Com certeza não é fácil e nem tampouco simples falar em poucas linhas sobre mais de quatro mil anos de história desta raça italiana. Das estatuetas de arte da Mesopotâmia , do Metropolitan Museum de Nova Iorque de 2000 anos antes de Cristo , até nosso Mastino Napoletano atual , a raça certamente evoluiu , mantendo entretanto inalteradas algumas de suas características tão peculiares que o fazem um verdadeiro " unicum " no vasto panorama mundial das raças caninas reconhecidas oficialmente.
Se de um lado é quase uma busca espasmódica para o redescobrimento , em diversos paises de raças autoctonas , de história mais recente em comparação ao Mastino Napoletano , existe um problema oposto , ou seja , de mantê-lo , melhorando-o como fizeram cuidadosamente os " Mastinaros Partenopeus " no decorrer dos séculos , que devemos agradecê-los por terem preservado este verdadeiro monumento histórico da cinofilia Italiana , que todo o mundo sente um pouco de inveja.
Sobre o Mastino Napoletano , existe uma riquíssima bibliografia italiana e estrangeira , em diversos tamanhos que nos dão um bom suporte iconográfico e historiográfico do período histórico de sua origem até nossos dias.
Entre todas as obras atuais existentes , aquela que trata com maior referência é com certeza a do Prof. Felice Cesarino " Il Molosso , Viaggio intorno al Mastino Napoletano " , editado pela Editora Fausto Fiorentino em 1995.
Sem voltarmos para épocas mais remotas , existem notícias concretas que os Sumários se dedicavam à criação de cães de grande porte e potência que eram utilizados seja em combates contra os inimigos ou em caçadas contra os grandes mamíferos como os leões. Suas características principais eram : cabeça possante e volumosa , com focinho curto e de grande potência ; membros fortes e possantes , suportados por uma ossatura de grande tamanho ; tronco forte e sólido de tamanho muito impressionante.
Este tipo de cão , de muita potência , devia encontrar suas origens mais remotas seguramente no Mastin do Tibet , que é o progenitor de todos os molossoides. Afirmação esta atestada por todos os grandes estudiosos da área.
Os Sumários , povo tão misterioso e ao mesmo tempo tão culto e evoluído , em suas migrações haveriam levado para a Mesopotâmia esta raça , que sucessivamente tiveram na região entre os rios Tigre e Eufrates tanta sorte e consideração para encontrar representações em diversos achados arqueológicos expostos hoje nos mais importantes museus do mundo. É sabido que na Mesopotâmia , 2000 anos antes de Cristo , existiam grandes centros habitados ( Eridu , Susa , Ur , Uruk só para citar os mais conhecidos ) nas quais eram criados estes grandes cães , utilizados sobretudo para defender a propriedade ( e também rebanhos ) dos ataques de leões que estavam presentes nesta época em todas estas regiões.
É óbvio portanto o interesse dos artistas da época por este cão que por suas ações entravam nas lendas populares. É desta época portanto que são feitas as primeiras representações históricas artísticas de arte Mesopotâmia que testemunham a presença destes cães.
As terracotas , já mencionadas , do Metropolitan Museum de Nova Iorque e outra do Museum of Art de Chicago representam com impressionante semelhança um cão muito próximo ao nosso Mastino Napoletano.
A primeira mostra um cão sentado com uma cabeça de grandes volumes , rica em rugas e barbelas , com uma impressionante potência de focinho e com orelhas amputadas ; na segunda vê-se uma fêmea com as mesmas características de potência e volume de cabeça no ato de amamentar quatro filhotes. É verdadeiramente impressionante a semelhança entre estes dois tipos de representações e o Mastino moderno , este mesmo de hoje , ao invés daqueles apresentados pela primeira vez na exposição de Nápoles de 1946 e que tanto impressionaram Piero Scanziani.
Para se dar conta melhor das proporções e da potência destes cães , basta observar a terracota Assíria , mais nova que as precedentes , provenientes do IX século A.C. e conservada no British Museum of London que representa um cão conduzido pela coleira por seu proprietário.
Esta obra , de excepcional interesse histórico e artístico ( por isso é mencionada nos mais importantes textos científicos ) nos permite ter algumas medidas ainda mais certas e precisas destes grandes molossos do passado.
Primeiro de tudo : o tamanho na cernelha atinge a cintura de seu condutor , e portanto não devia ser inferior aos 80 cm ; a cabeça , de grande volume e rica em ruga , com orelhas integras e inserção alta ; a barbela é muito desenvolvida e começa das brânquias da mandíbula para acabar ao redor da metade do pescoço ; finalmente o tronco : ele é de grandíssima potência e de grande massa , é mais longo que a altura na cernelha e é sustentado por membros de ossatura muito potente com importantes diâmetros transversais.
Perante estes testemunhos não se pode nem pensar no atual Mastino , tal é sua semelhança com os cães que hoje se vêem.
Mas retornando à história , partindo da Mesopotâmia , estes cães foram irradicados certamente seguidos pela migração ou das guerras através do ocidente seguindo três diretrizes : uma mais ao norte , através da Grécia , da Macedônia e Albânia ; uma mais ao sul através do Egito e da Líbia ; e a terceira através da costa mais oriental da Bacia do Mediterrâneo , naquela que era a terra dos Fenícios. Esta será uma passagem fundamental para o crescimento e expansão da raça em toda a Europa , e em particular na Itália.
Cães assim poderosos eram freqüentemente objetos de presentes entre os poderosos da época.
Alessandro Magno era orgulhoso de seus molossos , que lhes foram presenteados por um Rei , e o cônsul romano Paolo Emilio vitorioso com suas legiões nas regiões da Molossia levou para Roma alguns destes grandes cães para mostrar ao povo. O mesmo Giulio Cesare , por volta da metade do primeiro século A.C. , em sua campanha pela conquista da Britania , achou pela frente às próprias legiões cães de grandíssimo porte e de grande coragem muito parecido com aqueles descritos , e que ele mesmo definiu como " Pugnaces Britanniae ".
Impressionado por tanta força e coragem , Giulio Cesare , levou a Roma alguns exemplares , e de contratempo nomeou na Britania um procurador destinado à criação e responsável pela transferência destes cães para Roma.
A presença destes cães na Britania confirma a hipótese que antes mesmos dos Romanos , foram os Fenícios , mestres absolutos do comercio daquela época , a difundirem na Bacia do Mediterrâneo este tipo de cão , certamente junto a outros , que sucessivamente originaram nosso Cirneco dell’Etna e todas as raças ibéricas dos Podengos.
Pode-se portanto afirmar que mesmo antes de Paolo Emilio e de Giulio Cesare , que foram trazidos pelos próprios Fenícios , existiam em nosso território alguns exemplares destes grandes molossos.
Varrone e Virgilio estudaram estes pontos de modo relativamente simples , e quem estudou e descreveu o Mastino com grande acerto e de modo detalhado foi Columella , que no primeiro século depois de Cristo selou aquilo que poderíamos definir quase como um Standard da Raça. Em seu " De Re Rústica " , Columella o define como um ótimo guardião da casa e da propriedade , antecipando em quase dois mil anos aquilo que é e que deve permanecer como utilização atual.
Até mesmo , como bem se sabe , na época Romana ele era utilizado ao lado das legiões na guerra , e em combatimentos contra feras em circos , e que sucessivamente se achavam nos Tribunais Renascentes do centro e do norte da Itália , protagonista de caças de grandes animais selvagens ( cervos e javalis ) , o Mastino era e continuará a ser um cão de guarda , continuando assim sua função que muito tempo antes , entre os Sumários e os Mesopotâmios , o haviam tornado tão famoso.
E é por esta sua índole inata de guardião da propriedade que na época Romana os patrícios o queriam como guardião das vilas. Caído o império Romano , os cães encontraram aos pés do Vesúvio um ambiente favorável a eles , tanto para estabelecerem um estreitamento com o território assim como com o povo que o idolatrava.
E foi mesmo nesta terra , sempre aos pés do Vesúvio , que Piero Scanziani encontrou o Mastino Napoletano , e foi amor à primeira vista , ao ponto de ser lembrado , e justamente , que a ele se deve a história moderna desta magnífica raça , que hoje é requisitada por cinófilos de todo o mundo.
Padrão FCI n° 197g - 10 de setembro de 1992.
País de Origem: Itália.
Nome no país de Origem: Mastino Napoletano.
Utilização: Guarda e defesa.
Sem prova de trabalho.

Mastim Napolitano
O Mastino Napoletano é descendente do grande Mastiff Romano, descrito por Columelle no século I A.D. em seu livro "De Re Rustica". Difundido em toda Europa pelas legiões romanas, com as quais combateu, é o ancestral de numerosas raças de Mastiffs em outros países europeus. Tendo sobrevivido por muitos séculos na zona rural ao pé do Vesúvio e, em geral, na região de Nápoles, ele foi re-selecionado desde 1947, graças à tenacidade e devoção de um grupo de amantes de cães.
Grande, massudo e volumoso, cujo comprimento do tronco é maior do que a altura na cernelha.
O comprimento do tronco é 10% maior do que a altura na cernelha. A relação crânio-focinho é de 2 para 1.
Firme e leal, não é agressivo, nem morde sem razão, guardião de propriedade e de seus moradores, sempre vigilante, inteligente, nobre e majestoso.
Curta e maciça, com um crânio largo na altura dos arcos zigomáticos. Seu comprimento é mais ou menos 3/10 da altura na cernelha. Pele abundante com rugas e dobras, das quais, a mais típica e mais bem marcada vai desde o ângulo externo da pálpebra para baixo até o ângulo labial. O eixo superior longitudinal do crânio e do focinho é paralelo.
Região Craniana: O crânio é largo, plano, particularmente entre as orelhas, e, vista de frente, a cabeça é ligeiramente convexa em sua parte anterior. As arcadas zigomáticas são muito pronunciadas, mas com músculos planos. As protuberâncias dos ossos frontais são bem desenvolvidas; o sulco frontal é marcado; a crista occipital é apenas visível.
Stop (Depressão naso-frontal): bem definido.
Trufa: situada no prolongamento do focinho, não deve ser proeminente além da linha vertical dos lábios; deve ser volumosa, com narinas grandes e bem abertas. Sua pigmentação varia de acordo com a cor da pelagem: preta, nos cães pretos; cinza-amarronzado escuro em exemplares de outras cores e castanha para os de pelagem marrom.
Focinho: Bem largo e profundo; seu comprimento corresponde ao da face e deve ser igual a 1/3 do comprimento da cabeça. As faces laterais são paralelas (entre si), de maneira que, vista de frente, a forma do focinho é praticamente quadrada.
Lábios: Carnudos, espessos e cheios; vistos de frente. formam um "V" invertido no seu ponto de encontro. A linha inferior do focinho é formada pelo lábio superior; a parte mais baixa é o canto dos lábios, com visíveis membranas mucosas situadas na vertical do ângulo externo do olho.
Maxilares: Poderosos, com fortes ossos e arcos dentários que se unem perfeitamente. A mandíbula deve ser bem desenvolvida na sua largura.
Dentes: Brancos, bem desenvolvidos, regularmente alinhados e numericamente completos. Mordedura em tesoura ou torquês.
Olhos: Inseridos ligeiramente profundos e em uma linha frontal nivelada, bem separados um do outro; mais para redondos. Comparada com a cor da pelagem, a cor da íris é mais escura. Os olhos nunca poderão ser mais claros, nem em tons diluídos.
Orelhas: Pequenas em relação ao tamanho do cão, de forma triangular, inseridas acima do arco zigomático, são planas e rentes às bochechas. Quando elas são cortadas, têm a forma de um ângulo quase eqüilátero.
Perfil: O perfil superior é ligeiramente convexo.
Comprimento: Mais para curto, mede mais ou menos 2,8/10 da altura na cernelha.
Forma: De tronco cônico, bem musculoso. Na metade do comprimento, o perímetro é igual a mais ou menos 8/10 da altura na cernelha.
Pele: A parte inferior do pescoço é feita de muita pele solta que forma uma dupla barbela, bem separada, mas não exagerada. Começa no nível da mandíbula e não ultrapassa o meio do pescoço.
(O comprimento do tronco excede em 10% a altura na cernelha).
Linha Superior: Reta; cernelha larga, longa e não muito proeminente.
Dorso: Largo e de comprimento em torno de 1/3 da altura na cernelha. A região lombar deve unir-se harmoniosamente ao dorso e os músculos são bem desenvolvidos em largura. A caixa torácica é ampla, com costelas longas e bem arqueadas. A circunferência do tórax é de aproximadamente 1/4 a mais que a altura na cernelha.
Garupa: Larga, forte e bem musculosa. Com angulação em torno de 30%. Seu comprimento é igual a 3/10 da altura na cernelha. As ancas são proeminentes a ponto de alcançar a linha superior do lombo.
Peito: Largo e amplo com músculos peitorais bem desenvolvidos. Sua largura está diretamente relacionada com a do tórax e atinge os 40-45% da altura na cernelha. A ponta do esterno está situada no nível da articulação escápulo-umeral.
Larga e espessa em sua raiz; forte e afinando ligeiramente até a ponta. Em comprimento, ela alcança a articulação do jarrete, mas normalmente é cortada, deixando 2/3 de seu comprimento. Em repouso é portada pendente e curvada em forma de sabre; em ação, erguida horizontalmente ou ligeiramente mais alta que a linha do dorso.
Anteriores: Em seu conjunto, os anteriores, do solo até a ponta do cotovelo, vistos de perfil e pela frente, são verticais, com uma forte estrutura óssea em proporção ao tamanho do cão.
Ombros: Seu comprimento é de aproximadamente 3/10 da altura na cernelha, com uma obliqüidade de 50° a 60° com a horizontal. Os músculos são bem desenvolvidos, longos e bem definidos. O ângulo da articulação escápulo-umeral é de 105° a 115°.
Braços: De comprimento em torno de 30% da altura na cernelha. Sua obliqüidade é de 55° a 60° com significante musculatura.
Cotovelos: Abundantemente cobertos por peles soltas; não tão próximos ao tronco.
Antebraços: Seu comprimento é aproximadamente o mesmo que o do braço. Colocados em uma perfeita posição vertical, sobre uma forte estrutura óssea, com músculos limpos e bem desenvolvidos.
Articulação do metacarpo: Largo, seco e sem nódulos, continuando a linha vertical do antebraço.
Metacarpos: Planos, continuando a linha vertical do antebraço. Sua inclinação, na horizontal para frente, é de mais ou menos 70° a 75°. Seu comprimento é igual a 1/6 do comprimento da perna do solo até o cotovelo.
Patas: Redondas, largas, dedos bem arqueados e bem unidos. As almofadas são magras, duras e bem pigmentadas. As unhas são fortes, curvadas e de cor escura.
Posteriores: Em seu conjunto, devem ser poderosos e fortes, em proporção ao tamanho do cão, capazes de assegurar a propulsão desejada em movimento.
Coxas: Em comprimento, medindo 1/3 da altura na cernelha, e sua obliqüidade na horizontal é de aproximadamente 60°. São largas, com músculos grossos, proeminentes e claramente definidos. Os ossos do fêmur e da coxa formam um ângulo de 90°.
Pernas: De comprimento ligeiramente inferior ao da coxa e de uma obliqüidade de 50° a 55°, com uma forte estrutura óssea e uma musculatura bem visível.
Joelhos: Angulação fêmoro-tibial em torno de 110° a 115°.
Aticulação do jarrete: Muito longa em relação ao comprimento da perna.Seu comprimento é de aproximadamente 2,5/10 da altura na cernelha. A articulação tíbio-tarsiana forma um ângulo de 140° a 145°.
Jarretes: Fortes e magros; de forma quase cilíndrica, perfeitamente retos e paralelos; seu comprimento é aproximadamente 1/4 da altura na cernelha; eventuais ergôs devem ser removidos.
Patas posteriores: Menores que as anteriores, redondas, com dedos bem unidos. Almofadas secas, duras e pigmentadas. Unhas fortes, curvadas e de cor escura.
Constitui uma característica típica da raça. A passo, a movimentação é do tipo felina, com passadas de leão, lenta e assemelha-se à do urso. O trote é caracterizado por uma forte propulsão dos posteriores e um bom alcance dos anteriores. O cão raramente galopa, normalmente trota. O passo de camelo é tolerado.
Grossa, abundante e solta sobre todo o corpo, particularmente na cabeça, onde formam numerosas pregas e rugas, e na parte inferior do pescoço, onde forma uma dupla barbela.
Pêlo: curto, áspero, duro e denso, do mesmo comprimento sobre o corpo todo, uniformemente liso, fino e medindo, no máximo, 1,5 cm. Não deve mostrar nenhum traço de franjas.
Cor: As cores preferidas são: cinza, cinza chumbo e preto, mas também marrom, fulvo e fulvo avermelhado (corça vermelho), com algumas pequenas manchas brancas no peito e na ponta dos dedos. Todas essas cores podem ser tigradas; castanho, cinza pombo e tons de isabela são tolerados.
Altura na cernelha - Machos: 65 - 75 cm.
Fêmeas: 60 - 68 cm.
Obs.: Uma tolerância de 2 cm para mais ou para menos é permitida.
Peso - Machos: 60 - 70 Kg.
Fêmeas: 50 - 60 Kg.
Qualquer desvio dos termos deste padrão deve ser considerado como falta e penalizado na exata proporção de sua gravidade.
- Prognatismo inferior pronunciado;
- Cauda alegre;
- Tamanho acima ou abaixo dos limites permitidos.
Faltas desqualificantes
- Prognatismo superior;
- Acentuada convergência ou divergência dos eixos crânio-faciais;
- Linha superior do focinho côncava, convexa ou aquelina (nariz romano);
- Total despigmentação da trufa;
- Olhos azuis;
- Total despigmentação das pálpebras;
- Vesgo;
- Ausência de rugas, dobras ou barbelas;
- Ausência de cauda, seja congênita ou artificial;
- Extensas manchas brancas;
- Manchas brancas na cabeça.
Os machos devem apresentar os dois testículos, de aparência normal, bem descidos e acomodados na bolsa escrotal.
Todo cão que apresentar qualquer sinal de anomalia física ou de comportamento deve ser desqualificado.
Do que se tem registro, os primeiros exemplares da raça a chegarem ao Brasil foi em meados da década de 60. O responsável por este feito foi o Sr. Vincenzo di Cesário, até então residente no estado de São Paulo.
Após a chegada desses primeiros exemplares em nosso país, o criador Ibrahim Hercheui manteve contato com o Sr. Vincenzo e os adquiriu, despertando, deste modo, interesse em outros criadores. Os primeiros cães a pisarem em solo brasileiro oficialmente foram Ali e Babá. Por infelicidade do destino, a cadela Babá nunca conseguiu procriar.
O tempo foi passando, até que outros criadores, já em meados da década de 80, começaram a investir mais na raça; viajavam para a Itália e traziam outros tipos de linhagens, propiciando, com isso, o aprimoramento de nosso plantel.
Esta destaca-se por ser a fase em que houve o maior número de importações e na qual conseguimos realmente nos equiparar a outros países no quesito qualidade dos cães. Esta equiparação de tipos não deu-se somente devido às importações, e sim à união da nova geração recém-adquirida somada ao produto do trabalho já realizado pelos criadores da primeira e segunda fase.
Sobressaiu-se pelas importações de quase todas as linhas de sangue existentes na Itália. Linhas de sangue toscanas, napoletanas e tosco-napoletanas vieram incrementar nosso plantel e ajudar a elevar nosso nível qualitativo.
Outro fator que contribuiu bastante para o crescimento qualitativo de nosso plantel foi a importação maciça de fêmeas selecionadas, típicas, pois, até esta fase, as importações visavam somente aos machos e, como todos sabemos, a necessidade de uma boa fêmea é igual ou superior à de um bom macho.
Talvez um dos pontos favoráveis que mais ajudaram foi o conhecimento relativo à raça, pois constatamos que vários criadores não a conheciam tanto quanto deveriam conhecer. Criavam-na já havia bastante tempo, mas não tinham conhecimento preciso sobre o padrão.
Este aprendizado foi obtido através de várias palestras com árbitros especializados, conversas com criadores mais experientes, cursos e também exposições especializadas, julgadas por árbitros também especializados e italianos, que gostavam de molossos. Estas exposições eram organizadas pela SOMAN - Sociedade do Mastino Napoletano, que é nosso clube especializado brasileiro, que trabalha em prol da raça, já descrita anteriormente no link de mesmo nome.
Fonte: www.soman.org.br
O Mastim Napolitano é uma raça de cão muito antiga, sendo citado por grandes escritores e oradores da Roma antiga, que o mencionavam como "bom cão guardião". Assim disse Columela: "...cão guardião da casa deve ser preto, ou escuro, para afugentar o ladrão de dia e poder atacá-lo à noite sem ser visto. A cabeça é tão importante que se apresenta como a parte mais importante do corpo, as orelhas são caídas e pendem para a frente..." Apesar de diversas citações a este cão ao longo da história, sua origem ainda é bastante controversa e discutida por historiadores e cinófilos.

Mastim Napolitano
Itália
Padrão FCI
Grupo: 2
Seção: 2
Molossóides tipo dogue
Número #197 - 27/11/1989
Alguns afirmam que ele seria descendente dos cães que Alexandre, o Grande, conheceu na Grécia e havia levado para Roma. Outros acreditam que a raça seja descendente direto dos molossos romanos, usados pelos exércitos romanos nas guerras contra seus inimigos e outros ainda afirmam que a raça tenha sido originada do cruzamento entre os molossos romanos e os Pugnaces Britannie, trazidos da Inglaterra pelos soldados romanos e por último existe a possibilidade de ter sido trazido ao Mediterrâneo em navios fenícios, há milênios. Estas suposições têm em comum a crença de que o progenitor do Mastim seria um cão de características molossóicas que viveu no Tibete mas a maioria dos estudiosos discordam desta linha de raciocínio e investigam o passado do Mastim em cães europeus. Porém, de maneira geral, todas as correntes acreditam que o Mastim colaborou para a constituição de muitas outras variedades de molossos, como o Rottweiler e o São Bernardo.
O tempo passou, mas o Mastim manteve suas características desenvolvidas na região da Campânia - Durante a 2ª Guerra Mundial, muitos exemplares morreram - a fome se abateu sobre todos e não havia alimentação para o pesado Mastim, que consome em média 2,5 kg de comida por dia. Apesar da antigüidade, o Mastim Napolitano só foi reconhecido oficialmente como raça bem mais recentemente e esse feito deveu-se, especialmente, ao trabalho de seleção do escritor Piero Scanziani, que interessou-se pelos cães apresentados na 1ª Exposição Canina em Nápoles, onde ressurgiram oito belos espécimes da raça. Foi Piero quem iniciou um trabalho de seleção e em 1949, conseguiu junto ao E.N.C.I. (Ente Nazionale Cinofilo Italiano) o reconhecimento oficial da raça, cujo padrão definitivo foi fixado apenas em 1971.
O Mastim atinge seu auge físico aos 3 anos de idade, quando pode chegar a pesar até 85 quilos.
ALTURA ATÉ A CERNALHA (junção do pescoço com o tronco do cão): 77cm
Arrendondada, massuda, com o crânio largo na altura dos zigomas ("maçãs da face")e pele abundante com rugas e pregas; focinho muito largo e profundo; lábios de pele pesada, espessa e abundante, maxilares fortes, com ossos mandibulares bem robustos e arcadas dentárias perfeitamente encaixadas; dentes brancos, bem desenvolvidos, regularmente alinhados e numericamente completos (mordedura em tesoura); olhos de inserção frontal, bem afastados e ligeiramente aprofundados, com o contorno das pálpebras tendendo ao redondo. A cor da íris acompanha a cor da pelagem; orelhas em relação ao tamanho do cão, são pequenas, de formato triangular, inseridas acima das arcadas zigomáticas, quando inteiras, são achatadas e portadas pendentes e rentes às faces; quando operadas formam um triângulo quase eqüilátero.
TRONCO: Forte e robusto, o comprimento do tronco não ultrapassa em 10% a medida da altura até a cernelha.
CAUDA: Com base larga, grossa na raiz, robusta e afinando-se ligeiramente para a ponta.
PELE: Espessa, abundante e solta em todo o corpo, particularmente, na cabeça onde desenha numerosas pregas ou rugas, e na linha inferior do pescoço, onde forma uma barbela.
COR: Cinza, cinza-chumbo e preto, com algumas pequenas manchas brancas no centro do antepeito e na ponta dos dedos como também, mogno, fulvo e fulvo avermelhado (cervo).
MOVIMENTAÇÃO: É uma das características típicas da raça. Seu passo é indolente, lento, semelhante ao do urso. O trote é caracterizado por uma forte propulsão dos posteriores e um bom alcance dos anteriores. O Mastim Napolitano raramente galopa.
PELE: Espessa, abundante e solta em todo o corpo, particularmente, na cabeça onde desenha numerosas pregas ou rugas, e na linha inferior do pescoço, onde forma uma barbela.
COR: Cinza, cinza-chumbo e preto, com algumas pequenas manchas brancas no centro do antepeito e na ponta dos dedos como também, mogno, fulvo e fulvo avermelhado (cervo).
Os principais (e mais graves) problemas do Mastim Napolitano são devidos à sua própria estrutura e constituição física.
O Mastim é considerado um guloso por natureza e tem tendência a apresentar problemas de excesso de peso que pode comprometer a estrutura óssea. Para evitar esse problema, além de não dar comida demais, é importante exercitá-los sempre, com caminhadas diárias.
Pode-se evitar esse problema dividindo a porção total de ração, evitando dar toda a comida de uma única vez.
O Mastim, especialmente o tipo mais enrugado pode apresentar problemas de acúmulo de sujeira e umidade na pele. Para evitar esse problema, é importante secar bem o cão após o banho ou exposição à chuva.
Má formação do encaixe do fêmur com a bacia. Pode ser tanto de origem genética ou como adquirida em razão da exposição do cão a pisos lisos. Não tem cura. Por isso, a escolha do filhote junto a um bom criador é fundamental, assim como a alimentação do filhote com rações de primeira qualidade e acompanhamento do veterinário quanto à adição de suplementos de cálcio e vitaminas.
Fonte: pt.wikipedia.org