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Conservação da Água

Conservar Àgua, uma questão de sobrevivência!

A água disponível no mundo vai dar para toda a sua população?

Reflita sobre os dados abaixo e tire você mesmo uma conclusão.

1. Por que preservar as fontes da vida
2. A carência de água da população
3. A falta de conscientização da população
4. A seca no Nordeste
5. O limite e a má distribuição de água no mundo
6. A saída é a cooperação
7. Contaminação gera prejuízos à saúde
8. Conflitos mundiais e a escassez de água
9. Uma ameaça ronda a Terra

1. Por que preservar as fontes da vida

Lata d’água na cabeça, lá vai Maria caminhar 15 quilômetros para encontrar o precioso líquido. Em poucas décadas, essa imagem pode deixar de ser exclusiva das regiões áridas para se tornar um problema mundial. No ano internacional dos oceanos, a falta de água já atinge 20% da população do planeta. Por isso, deixa de ser assunto exclusivo dos ambientalistas e passa a fazer parte do dia-a-dia da sociedade, em geral.

Relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) mostra que, em 28 anos, a carência de água vai afetar dois terços da população mundial. Ou seja, das 8,3 bilhões de pessoas que devem estar habitando a Terra em 2025, nada menos que 5,5 bilhões vão sofrer pela escassez de água, cuja disponibilidade deve ser reduzida em 35% para cada pessoa.

A ONU instituiu o dia internacional da água em 22 de março, antevendo ainda que, no começo do século XXI, um terço dos países do mundo terá escassez permanente do produto. O dia nasceu da Conferência Internacional da Água, ocorrida em Dublin, na Irlanda, em abril de 1992.

2. A carência de água da população

A ambientalista Tea Magalhães, coordenadora-executiva da organização não-governamental Água e Vida, observa que a quantidade de água no mundo é a mesma desde a antiguidade. Por isso, tecnicamente não está se tornando escassa. Está, sim, havendo carência. “Além da poluição dos recursos hídricos, o que acontece é que a população tem aumentado e vem se concentrando em locais onde a água é pouca”, diz Tea.

Outro fator que diminui a disponibilidade de água, segundo a ambientalista, é a irrigação crescente, “que gera disputa pela água onde há muita população”. Assim, o problema de carência de água deve ser entendido também como a preocupação em tratar os esgotos e encontrar soluções para as áreas com pouca água por habitante.

Com a falta de planejamento urbano, essas soluções estão longe de aparecer. Através de políticas urbanas de melhor aproveitamento do território, os problemas poderiam ser minimizados. Mas não são. E, se o Brasil tem 8% de toda a água potável do mundo e ainda assim vive esta situação, pior ainda para países em que a água não é abundante.

Para combater a escassez, o biólogo Leandro Valle Ferreira, supervisor de projetos do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês), cita educação e preservação como principais medidas – incluindo “programas de preservação das nascentes de rios e lagos que abastecem as cidades”.

3. A falta de conscientização da população

A educação é imprescindível, pois “a população ainda não está conscientizada do problema”. Desde tomar banho demorado até lavar o carro sem necessidade, todos temos nossa parcela de responsabilidade.

Para se ter uma idéia, lavar o carro por 10 minutos despende 500 litros de água. O movimento Cidadania pelas Águas, ligado à Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) do Ministério do Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Amazônia Legal, estima que 75% da água consumida em casa são gastos no banheiro.

Cidadania pelas Águas é a única iniciativa de porte do governo federal na área. O projeto se resume a apoiar organizações que atuam na conservação dos recursos hídricos. “O movimento de Cidadania pelas Águas não é do governo, é uma ação pública coletiva, incluindo cidadãos que estão no governo e fora do governo, todos com uma característica: preservar os recursos hídricos do país”, diz documento da entidade.

O poder público tem planos definidos para tratar de problemas como a proteção dos mananciais, na figura de várias leis ambientais.

“Campanhas públicas poderiam e deveriam mostrar a necessidade de manutenção da qualidade da água através da preservação e proteção dos mananciais”, exemplifica ele.

O coordenador do Cidadania pelas Águas, engenheiro José Chacon de Assis, acrescenta que “se não houver mudanças para a prática do desenvolvimento sustentável do consumo de energia, transportes, arquitetura das cidades, entre outros, grande parte do planeta ficará sem água”. Assis, presidente do Conselho Regional de Engenharia do Rio de Janeiro, cita que os ataques à água potável podem ser minimizados com a regulamentação de lei específica.

A ambientalista Tea Magalhães não considera que o Brasil esteja perto do esgotamento, a não ser no Nordeste. Afinal de contas, o país detém 8% do potencial de água potável do mundo, em que pese a distribuição ser desigual no território. Nada menos que 80% da água potável brasileira estão na Amazônia, onde se concentram menos de 5% da população.

Um pouco diferente pensa Leandro Ferreira. Ele alerta que “a água está mesmo se tornando escassa”, pelo aumento do consumo, desperdício e falta de preocupação com a preservação dos recursos hídricos.

Para comprovar, basta citar o exemplo chinês: 78% da água dos rios urbanos da China estão contaminados; 79% dos chineses bebem água imprópria.

O biólogo cita sua cidade, Manaus, como grande exemplo no Brasil. Mesmo estando no centro da maior concentração de recursos hídricos do Brasil, a Amazônia, a capital amazonense sofre com a falta de água, pelo crescimento desordenado e abastecimento deficitário.

4. A seca no Nordeste

Se o Brasil tem tanta água, porque o Nordeste sofre os efeitos da falta de H2O?

Mais uma vez, é necessário aplicar soluções simples – e algumas contestadas ambientalmente – como a transposição de águas, a perfuração de poços ou a formação de açudes.

Para garantir às populações pobres o acesso à água, Ferreira avalia que a racionalização do uso dos recursos seriam o primeiro passo. “Como o recurso é limitado e vem sendo desperdiçado, a racionalização poderia trazer benefícios para a população pobre, que em geral fica privada do acesso ou tem acesso a recursos de baixa qualidade”, diz.

Para o problema da escassez, uma das soluções é alterar a distribuição. Viabilidade técnica existe. O que se pensa em fazer no Nordeste, transpondo-se as águas do São Francisco para irrigar terras secas, já existe em São Paulo. A capital paulista é abastecida por água de outra bacia.

“Mas junto à viabilidade técnica é preciso pesar os aspectos ecológico, econômico e político”, alerta Tea Magalhães. A transposição de volumes muito grandes de água pode causar desequilíbrio ecológico nas regiões. Por isso, para Tea, “a distribuição de água é parte do planeta, e a ocupação do território, antes de tudo, deve ser vinculada às características do lugar”. A mesma desfiguração ambiental acontece com o represamento de águas, que altera todo o equilíbrio ecológico das regiões afetadas.

Falta ainda na implementação de melhorias nos sistemas de saneamento básico. A ambientalista Tea Magalhães afirma que não basta querer ter saneamento. É preciso poder. Os governos sempre priorizaram o abastecimento e, num segundo passo, a retirada do esgoto das casas. Somente agora se pensa em tratar os dejetos.

A própria ONU inclui o saneamento em suas preocupações. Relatório conjunto com o Instituto Ambiental de Estocolmo, de 1995, revelava que metade da população não tinha saneamento básico.

Por não ser tratado em sua maioria, o esgoto despejado diretamente nos rios é mesmo um dos grandes problemas que afligem o movimento e organizações não-governamentais. Muito do esgoto que vai para o rio não recebe nem mesmo tratamento primário, a simples separação do material sólido. Há ainda o tratamento secundário, com produtos químicos e biológicos, e o terciário, que inclui filtragem. “É preciso investir no nível de tratamento do esgoto”, observa Ferreira. Já as indústrias, para ele, “deveriam investir em seus próprios centros de tratamento”. Não fazem isso para evitar custos. E, sem controle do governo, ficam livres para poluir.

Tea Magalhães comenta que o despejo direto de esgoto nos rios é um problema ambiental grave, mas não o principal. De certa forma, a água é auto-limpante, podendo recuperar-se dos pequenos despejos domésticos diretos. “Mas ser for muito volumoso o esgoto não pode ser lançado diretamente no rio, porque a vazão pode não ser suficiente para dilui-lo”, diz.

Quanto às indústrias, seus efluentes são diferentes dos domésticos por estarem cheios de material inorgânico. As indústrias mais poluentes são as de papel e celulose, química e petroquímica, de refinação de petróleo, metalurgia, de alimentação e têxtil, nesta ordem.

O que elas jogam na água, inviabilizando seu consumo, é digno de processo: metais pesados, ácidos e sólidos em suspensão e hidrocarbonos provenientes de pontos de extração, vazamentos de oleodutos e transporte por navios.

Por todos esses fatores, para muitos a escassez de H2O pode se tornar alarmante ainda antes de 2025, ano crítico para a ONU. O embaixador inglês na ONU, Crispin Tickell, alerta que “a crise no abastecimento de água desencadeará mais guerras do que o petróleo”. Tickell foi um dos organizadores da reunião de cúpula Eco-92, no Rio de Janeiro, que debateu políticas mundiais para o meio ambiente.

Em recente entrevista, o embaixador informou que “a demanda mundial por água dobra a cada 21 anos, mas o volume disponível é o mesmo desde o Império Romano”. Não há água que resista a um consumo que, segundo outra estimativa, foi multiplicado por três nos últimos 40 anos. Ou aumentado 10 vezes desde 1900, enquanto a população mundial foi multiplicada por quatro.

Quando se pensa que o planeta tem 70% de água, é impossível escapar da ilusão de que o produto é inesgotável. Mas não é bem assim. A ONG norte-americana The National Coalition Against Pesticide Use realizou estudo detectando que 97% da água da Terra ficam em oceanos, portanto não são potáveis. Outros 2% são geleiras eternas.

Ou seja, apenas 1% da água do mundo, ou 12.600 quilômetros cúbicos, está acessível ao homem. Porém, o gasto representa apenas 10% dos recursos disponíveis. Se a escassez não é problema, a poluição e o abastecimento das grandes cidades é.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) impõe restrições para considerar a água potável.

No Brasil, que segue a OMS, os critérios para uma água ser potável são os seguintes: deve ser incolor, inodora, insípida, ter entre 70 miligramas e 500 de sais minerais por litro; ter pouquíssimo nitrato e nenhum amônio; ter não mais que 12 bacilos coliformes por litro. Há cerca de 50 componentes químicos que podem ser usados no tratamento da água.

5. O limite e a má distribuição de água no mundo

Além de não ser ilimitada, a água tem distribuição desproporcional

O Brasil tem 8% do volume mundial de água potável. O Canadá tem reservas 26 vezes maiores que o México, por exemplo, em relação à população.

A disparidade se agrava ainda mais com o aumento do consumo.

Uma família dos Estados Unidos gasta pouco mais de 2.000 litros diários de água, em média. Nos países subdesenvolvidos, além de ter que viajar vários quilômetros para obter água, as famílias têm em média apenas 150 litros diários à disposição.

Outro fator que pode acirrar a “guerra da água” no futuro é a utilização crescente de águas subterrâneas. O jornalista norte-americano Michael Serril alerta que “a exploração das águas subterrâneas deve prever o desenvolvimento de atividades que assegurem a recarga dos aqüíferos”.

Essa falta de provisão pode agravar ainda mais os efeitos de secas. Os Estados Unidos, em 1930, foram grande exemplo disso. A seca que atingiu o já árido sudoeste do país naquele ano obrigou as famílias de agricultores a deixar suas propriedades. Trinta anos depois, novamente os Estados Unidos, além do Nordeste do Brasil, China, Nicarágua e Portugal, sofreram mais com a seca porque sua população não se preparou para um período de chuva menos abundante que o normal.

Com todos esses fatores, cada vez mais cresce a consciência de que as fontes de água estão chegando ao limite. Não à toa, a água foi uma das questões prioritárias da assembléia geral da ONU de 1996.

Na ponta inicial do uso da água, as indústrias são responsáveis por 23% da utilização no mundo. O primeiro lugar vai para a agricultura, com 69%. O uso doméstico é responsável por apenas 8%. “Na indústria ocorre um desperdício brutal, assim como em estabelecimentos comerciais, resultado da pouca valorização da água tratada”, diz Tea Magalhães.

Mas a atividade agrícola não fica muito atrás. Não somente muitos métodos de irrigação usam água de forma desordenada. As fontes são contaminadas por fertilizantes ou pesticidas e também sofrem infiltração e drenagem não-controladas.

Um dos grandes vilões da escassez, a agricultura também terá um dos piores sofrimentos com a falta de água, porque precisa muito dela. Somente 17% da área rural são irrigados, mas produzem mais de 40% da colheita mundial.

O próprio homem é uma demonstração de quanto a água é importante. Segundo o professor Arthur Blásio Rambo, “aproximadamente 60% do peso de um adulto normal é água”.

O professor argentino Bernardo Houssay, prêmio Nobel de química, chegou a dizer que “o organismo é formado de água na qual se acham dispersas micelas, moléculas e ions”. Mas em nenhuma parte do organismo ela está em estado puro.

O mesmo acontece na natureza. Como diz o também professor Samuel Murgel Branco, antigo pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, a existência da água pura é hipotética. “Mas a pureza química é não só dispensável como até indesejável. Muitos dos compostos minerais ou elementos químicos que se encontram dissolvidos nas águas constituem fatores de grande importância fisiológica”, fala ele.

6. A saída é a cooperação

É da África que vêm alguns exemplos de que a cooperação pode sair vitoriosa na guerra da água

O continente tem 19 dos 25 países considerados pela ONU com o menor acesso à água potável e mesmo assim a sobrevivência passa a ser balizador das ações nesses países.

O Egito constrói o canal El-Salam, com 242 quilômetros de extensão. O canal, que já está em obras, vai criar 2.500 quilômetros quadrados de novas áreas rurais em pleno deserto do Sinai, nos dois lados do canal de Suez. O projeto, estimado em US$ 2 bilhões com apoio do Banco Mundial, deve ficar pronto ainda este ano.

Outro projeto, que já está sendo chamado de megalômano por críticos do governo, prevê o bombeamento de água da bacia de Toshka, que abastece o lago Nasser. Serão desviados 25 milhões de metros cúbicos de água por dia para irrigar 5.000 quilômetros quadrados de áreas rurais. Projetos como os egípcios são questionáveis, pelo alto custo e grande impacto ambiental. Mas pequenas soluções são aplaudidas.

Na Somália, o dinheiro arrecadado pelas comunidades com a venda de água – cinco centavos o balde de 20 litros, em média – é reaplicado para aprimorar a captação. Na Cidade do México, banheiros públicos foram recondicionados com descargas que consomem apenas seis litros por uso e garantem a extensão do abastecimento a outros lugares.

Em Melbourne, Austrália, houve 30% de economia na década de 80, devido a campanhas televisivas.

Na indústria, então, os ganhos podem ser ainda maiores. Campanhas junto às metalúrgicas norte-americanas reduziram o consumo de água, de 280 para 14 toneladas a cada uma de aço produzida, com reciclagem de boa parte da água já utilizada. A irrigação por gota utilizada na agricultura pode brecar o consumo em até 25%, economizando preciosos litros.

Para especialistas como Gordon Conway, consultor do Banco Mundial e da Fundação Ford, são viáveis iniciativas como a conservação crescente aliada à conscientização. Por incrível que pareça, até a cobrança de água pode mostrar à população que ela é um bem valioso.

7. Contaminação gera prejuízos à saúde

Sete em cada 10 pacientes de hospitais sofrem de doenças relacionadas à poluíção na água.

A contaminação da água gera graves problemas à qualidade de vida e saúde das populações.

Diarréia, cólera, febres tifóide e paratifóide, hepatite, disenteria bacilar, gastroenterites, parasitoses e teníase são apenas algumas das doenças que se propagam pela falta de água e pela sua contaminação, bem como por esgotos não-tratados.

Câncer e moléstias do coração também podem ser causados por substâncias em suspensão na água. Da mesma forma, esses compostos podem atacar o sistema endócrino das pessoas, inibindo a ação dos hormônios.

Relatório recente da ONU revelava que 25 mil pessoas morrem diariamente por problemas na água.

As Nações Unidas também declararam que, em todas as épocas do mundo, metade da população tem sofrido, direta ou indiretamente, de doenças relacionadas ao produto. Hoje, estima-se que nos hospitais a cada 10 pacientes sete sejam vítimas de doenças transmitidas através da água.

A ONG inglesa Rede de Mulheres pelo Meio Ambiente afirma que até 8% dos bebês nascidos na Grã-Bretanha tenham sofrido danos no sistema nervoso e perda da memória pela exposição a substâncias como dioxinas e clorinas, produtos resultantes da incineração do lixo e poluentes do ar e da água.

As doenças em geral são provocadas pelo uso inadequado da água, que também pode causar o esgotamento dos recursos hídricos a médio prazo. Sem o aprimoramento da utilização desses recursos, cresce o risco da diminuição da água subterrânea e diminui a proteção sobre as fontes. É por isso que o nível da água está caindo em todo o mundo, levando junto os aqüíferos subterrâneos e provocando seca nos lagos e mangues.

As fontes subterrâneas estão especialmente ameaçadas.

Cerca de metade da população do mundo, tanto urbana quanto rural, capta água para consumo e irrigação desses locais. Se o despejo direto de esgoto é a principal causa de contaminação de águas superficiais, as águas sob a terra sofrem com a manutenção deficiente e redes de esgoto e fossas individuais, infiltração de material industrial tóxico e má conservação de depósitos de lixo.

8. Conflitos mundiais e a escassez de água

Conflitos mundiais são agravados pela escassez de água.

Escassa e valiosa, a água sempre foi motivo de conflito. O secretário do Programa Hidrológico Internacional (PHI) da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na América Latina e Caribe, Andras Szöllösi-Nagy, conta que “o primeiro caso publicado de conflitos relativos à água ocorreu em Canaã, entre Abraão e Abimelec, rei dos filisteus”.

Para resolver essas pendências, Szöllösi-Nagy sugere a negociação. “O emprego da força bruta está longe de ser a melhor solução para quem quiser compartilhar recursos hídricos”, fala. As brigas pela água foram tema da conferência internacional sobre negociações em conflitos sobre água, realizada em Haifa, Israel, em 1997.

Recentemente, o produto foi usado como arma na guerra da Bósnia. Michael Serril, da revista norte-americana Time, diz que “os sérvios que sitiavam Sarajevo feriram seus inimigos no suprimento de água”. Primeiro, a eletricidade foi cortada, com o que as bombas de água pararam de funcionar. Então, os sitiados tiveram que expor-se às balas sérvias para encontrar água, morrendo em grande quantidade. A situação durou de 92 a 95.

Na guerra que devastou a Somália, país do leste africano, no início da década, aconteceu algo semelhante. Poços eram enchidos com pedras, tubulações eram roubadas. Como resultado, milhares de somalianos tinham que usar água contaminada e morreram de cólera.

O barril de pólvora que é o Oriente Médio tem na água um componente a mais de tensão. Os palestinos de Gaza têm direito a somente 70 litros de água por dia, e mesmo assim a Autoridade Palestina reclama que Israel não tem cumprido acordo firmado em Oslo, Noruega.

Os israelenses também são acusados de, na guerra dos Seis Dias, em 67, terem desviado aqüíferos subterrâneos na margem oeste do rio Jordão. E exatamente por água o rei Hussein, da Jordânia, teme um conflito de seu país com os israelenses.

Especialistas em água estimam que o consumo terá que ser diminuído em breve na região. Para isso, vários projetos têm sido estudados. Hoje, árabes e judeus usam a dessalinização da água, que por ser cara é apenas temporária. Cada metro cúbico de água sem sal custa até US$ 2, mesmo com a tecnologia mais avançada.

Sem água, Israel não consegue a auto-suficiência na produção de alimentos. “É mais fácil e barato trazer para o país um contêiner de frutas e verduras que um contêiner de água”, diz Gershon Baskin, diretor do Centro Israelita-Palestino para Pesquisa e Informação, em Jerusalém.

9. Uma ameaça ronda a Terra

É possível vida sem água? Os recursos hídricos do planeta Terra são inesgotáveis?

Questões como essa começam a povoar as mentes de ambientalistas, organismos internacionais e governos espalhados pelos cinco continentes.

Ocorre que no limiar do século XXI, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), um terço dos países do mundo terá escassez permanente desse precioso líquido.

Imaginar uma situação em que boa parte da população do planeta deixe de ter acesso à água não é obra de ficção científica produzida pelo cinema. Indiferente a essa ameaça, a sociedade das grandes cidades nem sequer tem idéia de que a falta do produto já atinge 20% dos habitantes do mundo. O problema é tão sério que a ONU instituiu o dia internacional da água em 22 de março deste ano, procurando com isso alertar os diversos governos sobre a necessidade de se adotar medidas que mantenham a qualidade da água advinda dos mananciais.

Levantado oo debate sobre o assunto, temos que ter consciência de que cabe a cada um de nós fazer a sua parte. É preciso perseguir a meta de evitar que a guerra por esse bem valioso se alastre, Brasil afora.

Marcio Sardi

Fonte: www.casal.al.gov.br

Conservação da Água

Conservação do Solo e da Água

O solo é um recurso natural que deve ser utilizado como patrimônio da coletividade, independente do seu uso ou posse. É um dos componentes vitais do meio ambiente e constitui o substrato natural para o desenvolvimento das plantas.

A ciência da conservação do solo e da água preconiza um conjunto de medidas, objetivando a manutenção ou recuperação das condições físicas, químicas e biológicas do solo, estabelecendo critérios para o uso e manejo das terras, de forma a não comprometer sua capacidade produtiva.

Estas medidas visam proteger o solo, prevenindo-o dos efeitos danosos da erosão aumentando a disponibilidade de água, de nutrientes e da atividade biológica do solo, criando condições adequadas ao desenvolvimento das plantas.

Planejamento Conservacionista

A solução dos problemas decorrentes da erosão não depende da ação isolada de um produtor. A erosão produz efeitos negativos para o conjunto dos produtores rurais e para as comunidades urbanas. Um plano de uso, manejo e conservação do solo e da água deve contar com o envolvimento efetivo do produtor, do técnico, dos dirigentes e da comunidade.

O Agrônomo e outros Profissionais das ciências agrárias e ambientais, devem ser consultados para elaboração do planejamento de conservação do solo e da água.

Princípios Básicos

Dentre os princípios fundamentais do planejamento de uso das terras, destaca-se um maior aproveitamento das águas das chuvas. Evitando-se perdas excessivas por escoamento superficial, podem-se criar condições para que a água pluvial se infiltre no solo. Isto, além de garantir o  suprimento de água para as culturas, criações e comunidades, previne a erosão, evita inundações e  assoreamento dos rios, assim como abastece os lençóis freáticos que alimentam os cursos de água.

Uma cobertura vegetal adequada assume importância fundamental para a diminuição do impacto das gotas de chuva. Há redução da velocidade das águas que escorrem sobre o terreno, possibilitando maior infiltração de água no solo e, diminuição do carreamento das suas partículas.

Práticas Vegetativas

Florestamento e reflorestamento
Plantas de cobertura
Cobertura morta
Rotação de culturas
Formação e manejo de pastagem
Cultura em faixa
Faixa de bordadura
Quebra vento e bosque sombreador
Cordão vegetativo permanente
Manejo do mato e alternância de capinas

Práticas Edáficas

Cultivo de acordo com a capacidade de uso da terra
Controle do fogo
Adubação:
verde, química, orgânica
Calagem

Práticas Mecânicas

Preparo do solo e plantio em nível
Distribuição adequada dos caminhos
Sulcos e camalhões em pastagens
Enleiramento em contorno
Terraceamento
Subsolagem
Irrigação e drenagem

A escolha dos métodos / práticas de prevenção à erosão é feita em função dos aspectos ambientais e sócio-econômicos de cada propriedade e região. Cada prática, aplicada isoladamente, previne apenas de maneira parcial o problema. Para uma prevenção adequada da erosão, faz-se necessária a adoção simultânea de um conjunto de práticas.

Apresentam-se, a seguir, comentários resumidos acerca de algumas destas práticas conservacionistas:

Plantio em nível - neste método todas as operações de preparo do terreno, balizamento, semeadura, etc, são realizadas em curva de nível. No cultivo em nível ou contorno criam-se obstáculos à descida da enxurrada, diminuindo a velocidade de arraste, e aumentando a infiltração d’água no solo. Este pode ser considerado um dos princípios básicos, constituindo-se em uma das medidas mais eficientes na conservação do solo e da água. Porém, as práticas devem ser adotadas em conjunto para a maior eficiência conservacionista.
Cultivo de acordo com a capacidade de uso -
as terras devem ser utilizadas em função da sua aptidão agrícola, que pressupõe a disposição adequada de florestas / reservas, cultivos perenes, cultivos anuais, pastagens, etc, racionalizando, assim, o aproveitamento do potencial das áreas e sua conservação.
Reflorestamento -
áreas muito susceptíveis à erosão e de baixa capacidade de produção devem ser mantidas recobertas com vegetação permanente. Isto permite seu uso econômico, de forma sustentável, e proporciona sua conservação. Este cuidado deve ser adotado em locais estratégicos, que podem estar em nascentes de rios, topos de morros e/ou margem dos cursos d’água.
Plantas de cobertura -
objetivam manter o solo coberto no período chuvoso, diminuindo os riscos de erosão e melhorando as condições físicas, químicas e biológicas do solo.
Pastagem -
o manejo racional das pastagens pode representar uma grande proteção contra os efeitos da erosão. O pasto mal conduzido, pelo contrário, torna-se uma das maiores causas de degradação de terras agrícolas.
Cordões de vegetação permanente -
são fileiras de plantas perenes de crescimento denso, dispostas em contorno.
Algumas espécies recomendadas:
cana-de-açúcar, capim-vetiver, erva-cidreira, capim-gordura, etc.
Controle do fogo -
o fogo, apesar de ser uma das maneiras mais fáceis e econômicas de limpar o terreno, quando aplicado indiscriminadamente é um dos principais fatores de degradação do solo e do ambiente.
Correção e adubação do solo -
como parte de uma agricultura racional, estas práticas proporcionam melhoramento do sistema solo, no sentido de se dispor de uma plantação mais produtiva e protetora das áreas agrícolas.

A conservação do solo e da água melhora o rendimento das culturas e garante um ambiente mais saudável e produtivo, para a atual e as futuras gerações.

Conservação da Água
(*) 1. Terreno desmatado. 2. Terreno cultivado morro abaixo.
3. Assoreamento de rios e açudes.
4. Erosão com voçoroca invade terras cultivadas.
5.Êxodo rural. 6. Lavouras cultivadas sem proteção.
7.Pastagem exposta à erosão. 8. Inundações

Conservação da Água
(*) 1. Terreno com exploração florestal. 2. Terreno cultivado em curva de nível e outras práticas conservacionistas.
3. Rios e açudes livres de assoreamento. 4. Culturas com práticas conservacionistas.
5. Desenvolvimento de comunidades agrícolas. 6. Áreas de pastagens protegidas contra a erosão.
7. Áreas de pastagens protegidas. 8. Inundações controladas e áreas agrícolas reaproveitadas

Quintino Reis de Araujo

Paulo César Lima Marrocos

Maria Helena de C. F. Serôdio

Fonte: www.ceplac.gov.br

Conservação da Água

Conservação de água e energia

A água é um dos fatores limitantes para o desenvolvimento agrícola, urbano e industrial, tendo em vista que a sua disponibilidade vem sendo reduzida rapidamente, face ao aumento gradativo da de­manda e à contínua poluição dos mananciais ainda disponíveis. A escassez de água não pode mais ser considerada como atributo exclusivo de regiões áridas e semi-áridas. Muitas áreas com recursos hídricos abundantes, mas insuficientes para atender a demandas excessivamente elevadas, também experimentam conflitos de usos e sofrem restrições de consumo que afetam o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida.

Para restabelecer o equilíbrio entre oferta e demanda de água e garantir a sustentabilidade do desenvolvimento econômico e social, é necessário que métodos e sistemas alternativos modernos sejam convenientemente desenvol­vidos e aplicados em função de características de sistemas e centros de produção específicos.

Nesse sentido, reúso, reciclagem, gestão da demanda, redução de perdas e minimização da geração de efluentes se constituem, em associa­ção às práticas conservacionistas, em práticas de suma importância para gerenciamento dos recursos hídricos e de redução da poluição.

O conceito de “substituição de fontes”, se mostra como a alternativa mais plausível para satisfazer a demandas menos restritivas, liberando as águas de melhor qualidade para usos mais nobres, como o abastecimento doméstico. As águas de qualidade inferior, tais como efluentes de processos industriais, bem como de esgotos, particularmente os de origem doméstica, águas de drenagem de pátios e agrícola, e águas salobras, devem, sempre que possível, ser consideradas como fontes alternativas para usos menos restritivos.

Cerca de 5% do consumo total de água doce no País vai para a indústria. Setores como refino de petróleo, química e petroquímica, alimentícia e outras precisam de grandes quantidades de água para produzir bens como combustíveis, plásticos, materiais de construção, fertilizantes e alimentos.

Economia de energia significa economia de água. Logo, um programa de conservação de energia afeta diretamente o volume de água necessário em nossas operações.

Empresas que buscam o retorno financeiro de um programa de conservação de energia mantém um esforço contínuo para melhorar sua eficiência energética. Seu sucesso baseia-se numa avaliação regular da eficiência e implementação das ações necessárias. Independente do tamanho da empresa, o elemento comum para o sucesso na conservação de energia é o comprometimento em alocar os recursos humanos e capital necessários. Aquelas mais avançadas mantém uma equipe dedicada e uma política energética.

A eficiência no uso da energia afeta diretamente a sustentabilidade ambiental do negócio. Opções de energia renovável, tais como biomassa, solar, geotérmica, eólica, usam quantidades pequenas de água quando comparadas com as fontes convencionais, tais como carvão e nuclear. Desta forma, quando investimos em energia renovável estamos investindo em conservação de água.

Fonte: www.processos.eng.br

Conservação da Água

Origem, Distribuição e Preservação da Água no Planeta Terra

A Terra bem que poderia ser chamada de Planeta Água ou de Planeta Azul, como a denominou o astronauta russo Gagarin, pois cerca de 2/3 (71%) de sua superfície é coberta por oceanos e mares. As terras emersas, que formam os continentes e ilhas, destacam-se apenas como manchas.

A água, a substância mais comum no planeta, participa de seus processos modeladores, pela dissolução dos materiais pétreos e/ou pelo transporte de partículas, sendo reconhecida como o melhor solvente disponível na natureza.

O surgimento da água está ligado à formação do sistema solar. No Big Bang, explosão que há 15 bilhões de anos deu origem ao Universo, surgiram os primeiros átomos de hidrogênio. Durante vários milhões de anos depois, nuvens de hidrogênio e hélio, dispersas no cosmos, foram se adensando, formando as primeiras estrelas. Devido ao calor, essas nuvens primordiais permaneceram na forma de vapor nas regiões periféricas desses corpos celestes. Em continuidade, no interior delas as reações nucleares originaram vários elementos químicos, entre eles, o oxigênio. A água se originou da combinação dos gases hidrogênio e oxigênio, inicialmente como vapor d'água. Com a solidificação da superfície dos planetas esse vapor ficou aprisionado em seu interior. Aqui na Terra, entre 4,2 a 4,5 bilhões de anos, durante a formação da crosta, ocorreu um processo de desgaseificação. O núcleo da terra, que continuava candente, expulsou para a crosta grande quantidade de água na forma de vapor. Nesse período, os vulcões expeliram gases como hidrogênio e vapor de água que deram origem à atmosfera. À medida que as elevadas temperaturas baixaram, houve condensação do vapor, que se transformou em nuvens. Os gases que envolveram a Terra chegaram a ser tão densos que parte deles passou ao estado líquido, dando origem às chuvas, as quais, devido à força de gravidade, se precipitaram na superfície, em forma de chuvas torrenciais. Formaram-se assim os oceanos primitivos. Como parte desse processo evolutivo, a água doce iniciou a sua formação há cerca de 3,7 bilhões de anos. Nesse mar primordial que cobria a Terra, a vida teve início há cerca de 3,2 bilhões de anos, depois que as chuvas lavaram a atmosfera eliminando os vapores de enxofre. Devido às condições ideais de afastamento da Terra em relação ao Sol, de suas dimensões e da baixa magnitude da força de gravidade, a água ocorre nos estados sólido, líquido e gasoso. Se a distância entre o Sol e a Terra fosse apenas 5% menor do que a atual, o nosso planeta receberia 10% a mais de energia solar. Isso transformaria toda a água da atmosfera em vapor. Se a distância fosse 10% maior, os oceanos se congelariam até grandes profundidades. À medida que os continentes emergiram, apareceram os rios, os lagos, as lagoas e os pântanos. A parcela que se infiltrou na superfície e se acumulou entre as camadas de rochas do subsolo formou as águas subterrâneas. Posteriormente, cerca de 500 milhões de anos, essa água doce contribuiu para que a vida conquistasse a terra.

As águas que ocorrem na natureza formam a hidrosfera, que tem um volume de 1,46 bilhão de quilômetros cúbicos. Essa elevada disponibilidade de água no globo estimulou uma política de desperdício dos recursos hídricos em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, mas apenas 0.007% desse volume total está disponível para o consumo humano. Essas águas se distribuem em reservatórios aéreo (atmosfera), superficiais (oceanos, mares, rios, lagos, lagoas, pântanos e depósitos artificiais) e de subsuperfície (águas subterrâneas), e se integram em um circuito fechado, formando o Ciclo das Águas ou Ciclo Hidrológico. O volume de água que evapora dos oceanos é cerca de 47.000 km³/ano maior que o fluxo que nele precipita. Esse valor excedente indica o volume de água que é transferido dos oceanos para os continentes durante os processos de evaporação e precipitação. A água retorna aos oceanos pela precipitação direta e pelo escoamento dos rios e de fluxos subterrâneos. Assim, a quantidade total de água na Terra permanece constante. O volume e o percentual de distribuição dessa água no planeta, assim como o tempo de permanência nos diferentes reservatórios está apresentado na Tabela 1. A radiação solar, além de ser o motor que impulsiona o ciclo, ajudado pela força de gravidade, permite a separação do sal da água durante o processo de evaporação, quando da formação das nuvens.

Essas nuvens, quando encontram correntes de ar frio ou baixas pressões atmosféricas, condensam e se precipitam sob a forma de chuva, granizo ou neve. Uma fração da água precipitada evapora antes de alcançar o solo, pois é interceptada pela vegetação ou por outras superfícies. Parte corre sobre a superfície do solo, formando os reservatórios de superfície, e outra fração se infiltra formando as água subterrâneas. Apesar da afirmação imprecisa de leigos de que a água está "acabando", a quantidade de água na Terra é praticamente invariável desde a sua origem, ocorrendo apenas o acréscimo de uma fração diminuta, denominada de água juvenil, que é expelida pelos vulcões. A água que hoje utilizamos é a mesma água que os dinossauros bebiam. O que tem sido alterado é o aumento da demanda, e da sua distribuição nos reservatórios naturais e artificiais e a perda de sua qualidade, o que eleva o seu custo e aumenta a exclusão social.

Volume e Distribuição das Águas na Terra

Tipos de Reservatório Volume (106 Km³) Percentual do Volume Total Tempo Médio de Permanência
Oceanos e Mares 1.370 94 4.000 anos
Geleiras e neves eternas 30 2 10 a 1.000 anos
Águas Subterrâneas 60 4 2 semanas a 10.000 anos
Lagos, rios, pântanos e reservatórios artificiais 0,2 < 0,01 2 semanas a 10 anos
Umidade nos solos 0,007 < 0,01 2 semana a 1 ano
Biosfera 0,0006   1 semana
Atmosfera 0,0130   10 dias

Três principais problemas agravam o quadro de disponibilidade hídrica mundial:

1) a degradação dos mananciais
2)
o aumento exponencial e desordenado da demanda
3)
o descompasso entre a distribuição das disponibilidades hídricas e a localização das demandas, pois as águas estão distribuídas de forma heterogênea, tanto no tempo como no espaço geográfico. Assim, a escassez hídrica tem gerado instabilidades e conflitos econômicos e socioambientais, os quais tendem a agravar-se com o tempo. Por isso é imprescindível que a água seja tratada como um recurso estratégico, para que o seu uso sustentável seja lastreado no seu uso racional, no fortalecimento institucional, em marcos regulatórios, no planejamento e gestão integrada, na disponibilidade de recursos financeiros, e, principalmente, no respeito ao princípio de que todos têm direito à água de qualidade, um bem fundamental à vida.

Atualmente mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não têm água suficiente para suprir as suas demandas domésticas, que segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS é de 200 litros/dia. Estima-se que, em 30 anos, haverá 5,5 bilhões de pessoas vivendo em áreas com moderada ou elevada escassez de água.

Alguns eventos agravam o cenário tanto da oferta como da demanda de água doce no mundo, tais como o crescimento demográfico associado a padrões de consumo não sustentáveis. Estima-se que o crescimento populacional aumentou três vezes no decorrer do século XX, passando de 2 para 6 bilhões de habitantes. Nesse mesmo período, a demanda de água aumentou sete vezes, isto é, passou de 580 km³/ano para aproximadamente 4.000 km³/ano. Esses dados tornam-se relevantes na medida em que é previsto que a população mundial estabilize-se, por volta do ano 2050, entre 10 e 12 bilhões de habitantes, o que representa cerca de 5 bilhões a mais que a população atual6. Outro fator que agrava o cenário da utilização das águas no mundo é a gestão ineficiente dos recursos hídricos em basicamente todas as atividades antrópicas, como ocorre na agricultura, na indústria e nos sistemas de abastecimento público de países, onde o desperdício de água, como em algumas regiões brasileiras, é superior a 60%.

Nesse quadro de indisponibilidade de água doce, constata-se que a escassez hídrica já está instalada na Arábia Saudita, Argélia, Barbados, Bélgica, Burundi, Cabo Verde, Cingapura, Egito, Kuwait, Líbia, Jordânia e Tailândia, e poderá ocorrer em médio prazo na China, Estados Unidos, Etiópia, Hungria, México, Síria e Turquia7.

No caso do Brasil, que dispõe de cerca de 12% de toda a água doce do planeta, cerca de 89% do volume total estão concentrados nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde estão localizadas apenas 14,5% da população. Para as regiões Nordeste, Sudeste e Sul, onde estão distribuídos 85,5% da população, há disponível apenas 11% do potencial hídrico do país. Além da natural carência para o atendimento da demanda de abastecimento público e privado, esta heterogeneidade de distribuição das águas gera eventos críticos tais como cheias catastróficas e períodos cíclicos de secas.

Jorge Gomes do Cravo Barros

Bibliografia

1 A água pura (H2O) é um líquido incolor , inodoro e sem sabor, cujas moléculas são formadas por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio.
2 ISTO É – TUDO: o livro do conhecimento. São Paulo, Ed. Três, 502 p., 1996 – p.121 a 123.
3 SHIKLOMANOV, I. A. World Water Resources – A New Appraisal and Assessment for the 21st Century. Paris: United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization – UNESCO, 1998.
4 KARMANN, I. – Ciclo da Água: água subterrânea e sua ação geológica. In. Decifrando a Terra. 2. reimp..São Paulo: Oficina de textos, 2003, p. 113-115.
5 BARROS, J.G. Gestão Integrada dos Recursos Hídricos - implementação do uso das águas subterrâneas. Brasília: MMA/SRH/OEA, 2000, 171 p.
6 OMM/Unesco, 1997 apud ANEEL/ANA, 2001.
7 BARROS, J. C; BARROS,. F. H; BARROS, A. F. - UM RECURSO ESTRATÉGICO CONTRA A CRISE DE ÁGUA DOCE NO MUNDO. Instituto Águas. Brasília:10 p, 2006.

Fonte: revistadasaguas.pgr.mpf.gov.br

Conservação da Água

A preservação da água

A simplicidade da composição química parece disfarçar a importância da água para o desenvolvimento e preservação de todas as formas de vida existente na Terra. Sem a água, que constitui 70% do corpo humano, a vida, tal como a conhecemos, não seria possível. A sociedade tem negligenciado a possibilidade de esgotamento dos recursos hídricos e vem promovendo intervenções no meio ambiente que prejudicam numerosos mananciais.

Nossos rios ainda são usados para o escoamento de esgostos domésticos e industriais, transformando a água, fonte de vida, em agente de doenças e morte.

Fator de equilíbrio nos ecossistemas, a água, aguarda o recolhimento do seu justo valor.

O Uso da Água

A água é essencial em todas as atividades humanas: alimentação, higiene, transporte, lazer, processos industriais, comerciais e agrícolas, que demandam água em qualidade e quantidade diferenciada.

Abastecimento Público

A água que é retirada dos rios ou do sub-solo, depois de tratada, abastece as residências, hospitais, escolas, indústrias e comércio em geral.

Agricultura

Um grande volume de água é utilizado na irrigação de lavouras, pecuária e outros.

Indústria

A água faz parte da produção industrial e é usada em grande quantidade na indústria como a de paepel e celulose, siderúrgica, têxtil, química e petroquímica. Outras indústrias tem a água incorporada ao seu produto final como a indústria de bebidas, a farmacêutica, etc.

Geração de Eletricidade

É utilizada para mover as turbinas que produzem energia hidrelétrica.

Outros Usos: A água ainda é utilizada para as mais diversas atividades tais como navegação, pesca, lazer, etc.

Fatores que Geram Desiquilíbrios e Escassez

Poluição

O lançamento de esgotos domésticos, efluentes industriais, lixo e entulho diretamente nos corpos d'água, consome o oxigênio da água provocando a morte da fauna, da flora e da própria água.

Além disso, a aplicação indiscriminada de agrotóxicos na agricultura causa a contaminação das águas.

Perdas e Desperdícios

Contrata-se pedas e desperdícios nos usos industrial, agrícola e urbano elevando a demanda de água, tendo como fator preponderante o baixo valor atribuído à água que faz com que boa parte dos consumidores a utilizem com descaso.

Ocupação e Uso Desordenado do Solo

O processo de urbanização, especialmente nas regiões de mananciais e a ocupação das várzeas (áreas naturais de inundação), geram redução de áreas de infiltração da água no solo, produzindo enchentes e o assoreamento dos rios, lagos e represas.

Desmatamento

Produz erosão do solo e consequentemente o assoreamento dos rios e represas.

O Valor da Água

O valor da água é incalculável. Atualmente, paga-se apenas pelos serviços de tratamento, distribuição e coleta das águas servidas das residências e empresas.

Fonte: www.preservacaolimeira.com.br

Conservação da Água

A Visão Geral

Menos de 3% da água do planeta é pura; grande parte disso não está acessível, pois faz parte de geleiras, calotas polares ou áreas subterrâneas. A diminuição dessas reservas é um fator de destruição do meio ambiente e torna necessária a criação de projetos caros para recuperação das fontes de água. Práticas para a preservação de água, como a utilização eficiente e boas instalações, mudanças de comportamento e dos procedimentos de irrigação podem diminuir o consumo de água em até um terço.

O Contexto

A água é um recurso finito e requer cuidados, desde a utilização de banheiro coletivo e do pulverizador do jardim em uma casa até o sistema de lavagem na linha de montagem de uma fábrica.

Alguns dos problemas associados à diminuição das reservas de água são:

Poluição por escoamentos decorrentes de excesso de irrigação em terrenos agrícolas e urbanos;
Aumento do número de barragens, represas
e estações de tratamento de água residual;
Degradação das fontes
devido à retirada de água da superfície;
Destruição de terrenos pantanosos,
que filtram os poluentes;
Aumento da energia
necessária para o tratamento de água residual e subprodutos de usinas elétricas.

Principais Envolvidos

Governos estatais e federais têm oferecido cada vez mais incentivos para empresas que adotam tecnologias e técnicas de economia de água;
O sistema de abastecimento público de água
tem auxiliado as empresas na conservação de água, fornecendo privilégios e empréstimos para ajudar clientes industriais e comerciais a financiarem tecnologias que possibilitam a economia de água;
Intermediadores e formadores de mercado do segmento de água
estão desenvolvendo novos tipos de oportunidades de negócios, como licitações, nas quais os níveis de consumo são definidos por um fornecedor e os consumidores dão lances pela chance de atender a esses níveis, implementando qualquer uma das várias técnicas para preservação de água.

Conservação da Água

Na Prática

Várias empresas estão implementando alguns mecanismos e práticas, como utilização de sanitários com baixo consumo de água, motivação dos funcionários para fecharem a torneira ao lavarem as mãos e criação de sistemas de jardinagem que utilizam menos água. Algumas indústrias adotaram procedimentos para diminuir o consumo, reutilizar água residual ou reformar processos que utilizam muita água, como os sistemas de resfriamento.

Alguns exemplos:

A Gangi Brothers Packing Company, uma empresa de processamento e envase de tomate em Santa Clara, na Califórnia, implementou várias práticas bem-sucedidas de conservação de água em sua fábrica, incluindo o monitoramento de operações para o controle do consumo e a identificação de áreas nas quais era possível economizar água. Em 1983, a Gangi Brothers usava aproximadamente 560 bilhões de litros de água durante a temporada de processamento. Em 1989, o consumo diminuiu para um pouco mais de 210 bilhões de litros , uma economia de cerca de 345 bilhões de litros por temporada. A estimativa de custos operacionais para a preservação de água na Gangi Brothers é de cerca de US$ 89,5 mil por ano. A economia alcançada com custos menores de água e esgoto é de US$ 130 mil dólares por ano; assim, a economia líquida resultante da adoção de práticas de preservação de água na fábrica é de aproximadamente US$ 40,5 mil por ano (considerando o valor do dólar em 1990).

A estação de geração da Pacific Power and Light Company de Wyodak, no estado de Wyoming, utiliza resfriamento seco para eliminar o desperdício de água da descarga, evaporação e fluxo de água do resfriamento. A estação era equipada com um condensador resfriado a ar – o vapor da turbina é distribuído pela parte superior dos canos e por tubos de aço de carbono que desembocam em 69 circuladores de ar. Os circuladores forçam mais de 13 milhões de metros cúbicos de ar através de 2,438 milhões de metros quadrados de superfície dos tubos, condensando o vapor. Esse sistema reduziu a água de reposição de 15 mil litros por minuto pelo equivalente em resfriamento de vapor a 1.135 litros por minuto.

O Lado Bom

Medidas para diminuição do consumo podem reduzir os custos de água e esgoto em até 30%. Também é possível economizar quantias significativas nos gastos de energia, substâncias químicas e manutenção. O período típico de retorno do investimento varia de três a sete anos.

Alguns benefícios gerais da conservação da água são:

Economia de energia com a diminuição do uso para aquecimento, bombeamento e tratamento de água
Economia de capital
, principalmente se a empresa faz uma medição de utilização real da água
Diminuição da água residual
, fruto do menor uso de água, o que implica menos gastos com esgoto. Em algumas áreas, serviços públicos de águas servidas oferecem incentivos para uma menor emissão dessas águas
Aumento da quantidade de água
em riachos, terrenos pantanosos e reservas naturais, o que diminui a necessidade de projetos de preservação de água
Publicidade positiva
resultante de esforços para proteção ambiental.

Um Pouco de Realidade

A mudança das práticas de uso da água requer educação dos funcionários e também um pouco de investimento financeiro. Mudanças na infra-estrutura, processos de fabricação, jardinagem e irrigação, além de outras mudanças de planejamento, podem demandar um investimento inicial de capital. Também pode ser necessário destinar um tempo para pesquisa dos meios apropriados.

Plano de Ação

Considerando que o uso da água varia bastante entre as empresas e setores, as técnicas para economia de água também são diversas.

Passos gerais:

Eduque os funcionários sobre os procedimentos para conservação da água, como fechar a torneira ao lavar as mãos ou a louça
Coloque placas
que incentivem a preservação da água nos banheiros ou áreas de trabalho em que se usa água
Utilize chuveiros eficientes
, torneiras econômicas e sanitários com baixo fluxo de água
Peça sugestões dos funcionários
sobre idéias de como economizar água.
Monitore e mensure
o uso da água para determinar as áreas que mais a consomem; a monitoração também pode ajudar a detectar vazamentos nos sistemas de água (esse passo é mais adequado para indústrias).

Irrigação/jardinagem:

Plante vegetação nativa adaptada ao clima e à freqüência de chuva da região
Use matéria vegetal
em volta das plantas e árvores para manter a umidade
Diminua as áreas cobertas por grama
Utilize gotejadores e outros mecanismos de irrigação
com baixo consumo de água
Incorpore controladores eletrônicos
com sincronização individual precisa, zonas e ciclos múltiplos de irrigação e irrigadores com sistema de desligamento em caso de chuva
Use o sistema de jardinagem Xeriscape --
uma abordagem inovadora e abrangente para a preservação de água e prevenção da poluição. A jardinagem Xeriscape combina planejamento e design, seleção de plantas adequadas, áreas gramadas mais práticas, irrigação eficiente, uso de matéria vegetal e manutenção adequada.

Recirculação de água no resfriamento:

Utilize a mesma água para efetuar diversas operações de resfriamento. Três abordagens de conservação de água no resfriamento que podem ser utilizadas para reduzir o consumo são o resfriamento evaporativo, a ozonização e a transferência de calor do ar
A reutilização de água requer o cumprimento de regulamentações locais e é mais útil para indústrias que geram grande quantidade de água residual, ou para aquelas que utilizam grande volume de água para irrigação. Sistemas mais intensos de reutilização envolvem a coleta de água utilizada nas máquinas de lavar ouças, banhos, etc. Uma indústria com grandes instalações que use muita água, como, por exemplo, uma fábrica que produz e lava veículos, pode reutilizar essa água. Fábricas podem adotar opções alternativas para o tratamento de água do esgoto, que pode ser aproveitada.
Reutilize água residual
ou água aproveitada para outros usos industriais, como irrigação de jardins e plantações ou uso estético, como em fontes e na proteção contra o fogo.
Reutilize a água
para a mesma aplicação em que ela foi originalmente utilizada.
Recolha água da chuva
ou água de rolamento para novo uso, processo chamado de "colheita de água".
Enxágue
várias fábricas usam água deionizada para enxaguar os resíduos, a fim de retirar substâncias contaminosas.
Elimine o procedimento de enxágue
que aplica água deionizada da borda de uma banheira para remover agentes contaminadores dos lados e do fundo da banheira.
Transforme um sistema de fluxo
contínuo de água em um de fluxo periódico.
Melhore o controle
do uso da água desionizada.

Orientações

Programa U.S. Environmental Protection Agency's WAVE – é uma parceria não reguladora para o uso eficiente da água, que incentiva empresas e instituições a reduzirem o consumo e, ao mesmo tempo, aumentarem a eficiência, rentabilidade e competitividade. Os novos membros assinam um Memorando de Entendimento, concordando em avaliar equipamentos que utilizem água e, quando rentável, instalar atualizações desses equipamentos.
Waterwiser -
este site lista fornecedores de produtos e serviços que economizam água em um banco de dados no qual podem ser feitas buscas.
Quarenta e nove dicas para economizar água em casa
, quetambém podem ser aplicadas em escritórios.
Cleaner Water Through Conservation -
documento do órgão norte-americano de Proteção Ambiental, que fornece uma visão geral da conservação da água e medidas que podem ser adotadas nesse sentido.
Business for Social Responsibility -
organização que tem uma publicação on-line com conteúdo sobre conservação da água.

No Fim das Contas

À medida que o uso e distribuição de água se tornam tópicos de crescente preocupação no mundo todo, as empresas precisam fazer exames minuciosos de como a água é utilizada em suas operações. Felizmente, há uma vasta quantidade de informação e experiências na redução do consumo de água de forma barata.

Como resultado, empresas que economizam água desfrutam de muito mais além de benefícios ambientais: também desfrutam dos resultados satisfatórios e econômicos de uma operação bem conduzida

Fonte: www.agendasustentavel.com.br

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