
O cavalo Mangalarga descende de um cavalo Alter, recebido de D. João VI pelo Barão de Alfenas, cruzado com éguas crioulas escolhidas. Esse trabalho foi iniciado em 1812. A seleção foi continuada pelo seu sobrinho, tenente-mor Francisco Antônio Junqueira, que se estabeleceu no Estado de São Paulo, no atual Município de Orlândia, com fazendas de criar, para onde trouxe dois dos quatro cavalos que constituíram os pilares da raça.
Após sua morte em 1855, seus filhos, João Francisco Diniz Junqueira e Francisco Marcolino (Capitão Chico), continuaram o trabalho, trazendo de Cristina "Telegrama" (1867) e de Cachoeira do Ratis "Jóia" (1873). O melhoramento foi continuado pelos descendentes desses pioneiros e por outros paulistas entusiastas, tendo havido esporadicamente infusões de sangue Árabe, Inglês, Morgan, Andaluz, etc., visando conferir certas qualidades apreciáveis.
O Mangalarga encontra-se no Estado de São Paulo e Estados limítrofes. O Mangalarga de Minas corresponde ainda ao nosso tipo primitivo e não ao atual "standard" do paulista.
Peso de 450 Kg no garanhão e 400 na égua. Estatura: de 154 cm no garanhão (em média 150 cm) e 146 cm nas éguas (em média 144 cm).
As pelagens predominantes são a castanha e a alazã. Ocorre o tordilho em menor proporção, e ainda menos o baio, o negro e o pampa.
Os pêlos são finos e macios e as crinas freqüentemente longas e onduladas. Cabeça: Média, de perfil direito, com tendência a convexo.
Os olhos são pouco salientes, afastados, expressivos, revelando mansidão e vivacidade.
As orelhas são médias, bem implantadas e móveis. A fronte é ampla, as ganachas delicadas, as narinas afastadas, amplas e firmes. Boca medianamente rasgada com lábios iguais.
Musculoso e levemente rodado (pretende-se piramidal), harmoniosamente ligado a cabeça e ao tronco, com crineira abundante e ondulada. Corpo: compacto, de aspecto reforçado, porém bem proporcionado. A cernelha é de tamanho médio e regularmente saliente.
São obliquas, longas e musculadas. O peito: é amplo, musculoso e o tórax profundo, com as costelas arcadas.
E rins curtos e fortes.
São as vezes demasiado grandes, o que é um defeito a corrigir.
É redondo, a garupa ampla, longa, musculosa, inclinada, melhor do que as do outros cavalos nacionais, com cauda implantada a baixo, de crinas abundantes.
Fortes, com articulações salientes e nítidas. As coxas são cheias e musculosas. O ângulo do jarrete é um pouco fechado, amortecendo o andar.
As canelas são secas e limpas, as quartelas bem inclinadas e de bom tamanho e os cascos circulares, largos e duros. Aptidões e outras qualidades: como tipo, o Mangalarga primitivo deveria ser enquadrado na classe do Hackney ("Roadster"), como cavalo de sela e carruagem, pois é um pouco reforçado para cavalo de sela. A tendência moderna, e que vem sendo seguida de 40 anos para cá, entretanto, é de torna-lo mais esguio, menos compacto, e por tanto conferir-lhe maior agilidade, que deve ser um dos característicos do cavalo de sela.
É um cavalo sóbrio, rústico, vigoroso, de muita resistência para as longas caminhadas, dócil, muito elegante, apresentando muito do garbo de seu antepassado, o andaluz. Seu andar característico era a marcha tripedal, porém ultimamente tem-se procurado a diagonal (marcha trotada) e recrimina-se marcha lateral, variação da andadura, tão característica dos cavalos mineiros.
Essa orientação tem reduzido a maciez do andar, que era um dos atributos mais estimados do Manga-larga, porque a marcha trotada é sempre mais áspera que as outras.
Em compensação cansa menos o cavalo e permite sua utilização para a remonta militar, o que é um dos objetivos de seus melhoradores.
Sua multiplicação é feita principalmente para fins esportivos (pólo, caça, etc.), e para cavalo de viagem e serviço de fazendas, mas é possível que venha a ser ainda um cavalo militar, adaptado ás condições do Brasil central, pois anda com muita segurança em terrenos sujos e cheio de obstáculos, devido ao seu andamento alçado, sendo ainda muito bom saltador.
Constituem defeito as largas braçadas laterais, devendo as mãos ser atiradas diretamente para frente, num melhor aproveitamento da potência do animal.
Fonte: www.revistadaterra.com.br