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Marmelo

4 CARACTERÍSTICAS NUTRICIONAIS

A composição nutricional do fruto de marmelo é apresentada na Tabela 1.

Composição nutricional comum do fruto do marmelo (por 100g porção comestível).

Calorias 39 Kcal
Água 83,11%
Proteína 0,42 g
Carboidrato 8,3 g
Minerais 0,44 g
Potássio 201 mg
Fósforo 21,4 mg
Cálcio 11 mg
Ferro 0,7 mg
Vitamina B1 0,02 mg
Vitamina B2 0,03 mg
Vitamina C 15-20 mg
Ácido málico 3 a 3,5 mg
Pectina Bruta 0,63 %

O destaque para os frutos de marmelo é a alta quantidade de pectina, o que vem a facilitar a confecção de marmeladas e geléias. Vale ressaltar que as folhas do marmeleiro contêm cerca de 11% de tanino.

O consumo de marmelos é aconselhável para o bom funcionamento do aparelho digestivo.

5 CLIMA

O marmelo é muito adaptável as mais variáveis condições climáticas das zonas temperadas e subtropicais, desenvolvendo-se bem em regiões temperadas e até em partes mais frescas de regiões subtropicais (clima de altitude). Para regiões tropicais, o marmeleiro pode ser cultivado em locais que possuem algum tipo de microclima favorável ao seu desenvolvimento, como é o caso dos municípios de Luziânia-GO e Planaltina-DF, onde existem relatos de cultivo.

A planta requer temperaturas baixas durante o inverno, quando ocorrem importantes transformações hormonais internas, que são essenciais para uma boa produção de frutos. Dentre as fruteiras de clima temperado, de uma maneira geral, o marmeleiro está entre aquelas que exigem menos frio hibernal. Assim, existe cultivares que necessitam de aproximadamente 100 horas de frio, como outras mais exigentes, necessitando de até 450 horas de frio.

Em regiões mais frias, o fruto é de coloração dourada quando maduro e possui uma fragrância forte; a casca é áspera e contém penugem abundante, que se solta da casca quando o fruto chega próximo ao ponto da maturação fisiológica. Em países mais quentes, desaparece a penugem da casca.

Outro fator importante é a altitude, sendo desejável altitudes superiores a 600 metros, notadamente nas regiões subtropicais. Apesar da ampla adaptação das plantas, desenvolve-se bem em regiões com médias anuais entre 17 e 18° C, invernos suaves e raras geadas.

Todos os cultivares de marmelo têm o pericarpo do fruto sensível e estão sujeitos a marcas superficiais, especialmente plantios em locais presentes de fortes ventos. Ventos excessivos dificultam o desenvolvimento da planta, crescimento de novos ramos, florescimento e podem danificar a colheita. O local e topografia geral determinam a necessidade por quebra-vento. Se possível, estabelecer árvores de quebra-vento antes do pomar ser estabelecido. Alternativamente, um quebra-vento artificial pode ser considerado, mas sempre se deve optar por quebra-ventos que possam promover boa proteção à cultura principal e fornecer retorno econômico, como a utilização de bananeiras, bambuzais, pupunhas, oliveiras, castanheiras, entre outras.

Deve-se atentar para que as plantas do quebra vento não prejudiquem a cultura principal em relação a pragas, a doenças, ao sombreamento e a competição por água e nutrientes.

Quanto à umidade, elevadas quantidades de chuvas durante a fase de maturação, podem propiciar a incidência de enfermidades, principalmente a Entomosporiose e podridões nos frutos.

6 SOLOS

A maioria dos solos é satisfatório para o cultivo do marmeleiro. Solos mais férteis são particularmente mais apropriados para uma boa produção, sendo os argiloarenosos os mais desejáveis. Marmelos são particularmente suscetíveis a deficiência de ferro e em condições alcalinas; conseqüentemente, preferem solos ligeiramente ácidos, profundos e ricos em matéria orgânica.

Deve-se evitar terrenos muito úmidos e encostas de riachos e açudes.

Quanto à topografia, os melhores terrenos são os que possuem pouca declividade, o que vem a facilitar a utilização de implementos agrícolas. Porém, as encostas de morros não devem ser evitadas, principalmente devido às condições microclimáticas desses locais, desde que adotadas as devidas medidas de controle da erosão e dos efeitos danosos das enxurradas.

7 CULTIVARES

Os cultivares de marmeleiro que se destacam mundialmente são:

a) Portugal

É o mais utilizado comercialmente nas regiões brasileiras. Apresenta boa produtividade, bastante vigoroso, possui frutos grandes (dimensões de 9 x 7 cm e 280 g), de formato globoso-achatado, de polpa macia, bastante aromática e de coloração amarelada quando maduro. Pode ser consumido in natura ou destinados a industrialização. Possui a desvantagem de apresentar entouceramento do caule e ser susceptível a Entomosporiose. A maturação dos frutos é de meia-estação.

Marmelo
Fruto de marmeleiro ‘Portugal’.

b) Japonês

É bastante utilizado em plantações comerciais por ser tolerante a Entomosporiose. As folhas são crenadas ou serreadas, sendo facilmente distinguíveis dos demais cultivares. É um cultivar rústico, vigoroso, mas com produtividade baixa, porém algumas seleções têm-se mostrado produtivas. Os frutos são de tamanho grande (dimensões de 12-16 x 8 cm e 220 a 800 g), de formato oblongos, de coloração verde escura quando maduros e de maturação tardia (meados de abril).

Uma boa opção para esse marmeleiro é sua utilização como porta-enxerto para os demais cultivares, uma vez que possui elevado número de sementes (170-190 sementes por fruto), além de não apresentar entouceramento do caule. Pode ser utilizado no processamento industrial na confecção de doces e ainda ser misturado com o ‘Portugal’ (50%), originando um doce de excelente qualidade. Apresenta uma seleção promissora no Brasil – ANDRAMIG I.

Marmelo
Fruto de marmeleiro ‘Japonês’.

c) Smyrna

É considerado um cultivar de alta produtividade, frutos de formato globoso-oblongo, de coloração amarelo-esverdeado quando maduros, polpa macia, doce e aromática. A maturação é mediana e susceptível a Entomosporiose. É um cultivar de alta importância na Argentina e com excelente utilização no consumo in natura, devido ao sabor agradável.

d) Champion

Cultivar rústico, com produtividade média. Os frutos são de tamanho grande (dimensões de 12 x 10 cm), de formato periforme (igual a uma pêra), amareloesverdeado quando maduros e maturação tardia, sendo um cultivar ótimo para fins industriais. Apresenta o inconveniente da alta sensibilidade no transporte, porém menor susceptibilidade a Entomosporiose que o ‘Portugal’. É um cultivar de alta importância na Argentina.

e) Rea’s Mammouth

Cultivar vigoroso e produtivo. Os frutos são de tamanho médio (dimensões de 8 x 7,5 cm), de formato periforme e com a região peduncular em forma de mamilo, coloração amarelo-esverdeado quando maduros, polpa macia e perfumada.

f) Füller

Cultivar vigoroso e de boa produtividade. Frutos de tamanho médio, formato periforme, coloração amarelo claro quando maduro, polpa macia de ótima qualidade.

g) ‘Bereczky’ ou ‘De Vranja

Cultivar vigoroso, de maturação precoce e com frutos grandes (dimensões de 11 x 8,5 cm), de formato periforme, lembrando-se uma pêra. É o cultivar mais recomendado para a confecção de bebidas destiladas de marmelo.

h) Apple

Também conhecido como ‘Orange’ ou ‘Maçã’. É o cultivar mais exigente em frio. Porém, possui alta produtividade, com frutos com aspecto de maçã, de formato globoso, de coloração amarelo-limão quando maduro. Os frutos são relativamente menores que os demais cultivares (dimensões de 6 x 6,5 cm). i)

i) Cheldow

Marmeleiro vigoroso e produtivo. O fruto é de tamanho médio, globoso meio irregular, amarelo-esverdeado escuro, penugem abundante, polpa rígida e sabor acidulado. A maturação dos frutos é mediana. Possui a vantagem de ser mediamente susceptível a Entomosporiose.

j) Sugar

O marmeleiro é de vigor médio e pouco produtivo. O fruto é globoso a arredondado, meio irregular, tamanho médio e coloração amarelo-creme quando maduro. A polpa é firme, granulosa e de sabor doce-acidulado forte. A maturação é mediana. É mediamente susceptível a Entomosporiose.

k) Mendoza Inta-37

É um cultivar lançado pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina (INTA). Este cultivar foi introduzido pelo Instituto Agronômico (IAC) e está começando a ser difundido no Brasil pela EPAMIG (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), por apresentar tolerância a Entomosporiose e excelente produtividade.

É um cultivar vigoroso, de ótima produção, com ramos largos e folhas grandes e onduladas. A maturação é intermediária, o fruto é mediamente grande, globoso com cavidade peduncular larga e rasa, podendo chegar a 330 g. A polpa é firme, clara, de sabor acidulado. É destinado principalmente à industrialização.

Marmelo
Fruto de marmeleiro ‘Mendoza Inta-37’.

l) Provence

Este marmeleiro é oriundo da França, sendo principalmente utilizado para porta-enxerto de pereiras. Porém, demonstrou-se altamente produtivo quando introduzido em São Paulo. O fruto é de tamanho médio (150 g), globoso, achatado e irregular, apresentando três suturas bastantes evidentes e outras duas menos nítidas, com cavidade peduncular geralmente rasa. A coloração do fruto é amarelo-esverdeado quando maduro, com polpa creme-claro, macia, de granulação fina, de sabor doceacidulado. Apresenta baixa susceptibilidade a Entomosporiose.

Marmelo
Fruto de marmeleiro ‘Provence’.

Outros cultivares conhecidos são:

Mato Dentro

Mendoza Inta-117

Mendoza Inta-147

Missouri Mammoth

Powell’s Prize

Appleshaped

Mummery’s Seedling

Pineaplle

Master’s Early

De Bourgeaut

Van Deman

Meliforme

De Patras

Meech Prolific

Radiolo

Gamboa

Constantinopla

Lescowatz

Morava

Raivas

Pêra

Angers

Du Lot

BA 29

MC

Adams

Lageado

Siebosa

Quince-A

Quince-C

Não há nenhuma evidência que marmeleiros requerem pólen de outro cultivar para fixarem frutos, ou seja, necessitem de polinização cruzada. Realmente, há bastantes exemplos de uma única planta que produz bem sem polinizador. Porém, em muitos casos, colheitas de frutos são melhores onde as polinizações cruzadas são providas.

É sugerido então que mais de um cultivar seja adotado em pomares comerciais. Além disso, é importantes o plantio de cultivares precoces, meia-estação e tardios para escalonar a produção e ter maior período de escoamento de frutos para o mercado.

8 PRODUÇÃO DE MUDAS

Apesar dos marmeleiros possuírem sementes viáveis, a desuniformidade gerada pela propagação sexual não é desejada no estabelecimento de plantios comerciais. Sendo assim, a propagação assexuada ou vegetativa vem a ser a forma mais viável para os marmeleiros. Vale ressaltar que os plantios via sementes (“pés francos”) originam plantas que se desenvolvem muito bem, mas entrando em produção mais tardiamente, em comparação quando se utiliza o processo de propagação vegetativa.

8.1 Propagação por enxertia

Para a enxertia, pode-se utilizar porta-enxertos tanto oriundos de sementes como de estacas. Nesse caso, deve-se dar preferência ao marmeleiro ‘Japonês’, por não apresentar tendência ao entouceramento, ser mais resistente à entomosporiose, produzir um sistema radicular pivotante, portanto com maior capacidade de aprofundarse dando maior resistência à seca e ainda possuir elevado número de sementes por fruto (170 a 190 sementes), o que facilita o processo de propagação.

As sementes devem ser colhidas de frutos maduros, normalmente em meados do mês de abril. As sementes devem ser lavadas em água corrente ou água com cal, para promover a remoção da mucilagem e posteriormente serem secas à sombra por 48 horas. As sementes apresentam dormência, devendo ser estratificadas, colocandoas em bandejas contendo vermiculita ou areia umedecida, enterradas cerca de 0,5 cm e colocadas em geladeira por 30 dias.

Posteriormente, devem ser semeadas individualmente em tubetes, dando preferência a substratos que contenham boa quantidade de matéria orgânica e bom arejamento. A germinação é uniforme quando a dormência é quebrada, porém podem ser semeadas sem passarem pela estratificação, porém o stand será bem desuniforme. Quando as mudinhas apresentarem tamanho aproximado de 10 cm, devem ser transplantadas para o viveiro no campo ou em sacolas (20 cm de diâmetro x 35 cm de altura).

Após seis meses, as mudas já estarão no ponto de enxertia, possuindo cerca de 6 mm de diâmetro à 15 cm acima do coleto. Os métodos de enxertia mais utilizados são a garfagem à inglesa complicada ou garfagem tipo fenda cheia, devendo utilizar garfos contendo cerca de três gemas. Após a enxertia, deve-se tomar certos cuidados, devendo-se amarrar bem o enxerto e colocar um plástico em cima da região de enxertia, formando-se uma câmara úmida. O saquinho deve ser removido após 30 dias, quando já possível se observar o pegamento do enxerto.

Porém, não é uma época ideal para realizar-se a enxertia (novembro-dezembro), devendo-se esperar até o final do período hibernal, para coincidir a poda com a retirada dos garfos, o que irá propiciar um elevado índice de pegamento dos enxertos (ao redor de 98 %).

Desse modo, a muda levará 18 meses para ficar pronta, uma vez que após 6 meses da enxertia já pode ser levada ao campo.

Porém, as sementes podem ser armazenadas em geladeira (6º C) por até um ano, podendo ser estratificadas em dezembro, serem semeadas nos tubetes em janeiro e chegarem no ponto de enxertia junto a poda hibernal, assim levando apenas um ano para a muda ficar pronta.

No caso da muda enxertada em sacolas, essa deverá ser levada ao campo no período chuvoso, ou seja, no verão. Vale ressalta que a enxertia tipo borbulhia não proporciona bons resultados. Para mudas de raiz nua, o período de plantio é o inverno, podendo extender-se até o início da primavera.

Sementes de Marmelo
Semeadura das sementes dos porta-enxertos em tubetes

Marmeleiro
Detalhe dos seedlings de marmeleiro ‘Japonês’

Marmeleiro
Ponto de transplantio para recipientes maiores

Marmeleiro
E porta-enxertos aptos para a realização da enxertia

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