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Brasileiro Entra na História

Missão Centenário

Enquanto esperava por ser lançado ao espaço, Pontes foi designado para o Escritório de Astronautas para Operações na Estação Orbital (em inglês Astronaut Office Space Station Operations Branch), onde trabalhou no setor de missões técnicas.

Tripulação da Soyuz TMA-8: Pontes, Vinogradov, Williams
Tripulação da Soyuz TMA-8: Pontes, Vinogradov, Williams

Em outubro de 2005, durante uma visita oficial do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva à Rússia, foi assinado um acordo de cooperação entre os dois países, possibilitando o envio de Marcos Pontes à ISS com um pagamento de dez milhões de dólares americanos.

Assim, após vários adiamentos, e mais treinamentos, agora na Cidade das Estrelas para adaptação à nave Soyuz, no dia 29 de março de 2006 (23h30 do horário de Brasília e 8h30 do dia 30 de março no horário do Cazaquistão), foi lançada a nave Soyuz TMA-8 com o tenente-coronel Marcos Pontes. Além do astronauta brasileiro, faziam parte da tripulação o russo Pavel Vinogradov e o estadunidense Jeffrey Williams, sendo estes dois membros da Expedição 13. Por sua simpatia e estar quase sempre sorrindo, além de ser o primeiro astronauta brasileiro, ele foi comparado pela imprensa russa à Yuri Gagarin.

Com o lançamento da base russa de Baikonur no Cazaquistão às vinte e três horas e trinta minutos de Brasília e às oito horas e trinta minutos do Cazaquistão, suas imagens foram acompanhadas ao vivo pelo Brasil inteiro, por várias emissoras de TV e para todo o mundo pela NASA TV. Com isso, o país tornou-se o 27º país a ter um cidadão ao espaço.

A nave acoplou-se à Estação Espacial Internacional (ISS) na madrugada de sábado, dia 1 de abril. Durante um período de oito dias, Marcos Pontes realizou uma série de experimentos para a Agência Espacial Brasileira (AEB) e para estudantes do Ensino Fundamental.

No dia 3 de abril de 2006, foi transmitida a entrevista com homenagem a Santos Dumont, na qual Marcos Pontes usou um chapéu Panamá igual ao do inventor e um lenço com as siglas SD.

Retornou à Terra na noite do dia 8 de abril, 20h56 no horário de Brasília, e manhã do dia 9 de abril no horário do Cazaquistão, na nave Soyuz TMA-7, em companhia dos dois astronautas da missão Expedition 12, o russo Valery Tokarev e o americano William McArthur.

Marcos Pontes completou 155 órbitas e a duração total de sua missão foi de 9 dias, 21 horas e 17 minutos.

Após o regresso, permaneceu durante um período de oito dias em observação para readaptar-se a um ambiente com gravidade.

Retorno ao Brasil

Marcos Cesar Pontes, astronauta da Agência Espacial Brasileira (AEB).
Marcos Cesar Pontes, astronauta da Agência Espacial Brasileira (AEB).

No dia 20 de abril, foi homenageado na cidade de Brasília em solenidade da Agência Espacial Brasileira (AEB). Recebeu do Presidente Luís Inácio Lula da Silva a condecoração da Ordem Nacional do Mérito.

Em 21 de abril de 2006, retornou à sua cidade natal no interior do Estado de São Paulo, Bauru e foi recebido como herói, por um público de mais de 5 mil pessoas, com direito à apresentação da Esquadrilha da Fumaça. Posteriormente participou de uma carreata no topo de um veículo do corpo de bombeiros, além de realizar uma palestra no Teatro Municipal.

Após seu retorno, solicitou a reserva da Força Aérea Brasileira, mas ainda trabalha para o Programa Espacial Brasileiro. Ele continua com as suas atividades no Johnson Space Center, em Houston, Texas, e está à disposição para futuros vôos espaciais brasileiros.

Em 18 de maio de 2006, de acordo com o Diário Oficial da União, foi publicada sua transferência para a reserva remunerada da FAB.

Primeiro brasileiro no espaço

Em 29 de março de 2006, Marcos Pontes tornou-se o primeiro brasileiro e quinto latino-americano a ir ao Espaço. Os latino-americanos que já estiveram no Espaço:

1980 - Arnaldo Tamayo Méndez (Cuba)
1985 - Rodolfo Neri Vela (México)
1986 - Franklin Chang-Díaz (Costa Rica, naturalizado americano)
1997 - Carlos Noriega (Peru, naturalizado americano)

Fonte: pt.wikipedia.org

Currículo Resumido

Comendador Marcos Cesar Pontes, Primeiro Astronauta Brasileiro.

Nascido em 11 de março de 1963 na cidade de Bauru, SP.

Começou sua carreira profissional aos 14 anos como aluno do SENAI e eletricista aprendiz da Rede Ferroviária Federal - RFFSA, para pagar pelos seus estudos e ajudar no orçamento de casa.

Ingressou na Academia da Força Aérea - AFA, em 1981, onde formou-se oficial aviador. Após a AFA, especializou-se em aviação de caça, tornando-se instrutor, líder de esquadrilha, controlador aéreo avançado, e piloto de testes de aeronaves. Conta com mais de 2000 horas de vôo de caça e de teste em mais de 25 diferentes tipos de aeronaves, incluindo F-15 Eagle, F-16 Falcon, F-18 Hornet e MIG-29 Fulcrum. Como piloto, participou de momentos históricos da aviação nacional, como o primeiro lançamento do míssil nacional ar-ar MAA-1.

Trabalha há mais de 20 anos na área de segurança de vôo, prevenção e investigação de acidentes aéreos. Engenheiro Aeronáutico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Pontes é Mestre em Engenharia de Sistemas pela Escola de Pós-graduação da Marinha Americana em Monterey, Califórnia. Como pesquisador, o trabalho de Pontes foi direcionado para a área de sensores, para a qual desenvolveu aperfeiçoamentos para sistemas embarcados de detecção de mísseis utilizando lentes polarizadoras.

Em junho de 1998 deixou de exercer as funções específicas de militar da ativa devido a ter sido designado, após seleção por concurso de âmbito nacional, para servir o Brasil na função civil de astronauta, passando a integrar a turma 17 de astronautas da NASA.

Após dois anos de curso, em dezembro de 2000, Pontes foi declarado astronauta pela NASA, tornando-se oficialmente o 1º astronauta profissional brasileiro. Nos anos seguintes permaneceu em treinamento na NASA, em Houston, na função civil de astronauta.

O primeiro vôo espacial do astronauta Pontes ocorreu em 29 de março de 2006, a bordo da espaçonave russa Soyuz TMA-8, como tripulante da Missão Centenário, definida e criada pela Agência Espacial Brasileira - AEB. Durante a missão, Pontes foi acompanhado pelo Cosmonauta Pavel Vinogradov, comandante da missão e pelo Astronauta Jeffrey Williams, 1º oficial. Seu backup era o Cosmonauta Sergei Volkov, que realizaria a missão espacial brasileira caso houvesse algum problema de saúde ou qualificação do astronauta Pontes.

Em 9 de abril de 2006, depois de 10 dias no espaço, sendo oito deles a bordo da Estação Espacial Internacional - ISS, Pontes, regressou à Terra, pousando no deserto do Cazaquistão. A missão cumpriu todos os objetivos estabelecidos pela AEB. Realizou oito experimentos, prestou a maior homenagem internacional ao centenário do vôo de Santos Dumont no 14-bis, incentivou milhares de jovens para as carreiras de ciência e tecnologia, dando início a uma nova fase da ciência da microgravidade no país.

Dos 32 elementos da classe 17 de astronautas, Pontes foi o segundo a chegar ao espaço.

Além das funções operacionais como astronauta, Pontes trabalhou na NASA como engenheiro nas áreas de software da ISS, integração e testes de módulos e sistemas, desenvolvimento e testes do Laboratório Japonês (JEM) e Projeto do Módulo da Centrífuga, desenvolvido pela Mitsubishi Heavy Industries - MHI, no Japão.

Na seqüência de sua carreira no setor aeroespacial, depois da missão espacial, a exemplo do que é feito em todos os países desenvolvidos, o COmando da Aeronáutica transferiu Pontes para a reserva militar, visando a continuidade e utilização plena de suas qualificações em prol do País na função civil de astronauta .

Atualmente, o engenheiro Marcos Pontes trabalha em Houston e no Brasil, continuando à disposição do Programa Espacial Brasileiro como astronauta para possíveis futuras missões espaciais tripuladas brasileiras. No setor privado trabalha como consultor técnico, palestrante motivacional, engenheiro e colunista. No terceiro setor, Pontes é defensor ativo das causas da educação, paz mundial e consciência ambiental.

Sua contribuição profissional e importância histórica para o País, são reconhecidos através de inúmeras condecorações, entre elas: Medalha Santos Dumont, Medalha Yuri Gagarin, Medalha Tiradentes, Comendador da Paz dos Reservistas da ONU, Boina Azul Honoris Causa, Medalha Militar de Prata, Soberana Ordem do Mérito Empreendedor, Ordem do Mérito Nacional, Ordem do Mérito Aeronáutico, Comenda da Ordem do Rio Branco no Grau Oficial (Palácio do Itamaraty), Medalha de Ouro da Sociedade Acadêmica Francesa de Artes, Ciências e Letras, asteróide em seu nome (38245 Marcospontes)...

Biografia

A passagem de vinda.

Era uma noite como qualquer outra, dia 11 de março de 1963. O cheiro da noite e o barulho das crianças brincando na calçada atestavam a tranqüilidade que Bauru possuía entre tantas cidades do interior de São Paulo. A calma da casa na Rua Comendador Leite 1-23 de repente se transforma em alguma preocupação nas palavras de minha mãe: "Vergílio, acho que está na hora. Vá e chame a parteira." Sem demora lá foi meu pai a procura daquela senhora que tantos já havia trazido para este mundo sem problema algum. "Certo, boa estatística, mas, Senhor, por favor, nos ajude nesse parto também", pensava meu pai enquanto caminhava apressadamente pelas ruas do Jardim Bela Vista. Não era longe por certo, mas aquela distância nunca pareceu tão grande. Uma hora depois lá estavam eles. Esquenta bastante água, tire as crianças daqui, prepare alguns panos...reze bastante. Longos momentos depois, nasci, finalmente! Meus irmãos espiavam pela fresta da parede de madeira. "Olha o pezinho dele!", dizia minha irmã disputando espaço com meu irmão pelo melhor ângulo. Eu estava feliz...com certeza após a passagem de vinda! Afinal...eu estava aqui!

A janela do quarto

Difícil recordar detalhes de nossa primeira infância. Talvez alguns sons, imagens confusas numa cabecinha ainda tentando reconhecer e se organizar. Minha irmã cuidava de mim enquanto meus pais trabalhavam fora. Acho que cuida até hoje de certa forma. Fecho os olhos tentando recordar alguma coisa. Lembro das madeiras do chão da sala. Sempre enceradas e brilhando. Será aliás que se acumulava entre as pranchas e que me ajudavam a fixar alguns animais de papel que eu cuidadosamente recortava. Elefantes, cavalos, coelhos, do papel criavam vida própria na minha imaginação. Um momento...lembro de um outro lugar, um chão coberto de palha de arroz e muita gente, muitas mesas...Pego o telefone e ligo para minha irmã. Ela me diz que sim, houve uma festa de casamento da nossa vizinha do outro lado da rua. Havia muita gente, muitas mesas e palha de arroz no chão. Então é possível lembrar! "E cheiro de madeira, porque me recordo disso?" eu pergunto a ela. Ela responde: "Certamente vindo da serraria que havia no prédio logo atrás da nossa casa. Você devia ter uns 5 anos apenas" OK! Eu agora acredito que é possível lembrar. Tento me concentrar mais...mais para o passado. A memória é azul...parte de baixo não. Parece uma construção. Ela para por uns instantes e diz..."A janela!...Você está lembrando da janela do seu quarto quando você era bebê. Seu berço ficava de frente para a janela e você podia ver o céu e um pedaço do muro!...Você passava horas, tranqüilo, apenas olhando para aquela janela...olhando para o céu." Senti uma sensação estranha ao ouvir aquilo. Será que conseguimos "voltar no tempo" e lembrar até do tempo anterior ao nascimento? Tentei um pouco mais, mas nada parecia fazer sentido. Talvez necessitasse maior concentração...ou autorização.

Meus pais e meus irmãos

Bom lembrar das coisas da infância, dos lugares, dos eventos...mas nada seria igual sem as pessoas...a família. Meu pai, seu Vergílio era servente do Instituto Brasileiro do Café. Minha mãe Dona Zuleika, era escrituraria da Rede Ferroviária Federal. Meus pais.. meus mestres! Gosto sempre de dizer que, apesar de ter estudado praticamente toda a minha vida para atingir os "graus" de formação acadêmica, todas as coisas mais importantes que aprendi até hoje foram ensinadas por eles...aos quais devo simplesmente tudo o que sou como pessoa. Ambos já se foram dessa dimensão. Mas tenho certeza que, seja lá em qual dimensão estiverem, os dois ainda olham por mim e sabem muito bem do orgulho que eu sempre tive e tenho por eles...por poder chamá-los de meus pais.

As vezes ainda ouço suas vozes me acalmando no meio da tempestade, aquele sussurro tênue, mas que fala alto ao coração, e que me deseja tudo de bom, e me diz para ter paciência e nunca desistir de amar e ajudar as pessoas, todas elas, as que me querem bem e também aquelas que só querem me prejudicar, pois a minha atitude tem de refletir os meus princípios e não a maldade de outras pessoas.

Um dia nos veremos novamente...sem as preocupações e as dificuldades desse mundo.

Meu irmão Luiz Carlos e minha irmã Rosa Maria ainda vivem em Bauru. Longe daqui...mas perto do coração e com uma grande influência em minha vida. É bom esse sentido de família...ligação forte...de carinho e compreensão mútua. A família sempre foi para mim algo de extrema importância. Acredito ser a estabilidade familiar o primeiro passo fundamental para o crescimento do indivíduo em todos os aspectos. Agradeço muito a Deus pela oportunidade de conviver com pessoas tão maravilhosas. Sinto pena daqueles que vivem nesse mundo carregando um pesado fardo de sentimentos ruins contra os próprios pais, os próprios irmãos...e em muitos casos, tão orgulhosos para dar uma chance para si mesmos.

Criando asas

Vivi o início de minha vida ali na Rua Comendador Leite. Mais tarde mudamos para a rua Beiruth, também no Jardim Bela Vista, onde passei grande parte de minha infância... bastante feliz, diga-se de passagem. Fácil lembrar...Aliás, sou repleto de boas lembranças da vida de cidade de interior, como "jogar bola" na chuva, nadar no "rio Batalha", comer frutas "do pé", etc. Alguns momentos daquela época ficaram marcados com todos seus detalhes registrados pela percepção de um garoto, por exemplo: a morte do meu avô Francisco que morava conosco, a chegada do homem a Lua e o Brasil vencendo a copa no México. Como tudo na vida..uma mistura de fatos bons e ruins...crescemos assim...aprendemos assim.

Outras grandes lembranças foram por conta das visitas ao Aeroclube de Bauru para ver a Esquadrilha da Fumaça voando em elegantes North American T6. Lembro também das visitas à Academia da Força Aérea, em Pirassununga, onde meu tio, na época o Sargento Oswaldo Canova, servia como membro da equipe de manutenção de aeronaves.

Decolava ali, entre a poeira levantada pelos motores dos T/6 no estacionamento do aeroclube e o cheiro de combustível de aviação nos hangares da AFA, o sonho de voar que me sustenta nessa jornada até hoje.

O ideal estava começando a criar asas!

A início da educação

Meus primeiros anos de escola foram no "EEPG Lourenço Filho" e no "EEPG Francisco Antunes" onde cursei o primário. Uma peculiaridade daquela época era o fato de eu ter pertencido a duas turmas ao mesmo tempo (manhã e tarde) durante um ano. Esta foi “a solução” encontrada para a falta de creches que pudéssemos pagar no horário de trabalho de minha mãe.

Minha professora Zilai, no Lourenço Filho, costumava ser dura e exigente conosco. Dizia que “apenas a educação poderia pavimentar nosso caminho para uma vida digna”. Ela estava certa, em todos os sentidos: nos objetivos, na filosofia e nos métodos! Assim como estão os milhares de professores por todo esse nosso país. Profissionais dedicados que são tão importantes para a nossa vida. E ao mesmo tempo tão esquecidos pelas autoridades. Quem não se lembra de um professor? Eles estão a maior parte do tempo conosco. Torcem para o nosso sucesso. Nos levam pela mão. Acreditam em nós quando todos não conseguem ver além de uma criança assustada. Eles vêem o nosso potencial. Não existiriam presidentes, engenheiros, empresários, astronautas, médicos, etc, eficientes sem o trabalho de professores eficientes!

O ginásio cursei no "SESI 358 - Bauru". Era uma escola completa, oferecendo além das aulas tradicionais, várias outras atividades como práticas desportivas em várias modalidades, artes, música, etc. Quantas recordações! A primeira namorada, Luciane, os amigos, as reuniões que conduzia com todos os alunos na escadaria da escola. Eu era o presidente do Grêmio Estudantil.

Naquela época, costumavam dar até o material escolar. Um dia, no começo do ano, chegávamos na sala e lá estavam os cadernos e os livros, novinhos. Fecho os olhos e lembro perfeitamente, até hoje, do cheiro de tinta entre as folhas dos livros. Você consegue imaginar o quanto aquilo significava para mim? Você consegue imaginar o que isto significa para uma criança que não tem condições de comprar seu material para estudar?

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