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Manguezais

 

O termo manguezal é utilizado para descrever uma variedade de comunidades costeiras tropicais dominadas por espécies vegetais, arbóreas ou arbustivas que conseguem crescer em solos com alto teor de sal.

O termo "mangue" origina-se do vocábulo Malaio, "manggimanggi" e do inglês mangrove, servindo para descrever as espécies vegetais que vivem no manguezal.

Importância dos Manguezais

Os manguezais são ecossistemas de grande importância no equilíbrio ecológico, sendo um berçário favorável para o desenvolvimento de muitas espécies de animais e plantas. É muito valioso o estudo do manguezal, principalmente para a preservação deste meio. O primeiro contato com um ecossistema de manguezal pode deixar muitas pessoas desapontadas, porém, com o conhecimento desse local tão cheio de vida pode-se ter uma visão completamente diferente. Só quem vivencia diariamente das riquezas de um manguezal sabe o quanto é importante a sua preservação.

Vários produtos podem ser obtidos dos manguezais como remédios, álcool, adoçantes, óleos, tanino, etc... Sua área pode ser utilizada para turismo ecológico, educação ambiental, apicultura, piscicultura e criação de outras espécies marinhas, além de sua principal função que é o de ser berçário de várias espécies vegetais e animais.

As áreas dos manguezais são, portanto, de extrema importância para as populações, uma vez que delas provém boa parte das proteínas (mariscos e peixes), tão essenciais para a subsistência. Curandeiras empregam diferentes produtos vegetais fazendo uso de suas propriedades bactericidas e adstringentes na cura de várias moléstias comuns ao ambiente. O tanino, produto obtido da casca das árvores, serve para proteger as redes e as velas das embarcações.

Como se pode notar o manguezal tem muito a oferecer porém, o seu potencial deve ser utilizado de maneira racional, de forma sustentada, atendendo às suas necessidades de recomposição como período de desovas, perfloração das espécies vegetais, entre outras...

Em todo litoral brasileiro, a pesca do camarão é uma das importantes atividades econômicas, tanto no campo da pesca artesanal como no da industrial. Além dos camarões, outros invertebrados são explorados comercialmente como Iphigenia brasiliensis, Lucina pectinata, Anomalocardia brasiliana, Mytella falcata, Crassostrea brasiliana, Tagelus plebeius, Ucides cordatus, Cardisoma guanhumi e Callinectes danae, todos oriundos dos manguezais.

Clima

Embora seja um ecossistema tropical, também pode ocorrer em climas temperados, sendo normalmente substituído por outros ecossistemas mais adequados às altas latitudes, como as marismas.

Quanto a temperatura e a precipitação pluvial, as condições ideais para desenvolvimento dos manguezais estão próximas às seguintes:

Temperaturas médias acima de 20o C;
Média das temperaturas mínimas não inferior a 15o C;
Amplitude térmica anual menor que 5o C;*
Precipitação pluvial acima de 1.500 mm/ano, sem prolongados períodos de seca.
* Este item ainda esta sobre estudo, pois há manguezais bem representativos com maiores amplitudes térmicas.

Salinidade

A salinidade intersticial é um parâmetro de grande importância uma vez que pode interferir no desenvolvimento de plantas, altura das árvores e diminuição das folhas. As espécies vegetais dos manguezais são plantas halófitas, próprias de ambientes salinos. Embora essas plantas possam se desenvolver em ambientes livres da presença do sal, em tais condições não ocorre formação de bosques, pois perdem espaço na competição com plantas de crescimento rápido, melhor adaptadas à presença de água doce.

Vegetação

As espécies constituintes dos manguezais correspondem a um número limitado de famílias (umas 13) que compreendem de 18 a 20 gêneros. Cada gênero pode estar representado por uma ou por várias espécies e neste último caso as espécies diferem morfologicamente pouco entre sí, isto indica que o fator ecológico é uma força tão considerável, que conseguiu imprimir a espécies de diversas origens taxonômicas, uma morfologia especial e bastante homogênea que as distingue das demais. Por outro lado o extremismo das condições ecológicas e sua homogeneidade através da imensa área tropical e a especialização pouco desenvolvida.

As espécies variam latitudinalmente, em decorrência do clima e índices pluviométricos.

Manguezais

Características Gerais

Os mangues ocupam no litoral uma área de 25000 Km2, distribuídos ao longo do litoral (desde o Amapá, até Santa Catarina).

O manguezal é um ambiente sujeito a processos marinhos, estuarino e lagunar, podendo ser alterado representativamente pela modificação de processos hidrológicos e hidrodinâmicos, interagentes de sedimentação e de "sistemas vizinhos".

Os bosques de manguezal variam segundo a latitude, o meio físico, a hidrografia e a atmosfera, garantindo a variedade botânica e zoológica.

São cerca de 60 tipos de árvores diferentes e outras 20 associações oferecendo suporte a mais de 200 espécies animais em todo o mundo.

O estabelecimento do ecossistema, onde se instalam árvores e arbustos característicos dos mangues, está vinculado à existência de redutores de sedimentação fina que formam um solo fluido e pouco compactado, dificultando a sustentação, um solo pouco oxigenado na superfície e desprovido de oxigênio abaixo dela.

O substrato é retido pelas raízes e troncos das árvores, absorvendo a matéria orgânica produzida por cada unidade.

DEGRADAÇÃO

Os mais graves efeitos provocados pela superutilização humana dos manguezais são os que acarretam um desmatamento em larga escala. Há destruição total das árvores para uso de lenha e carvão.

Se o processo de desmatamento se associar ao uso de máquinas e ao aterramento, remove-se e a terra (com sementes e plântulas) e a re-colonização da área se torna praticamente impossível.

As retificações de drenagem para evitar inundações locais alteram a rede de drenagem, a jusante do mangue ou em seu interior, causando ressecamento.

Em áreas de desenvolvimento industrial e agrícola, metais pesados, petróleo e seus derivados, pesticidas e herbicidas, quando atingem áreas estuarinas e costeiras a elevadas concentrações, causam disfunções enzimáticas em animais e plantas, causando a possível morte dos manguezais.

Fonte: www.geocities.com

Manguezais

Os manguezais são ecossistemas restritos aos litorais tropicais e subtropicais, os quais desenvolvem-se na zona entre marés e localizam-se, geralmente, na desembocadura de rios.

Estão sujeitos a inundações periódicas por água do mar e água doce, sofrendo flutuações abruptas e pronunciadas de salinidade (Carmo, 1987). São considerados como a interface que liga o ecossistema de terra firme com o ecossistema estuarino costeiro.

No Brasil, os manguezais estão distribuídos em quase todo o litoral, do Amapá a Santa Catarina.

Nossos manguezais estão seriamente ameaçados pela expansão urbana, obras de engenharia, lixões, marinas, aterros e cultivo de camarão.

De todos os ecossistemas, o manguezal é um dos mais produtivos e também o mais vulnerável aos efeitos do desenvolvimento econômico e do crescimento desordenado das populações humanas

O principal valor dos manguezais está na produção e exportação de detritos orgânicos para as águas estuarinas. Os detritos em suspensão nas águas, compostos principalmente por fragmentos de folhas de mangue, formam a base alimentar de diversas espécies de caranguejos, camarões e peixes.

Devido às condições que oferecem, os mangues são considerados ecossistemas altamente produtivos, garantindo alimento, proteção, condições de reprodução e crescimento para muitas espécies de valor comercial.

Os manguezais exercem ainda outras funções, consideradas como benefícios ou serviços gratuitos à comunidade, tais como:

Proteção das áreas de terra firme contra tempestades e ações erosivas das marés; retenção de poluentes;
Retenção de sedimentos finos carreados pelas águas, favorecendo a manutenção dos canais de navegação; manutenção e conservação de estoques pesqueiros do estuário, garantindo a piscosidade na região;
Recreação e lazer (pesca esportiva, turismo ecológico, etc.).

A vegetação arbórea do manguezal é composta por poucas espécies. Todas com adaptações estruturais e fisiológicas para sobreviver nesse ambiente de solo pouco compactado, pouco oxigenado e freqüentemente inundado pelas marés.

Manguezais

Nos mangues da Baixada Santista e de todo o litoral sudeste do país, além de uma variedade vegetais como algas, líquens e bromélias, ocorrem apenas três espécies de porte arbóreo:

Rhizophora mangle (mangue vermelho),
Avicennia schaueriana (mangue negro),
Laguncularia racemosa (mangue branco).

A fauna do manguezal, de acordo com Leonel (1986), inclui um conjunto complexo de animais residentes, semi-residentes e visitantes.

A zona entre-marés é dominada por crustáceos, como o carangueijo-ucá e o carangueijo-aratu, cracas e por moluscos, como ostras e caramujos.

Os semi-residentes são, principalmente, peixes que podem passar uma fase da vida no mangue ou que avançam e recuam diariamente, dependendo da maré.

De modo geral, a maior parte do pescado capturado nas águas litorâneas como tainhas, camarões e robalos dependem da integridade desse ecossistema, pois aí são abrigados durante sua fase jovem e em época de postura.

Nos manguezais da Baixada Santista apesar da destruição, uma parte permaneceu conservada e um bom exemplo podemos ainda encontrar em Bertioga. O acesso é possível através do canal que separa Guarujá de Bertioga onde existe uma população típica de aves aquáticas e também alguns mamíferos como o guaxinim, a lontra e a pequena paca entre outros.

Os manguezais de Santos e de Cubatão são bastante atraentes para as aves aquáticas devido a presença de grandes bancos de lodo com uma grande riqueza em crustáceos e moluscos. No rio Morrão encontra-se um ninhal de aves, onde centenas de guarás além de garças-azuis, garças-brancas e socós-dorminhocos se reproduzem.

Entre as aves migratórias encontre-se a águia-pescadora principalmente durante entre outubro e abril. Já foram observadas até 15 exemplares.

A águia-pescadora também foi avistada durante alguns anos em Bertioga, outras visitantes são as Batuíras-de-bando (entre outubro e abril) e os maçaricos.

Na região dos manguezais de Santos e Cubatão o jacaré-de-papo-amarelo ainda está sendo caçado para a obtenção de sua carne, ou em alguns casos, são mortos e deixados apodrecer.

Fonte: www.guiaguaruja.com.br

Manguezais

O Brasil tem uma das maiores extensões de manguezais do mundo. Estes ocorrem ao longo do litoral Sudeste-Sul brasileiro, margeando estuários, lagunas e enseadas, desde o Cabo Orange no Amapá até o Município de Laguna, em Santa Catarina. Os mangues abrangem uma superfície total de mais de 10.000 km², a grande maioria na Costa Norte. O Estado de São Paulo tem mais de 240 km² de manguezal.

O mangue é um ecossistema particular, que se estabelece nas regiões tropicais de todo o globo. Origina-se a partir do encontro das águas doce e salgada, formando a água salobra. Este ambiente apresenta água com salinidade variável, sendo exclusivo das regiões costeiras.

No Brasil, os mangues são protegidos por legislação federal, devido à importância que representam para o ambiente marinho. São fundamentais para a procriação e o crescimento dos filhotes de vários animais, como rota migratória de aves e alimentação de peixes. Além disso, colaboram para o enriquecimento das águas marinhas com sais nutrientes e matéria orgânica.

No passado, a extensão dos manguezais brasileiros era muito maior: muitos portos, indústrias, loteamentos e rodovias costeiras foram desenvolvidos em áreas de manguezal, ocorrendo uma degradação do seu estado natural.

É uma pena que esse tão importante ecossistema sofra intensa exploração pelo homem, que retira mariscos, ostras e peixes em quantidades elevadas.

Derrubam-se árvores para a extração do ranino, da casca e para fazer carvão. O mangue é alvo da especulação imobiliária, que aterra suas áreas para a construção de casas, marinas e indústrias. Suas águas são alvo de esgotos domésticos e industriais.

Os manguezais fornecem uma rica alimentação protéica para a população litorânea brasileira: a pesca artesanal de peixes, camarões, caranguejos e moluscos, que são para os moradores do litoral a principal fonte de subsistência.

O manguezal foi sempre considerado um ambiente pouco atrativo e menosprezado, embora sua importância econômica e social seja muito grande. No passado, estas manifestações de aversão eram justificadas, pois a presença do mangue estava intimamente associada à febre amarela e à malária. Embora estas enfermidades já tenham sido controladas, a atitude negativa em relação a este ecossistema perdura em expressões populares em que a palavra mangue, infelizmente, adquiriu o sentido de desordem, sujeira ou local suspeito. A destruição gratuita, a poluição doméstica e química das águas, derramamentos de petróleo e aterros mal planejados são os grandes inimigos do manguezal.

Nos manguezais, as condições físicas e químicas existentes são muito variáveis, o que limita os seres vivos que ali habitam e freqüentam. Os solos são formados a partir do depósito de siltes (mineral encontrado em alguns tipos de solos), areia e material coloidal trazidos pelos rios, ou seja, um material de origem mineral ou orgânica que se transforma quando encontra a água salgada.

Estes solos são muito moles e ricos em matéria orgânica em decomposição. Em decorrência, são pobres em oxigênio, que é totalmente retirado por bactérias que o utilizam para decompor a materia orgânica. Como o oxigênio está sempre em falta nos solos do mangue, as bactérias se utilizam também do enxofre para processar a decomposição.

O fator mais importante e limitante na distribuição dos manguezais é a temperatura. Um fato interessante de se observar é a altura das árvores. Na região Norte, elas podem alcançar até trinta metros. Na região Sul, dificilmente ultrapassam um metro. Quanto mais próximas do Equador, maiores. As plantas se propagam a partir das plantas filhas, chamadas de propágulos, que se desenvolvem ligadas à planta mãe. Esses propágulos soltam-se e se dispersam pela água, até atingirem um local favorável ao seu desenvolvimento. As plantas típicas do mangue se originaram na região do Oceano Índico e se espalharam a partir daí para todos os manguezais do mundo.

Importância dos manguezais

Os manguezais desempenham importante papel como exportador de matéria orgânica para os estuários, contribuindo para a produtividade primária na zona costeira. Por essa razão, constituem-se em ecossistemas complexos e dos mais férteis e diversificados do planeta. A sua biodiversidade faz com que essas áreas se constituam em grandes "berçários" naturais, tanto para as espécies típicas desses ambientes, como para animais, aves, peixes, moluscos e crustáceos, que aqui encontram as condições ideais para reprodução, eclosão, criadouro e abrigo, quer tenham valor ecológico ou econômico.

Com relação à pesca, os manguezais produzem mais de 95% do alimento que o homem captura no mar. Por essa razão, a sua manutenção é vital para a subsistência das comunidades pesqueiras que vivem em seu entorno.

Com relação à dinâmica dos solos, a vegetação dos manguezais serve para fixar os solos, impedindo a erosão e, ao mesmo tempo, estabilizando a linha de costa.

As raízes do mangue funcionam como filtros na retenção dos sedimentos. Constituem ainda importante banco genético para a recuperação de áreas degradadas, por exemplo, como aquelas por metais pesados.

Caranguejo

De um caranguejo, as partes com mais carne são as patas da frente, terminadas em pinça. O resto do bicho é quase todo descartado. Quando catavam caranguejos, os povos da floresta retiravam-lhes só a pinça. Como qualquer crustáceo, a pata regenera e o bicho não é sacrificado. Assim, nunca faltaria caranguejo no mangue. Os caiçaras caranguejeiros também têm seus princípios que, de forma consciente ou não, atuam a favor da conservação dos crustáceos.

Quase sempre desprezam as fêmeas, que são menores e têm pouca carne. Fêmeas ovadas, nem pensar. Quando enterram a mão em uma toca, percebem pelo tato se é fêmea ou macho.

Antigamente, quando ninguém dependia do caranguejo para sobreviver, os bichos eram capturados só na época da "andada", quando são menos ariscos e saem de suas tocas caminhando vagarosamente, totalmente vulneráveis. O estranho comportamento está ligado à época da reprodução. No litoral baiano, dizia-se que andavam ao atá - o mesmo que andar à toa ou às tontas. Hoje, há populações litorâneas que vivem quase exclusivamente da coleta dos caranguejos. São chamados de "povos da lama".

Além da atividade ter se intensificado, muitos catadores passaram a coletá-los indiscriminadamente. Não se sabe com exatidão, mas há indícios de que a população de caranguejos está se ressentindo.

São duas as espécies encontradas no país que têm interesse econômico, pela abundância e porte avantajado: o caranguejo-uçá e o guaiamu ou guaiamum. O primeiro vive no interior do mangue, na parte sob influência das marés; o outro, nas bordas, em locais mais secos, sombreados pelas matas ciliares.

No Estado de São Paulo, o guaiamu virou uma espécie rara, devido à pesca excessiva e principalmente pela destruição de seu hábitat.

Fonte: www.apremai.org.br

Manguezais

 

Manguezais
Manguezal

Características gerais e distribuição dos mangues

Os manguezais ou mangues são biomas litorâneos, onde o solo é lodoso e salgado. Formam-se junto a desembocaduras de rios e em litorais protegidos da ação direta do mar, tais como baías de águas paradas ou litorais guarnecidos por dique de areia. Durante a maré cheia, o solo do mangue fica coberto por água salobra.

Os manguezais se estendem por toda a costa brasileira, com interrupção nas regiões de litoral rochoso. Existem mangues bem desenvolvidos no Pará, Amazonas, Maranhão, Bahia, Rio Grande no Norte, São Paulo e Paraná.

Os Manguezais não se restringem estritamente à orla marítima, mas podem penetrar vários quilômetros no continente, seguindo o curso dos rios cujas águas se misturam com o mar durante as marés cheias. Em Belém (PA) e São Luís (MA), a vegetação típica de mangue penetra até cerca de 40 Km pelo interior.

Mangues internos também são encontrados no litoral sul de São Paulo, na região de Cananéia, e no litoral norte do Paraná, nas regiões de Ararapira e do Parque Nacional do Superagui.

A distribuição tão ampla dos manguezais, em estados do norte e do sul, mostra que esse bioma é pouco afetado pelo clima, e suas características se devem predominantemente a fatores edáficos, isto é, relativos ao solo.

Este é formado por areia fina e lodo e apresenta teor variado de sal, dependendo de sua proximidade e contato com a água do mar. Pelo fato de estar constantemente salgado, o solo do mangue é pobre em gás oxigênio, o que determina a sobrevivência apenas de bactérias anaeróbicas produtoras de gás sulfídrico, que lhe confere um cheiro característico.

Vegetação e fauna

Com relação à vegetação predominante, a população caiçara distingue três tipos de manguezal:

a) o "mangue-vermelho", em que predomina a espécie Rhizophora mangue popularmente conhecida como "mangue-bravo";
b)
o "mangue- branco", em que predomina a espécie lagunaria racemosa, popularmente chamada "mangue-manso";
c)
o "mangue-seriba"ou "mangue-siriúba", em que predominam espécies do gênero Avicennia.

Esses três tipos de mangue estão presentes, juntos ou separados, nas diversas regiões do Brasil. Não há vegetação rasteira nos manguezais, e são poucas as plantas epífitas presentes, entre elas algumas orquídeas e bromeliáceas.

O "mangue-vermelho" Rhizophora mangle é um arbusto facilmente identificado por suas raízes de formato arqueado, que apoiam a planta no chão, aumentando sua área de sustentação -- uma nítida adaptação ao solo pouco firme do manguezal. Rhizophora mangle atinge, normalmente, entre 3 e 6 m de altura, mas em mangues mais internos, pode chegar a 12 m.

A Avicennia tomentosa, popularmente chamada "siriúba", ocorre mais freqüentemente nos manguezais próximos à orla marítima. Sua principal característica é apresentar raízes cujas extremidades afloram perpendicularmente ao solo, os pneumatóforos Uma adaptação curiosa apresentada pela Avicennia tomentosa é a germinação da semente dentro do fruto, ainda preso à planta-mãe.

A jovem planta resultante da germinação tem uma raiz reta e duas folhas opostas, assumindo o aspecto de um dardo. Ao cair, a raiz se orienta perpendicularmente e penetra, como uma seta,no solo lodoso. Essa adaptação garante que a semente não seja sepultada pelo lodo salgado.

Outra adaptação curiosa das plantas do manguezal é o alto potencial osmótico de suas células, muito maior do que o das células de plantas que vivem em outras regiões. Trata-se de uma adaptação fisiológica relacionada com a absorção de água pelas raízes.

Graças ao potencial osmótico elevado, as plantas do mangue desenvolveram alto poder de sucção celular, o que é necessário para retirar, por osmose, água do solo salgado.

Nos manguezais vivem diversas espécies de caranguejos e moluscos. Também são encontradas aves aquáticas, entre as quais garças e diversas espécies de pássaros.

Fonte: www.iesambi.org.br

Manguezais

Os manguezais são ecossistemas que portam comunidades vegetais típicas de ambientes alagados, resistentes à alta salinidade da água e do solo. Colonizam as costas tropicais e subtropicais, estando presentes nas Américas, África, Ásia e Oceania.

No Brasil, os manguezais ocorrem desde o Cabo Orange no Amapá, até a cidade de Laguna em Santa Catarina.

No passado, a extensão dos manguezais brasileiros era muito maior: muitos portos, indústrias, loteamentos e rodovias costeiras foram desenvolvidos em áreas de manguezal.

Os manguezais não são muito ricos em espécies, porém, destacam-se pela grande abundância das populações que neles vivem. Por isso podem ser considerados uns dos mais produtivos ambientes naturais do Brasil.

O estuário é a faixa de transição entre os ambientes terrestre e marinho. É onde a água salgada do mar se encontra com a água doce do rio. Dessa mistura surge um solo alagado, salino, rico em nutrientes e em matéria orgânica.

Poucas plantas estão aptas a sobreviver num local inundado pelo mar e com pouco oxigênio, mas isso não impede que florestas cresçam na água salobra. Os manguezais têm diferentes tipos de árvores, como o mangue vermelho, mangue branco, mangue preto e o mangue botão.

Em apenas cinco anos, uma árvore de mangue fica adulta e reproduz, podendo chegar a 20 metros de altura. Suas raízes são capazes de passar períodos ficando cobertas pela água do mar e conseguir o oxigênio que não encontram no solo.

É o caso das raízes chamadas 'pneumatóforos', que deixam uma ponta fora da lama, ajudando a planta a 'respirar'. Bromélias e orquídeas são outras espécies da flora do manguezal. Quanto a fauna, destacam-se as várias espécies de caranguejos, formando enormes populações nos fundos lodosos.

Nos troncos submersos encontram-se vários animais filtradores, tais como as ostras. Uma grande variedade de peixes penetra nos manguezais na maré alta. Muito dos peixes que constituem o estoque pesqueiro das águas costeiras dependem das fontes alimentares do manguezal, pelo menos na fase jovem.

Por esse motivo o manguezal é considerado o 'berçário do mar'.

Diversas espécies de aves comedoras de peixes e de invertebrados marinhos fazem seus ninhos nas árvores do manguezal, alimentando-se especialmente na maré baixa, quando os fundos lodosos são expostos.

Os manguezais fornecem rica alimentação protéica para a população litorânea: a pesca artesanal de peixes, camarões, caranguejos e moluscos é para os moradores do litoral uma das principais fontes de subsistência.

A destruição gratuita, a poluição doméstica e química das águas, derramamento de petróleo e aterros mal planejados, são os grandes inimigos do manguezal. A vegetação do manguezal enriquece e mantém a produtividade das águas costeiras próximas, sustentando os estoques de camarões e de peixes os quais o homem captura para seu consumo.

A fauna do manguezal, possuindo um grande valor nutritivo e econômico para o homem, atrai populações humanas que se instalam nas proximidades do manguezal. As comunidades ribeirinhas mantêm relação de grande dependência com os recursos oferecidos pelo manguezal.

Mulheres e crianças saem durante a maré baixa à procura de mariscos, tanto daqueles que se enterram na lama, como das ostras presas nas raízes do mangue vermelho. Enquanto isso os homens pescam nas águas protegidas dos estuários.

Esses agrupamentos populacionais são pobres e, de um modo geral não recebem apoio dos órgãos governamentais. Entretanto, para que os recursos do manguezal sejam utilizados racionalmente, de forma sustentada, é preciso que o homem entenda melhor o funcionamento desse ambiente.

Deve-se evitar fatos comuns hoje em dia, como a captura de caranguejos durante a época de reprodução, pois justamente nessa fase que ficam mais expostos tornando-se presa fácil.

Assim, a conservação dos manguezais nos leva a duas questões: a social e a ambiental.

A importância social mostra que muitas pessoas vivem do manguezal e dependem desse ambiente para sobreviver. Por exemplo, só em Pernambuco, mais de 20 mil famílias de pescadores sobrevivem da pesca artesanal e da coleta de moluscos e crustáceos.

A importância ambiental mostra que o manguezal é uma verdadeira 'maternidade e berçário' de várias espécies. Um determinado impacto que esteja afetando o manguezal pode desencadear o surgimento de outros, ao longo do tempo. O acúmulo de substâncias tóxicas no ambiente pode ter seus efeitos multiplicados atingindo inclusive a saúde humana.

Mangue Vermelho (Rhizophora mangle) Mangue Branco ou Mangue-Verdadeiro (Languncularia racemosa) Síriba, ou Siriúba (Avicennia schaueriana) também Mangue-Preto. Mangue-Preto (Avicennia germinans) Mangue-de-Botão, Bolota (Comacarpus erectus) Praturá (Spartina)

A costa brasileira apresenta, numa superfície de cerca de 20 mil km2, desde o Cabo Orange, no Amapá, até o município de Laguna, em Santa Catarina, uma estreita faixa de floresta chamada manguezal ou mangue. Este é composto por um pequeno número de espécies de árvores e desenvolve-se principalmente nos estuários e na foz dos rios, onde há água salobra e local semi-abrigado da ação das ondas, mas aberto para receber a água do mar.

Trata-se de ambiente com bom abastecimento de nutrientes, onde, sob os solos lodosos, há uma textura de raízes e material vegetal parcialmente decomposto, chamado turfa. Nos estuários, os fundos lodosos são atravessados por canais de marés (gamboas), utilizados pela fauna para os seus deslocamentos entre o mar, os rios e o manguezal.

O Brasil tem uma das maiores extensões de manguezais do mundo.

Menosprezado no passado, pois a presença do mangue estava intimamente associada à febre amarela e à malária, enfermidades já controladas, a palavra mangue, infelizmente, adquiriu o sentido de desordem, sujeira ou local suspeito.

O manguezal foi durante muito tempo considerado um ambiente inóspito pela presença constante de borrachudos, mosquitos pólvora e mutucas. As florestas escuras, barrentas, sem atrativos estéticos e infectadas por insetos molestantes fez com que, até meados da década de 70, se pensasse que o progresso do litoral marinho fosse equivalente a praias limpas, aterros saneados, portos confinados por concreto e experimentos de cultivo para aproveitar os terrenos dos velhos manguezais.

Embora seja grande a importância econômica e social do manguezal, este enfoque foi em parte responsável pela construção de portos, balneários e rodovias costeiras em suas áreas, diminuindo a extensão dos mangues.

Ao contrário de outras florestas, os manguezais não são ricos em espécies, porém destacam-se pela grande abundância das populações que neles vivem. Por isso podem ser considerados um dos mais produtivos ambientes naturais do Brasil.

Somente três árvores constituem as florestas de mangue: o mangue vermelho ou bravo, o mangue branco e o mangue seriba ou seriuba.

Vivem na zona das marés, apresentando uma série de adaptações: raízes respiratórias (que abastecem com oxigênio as outras raízes enterradas e diminuem o impacto das ondas da maré), capacidade de ultrafiltragem da água salobra e desenvolvimento das plântulas na planta materna, para serem posteriormente dispersas pela água do mar.

A flora do manguezal pode ser acrescida de poucas espécies, como a samambaia do mangue, a gramínea Spartina, a bromélia Tillandsia usneoides, o líquen Usnea barbata (as duas últimas conhecidas como barba de velho e muito semelhantes entre si) e o hibisco.

No Norte do País, as espessas florestas de mangue apresentam árvores que podem atingir 20 metros de altura. Na região Nordeste há um tipo de manguezal conhecido como "mangue seco", com árvores de pequeno porte em um substrato de alta salinidade. Já no Sudoeste brasileiro, apresenta aspecto de bosque de arbustos.

O chão escuro do mangue é coberto por água na preamar. Ricas comunidades de algas crescem sobre as raízes aéreas das árvores, na faixa coberta pela maré, e, entre elas, encontram-se algas vermelhas, verdes e azuis. Os troncos permanentemente expostos e as copas das árvores são pobres em plantas epífitas. Bactérias e fungos decompõem as folhas do manguezal e a cadeia alimentar é baseada no uso dos detritos resultantes desta decomposição.

Quanto à fauna, destacam-se várias espécies de caranguejos, formando enormes populações nos fundos lodosos. As ostras, mexilhões, berbigões e cracas se alimentam filtrando da água os pequenos fragmentos de detritos vegetais, ricos em bactérias. Há também espécies de moluscos que perfuram a madeira dos troncos de árvores, construindo ali os seus tubos calcários e se alimentando de microorganismos que decompõem a lignina dos troncos, auxiliando a renovação natural do ecossistema através da queda de árvores velhas, muito perfuradas.

Os camarões também entram nos mangues durante a maré alta para se alimentar.

Muitas das espécies de peixes do litoral brasileiro dependem das fontes alimentares do manguezal, pelo menos na fase jovem. Entre eles estão bagres, robalos, manjubas e tainhas. A riqueza de peixes atrai predadores, como algumas espécies de tubarões, cações e até golfinhos. O jacaré de papo amarelo e o sapo Bufo marinus podem, ocasionalmente, ser encontrados.

Aves típicas são poucas, devido à pequena diversidade florística; entretanto, algumas espécies usam as árvores do mangue como pontos de observação, de repouso e de nidificação. Estas aves se alimentam de peixes, crustáceos e moluscos, especialmente na maré baixa, quando os fundos lodosos estão expostos.

Entre os mamíferos, o coati é especialista em alimentar-se de caranguejos. A lontra, hábil pescadora, é freqüente, assim como o guaxinim.

Os manguezais, usados pelos homens dos sambaquis há mais de 7 mil anos e, a partir de então, pelas populações que os sucederam, fornecem uma rica alimentação protéica para a população litorânea brasileira. A pesca artesanal de peixes, camarões, caranguejos e moluscos é para os moradores do litoral a principal fonte de subsistência.

Embora protegido por lei, o manguezal ainda sofre com a destruição gratuita, poluição doméstica e química das águas, derramamentos de petróleo e aterros mal planejados.

Lama, lodo, águas escuras, caranguejos e mosquitos. Lugares insalubres e propícios à disseminação de doenças. Assim eram vistos os manguezais, um importante ecossistema existente no Brasil e em outras regiões tropicais do mundo. O processo de ocupação humana no litoral brasileiro provocou, principalmente até meados do século XX, um enorme impacto neste ecossistema. Aterros e desmatamentos, em função da expansão urbana e industrial, reduziram drasticamente as áreas de manguezal. O desconhecimento sobre a importância deste ecossistema fez com que grandes áreas de manguezal fossem destruídas até como forma de melhorar o visual da cidade.

Na tentativa de mudar este quadro, o manguezal é hoje, de acordo com a Lei Federal n.º 4771, Área de Preservação Permanente. Porém, apesar disso, este importante ecossistema continua sendo ameaçado, principalmente devido à falta de fiscalização e de planos de recuperação por parte das autoridades competentes. Mas por que preservar os manguezais? Por que este ecossistema é tão importante?

Características e adaptações

O manguezal é um ecossistema costeiro, que ocorre apenas em lugares com influência de marés e de água salobra, mistura de água doce e salgada. Por isso é comum encontrarmos este ecossistema em regiões estuarinas (local onde um rio deságua no mar), em lagoas e baías. Eles também só ocorrem em pontos da costa onde há depósito de sedimento fino, a argila, daí os manguezais estarem sempre associados à lama. É um ecossistema altamente produtivo, principalmente devido ao grande aporte de nutrientes vindos dos rios que se depositam em seu sedimento. O manguezal é um ecossistema exclusivamente tropical. No Brasil eles ocorrem praticamente ao longo de toda a costa, desde o Amapá até Santa Catarina.

Os mangues, plantas que compõem o manguezal, dominam a paisagem deste ecossistema.

No Brasil ocorrem apenas três gêneros e na região sudeste apenas três espécies: mangue vermelho (Rhizophora mangle), mangue preto ou seriba (Avicennia schaueriana) e mangue branco (Laguncularia racemosa). Além destas três espécies, algumas bromélias, orquídeas e liquens também estão presentes e outras espécies arbóreas são encontradas nas áreas de transição com outros ecossistemas, como o algodoeiro-da-praia (Hibiscus pernambucensis).

A baixa diversidade da flora do manguezal, em contraste com a mata atlântica por exemplo, se deve às condições abióticas às quais este ecossistema está submetido.

Poucas espécies apresentam adaptações para sobreviver num ambiente com uma série de características estressantes como o manguezal.

Por estar recebendo influência de água salobra, tanto as águas quanto o sedimento apresentam altos teores de sal, que são incorporados pelos organismos. O sal, se estiver muito concentrado, pode se tornar tóxico para esses organismos, principalmente para as plantas. As espécies vegetais do manguezal apresentam adaptações para eliminar o excesso de sal através de estruturas chamadas glândulas de sal presentes em suas folhas. Quem estiver visitando um manguezal, pode verificar este fato lambendo uma folha de mangue e sentindo o gosto de sal.

Outro fator ambiental limitante para as plantas é a falta de oxigênio no solo. Além do solo ser compacto em virtude do pequeno tamanho dos grãos, o sedimento, permanece submerso pela maré cheia durante boa parte do dia. As raízes dos mangues, por estarem submersas, teriam dificuldade de absorver oxigênio, já que este gás está muito mais presente no ar do que na água.

Porém, os mangues apresentam raízes peculiares que garantem a sua sobrevivência: raízes aéreas. No mangue preto e no mangue branco, raízes chamadas pneumatóforos emergem de baixo do sedimento em direção ao ar, de maneira que mesmo durante a maré cheia as extremidades das raízes ficam expostas ao ar possibilitando as trocas gasosas por parte das plantas. Já o mangue vermelho apresenta expansões no caule principal contendo lenticelas, que são buracos por onde são feitas as trocas gasosas. As raízes dos mangues são de fundamental importância para segurar o sedimento junto à margem, impedindo a erosão e um conseqüente assoreamento dos rios e canais os quais margeiam.

As plantas do manguezal apresentam uma outra importante característica fundamental na sua sobrevivência: a viviparidade. Ao contrário da maioria das espécies vegetais, onde a semente germina no solo, as sementes do mangue germinam ainda presas à planta mãe, formando uma estrutura chamadas propágulos. Quando atingem determinado tamanho, estes propágulos caem da planta se fixando no sedimento ou então são dispersos pela água até se fixarem em um outro local. Esta adaptação é importante pois uma semente dificilmente germinaria num solo pouco oxigenado e constantemente inundado, além do que a jovem planta teria dificuldade de se fixar num sedimento freqüentemente invadido pelo movimento das marés.

Fauna

A fauna do manguezal também é bem característica. Nele habitam diversas espécies de caranguejos, como o guaiamum, o caranguejo uça e o aratu. Estes organismos são de fundamental importância para a ciclagem de nutrientes do ecossistema. Alimentam –se de folhas que caem das árvores, retalhando-as e possibilitando o ataque por bactérias decompositoras que tornarão os nutrientes novamente disponíveis para as plantas. Além disso, os túneis cavados pelos caranguejos são importantes para a aeração do solo. Muitos outros animais também são encontrados no manguezal, como caramujos, ostras, mexilhões, poliquetos e diversas espécies de peixes.

Muitos animais de outros ecossistemas utilizam o manguezal para obterem seu alimento. Mamíferos, como a lontra e guaxinim, visitam os manguezais durante a noite para caçarem caranguejos e outros invertebrados. Algumas espécies de aves também se alimentam de peixes, caramujos e poliquetos, como é caso do maçarico por exemplo, uma ave migratória do hemisfério norte que habita os Estados Unidos e o Canadá. Durante o inverno nesses países, os maçaricos migram para áreas mais quentes como o Brasil, onde então descansam e se alimentam nos manguezais.

Importância

É comum denominarmos os manguezais como o verdadeiros "berçários da natureza", isto porque diversas espécies de peixes marinhos, como a tainha, o robalo e o baiacú por exemplo, utilizam as águas do manguezal para desovarem. Os filhotes dos peixes, chamados alevinos, nascem e se desenvolvem neste ecossistema antes de voltarem para o mar, pois no mangue eles encontram um ambiente com muito alimento e livre de predadores. Com a destruição dos manguezais, estas espécies de peixe, muitas de interesse econômico, não tem lugar para se reproduzirem. Alguns estudos têm demonstrado que a destruição de manguezais em determinados lugares da costa está associado à diminuição da atividade pesqueira na região.

Como vocês puderam perceber, preservar o manguezal é importante não só para as espécies que nele habitam, mas também para várias outras que dele necessitam, inclusive nós.

Flora

Sendo o manguezal um ecossistema que apresenta características peculiares quanto à salinidade, nível de oxigenação, inundação pela maré e composição do substrato, as espécies vegetais que conseguem ali sobreviver possuem adaptações próprias para enfrentar tais características.

As espécies típicas que ocorrem neste manguezal são: Rhizophora mangle (mangue vermelho); Avicennia schaueriana (mangue siriuba); Laguncularia racemosa (mangue branco) e Spartina alterniflora (capim paraturá), sendo esta última uma gramínea que ocorre nas margens, à frente da vegetação lenhosa.

Nas áreas onde ocorrem derrubada das espécies típicas é comum o aparecimento de populações de Hibiscus pernanbucencis (guaxima do mangue) e Acrostichum aureum (avenção).

Na orla do manguezal, as principais espécies que ocorrem são: Inga affinis (ingá doce), Erythrina speciosa (suinã) e Tabebuia cassinoides (tabebuia do brejo).

Na zona de transição entre o manguezal e outros tipos de vegetação ocorrem as seguintes espécies:

Dalbergia ecastophylla, Paspalum vaginatum, Schinus terebinthifolius (aroeira) e Typha domingensis (taboa).
Deve-se ainda mencionar a presença, nos galhos de R. mangle e L. racemosa da hemiparasita conhecida vulgarmente como "erva de passarinho", da família Loranthaceae, bem como a formação das "balseiras", ilha de vegetação formadas principalmente por Echinochloa sp (cararana), Paspalum repens (canarana) e Eichornia crassipes (aguapé), que descem pelos rios indo por vezes até à Baía de Guanabara.

Fauna

O ecossistema de manguezal apresenta um elevado índice de diversidade biológica, uma vez que sua estrutura propicia um grande número de nichos ecológicos que são utilizados por inúmeras espécies nos diferentes estágios de desenvolvimento. Merece destaque o papel que desempenha como pouso de aves migratórias.

Dentre as espécies encontradas em levantamentos já efetuados, citamos:

Insetos:

Vários tipos de borboletas, lavadeiras, libélulas (Zigoptera e Anisoptera), abelha, mutucas (Tabanidae) e maruins (Ceratopogonidae).

Crustáceos:

Cracas - (Balanus sp).
Aratu - (Goniopsis cruentata).
Siri-azul - (Callinectes danae).
Guaiamu - (Cardisoma guanhumi).
Marinheiro - (Aratus pisonii).
Uçá - (Ucides cordatus).
Chama-maré - (Uca sp).
Camarãozinho-canhoto - (Alpheus heterochaelis).

Moluscos:

Caramujo do mangue - (Melampus coffeus).
Samanguaiá - (Anomalocardia brasiliana).
Macoma - (Macoma constricta).

Peixes:

Tainha - (Mugil sp).
Robalo - (Centropomus sp).
Sardinha - (Sardinella sp).
Bagre - (Tachisurus sp).
Savelha - (Brevoortia tyrannus).
Parati - (Mugil sp).
Acará - (Geophagus brasiliensis).

Répteis:

Jacaré - (Caiman sp).

Aves:

Atobá - (Sula I. Leucogaster).
Binguá - (Phalacrocorax b. brasilianus).
Anhinga - (Anhinga a anhinga).
João-grande - (Fregata magnificens).
Maguari - (Ardea cocoi).
Socozinho - (Butorides s. stiatus).
Garça branca grande - (Casmerodius albus egreta).
Garça branca pequena - (Egretta t. thula).
Garça azul - (Florida caerulea).
Socoí - (Ixobrychus sp).
Socó - (Nyctanassa violacea cayennensis).
Colheiro - (Ajaia ajaia).
Marreca anamaí - (Amazonetta brasiliensís).
Irerê - (Dendrocygna viduata).
Frango d'água - (Gallinula chlropus galeata).
Frango d'água azul - (Porphyrula martinica).
Piaçoca - (Jacana spinosa jacana).
Maçarico-de-coleira - (Charadrius semipal matus).
Anu do brejo - (Crotophaga major).
Alma-de-gato - (Piaya cayana macroura).
Saci - (Tapera naevia).
Martim-pescador grande - (Megaceryle t. torquata).
Pica-pau pequeno - (Picumnus c. cirratus).
Viuvinha - (Arundinicola leococephala).
Sebinho-do-mangue - (Conirostrum b. bicolor).

Mamíferos:

Preá - (Cavia sp).
Capivara - (Hydrochoerus sp).

Janaína Santos

Fonte: www.moisesneto.com.br

Manguezais

O Ecossistema Manguezal

O manguezal é um ecossistema complexo e um dos mais produtivos do planeta.

INTRODUÇÃO

O manguezal é considerado um ecossistema costeiro de transição entre os ambientes terrestre e marinho. Característico de regiões tropicais e subtropicais, está sujeito ao regime das marés, dominado por espécies vegetais típicas, às quais se associam a outros componentes vegetais e animais.

O ecossistema manguezal está associado às margens de baías, barras, enseadas, desembocaduras de rios, lagunas e reentrâncias costeiras, onde haja encontro de águas de rios com a do mar, ou diretamente expostos à linha da costa. A cobertura vegetal, ao contrário do que acontece nas praias arenosas e nas dunas, instala-se em substratos de vasa de formação recente, de pequena declividade, sob a ação diária das marés de água salgada ou, pelo menos, salobra.

A riqueza biológica dos ecossistemas costeiros faz com que essas áreas sejam os grandes "berçários" naturais, tanto para as espécies características desses ambientes, como para peixes e outros animais que migram para as áreas costeiras durante, pelo menos, uma fase do ciclo de sua vida.

LOCALIZAÇÃO DOS MANGUEZAIS NO BRASIL

No mundo existem cerca de 162.000 km2 manguezais.
No Brasil existem cerca de 25.000 km2 manguezais.
Em Pernambuco existem cerca de 270 km2 manguezais.
No Brasil, existem cerca de 25.000 km2 de florestas de mangue, que representam mais de 12% dos manguezais do mundo inteiro.
Os manguezais estão distribuídos desde o Amapá até Laguna, em Santa Catarina, no litoral brasileiro.

PRINCIPAIS ÁREAS ESTUARINAS DE PERNAMBUCO

Goiana e Megaó, Itapessoca, Jaguaribe, Canal de Santa Cruz, Timbó, Paratibe, Beberibe, Capibaribe, Jaboatão e Pirapama, Massangana e Tatuoca, Ipojuca, Maracaípe, Sirinhaém, Rio Formoso, Ilhetas e Mamucabas, Una e Meireles e Persinunga.

VEGETAÇÃO

Os manguezais são encontrados ao longo de todo o litoral, sendo constituídos pelas principais espécies de mangue:

Rhizophora mangle (mangue vermelho),
Laguncularia racemosa (mangue branco),
Avicennia sp (mangue preto, canoé),
Conocarpus erectus (mangue de botão).

A espécie Laguncularia racemosa, merece destaque por ser a única espécie típica de mangue encontrada no Arquipélago de Fernando Noronha, no único manguezal na Baía do Sueste.

FAUNA

A fauna dos manguezais representa significativa fonte de alimentos para as populações humanas.

Os estoques de peixes, moluscos e crustáceos apresentam expressiva biomassa, constituindo excelentes fontes de proteína animal de alto valor nutricional.

Os recursos pesqueiros são considerados como indispensáveis à subsistência das populações tradicionais da zona costeira.

IMPORTÂNCIA DOS MANGUEZAIS

Desempenha importante papel como exportador de matéria orgânica para o estuário, contribuindo para produtividade primária na zona costeira.
É no mangue que peixes, moluscos e crustáceos encontram as condições ideais para reprodução, berçário, criadouro e abrigo para várias espécies de fauna aquática e terrestre, de valor ecológico e econômico.
Os mangues produzem mais de 95% do alimento que o homem captura do mar.
Sua manutenção é vital para a subsistência das comunidades pesqueiras que vivem em seu entorno.
A vegetação de mangue serve para fixar as terras, impedindo assim a erosão e ao mesmo tempo estabilizando a costa.
As raízes do mangue funcionam como filtros na retenção dos sedimentos.
Constitui importante banco genético para a recuperação de áreas degradadas.

UTILIZAÇÃO SUSTENTÁVEL DOS MANGUEZAIS

Muitas atividades podem ser desenvolvidas no manguezal sem lhe causar prejuízos ou danos, entre elas:

Pesca esportiva e de subsistência, evitando a sobrepesca, a pesca de pós - larva, juvenis e de fêmeas ovadas.
Cultivo de ostras.
Cultivo de plantas ornamentais (orquídeas e bromélias).
Criação de abelhas para a produção de mel.
Desenvolvimento de atividades turísticas, recreativas, educacionais e pesquisa cientifica.

IMPACTOS AMBIENTAIS EM ÁREAS DE MANGUEZAL

Os principais fatores que causam alterações nas propriedades físicas, químicas e biológicas do manguezal são:

Aterro e Desmatamento
Queimadas
Deposição de lixo
Lançamento de esgoto
Lançamentos de efluentes industriais
Dragagens
Construções de marinas
Pesca predatória

PROTEÇÃO LEGAL DOS MANGUEZAIS

O manguezal, ecossistema bem representado ao longo do litoral brasileiro, é considerado, no Brasil, como de preservação permanente, incluído em diversos dispositivos constitucionais (Constituição Federal e Constituições Estaduais) e infraconstitucionais ( leis, decretos, resoluções, convenções). A observação desses instrumentos legais impõe uma série de ordenações do uso e/ou de ações em áreas de manguezal (Schaeffer-Novelli,1994).

Constituição Federal de 1988, artigo 225.
Lei Federal nº 9.605/98, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.
Código Florestal – Lei nº 4.771/1965.
Lei Federal Nº 7.661/98, que institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro.
Lei Estadual nº 9.931/1986 - Proteção das Áreas Estuarinas.
Resolução CONAMA nº 04/1985.
Decreto Federal nº 750/93, que dispõe sobre o corte, a exploração, a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica

Andrea Olinto
Ana Cláudia Acioly
Djanira Oiticica Gondim
Eliane Regueira Basto
Jeane Espindula
Marlene Maria da Silva
Vileide de Barros Lins

Fonte: ecologia.ib.usp.br

Manguezais

Manguezais

O manguezal é um ecossistema muito importante para o equilíbrio ecológico. A riqueza do seu solo deve-se, principalmente, aos nutrientes trazidos pelas águas dos rios, que garantem um ecossistema altamente produtivo. O manguezal funciona como um berçário natural para o desenvolvimento de muitas espécies de animais e plantas. Existe em lugares que sofrem a influência de marés, permitindo a mistura da água salgada (do mar), com a água doce (do rio).

Fatores como temperatura e precipitação pluvial influenciam o desenvolvimento do manguezal, assim como as temperaturas médias, que devem ser acima de 20º C e mínimas, de até 15º C. Outro fator importante é a salinidade do solo, que pode interferir no desenvolvimento das espécies do manguezal, como na altura das árvores e na quantidade das suas folhas.

Poucas são as espécies vegetais que possuem condições para sobreviver em um local como o manguezal: inundado pela água do mar, com pouco oxigênio e alta salinidade. As espécies vegetais do manguezal adaptam-se para eliminar o excesso de sal, através das chamadas glândulas de sal, presentes nas folhas. A falta de oxigênio no solo, que permanece submerso pela maré cheia, por um período do dia, é outro fator ambiental limitante para o desenvolvimento das plantas do manguezal.

O Brasil possui 12% dos manguezais do mundo: são 25 mil km2, que se estendem do Cabo Orange, no Amapá, até o município de Laguna, em Santa Catarina.

Os manguezais são encontrados nas Américas, África, Ásia e Oceania.

Os mangues são árvores que compõem o manguezal. Uma árvore de mangue leva cerca de cinco anos para se tornar "adulta", pronta para a reprodução. Nesse estágio, a árvore pode chegar a 20 metros de altura.

Existem cerca de 13 tipos de famílias de mangue, sendo os mais conhecidos: o mangue vermelho (Rizhofora mangle), o mangue branco (Laguncularia erectus), o mangue preto ou canoé (Avicennia sp) e o mangue de botão (Conocarpus erectus).

Além destas espécies, existem grupos de plantas que ocorrem, principalmente às margens ou na borda interior dos manguezais, como as samambaias. Não são espécies exclusivas das áreas de mangues, mas são tolerantes aos diferentes teores de salinidade. Existem ainda outros grupos, que vivem sobre as árvores de mangue, mas sem se utilizar dos nutrientes das árvores hospedeiras, como as bromélias, as orquídeas e os líquens. São as plantas epífitas.

As raízes aéreas do mangue permitem que as árvores obtenham oxigênio no ar, já que na água o ar é menos concentrado. No mangue preto e no mangue branco, as raízes, chamadas pneumatóforas, ficam com uma parte da raiz fora do solo, de forma que, durante as marés cheias, as extremidades da raízes ficam expostas ao ar, para conseguir o oxigênio que não encontram na água.

A fauna do manguezal

Diversas espécies, como o caranguejo, o guaiamum e o aratu habitam os manguezais Além deles, outras espécies, como ostras e mexilhões, estão presentes nos manguezais e se alimentam, filtrando da água os pequenos fragmentos de vegetais. Por isto, são considerados "filtradores naturais". Os caranguejos, ao cavar seus "buracos", ajudam na aeração do solo.

Os moluscos que se prendem aos mangues também têm uma grande importância para os manguezais: eles se alimentam de microorganismos e ajudam a renovação natural do ecossistema.

Os filhotes de peixes, chamados de alevinos, nascem e se desenvolvem neste ecossistema (por isto, os manguezais são considerados maternidade e berçário naturais). Quando a maré está alta, camarões e muitas espécies de peixes do litoral brasileiro, como tainhas e bagres, dentre outros, na fase jovem, aproveitam para entrar no mangue e se alimentar.

A maré baixa é o tempo propício para que as aves se alimentam dos peixes, crustáceos e moluscos dos manguezais.

Nesse ecossistema, também podem ser encontrados mamíferos como o quati, que se alimenta de caranguejos, lontra que é uma hábil pescadora, e o guaxinim.

Muitas espécies de aves fazem os seus ninhos nas árvores dos manguezais. O maçarico é uma ave do hemisfério norte, que habita nos Estados Unidos e no Canadá e que, durante o inverno, migra para as áreas mais quentes do planeta, como o Brasil, onde descansam e se alimentam, nos manguezais.

Percebe-se, assim, que os manguezais têm muito a oferecer. É um ecossistema muito importante para a pesca artesanal de peixes, camarões, caranguejos e moluscos - uma das principais fonte de subsistência para os moradores do litoral.

Fonte: www.cprh.pe.gov.br

Manguezais

Manguezais

Importantíssimos, tanto para a vida animal, como para a vida humana, os mangues ou manguezais constituem-se num dos mais belos e interessantes ecossistemas que existem. Apresentando formas e seres bastante singulares, o mangue desperta a atenção e curiosidade de todos.

Sua vegetação adaptada às condições estuarinas – onde ocorre a mistura da água doce dos rios com a água salgada do mar, é formada por poucas espécies vegetais, bem adaptadas às condições ambientais e quase sempre de aparências exóticas.

Entre elas destacam-se: mangue vermelho (Rhizophora mangue), mangue branco (Laguncularia racemosa) e mangue preto (Avicennia shaueriana).

Os mangues caracterizam-se como áreas de elevada produtividade primária, devido ao acúmulo de matéria orgânica, principalmente: folhas, frutos e restos de animais; formando substrato rico onde desenvolvem-se bactérias, fungos, algas e microorganismos que servem de alimentos para pequenos peixes, camarões, crustáceos e muitos outros seres vivos.

O mangue, além de ser um importante segmento da cadeia alimentar, é um verdadeiro “berçário” natural. É local de proteção, alimentação e reprodução de grande número de espécies de valor comercial. Nas condições ambientais do mangue, os filhotes de muitas espécies ficam desenvolvendo-se até terem tamanho suficiente para viverem em outros ambientes como o mar.

Além de sua importância para as espécies animais, os manguezais são importantíssimos também para os seres humanos. Milhares de famílias, em todo o Brasil, dependem direta ou indiretamente dos recursos existentes no mangue.

Animais como: lambreta, sururu, ostra, caranguejo-uçá, guaiamum, siri, aratu e outros, são fontes fundamentais na alimentação das famílias que vivem próximas dos mangues.

Além da alimentação dos produtos do mangue, também é possível obter-se renda através da venda dos mesmos. As Marisqueiras e Coletores comercializam os produtos do mangue como forma de obter dinheiro para comprar outros itens essenciais para o lar. As crianças, filhos destes profissionais, desde cedo já aprendem o árduo, e ao mesmo tempo divertido, trabalho na lama do mangue.

LEIS QUE PROTEGEM OS MANGUES

Existem vários dispositivos nas leis brasileiras que protegem os manguezais, tanto na esfera federal, como na estadual e municipal. Os mangues são considerados Áreas de Preservação Permanente, conforme o Código florestal, Lei 771, art. 2o, de 15/09/1965; art. 18o da Lei 6.938, de 31/08/1981; Decreto 89.336, de 31/04/1984; e resolução 4 do CONAMA, de 18/09/1985. Assim sendo, não é permitido o corte, destruição ou degradação dos manguezais.

Porém, na prática, as leis têm-se mostrado bastante frágeis na proteção efetiva dos nossos manguezais. O desconhecimento destas leis, pela grande parte da população que vive próxima aos mangues, tem sido um dos principais fatores que levam à destruição dos mesmos. É necessário que as populações que dependem dos manguezais estejam atentas e denunciem aos órgãos responsáveis pela proteção do meio ambiente, qualquer tipo de agressão a este maravilhoso ecossistema.

Fonte: www.costadocacau.com.br

Manguezais

Mangue-vermelho (Rhizophora mangle L.)

Manguezais

O Mangue-vermelho (Rhizophora mangle), popularmente conhecido como “mangue”, é uma árvore típica de ambientes estuarinos como os manguezais e será o nosso objeto de estudo este mês.

Esses ambientes, os manguezais, ganham destaque em função dos inúmeros “serviços ecológicos” e da rica diversidade biológica associada, tornando esta uma das regiões de maior importância conservacionista. Contudo, infelizmente, é também uma das regiões mais ameaçadas em todo o planeta. Neste contexto é que a população do mangue-vermelho encontra grande presença, sendo esta uma das principais espécies vegetais deste tipo de ecossistema.

As árvores de mangue-vermelho são indivíduos pioneiros, ou seja, juntamente com outras espécies são os primeiros a ocupar regiões de transição. Neste caso, são áreas entre o ambiente marinho e a desembocadura de rios de água doce, capazes de desenvolver um solo bastante lodoso, instável e rico em matéria orgânica em decomposição.

Em função da instabilidade do terreno, o mangue-vermelho dispõe de estruturas auxiliares na sustentação da planta. Observa-se notavelmente a existência de ramos laterais que saem diretamente do caule e prendem-se ao substrato.

Tais ramos são conhecidos como raízes adventícias ou de ancoragem, as quais prendem a planta no solo, permitindo que a mesma permaneça firme mesmo com as inundações freqüentes das marés. Ainda, a existência de estruturas especializadas nas raízes do mangue-vermelho permite que a planta consiga realizar trocas gasosas (CO2 e O2), mesmo quando o solo está encharcado.

O íntimo contato com o ambiente marinho torna os manguezais regiões onde a concentração de sal é bastante elevada, limitando outras espécies menos tolerantes de habitá-lo. Somente um número reduzido de espécies, como o próprio mangue-vermelho, tem a capacidade de sobreviver e reproduzir nestes ecossistemas.

Nesta árvore, uma olhada detalhada em suas folhas revela a existência de pequeninas glândulas responsáveis pela eliminação do excesso de sal absorvido pela planta.

Outra importante característica desta árvore está no modo como se reproduz. Ao observarmos uma árvore de mangue-vermelho, em determinadas épocas do ano, nota-se a existência de pequenas estruturas em formato de “caneta”, penduradas nos galhos. Tais estruturas, na realidade, consistem em propágulos da planta, ou seja, um meio de reprodução. Estes propágulos ao se desprenderem caem diretamente no solo, germinando ali, ou então são carregados pelas marés a longas distâncias, colonizando outras regiões estuarinas.

O Mangue-vermelho, apesar de ser uma espécie nativa do Brasil, também é amplamente encontrado em outras partes do mundo, como no continente africano. A grande resistência de seus propágulos, bem como o poder de dispersão dos mesmos, faz com que seja uma espécie muito comum em ambientes estuarinos. Contudo, mesmo assim é uma espécie bastante ameaçada, em função da destruição de ambiente de manguezais.

Além da especulação imobiliária em áreas onde ocorrem estes ecossistemas, o mangue-vermelho sofre com a exploração para o uso de sua madeira, principalmente como lenha. Em função disso, tal espécie, juntamente com as outras que habitam os manguezais, merecem destaque especial, devendo ser protegidas conforme determina a legislação brasileira.

BIBLIOGRAFIA

Estudo do Mangal do Cassende: Rizhophora mangle. Disponível em: <http://www.info-linea.com/epl/veg_rhiz.html > Acesso em: fev. 2008.
LAMBERTI, A. Contribuição ao conhecimento da ecologia das plantas do manguezal de Itanhaém. Tese de Doutorado: Universidade de São Paulo; Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. 1966. 215 f.
MARTINI, F.; LANA, P. da C. Aspectos relativos à proteção dos manguezais da Baía de Paranaguá (Paraná, Brasil). In: Simpósio de Ecossistemas da Costa Brasileira, 3, 1993, Serra Negra, São Paulo, Anais... São Paulo: Academia de Ciências do Estado de São Paulo, Publicação Aciesp, v.1, 1994. p. 107-112.

Fonte: www.ecossistema.bio.br

Manguezais

Manguezais e Estuários

Objetivando um melhor entendimento dos leitores que não tem domínio do tema, para que possam melhor avaliar as condições ambientais de um dos mais belos e ricos ecossistemas existentes, abordamos inicialmente de uma forma geral e depois especificamente sobre aspectos relacionados com o município de São José da Coroa Grande.

Formação

Estima-se que os manguezais tiveram origem há cerca de 60 milhões de anos, no período terciário, quando aconteceu a deriva dos atuais continentes, em decorrência da ruptura da Pangéia ( única massa continental ).

A formação de um manguezal sofre influência de vários fatores, dentre os quais: temperatura, precipitação, evaporação, salinidade, topografia, amplitude de marés, freqüência de inundações, ventos, insolação e aporte de sedimentos.

Estima-se que em cem anos o nível do mar estará entre 0,3 e 0,8m acima do atual, o que irá gerar profundas modificações nas regiões que se encontram os manguezais. Tal condição provocará uma migração dos bosques de mangues em direção as partes mais altas, quando isso for possível, ou o seu desaparecimento.

Localização

Os manguezais estão restritos às zonas entremarés dos litorais e ilhas das regiões tropicais, estando associados aos estuários, baias e lagunas e em locais protegidos dos impactos das ondas, onde a salinidade se situa entre 5 e 30%0, podendo chegar até 90%0, a temperatura média se situa entre 18 e 240C e a precipitação pluvial fica acima de 1.500 mm/ano.

Estima-se que no mundo existam cerca de 160.000 km2 de manguezais, dos quais 25.000km2 estão no Brasil ( em Pernambuco são 270km2 ). No Brasil a área está compreendida desde o Cabo Orange, no Amapá, até Laguna, em Santa Catarina.

Características

Considerado como berçário da vida marinha, o estuário serve de sustento para inúmeras famílias de pescadores e deleite para turistas, pelo ambiente natural e exótico.

Os manguezais são ambientes costeiros dominados por uma vegetação de mangue, com árvores que podem atingir cerca de 20 metros de altura e 100 anos.

Os bosques de mangues podem ser classi ficados de acordo com a localização em ribeirinho ( margeando os rios e riachos ), ilhota ( distribuídos em ilhotas fluviais ) e bacia ( encontrado em áreas mais afastadas dos mangues ). No nordeste existe um tipo de manguezal conhecido como mangue seco, onde predominam árvores de pequeno porte e solo com alta salinidade. Já no sudeste predominam bosques de arbustos.

O solo é formado por uma lama de coloração cinza-escura a preta, rica em sulfeto de hidrogênio ( H2S ), o que causa um odor característico de enxofre ( ovo podre ), principalmente nos manguezais degradados e poluídos.

Na lama predominam raízes e materiais decompostos, formados por areias de origem marinha carreadas pelo vento e correntes marinhas e restos de galhos, folhas e animais, sendo sua superfície rica em matérias orgânicas, que servem de alimento aos peixes e crustáceos.

A escassez de oxigênio nas camadas mais baixas faz com que as raízes se projetem do solo ( raízes-escora e raízes aéreas ), ficando expostas, reduzindo o impacto das ondas das marés e servindo de substrato para ostras e outros organismos. Para dar maior capacidade de oxigenação, brotam das raízes enterradas os pneumatóforos e das raízes aéreas minúsculas estruturas porosas chamadas lenticelas.

O manguezal funciona como filtro e provedor de nutrientes para as espécies e por isso é considerado um dos ambientes mais produtivos. Ostras, mexilhões, moluscos e outros organismos marinhos se alimentam filtrando da água fragmentos de detritos vegetais e de microrganismos que decompõem a lignina dos troncos.

Comunidades de algas vermelhas, azuis e verdes crescem sobre as raízes que estão na faixa das marés. Observa-se ainda que a decomposição de folhas do manguezal por bactérias e fungos é a base da cadeia alimentar

Registra-se ainda que o tanino, extraído da casca do mangue, teve grande serventia até bem pouco tempo, para proporcionar maior resistência ao barro utilizado na fabricação de utensílios e servir como aditivo para a curtição de couros, dando-lhe uma aparência avermelhada.

Ressalta-se que, durante anos, o manguezal foi associado à febre amarela e malária, por causa dos borrachudos, mutucas e mosquitos que habitam a região, além do que desprezado por falta de atrativos turísticos.

Merece ressalva do autor que os manguezais não somente se constituem em uma bela paisagem, como transmitem uma sensação de contato íntimo com a natureza, como se as raízes envolvessem e protegessem seus visitantes, em meio a um silencio quase absoluto.

Apicuns

Os apicuns, também conhecidos como planícies hipersalinas, salgados e salinas, são considerados como parte do ecossistema manguezal, pois se localizam em áreas no interior ou contíguas aos bosques de mangues, razão pela qual devem ser consideradas como áreas protegidas.

Estas zonas de transição, de solo arenoso e vegetação herbácea ou desprovidas de vegetação, têm origem no assoreamento dos manguezais e quase nenhuma fauna, observando-se que em muitos casos são encontradas matérias orgânicas reminiscentes nas camadas inferiores.

Por tais características e também pela discussão relacionada às leis de proteção de manguezais, os apicuns tem sido utilizados como áreas favoráveis à carcinocultura, desconsiderando muitas vezes o impacto que tal atividade causa ao meio ambiente.

Flora

No mundo conhecidas 44 espécies de mangues, entretanto no Brasil somente encontram-se 7. As espécies mais comuns são mangue vermelho, preto e o branco.

Em algumas regiões também são encontradas o mangue-de-botão (Conocarpus erectus), avencão (Acrostichum aureum) e algodoeiro-da-praia (Hibiscus pernambucenis), além de bugi e canoé. Outras espécies crescem sobre o mangue, denominadas de epífitas, compostas por liquens, musgos, bromélias, samambaias e cactos. Nota-se que a maior densidade das espécies de mangue vermelho e preto se deve à alta fecundidade.

Os mangues são espécies halófilas ( se adaptam bem à água salgada ), heliófilas ( necessitam de luz do sol ) e vivíparas, quando as sementes somente caem após o desenvolvimento, conhecidas como propágulos, que podem flutuar pelo estuário por longos períodos, até se fixar em um local adequado, quando são denominados de plântula.

Mangue vermelho

Mangue vermelho - ( Rhizophora mangle, Rhizophora racemosa e Rhizophora harrisonii ), conhecido como verdadeiro, bravo, sapateiro ou gaiteiro, tem raízes-escora ou rizóforos, que dão estabilidade e raízes adventícias, que brotam de troncos e galhos em forma de arco para o substrato. Quando raspado, mostram uma tonalidade avermelhada. Se adaptam bem às águas com salinidade de 50%0 e tem área média de dispersão de 35%. É muito utilizado para a confecção de lastros de camas, cercas e cobertura de palhoças e casas, assim como na curtição de couro e adição em barro para fabricação de utensílios.

Somente a espécie Rizhophora mangle é encontrada do Oiapoque à Santa Catarina, sendo as demais restritas à região norte ( Schaeffer-Novelli,1999 )

Mangue preto

( Avicennia germinans e Avicennia shaueriana ), conhecido como sereíba ou siriúba, tem raízes horizontais e radiais, de onde surgem os pneumatóforos, que crescem verticalmente para propiciar melhor condição de respiração às plantas. O tronco tem uma tonalidade castanho-clara e quando raspado tem uma tonalidade amarelada, as folhas são esbranquiçadas na parte inferior e dão frutos com geometria assimétrica. Se adaptam bem às águas de salinidade até 90%0 e tem área de dispersão média de 10%

Mangue branco

Mangue branco - ( Laguncularia racemosa ), conhecido como tinteira ou manso, possui glândulas chamadas de nectárias junto à base de cada folha e tem raízes horizontais e radias com pneumatóforos. Se adaptam bem a águas de salinidade intermediária e tem área de dispersão de 5%. Frutifica com abundância e os frutos realçam mais que a folhagem

Fauna

A fauna dos manguezais é variada e não exclusiva do ecossistema, tendo capacidade de filtrar e expelir o sal, estando adaptadas às flutuações de marés e sendo classificados em:

Sésseis ( necessitam de substrato para fixação ): ostras, sururus, taiobas, cracas, unhas-de-velho
Arborículas ( vivem sobre troncos e galhos ): aratús-de-mangue, caranguejos-marinheiro.
Rastejadores ( vivem sobre troncos e galhos ): caramujo-do-mangue,
Escavadores ( vivem enterrados ou em galerias ): caranguejo-chama-maré, caranguejo-uçá, guaiamuns
Voadores: insetos, aves, garças, 3 cocos.
Natantes: bagres, saunas, carapebas, baiacus, tainhas, cascudos, manjubas, carapebas, agulhas
Oportunistas ( buscam alimento ): cobras, jacarés, golfinhos, tubarões, peixe-boi-marinho, guaxinins, sagüis

Caranguejo-uçá ( Ucides cordatus )

O caranguejo é uma das espécies características de manguezais, sendo citada como exemplo para demonstrar a vida neste ambiente.

As andadas ocorrem cinco dias por mês durante os meses de janeiro a abril, quando machos e fêmeas saem das tocas para se reproduzirem. Antes da primeira andada, que se dá na primeira lua do ano, seja nova ou cheia e as andadas subseqüentes sempre na mesma lua, os animais espumam demonstrando a fase de cio.

Até maio todas as fêmeas terão desovado.

A fase larval demora dois meses e depois vão para a lama. No inverno os adultos se entocam para engordar. Uma vez por ano, na primavera trocam o exoesqueleto ( carapaça ), quando secretam um líquido branco e em outubro e novembro os caranguejos engordam. As fêmeas carregam os ovos aderidos às cerdas do abdomem até a eclosão.

Não é permitida a captura das fêmeas nem machos com carapaça menor que 5 cm, tamanho que identifica a fase adulta nem os caranguejos no período de reprodução.

O caranguejo-uçá, que constrói galerias que podem atingir até 1,5 metros, contribuindo para a oxigenação dos manguezais, tendo nas folhas o alimento preferido.

Aspectos Econômico e sociais

Os manguezais servem de subsistência para a população das regiões do entorno, de onde tiram o sustento catando espécies como caranguejos, guaiamuns, siris, aratus, ostras e sururus, para alimentação ou venda em geralmente em comunidades vizinhas.

A utilização dos manguezais deve ser feita de forma sustentável, através de uma forma adequada de manejo, pois trata-se de um ecossistema de fundamental importância para a vida marinha. Aliás, estima-se que cerca de 60% dos organismos pescados provém de estuários de manguezais.

Mas a poluição por diversas formas de contaminantes, a devastação por desmatamentos e aterros e a prática da pesca predatória tem causado sérios danos aos manguezais, tornado cada vez menor a produtividade e mais difícil a captura das espécies.

Impactos Ambientais

Consideram-se impactos ambientais as alterações no meio ambiente causadas por atividades naturais ou antrópicas ( causadas pelo homem ).

Os manguezais são muito vulneráveis às alterações, por se encontrarem em áreas litorâneas, onde existe a maior concentração populacional e atividades econômicas.

Os fatores que mais interferem no meio ambiente estão o desmatamento de mangues, para a construção de casas, cercas, camas e lenha, ou objetivando a construção estradas, portos, marinas e tanques para viveiros de camarões.

Os despejos de lixo urbano e industrial, o carreamento de resíduos de pesticidas e fertilizantes utilizados em lavouras e as descargas de águas servidas oriundas da carcinocultura, tem contribuído significativamente para a destruição e contaminação dos manguezais

Pesca Predatória

É nociva para todos os ecossistemas e em especial aos estuários e manguezais, sendo praticada em variados graus de intensidade.

Os apetrechos e produtos mais utilizados na pesca predatória são:

Bombas: que causam a morte por compressão de inúmeras espécies de variados tamanhos
Redes de malha fina:
que capturam espécies minúsculas e outras em processo de extinção
Redinhas e laços:
que aprisionam caranguejos fêmeas ou em idade ainda não reprodutiva
Carrapaticida:
que contamina a área, as espécies e a cadeia alimentar, inclusive o homem.

Carcinocultura

A criação de camarões em áreas próximas de manguezais se constitui em elevado risco ao ecossistema. Transformam a paisagem, avançam sobre os manguezais, captam água limpa dos estuários e devolvem água servida contendo matéria orgânica e elementos químicos nocivos às espécies nativas, em especial com relação à transmissão de doenças, modificando a base da cadeia alimentar e o equilíbrio do ecossistema.

Despejos

Os manguezais sofrem a ação predadora decorrente dos despejos domésticos e industriais, compostos por detergente, vinhoto, herbicidas e metais pesados, por exemplo, causando a morte das espécies. O problema se torna mais grave em épocas de seca, quando o volume dos despejos é maior que a capacidade de diluição e absorção do rio ou estuário.

Há de se considerar a grande contribuição à poluição dos despejos de resíduos sólidos contidos em lixos urbano, industrial e até dos serviços de saúde.

Proteção

As indústrias localizadas próximas de manguezais devem possuir barreiras de contenção secundárias em reservatórios de produtos químicos e estações de tratamento de efluentes, visando bloquear vazamentos e derramamentos.

Outras medidas de proteção devem ser observadas quanto ao despejo de efluente industrial e sanitário, em estado bruto, que causa impacto em variados graus de intensidade.

Remediação

A recuperação das áreas de manguezais representa alto custo, grande dificuldade e elevado tempo, ressaltando-se que, em muitas vezes, os danos são irremediáveis.

As principais variáveis que devem ser consideradas para o estudo e projeto de remediação são: Sensibilidade, vulnerabilidade, susceptibilidade ambiental, hidrodinâmica estuarina ( ventos, ondas, marés ), geoqímica do meio físico ( água superficial, água subterânea, solo, sedimento, vegetação, geologia, biologia aquática, fluxo de descontaminação.

Como exemplo, a remediação das áreas atingidas por derramamentos de derivados de petróleo é uma tarefa complexa, em virtude do tipo dos contaminantes, das condições anaeróbicas do substrato do solo, das dificuldades no acesso e capacidade de diluição dos nutrientes, em decorrência das oscilações de marés.

Principais processos utilizados para remediação ambiental:

Mecânicos: Barreira de contenção, absorvedores, recolhedor mecânico
Químicos:
Aglutinadores, gelatinantes, oxidantes
Biológicos:
Bioremediação
Remediação:
Jateamento, remoção física, controle de fontes,
Disposição:
Aterros sanitários, refinarias, fornos, incinaradores, depósito temporário

Fonte: www.museudouna.com.br

Manguezais

A poucos quilômetros do centro de Ubatuba, os alunos visitaram o Núcleo Picinguaba e puderam observar o quanto é complexa a formação do manguezal. O solo escuro, rico de material orgânico, devido à intensa sedimentação exala um cheiro não muito agradável e por não estar muito consolidado dificulta o nosso andar.

A maioria dos elementos vegetais estão adaptados às oscilações das marés, muitos possuem raízes "pneumatóforas", ou seja, as pontas das raízes ficam fora do solo e existem muitas espécies "halófitas", ou seja, adaptadas ao ambiente com muita salinidade.

Os grupos ficaram espantados com a quantidade de caranguejos observados, um dos animais residentes dos mangues. Feito o reconhecimento da área e ouvidas as explicações, a maioria dos alunos pôde travar uma "saudável" guerra de lama.

Enlameados até o último fio de cabelo, retornamos até a foz do rio, na praia Dura, onde já nos aguardava um suculento lanche. Bem alimentados, ficamos curtindo o que restava da tarde, jogando bola, caminhando e descansando, pois ninguém é de ferro.

ENTRE A TERRA E O MAR

O manguezal é o grupo de plantas que se desenvolvem em zona litorânea, em substrato plano, lodoso, nas margens de estuários (zona de encontro entre o rio e mar), enseadas, lagoas, baías, etc.. Se trata de um tipo singular de vegetação litorânea que não suporta geada e é limitado à habitats salinos ou salubres porque periodicamente são inundados pela maré.

O manguezal possui uma profunda capacidade de adaptação às duras condições; um solo inconsistente e salgado e a deficiência de oxigênio em virtude do alagamento pelas oscilações constantes da maré.

Os manguezais, que delineiam cerca de 25% dos litorais do planeta, só começaram a ser valorizados a partir de década de setenta, quando foram realizados os primeiros estudos atestando sua importância para ecologia.

O manguezal no Brasil aparece em quase toda a extensão litorânea.

As plantas dos manguezais tem sua localização dispersa devido a tolerância das espécies em relação aos diferentes teores de salinidade e aos diversos graus de adaptação ao tipo de solo.

Do mar para o interior do mangue, é predominante a sucessão dos mangues: vermelho, siriúba e branco. O mangue vermelho é encontrado junto ao litoral.

Sucessivamente vem a siriúba. O mangue branco instala-se onde a salinidade é menor.

Os mangues, servem para indicar a vegetação, o solo ou a espécie Rhizophora Mangle (mangue vermelho). As suas sementes germinam no interior do fruto, ainda preso à planta que o formou, de tal modo que as plantinhas só abandonam a planta "mãe" quando têm vários centímetros de comprimento, enterrando-se no solo lodoso do mangue ao caírem.

Esta nova plantinha é capaz de flutuar e, se as condições forem favoráveis (maré baixa), ao penetrar na lama, a sua chance de se enraizar logo é muito grande, formando assim as raízes adventícias.

Com todas essas descrições feitas acima, pode-se dizer que só as espécies mais adaptadas ao meio sobrevivem. Essa adaptação pode se dar em várias características das plantas, como as raízes. Há uma quantidade muito grande de raízes aéreas, em forma de arco. Assim, elas estão aptas para a multiplicação de pontos de apoio, onde elas podem tombar sem cair, resistindo a maiores pressões.

As raízes aéreas asseguram a planta a indispensável areação (pneumatóforos, que são encontradas no mangue branco). Algumas "protuberâncias" nascem verticalmente das raízes que se desenvolvem horizontalmente sobre o lodo.

"Os bosques de mangues, regados pelas marés, protegem os continentes da erosão, reduzem a poluição das praias e, principalmente, garantem comida farta para a fauna dos oceanos." (fonte: Super-Interessante) O mangue evita que as ondas do mar (principalmente em ressaca ou quando a maré esta alta) destruam tudo pela frente, ao alcançarem a terra.

"A cortina verde tramada por essas árvores é capaz de filtrar poluentes, o que reduz a contaminação das praias, impedindo que os produtos do continente sejam despejados nas águas costeiras". Por exemplo quando há desmatamento próximo às áreas litorâneas as raízes aéreas dos mangues retêm os sedimentos do solo, impedindo que eles sejam carregados pelas águas das chuvas e se acumulem no fundo dos mares, o que não permitiria a aproximação de navios, por causa do risco de ficarem encalhados.

Ultimamente alguns manguezais vem sendo destruídos, correndo o risco de desaparecerem do mapa, devido a crescente especulação imobiliária, que freqüentemente aterra esses bosques. Esta destruição faz com que diminuam os peixes da região, prejudicando a pesca artesanal, que sustenta inúmeras famílias brasileiras, não permitindo a realização de um de seus principais papéis, o de fornecedor de alimento.

Explica a bióloga Yara Scheaffer-Novelli, da universidade de São Paulo: "A cadeia alimentar marinha começa nessas florestas", que diz que, "ao ser atacada por fungos e protozoários famintos, a vegetação dos manguezais derruba folhas, frutos e flores, que começam a degradar-se; no chão lamacento, eles se combinam com uma série de proteínas e minerais transportados pela água doce dos rios, chuvas e lençóis freáticos.

O calor do sol, finalmente, ajuda milhões de micróbios, presentes tanto no solo como na água salgada das marés, a terminarem a receita de um caldo nutritivo, que alimenta, por exemplo, os filhotes de camarão.

Essas moléculas de nutrientes são arrastadas pela maré, enquanto baixa, até as áreas costeiras, daí enchem a barriga de larvas e peixes pequenos que, por sua vez, alimentam espécies marinhas maiores e assim por diante."

A fartura de comida típica dos manguezais torna possível sua super população: convivem ali até 10 000 indivíduos;entre peixes, moluscos e crustáceos; por metro quadrado.

Fonte: www.rainhadapaz.g12.br

Manguezais

Ecossistema Manguezal

Em áreas baixas das planícies costeiras, que ficam inundadas nas marés altas e emersas nas marés baixas e onde há encontro de água dos rios e do mar, ocorrem os manguezais.

As águas trazidas pelos rios contêm grande quantidade de argila e matéria orgânica em suspensão. O contato com a água salgada resulta na aglutinação desse material que vai se depositando sucessivamente e formando um solo lodoso, muito úmido, salgado e pouco oxigenado.

Nesse ambiente de águas salobras, uma grande quantidade de microorganismos decompõe ativamente os restos orgânicos existentes, liberando nutrientes que vão enriquecer as águas costeiras, os quais são aproveitados por inúmeras espécies marinhas, o que torna os manguezais um dos ecossistemas mais produtivos da Terra.

No litoral brasileiro existem três tipos de mangue: mangue branco, mangue vermelho e mangue preto (Siriúba). Estas espécies possuem raízes providas de poros, que se projetam para fora do solo pobre em oxigênio e têm capacidade de utilizar esse gás diretamente da atmosfera. Ademais têm glândulas nas folhas, capazes de excretar o excesso de sal absorvido do solo encharcado por água do mar. Nas árvores do mangue as sementes germinam antes do fruto se desprender da planta-mãe de tal modo que, ao cair, já apresentam um embrião bem desenvolvido, provido de pequenas raízes capazes de fixar facilmente no solo lodoso.

Além das árvores, os manguezais abrigam grande variedade de outras plantas e animais característicos. Entre as plantas, destacam-se as epífitas (plantas que vivem apoiadas em outras) como orquídeas, bromélias , samambaias e líquenes.

A fauna do mangue pode ser dividida em três grandes grupos: o primeiro constituído por seres que vivem toda a sua fase adulta nos mangues, como caranguejos, ostras e o jacaré-de-papo-amarelo, o segundo, constituído por aqueles que se utilizam do mangue durante sua fase juvenil, formado principalmente pelos peixes; e o terceiro formado por alguns mamíferos e , em especial, pelas aves marinhas continentais como o papagaio-de-cara-roxa, biguá e as garças.

Fonte: www.brazadv.com

Manguezais

A definição de mangue pode ser dada a partir de uma paisagem vista como um mar de lama, onde floresce um tipo de vegetação arbórea que forma imensos bosques ou espalha-se em pequenas faixas às margens dos oceanos, estuários, lagoas e marés, habitados por milhares de espécies de peixes, moluscos, crustáceos e animais microscópicos.

Os primeiros registros da existência de manguezais na costa brasileira datam da época do descobrimento do Brasil, em 1500, quando Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei de Portugal, D. Manuel, sobre a exuberante beleza geográfica e a abundante riqueza natural da nova terra conquistada, da gente que nela habitava, da fartura de alimentos que nela havia e da fauna e da flora que nela existiam.

No decorrer de toda a história do Brasil, muitos cronistas e historiadores, como José de Anchieta, Macgrave, Piso, Frei Vicente do Salvador, Gabriel Soares, Auguste de Saint-Hilaire e outros, registraram em seus diários de viagens, a presença de uma densa vegetação lenhosa que formava imensos bosques às margens dos oceanos, sob influência das marés.

Segundo dados oficiais, o Brasil possui cerca de 25.000 km de florestas de manguezais, que vão do Cabo Orange, no extremo norte do Amapá, até o rio Araranguá no litoral de Santa Catarina.

Os manguezais são um dos ecossistemas mais importantes e ricos do planeta, povoados por muitos animais e plantas exóticas. Abrigam e alimentam a fauna marinha composta por peixes grandes e pequenos, crustáceos, ostras, mariscos e caranguejos que se reproduzem em abundância e se alimentam das raízes nodosas das árvores e de suas folhas gordas, trituram os materiais orgânicos do solo e com suas carapaças e seus esqueletos calcários desempenham importante papel para a estruturação e consolidação do solo, contribuindo para o equilíbrio ecológico.

Para a natureza, os mangues são considerados uma espécie de maternidade do mar, da fauna e da flora, e para o homem uma importante fonte de alimento, garantindo a sobrevivência da grande população ribeirinha de pescadores.

As aves raras como o pelicano, o guará, as garças brancas e azuis, e os colhereiros, também escolhem as florestas dos mangues para se abrigar e viver na época da reprodução.

Para outros animais de outras florestas servem de refúgio quando ocorrem as queimadas e os desmatamentos.

São funções da vegetação típica dos mangues: evitar a destruição do litoral pela fúria do mar em tempo de maré alta; proteger as áreas ribeirinhas dos rios no período das chuvas; filtrar poluentes evitando que produtos tóxicos sejam despejados diretamente no mar e muitas outras formas de proteção ambiental.

As raízes submersas são utilizadas como fonte para o extrativismo vegetal, retirando-se o tanino, utilizado na curtição e polimento de couros e peles, assim como na pintura das velas de embarcações.

Nas últimas décadas a intervenção humana tem causado prejuízos avassaladores ao meio ambiente. E como todo ecossistema brasileiro, o mangue também tornou-se vítima passiva da degradação ambiental decorrente da pesca e da caça predatórias, desmatamento, assoreamento, erosão, aterramento, lixo urbano, despejos industriais, derramamento de óleo entre outros.

A degradação dos mangues vem causando grande desequilíbrio à fauna marinha de toda costa litorânea brasileira, comprovada pela escassez dos estoques naturais de camarões, peixes, lagostas, caranguejos, siris e muitos outros crustáceos e moluscos habitantes dos mangues e, sobretudo, pelos constantes ataques de tubarões aos banhistas nas praias do litoral pernambucano.

A imensa e bela biodiversidade encontrada no Brasil, que por muitos séculos fora exaltada pelos viajantes em seus diários de viagens, de um lado serviu de tema para os estudiosos e pesquisadores fazerem seus registros, contribuindo de certa forma para a historia do país, e por outro despertou os interesses mercantilistas dos mercadores europeus em suas ações exploratórias das riquezas naturais do Brasil, que tiveram início com a devastação da Mata Atlântica para a extração e contrabando do pau-brasil, da caça e pesca predatória da fauna, da extração de minérios e pedras preciosas.

Estudos feitos por biólogos e ambientalistas mostram que a chegada dos colonizadores portugueses e a crescente urbanização e ocupação essencialmente predatória dos franceses, espanhóis, holandeses, foi um marco histórico não somente para o processo de colonização mas também para o início da degradação e destruição da biodiversidade do ecossistema brasileiro.

Mas, como o planeta Terra é o berço da vida de milhares de espécies e como a mãe natureza é pródiga na sua biodiversidade, ainda há muito o que se preservar e ainda há tempo de combater a degradação ambiental. Resta apenas que todos os habitantes da terra e as gerações futuras assumam o compromisso com a preservação do meio ambiente, investindo no gerenciamento ambiental, no uso de tecnologias limpas e na utilização dos recursos naturais renováveis e sustentáveis.

Fonte: www.fundaj.gov.br

Manguezais

O termo " Mangue " origina-se do vocábulo Malaio, "Manggimanggi" e do inglês mangrove, servindo para descrever as espécies vegetais que vivem no manguezal, ou seja, a árvore.

O termo "Manguezal" é utilizado para descrever uma variedade de comunidades costeiras tropicais dominadas por espécies vegetais, arbóreas ou arbustivas que conseguem crescer em solos com alto teor de sal, ou seja, um terreno cheio de mangue (o ecossistema).

O QUE É O MANGUEZAL

São regiões próximas ao mar, que recebem tanto água salgada, pela ação das marés, como água doce dos rios que ali desembocam. É um ecossistema costeiro, de transição entre os ambientes terrestres e marinhos, característicos de regiões costeiras tropicais e subtropicais estabelecendo-se nas zonas entre marés e sujeito ao regime das marés. Faixa de transição entre a terra e o mar, quase sempre, abrigados por rios e estuários. É constituído por uma vegetação lenhosa e arbórea, que coloniza solos lodosos, adaptados às condições específicas deste ambiente. No solo do lodo salgado e pouco arejado é rico em matéria orgânica e com baixo teor de oxigênio, desenvolvem-se plantas com adaptações muito especiais. Algumas árvores, pôr exemplo, têm raízes que permitem a fixação nesse tipo de solo ou que se protejam para fora da água, absorvendo assim o oxigênio do ar.

Apresentam uma grande variedade de espécies de microorganismos, macro-algas, crustáceos e moluscos, adaptados ás constantes variações de salinidades e fluxo das marés. É o local favorável, à proteção, alimentação, reprodução e desova de muitos animais. No que diz respeito à energia e à matéria, são sistemas abertos, recebendo, em geral, um importante fluxo de água doce, sedimentos e nutrientes do ambiente terrestre e exportando água e matéria orgânica para o mar ou águas estuarinas. É um importante transformador de nutrientes em matérias orgânicas e gerador de bens de serviços.

Os manguezais são ecossistemas que devem ser preservados, pois além de contribuir para a produtividade das regiões costeiras, permitem a reprodução e a criação de espécies comercialmente importantes, como peixes, camarões e ostras.

ORIGEM

Pesquisas indicam que as várias espécies de árvores de mangue originaram-se nas regiões do Indo-Pacífico, uma vez que nestas regiões há uma maior diversidade de espécies. Teorias sugerem que a sua migração para outras regiões do mundo, inclusive para a costa do Brasil, ocorreu há alguns milhares de anos atrás, através do transporte de propágulos de mangue (sementes germinadas) pelas correntes marítimas, quando os continentes encontravam-se mais próximos uns dos outros.

VEGETAÇÃO DO MANGUEZAL

O Manguezal é composto por plantas lenhosas, mas também existem espécies herbáceas epífitas e aquáticas. A maioria das angiospermas, típicas do manguezal apresentam reprodução por viviparidade (as sementes permanecem na árvore mãe até se transformarem em embriões), conhecidas como propágulos.

Existem cerca de cinqüenta espécies de árvores de mangue. Na região do Indo-Pacífico, concentra-se a grande maioria.

Nas Américas e costa brasileira, são encontradas sete espécies pertencentes a quatro gêneros: Rhizophora, Avicennia, Lagunculária e Conocarpus.

Rhizophora mangle (Mangue-Vermelho) É a espécie mais conhecida ao longo do Litoral Brasileiro, por apresentar características exóticas bem aparentes. É uma árvore de casca lisa e clara, que ao ser raspada mostra cor vermelha. Suas raízes escoras são visíveis a longas distâncias e crescem rapidamente para atingir o solo lamoso e dar estabilidade à planta. O sistema radicular é formado por raízes chamadas rizóforos e possui membranas permeáveis que filtram a água, não permitindo a passagem do sal para o interior da planta. É uma espécie tolerante ao alagamento por longos períodos. A sua estrutura reprodutiva (vivíparo) se dá através de propágulos que ao amadurecer se desprendem da árvore mãe e caem como lanças, apontadas para baixo, vindo a enterrar-se na lama na baixa mar.

Sua casca é bastante rica em tanino, substância de cor vermelha e impermeabilizante.

No início da colonização do Brasil foi muito explorada pelos curtumes para tingir couro e hoje tem sua exploração restrita e regulamentada, apesar da grande utilização pelas ceramistas artesãos do Espírito Santo, para tingimento e impermeabilização das panelas de barro e utensílios domésticos. Na Malásia, está sendo utilizada para a produção de álcool, repelentes naturais e remédios. Na Flórida e Equador, é utilizada para a proteção de hidrovias e projetos de desenvolvimento e urbanização litorâneas.

Lagunculária racemosa (Mangue-Branco, mangue verdadeiro) É uma árvore pequena cujas folhas têm pecíolo vermelho com duas glândulas em sua parte superior, junto à lâmina da folha. Apresenta pneumatóforos menores do que os da Avicennia em média 10 cm de altura. Sua reprodução a exemplo dos outros gêneros, se dá através de propágulos e sementes. Seu poder germinativo pode durar aproximadamente 30 dias. É a espécie mais utilizada pelo caranguejo-uçá, para o cultivo de fungos e microorganismos, depois do apodrecimento das folhas no interior das tocas .

Avicennia schaueriana (Conhecida também como Siriba, siriúba ou mangue preto) É uma árvore de casca lisa castanho-claro, que quando raspada mostra cor amarelada e apresenta folhas esbranquiçadas por baixo devido a presença de pequenas escamas. Localiza-se geralmente na parte protegida do manguezal, próxima a interface entre a água e a terra. Esse gênero é mais tolerante ás altas salinidades, elimina o sal do interior da planta através de estômatos localizados na superfície das folhas. O sistema radicular desenvolve-se horizontalmente, a poucos centímetros da superfície da lama e dessas raízes axiais saem ramificações que crescem eretas (aéreas), conhecidas como pneumatóforos, com a função de fazer a troca gasosa entre a planta e o meio ambiente. De reprodução vivípara através de sementes, que podem manter o seu potencial germinativo por até 100 dias, flutuando na água até encontrar local apropriado para o seu desenvolvimento.

Avicennia germinas (Mangue Preto) São manguezais que desenvolvem-se melhor em ambientes de baixa salinidade. Possuem folhas com forma lanceolada e brilho bastante intenso.

Conocarpus erectus (Mangue-de-Botão, Bolota) É uma árvore cuja as folhas apresentam pecíolos ligeiramente alagados além das duas glândulas, semelhantes às da Lagunculária. Esta planta não apresenta grande tolerância a salinidade típica dos manguezais. Gênero menos comum e geralmente ocorre em local pedregoso ou com a presença de areia de praia e a maré ocorre ocasionalmente. São poucas as ocorrências dessa espécie no litoral brasileiro.

Nas faixas de transição entre o manguezal e o sistema de terra firme, ou em manguezais alterados, podem ocorrer outras espécies vegetais, tais como:

O algodoeiro da praia ou embirra do mangue gênero Hybiscus, é um arbustos ramificado, com folhas em forma de coração, flores grandes e vistosas de cor amarelada. É uma planta muito usada na arborização de ruas nas cidades litorâneas. O algodoeiro de praia ocorre nos limites interiores do manguezal, em substratos mais firme e sob menor influência da água do mar.

A Samambaia do mangue ou avenca, gênero Acrostichum, é uma terrestre cujas frondes (ou folhas) podem chegar a 2 m de comprimento.
Quando a maré está baixa pode-se ver o praturá, gramínea do gênero Spartina, muito comum associada aos manguezais; assim como algumas ciperáceas (Scirpus, Eleocharis, Grenea). Geralmente forma uma franja frontal, entre o rio e o manguezal propriamente dito.

Crescendo sobre a vegetação a cima citada podemos encontrar diversas epífitas, erroneamente denominadas parasitas pela população. São as diferentes espécies de liquens, musgos, samambaia, gravatás, filodentros, orquídeas e cactos, como também as algas que ocorrem na parte inferior dos troncos e nas raízes do mangue. Sobre troncos e ramos das árvores observa-se, com certa freqüência, uma semi parasita, a erva-de-passarinho, gêneros Struthanths e Phoradendro, cujo os frutos são apreciados pelos pássaros.

Não podemos nos esquecer das bactérias e dos fungos como componentes importantes do manguezal onde exercem destacado papel, atuando como agente decompositores da matéria orgânica produzida por todo esse conjunto de produtores primário-vegetais

Fonte: www.manguezais.vilabol.uol.com.br

Manguezais

Mangue Branco

Os manguezais são ecossistemas costeiros das regiões de clima quente do planeta. Estão localizados na faixa entre a maré alta e a maré baixa, junto à foz dos rios, no interior de baías, estuários e outros locais protegidos da ação das ondas do mar, onde a água doce e a água salgada se misturam em diferentes proporções.

Os manguezais no Brasil se estendem desde o Oiapoque, no Amapá, até Laguna, em Santa Catarina. Mais ao sul as temperaturas são muito baixas para o desenvolvimento das espécies do manguezal.

A faixa sul-sudeste da costa do Brasil apresenta manguezais exclusivamente em baías, estuários e áreas protegidas da grande energia do mar. É o caso do complexo estuarino da região de Iguape e Cananéia, no litoral sul do estado de São Paulo.

Mangue vermelho: extração de tanino

"Na região de Cananéia, temos três espécies de árvores de mangue. Uma delas é conhecida como mangue vermelho, Rhizophora mangle. A característica principal dela, e mais marcante, é a presença das raízes escora ou risóforos, que são adaptações a um sedimento pouco consolidado. Chama-se mangue vermelho porque, se rasparmos seu tronco, poderemos observar que por dentro ele é vermelho. A casca do mangue vermelho é utilizada para extração de tanino.

Outra espécie comum aqui na região é o mangue siriúba, ou mangue preto, que é a Avicennia schaueriana. A característica marcante dessa espécie - e que a difere do mangue vermelho - é a presença de pneumatóforos, que são as raízes respiratórias. O mangue preto tem um sistema de raízes que chamamos de raízes radiais, também uma adaptação a esse sedimento pouco consolidado. Quando a maré sobe, essa raiz começa a fazer as trocas gasosas.

Mangue branco: raízes bem adaptadas

A terceira espécie de árvore de mangue que ocorre na região de Cananéia é o mangue branco, a Laguncularia racemosa. Uma característica dessa espécie é a presença de um pecíolo vermelho, que é o cabo da folha. Essa espécie também tem um sistema radicular radial, adaptado ao sedimento pouco consolidado, só que difere um pouco pelo tamanho um pouco menor do pneumatóforo.

Essas espécies são predominantes também ao longo de toda a costa brasileira.

A principal diferença entre os manguezais brasileiros está em suas dimensões. Nas regiões norte e nordeste, onde a variação dos limites entre as marés é maior, o manguezal apresenta bosques com até 30 metros de altura. A ilha do Caju, no delta do Parnaíba, é uma área praticamente livre da ação humana. Apesar disso, os pesquisadores já detectam os sinais da falta de cuidado com as margens dos rios e com a ocupação das franjas dos manguezais.

"Isso aqui é mais um banco de areia em formação dentro do estuário. Perto daqui, temos um já formado. Esse sistema é danificado por causa da deposição de material silicoso. Essa deposição vem do assoreamento que se verifica ao longo do rio (rio Parnaíba, que acompanha a divisa entre Maranhão e Piauí), da derrubada de vegetação e conseqüente carreação desse material para o estuário. Com essa deposição, deixa de haver a presença das bactérias que deveriam fazer a decomposição de matéria orgânica para formar novas proteínas. "

E o material orgânico daqui - as folhas do manguezal e o próprio resíduo urbano, industrial e doméstico das cidades - é todo carreado para o mar.

Esse tipo de delta de mar aberto (delta do rio Parnaíba) tem esse problema: por ser de mar aberto, o delta não tem pequenos igarapés, que favoreceriam o processo de transformação dessa matéria orgânica em nitrogênio e enxofre para as novas proteínas. O material orgânico é diretamente perdido para o mar. A falta de proteínas ocasiona a perda de biomassa e todas as populações são diminuídas.

Isso quer dizer o seguinte: o hábitat natural de uma conchinha, por exemplo, é em sedimento lodoso. Nos locais em que já houve deposição de material silicoso, observa-se uma grande quantidade de valvas abertas, mortas. A população delas seria muito maior, não fosse a deposição irregular do material silicoso carreado pelo rio".

Ainda em função do trabalho de preservação da ilha do Caju, é possível encontrar uma fauna rica e bem desenvolvida, como os belos caranguejos-uçá.

A produção dos manguezais do delta do Parnaíba ainda é muito grande: os catadores da região fornecem caranguejos para todo o norte e nordeste, com algumas sobras para exportação. Mas a maior parte da produção de carne de caranguejos na região é processada ainda em regime familiar, gerando uma renda insuficiente.

Foi a exploração predatória do manguezal, associada à destruição do hábitat, que praticamente esgotou a produção de caranguejos na região de Recife, em Pernambuco. A captura é feita, muitas vezes, com redes de plástico que emaranham os animais e matam indiferentemente filhotes machos e fêmeas. O resultado é o empobrecimento da energia produtiva do ecossistema e da população que vive em torno do manguezal.

A lama escura do manguezal é banhada pelas águas salobras do estuário. Quando a maré recua, os caranguejos saem da toca. Eles realizam um importante trabalho de movimentação constante do sedimento do manguezal, construindo galerias e trazendo para a superfície parte dos sedimentos, rica em nutrientes, que vai ser transportada pelas águas do estuário na próxima maré.

Se a captura de caranguejos for muito superior à capacidade de reprodução das espécies, o manguezal perderá um elo muito importante da sua cadeia alimentar.

É verdade que os caranguejos se reproduzem em boa quantidade, mas é importante encontrar um ponto de equilíbrio, uma forma sustentável de explorar esse recurso do ecossistema.

Fonte: www.tvcultura.com.br

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