
Ilustração da edição original de 1898, mostrando
máquinas de guerra marcianas.
No ano de 1906, o astrônomo Percival Lowell, fascinado pelos canais e vegetações marcianas, lança o livro Marte, onde lê descreve detalhes de suas observações dos canais marcianos. Em 1909 lança o livro Marte como morada da vida, descrevendo uma civilização marciana tecnologicamente superior, capaz de construir grandes canais para levar água do degelo das calotas polares ás vegetações no equador do planeta. Nessa época e até alguns anos mais tarde, a humanidade estava certa da existência de vida inteligente em Marte.

Mapa de Schiaperelli mostrando os famosos canais de Marte

Os marcianos e seus canais
Quando a primeira sonda espacial a sobrevoar Marte (Mariner 4) enviou as primeiras imagens do planeta em 1965, uma decepção geral pairou sobre a comunidade astronômica. Nenhum vestígio de civilizações ou canais foram encontrados; apenas uma paisagem cheia de crateras foi observada. Outras sondas confirmaram a ausência de uma civilização marciana.
No ano de 1976 as sondas Viking pousaram na superfície de Marte. As imagens não mostraram nenhum sinal de vida, pelo contrário, apenas um deserto. Os experimentos biológicos com amostra do solo marciano, tiveram resultados contraditórios, mas o consenso geral foi de que Marte não possuía nenhum indício de vida, pelo menos no local onde pousaram as sondas. Dessa forma, a possibilidade de Marte abrigar vida foi deixada de lado.
O debate foi novamente aberto quando a NASA anunciou a presença de fósseis de bactérias e índicos de compostos formados por atividade biológica em um meteorito descoberto na Antártica. A descoberta do meteorito ALH84001 causou grande agitação no meio científico e muitas críticas foram feitas. Mas o fato é que, se os defensores não conseguem provar consistentemente os indícios de bactérias marcianas, os críticos não conseguem excluir esse hipótese com certeza absoluta. Em suma, a questão ainda permanece em aberto, esperando a obtenção de novos dados pelas futuras missões a Marte, para melhor esclarecer a questão sobre a presença de vida no planeta vermelho. Adiante, será apresentado um resumo sobre os experimentos biológicos da Viking e sobre o meteorito ALH84001, além de uma breve conclusão e as perspectivas futuras sobre o tema aqui debatido.
As sondas Viking 1 e 2 aterrisaram no solo marciano em julho e setembro de 1976, respectivamente. Além dos experimentos biológicos, outros objetivos da missão eram: analisar o clima, cartografar a superfície do planeta a partir de sua órbita, fazer analises do solo e da atmosfera. Aliás, os dados obtidos através da analise da atmosfera permitiu que mais tarde fosse possível determinar a origem marciana de alguns meteoritos.
As sondas estavam equipadas com cinco instrumentos para investigar a presença de vida em Marte, sendo três deles usados para realizar experimentos com amostra do solo. Esses equipamentos eram os seguintes:
Câmeras de TV: entre outras coisas, foi utilizada para investigar a presença de sinais sugestivos de vida na superfície do planeta.
Espectrômetro de massa e um cromatógrafo de gás – GCMS (gás chromatograph / mass spectrometer): este equipamento tinha a função de medir a composição e abundância de compostos orgânicos presentes no solo.
Experimento de emissão pirolítica – PR (pirolytic release): tinha por objetivo procurar evidencias de anabolismo microbiano (síntese de moléculas orgânicas a partir de CO2 e CO da atmosfera). Para esse processo ocorrer, é necessária uma fonte de energia (luz solar). Nesse experimento, uma amostra do solo foi incubada em uma atmosfera simulada de Marte contendo CO2 e CO marcados com C14 radioativo. Uma lâmpada de xenon simulou a energia solar. Após 5 dias, a amostra foi aquecida a 625°C para quebrar as moléculas (pirólise) e todo gás e material resultante dessa queima foi passado por um detector de C14. Se existissem microrganismos no solo, eles iriam assimilar o C14 da atmosfera e após a pirose, este seria evidenciado pelo detector.
