Há milhares de anos os homens sabem que a Lua tem alguma relação com as marés. Antes do ano 100 a.C., o naturalista romano Plínio escreveu sobre a influência da Lua nas marés. Mas as leis físicas desse fenômeno não foram estudadas até que o cientista inglês Isaac Newton descobriu a lei da gravitação no século XVII.
As marés são movimentos de fluxo e refluxo das águas dos mares provocados pela atração que a Lua e secundariamente o Sol exercem sobre os oceanos. Qualquer massa de água, grande ou pequena, está sujeita às forças causadoras de maré provindas do Sol e da Lua. Porém é somente no ponto em que se encontram os oceanos e os continentes que as marés têm grandeza suficiente para serem percebidas. As águas dos rios e lagos apresentam subida e descida tão insignificante que a diferença é inteiramente disfarçada por mudanças de nível devidas ao vento e ao estado do tempo.
As marés também ocorrem em terra e na atmosfera, mas são muito mais difíceis de observar que as marés oceânicas. As marés terrestres e atmosféricas podem ser detectadas unicamente por instrumentos científicos altamente sensíveis.
Uma maré é bem semelhante a outra. Do seu nível mais baixo, a água sobe gradualmente por cerca de 6 horas até atingir a maré alta ou preamar. Daí então principia a baixar, continuando por cerca de 6 horas até alcançar a maré baixa ou baixa-mar. O ciclo então começa novamente. A diferença entre a maré alta e a baixa é chamada amplitude da maré. Enquanto a água sobe e desce, move-se em direção da costa e se afasta dela, alternadamente. Esse movimento da água é chamado fluxo da maré. Quando a água se move em direção à costa, é o fluxo enchente. Quando se desloca para alto-mar, é o fluxo vazante.
A amplitude da maré difere dia após dia conforme a posição do Sol e da Lua. Quando ambos se colocam numa mesma linha em relação à Terra, como acontece na Lua Cheia e Nova, a maré fica mais alta do que o normal e é chamada de maré de Sizígia, ou maré de águas-vivas. Quando o Sol e a Lua formam com a Terra um ângulo reto, como quando a Lua está em quarto-crescente ou quarto-minguante, a maré é mais baixa que o normal, sendo chamada maré de Quadratura, ou maré de Águas-Mortas.
A própria formação da costa marítima produz também uma grande diferença na amplitude da maré. Nos estuários e baías com o formato de funil, a amplitude pode ser muito alta. A forma, tamanho e profundidade dos mares e oceanos provocam diferenças no modo de agir da maré.
Marlene Dandolini
Fonte: www.cfh.ufsc.br
Sir Isaac Newton (1687) explicou que as marés são causadas pela gravitação, ou seja, pela atração que uma massa tem pela outra.
A GRAVIDADE
G = g(m1m2)/d2
Em que m1 e m2 são as massas dos corpos envolvidos, g é a constante gravitacional, G é a força gravitacional e d é a distância entre os corpos.
Como se vê facilmente pela fórmula, quanto maiores as massas envolvidas maior, maior a força gravitacional e quanto maior a distância menor essa força.
De acordo com a teoria da gravitação universal, as marés são protuberâncias de terra ou de água causadas pelo puxão do sol e da lua sobre o planeta.
Quando a terra se move em torno do sol ela se mantém em órbita devido ao equilíbrio de duas forças:
As mesmas forças estão presentes no sistema terra-lua, de forma que essas forças envolvidas em conjunto causam as saliências de maré em lados opostos do planeta.
2 - MARÉS SOLARES E LUNARES
O sol tem 27 milhões de vezes mais massa que a lua, mas esta está 387 vezes mais próxima da terra. Sendo assim, os efeitos de gravitação da lua acabam sendo maiores e as marés lunares são cerca de duas vezes maiores que as solares (a influência do sol nas marés vale cerca de 46% da influência da lua).
3 - MARÉS DE SIZÍGIA E DE QUADRATURA
Quando a lua é nova ou cheia, o sol está alinhado com a lua, de forma que as forças gravitacionais e centrífugas dos dois sistemas vão se somar e causar maiores saliências de maré (marés de sizígia).
Já quando a lua é crescente ou minguante, as forças dos dois sistemas (terra-sol e terra-lua) fazem ângulo reto, de forma que não contribuem umas com as outras. Por isso, as saliências serão relativamente pequenas (marés de quadratura).
4 - PERIODICIDADE DAS MARÉS
O tempo necessário para que a terra faça uma rotação completa em relação à lua é de 24 horas e 50 minutos, ou um dia lunar.
Portanto, as duas águas altas e as duas águas baixas de um dias ocorrem cerca de 50 minutos mais tarde que no dia anterior
5 - COMO SE CLASSIFICAM AS MARÉS
As marés podem ser:
a. Diurnas: ocorrem apenas uma vez ao dia b. Semidiurnas: ocorrem duas vezes ao dia c. Mistas: combinação dos dois tipos anteriores
6 - AS MARÉS SÃO IGUAIS EM QUALQUER PONTO DA TERRA?
As marés são resultado de vários fatores interagindo. Para predizer precisamente as marés, mais de 150 fatores devem ser levados em consideração
A ÓRBITA DA LUA
A lua faz uma volta ao redor da terra a cada 29,5 dias portanto as saliências das marés lunares nem sempre estão alinhadas com aquelas causadas pelo sol.
Além disso, a terra não está exatamente no centro da órbita lunar e esta é elíptica.
A ÓRBITA DA TERRA EM RELAÇÃO AO SOL
A órbita é elíptica e seu período é de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos - ano tropical.
A INCLINAÇÃO DO EIXO DE ROTAÇÃO EM RELAÇÃO À ÓRBITA DE TRANSLAÇÃO
Devido ao fato de o eixo de rotação ser inclinado em 23º27' ao plano da órbita terrestre (eclíptica), as marés variam com a latitude, com o dia do mêse e do ano.
A INCLINAÇÃO DA ÓRBITA LUNAR
O plano da órbita da lua em torno da terra faz 5º9' com o eixo de rotação do planeta.
O CICLO DE 18,6 ANOS
A cada 18,6 anos, o plano da óbita da lua fica na mesma posição relativa em relação ao eixo de translação da terra. Dessa forma, os padrões de maré se repetem a cada 18,6 anos.
A tabela a seguir mostra os principais efeitos dos astros sobre as marés:
| Fenômeno | Período | Ciclo astronômico | Causa |
| Maré semidiurna | 12 h, 25 min, 23,5 s | Tempo entre os trânsitos superiores e inferiores da lua | Rotação da terra |
| Maré diurna | 24 h, 50 min, 47 s | Tempo entre dois períodos sucessivos do trânsito superior e inferior da lua | Rotação da terra e declinação do sol e da lua |
| Intervalo entre as marés de sizígia | 14,7 dias (média) | Tempo entre a conjunção e oposição do sol e da lua e vice-versa | Fases da lua em relação ao sol |
| Efeito quinzenal da lua | 13,66 dias | Tempo para que a lua mude a declinação de zero até o máximo e retorne a zero | Variação na declinação da lua |
| Efeito mensal | 27,55 dias | Tempo para a lua ir de um perigeo a outro | Forma elíptica da órbita da lua |
| Efeito solar semianual | 182,6 dias | Tempo para que o sol mude a declinação do zero até o máximo e retorne a zero | Variação na declinação do sol |
| Efeito anual | 365,26 dias | Tempo para que a terra se desloque de um perihélio a outro | Forma elíptica da órbita da terra |
7 - AS TÁBUAS DE MARÉ
Com todas as complicações mostradas até agora, pode-se imaginar quão difícil é prever as marés costeiras. Geralmente, são usados registros de 18 ou 19 anos atrás (por que?) com pequenas modificações. Abaixo estão outros parâmetros levados em conta na previsão de marés:
Nível de redução- NR (datum): plano de referência ao qual todas as profundidades cartográficas estão relacionadas. Se refere à mais baixa maré astronômica registrada. É definido pela Organização Hidrográfica Internacional.
Nível médio - (NM ou MSL): é o plano médio entre a preamar média e a baixa-mar média.
8 - AS CORRENTES DE MARÉ
As correntes de maré são movimentos horizontais das águas causados por marés. Podem alcançar a velocidade de 10 nós (18,5 km/h) em alguns locais como, por exemplo, a ilha de Vancouver.
As correntes de maré são fracas em águas rasas e fortes em águas profundas.
Fonte: www.maraberto.ufc.br