Experimento de emissão marcada – LR (labeled release): seu objetivo era procurar evidencias de catabolismo (quebra de moléculas orgânicas, no caso, aminoácidos, com eliminação de CO2, CO e Ch2). Uma amostra do solo foi umedecida co uma solução de água destilada a aminoácido glicina marcada com C14. Após 10 dias e incubação, os microrganismos consumiriam a glicina radioativa e após seu catabolismo, liberariam gases radioativos, que seriam acusados no detector de radioatividade.

Experimento de trocas gasosas – GEX (gas exchange): experimento semelhante ao LR só que sem uso de substancias radioativas. Uma amostra do solo é misturada a nutrientes e incubada por 12 dias numa atmosfera simulada de Marte. Os microrganismos deveriam consumir o nutriente e eliminar, como produto do catabolismo, gases como H2, Ch2, CO2, O2 e N2, os quais seriam detectados por um cromatógrafo de gás.

Para melhor analisar os experimentos da Viking, os pesquisadores elaboraram um grupo controle para comparar resultados. Esse grupo controle consistia em amostra do solo esterilizado e tinha a função de diminuir a possibilidade de resultado falso positivo.
Veja esse exemplo para melhor entendimento:
Experimentos da Viking feitos com amostras do solo da Terra.
| Experimento | Resultado na amostra | Resultado no controle |
|---|---|---|
| GEX | Emissão de O2, CO2 | Nada |
| LR | Emissão de gás marcado | Nada |
| PR | Detecção de C14 | Nada |
Como o grupo controle (solo esterilizado) não apresentou resultados positivos, podemos dizer com mais convicção que os resultados obtidos com as amostras não esterilizadas são devidos aos processos biológicos. Caso algum controle mostrasse resultado positivo, deveríamos considerar a possibilidade de algum processo não biológico estar produzindo os dados observados, já que no controle o solo foi esterilizado e portanto, nenhum microrganismo poderia ter produzido esses resultados.
Veja agora os resultados dos experimentos da Viking com solo marciano:
| Experimento | Resultado na amostra | Resultado no controle |
|---|---|---|
| GEX | Emissão de O2 | Emissão de O2 |
| LR | Emissão de gás marcado | Nada |
| PR | Detectado C14 | Detectado C14 |
| GCMS | Ausência de compostos orgânicos | |
| Câmeras de TV | Ausência de imagens sugestiva de vida macroscópica |
Como os experimentos GEX e PR produziram resultados positivos no grupo controle, os cientistas acreditam que algum processo inorgânico os produziu e portanto, não podemos considera-los como indicativo de atividade biológica.
O experimento LR preencheu o critério para a origem biológica de seu resultado (controle negativo). No entanto, um certo impasse ocorreu: quando o nutriente era injetado, um aumento rápido no gás emitido ocorria e depois, essa emissão diminuía. Esperava-se, com a adição do nutriente, o crescimento e multiplicação dos microrganismos, provocando um aumento cada vez maior da emissão de gás e não uma diminuição, como foi observado. O resultado visto no LR é sugestivo de um processo inorgânico, onde, devido ao consumo de reagentes do solo, a produção de gás diminuía gradualmente. O consenso geral foi que os resultados do LR também eram de origem não biológica.
O resultado mais desanimador foi da GCMS. A ausência de compostos orgânicos no solo do planeta era incompatível com a presença de vida. E não se pode dizer que houve falha do equipamento, pois ele foi capaz de detectar vestígios de solventes orgânicos usados para esterilizar a sonda.
Concluindo, os resultados da Viking, embora um tanto quanto ambíguos (uns positivos e outros negativos) e por isso até hoje debatidos, mostraram que não há evidencias de processos biológicos ativos no planeta Marte, pelo menos na sua superfície e no local de pouso das sondas Vikings. Embora esse tenha sido o consenso geral,uma minoria ainda discute os resultados do LR.
O meteorito Alh84001, de 1939 gramas, é um dos 12 meteoritos de origem marciana encontrados no planeta Terra. Recebe esse nome porque foi descoberto numa região da Antártica chamada Allan Hills (ALH) no ano de 1984 (ALH84), mais precisamente em 27/12/84 e foi o primeiro de sua espécie a ser encontrado na região (ALH84001).

Meteorito ALH84001.
Somente em outubro de 1993, nove anos após sua descoberta. É que o pesquisador David Mittlefehldt determinou a origem marciana do ALH84001. Isso foi possível porque alguns meteoritos, inclusive o ALH84001, apresentam bolsas de vidro hermeticamente fechadas com uma pequena amostra da atmosfera do corpo de onde provêm. A análise da composição desse gás no ALH84001 foi idêntica à composição atmosférica de Marte, estudada pelas Vikings. Além disso, a análise da composição química do meteorito também confirma sua origem marciana. Diante desses fatos, os pesquisadores não têm duvidas que o ALH84001 é realmente um meteorito marciano.
Tal descoberta causou uma grande agitação em pesquisadores do mundo todo e inúmeros estudos foram realizados com essa rocha marciana. Logo se constatou que ela tinha aproximadamente 4,5 bilhões de anos, sendo o meteorito mais velho já encontrado (o mais antigo tinha 1,3 milhões de anos). Com essa idade, o ALH 84001 é uma amostra de como era a crosta inicial de Marte, já que as rochas se formaram naquela época devido ao resfriamento do magma dos vulcões.
Descobriu-se também, que essa rocha continha glóbulos de carbonato, o qual é formado na presença de água. Portanto, o meteorito deve ter ficado em contato com água em Marte antes de iniciar sua viagem em direção a Terra.
Ainda em relação aos carbonatos, convém explicar que eles são formados de duas maneiras: através de reações inorgânicas e reações orgânicas. A formação inorgânica ocorre quando o gás carbônico reage com a água formando acido carbônico, que na presença de algum mineral, forma carbonatos. Exemplo:
| CO2 | + | H2O | H2CO | |
|---|---|---|---|---|
| gás carb. | + | água | ác. carbônico |
| H2CO3 | + | Ca | CaCO3+ H2 | |
|---|---|---|---|---|
| ác. carbônico | + | cálcio | carbonato de cálcio + hidrogênio |
A formação orgânica ocorre com a colaboração de seres vivos como por exemplo os organismos marinhos que formam conchas, ou durante a decomposição de material orgânico que libera CO2, o qual pode reagir com a água formando carbonato. Inicialmente os cientistas da NASA anunciaram que a estrutura e composição química dos carbonatos do ALH84001 sugerem formação com auxilio biológico.
Glóbulos de carbonato do ALH84001.
Os cientistas também detectaram moléculas orgânicas no meteorito. Verificou-se a presença de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH), os quais são formados pela decomposição de matéria orgânica e estão associados às rochas sedimentares, carvão de pedra e petróleo. Notou-se que os PHAs estavam concentrados no interior dos glóbulos de carbonatos, indicando processo de fossilização (microrganismos em decomposição liberaram os PHAs e CO2, que reagindo com água, formaram os carbonatos).
Outro achado que causou bastante euforia foi a presença de estruturas tubulares e ovalares, com textura e aparência semelhante a microfósseis. Essas estruturas tinham dimensões bem menores que as bactérias terrestres mais comuns, as menores estruturas tinham cerca de 1/1000 do diâmetro de um fio de cabelo,e as maiores 1/100.
