Rondon, o patrono das comunicações no Brasil
Cândido Mariano da Silva Rondon nasceu em Mimoso, perto de Cuiabá, Mato Grosso, a 5 de maio de 1865 (doze dias antes da fundação da União Telegráfica Internacional, hoje União Internacional de Telecomunicações). Aos 90 anos, no dia de seu aniversário, foi promovido ao posto de Marechal, por indicação unânime do Congresso Nacional. Em 26 de abril de 1963, foi escolhido Patrono do Serviço de Comunicações do Exército Brasileiro e, por decisão do Ministério das Comunicações, patrono de todo o setor no País.

Marechal Rondon
Descendente de índios terena, bororo e guaná, Rondon foi um defensor dos indígenas brasileiros. "Morrer, se preciso for. Matar nunca" - esse era o lema do brasileiro que ganhou maior projeção e reconhecimento internacionais por sua vida, inteiramente dedicada à exploração pacífica, humanitária e civilizadora dos trópicos.
O Marechal Rondon chefiou diversas missões demarcatórias de fronteiras e percorreu mais de 100 mil quilômetros de sertões, por rios, picadas na floresta, caminhos toscos ou estradas primitivas. Descobriu serras, planaltos, montanhas e rios, elaborando as primeiras cartas geográficas de cerca de 500 mil quilômetros quadrados até então totalmente desconhecidos dos registros nacionais.
Essa área equivale ao dobro da do Estado de São Paulo (ou o equivalente à França). Organizador e diretor do Serviço de Proteção ao Índio (antigo SPI, hoje FUNAI - Fundação Nacional do Índio), Rondon não permitia que se cometesse qualquer tipo de violência ou injustiça contra os mais legítimos donos das terras descobertas por Cabral. São suas as seguintes palavras:
"Os índios do Brasil, arrancados à voraz exploração dos impiedosos seringueiros, amparados pelo Serviço (SPI) em seu próprio habitat, não ficarão em reduções, nem em aldeamentos adrede preparados. Assistidos e protegidos pelo governo republicano, respeitados em sua liberdade e independência, nas suas instituições sociais e religiosas, civilizar-se-ão espontaneamente, evolutivamente, mediante a educação prática que por imitação receberem."
Em 1912, foi promovido ao posto de Coronel, depois de ter pacificado os índios Kaingangue e os Nhambiquara. O Congresso Universal das Raças, bem como o 18º Congresso Internacional de Americanistas, reunidos em Londres, e a Comissão Parlamentar de Inquérito instituída para apurar as atrocidades praticadas contra os índios peruanos do Potumaio apelaram para os países que contam com populações indígenas em seus territórios, concitando-os a adotarem os métodos protecionistas seguidos pelo Brasil, por iniciativa de Rondon.
Em 1913, ganhou a Medalha de Ouro, "por 30 anos de bons serviços" prestados ao Exército e ao Brasil. Acompanhou o ex-presidente Theodore Roosevelt numa expedição de mais de 3 mil quilômetros pelos sertões de Mato Grosso e Amazonas. No ano seguinte, a Sociedade Geográfica de Nova York conferiu a Rondon o Prêmio Livingstone, medalha de ouro, por suas contribuições ao conhecimento geográfico. A mesma Sociedade Geográfica de Nova York determinou a inclusão do nome de Rondon, em placa de ouro, ao lado de outros grandes descobridores e exploradores da Terra: Pearry (descobridor do Pólo Norte), Amundsen (descobridor do Pólo Sul), Charcot (explorador das terras árticas), Byrd (explorador das terras antárticas) e, por fim, Rondon, como o maior estudioso e explorador das terras tropicais.
Condecorado e premiado por governos estrangeiros e dezenas de entidades internacionais representativas das Ciências e da Paz, Rondon se tornou uma dessas raras figuras que, em vida, atinge o mais elevado grau de nível de respeito e prestígio por sua obra gigantesca. Mas por que, perguntaríamos, ele se tornou o Patrono das Comunicações?
De 1890 a 1916, Rondon participou das Comissões de Construções de Linhas Telegráficas do Estado de Mato Grosso, que interligaram as linhas existentes do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Triângulo Mineiro à Amazônia (Santo Antônio do Madeira), ou seja, o primeiro esforço de grandes proporções para a integração nacional pelas comunicações. É o próprio Rondon quem escreveu, em seu estudo "Índios do Brasil", edição do Ministério da Agricultura, Conselho Nacional de Proteção aos Índios, publicação nº 98, volume II, página 3:
"Ao terminarem os trabalhos desta última comissão (1916), havíamos dotado Mato Grosso de 4.502,5 quilômetros de linhas telegráficas (...) "
Só no período 1907/1909, Rondon percorreu 5.666 quilômetros, no trabalho conjunto de construção de linhas telegráficas e de levantamento carto-geográfico da região que forma o atual Estado de Rondônia (nome dado em sua homenagem por sugestão de Roquete-Pinto), numa área de mais de 50 mil quilômetros quadrados, cruzando rios, picadas, serras, chapadas, trilhas e estradas só transitáveis por carros-de-boi. Os índios apelidaram as linhas telegráficas de "língua do Mariano" (Cândido Mariano da Silva Rondon), que as designava pela expressão "sondas do progresso".
O escritor Roquete-Pinto dizia que o Marechal era "o ideal feito Homem". O presidente Theodore Roosevelt afirmava que Rondon, "como homem, tem todas as virtudes de um sacerdote: é um puritano de uma perfeição inimaginável na época moderna; e, como profissional, é tamanho cientista, tão grande o seu conjunto de conhecimentos que se pode considerar um sábio. (...) A América pode apresentar ao mundo duas realizações ciclópicas: ao norte, o canal do Panamá; ao sul, o trabalho de Rondon - científico, prático, humanitário".
Paul Claudel, grande poeta francês, e embaixador da França no Brasil, disse: "Rondon, esta alma forte que se interna pelo sertão, na sublime missão de assistir ao selvagem, é uma das personalidades brasileiras que mais me impressionaram. Rondon dá-me a impressão de uma figura do Evangelho".
Cego e enfermo havia meses, Cândido Mariano da Silva Rondon agonizou no domingo, 19 de fevereiro de 1958, tarde ensolarada, de céu azul, em Copacabana. Recebeu extrema-unção e voltou-se para seu médico de cabeceira e disse:
"Viva a República! Viva a República..."
Foram suas últimas palavras, após 92 anos de vida inteiramente dedicada à sua Pátria, aos índios e às comunicações.
Fonte: www.museudotelefone.org.br
Há 52 anos, no dia 19 de janeiro de 1952, morria no Rio de Janeiro, aos 92 anos de idade, o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon. Mato-grossense de Mimoso, um distrito de Santo Antonio do Leverger. Filho e neto de índios guaná, bororó e terena, Rondon ficou órfão muito cedo e foi criado por um tio. Quando este morreu, transferiu-se para o Rio de Janeiro para ingressar na Escola Militar.

Além de o estudo ser gratuito, os alunos da Escola Militar, desde que assentassem praça, recebiam pagamento mensal como se fossem sargentos. Rondon precisava desesperadamente desses dois benefícios. Alistou-se então no 2º. Regimento de Artilharia a Cavalo – e a partir de então, deixou o anonimato e entrou para a História.
Rondon, um político e pacifista, sempre
Ainda estudante, participou dos movimentos de abolição da escravatura e da implantação do regime republicano. Depois disso, já com a Escola Militar concluída, voltou para seu estado natal, foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso e designado para a comissão de construção da linha telegráfica que ligaria o Mato Grosso e Goiás ao sul do Brasil. E havia uma razão imperiosa para isso: esses dois estados estavam isolados dos grandes centros, eram área de fronteira e, portanto, sujeitas a invasões de outros países.
E Rondon cumpriu sua missão de modo brilhante, abrindo caminhos, desbravando terras, lançando linhas telegráficas, mapeando e estabelecendo relações cordiais com as tribos que encontrava pelo caminho. Foi assim que contatou os bororós, nhambiquaras, Urupá, jaru, karipuna, ariqueme, boca negra, pacaás novos, macuporé, guaraya e macurape.
Alguns feitos marcaram sobremodo a vida de Rondon:
Entre 1892 e 1898 instalou as linhas telegráficas do Mato Grosso a Goiás, ligando Cuiabá ao Araguaia. Construiu também uma estrada ligando Cuiabá ao Estado de Goiás;
Entre 1900 e 1906 dirigiu a implantação de mais uma linha telegráfica, desta vez entre Cuiabá e Corumbá, chegando até as fronteiras do Paraguai de da Bolívia;
E foi em 1906, nessas entradas pelo interior do país, exatamente para implantar as linhas do telégrafo, que descobriu as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, a maior relíquia história de nossa Rondônia.
Um ano depois, já no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que iria implantar a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira. Junto com a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, a linha do telégrafo iria integrar o então território “ao Brasil lá de baixo”.
Foi nesse período, mais exatamente em 1913, que um fato marcou Rondon definitivamente. Atingido por uma flecha envenenada, disparada por um guerreiro nhambiquara, Rondon só não caiu ferido de morte porque a ponta da flecha perdeu força e quebrou, ao atingir a correia de couro grosso do fuzil que estava passada transversalmente sobre seu peito.
Mesmo caído ordenou a seus homens que não revidassem e batessem em retirada, silenciosamente, para não assustar os silvícolas. Esse ato era a confirmação do lema que ele havia adotado para sua vida: morrer se preciso for. Matar, nunca!
Um ano depois desse episódio, ainda chefiando a comissão de implantação das linhas telegráficas no então território do Guaporé, havia implantado 372 quilômetros de linhas e construídas cinco estações: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (depois Vila de Rondônia e atual Ji-Paraná), Jaru e Ariquemes. Um detalhe: a rodovia BR 364 que liga Rondônia ao centro sul do país seguiu as trilha e picadas abertas por Rondon, para a implantação das linhas do telegrafo.
Em 1915 inaugurou a estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira. Missão cumprida. E Rondônia jamais seria a mesma. Seria melhor.
Fonte: www.rondoniadigital.com