessiva.

Essa chave crítica de leitura, que irá reverberar em diversos estudos posteriores, associa maneirismo à decadência em relação à perfeição clássica representada pelas obras de Michelangelo Buonarroti (1475-1564) e Rafael (1483-1520).

De acordo com essa linhagem crítica, maneirismo aparece como imitação superficial e distorcida dos grandes mestres do período anterior, como abandono do equilíbrio, da proporção e racionalidade cultivados pelo classicismo. "Vácuo entre dois cumes", "momento de cansaço e inércia que seguiu fatalmente, quase por reação ao esplêndido apogeu das artes na primeira metade do século XVI", ou "fase de crise", a história do maneirismo, indica Giulio Carlo Argan, é inseparável das avaliações negativas que rondam a noção.

Despida dos sentidos pejorativos a ela atribuídos pela crítica até o início do século XX, a arte maneirista passa a ser pensada a partir de então como um desdobramento crítico do Renascimento.

O corte com os modelos clássicos se observa, entre outros, pelo rompimento com a perspectiva e com a proporcionalidade; pelo descarte da regularidade e da harmonia; pela distorção das figuras; pela ênfase na subjetividade e nos efeitos emocionais; pelo deslocamento do tema central da composição. Criada nos ambientes palacianos para um público aristocrático, a arte maneirista cultiva oestilo e a elegância formal, a beleza, a graça e os aspectos ornamentais.

Aspectos maneiristas podem ser encontrados tanto na fase florentina de Michelangelo, quanto no período tardio da produção de Rafael, indicam alguns comentadores, o que leva a pensar essa produção como um desdobramento de certos problemas postos pela arte renascentista.

À primeira geração maneirista ligam-se os nomes de Pontormo (1494-1557) e Fiorentino Rosso (1494-1540), em Florença; o de Domenico Beccafumi (1486-1551) em Siena; e o de Parmigianino (1503-1540), no norte da Itália. Os murais realizados por Pontormo em Certosa di Val d'Ema (1522-1523) são emblemáticos das opções maneiristas.

Neles não se nota nenhum recurso à perspectiva. As figuras, de proporções alongadas e modo anti-natural, encontram-se dissolvidas na composição, cujo movimento é obtido pelos contrastes acentuados. A falta de harmonia vem acompanhada por forte intensidade espiritual e expressão emocional, o que leva Erwin Panofsky (1892-1968) a localizar neles uma influência de certas obras de Albrecht Dürer (1471-1528).

Procedimentos e influências semelhantes podem ser observados em trabalhos de Beccafumi, como Descent of Christ into Limbo (1528).

Uma segunda fase do maneirismo aparece associada a trabalhos de Vasari (Allegory of the Immaculate Conception) - em que se notam influências de Michelangelo - e a obras de Agnolo Bronzino (1503-1572), como Descent into Limbo (1552).

Este trabalho, que comenta o anterior de Beccafumi, conhece nova sistematização: maior firmeza dos contornos e ênfase acentuada nos aspectos plásticos da composição. Longe da harmonia clássica, a segunda fase maneirista, nos termos de Panofsky, expõe tensões - por exemplo, as derivadas do jogo entre realidade e imaginação - que serão exploradas em seguida pelo Barroco.

Fora da Itália, o maneirismo é associado à obra de El Greco (1541-1614), célebre pelas figuras alongadas pintadas com cores frias que, em sua fase italiana, absorve as inspirações visionárias da obra de Jacopo Tintoretto (1519-1594).

Os artistas franceses ligados à Escola de Fontainebleau conhecem o estilo maneirista pelas mãos de Rosso, que trabalha na decoração da Grande Galeria Real do Palácio de Fontainebleau, de 1531 a 1540.

Nos Países Baixos, o maneirismo se desenvolve principalmente por meio das obras de Bartholomaeus Spranger (1546-1611) e Hans von Aachen (1552-1615).

No campo da arquitetura, o maneirismo conhece a adesão de Giulio Romano (ca.1499-1546), autor da decoração do Palazzo del Tè, iniciado em 1526, na corte de Federico Gonzaga, Mântua, e de Andrea Palladio (1508-1580), responsável por diversos projetos, entre os quais, a Igreja de San Giorgio Maggiori, em Veneza, iniciada em 1566, e o Teatro Olímpico em Vicenza, começado em 1580.

Fonte: www.itaucultural.org.br

Maneirismo

Após o aparecimento de Leonardo da Vinci, Rafael e Michelângelo, muitos artistas italianos tentaram buscar uma nova arte, contrária aos princípios da alta renascença.

Trata-se de uma arte mais turbulenta, em que se buscavam idéias novas, invenções que surpreendessem, insólitas, cheia de significados obscuros e referências à alta cultura. Acredita-se que tenha sido influenciada ainda pela contra-reforma católica e pelo clima de inquietação do momento.

estilo artístico que daí decorre recebe o nome de Maneirismo e faz a passagem entre a alta renascença e o barroco, apresentando alguns elementos ora mais próximo de uma escola, ora de outra. Seu período estende-se de mais ou menos 1520 ao fim do século XVI.

O termo Maneirismo, derivando da palavra italiana maneira (estilo), pode nos dar mais informações sobre esse tipo de arte. Utilizada pelo pintor, arquiteto e teórico de estória da arte da época, Vassari, no sentido de graça, sofisticação, estabilidade, elegância. Por extensão a denominação prosseguiu para a arte análoga à realizada pelo artista.

Entretanto esse novo estilo foi visto com desconfiança pelos críticos até o nosso século. Eles consideravam-na uma arte menor, uma falha de compreensão por parte dos artistas da época sobre a arte dos grandes mestres, imitações sem alma.

O próprio termo Maneirismo, relacionado ao mau gosto e excesso. Entretanto, mais ou menos no período entre as duas guerras mundiais, os artistas de então passaram a ser melhor compreendidos e admirados pelos críticos. Entre as obras de Giorgio Vassari (1511 - 1574), estão os afrescos do grande salão do Palazzo della Cancelleria, em Roma (mostrando a vida do papa Paulo III) .

Entretanto, ele é mais conhecido por seu livro "A Vida dos Artistas" - uma das principais fontes de informações sobre a Itália Renascentista e por seus conceitos e opiniões artísticas que acabaram por pautar, durante longo tempo, o trabalho dos críticos e historiadores de arte que o seguiram.

Dentro do Maneirismo são colocados vários artistas que desenvolveram atividades no período e é grande a diversidade das obras. Entretanto, podemos destacar, como outros nomes importantes, que ajudaram na " formação" da escola (que até hoje não se encontra muito clara para os pesquisadores), além de Vassari, Rosso Fiorentino (1494 - 1540) e Jacopo Pontormo (1494 - 1557), na pintura e Benvenuto Cellini (1500 - 1571) e Giovanni da Bologna (1529 - 1608), na escultura e Giulio Romano (1492 - 1546), na arquitetura.

Mas talvez seja na Escola Veneziana que podemos encontrar o maior mestre do período: o pintor Tintoretto (Jacopo Robustini; 1518 - 1594).

Enquanto grande parte dos artistas do período contentavam-se em imitar os mestres, ele utilizou-se de maneira extremamente pessoal e crítica o aprendido com suas maiores influências: Michelângelo e Ticiano.

Era conhecido por sua grande imaginação, por sua composição assimétrica e por produzir grandes efeitos dramáticos em suas obras, sacrificando, às vezes, até as bases da pintura desenvolvida por seus antecessores (como, por exemplo "a suave beleza" de Giorgione E Ticiano).

Seu quadro São Jorge e o Dragão, retratando o auge da batalha entre as duas figuras, através de um jogo de luz e tonalidades, produzem grande tensão. Em alguns países da Europa, (principalmente a França, Espanha e Portugal), o Maneirismo foi o estilo italiano quinhentista que mais se adaptou à própria cultura desses países, encontrando mais seguidores que a própria arte da alta renascença.

Fonte: www.brasilcultura.com.br

Maneirismo

Maneirismo

Maneirismo foi um estilo e um movimento artístico europeu de retoma de certas expressões da cultura medieval que, aproximadamente os anos de entre 1515 e 1610, constituíram manifestação contra os valores clássicos prestigiados pelo humanismo renascentista.

Caracterizou-se pela concentração na maneira.

estilo levou à procura de efeitos bizarros que já apontam para a arte moderna, como o alongamento das figuras humanas e os pontos de vista inusitados.

As primeiras manifestações anticlássicas dentro do espírito clássico renascentista costumam ser chamadas de maneiristas.

O termo surge da expressão a maneira de, usada para se referir a artistas que faziam questão de imprimir certas marcas individuais em suas obras.

Uma evidente tendência para a estilização exagerada e um capricho nos detalhes começa a ser sua marca, extrapolando assim as rígidas linhas dos cânones clássicos.

O certo, porém, é que o maneirismo é uma conseqüência de um renascimento clássico que entra em decadência ou transição do Renascimento ao Barroco.

Uma de suas fontes principais de inspiração é o espírito religioso reinante na Europa nesse momento.

Não só a Igreja, mas toda a Europa estava dividida após a Reforma de Lutero.

Reinam a desolação e a incerteza

Fonte: www.progressao.com

Maneirismo

Pintura

Os pintores tinham como objetivo valorizar a arte pela própria arte.

Uma das principais fontes de inspiração do Maneirismo foi o espírito religioso predominante na época.

Utilizando os mesmos elementos do Renascimento, mas com enfoque diferente, os maneiristas criaram uma arte de labirintos, espirais e proporções estranhas.

Havia uma visível tendência à estilização exagerada. Os corpos bem torneados do Renascimento tomaram formas esguias e alongadas, rostos misteriosos e melancólicos surgiram entre as vestes, os protagonistas dos quadros começaram a não aparecer no centro da figura e um número grande de figuras se comprimem em espaços reduzidos. Há então o aparecimento de planos paralelos completamente irreais

Escultura

Maneirismo

escultura seguiu a mesma linha da pintura maneirista, muitos detalhes, formas desproporcionais e um distanciamento da realidade.

Com formas de proporções estranhas, respeitando entretanto o equilíbrio e a graciosidade da obra.

Suas esculturas apresentavam figuras enlaçadas numa superposição de planos, dispostas umas sobre as outras, numa composição dinâmica.

Um dos grandes escultores do maneirismo foi Giambologna.

Arquitetura

estilo maneirista teve um espírito totalmente diferente das outras formas de expressão artística e arquitetônica, exibindo labirintos, espirais e proporções estranhas, dando efeitos dramáticos e usando as cores de modo arbitrário. A arquitetura maneirista sobressaiu com as construções de igrejas de plano longitudinal, mais longas do que largas, com cúpulas descentralizadas e preocupada com a decoração e a distribuição da luminosidade no espaço.

Maneirismo
Igreja de San Giorgio Maggiore, Veneza, Itália - (XVI)

Nas igrejas

As naves escuras, iluminadas apenas de ângulos diferentes

Os coros com escadas em espiral

A decoração de interiores exibindo guirlandas de frutas e flores, balaústres com figuras, muros e altares com caracóis, conchas e espiralados.

Nos ricos palácios e casas de campo:

Uso de formas convexas que permitiam o contraste entre luz e sombra

A decoração de interiores exibindo um estilo refinado e ricamente adornado, com afrescos nas abóbadas.

Maneirismo
Igreja do Redentor, Ilha de Giudecca, Veneza

Fonte: www.edukbr.com.br

Maneirismo

O termo maneirismo aplica-se a um movimento amplo e diversificado. Menos que um estilo, o rótulo é mais apropriado para designar um certo estado de espírito, uma perspectiva, um certo ponto de vista sobre a arte e o fazer artístico de um período histórico, compreendido entre 1530 e 1600 aproximadamente.

O termo aparece primeiro na Itália no original maniera, para designar “estilo” na acepção de singular refinamento. Foi usado por Giorgio Vasari na segunda metade do século XVI, para designar as obras de alguns artistas que, segundo este, tinhas traços peculiares onde se ressaltavam a sofisticação e a graça. 

Historicamente, o Maneirismo não gozou de muito prestígio ou de autonomia, sendo considerado durante muito tempo como a fase final e decadente do grande ciclo renascentista, mas hoje é reconhecido como um estilo autônomo e com valor próprio, e que de certa forma apontava para a arte moderna.

Características gerais:

O que distinguiu o Maneirismo dos restantes estilos e em particular na pintura foi uma deliberada revolta dos artistas contra o equilíbrio clássico do Renascimento, explicando-se como uma atitude de modernidade anticlássica e anti-academica , criando um estilo, nas palavras de H. W. Janson "perturbador, voluntarioso, visionário que denuncia uma profunda ansiedade interior".

Assiste-se ao aparecimento das figuras alongadas, retorcidas, em posições afetadas e teatrais, numa busca de movimento nas composições às vezes desequilibradas; as cores usadas são exageradas sem correspondência com as naturais; os enquadramentos são invulgares em que a cena é vista de cima ou de lado e verifica-se uma certa ambigüidade na perspectiva: por vezes aparecem mais do que um ponto de fuga o que dificulta a leitura do quadro, já que não se percebe o que é mais importante.

Enfim, parece ao observador que o pintor teve a intenção de o impedir de avaliar o que está representado pelos padrões da experiência comum.

Em linhas gerais caracterizou-se pela deliberada sofisticação intelectualista, pela valorização da originalidade e das interpretações individuais, pelo dinamismo e complexidade de suas formas, e pelo artificialismo no tratamento dos seus temas, a fim de se conseguir maior emoção, elegância, poder ou tensão. 

Artistas: Parmigianino, Tintoretto, Rosso Fiorentino, Arcimboldo, El Greco, Pontormo entre outros.

Em face a tantas e tão drásticas mudanças, a cultura italiana não obstante conseguiu manter seu prestígio internacional, e o espoliamento de bens que a Itália sofreu pelas grandes potências no fundo serviu também para disseminar sua influência para os mais afastados recantos do continente. Mas a atmosfera cultural reinante já era completamente outra.

A convocação do Concilio de Trento (1545 a 1563) levou ao fim a liberdade nas relações entre Igreja e arte, a teologia assume o controle e impõe restrições às excentricidades maneiristas em busca de uma recuperação do decoro, de uma maior compreensibilidade da arte pelo povo e de uma homogeneização do estilo, e desde então tudo devia ser submetido de antemão ao crivo dos censores, desde o tema, a forma de tratamento e até mesmo a escolha das cores e dos gestos dos personagens.

Veronese é chamado pela Inquisição para justificar a presença de atores e bufões em sua Ceia em casa de Levi, os nus do Juízo Final de Michelangelo têm suas partes pudendas repintadas e cobertas de panos, e Vasari já se sente inseguro de trabalhar sem a presença de um dominicano ao seu lado.

Apesar disso, a arte em si não foi posta em questão, e as novas regras se dirigiam mormente ao campo sacro, deixando o profano relativamente livre.

De fato, antes do que suprimir a arte, a Igreja Católica a usou maciçamente para propagar a fé em sua nova formulação e estimular a piedade nos devotos, e ainda mais como um sinal distintivo em relação aos Protestantes, já que Lutero não via qualquer arte com bons olhos e condenava as representações sagradas como idolatria. Variantes do Luteranismo como o Calvinismo foram ainda mais rigorosas em sua aversão à arte sacra, dando origem a episódios de iconoclastia.

O resultado disso tudo foi um grande conflito espiritual e estético, tão bem expresso pela arte ambivalente, polimorfa e agitada do período: se por um lado a tradição clássica, secular e pagã, não podia ser ignorada e continuava viva, por outro a nova idéia de religião e suas conseqüências para a sociedade como um todo destruiu a autoconfiança e o prestígio dos artistas como criadores independentes e autoconscientes, que foram conquistados a duras penas havia tão pouco tempo, e também revolucionou toda a estrutura antiga de relações entre o artista e os seus patronos e o seu público, sem haver ainda um substituto consolidado, tranqüilo e consensual.

A saída para uns foi se encaminhar para o puro esteticismo, para outros foi a fuga e o abandono da arte, para outros foi a aceitação simples do conflito como não resolvido, deixando-o visível em sua produção, e é nesse conflito entre a consciência individual do artista e as forças externas que demandam atitudes pré-estabelecidas que o Maneirismo aparece como o primeiro estilo de arte moderna e o primeiro a levantar a questão epistemológica na arte. A pressão deve ter sido imensa, pois, como diz novamente Hauser,

"Despedaçados por um lado pela força e por outro pela liberdade, (os artistas) ficaram sem defesa contra o caos que ameaçava destruir toda ordem do mundo intelectual. Neles encontramos, pela primeira vez, o artista moderno, com o seu interior, o seu gosto pela vida e pela fuga, o seu tradicionalismo e a sua rebelião, o seu subjetivismo exibicionista e a reserva com que tenta readquirir o último segredo de sua personalidade. De então em diante, o número de maníacos, excêntricos e psicopatas, entre os artistas, aumenta de dia para dia".

Murray Edelman complementa a idéia dizendo que

"Os pintores e escritores maneiristas do século XVI eram menos "realistas" do que seus predecessores da Alta Renascença, mas eles reconheceram e ensinaram muito sobre como a vida pode se tornar motivo de perplexidade: através da sensualidade, do horror, do reconhecimento da vulnerabilidade, da melancolia, do lúdico, da ironia, da ambiguidade e da atenção a diversas situações sociais e naturais. Suas concepções tanto reforçaram como refletiram a preocupação com a qualidade da vida cotidiana, com o desejo de experimentar e inovar, e com outros impulsos de índole política. (…) É possível que toda arte apresente esta postura, mas o Maneirismo a tornou especialmente visível".. 

Fonte: br.geocities.com

Maneirismo

Maneirismo, arte e arquitetura

Maneirismo é o nome empregado para designar as manifestações artísticas desde 1520, momento quando se inicia a crise do renascimento, até o início do século XVII.

A palavra maneirismo foi utilizada pelos críticos do século XVII como imitação superficial e referenciava os artistas do século XVI.

Maneirismo significa “maneira”; o modo como cada artista trabalha valendo-se do conhecimento da arte renascentista.

Suas principais características são o capricho nos detalhes; uma arte de labirintos, espirais, e proporções estranhas; o contraste entre luz e sombra e uma atmosfera de tensão permanente.

Maneirismo
Convento de Cristo em Tomar Arquiteto Diogo de Torralva.

Desde o final da Idade Média começam a surgir insatisfações por parte da burguesia e monarquia contra a Igreja, que detinha o poder temporal e espiritual sobre a população e cometia abusos de ordem financeira, moral e na política.

Iniciam-se movimentos de Reforma por toda a Europa contra os abusos da Igreja.

A Reforma Luterana (Martinho Lutero e as 95 teses)

A Reforma Calvinista (João Calvino – salvação pelo trabalho justo)

A Reforma Anglicana (Henrique VIII e o Anglicanismo)

A expansão dessas doutrinas protestantes gera uma reação da Igreja católica, que ficou conhecida como Reforma Católica ou Contra-Reforma.

Maneirismo

CONTRA REFORMA

Movimento iniciado pela Igreja Católica que surge como resposta a diversas criticas advindas dos humanistas e “protestantes”.

Companhia de Jesus Com a Companhia de Jesus, os “soldados de cristo” procuravam combater o protestantismo por meio do ensino e expansão da fé católica.

A Inquisição condenou à tortura e à morte milhares de pessoas, e provoca o êxodo de vários artistas da época que fogem de Roma, pois não podiam expressar sua arte senão da maneira como determinava o Index(lista de livros.

Maneirismo
1685 – Inquisição Portugal

Concílio de Trento

Catequização dos habitantes de terras descobertas, através da ação dos Jesuítas

Retomada do Tribunal do Santo Ofício - Inquisição: punir e condenar os acusados de heresias

Criação do Index Librorium Proibitorium ( Índice de Livros Proibidos ): evitar a propagação de idéias contrárias à Igreja Católica.

Maneirismo
Pedro Berruguete - Saint Dominic Presiding over_an_Auto da fe (1475)

Fonte: histoe.dec.ufms.br

Maneirismo

Maneirismo foi um estilo e um movimento artístico que se desenvolveu na Europa aproximadamente entre 1515 e 1600 como uma revisão dos valores clássicos e naturalistas prestigiados pelo Humanismo renascentista e cristalizados na Alta Renascença.

Maneirismo é mais estudado em suas manifestações na pinturaescultura e arquitetura da Itália, onde se originou, mas teve impacto também sobre as outras artes e influenciou a cultura de praticamente todas as nações européias, deixando traços até nas suas colônias da América e no Oriente.

Tem um perfil de difícil definição, mas em linhas gerais caracterizou-se pela deliberada sofisticação intelectualista, pela valorização da originalidade e das interpretações individuais, pelo dinamismo e complexidade de suas formas, e pelo artificialismo no tratamento dos seus temas, a fim de se conseguir maior emoção, elegância, poder ou tensão. É marcado pela contradição e o conflito e assumiu na vasta área em que se manifestou variadas feições.

A palavra deriva do termo italiano maniera, "maneira", indicando o estilo pessoal de determinado autor, e em sua origem no século XVI foi usado por Giorgio Vasari com conotações positivas, significando graça, leveza e sofisticação. Raffaello Borghini o emprega um pouco mais adiante para definir se um artista possui ou não um talento superior e original.

Em seguida escritores como Giovanni Bellori e Luigi Lanzi modificam o conceito e ele passa a significar artificialidade e virtuosismo excessivo, o que iria repercutir negativamente em todos os estudos posteriores até o século XX, quando o estilo começou a ser revisto e revalorizado, especialmente depois da contribuição de Arnold Hauser nos anos 60.

Historicamente o Maneirismo vinha sendo considerado como a fase final e decadente do grande ciclo renascentista, mas hoje é reconhecido como um estilo autônomo e com valor próprio, e que já aponta para a arte moderna.

O crescente prestígio da interpretação do Maneirismo como um estilo por seu próprio direito é reforçado pela tendência da crítica mais atual de rever a aplicação do conceito de Renascimento para a arte européia do século XVI, na constatação de que comparativamente pouco havia sido feito em linhas classicistas fora da Itália até a década de 1510-1520, quando o saque de Roma de 1527 assinala o fim do Renascimento como um movimento unificado e o início "oficial" do Maneirismo italiano.

Embora a esta altura elementos classicistas já estivessem sendo cultivados em vários pontos da Europa, tanto através da influência italiana anterior como de foma independente, é então que eles se expandem de forma decisiva e consistente para além dos Alpes, mas vão encontrar arraigadas tradições góticas ainda em pleno vigor. Da fusão dessas correntes resulta uma diversidade de sínteses ecléticas, a que se atribuiu o nome genérico de Maneirismo internacional.

Por outro lado, diversos autores preferem evitar o termo Maneirismo para descrever o fenômeno da difusão européia do Classicismo e do Humanismo ao longo do século XVI e vê-lo ainda como uma expressão legítima do Renascimento, ou tendem a usá-lo apenas para classificar seletivamente grupos de artistas ou regiões específicas, postulando a coexistência de ambos os estilos nesse período.

Outros ainda empregam a expressão "italianização da Europa" em vez de definí-lo através de conceitos estilísticos ainda imprecisos. O debate está longe de chegar a um consenso.

Maneirismo
Giambologna: O rapto da Sabina, 1582. Florença

Contexto

Maneirismo
Maarten van Heemskerck: O saque de Roma de 1527

O ambiente que deu origem ao Maneirismo foi marcado por profundas mudanças na economia, na política, na cultura e na religião.

Na política a invasão da Itália pela França, Alemanha e Espanha entre o fim do século XV e o início do século XVI levou a uma radical alteração no equilíbrio de forças do continente, culminando no Saque de Roma de 1527, que foi um imenso choque, causando uma devastação que causou espanto mesmo para os padrões da época e levando a uma fuga de artistas e intelectuais para outras paragens.

Neste período Maquiavel sintetiza em seu O Príncipe, publicado em 1532, as práticas políticas correntes, legitimando o uso da força para controle dos súditos e pregando uma moral dupla e um pragmatismo frio e inescrupuloso na administração pública, obra que teve enorme repercussão em sua época e cujo realismo político influiu até mesmo na condução do Concílio de Trento.

A agitação da Reforma Protestante pôs um fim à primazia do Catolicismo e do Papado, mas logo em seguida nasceu a Contra-Reforma, numa tentativa de refrear a evasão de fiéis para o lado Protestante e a perda de influência política da Igreja, ao mesmo tempo tentando moralizar os hábitos corruptos e materialistas do clero, estabelecendo uma nova abordagem do conceito de Deus e alterando a atmosfera de relativa liberdade de pensamento da fase anterior para uma de dúvida, ceticismo, austeridade e medo, com o aparecimento de várias seitas de revivalismo religioso e filosofias contestadoras, e a eclosão de guerras religiosas.

Na economia a abertura de novas rotas comerciais em vista das grandes navegações deixou a Itália fora do centro do comércio internacional, deslocando o eixo econômico para as nações do oeste europeu. Portugal e Espanha se erguiam como as novas potências navais, acompanhados pela França, Inglaterra e Países Baixos.

O ouro e outras riquezas das colônias americanas, africanas e asiáticas afluíam para eles em uma quantidade inaudita, e sustentavam a sua ascensão política. Nos meios de produção surge a industrialização em larga escala, e as oficinas e manufaturas se fundem em companhias cada vez mais poderosas que auferem lucros fantásticos e são dirigidas por capitalistas que separam o comércio e a produção das operações financeiras puramente especulativas, para onde se desloca o peso maior da economia.

As atividades primárias declinam em prestígio, as classes mais baixas perdem toda a segurança e, como esse contexto é instável, ocorrem bancarrotas nacionais na França (1557) e Espanha (1557 e 1575), com conseqüências sérias para grandes massas da população.

Maneirismo
Michelangelo: O Juízo Final, 1534-41. Capela Sistina

Em face a tantas e tão drásticas mudanças, a cultura italiana não obstante conseguiu manter seu prestígio internacional, e o espoliamento de bens que a Itália sofreu pelas grandes potências no fundo serviu também para disseminar sua influência para os mais afastados recantos do continente. Mas a atmosfera cultural reinante já era completamente outra.

A convocação do Concilio de Trento (1545 a 1563) levou ao fim a liberdade nas relações entre Igreja e arte, a teologia assume o controle e impõe restrições às excentricidades maneiristas em busca de uma recuperação do decoro, de uma maior compreensibilidade da arte pelo povo e de uma homogeneização do estilo, e desde então tudo devia ser submetido de antemão ao crivo dos censores, desde o tema, a forma de tratamento e até mesmo a escolha das cores e dos gestos dos personagens.

Veronese é chamado pela Inquisição para justificar a presença de atores e bufões em sua Ceia em casa de Levi, os nus do Juízo Final de Michelangelo têm suas partes pudendas repintadas e cobertas de panos, e Vasari já se sente inseguro de trabalhar sem a presença de um dominicano ao seu lado. Apesar disso, a arte em si não foi posta em questão, e as novas regras se dirigiam mormente ao campo sacro, deixando o profano relativamente livre.

De fato, antes do que suprimir a arte, a Igreja Católica a usou maciçamente para propagar a fé em sua nova formulação e estimular a piedade nos devotos, e ainda mais como um sinal distintivo em relação aos Protestantes, já que Lutero não via qualquer arte com bons olhos e condenava as representações sagradas como idolatria. Variantes do Luteranismo como o Calvinismo foram ainda mais rigorosas em sua aversão à arte sacra, dando origem a episódios de iconoclastia.

O resultado disso tudo foi um grande conflito espiritual e estético, tão bem expresso pela arte ambivalente, polimorfa e agitada do período: se por um lado a tradição clássica, secular e pagã, não podia ser ignorada e continuava viva, por outro a nova idéia de religião e suas conseqüências para a sociedade como um todo destruíram a autoconfiança e o prestígio dos artistas como criadores independentes e autoconscientes, que foram conquistados a duras penas há tão pouco tempo, e também revolucionaram toda a estrutura antiga de relações entre o artista e os seus patronos e o seu público, sem haver ainda um substituto consolidado, tranqüilo e consensual.

A saída para uns foi se encaminharem para o puro esteticismo, para outros foi a fuga e o abandono da arte, para outros foi a aceitação simples do conflito como não resolvido, deixando-o visível em sua produção, e é nesse conflito entre a consciência individual do artista e as forças externas que demandam atitudes pré-estabelecidas que o  Maneirismo aparece como o primeiro estilo de arte moderna e o primeiro a levantar a questão epistemológica na arte. A pressão deve ter sido imensa, pois, como diz novamente Hauser,

Despedaçados por um lado pela força e, por outro, pela liberdade, (os artistas) ficaram sem defesa contra o caos que ameaçava destruir toda ordem do mundo intelectual.

Neles encontramos, pela primeira vez, o artista moderno, com o seu interior, o seu gosto pela vida e pela fuga, o seu tradicionalismo e a sua rebelião, o seu subjetivismo exibicionista e a reserva com que tenta readquirir o último segredo de sua personalidade. De então em diante, o número dos maníacos, dos excêntricos e dos psicopatas, entre os artistas, aumenta de dia para dia".

Murray Edelman complementa a idéia dizendo que

"Os pintores e escritores maneiristas do século XVI eram menos "realistas" do que seus predecessores da Alta Renascença, mas eles reconheceram e ensinaram muito sobre como a vida pode se tornar motivo de perplexidade: através da sensualidade, do horror, do reconhecimento da vulnerabilidade, da melancolia, do lúdico, da ironia, da ambiguidade e da atenção a diversas situações sociais e naturais.

Suas concepções tanto reforçaram como refletiram a preocupação com a qualidade da vida cotidiana, com o desejo de experimentar e inovar, e com outros impulsos de índole política. (...) É possível que toda arte apresente esta postura, mas o Maneirismo a tornou especialmente visível".

Maneirismo 
Rafael: As núpcias da Virgem Maria, 1504. Uma obra típica da Alta Renascença. Pinacoteca de Brera

Definição e características gerais

Maneirismo
Rosso Fiorentino: Moisés defendendo as filhas de Jetro, 1523-24. Uffizi

Maneirismo 
Jacopo da Pontormo: A Deposição da Cruz, 1526-1528. Florença

A definição de Maneirismo e sua delimitação cronológica e geográfica ainda são objeto de vivo debate entre os historiadores da arte, e pouco há de consenso em qualquer aspecto. Nas primeiras análises sistemáticas do estilo, conduzidas no século XIX por críticos como Heinrich Wölfflin e Jacob Burckhardt, esta fase, herdando preconceitos mais antigos, foi carregada com um juízo depreciativo, e maneirista e amaneirada foram qualificativos usados para designar uma arte que era vista como decadente, repulsiva e afetada, que se afastava dos cânones de equilíbrio, harmonia, racionalidade, moderação e clareza consumados na Alta Renascença pela obra de artistas como Rafael Sanzio e na primeira fase de Michelangelo.

A partir do início do século XX críticos como Alois Riegl, Max Dvorák, Walter Friedländer, Nikolaus Pevsner e Erwin Panofsky começaram a compreender o Maneirismo a partir de suas razões internas e características únicas, dentro de uma apreciação mais abrangente, interpretando-o como manifestações positivas, embora não-clássicas, que tinham objetivos expressivos específicos.

Com a contribuição de Arnold Hauser nos anos 60 o estilo foi reconhecido definitivamente, numa abordagem que contextualizou suas causas e significados em termos econômicos, políticos e sociais e explorou suas associações psicológicas.

Em sua visão os alegados excessos maneiristas e suas distorções dos padrões clássicos eram um esforço para romper-se a regularidade e harmonia excessivas e no fundo artificiais do Renascimento, introduzindo uma prática que era mais verdadeira em relação ao tumultuado contexto social e cultural daquele tempo e que espelhava melhor suas angústias e incertezas, substituindo aquele idealismo impessoal que tendia a pairar acima do humano por visões mais pessoais, subjetivas e sugestivas.

Nesse sentido, o Maneirismo foi uma arte de protesto e de oposição à autoridade clássica e às estruturas sociais coletivas de atribuição de valor.

Por outro lado, o período não foi de negação completa dos referenciais clássicos, já que muito das suas feições ansiosas e dinâmicas refletem justamente uma aguda consciência da perda e ausência daquela harmonia, mesmo que ideal e fictícia, e boa parte dos recursos técnicos e formais e das temáticas abordadas ainda olham para o classicismo em busca de inspiração, e considerando que os problemas culturais do século e as contradições entre a tradição e a inovação deveriam ser resolvidos dentro de uma esfera racional, assim como pregavam os renascentistas, ainda que hoje se perceba que esse seu racionalismo estava cheio de subjetividade e psicologismo.

Como diz G. Fasola, "estavam suspensos entre dois mundos". Segundo Arnold Hauser,

"É impossível compreender o Maneirismo se não se compreende o fato de que a sua imitação dos modelos clássicos é uma fuga do caos ameaçador, e que o grande esforço subjetivo das suas formas é a expressão do medo de que a forma venha a cair na luta com a vida, e de que a arte venha a se desvanecer numa beleza sem conteúdo" .

Contudo, é necessário lembrar que uma delimitação meramente cronológica do Maneirismo, que comumente se considera estender entre as primeiras duas décadas do século XVI e o início do seguinte, e a classificação de todos os artistas deste período como maneiristas, são inadequadas.

Elementos que mais tarde seriam chamados maneiristas já são visíveis na obra por exemplo de Donatello, Andrea del Sarto e Mantegna, no século XV; ao longo de todo o século XVI artistas tipicamente maneiristas iriam conviver com outros ainda bastante fiéis ao programa clássico, como o arquiteto Andrea Palladio, o músico Giovanni da Palestrina e alguns representantes da escola veneziana de pintura, e por fim sua fase derradeira já se confunde tanto com o Barroco, que faz sua definição ser considerada por alguns como uma batalha perdida.

Em linhas gerais o Maneirismo foi uma escola marcada pela heterogeneidade, tanto mais que o estilo não se limitou à Itália onde apareceu primeiro, e se espalhou por quase toda a Europa absorvendo diferentes históricos artísticos e estilos regionais.

São encontrados até mesmo numa mesma região artistas que trabalham em estilos mais clássicos e naturalistas, e outros que extrapolam todo o naturalismo e chegam a construir atmosferas de intenso misticismo, como é o caso típico de El Greco, ou de pesadelo, como em Brueghel.

O formalismo anda a passo com o informalismo, o concreto com o abstrato, o lógico com o emotivo e o irracional, numa mescla sintomática da fragmentação da unidade clássica conquistada no Alto Renascimento e logo perdida.

De certa forma o Maneirismo foi uma tentativa de conciliar a espiritualidade da Idade Média com o realismo da Renascença. Oestilo é fortemente palaciano e seus principais expoentes participavam dos círculos ilustrados das cortes e eram eles mesmos muitas vezes perfeitos intelectuais.

Teoria e ensino da arte

Maneirismo
Jacopo del Conte: A pregação de João Batista, 1538

O artista da Renascença tinha a natureza como fonte de inspiração, era ela quem fornecia os padrões que o artista deveria buscar imitar, e seu sucesso se media na proporção em que essa imitação era fiel e sua representação verossímil.

Maneirismo, em contraste, rejeita a cópia servil da natureza e a ela equipara a arte como a fonte da criação e dos padrões. Teóricos como Giovanni Lomazzo e Federico Zuccari acreditavam que a arte tinha um nascimento espontâneo no espírito do artista.

Lomazzo considerava que o artista criava sua arte assim como o gênio divino criava a natureza, e Zuccari via a elaboração artística interna, mental, o disegno interno, como uma manifestação do divino na alma do artista. Contudo, ao mesmo tempo se patenteava o problema de onde essa arte autônoma buscava sua verdade, e se essa "verdade" era crível e aceitável.

A solução encontrada foi a reafirmação do conceito das idéias inatas, encontrado já em Platão, e assim a verdade do artista é verdadeira e deriva de sua participação no espírito divino. Os maneiristas, porém, davam uma maior ênfase à liberdade e à espontaneidade do gênio criador.

Giordano Bruno afirmava que "as regras não são a única fonte da poesia, mas a poesia é que é a fonte das regras, e há tantas regras quantos são os poetas verdadeiros". Pontormo, em carta a Vasari, dizia que a arte mudava a natureza. Nascia uma noção individualista e subjetiva de que arte não se ensina e não se aprende, e de que o artista em essência nasce pronto e não se faz.

Em termos de estrutura de ensino, durante o século XVI ainda vigorava o sistema das antigas guildas ou corporações de ofícios, que preparavam o artista para que dominasse cabalmente o seu métier e o capacitavam para que transmitisse seu conhecimento a outros discípulos.

Eram organizações mais ou menos informais de transmissão de conhecimento, nascidas organicamente da necessidade, ainda que as relações entre mestre e discípulo fossem bem definidas e a autoridade do mestre incontestável.

Mas o artista era socialmente apenas um artesão qualificado. Com o evoluir da Renascença o artista iniciou um caminho de independência, adquiriu uma cultura mais vasta e completa, buscando uma emancipação liberal do sistema antiprogressista das guildas para elevá-lo acima do mero artesão.

Essa independência começou a ser abalada com as novas determinações do Concílio de Trento e com o nascimento da idéia de normatização do ensino artístico.

Paralelamente a esses movimentos reguladores de fundo teológico e técnico-pedagógico, emerge uma requalificação dos critérios valorativos e uma recategorização das artes e dos sistemas de conhecimento, e nesse contexto à procura de uma ordem nova e geral se estrutura a primeira academia de arte, a Accademia del Disegno, estabelecida em Florença por Cosimo I de' Medici em 1561, sob incentivo de Giorgio Vasari, pintor, teórico e biógrafo dos artistas do Renascimento.

Esta academia, porém, não tinha fins somente educativos, possuía antes um caráter de distinção pública, somente artistas já consagrados e de grande cultura podiam ser admitidos. Paralelamente, eles deveriam ensinar um grupo de alunos selecionados.

Foi apenas no fim do século que Zuccari conseguiu estabelecer a idéia de academia como uma aula pública estável, de caráter profissionalizante e com currículo definido, onde o debate teórico tinha um papel proeminente, embora esse modelo, origem do Academismo, só viesse a florescer de fato entre o século XVII e o século XIX, pois a tradição artesanal corporativa ainda estava por demais arraigada.

Maneirismo
Parmigianino: Madonna do pescoço longo, 1534-40. Uffizi

Maneirismo
Federico Barocci: A Madonna do povo, 1579. Uffizi

Fases do Maneirismo

O período é comumente dividido em duas (ou três, conforme o autor) grandes etapas principais. A primeira vai de c. 1515 a c. 1530 (ou segundo outros até c. 1550), aparece primeiro em Florença, e logo em Roma, e é chamada de fase anticlássica do Maneirismo.

Seus principais representantes haviam amadurecido sob a influência da Alta Renascença, e a obra que desenvolveram forma por isso um contraste muito nítido em relação ao classicismo anterior.

Esta primeira fase também é marcada pelo êxodo de artistas de Roma após o saque de 1527, fortalecendo por toda a Europa a influência do Renascimento italiano, a qual já se notava em vários pontos desde o século XV. Fundaram novos centros regionais e estimularam o trabalho de maior número de artistas. Em grande parte desses países o elemento italiano vai encontrar forte tradição tardo-gótica ainda viva, dando origem a singulares estilos híbridos, que definem o Maneirismo nesses locais.

No período seguinte, às vezes chamado de Alto Maneirismo, o estilo já era dominante em toda a Europa - embora não fosse o único.

Se acentua o intelectualismo e a virtuosidade como elementos essenciais à boa arte, e a originalidade e maniera pessoais encontram dentro da arte profana um terreno livre para pesquisas ainda mais extravagantes. O período coincide, porém, com as reformas doutrinais do Concílio de Trento, como já foi mencionado antes, introduzindo alterações drásticas no modo de representação sacra.

O declínio do Maneirismo na Itália começa por volta de 1580 ou 1590, com uma recuperação dos valores do classicismo naturalista Rafaelesco, como se nota na obra de Annibale Carracci e na fase inicial de Caravaggio, enquanto que o estilo progride em outros países até bem dentro do século XVII, com centros da Renascença tardia se desenvolvendo em especial na França, Países Baixos e na Alemanha, até que se funde gradualmente no Barroco e se extingue em todas as partes.

A expressão maneirista nas artes

Maneirismo
Michelangelo Caravaggio: Jovem mordido por um lagarto, 1593

Pintura

Talvez a mudança mais dramática introduzida pelo Maneirismo na pintura seja a transformação da noção de espaço.

O Renascimento conseguiu construir a representação visual do espaço de modo notavelmente homogêneo, coerente e lógico, baseando-se na perspectiva clássica, colocando os personagens contra um cenário uniforme e contínuo e de acordo com uma hierarquia de proporções que simulava com grande sucesso o recuo gradual do primeiro plano para o horizonte ao fundo.

Maneirismo rompe essa unidade com diferentes pontos de vista coexistindo em um mesmo quadro e com a ausência de uma hierarquia lógica nas proporções relativas das figuras entre si, onde muitas vezes a cena principal é posta à distância e elementos secundários são privilegiados no primeiro plano.

Assim as relações naturalistas são abolidas e o resultado é uma atmosfera de sonho e irrealidade, onde os relacionamentos formais e temáticos são arbitrários.

estilo se manifesta com figuras com proporções alongadas e em posições dinâmicas, contorcidas ou em escorço, em grupos cheios de movimento e tensão, muitas vezes de paralelo impossível com a realidade, e daí seu caráter ser considerado artificialista e intelectualista, em oposição à gravitas tão prezada no Alto Renascimento.

Nota-se forte tendência ao horror vacui, uma aversão ao vazio, cercando a cena principal com uma profusão de elementos decorativos que adquirem grande importância por si mesmos. Também há um senso de experimentalismo no tratamento de temas tradicionais, com a intensificação do drama, e fazendo uso de muitas referências literárias e citações visuais de outros autores, o que tornava as obras de difícil compreensão pelo espectador inculto.

Longe de dar uma lista completa, citamos aqui alguns pintores de maior importância na Itália: Jacopo da Pontormo, Rosso Fiorentino, Michelangelo em sua fase madura, Parmigianino, Francesco Salviati, Giulio Romano, Beccafumi, Agnolo Bronzino, Alessandro Allori, Jacopo del Conte, Federico Barocci, Jacopo Tintoretto, Ticiano, Giuseppe Arcimboldo e Veronese. Na França François Clouet e Jean Clouet e os integrantes da Escola de Fontainebleau. Ao norte Bartholomäus Spranger, Marten de Vos, Cornelis van Haarlem e Joachim Wtewael. William Segar, William Scrots e Nicholas Hilliard na Inglaterra; El Greco e Luis de Morales na Espanha; Diogo de Contreiras, o Mestre de Abrantes, Gaspar Dias, António Nogueira e o Grão Vasco em Portugal.

Maneirismo
Domenico Beccafumi: Queda dos Anjos rebeldes, 1524

Maneirismo
Francesco Salviati: Retrato de jovem florentino, c. 1546-1548. Saint Louis Art Museum

Maneirismo
Giuseppe Arcimboldo: Rodolfo II pintado como Vertumno, deus romano das estações, c.1590-1.

Maneirismo
William Scrots (atribuição): Henry Howard, Conde de Surrey, aos 29 anos, 1546

Maneirismo
Marten de Vos: Juízo Final, 1570

Gravura e desenho

Pouco pode ser acrescentado no terreno da forma e significado ao que já se disse sobre a pintura.

Mas na técnica e usos algumas palavras adicionais são ilustrativas. Nestes gêneros a cor via de regra está ausente e o centro do interesse plástico se concentra na linha e nos valores de luz e sombra que dela se pode obter.

O desenho tem uma origem imemorial, desde a pré-história há registros gráficos artísticos, mas ao longo de toda história da arte ele ocupou uma função subsidiária dos grandes gêneros da pinturaarquitetura e escultura, tendo importância amplamente reconhecida como base e esboço da obra final, mas carecendo de um valor próprio como o resultado acabado do esforço do artista.

Essa situação começou a mudar no Renascimento, e chegando ao Maneirismo já era considerado categoria autônoma no universo das artes. Sua valorização no mercado de arte, contudo, teria de esperar pelo século seguinte. Pontormo, Parmigianino e Tintoretto deixaram obras significativas nessa técnica.

A gravura tem uma história igualmente antiga, e uma evolução semelhante.

No século XV já havia florescentes escolas de gravadores por vários países da Europa, especialmente na Alemanha, Países Baixos e norte da Itália, onde tinha um uso preferencial na ilustração de livros e divulgação de pinturas célebres, mas com diversos praticantes da arte como um gênero autônomo.

A partir da segunda década do século XVI, porém, adentrando o Maneirismo, já não vivem gênios como Dürer e Mantegna, e a cena é dominada por figuras menores que se dedicam antes à cópia de pinturas e desenhos do que à criação. Mesmo assim, diversos copistas possuíram uma técnica impecável, e mais do que isso, enorme sensibilidade para transpor as sérias dificuldades inerentes ao gênero da cópia e produzir resultados de elevado valor.

Por outro lado, este foi um período de extraordinária atividade gravadora, somente comparável à contemporaneidade. Diversas empresas são fundadas para a reprodução de gravuras em larga escala e se desenvolvem novas técnicas. Merecem lembrança como dignos mestres do traço Jacques Bellange, Jean Duvet, Hendrik Goltzius, Maarten van Heemskerck, Ugo da Carpi, Battista Franco Veneziano, Giorgio Ghisi, Daniel Hopfer, Sebald Beham, Ägidius Sadeler e Jacob Matham, entre muitos outros.

Maneirismo
Parmigianino: Sagrada Família com pastores e anjos. Desenho

Maneirismo
Diógenes, c. 1524-29. Gravura de Ugo da Carpi a partir de original de Parmigianino

Maneirismo
Daniel Hopfer: Maria e Jesus. Gravura

Escultura e ornamentos

Maneirismo
Michelangelo: Pietà de Florença, 1550

Maneirismo
Benvenuto Cellini: Saleiro de Francisco I, 1540-1543

Adriaen de Vries: Mercúrio carregando Psiquê para o Olimpo, 1593. Louvre

Maneirismo
Giambologna: Hércules e Nesso, 1599

Na escultura o Maneirismo teve seus precursores em Michelangelo, Jacopo Sansovino e Benvenuto Cellini.

estilo é tipificado por um modelo formal predominante, a figura serpentinata, uma forma basicamente espiralada que tem sua obra-prima no Rapto da Sabina, de Giambologna, ilustrada na abertura deste artigo. A idéia não era nova, de fato remontava aos gregos antigos, que consideravam a linha sinuosa o melhor veículo para a expressão do movimento, inspirados nas formas do fogo crepitando e sempre em ascensão.

Na Alta Renascença o conceito foi retomado por Leonardo da Vinci e Michelangelo, que o transferiram para a figura humana, considerando que em torção ela possuía mais beleza e graça. O termo foi usado pela primeira vez por Lomazzo ao analisar a produção de Michelangelo no terreno escultórico. O escultor certa vez declarou que uma boa composição deveria ser piramidal e serpentinada, como o aspecto das labaredas em uma fogueira, e na verdade se acreditava que apenas esta forma poderia ser veículo de beleza.

Assim o modelo se multiplicou nas esculturas da época, mas também foi adaptado à pintura e arquitetura, neste caso nas escadarias espirais que se tornaram comuns.

A figura serpentinata conheceu tamanho prestígio porque além de sua eficiência plástica, estava carregada de simbologia. Enquanto que a espiral simples, num único sentido, era uma imagem da infinitude, da transcendência, dos ciclos e da metamorfose, a espiral dupla, com dois sentidos, era seu oposto, e significava a mortalidade e o conflito.

No Maneirismo as artes ornamentais continuam em grande voga, seguindo a idéia de Alberti de que constituem "uma forma de luz auxiliar e complementar da beleza", numa concepção de que a Beleza é abstrata, enquanto que o ornamento é material, estabelecendo uma ponte imprescindível entre a idéia e o fenômeno, entre a beleza e as imperfeições da matéria.

Nesse sentido, a escultura também se aplica à enorme quantidade de retábulos, púlpitos, altares e outros elementos decorativos das igrejas, aos frisos e estuques dos edifícios profanos, e também à ourivesaria. Merece especial atenção na Espanha o chamado estiloplateresco de escultura e decoração arquitetural, que deixou obras de extraordinária riqueza e caráter monumental.

Dos escultores do Maneirismo citemos apenas alguns dos mais conhecidos: Michelangelo em sua fase final, Benvenuto Cellini, Bartolomeo Ammannati e Giambologna na Itália; Jean Goujon, Francesco Primaticcio, Pierre Franqueville e Germain Pilon na França; Alonso Berruguete, Juan de Juni e Diego de Siloé na Espanha, e Adriaen de Vries no norte.

Arquitetura

arquitetura maneirista nasce da tradição estabelecida por arquitetos renascentistas como Alberti, Brunelleschi e Bramante no século XV e início do XVI, que retiraram sua inspiração mormente de tratadistas antigos como Vitrúvio e das ruínas romanas, que permaneciam visíveis desde a antigüidade e serviam de memento perene do grandioso passado clássico, cuja influência jamais se perdera de todo para os italianos.

A perspectiva desenvolvida no século XV e a crescente importância do desenho como auxiliar do conhecimento foram elementos fundamentais para o desenvolvimento do estilo arquitetônico classicista, que atingiu um ponto alto em obras como a Capela Pazzi e o Tempietto de Bramante, que consagraram o sistema de proporções e a organização dos espaços típicas do Alto Renascimento.

Maneirismo
Palladio: Palazzo Chiericati, Vicenza

Maneirismo
Bernardo Buontalenti: Gruta, Palácio Pitti

Maneirismo
Juan de Álava: Igreja de Santo Estevão, Salamanca

Estando o classicismo estabelecido com grande homogeneidade no início do século XVI, sua revisão introduzida pelo Maneirismoafetou também o estilo construtivo.

A tradição do tratadismo declina e surge uma nova geração de arquitetos fortemente individualistas que se permitiram grandes liberdades formais e realizaram a transição do Renascimento para o Barroco.

Vasari dizia em sua Vite que os arquitetos anteriores haviam levado a arquitetura a um elevado patamar de qualidade, mas careciam de um elemento que os impediu de atingirem a perfeição - a liberdade.

Descrevendo a arquitetura como um sistema de regras definidas, declarava que os edifícios novos deviam seguir o exemplo dos antigos mestres clássicos, mantendo o conjunto em boa ordem e evitando mistura de elementos díspares. Nessa linha de idéias, ele acrescentava que a liberdade criativa, apesar de cair fora de algumas regras, não era incompatível com a ordem e a correção, e tinha a vantagem de ser guiada pelo juízo do próprio criador. Gradualmente essa posição ganhou ressonância, levando a um abandono da ortodoxia antiga e abrindo espaço para a livre experimentação, tornando-se aceitável a coexistência de pontos de vista diferentes. O exemplo de Michelangelo, considerado por Vasari o único dos mestres da geração anterior a conquistar essa desejada liberdade, e cujo engajamento pessoal e individualista em todas as suas atividades era incomum numa época em que o trabalho coletivo era a regra, conduziu os novos arquitetos a produzirem obras cada vez mais únicas e personalistas. Com isso a metodologia tradicional do alto classicismo entra em crise.

O diálogo entre as várias especialidades artísticas sofre uma ruptura e os arquitetos buscam agora solucionar os problemas da construção dentro da esfera da própria arquitetura, sem a tutela dos literatos e intelectuais, e com um novo senso de profissionalismo. Isso não impediu, contudo, que elementos clássicos continuassem a ser empregados, mas numa abordagem eclética e experimental, e se adequando às demandas da nova sociedade.

Dentre os arquitetos que se destacaram na Itália estão Andrea Palladio, Giulio Romano, Antonio da Sangallo, Giacomo della Porta e Jacopo Vignola. De todos eles Palladio, o mais influente arquiteto do Maneirismo e o que mais tem sido estudado em toda história daarquitetura ocidental, foi talvez também o mais classicista dentre os maneiristas, como se percebe em sua obra-prima, a Villa Rotonda, mas não obstante introduziu variações significativas no cânone clássico, e sua grande série de villas aristocráticas exibem uma extraordinária variedade de esquemas de distribuição de elementos e organização do espaço. Ele e seus contemporâneos desconstróem o cânone jogando com ilusões de perspectiva, alteração nos ritmos estruturais, desvirtuação da funcionalidade de certos elementos e sensível flexibilização nas proporções da volumetria, e sua interpretação do classicismo foi comparada à evolução do idealismo platônico para o empirismo artistotélico.

Nos outros países da Europa a tradição clássica misturou-se a raízes locais, derivadas do Gótico e do Românico, dando origem em Portugal, por exemplo, ao manuelino, com seu monumento máximo no Mosteiro dos Jerónimos, onde o Gótico ainda é a influência mais importante, e deixando marcas também nas suas colônias do Brasil e da Índia. Na Espanha cria o plateresco, um caso único de mescla entre influências clássicas, góticas e mouriscas , com exemplos significativos na Universidade de Salamanca, na Igreja de Santo Estêvão também em Salamanca, na Universidade de Alcalá de Henares e em vários edifícios nas colônias americanas do México e Peru. O final do século veria na Espanha uma retomada do classicismo, com abandono dos excessos decorativos e adoção de maior austeridade.

Na França o classicismo foi logo acolhido com entusiasmo desde fins do século XV, produzindo muitos monumentos arquitetônicos de grande valor como o Castelo de Chambord, o Castelo de Fontainebleau, e partes do Palácio do Louvre, que realizam uma síntese de fato maneirista, associando traços medievais aos da Renascença. Da mesma forma nos Países Baixos formou-se um estilo de construção palaciana bastante peculiar, compacta, muito decorada e com um frontispício elevado, onde a Prefeitura de Antuérpia é um exemplo típico.

Em outros países são significativos o Palácio de Frederiksborg na Dinamarca; na Polônia a Prefeitura de Poznan e a de Zamosc; partes do Castelo de Heidelberg na Alemanha; o Wollaton Hall, o Hardwick Hall, a Burghley House e a Longleat House na Inglaterra, apenas para citarmos um punhado.

Por fim alguns nomes adicionais de arquitetos maneiristas: Bernardo Morando, Michele Sanmichele, Philibert Delorme, Cornelis Floris de Vriendt, Bernardo Buontalenti, Giovanni Battista di Quadro e Robert Smythson.

Maneirismo
Michele Sanmichele: Palazzo Grimani

Maneirismo
Giovanni Battista di Quadro: Prefeitura de Poznan

Maneirismo
Robert Smythson; Wollaton Hall

Maneirismo
Cornelis Floris de Vriendt: Prefeitura de Antuérpia

Música

A música maneirista em linhas gerais mostra, conforme a descrição de Claude Palisca, uma tensão "entre o desejo de preservar um elevado nível de habilidade contrapontística e o impulso de acompanhar as imagens, idéias e sentimentos" descritos no texto. Contudo, o impacto do Maneirismo sobre as artes musicais é possivelmente menos profundo do que em outros campos.

A própria identificação do Maneirismo no terreno musical tem sido matéria de controvérsia, e as tradicionais transferências de conceitos das artes visuais e literatura para a música têm sido vistas muitas vezes como inadequadas.

Por outro lado, Maria Maniates defende a idéia de que o Maneirismo pode ser definido na música do fim do século XVI a partir de seus elementos especificamente musicais, quais sejam: o experimentalismo no campo da harmonia, a exploração de intervalos incomuns na linha melódica, ensaios de música microtonal, tentativas de estabelecimento de um sistema de temperamento igual e a atribuição de novos significados para os elementos da retórica musical que se praticava . Mas não é preciso buscar uma confirmação moderna para detectar o aparecimento um estilo novo na música desse período, pois os próprios músicos da época estavam envolvidos em uma acesa polêmica sobre os novos rumos que sua arte tomava.

Em seu Compendium Musices (1552), Adrianus Coclico descrevia a geração de Guillaume Dufay como musici mathematici (músicos matemáticos), a de Josquin des Prez de musici prestantissimi (músicos admiráveis), mas chamava os seus contemporâneos de musici poetici (músicos poéticos), ou seja, era evidente uma nova sensibilidade no ar

Maneirismo
Niccolò dell'Abbate: O concerto, c. 1550

Fonte: usp.br

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