O Aquífero Guarani representa um megareservatório hídrico de 1,2 milhão de quilômetros quadrados (área essa igual aos territórios da França, Espanha e Reino Unido juntos). Abrange terras do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. No Brasil, suas águas se estendem por oito estados: os estados do Centro-Oeste, do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Este aqüífero representa um conjunto heterogêneo de “unidades hidroestratigráficas” que podem ou não conter água. Essas unidadessão formações geológicas que podem armazenar grandes quantidades de água.
O fato do Aqüífero ser composto de unidades hidroestratigráficas mostra que ele não é um “mar subterrâneo de água doce”, como muitas pessoas imaginam. Há uma descontinuidade entre essas formações geológicas, e a maioria deslas são independentes e limitadas. Por exemplo, o fluxo de água do Aquífero Guarani no estado de São Paulo se limita apenas a seus limites territoriais. A água está contida em camadas e não na forma de um grande lago.
As bacias geológicas que compõe o complexo do Aqüífero
foram formadas a partir da criação de Gondwana, o supercontinente.
Desde então, a evolução geológica tem moldado
suas estruturas, formando, inclusive as unidades hidroestratigráficas.
Apesar da grande quantidade de água que o Aqüífero armazena
— quantidade essa que pdoeria abastecer toda a população
da Terra por um período de 10 anos — nem toda essa água
tem o mesmo potencial para ser explorado, nem a mesma qualidade.
Águas em camadas mais profundas absorvem mais íons enquanto percorrem o subsolo. Absorvendo mais íons, essas águas se tornam sódicas ou sulfatadas, ou cloretadas, piorando sua qualidade. As fontes mais profundas (e portanto, de pior qualidade) são as que tem melhor potencial para serem exploradas. Nas camadas mais inferiores, a água fica sob maior pressão e sua descarga é ascendente. A porção de águas do Aqüífero de melhor qualidade é a mais próxima do solo, justamente a mais dicíl de explorar.
Fica claro que as diferentes camadas hidroestratigráficas do Aquífero Guarani não têm a mesma qualidade nem a mesma potencialidade de exploração. Essa visão da realidade do Aqüífero se contrapõe à visão simplista de recurso natural inesgotável, fácil obtenção e integralmente de água doce potável.
A importância dessa reserva de água abriu os olhos dos países do Aqüífero que firmaram um acordo chamado Grupo de Universidades de Montevidéu. Esse projeto tem como base dar elementos para uma gestão conjunta e uso sustentável do aqüífero pelos países. O Banco Mundial está ajudando à financiar o projeto.
Leonardo Biral dos Santos
Fonte: www.ibb.unesp.br
A falta de água em muitos lugares do mundo já é uma constante (por inúmeros motivos), talvez o mais preocupante sejam as fontes não renováveis de água ou o tempo necessário para tal. Dentro desta perspectiva nada animadora, constata-se que mesmo tendo isso como um fato, determinados países continuam a retirar indiscriminadamente de seus reservatórios subterrâneos a fonte geradora da vida a “água”.
O Brasil tem em seu subsolo um reservatório de água com proporções grandiosas se comparáveis às reservas de água no mundo. O Aquífero Guarani alcança em sua extensão quatro países da América do Sul são eles; Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, atingindo uma “área que se estende por 1,15 milhão de quilômetros quadrados, sendo a maior parte (71%) localizada sob território brasileiro” (Luiza Gockel, Marcelo Medeiros).
Dentro deste contexto é extremamente necessário que se faça o quanto antes uma ampla discussão sobre o assunto, já que a prioridade e responsabilidade sobre esse bem natural é dos países onde encontra-se o aqüífero. Paulatinamente o diálogo com os demais países envolvidos se inicia, mesmo que muitas vezes em passos lentos. Sendo que, o Brasil é o único dos quatro países que tem uma legislação voltada para a questão das águas e seu uso sustentável.
O grande problema é o repentino interesse por conta de empresas estrangeiras em se instalarem nessa região, sendo que muitas dessas empresas já fazem uso do reservatório sem que aja quanto a isso nenhum controle, além da incomoda presença de tropas militares norte americanas, na região de tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai). O que demonstra mais uma vez, que mesmo quando o assunto é de extrema importância para a soberania nacional, fecha-se os olhos...
Outra grave constatação salientada pelo professor Christian Caubet (UFSC), é com relação à prioridade do uso do manancial para fins de consumo humano e animal, descartando de imediato a possibilidade de comercialização da água contida no aqüífero e garantindo a soberania sobre um bem que é territorial, ou seja, pertencente às nações as quais esta situada o reservatório.
Devemo-nos manter alerta para as políticas voltadas para o Aquífero Guarani, pois o futuro dos cidadãos brasileiros depende das nossas ações hoje.
Higor Marcelo L. Vieira
Fonte: www.pulsar.org.br