ANACLETA, suplicante – André!
PEDESTRE – A prova da minha desonra! (Tomando-a pelo braço, a
conduz
para junto da vela que está sobre a mesa.)
ANACLETA – Deixai-me! O que queres de mim?
PEDESTRE, apresentando-lhe a carta à luz da vela – Lê!
ANACLETA – André, piedade! (Muito aterrorizada.)
PEDESTRE – Lê comigo! (Lendo:) “Minha bela Anacleta...
ANACLETA, repetindo – Minha bela Anacleta...
PEDESTRE, lendo – ... Teu marido é um animal...
ANACLETA, repetindo – ... Teu marido é um animal...
PEDESTRE, no mesmo – ... e tu és um anjo.
ANACLETA, no mesmo – ... e tu és um anjo.
PEDESTRE, no mesmo – Esta noite irei ver-te...
ANACLETA, no mesmo – Esta noite irei ver-te...
PEDESTRE, no mesmo – ... e se não tiver a fortuna de encontrar-te...
ANACLETA, no mesmo – ... e se não tiver a fortuna de encontrar-te...
PEDESTRE, no mesmo – ... deixar-te-ei esta carta...
ANACLETA, no mesmo – ... deixar-te-ei esta carta...
PEDESTRE, no mesmo – ... para conheceres quanto te amo...
ANACLETA, no mesmo – ... para conheceres quanto te amo...
PEDESTRE, no mesmo – ... e quanto desprezo o burro do teu marido.”
ANACLETA, no mesmo – ... e quanto desprezo o burro do teu marido.
10
PEDESTRE, puxando-a para a frente do tablado, encruzando os braços
e com
grande tranqüilidade – Que tens que dizer?
ANACLETA – Tudo me persegue...
PEDESTRE – E te crimina. (Mudando de voz:) Olha para mim! Reconhecesme?
ANACLETA – Oh, para que deixei eu o Recolhimento para seguir este homem?
PEDESTRE – Já fizeste as tuas orações?
ANACLETA – Que queres tu dizer?
PEDESTRE – Recomenda tua alma a Deus, que eu esperarei um instante.
(Passeia.)
ANACLETA – Oh, André, André, piedade! Escuta-me! (Aqui
entra Balbina
com uma xícara de café.)
BALBINA – Está o café, meu pai. (Pedestre dá com
a mão na xícara e a atira
pelos ares.) Ah!
PEDESTRE, voltando-se para Anacleta e desembainhando a espada – Estás
pronta?
ANACLETA, agarrando-se com Balbina – Balbina! Balbina!
BALBINA – Ai, ai!
PEDESTRE puxa Anacleta pelo braço, a qual arrasta Balbina consigo –
Tu vais
morrer, mulher infiel, traidora!
ANACLETA, gritando – Quem me socorre, quem me socorre?
BALBINA, ao mesmo tempo – Meu pai, meu pai!
PEDESTRE – Ninguém agora te arrancaria de minhas mãos!
Quero vingar-me!
Morre!
ALEXANDRE, do buraco da porta – Tenha mão!
PEDESTRE, ao ouvir esta voz, volta-se e deixa o braço de Anacleta –
Ah,
negro, diabo!
ANACLETA, vendo-se livre, corre para dentro – Socorro!
PEDESTRE, conhecendo que foi o negro quem falou, segue a Anacleta, furioso
– Espera, espera! (Saem ambos de cena.)
BALBINA – Meu pai, meu pai!
ALEXANDRE, do buraco da porta – Psiu, psiu! Balbina, vem cá!
PAULINO, do armário – O que será de mim? Misericórdia,
que mortandade!
BALBINA, correndo para Alexandre – Fuja, fuja; senão, mata-me
também!
ALEXANDRE, do buraco – Abra a porta, que fugiremos juntos. Já
não quero
ficar aqui nem um instante.
BALBINA – Ele tirou a chave!
PAULINO, dentro do armário – Olé, o negro quer fugir com
a moça! Aonde me
meti eu!
ALEXANDRE – Balbina, Balbina, o que há de ser de nós?
Quem mandou-me cá
vir? Mas eu te amo tanto!
PAULINO, do armário – O caso é esse, agora percebo: disfarçou-se,
pintou-se
de negro para cá entrar. Olhem que menino! Se eu não estivesse
com tanto medo, ria-me
do logro que levou o pedestre. (Ouve-se dentro gritos e bulha, como de uma
pessoa que
rola pelas escadas abaixo.)
BALB1NA – Meu Deus, ele matou-a!
ALEXANDRE, do buraco – Não é possível!
PAULINO, no armário, fechando a porta – Eu desmaio... Quem me
acode?
ALEXANDRE – Vai ver, vai ver, já não posso estar aqui...
As pernas trememme...
(Sai do buraco.)
Entra o PEDESTRE, ainda com a espada na [mão] e muito pálido
e assustado.
BALBINA – Meu pai, meu pai, o que tem? Tão pálido! Responda!
E minha
madrasta?
PEDESTRE, apontando para dentro, todo trêmulo – Morta!
BALBINA – Morta! Meu Deus! (Corre para dentro.)
PAULINO, à parte, no armário – Um assassinato! E eu sou
a causa, oh!
PEDESTRE, como assustado – Ela me enganava... Está morta! Morta!
E agora?
Enterra-se... e fico descansado. Sim, descansado, tranqüilo. Amanhã
perguntar-me-ão
por ela e eu... Oh, talvez fizesse mal... Mal? Se ela estivesse inocente...
Inocente... Oh!
(Com ternura:) Anacleta, Anacleta! Mas ela traiu-me, fiz muito bem... O homem
deve
vingar-se... (Com ternura:) Anacleta! Vem gente...
BALBINA, entrando – Meu pai, meu pai, talvez ainda seja tempo de a salvar!
Ela rolou pelas escadas abaixo e lá está caída, fria
e sem sentidos... Acuda-a!
PEDESTRE – Não, ela traiu-me; esqueceu-se do meu nome, do meu
amor e de
minha confiança.
BALBINA – Venha, ou vá chamar um médico!
PEDESTRE, com voz terrível – Não!
BALBINA – Meu Deus, compadecei-vos de nós! (Sai.)
PEDESTRE – Morta, morta, morta! Talvez não fosse culpada; talvez,
quem
sabe? Que abismo! Inocente! Mas a carta, a carta? Teu marido é um animal...
Animal!
Oh, se tivesse o indigno sedutor debaixo dos pés, se o visse tremendo,
enfiado nesta
espada, ah! seria feliz! Pérfida! Insultado, desonrado! Oh, quisera
nadar em sangue!
Pérfida! (Passeia agitado pela sala.) Esta escada quebrada... Desceria
ele por aqui?
Viria pelos telhados? Ah, (vendo o boné) um boné! Um boné
em minha casa? Um boné!
Querem-na mais clara? Mas um boné por si só é inocente,
um boné nada vale... A
cabeça que ele cobria é que é tudo. Procuremos a cabeça.
(Principia a procurar pela
sala, furioso) Não me há de escapar. (Dirige-se para o armário
e o abre.) Oh, cá está!
PAULINO – Quem me acode? Quem me socorre?
PEDESTRE, arrancando-o do armário e puxando-o para frente da cena –
Oh,
és tu? O algoz da minha honra, da minha tranqüilidade!
PAULINO, trêmulo de susto – Eu não senhor, não senhor!
PEDESTRE, pondo-lhe o boné na cabeça – Este boné
é teu... e esta cabeça é
minha!
PAULINO – Ai, ai, ai!
PEDESTRE, furioso – Ah, tu pensavas que havias de entrar no asilo conjugal
pelo telhado, para roubares ao marido o seu bem! Ah, contastes com a minha
fraqueza!
Tu vais morrer na maré da noite!
PAULINO – Ai, ai, quem me acode?
PEDESTRE – Podes gritar. Tenho o direito de te matar. Vou arrancar-te
esse
coração... Grita... e morre!
PAULINO, por um movimento rápido, desprende-se das mãos do Pedestre
e
corre pela sala, gritando – Ai, ai, quem me acode? Querem-me matar!
PEDESTRE o segue de perto – Não me escaparás; hás
de morrer! (Atira uma
estocada em Paulino, pelas costas.) Morre!
PAULINO, deixando-se cair ao chão de bruços, com os braços
estendidos – Ai,
estou morto!
PEDESTRE, parando repentinamente – Morto! Também ele! Matei-o!
(Deixa
cair a espada, trêmulo, e vem assentar-se junto à mesa, e aí
permanece por alguns
instantes, silencioso. Paulino, enquanto o Pedestre caminha para a mesa, e
durante o
tempo que aí demora-se sentado, levanta a cabeça e observa..
Pedestre, depois de
alguns momentos de silêncio:) Fiz o que devia.
PAULINO, à parte – E eu também...
PEDESTRE, levantando-se, pensativo – Nasce o homem tranqüilo e
inocente e
depois faz duas mortes... Duas mortes! Fado e destino da humanidade! (Caminha
para
junto de Paulino, que se conserva imóvel.) Vil sedutor, cadáver
aborrecido! (Empurra-o
com o pé e ele rola.) Ressuscita outra vez, que te quero ainda matar
de novo, cevar-me
no teu sangue, arrancar tuas tripas! Oh, ressuscita outra vez!
PAULINO, à parte – Assim era eu tolo!
PEDESTRE – Minha vingança está satisfeita; dormirei tranqüilo...
Tranqüilo?
Mas a forca? A forca! Oh, que nem dela me lembrava! Oh, por que levantou a
justiça
este horrível fantasma entre o homem e a sua legítima vingança?
Oh, bem se vê que
quem inventou o Código e a forca não tinha mulher que o traísse...
Que farei? Como
ocultar estas duas mortes, como esconder estes dois corpos, que farei? Ah!
(Como ferido
de uma idéia repentina, corre para o quarto aonde está Alexandre
e sai.)
PAULINO, levantando a cabeça com cautela e espiando – Foi-se...
O que iria
fazer? Se a chave estivesse na porta, eu metia pernas... Mas o endemoninhado
a tirou...
O melhor é continuar a fingir-me de morto. Mas que diabo quererá
ele fazer do meu
corpo? Ora, é bem feito, para eu não [me] meter em camisas de
onze varas, saltar
telhados e bolir com as mulheres dos outros. Se escapar desta, podem todos
os que têm
mulheres dormirem com as portas abertas, que eu abrenuntio... Ele aí
vem... Estou
morto...
Entra o PEDESTRE, conduzindo por uma mão ALEXANDRE e tendo na outra
um
saco.
PEDESTRE, para Alexandre – Nem uma palavra, e faze o que eu te mando;
do
contrário, mato-te como o matei... (Apontando.)
ALEXANDRE, assustado, vendo Paulino – Ah!
PEDESTRE – Então?
ALEXANDRE, à parte – É alta noite, e eu só com
este desalmado, em sua
casa...
PEDESTRE – Decide-te!
ALEXANDRE – Sim sinhô. (À parte:) O melhor é obedecer-lhe
e ver se me
safo...
PEDESTRE – Vem cá. É preciso metê-lo neste saco,
ajuda-me. (Ambos
principiam a meter Paulino dentro do saco. Durante esta operação,
Pau1ino conserva
toda a aparência de um corpo morto.) Anda mais depressa, não
tremas. Ele ainda está
quente... Patife! Assim metido no saco, tu o levarás às costas
e o lançarás ao mar.
(Tirando uma corda da algibeira:) Amarremos a boca do saco. (Amarram a boca
do
saco.) Eu te acompanharei até a praia; depois dar-te-ei a liberdade...
Bom, está
amarrado. Agora espera um instante, enquanto vou ver se alguma ronda se aproxima,
ou
se passa alguém pela rua. (Sai pelo fundo e fecha a porta por fora.)
ALEXANDRE e PAULINO metido no saco.
ALEXANDRE – Fecha a porta... e deixa-me só com um homem morto!
Mas
quem é este homem? Por que o matou ele? Oh, tenho os cabelos arrepiados...
Só com
um cadáver! Que vim eu aqui fazer? Que horrível noite! E Balbina?
Está junto da
madrasta também morta... Oh, que terrível pedestre! O que farei,
o que farei?
PAULINO, dentro do saco, sentando-se – Fugirmos...
ALEXANDRE, recuando, espavorido – Ah!
PAULINO, no mesmo – Não se assuste, que eu estou vivo...
ALEXANDRE – Vivo!
PAUL1NO, no mesmo – Sim, sim. Pois não ouve que estou falando?
ALEXANDRE, aproximando-se – Ah!
PAULINO, no mesmo – Ele saiu... E eu espero que o senhor não
me lance ao
mar dentro deste saco. Ande, tire-me daqui. Eu bem sei por que o senhor também
está
cá; tudo tenho ouvido. Veio por uma e vim por outra... Ande, tire-me
daqui e fujamos...
Ande depressa, uf! (Alexandre, que durante o tempo que Paulino fala está
como
pensativo, exclama, logo que ele tenha acabado: Balbina, Balbina! e sai pela
direita,
correndo.)8
PAULINO, só, dentro do saco.
PAULINO – Então? Ó senhor? Foi-se... E esta! (Pôe-se
em pé.) E deixou-me só,
dentro do saco... Se eu pudesse arrebentá-lo! (Faz esforços.)
Nada! Estou aviado, quero
dizer, estou ensacado... Ó amigo? (Vai dar alguns passos, atrapalha-se
no saco e
cai.)Ai, que fiz um galo na testa. Quem me mandou cá vir? (Sentando-se:)
Sr. Paulino,
sr. Paulino, quem diria a vossa mercê que um dia se veria assim preso...
(Ajoelhandose:)
Minha Nossa Senhora do Amparo, amparai-me nestes apertos, que eu vos prometo
um saco de café, um saco de feijão e um saco de farinha! (Levantando-se:)
Mas no
entanto, esperando que a Senhora do Amparo se lembre de mim, não será
mau que eu
também faça alguns esforços para safar-me. A porta deve
ser deste lado; o diabo é se
encontro o meu assassino... Vamos a arriscar, e caminhemos à maneira
do sapo; senão,
arrebento as ventas. (Principia a caminhar pela cena, saltando de pés
juntos.)
Entra ALEXANDRE e BALBINA.
ALEXANDRE, entrando – Só assim nos salvaremos!
PAULINO, parando – Ouço vozes...
ALEXANDRE – Tua madrasta já tomou a si; estava apenas atordoada
pela
queda que deu pela escada, fugindo de teu pai. Lá ficou deitada na
sua cama. Está salva;
agora, salvemo-nos também... E só o meio de que te falei...
E uma vez fora daqui. tenho
o meu plano...
BALBINA – A ti me entrego. (Alexandre beija-lhe a mão.)
[ALEXANDRE] para Paulino, que está imóvel – Ah, senhor?
PAULINO, ouvindo que falam com ele, salta apressado, fugindo – Deixe-me,
deixe-me, não me mate, sr. Pedestre!
ALEXANDRE, correndo atrás dele e segurando – Não se assuste,
sou eu...
PAULINO – Ah, é o senhor?
ALEXANDRE – Sim, sou eu. Quer sair deste saco?
PAULINO, com presteza – Sim senhor!
ALEXANDRE – Ver-se na rua...
PAULINO – Sim senhor!
ALEXANDRE – Livre e desembaraçado?
PAULINO – Sim senhor!
ALEXANDRE – Jura fazer o que eu lhe disser?
PAULINO – Juro, sim senhor!
ALEXANDRE – Palavra de honra?
PAULINO – Palavra de honra!
ALEXANDRE – Muito bem. (Desata o saco.)
PAULINO, botando a cabeça fora do saco – Ah, enfim!
ALEXANDRE – Tenho a sua palavra...
PAULINO – Conte com ela. (Tendo saído do saco.)
ALEXANDRE, para Balbina – Balbina, vem, não tenhas medo. Este
é o único
modo, como te disse, de sairmos daqui. (Alexandre põe o saco no chão,
aberto, e
Balbina, colocando-se sobre ele, deixa que Alexandre levante as bordas, e
vê-se assim
dentro do saco.)
PAULINO – Que diabo é lá isso? Aqui nesta casa ensaca-se
gente como
farinha... E como hei de eu sair daqui?
ALEXANDRE, amarrando a boca do saco – Quer vir outra vez para o saco?
PAULINO – Nada, quero saber como hei de sair desta caverna de assassinos.
ALEXANDRE – Acompanhando-me quando eu sair com o pedestre, levando
este saco às costas.
PAULINO – Bravo, compreendo excelentemente! É melhor do que ser
atirado
ao mar. (Ouve-se bulir na fechadura.)
ALEXANDRE – Ele aí vem....... (Paulino corre, apressado, e esconde-se
no
armário, e Alexandre põe Balbina dentro do saco ao ombro.)
Entra o PEDESTRE.
PEDESTRE – Tudo está em silêncio, não passa ninguém...
Fui até ao canto e
não avistei vivalma. Vamos, com cuidado; depois virei buscar o outro
corpo.
Apaguemos a luz. (Apaga a vela e sai seguido de Alexandre, que leva Balbina
as
costas. Tendo saído, fecha a porta por fora.)
PAULINO, logo que o PEDESTRE e ALEXANDRE saem, abre a porta do armário
e
vai saindo com cautela.
[PAULINO] – Creio que fecha a porta... Mau! E deixou-me no escuro.
(Encaminha-se para a porta e conhece que está fechada.) Está
fechada! Fechada! Oh,
com mil diabos, estou ainda preso e em seu poder! Meu Deus, quando sairei
eu desta
maldita casa? Só, no escuro e com uma defunta... Ela está lá
dentro morta e fui eu a
causa da sua morte! Não tarda muito que venha sua alma por aí
a pedir-me contas... Já
tenho os cabelos todos arrepiados. Escapei de morrer apunhalado, afogado,
mas de certo
morrerei assombrado. Que noite, que noite! (Dá dentro uma hora, ao
longe.) Uma hora!
É a hora das almas do outro mundo... E eu fechado sozinho com uma defunta!
(Do
buraco da primeira porta à esquerda salta em cena um gato; ao ruído
que este faz,
saltando, Paulino se assusta e cai de joelhos) Ai, misericórdia, misericórdia!
Padre
nosso, que estás no céu, santificado seja vosso nome... santificado...
venha a nós... que
estás no céu... vosso nome... santificado... o pão nosso...
santificado... que estás no céu...
seja o vosso nome... as vossas dívidas... Creio que se foi embora...
Nada ouço. (Levantase.)
É a alma da desgraçada, que anda penando... Infeliz, Deus se
compadeça de ti e por
lá te tenha muito tempo sem mim... Ora, é célebre! Como
eu perdi o amor a esta mulher,
depois que ela morreu... Está-me parecendo que o medo que tenho rapado
esta noite é
que essa mudança. Ai, ai, eu daria o amor de todas as mulheres solteiras,
casadas,
viúvas e etc., só para me ver fora daqui e... (Aqui abrem a
porta da direita.) Aí vem ela!
É uma sombra branca... que vai até o teto... Ai, ai! (Cai de
joelhos.)
ANACLETA entra pela direita.
ANACLETA, entrando – Deixaram-me só... fugiram todos... Que homem
bárbaro! Como está escuro! Estou só, só e abandonada.
Como tenho a cabeça abalada da
horrível queda que dei... Talvez Balbina esteja no seu quarto; vejamos.
Ela não teria
coração de desemparar-me, fraca como estou.
PAULINO, enquanto Anacleta tem este pequeno monólogo, reza em voz baixa
–
Salve Rainha, que estás no céu... neste vale de lágrimas...
perdoai o pão nosso... assim
como nós na vida eterna... amém Jesus... (Etc. Anacleta, dirigindo-se
para a esquerda, a
fim de entrar no quarto de Balbina, esbarra-se em Paulino, que está
de joelhos, e
ambos se assustam.)
ANACLETA, assustando-se e recuando – Ai!
PAULINO, caindo de bruços – Misericórdia, misericórdia!
ANACLETA, à parte – Quem será?
PAULINO, de bruços – Senhora Alma do outro mundo, tenha compaixão
de
mim! Quem a matou foi seu marido... Agarre-se com ele e leve-o para o inferno...
Mas
eu, senhora?
ANACLETA – Ai, que é o vizinho que ainda está por cá
e julga-me morta.
(Dirigindo-se para Paulino:) Senhor...
PAULINO, à parte – Senhor! Esta alma é muito bem criada...
ANACLETA – Sou eu, não se assuste, não tenha medo...
PAULINO, à parte – Parece-me boa pessoa, coitadinha!
ANACLETA – Como se acha ainda aqui? Responda!
PAULINO – Assim era eu tolo!
ANACLETA – Meu marido que me julga morta...
PAULINO, levantando-se pouco a pouco – Que a julga morta?
ANACLETA – Só porque, fugindo eu do seu furor, rolei pelas escadas
e caí sem
sentido.
PAULINO, sentado – Pois a senhora não está morta? Pois
eu não estou falando
com a sua alma?
ANACLETA – Eu morta! Talvez assim me julgassem, por isso me
abandonaram. Mas graças a Deus ainda estou viva.
PAULINO, levantando-se – Ainda está viva! Eu também estou
vivo... Também
já estive morto. Ambos estamos vivos e fechados nesta casa... E foi
ele quem nos
fechou... Ele mesmo, o marido... Oh, que pedestre estúpido!
ANACLETA – Senhor!
PAULINO – Não se assuste... Há uma hora que eu teria dado
quanto possuo para
estar como estou, só convosco. Mas as coisas mudaram; esta única
hora tem-me
envelhecido mais de cinqüenta anos. Saltei pela minha janela, trepei
no vosso telhado,
escorreguei três vezes, desci pela vossa escada, quebrei-a, presenciei
os furores de vosso
marido, chorei a vossa morte, fui assassinado, metido em um saco, meu Deus!
e tudo
16
isto em uma hora! Não seria melhor que eu estivesse deitado em minha
cama, roncando
debaixo dos lençóis?
ANACLETA – O senhor foi de tudo isso culpado e causa do que eu tenho
sofrido.
PAULINO – Serei eu o culpado de tudo, carregarei com mais essa –
hoje estou
pronto para tudo. Mas sempre vos direi que, se me tivésseis dado com
as janelas na cara
quando eu lá da minha vos namorava, não teria acontecido tudo
isto...
ANACLETA – Nunca lhe dei esperanças; conhecia os meus deveres.
Se às vezes
lhe dava atenção, era para distrair-me da insip[id]ez em que
vivia.
PAULINO, furioso – Para distrair, para distrair-se! E a tanto me arrisquei!
Oh,
grandissíssimo pateta, pedaço de asno! Camelo, camelórío,
que tanto te arriscaste por
uma mulher que se divertia contigo! Arrebento!
ANACLETA – Não grite tanto, que ele pode vir...
PAULINO – Ele! Oh, agora é que minha morte é certa...
E que morte? E por
quem? Arreda, mulher, arreda! Eu agora preferia estar com tua alma... Sim,
com tua
alma, porque ainda não vi nenhum marido ter ciúmes da alma de
sua mulher...
ANACLETA – Senhor!
PAUL1NO – Oh, estou capaz de te matar para ficar só com tua alma!
ANACLETA – Meu Deus!
PAULINO – Tudo está acabado, tudo! Amanhã estarei morto!
Ó Sol que me
alumiais, amanhã verás o meu enterro subindo pela Ladeira de
Santo Antônio... Não
escapo, não posso escapar... Aqui encontrado, só com ela, morrerei
às suas mãos. Oh!
ANACLETA – Fujamos, fujamos!
PAULINO – Fugir contigo! Oh, de ti fugiria eu, se a porta estivesse
aberta. Fugir
com uma mulher! Oh, leve o diabo todas as mulheres e quem acredita nelas e...
ANACLETA, muito assustada – Ele aí vem! (Dirige-se para a direita
e sai.)
PAULINO, assustado – Aí vem! (Dirige-se para a esquerda e entra
no quarto e
fecha a porta.)
Entra o PEDESTRE, muito assustado.
PEDESTRE – Estou perdido! O melhor é fugir enquanto é
tempo... É preciso
levar alguma coisa. (Dirige-se para a mesa e, abrindo a gaveta, tira uma caixinha
de
fósforo e acende a vela.) Ao dobrar a segunda esquina, esbarramos mesmo
com uma
patrulha... O negrinho meteu logo pernas com o saco às costas, e eu
também. Pega,
pega! gritava a patrulha, e eu do mesmo modo gritava: Pega, pega! para não
desconfiarem de mim. Mas no primeiro canto furtei-lhe a volta e vim mais que
depressa
para casa... Ah, mas não posso escapar! O negrinho será preso
com o corpo às costas;
falará... Aqui virão, e o outro corpo... Está dito, nasci
para morrer enforcado por causa
das mulheres, que tantos trabalhos me têm dado. Vou ajuntar o pouco
dinheiro que
tenho e ponho-me ao fresco... Quem quiser que a enterre... Oh, diabo, deixei
a porta
aberta! (Dirige-se para fechar a porta do fundo.)
O PEDESTRE, ao chegar à porta, recua por nela aparecer ROBERTO.
ROBERTO, da porta – Dá licença?
PEDESTRE, recuando – Ah! (À parte:) Estou perdido!
ROBERTO, entrando – Desculpe-me, se a estas horas...
17
PEDESTRE, à parte – Toda a hora é boa para se prender
e enforcar um
homem...
ROBERTO – Só muito poderoso motivo me obrigaria a incomodá-lo
a horas tão
indevidas...
PEDESTRE – Ai, que o homem não é o que eu pensei... Não
me vem prender...
Sem dúvida quer que eu lhe procure algum escravo fugido. (Alto:) Que
ordena vossa
senhoria?
ROBERTO – Senhor, há apenas doze horas que desembarquei chegando
da
Índia...
PEDESTRE – Ah, e ele já fugiu... Sem dúvida, ao desembarcar...
ROBERTO – Ele quem?
PEDESTRE – O seu escravo.
ROBERTO – Não é de um meu escravo que lhe venho falar.
PEDESTRE – Ah! (À parte:) Que diabo será? (Alto:) Então
far-me-á o favor de
dizer depressa o que quer. Bem vê que a estas horas... (Aqui Anacleta
espreita pelo
buraco da porta para [a] cena e nesse jogo continua.)
ROBERTO – Direi o que quero, e peço me desculpe. Há dezoito
anos que um
motivo, que é inútil agora dizer, obrigou-me a deixar o Rio
de Janeiro, minha pátria.
Parti para costa da África; mas antes, cruel e imperiosa necessidade
obrigou-me a lançar
na roda dos enjeitados minha querida filhinha. Com o coração
partido de dor deixei esta
terra, chorando a amante que o túmulo me roubara e a filha que deixava
entregue a
alheia caridade. Dezoito anos de exílio... Ah, mas à custa de
privações e trabalhos
conquistei uma fortuna de príncipe. (O Pedestre tira o boné
que conservava na cabeça.)
Uma fortuna colossal para oferecer à minha filha, que abandonada passara
a sua
mocidade... Esta manhã entrava eu pela barra; três navios preciosamente
carregados
seguiam-me... E estes três navios pertencem-me.
PEDESTRE – Três navios!
ROBERTO – Ao saltar em terra, apressado dirigi-me para a Santa Casa
da
Misericórdia, a fim de saber se minha filha ainda vivia. Como ia ansioso
e trêmulo! Aí
chegando, perguntei por essa inocente menina que havia dezoito anos dava-me
forças
para tanto sofrer e coragem para trabalhar... Dei os necessários sinais
– uma cruz de
ouro esmaltada, orlada de azul...
PEDESTRE, espantado – Uma cruz de ouro!
ANACLETA, da porta, à parte – Uma cruz de ouro!
ROBERTO – Foi-me respondido que essa menina, não tendo sido reclamada,
o
Recolhimento a dotara e casara. Perguntei com quem; disseram-me que com um
homem
que ao depois se fizera pedestre.
ANACLETA, da porta, à parte – Meu Deus!
PEDESTRE, assombrado, ao mesmo tempo – É ela! Oh! (Aqui Paulino
principia a espiar pelo buraco da porta à esquerda; com cautela, porém,
para não ser
visto.)
ROBERTO – Com um pedestre! exclamei eu. Não importa. Se esse
homem a
tem feito feliz, se na pobreza a que seu estado o condena tem suavizado a
sua sorte com
os dotes de alma, se na vida doméstica a tem feito esquecer o abandono
de sua
mocidade, esse homem será meu genro. Amanhã terá um palácio
magnífico, numerosos
criados, ricas equipagens...
PEDESTRE, à parte – Oh, e eu a matei!
ROBERTO – ... ouro em que se possa fartar, ouro em abundância
para satisfazer
seus menores caprichos.
PEDESTRE, à parte – E eu a matei!
ROBERTO – Amanhã pisará o mais soberbo com a sua imensa
riqueza e
esmagará o mais rico com sua esplêndida ostentação.
PEDESTRE, à parte – Oh, e eu a matei!
ANACLETA, à porta e à parte – Meu Deus, é isto
possível?
ROBERTO – Os homens que me ouviam deixaram primeiro passar esta torrente
de exaltação e depois ensinaram-me a casa de meu genro. Meti-me
em uma carruagem e
dirigi-me para vossa casa. E agora, senhor, vós que sois o seu marido,
ah, dizei-me:
minha filha?
PEDESTRE, como alucinado – Vossa filha?
ROBERTO – Vive feliz? Não tem amaldiçoado seu pai?
PEDESTRE, no mesmo – Seu pai!
ROBERTO – Onde está ela? Quero abraçá-la.
PEDESTRE, no mesmo – Abraçá-la, abraçá-la!
ROBERTO – Sim, apertá-la contra o meu peito, fazê-la feliz...
E a vós também,
a vós que a tendes amparado. Oh, conduzi-me, conduzi-me para junto
dela!
PEDESTRE, com a fisionomia desfigurada e tomando Roberto pelo braço
–
Vossa filha... está morta!
ROBERTO – Morta!
PEDESTRE – Sim, e fui eu, eu mesmo que a matei!
ROBERTO – Oh, grande Deus, que tenho ouvido? (Neste tempo Anacleta tem
saído do buraco da porta.)
PEDESTRE, louco – Ela me traiu... seu amante... matei-os, fiz muito
bem!
Portas fechadas... nada valeram... Enganou-me... matei-a... Está morta!
Palácios,
equipagens, ouro, muito ouro, tudo ela me fez perder... Por sua causa viverei
na miséria!
ROBERTO, como aniquilado – Meu Deus!
PEDESTRE – Oh, se ela não se deixasse matar, hoje tinha três
navios, três!
Diabos que me tentaram! Estava rico, rico, muito rico... Ah, mulher, o que
me fizeste
perder!
ROBERTO, com energia – Ah, sois o seu assassino? O assassino de minha
filha? Ah, não saireis de minhas mãos!
PEDESTRE, sem dar atenção a Roberto – Mulher que me perdeste
na vida e na
morte, mulher que me danaste em vida e me arruínas na morte, mulher
que me
persegues ainda defunta, os diabos te levem!
ROBERTO – Ah, chamarei pela justiça, clamarei vingança!
PEDESTRE, como em confidência – Escutai, escutai... em segredo...
que
ninguém nos ouça...
ROBERTO – Assassino!
PEDESTRE, no mesmo – Escutai... eu vos darei um dos meus três
navios para
que lhe dês vida e eu possa assim ficar com os outros dois... Vinde,
que ela ali está...
ROBERTO – Ali!
PEDESTRE – Sim, sim, está morta... Mas vós lhe dareis
vida por um navio...
vinde... silêncio... Dar-vos-ei um dos navios que ela me fez perder...
ROBERTO, deixando-se conduzir pelo Pedestre – Oh!
PAULINO, à parte, do buraco – Atenção, agora é
que são elas... (Logo que o
Pedestre e Roberto estão a dois passos da porta, esta abre-se repentinamente
e
Anacleta, que por ela saí, abraça-se com Roberto.)
ANACLETA, abraçando Roberto – Meu pai, meu pai!
ROBERTO, surpreendido – Ah!
PEDESTRE, vendo Anacleta, recua espavorido até a extremidade esquerda
e
vem encontrar-se à porta em cujo buraco está Paulino –
Fantasma, fantasma!
ANACLETA, nos braços de Roberto – Sou eu, meu pai, sou sua filha,
eis aqui a
cruz... (Mostrando a cruz ao pai.)
ROBERTO, abraçando-a – Sim, sim, és minha filha! Filha,
querida
filha! Meu Deus!
ANACLETA, ao mesmo tempo – Meu pai, meu pai! (Enquanto Roberto abraça
a filha e continua em uma cena muda de reconhecimento e expansão, o
Pedestre está
aterrorizado, encostado à porta, tremendo.)
[PEDESTRE] – É ela, é a sua alma! Deixai-me, deixai-me!
(Diz isto ao mesmo
tempo que Roberto fala com Anacleta.)
PAULINO, do buraco da porta para o Pedestre – O1á, não
tenha medo... Não
trema tanto...
PEDESTRE, ouvindo falar sobre a sua cabeça, olha, e vendo a cara de
Paulino,
diz com grande terror – Oh, também o outro fantasma! (Precipita-se
para a porta do
fundo, a fim de fugir.)
PAULINO, do buraco – Espere... (Continua a cena muda entre Roberto e
Anacleta. Pedestre caminha para o fundo, e quando vai a sair, encontra-se
com
Alexandre, que trazendo ainda às costas Balbina, dentro [do] saco,
vem preso por uma
patrulha. A esta inesperada visita, dá um grito e recua para a extremidade
direita do
proscênio, e aí caindo de joelhos treme espavorido.)
CABO, entrando acompanhado dos soldados e Alexandre – Quem é
o dono
desta casa?
PAULINO, do buraco – Bravo, estamos todos reunidos!
ROBERTO – Soldados! O que é isto?
CABO – Quem é o dono desta casa?
ANACLETA, para o Cabo, apontando para o Pedestre – Ali está.
Mas, sr.
oficial...
CABO, indo para o Pedestre – Senhor, levantai-vos. (O Pedestre levanta-se.)
Aquele negro foi encontrado na rua com um saco às costas, dentro do
qual está um
cadáver...
ROBERTO – Um cadáver!
ANACLETA, ao mesmo tempo – Um cadáver!
CABO – Sim, que daqui saiu. E do mesmo modo o trouxe para se proceder
ao
corpo de delito.
ROBERTO – Um cadáver!
PEDESTRE, levantando-se – Sim, um cadáver... (Apontando para
Paulino, que
se conserva no buraco da porta:) ... e ali está a sua alma!
PAULINO – Ah, ah, ah!
TODOS – Sua alma!
PEDESTRE – Fui eu que o matei! Abram e verão... Fui eu que o
matei, assim
como matei esta mulher...
ANACLETA – Eu estou viva, graças a Deus!
PAULINO, do buraco – E eu também...
ALEXANDRE, que a este tempo tem posto o saco em pé no chão e
desatado a
boca e descoberto a cara de Balbina – E esta também...
CABO – Oh!
ROBERTO, ao mesmo tempo – Oh!
ANACLETA – Balbina!
PEDESTRE – Vivos! Todos vivos! Ressuscitaram! Oh! (Dirigindo-se para
a
mulher:) Mulher!
ANACLETA, amparando-se com Roberto – Meu pai, salvai-me!
20
ROBERTO, para o Pedestre – Para longe!
PEDESTRE – Mulher, eu te matei... Eu o matei também... (Apontando
para
Paulino.) E tu e ele ficaram vivos nesta casa, juntos, fechados... e fechados
por mim,
por mim próprio! Oh, de que me serviu trancar portas e fazer duas mortes?
(Dirigindose
para – Balbina:) E tu te deixaste furtar por um negro, que eu mesmo
conduzi para
fora de casa... Oh, de que me serviram as fechaduras, os cuidados, os ciúmes,
a
palmatória? Oh, estou desenganado! (Dirigindo-se para Roberto:) Senhor,
levai vossa
filha, que já me não pertence... Eu a matei, estou viúvo...
Dai-lhe todos os vossos navios
e riquezas; ide morar com ela em um palácio, que eu não... Em
um palácio! Oh, em um
palácio, que tem tantas portas e janelas! Ah, esta casa só tinha
uma porta, e assim
mesmo... Não, não, levai-a... Não sei, não posso
vigiar mulheres, estou desenganado,
vou ser frade!
ANACLETA – André!
PEDESTRE – Arreda!
ROBERTO – Filha! (Retendo-a.)
PEDESTRE, para Balbina – E tu, que tão indignamente me enganaste,
casa-te
com este negro, que estou vingado!
ALEXANDRE – Aceito a vossa palavra. (Passa a mão no rosto e,limpando
a
face, mostra ao Pedestre.)
PEDESTRE – Oh, faltava-me esta! Minha resolução está
tomada... (Para o
Cabo:) Senhor, prenda-me e leve-me para o convento; eu quero ser preso. (Dizendo
estas palavras, agarra na gola da farda de um dos soldados e na do Cabo.)
Estou
preso!
PAULINO, do buraco – Ah, ah, ah!
CABO – Largue-me, largue-me!
PEDESTRE – Não me deixem fugir...
ANACLETA – André!
BALBINA, ao mesmo tempo – Meu pai!
PEDESTRE, para as duas – Deixem-me, estou preso pela polícia
para ser frade!
(Para o Cabo:) Não me deixem fugir... Adeus, ó mundo, adeus,
mulheres! Vamos!
(Vai-se pelo fundo, levando o Cabo e soldado consigo.)
CABO, levado à força – Espere, espere!
ANACLETA – Meu pai!
ROBERTO, ao mesmo tempo – Filha!
BALBINA, ao mesmo tempo – Alexandre!
ALEXANDRE, ao mesmo tempo – Serás minha!
PEDESTRE, saindo pelo fundo – Vou ser frade!
PAULINO, do buraco – E eu vou dormir, que já deu uma hora...
(Alexandre
ajoelha-se aos pés de Balbina; Roberto abraça Anacleta. Cai
o pano, ouvindo-se
sempre a voz do Pedestre, dentro.)
PEDESTRE, dentro – Quero ser frade, quero ser frade!
Fonte: www.dominiopublico.gov.br
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