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Marte


Imagem mostrando duas fotografias obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble em datas diferentes (26/06/2001 e 04/09/2001), mostrando a dramática diferença da visão normal de Marte (à esquerda) com a tempestade global (à direita). A tempestade que começou em Junho de 2001, na bacia Hellas localizada no hemisfério Sul, atinge velocidades de 100 Km/h e aumentou a temperatura atmosférica para 30° Celsius.


Ilustração artística da superfície de Marte durante uma tempestade de areia no local da sonda Mars Pathfinder.

Estações do Ano em Marte

As variações anuais de temperatura de Marte, ou de qualquer outro planeta, dependem de dois fatores: inclinação axial (eixo) e distância variável ao Sol. A medida que um planeta descreve seu movimento de translação ao redor do Sol, este pode aproximar ou afastar-se do Sol, dependendo da forma de sua órbita (circular ou elipse). Assim, quando mais próximo do Sol, maior a temperatura e vice-versa. Em relação à inclinação axial, se um planeta não possuísse nenhuma inclinação, a temperatura seria maior no equador, pois aí os raios solares incidiriam perpendicularmente à superfície, e os pólos seriam igualmente iluminados. A medida que o planeta vai adquirindo inclinação axial, a luz solar incidirá mais em um dos pólos, deixando o outro com menos luminosidade.


A ilustração acima mostra o movimento de translação de Marte, onde podemos ver o efeito da inclinação axial e a variação da distância ao Sol. Devido à inclinação axial, vemos, à esquerda, que o Pólo Sul está na escuridão enquanto que o Pólo Norte está totalmente iluminado. Essa situação inverte-se no próximo solstício (à direita). Nos equinócios, a luminosidade é igual em ambos os pólos (a nomenclatura da figura refere-se as estações do hemisfério norte). Os números indicam a distância de Marte ao Sol, em unidades astronômicas. Percebe-se que no verão do hemisfério sul, Marte está mais próximo do Sol.

Marte possui uma órbita elíptica em torno do Sol, conseqüentemente a distância de Marte ao Sol varia de 1,38 UA a 1,65 UA em um ano marciano. Esta grande variação, combinada com a inclinação axial de Marte um pouco maior do que a da Terra (Terra 23,45 graus e Marte 25,19 graus), causa grandes variações anuais, bem mais importante do que aquelas vistas aqui na Terra.


Ilustração comparando o formato da órbita e a inclinação axial de Marte (abaixo) e da Terra (acima). clique para ampliar

Outra conseqüência das estações do ano em Marte é o derretimento da calota polar, com conseqüente aumento do gás carbônico na atmosfera, ventos forte e tempestades de areia. Esse efeito deve-se à inclinação axial de Marte, que deixa um pólos sob ação direta dos raios solares, causando a sublimação do gás carbônico.


Essa figura o Hubble mostra o processo de contração da calota polar norte de Marte. Outubro de 1996: início da primavera. Janeiro de 1997: meio da primavera. Março de 1997: começo do verão. Video Variação do tamanho da calota polar norte

Para entendermos melhor como ocorrem as variações anuais da temperatura em função das estações do ano em Marte, podemos traçar o gráfico da incidência de luz solar em Marte ao meio-dia, como visto na figura abaixo. O eixo Y representa a latitude do planeta e está dividido em hemisfério norte e sul (vide figura). O eixo X representa o intervalo de tempo equivalente a um ano marciano e está dividido nas quatro estações do ano, conforme esquematizado na figura. As cores mostram a intensidade da incidência de luz solar. O vermelho indica maior insolação e maior temperatura, enquanto que o azul mostra regiões com menor insolação e temperatura. Ao analisar a figura vemos que Marte apresenta maior insolação e, conseqüentemente temperaturas mais elevadas, no final da primavera e começo do verão do hemisfério sul, quanto Marte está mais próximo do Sol.

Nuvens Marcianas

Embora não tão evidentes como na Terra, as nuvens são características freqüentes em Marte. A atmosfera marciana contem apenas traços de vapor de água, contudo, a temperatura e a pressão atmosférica são capazes de promover a saturação desse vapor com conseqüente formação de nuvens. Elas são compostas principalmente de água e gás carbônico e devido a baixa densidade atmosférica, elas se parecem com os cirros terrestres. No entanto, em decorrência dos ventos fortes, elas podem adquirir aspecto de ciclone.

Céu marciano
Esta imagem foi obtida pela Mars Pathfinder e mostra o céu marciano. Os riscos brilhantes são provavelmente nuvens de gelo que são formadas durante a noite.

Em torno dos vulcões mais altos, o vapor de água pode se condensar formando nuvens a grandes altitudes; em contraste, nos vales é possível a formação de neblinas (fog) ao amanhecer e ao anoitecer. As nuvens marcianas podem ser observadas mesmo com telescópios aqui da Terra, através de seu brilho transitório na superfície de Marte. Numerosos tipos de nuvens foram vistos pelas sondas Mariner e Viking, sendo classificadas em vários tipos:

Lee Waves

Estas nuvens formam-se em sotaventos (lado de um objeto que fica protegido do vento) de grandes obstáculos como montanhas, picos, crateras e vulcões. O ar nessa região sofre oscilações formando ondas.

Lee Wave
Este é um exemplo de Lee Wave associado a cratera de impacto. Note a periodicidade das ondas nas nuvens.

Wave Clouds

Estas nuvens aparecem como fileiras de nuvens lineares. São comuns nas bordas das calotas polares.

Wave Clouds
São freqüentemente encontradas nas bordas das calotas polares e na região de Tharsis e Lunae Planum.

Cloud Streets

Estas nuvens exibem uma dupla periodicidade. Elas aparecem em filas lineares de nuvens semelhantes aos cúmulos.

Cloud Streets
Esse tipo de nuvem mostrada na figura exibe um dupla periodicidade. Ocorrem no pólo norte e nas regiões de Tharsis e Syria Planum.

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