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Maré Vermelha

Nos últimas décadas tem-se observado um aumento na incidência de eventos nocivos causados por algas. O aumento se refere não só em número e sua distribuição geográfica, mas também em virulência. Regiões até então livre de problemas, passaram a apresentar florações de organismos nocivos e regiões onde os eventos eram raros, estes passaram a ter maior freqüência.

Os principais motivos para o aparente aumento incluem:

a) aumento no interesse científico

b) na utilização de áreas costeiras para a aqüicultura

c) eutrofização dos ecossistemas costeiros

d) alteração em condições padrões climáticos

e) transporte de cistos de em água de lastro ou translocação de estoque de organismos para fins de aqüicultura.

Este cenário fez com que diversas ações tenham sido desencadeadas no âmbito da pesquisa, do monitoramento, da legislação e do manejo de recursos a nível internacional, em diferentes regiões do globo, como exemplo a formação de grupo de estudos na Comissão internacional de Oceanografia da UNESCO sobre algas nocivas


Uma cadeia de Gymnodinium. catenatum, produtor de PSP de águas brasileiras.


Dois organismos potencialmente tóxicos encontrados em águas brasileiras Pseudonizschia sp - envenenamento amnésico por consumo de mariscos (centro) e Dinophysis acuminata envenenamento diarréico por consumo de mariscos (acima direita).


Heterosigma akashivo, causadora de mortandades massivas em cultivos de peixes em tanque rede em várias localidades do mundo.

Basicamente, três tipos de mecanismos são considerados como ações nocivas de microorganismos: florações de espécies que causam decréscimo na qualidade da água, como por exemplo depleção de oxigênio, após seu eventual colapso; organismos que produzem toxinas que podem causar dano ao Homem ou outros organismos via acumulação na cadeia trófica; e espécies nocivas a outros organismos marinhos, como moluscos e peixes, principalmente em cultivos intensivos, por causar danos sistema branquial por ação física ou derivada de metabólitos.

Até pouco tempo atrás os registros de florações de algas nocivas no Brasil eram escassos, limitados a ocorrência de fenômenos nem sempre associados a danos ambientais. Como surgimento de uma aqüicultura de moluscos bivalves expressiva no litoral de Santa Catarina, no início da década de 1990, estudos focando algas nocivas se iniciaram na região. Talvez não tão surpreendentemente, várias toxinas foram encontradas tanto em moluscos cultivados, como na água. Entre elas, o ácido ocadaico, goniautoxinas e ácido domóico foram detectados. As toxinas encontradas foram associadas à ocorrência de diversas espécies tóxigênicas, como Dinophysis acuminata, D. acuta, Gymnodinium catenatum, Pseudonitzschia sp entre outros. Ficotoxinas também foram encontradas em outras regiões costeiras do país. Na lagoa dos Patos, no litoral do Rio Grande do Sul, existem registros da ocorrência de toxinas produzidas por cianobactérias, como microcistinas e anatoxina. Da mesma forma, cianotoxinas foram também identificadas em lagoas costeiras do Rio de Janeiro. Já no litoral de São Paulo, existem registros da ocorrência de saxitoxina e neosaxitoxina. Recentemente, uma floração da rafidofita Heterosigma akashivo esteve associada à mortandade massiva de peixes na Baia de Paranaguá e contaminação de ostras no litoral do Paraná.

Este panorama mostra que o litoral brasileiro, diferente do que se acreditava até pouco tempo atrás, além de apresentar florações de algas como registrado anteriormente, apresenta a ocorrência de diferentes tipos de toxinas. A diversidade dos grupos químicos, organismos produtores e tipos de danos, faz com que o problema seja de grande complexidade. A falta de dados anteriores impossibilita a resposta de uma primeira pergunta que surge: os organismos tóxicos e as toxinas já estavam presentes de forma criptica, ou apareceram recentemente como reflexo de alterações induzidas ou não pelo Homem? Neste contexto, o que fazer? Independente da resposta a esta primeira pergunta, sem dúvida é necessário que se pesquise mais sobre os organismos tóxicos que ocorrem na costa brasileira. Embora existam vários trabalhos sobre o plâncton, poucos foram dirigidos a esta questão. Da mesma forma, é preciso que se conheçam as toxinas existentes e o perigo potencial que estas possam representar. Estas ações fariam parte de um primeiro passo para se tentar manejar o problema das algas nocivas na zona costeira do país.

O QUE É?

Em regiões de cultivo de moluscos ou extração de bancos naturais se faz necessário, pelo menos, um acompanhamento dos organismos presentes no plâncton que são eventualmente filtrados e incorporados à cadeia trófica. Alguns manuais e textos trazem uma boa lista dos organismos potencialmente tóxicos já conhecidos. Com uma certa experiência no exame de amostras, uma pessoa pode reconhecer alguns das principais espécies ou gêneros envolvidos em eventos tóxicos. O simples acompanhamento da comunidade planctônica por si é uma ferramenta importante em um programa de monitoramento. Uma vez conhecidos os organismos tóxicos, a partir de sua presença acima de um certo número, ações tais com implantação de estado de alerta, análise de ficotoxinas em moluscos ou mesmo suspensão temporária da colheita podem ser tomadas. Procedimentos como este podem elevar o nível da aqüicultura praticada no país e contribuir para sustentabilidade da atividade.

Em certas ocasiões, devido a condições favoráveis, o fitoplâncton pode se multiplicar rapidamente e crescer excessivamente em número. As células se dividem com velocidade, de forma exponencial e em pouco tempo podem somar vários milhares por litro. A água se transforma em um "caldo" repleto de organismos microscópicos. Uma boa notícia é que, em conseqüência do crescimento, existe grande fartura de alimento que está disponível para ser incorporado ao longo da cadeia trófica. O crescimento excessivo, ou floração, é algo semelhante ao que ocorre em uma piscina quando não é adicionado nenhum herbicida, como o cloro, por exemplo. Nestas ocasiões, a água toma a cor dos organismos microscópicos que nela estão em abundância. Se os organismos são verdes, a água se torna verde. Às vezes a presença de organismos pode dar uma tonalidade esbranquiçada ou marrom à água, como a cianobactéria Trichodesmium ou parda, como no caso da acumulação de diatomáceas na zona de arrebentação de certas praias.

Se os organismos têm coloração vermelha, como o ciliado autotrófico Mesodinium rubrum ou certos dinoflagelados, a água se torna vermelha. Este fenômeno é conhecido como maré vermelha.

O termo maré vermelha tem sido substituído por florações de algas nocivas (FAN), uma vez que nem sempre a tonalidade da água com florações é vermelha.

Fonte: web.uvic.ca

Maré Vermelha

Maré Vermelha

Em certas ocasiões, devido a condições favoráveis de temperatura, pressão e densidade, alguns microorganismos podem se multiplicar rapidamente e crescer excessivamente em número. As células se dividem com velocidade, de forma exponencial e em pouco tempo podem somar vários milhares por litro. A água se transforma em um "caldo" repleto de organismos microscópicos. Uma boa notícia é que, em conseqüência do crescimento, existe grande fartura de alimento que está disponível para ser incorporado ao longo da cadeia trófica.

O crescimento excessivo ou floração é algo semelhante ao que ocorre numa piscina quando nela não é adicionado nenhum herbicida, como o cloro, por exemplo.

A cor da água é resultado da cor dos microorganismos que nela se encontram. Se há presença de organismos do tipo Cianobactéria trichodesmium ou parda, pode dar uma tonalidade esbranquiçada ou marrom à água. Se os organismos têm coloração vermelha, como o ciliado autotrófico Mesodinium rubrum ou certos dinoflagelados, a água se torna vermelha.

Este fenômeno é conhecido como maré vermelha.

O termo tem sido substituído por florações de algas nocivas (FAN), uma vez que nem sempre a tonalidade da água com florações é vermelha.

A mudança na cor das águas causada por microorganismos é conhecida do homem desde longa data. A alteração na cor pode ser tal, que em alguns casos se assemelha a sangue.

Os finlandeses atribuíam a coloração vermelha das águas à menstruação de baleias. Alguns pesquisadores relacionam a sétima praga do Egito, narrada em Êxodos, na bíblia, a uma maré vermelha.

O capítulo narra que, entre outras pragas, a água do Nilo se tornou sangue imprópria para o consumo. De fato, conforme os organismos presentes na água, esta se torna imprópria para o consumo humano e também a outros organismos.

Organismos responsáveis pela coloração das águas

Organismos microscópicos que causam coloração das águas pertencem a diferentes grupos, incluindo desde verdadeiramente vegetais (autotróficos fotossintéticos) até protozoários (heterotróficos). A classificação em alguns casos é confusa. Certos organismos, como alguns protozoários, ora se comportam como vegetais, fazendo fotossíntese, ora como animais. O termo alga, do ponto de vista da classificação natural é artificial, uma vez que reúne diversos tipos de organismos, nem sempre diretamente relacionados entre si. Mesmo assim o termo continua sendo utilizado. As algas nocivas, que causam danos ao homem ao ambiente, incluem espécies dos grupos de diatomáceas, dinoflagelados, rafidofitas, prymnesiofitas, cianofitas e outros.

Tipos de florações

As florações são induzidas por alterações na salinidade e temperatura da água do mar, pelo excesso de nutrientes devido ao despejo de esgoto doméstico e por correntes marítimas ou marés. Há três tipos de florações:

1º: Florações geradas por espécies de Dinoflagelados, Diatomáceas, Cyanobactéria, ciliados e outros flagelados. Estas florações acarretam na perda da qualidade de água dada redução na transparência ou, em certos casos, em ambientes de circulação restrita, diminuição de oxigênio na coluna de água e no sedimento. Estas florações também podem causar a morte de recursos naturais ou cultivados que não a conseguem evitar tais espécies.

2º: Florações geradas por espécies como os Dinoflagelados pelágicos, que produzem toxinas que podem ser acumuladas na cadeia trófica e causar distúrbios gastrintestinais e neurológicos em humanos e outros animais superiores. Toxinas paralisantes do grupo da saxitoxina (Paralitic shellfish poisoning – PSP).

3º: Florações quem em geral não são tóxicas a humanos, mas são nocivas a outros organismos marinhos, como moluscos e peixes, principalmente em cultivos intensivos, por intoxicação, dano ou oclusão do sistema respiratório das brânquias ou outros meios. São causadas por alguns tipos de dinoflagelados como o Alexandrium tamarense e o Gyrodinium aureolum.

Danos causados por algas nocivas

AS ficotoxinas estão compostas por diversas classes de biomoléculas com função e mecanismos de síntese ainda não totalmente conhecidos. Algumas delas têm efeitos antibióticos contra bactérias ou outras algas. Considerando-se as mais de 5000 espécies conhecidas, apenas uma pequena parte delas produz toxinas.

Dado o tipo de molécula ou sintomas gerados em pessoas intoxicadas, as ficotoxinas que podem chegar ao homem via ingestão de mariscos contaminados são agrupadas em quatro grupos. São eles:

1º: Envenenamento paralisante por consumo de mariscos (PSP-Paralytic shellfish poisoning);

2º: Envenenamento diarréico por consumo de mariscos (DSP-diarrhetic shellfish poisoning);

3º: Envenenamento amnésico por consumo de marisco (ASP-amnesic shellfish poisoning);

4º: Envenenamento neurotóxico por consumo de mariscos (NSP-neurotoxic shellfish poisoning);

Recentemente um novo grupo de toxinas “azaspiracids” foi descoberto no litoral da Irlanda (AZP). Além destes venenos, existem outros, inclusive aqueles que podem chegar ao homem via peixes. A ciguatera é uma síndrome comum em regiões tropicais, associada à intoxicação por consumo de alguns peixes carnívoros que habitam corais. Certas espécies de peixes da família dos baiacus (Tetradontidae), possuem altas concentrações de uma potente toxina, a tetradotoxina, que pode causar a morte por paralisia.

Os moluscos geralmente não são sensíveis, mas podem acumular estas toxinas, que podem atingir o homem e outros mamíferos através da ingestão destes.

Os primeiros efeitos de intoxicação, no homem, podem aparecer imediatamente ou até 24 horas após o consumo de peixes ou frutos do mar contaminados. Os sintomas são dormência na boca, perturbações gastrintestinais, diarréia, fraqueza ou paralisia respiratória ou cardiovascular e, dependendo da quantidade de toxinas ingeridas, a morte.

O fenômeno da maré vermelha termina quando o ambiente volta às condições normais ou com a ocorrência de ventos suficientes para dispersar algas ou diminuir a temperatura da água. Mesmo assim, os moluscos teriam de ser examinados para se verificar o grau de contaminação, porque são filtradores de água e acumulam as toxinas.

No sentido de minimizar danos causados por algas tóxicas, programas de monitoramento de algas nocivas ou controle de níveis de toxinas em frutos do mar são desenvolvidos em diversos países. Em muitos, a comercialização de moluscos, por exemplo, é regida por lei e normas específicas. No Brasil, ainda não existe legislação específica sobre o assunto. No entanto, com o crescente aumento no cultivo e produção de moluscos, a tendência é a introdução, à semelhança de países inclusive do MERCOSUL, de normas que assegurem a qualidade do produto.

Fonte: www.meumundo.americaonline.com.br

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