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Dia do Filatelista Brasileiro

5 de Março

O Selo e sua História

Selo

O selo nasceu no século passado por causa da Revolução Industrial. O desenvolvimento das relações comerciais aumentou a necessidade de comunicação. O volume de correspondência cresceu tanto que os correios não davam mais conta dele. Era preciso encontrar um meio de facilitar o serviço.

A Inglaterra, que foi o motor da Revolução Industrial, resolveu o problema com uma reforma audaciosa, que entrou em vigor em 6 de maio de 1840. Primeiro, unificou a tarifa para envio de cartas no interior do Reino Unido, independentemente da distância percorrida. Além disso, ficou decidido que quem pagaria a tarifa seria o remetente e não mais 0 destinatário, como acontecia até então.

A idéia do pagamento antecipado, que hoje pode parecer óbvia, foi de sir Rowland Hill, que estava preocupado com a grande quantidade de cartas devolvidas, à custa do serviço público.Para garantir o pagamento antecipado, Hill inventou o selo: um retângulo de papel com cola que a pessoa compra pelo valor impresso nele, para colocá-lo sobre a carta e depositá-la na caixa do correio, com a certeza de que chegará a seu destino.

O selo democratizou o correio, que foi criado pelos chefes dos grandes impérios para enviar mensagens a seus funcionários. Deixando de lado a figura mitológica de Mercúrio, o mensageiro dos deuses, o primeiro serviço postal conhecido foi criado no século VI a.C. pelo imperador persa Ciro, que obrigava o povo a fornecer cavalos e postos para seus mensageiros. Na Roma Antiga, o Imperador Augusto instalou uma densa rede de estações de troca de cavalos para os mensageiros imperiais. Carlos Magno tentou criar um correio, mas o sistema feudal dificultava muito o livre trânsito dos mensageiros.

Selo

O correio ressurgiu no fim da Idade Média. Em 1315 o Ateneu de Paris obteve uma licença para organizar um serviço de entrega de correspondência entre os estudantes e suas famílias. Pouco mais tarde, na Itália, as famílias Visconti e Sforza organizaram uma rede de mensageiros entre Milão e Gênova. No século XVI, os mensageiros da República de Veneza percorriam velozmente toda a Itália.

No âmbito europeu geral, as ligações postais foram ativadas pela família Tasso a partir do final do século XIII e, mais efetivamente, desde o século XVI. O correio dos Tasso cobria regularmente Itália, França, Alemanha, Flandes e península Ibérica. Esse monopólio durou até o fim do século XVIII: depois foi duramente atingido pela Revolução Francesa e por Napoleão, que organizou um correio estatal em todo o seu império. Com a Restauração de 1815, os Tasso recuperaram o privilégio, mas, em poucos decênios, os novos Estados europeus resgataram o monopólio estatal.

Chega-se assim à Revolução Industrial e à reforma de sir Rowland Hill. Note-se que ele não inventou apenas o selo: sua idéia alternativa eram os envelopes desenhados, vendidos a 1 penny e 2 pence, e que, dispensavam os selos. O desenho, feito por Willian Mulready, mostrava a figura dominante de Britânia (representando a Inglaterra), circundada por anjos. Mas os jornais humorísticos começaram a publicar desenhos parodiando os “envelopes Mulready”, que caíram no ridículo e acabaram sendo extintos.

Predominou assim o selo: os primeiros, um preto de 1 penny (para cartas com peso de até meia onça) e um azul de 2 pence (para cartas de até uma onça) mostravam a Rainha Vitória, como num camafeu, e eram pequenas obras de arte gráfica.

Selos

Um precursor interessante do selo postal é o chamado “cavalinho sardo”: um pequeno gênio montado sobre um cavalo, impresso numa folha da qual constava a tarifa postal. Os cavalinhos foram emitidos pelo Reino da Sardenha em folhas de 15, 20 e 50 centavos: a emissão provisória, de 1819, era impressa em azul, e a definitiva, de 1820, era um relevo aplicado a seco.

A reforma inglesa teve sucesso imediato, aumentando o volume de correspondência. O penny vermelho surgiu em 10 de fevereiro de 1841, substituindo o preto. Em 1858 surgiram exemplares com bordas dentadas (até então, os selos eram separados com tesoura).

Nesse meio tempo, a idéia inglesa do selo começou a difundir-se. Seus primeiros seguidores foram os suiços: em 21 de janeiro de 1843, o Conselho de Estado de Zurique aprovou sua reforma postal, e , em fevereiro, foram impressos selos de 4 e 6 centavos. Tinham apenas o algarismo, as inscrições e um fundo de segurança, mas eram de boa qualidade gráfica.

Cinco meses depois de Zurique, surgem no Rio de Janeiro os primeiros selos do Brasil, terceiro país a adotar o sistema (provavelmente devido aos intensos contatos comerciais com a Inglaterra). Lançados em 1o. de agosto de 1843, eram selos de 30, 60 e 90 réis, também com desenho bem simples: algarismos destacados em branco sobre um fundo moiré ovoidal impresso em preto. O desenho fez essa primeira série ser chamada de “olhos-de-boi”, enquanto a segunda emissão (1844/46) ficou conhecida como “inclinados” e a terceira (1850) como “olhos-de-cabra”.

Em outubro do mesmo ano, Genebra, capital da Suiça latina (que não admitia ficar atrás da germânica Zurique), lançou seu primeiro selo, de 5 centésimos, na cidade de Lemano. Ainda na Suiça, surgiu em 1o. de julho de 1845 o primeiro selo policromático: a “pomba” do cantão da Basiléia. Também tiveram caráter local os mais antigos selos dos Estados Unidos: o primeiro, de 5 cents, saiu em julho de 1845 em Nova York, e em 5 de agosto de 1847 saiu a primeira impressão válida para todo o país. Ainda em 21 de setembro de 1847 surgiram na ilha de Maurício selos de 1 penny e 2 pence.

E em 1o. de julho de 1849 apareceram os primeiros selos da Bélgica, mostrando o Rei Leopoldo I, e os primeiros da França, com o perfil da deusa Ceres, em 1o. de janeiro.

Tipos de Coleção

Durante quase um século e meio de existência, o selo tornou-se conhecido no mundo como um objeto de dupla finalidade: um meio de cobrar o serviço do correio e uma peça de coleção. Depois de acompanhar o seu nascimento e primeiros anos de vida na Inglaterra e nos países que o adotaram pioneiramente (como a Suíça e o Brasil), vamos deixar por um momento sua história e focalizar sua "segunda vida" - como peça de coleção.

Para compreender a existência do selo como peça de coleção, pode-se tomar como ponto de partida a antiga expressão latina "ars una, species mille" - a arte é uma, mas tem mil faces. Ela reflete muito bem o espírito da Filatelia, que abrange os mais variados tipos de coleção. A escolha dependerá exclusivamente da vontade livre do colecionador.

Quem nunca fez coleção de selos não precisa definir imediatamente o tipo de coleção que quer. Convém começar apenas juntando um grande número de exemplares: é um bom meio de aprender a conhecer, manusear e classificar os selos. Aos poucos, a preferência da pessoa acabará se orientando para algum tipo de coleção.

Selos
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Alguns dos temas mais apaixonantes: flores, em selos da China e da Serra Leoa. esportes, em emissões sobre as Olimpíadas do México de 1968 e as da Grécia de 1896; e animais em selos de Cingapura e da Polônia.

Quando se sabe quais são os principais tipos de coleção de selos, a opção fica mais fácil. Em primeiro lugar, existe a "coleção geral", que abrangeria todos os selos já emitidos em todo o mundo. No começo da história da filatelia e mesmo até há algumas décadas, essa coleção seria viável, mas hoje em dia ela é praticamente impossível, não só pelo tamanho e custo como também porque exigiria um trabalho imenso e contínuo para manter-se atualizada.

Contudo, é a coleção de caráter geral a que mais estimula a imaginação do filatelista, transportando-o para os lugares mais estranhos do mundo e fornecendo-lhes as mais variadas imagens.

E é possível viabilizar uma coleção do tipo geral: para isso é preciso limitá-la a selos de uma certa época - por exemplo, os selos de um decênio do século XIX ou os selos emitidos entre as duas guerras mundiais. As opções cronológicas são infinitas. E resta ainda a possibilidade de, terminada a coleção referente a um período, passar-se imediatamente para outro.

Pode-se ainda colecionar apenas os selos de um país ou de um grupo de países. Nesse caso, há quem prefira "jogar em casa", colecionando os selos do próprio país; isso oferece muitas vantagens: é mais fácil conseguir os exemplares, não é preciso conhecer línguas estrangeiras para entender as mensagens dos selos e não é difícil conseguir orientações precisas para a coleção.

Muita gente, contudo, prefere colecionar selos de outros países, por vários motivos: por simpatia em relação ao país escolhido, por familiaridade com a língua, pela confiança na administração postal ou ainda porque a coleção é um investimento seguro(quando se trata de uma nação economicamente forte). A escolha também pode recair sobre um país que ficou independente há pouco tempo e ainda tem um número pequeno de emissões de selos, de modo que não seja difícil conseguir todos eles.

Até aqui só foram mencionados os tipos de coleção baseados em critérios geográficos ou cronológicos. Mas existem numerosas possibilidades de se formar coleções inspiradas nos desenhos dos selos ou na sua temática. Incluem-se, nesse caso, os selos comemorativos.

Selos
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Dentre os fatores que podem influenciar a escolha de um tipo de coleção está o modismo. Não há por que não seguir a moda se ela corresponder aos gostos do colecionador.

Cabe ao colecionador decidir se vai fazer uma coleção caracterizada pela variedade de selos ou se vai seguir um dos muitos caminhos da especialização.

Em vista das dificuldades que se colocam a um tipo de coleção especializada é bom que o principiante seja cauteloso e se decida por uma coleção simples, que lhe dê garantia de continuidade. Aventurar-se por um caminho complicado seria o mesmo que começar um curso partindo da especialização e não da formação básica.

De qualquer modo, o importante é que cada um escolha o tipo de coleção que lhe dê mais satisfação. A partir disso, será possível obter da filatelia aquilo que ela costuma proporcionar a todos os que se aventuram nela: uma distração agradável, um enriquecimento da cultura e até mesmo uma forma de investimento financeiro.

Além de tudo, a filatelia sempre será algo muito pessoal, um meio pelo qual alguns dos aspectos da personalidade do colecionador se manifestem criativamente.

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