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Reuso da Água

O que é

A reutilização ou reuso de água ou, ainda em outra forma de expressão, o uso de águas residuárias, não é um conceito novo e tem sido praticado em todo o mundo há muitos anos. Existem relatos de sua prática na Grécia Antiga, com a disposição de esgotos e sua utilização na irrigação. No entanto, a demanda crescente por água tem feito do reuso planejado da água um tema atual e de grande importância. Neste sentido, deve-se considerar o reuso de água como parte de uma atividade mais abrangente que é o uso racional ou eficiente da água, o qual compreende também o controle de perdas e desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do consumo de água.

Dentro dessa ótica, os esgotos tratados têm um papel fundamental no planejamento e na gestão sustentável dos recursos hídricos como um substituto para o uso de águas destinadas a fins agrícolas e de irrigação, entre outros. Ao liberar as fontes de água de boa qualidade para abastecimento público e outros usos prioritários, o uso de esgotos contribui para a conservação dos recursos e acrescenta uma dimensão econômica ao planejamento dos recursos hídricos.

O ”reuso” reduz a demanda sobre os mananciais de água devido à substituição da água potável por uma água de qualidade inferior. Essa prática, atualmente muito discutida, posta em evidência e já utilizada em alguns países é baseada no conceito de substituição de mananciais. Tal substituição é possível em função da qualidade requerida para um uso específico. Dessa forma, grandes volumes de água potável podem ser poupados pelo reuso quando se utiliza água de qualidade inferior (geralmente efluentes pós-tratados) para atendimento das finalidades que podem prescindir desse recurso dentro dos padrões de potabilidade.

Águas Residuárias

Águas residuais ou residuárias são todas as águas descartadas que resultam da utilização para diversos processos.

Exemplos destas águas são:

Águas residuais domésticas:

Provenientes de banhos
Provenientes de cozinhas
Provenientes de lavagens de pavimentos domésticos.

Águas residuais industriais:

Resultantes de processos de fabricação.

Águas de infiltração:

Resultam da infiltração nos coletores de água existente nos terrenos.

Águas urbanas:

Resultam de chuvas, lavagem de pavimentos, regas, etc.

As águas residuais transportam uma quantidade apreciável de materiais poluentes que se não forem retirados podem prejudicar a qualidade das águas dos rios, comprometendo não só toda a fauna e flora destes meios, mas também, todas as utilizações que são dadas a estes meios, como sejam, a pesca, a balneabilidade, a navegação, a geração de energia, etc.

É recomendado recolher todas as águas residuais produzidas e transportá-las até a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). Depois de recolhidas nos coletores, as águas residuais são conduzidas até a estação, onde se processa o seu tratamento.

O tratamento efetuado é, na maioria das vezes, biológico, recorrendo-se ainda a um processo físico para a remoção de sólidos grosseiros. Neste sentido a água residual ao entrar na ETAR passa por um canal onde estão montadas grades em paralelo, que servem para reter os sólidos de maiores dimensões, tais como, paus, pedras, etc., que prejudicam o processo de tratamento. Os resíduos recolhidos são acondicionados em contentores, sendo posteriormente encaminhados para o aterro sanitário.

Muitos destes resíduos têm origem nas residências onde, por falta de instrução e conhecimento das consequências de tais ações, deixa-se para o sanitário objetos como: cotonetes, preservativos, absorventes, papel higiênico, etc. Estes resíduos devido às suas características são extremamente difíceis de capturar nas grades e, consequentemente, passam para as lagoas prejudicando o processo de tratamento.

A seguir a água residual, já desprovida de sólidos grosseiros, continua o seu caminho pelo mesmo canal onde é feita a medição da quantidade de água que entrará na ETAR. A operação que se segue é a desarenação, que consiste na remoção de sólidos de pequena dimensão, como sejam as areias. Este processo ocorre em dois tanques circulares que se designam por desarenadores. A partir deste ponto a água residual passa a sofrer um tratamento estritamente biológico por recurso a lagoas de estabilização (processo de lagunagem).

O tratamento deverá atender à legislação (Resolução do CONAMA nº 020/86) que define a qualidade de águas em função do uso a que está sujeita, designadamente, águas para consumo humano, águas para suporte de vida aquática, águas balneárias e águas de rega.

Tipos de Reuso

A reutilização de água pode ser direta ou indireta, decorrentes de ações planejadas ou não:

Reuso indireto não planejado da água

Ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade humana, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada. Caminhando até o ponto de captação para o novo usuário, a mesma está sujeita às ações naturais do ciclo hidrológico (diluição, autodepuração).

Reuso indireto planejado da água

Ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados de forma planejada nos corpos de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizadas a jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico.

O reuso indireto planejado da água pressupõe que exista também um controle sobre as eventuais novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito apenas a misturas com outros efluentes que também atendam ao requisito de qualidade do reuso objetivado.

Reuso direto planejado das águas

Ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação.

Aplicações da Água Reciclada

Irrigação paisagística: Parques, cemitérios, campos de golfe, faixas de domínio de auto-estradas, campus universitários, cinturões verdes, gramados residenciais.
Irrigação de campos para cultivos:
Plantio de forrageiras, plantas fibrosas e de grãos, plantas alimentícias, viveiros de plantas ornamentais, proteção contra geadas.
Usos industriais:
Refrigeração, alimentação de caldeiras, água de processamento.
Recarga de aquíferos:
Recarga de aquíferos potáveis, controle de intrusão marinha, controle de recalques de subsolo.
Usos urbanos não-potáveis:
Irrigação paisagística, combate ao fogo, descarga de vasos sanitários, sistemas de ar condicionado, lavagem de veículos, lavagem de ruas e pontos de ônibus, etc.
Finalidades ambientais:
Aumento de vazão em cursos de água, aplicação em pântanos, terras alagadas, indústrias de pesca.
Usos diversos:
Aquicultura, construções, controle de poeira, dessedentação de animais.

Fonte: www.enge.com.br

Reuso da Água

Conceito de Reuso

O reaproveitamento ou reúso da água é o processo pelo qual a água, tratada ou não, é reutilizada para o mesmo ou outro fim. Essa reutilização pode ser direta ou indireta, decorrentes de ações planejadas ou não.

Reúso indireto não planejado da água

Ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade humana, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada. Caminhando até o ponto de captação para o novo usuário, a mesma está sujeita às ações naturais do ciclo hidrológico (diluição, autodepuração).

Reúso indireto planejado da água

Ocorre quando os efluente depois de tratados são descarregados de forma planejada nos corpos de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizadas a jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico. O reuso indireto planejado da água pressupõe que exista também um controle sobre as eventuais novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito apenas a misturas com outro efluentes que também atendam ao requisitos de qualidade do reuso objetivado.

Reúso direto planejado das águas

Ocorre quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reúso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação.

Reciclagem de água

É o reúso interno da água, antes de sua descarga em um sistema geral de tratamento ou outro local de disposição. Essas tendem, assim, como fonte suplementar de abastecimento do uso original. Este é um caso particular do reúso direto planejado.

O uso racional da água parece ser uma das saídas para combater a escassez do produto. O engenheiro Paulo Ferraz Nogueira, especialista no tema, aponta três formas de reutilização de água que seguem esta tendência. As informações fazem parte de seu artigo "Escassez de Água". No texto-sugestão de pauta Nogueira assegura que a tecnologia de Membranas Filtrantes (água reciclada), a recarga do aquífero (utilização do subsolo) e o aproveitamento das águas da chuva são alternativas viáveis para o Brasil.

Escassez de água

Até poucas décadas atrás, os livros clássicos usados nos cursos de Economia, em todo mundo, davam como exemplo de "bem não econômico", isto é, aquele que é tão abundante e inesgotável, a água, o oxigênio, o sal de cozinha, etc, que não tinham, portanto, valor econômico.

Claro que existe muita água no planeta, mas cerca de 97,5% dessa água é salgada e está nos oceanos, 2,5% é doce sendo que deles, 2% estão nas geleiras, e apenas 0,5% está disponível nos corpos d'água da superfície, isto é, rios e lagos, sendo que a maior parte, ou seja, 95%, está no subsolo, que é, portanto a grande "caixa d'água" de água doce da natureza.

Mas se compararmos como essa água doce se distribui no Globo, e como a respectiva população, está distribuída, vamos verificar que ela está "mal distribuída": há partes da Terra realmente com falta crônica desse precioso líquido. O Brasil está muito bem neste aspecto, pois tem cerca de 12% de toda água doce existente na Terra, mas diríamos que sob o ponto de vista de utilização humana, a mesma está "mal distribuída".

Não concordamos que falte água para consumo humano em nosso País, seja nas cidades, no campo, ou mesmo no nosso semi árido Nordestino. Apenas ela precisa ser tratada como bem econômico que é, essencial à vida, à saúde, à economia, na indústria, na agricultura e por todos os setores da sociedade.

A bem da verdade, nota-se uma arregimentação geral na imprensa, nos governos, na sociedade civil, para o tema escassez de água. Tarifas baixas ou mesmo pífias impedem as companhias de abastecimento de se capitalizarem, para expandir a rede, combater os vazamentos crônicos existentes nas redes hidráulicas (manutenção), e ainda por cima, incentivam o desperdício que permanece quase sempre generalizado nos lares, nas indústrias, na agricultura. Impedem também a construção de ETEs, Estações de Tratamento de Esgoto, essenciais para a saúde e a economia, pois o esgoto de hoje, é a água potável de amanhã.

Nesse contexto, torna-se imprescindível o uso racional da água.

O destino da água em casa no Brasil, cerca de 200 litros diários, é: 27% consumo (cozinhar, beber água), 25% higiene (banho, escovar os dentes), 12% lavagem de roupa; 3% outros (lavagem de carro) e finalmente 33% descarga de banheiro, o que mostra que, tanto nas cidades como nas indústrias se existirem duas redes de água, reusando "água cinzenta" (que são as águas resultantes de lavagens e banho) para descarga de latrinas, pode-se economizar 1/3 de toda água.

Quanto aos processos industriais, devido à enorme diversidade de casos, recomendamos para cada caso a elaboração de um Diagnóstico Hídrico, efetuada por consultoria especializada, sendo que na maioria absoluta de casos que temos visto, que é possível utilizar muitas águas servidas, semitratadas ou mesmo in natura, para outros processos, em série, com grande economia do precioso líquido; alertamos porem com um erro que se comete frequentemente de se aconselhar o uso industrial de água carregada de sólidos para geradores de vapor (caldeiras), onde depósitos e incrustações causam perda de energia e talvez até acidentes: vamos batalhar pela conservação hídrica sem abrir mão da conservação energética e segurança.

Tanto nas grandes cidades como em vários municípios menores, o sistema de esgoto é o principal poluente dos rios, nascentes e reservas florestais. Citamos dados da Abes - Associação de Engenheiros Sanitaristas e Ambientais, relativos ao final de 1996, segundo os quais apenas 20% do esgoto sanitário coletado em áreas urbanas recebe tratamento, sendo que essa realidade associa-se diretamente a graves danos à saúde pública, ao meio ambiente e, também, à economia. Em muitos casos práticos, não há tempo para a natureza usar seus mecanismos naturais de autodepuração e diluição.

Formas de preservar a água

Membranas Filtrantes (Osmose Reversa)

A tecnologia de Membranas Filtrantes tem se desenvolvido técnica e comercialmente aceleradamente nos últimos anos, sendo que o custo fixo de instalações e de operação tem baixado muito ultimamente; há até quem prenuncie que se transformarão em breve em "commodities". Existem muitas situações onde a dessalinização de água marinha, ou a simples e pura potabilização de esgotos é a única alternativa disponível.

Cingapura, que compra água da Malásia, está tratando de convencer sua população a beber a "New water", água de esgoto potabilizada, muito mais barata que a comprada de seu vizinho acima citado. O uso de esgoto potabilizado (água reciclada) para recarregar os reservatórios antes do tratamento para produzir água de beber é uma prática nos EUA há mais de 20 anos. E estudos não mostraram evidências de nenhum efeito adverso à saúde.

Aproveitamento de águas de Chuva

As águas de chuva são encaradas pela legislação brasileira hoje como esgoto, pois ela usualmente vai dos telhados, e dos pisos para as bocas de lobo aonde, como "solvente universal", vai carreando todo tipo de impurezas, dissolvidas, suspensas, ou simplesmente arrastadas mecanicamente, para um córrego que vai acabar dando num rio que por sua vez vai acabar suprindo uma captação para Tratamento de Água Potável. Claro que essa água sofreu um processo natural de diluição e autodepuração, ao longo de seu percurso hídrico, como dito anteriomente, nem sempre suficiente para realmente depura-la.

Uma pesquisa da Universidade da Malásia, deixou claro que após o início da chuva, somente as primeiras águas carreiam ácidos, microorganismos, e outros poluentes atmosféricos, sendo que normalmente pouco tempo após a mesma já adquire características de água destilada, que pode ser coletada em reservatórios fechados.

Para uso humano, inclusive para como água potável, deve sofrer evidentemente filtração e cloração, o que pode ser feito com equipamento barato e simplíssimo, tipo Clorador Embrapa ou Clorador tipo Venturi automático. Em resumo, a água de chuva sofre uma destilação natural muito eficiente e gratuita.

Esta utilização é especialmente indicada para o ambiente rural, chácaras, condomínios e indústrias. O custo baixíssimo da água nas cidades, pelo menos para residências, inviabiliza qualquer aproveitamento econômico da água de chuva para beber. Já para Indústrias, onde a água é bem mais cara, é usualmente viável sim esse uso.

O Semi árido Nordestino tem projetos onde a competência e persistência combatem o usual imobilismo do ser humano, com a construção de cisternas para água de beber para seus habitantes.

Recarga do Aquífero

No Campo ou mesmo nas Indústrias diríamos que uma alternativa muito boa é a recarga forçada do aquífero, pois já dissemos anteriormente que cerca de 95% da água doce do Planeta está estocada no subsolo, que tem sido a grande "Caixa D'Água" da natureza.

Hoje em dia, porem, a enorme maioria de Indústrias, condomínios, em todo Brasil, está largamente construindo cada vez mais poços profundos: de maneira gera

Fonte: www.uniagua.org.br

Reuso da Água

INTRODUÇÃO

A Agenda 21 dedicou importância especial ao reuso, recomendando aos países participantes da ECO, a implementação de políticas de gestão dirigidas para o uso e reciclagem de efluentes, integrando proteção da saúde pública de grupos de risco, com práticas ambientais adequadas.

No Capítulo 21- “Gestão ambientalmente adequada de resíduos líquidos e sólidos”, Área Programática B - “Maximizando o reúso e a reciclagem ambientalmente adequadas”, estabeleceu, como objetivos básicos: "vitalizar e ampliar os sistemas nacionais de reúso e reciclagem de resíduos", e "tornar disponivel informações, tecnologia e instrumentos de gestão apropriados para encorajar e tornar operacional, sistemas de reciclagem e uso de águas residuárias".

A prática de uso de águas residuárias tambem é associada, e suportiva, às seguintes áreas programáticas incluidas nos capítulos 14 - “Promovendo a agricultura sustentada e o desenvolvimento rural”, e 18 - “Proteção da qualidade das fontes de águas de abastecimento - Aplicação de métodos adequados para o desenvolvimento, gestão e uso dos recursos hídricos”, visando a disponibilidade de água "para a produção sustentada de alimentos e desenvolvimento rural sustentado" e "para a proteção dos recursos hídricos, qualidade da água e dos ecosistemas aquáticos".

Embora não exista, no Brasil, nenhuma legislação relativa, e nenhuma menção tenha sido feita sôbre o tema na nova Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei no.9.433 de 8 de janeiro de 1997), já se dispõe de uma primeira demonstração de vontade política, direcionada para a institucionalização do reuso. A "Conferência Interparlamentar sôbre Desenvolvimento e Meio Ambiente" realizada em Brasília, em dezembro de 1992, recomendou, sob o item Conservação e Gestão de Recursos para o Desenvolvimento (Paragrafo 64/B), que se envidasse esforços, a nível nacional, para "institucionalizar a reciclagem e reuso sempre que possivel e promover o tratamento e a disposição de esgotos, de maneira a não poluir o meio ambiente".

NECESSIDADE DE REUSO

Nas regiões áridas e semi-áridas, a água se tornou um fator limitante para o desenvolvimento urbano, industrial e agrícola. Planejadores e entidades gestoras de recursos hídricos, procuram, continuadamente, novas fontes de recursos para complementar a pequena disponibilidade hídrica ainda disponível. No polígono das sêcas do nosso nordeste, a dimensão do problema é ressaltada por um anseio, que já existe há 75 anos, para a transposição do Rio São Francisco, visando o atendimento da demanda dos estados não riparianos, da região semi-arida, situados ao norte e a leste de sua bacia de drenagem. Diversos países do oriente médio, onde a precipitação média oscila entre 100 e 200 mm por ano, dependem de alguns poucos rios perênes e pequenos reservatórios de água subterrânea, geralmente localizados em regiões montanhosas, de dificil acesso. A água potável é proporcionada através de sistemas de desalinação da água do mar e, devido à impossibilidade de manter uma agricultura irrigada, mais de 50% da demanda de alimentos é satisfeita através da importação de produtos alimentícios básicos.

O fenômeno da escassez não é, entretanto, atributo exclusivo das regiões áridas e semi-áridas. Muitas regiões com recursos hídricos abundantes, mas insuficientes para atender a demandas excessivamente elevadas, tambem experimentam conflitos de usos e sofrem restrições de consumo, que afetam o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida. A Bacia do Alto Tietê, que abriga uma população superior a 15 milhões de habitantes e um dos maiores complexos industriais do mundo, dispõe, pela sua condição característica de manancial de cabeceira, vazões insuficientes para a demanda da Região Metropolitana de São Paulo e municípios circunvizinhos. Esta condição, tem levado à busca incessante de recursos hídricos complementares de bacias vizinhas, que trazem, como consequência direta, aumentos consideráveis de custo, além dos evidentes problemas legais e político-institucionais associados. Esta prática tende a se tornar cada vez mais restritiva, face à conscientização popular, arregimentação de entidades de classe e ao desenvolvimento institucional dos comitês de bacias afetadas pela perda de recursos hídricos valiosos.

Nessas condições , o conceito de "substituição de fontes", se mostra como a alternativa mais plausível para satisfazer a demandas menos restritivas, liberando as águas de melhor qualidade para usos mais nóbres, como o abastecimento doméstico. Em 1985, o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, estabeleceu uma política de gestão para áreas carentes de recursos hídricos, que suporta este conceito: "a não ser que exista grande disponibilidade, nenhuma água de boa qualidade deve ser utilizada para usos que toleram águas de qualidade inferior".

As águas de qualidade inferior, tais como esgotos, particularmente os de origem doméstica, águas de drenagem agrícola e águas salobras, devem, sempre que possivel, serem consideradas como fontes alternativas para usos menos restritivos. O uso de tecnologias apropriadas para o desenvolvimento dessas fontes, se constitue hoje, em conjunção com a melhoria da eficiência do uso e o contrôle da demanda, na estratégia básica para a solução do problema da falta universal de água.

FORMAS POTENCIAIS DE REUSO

Através do ciclo hidrológico a água se constitue em um recurso renovável. Quando reciclada através de sistemas naturais, é um recurso limpo e seguro que é, através da atividade antrópica, deteriorada a níveis diferentes de poluição. Entretanto, uma vez poluida, a água pode ser recuperada e reusada para fins benéficos diversos. A qualidade da água utilizada e o objeto específico do reuso, estabecerão os níveis de tratamento recomendados, os critérios de segurança a serem adotados e os custos de capital e de operação e manutenção associados. As possibilidades e formas potenciais de reuso dependem, evidentemente, de características, condições e fatores locais, tais como decisão política, esquemas institucionais, disponibilidade técnica e fatores economicos, sociais e culturais.

Usos urbanos

No setor urbano, o potencial de reuso de efluentes é muito amplo e diversificado. Entretanto, usos que demadam água com qualidade elevada, requerem sitemas de tratamento e de contrôle avançados, podendo levar a custos incompativeis com os benefícios correspondentes.De uma maneira geral, esgotos tratados podem, no contexto urbano, serem utilizados para fins potáveis e não potáveis.

Usos urbanos para fins potáveis

A presença de organismos patogênicos e de compostos orgânicos sintéticos na grande maioria dos efluentes disponíveis para reuso, principalmente naqueles oriundos de estações de tratamento de esgotos de grandes conurbações com polos industriais expressivos, classifica o reuso potável como uma alternativa associada a riscos muito elevados, tornando-o praticamente inaceitável. Além disso, os custos dos sistemas de tratamento avançados que seriam necessários, levariam à inviabilidade econômico-financeira do abastecimento público, não havendo, ainda, face às considerações anteriormente efetuadas, garantia de proteção adequada da saúde pública dos consumidores.

Entretanto, caso seja imprescindível implementar reuso urbano para fins potáveis, devem ser obedecidos os seguintes critérios básicos:

Utilizar apenas sistemas de reuso indireto

A Organização Mundial da Saúde não recomenda o reuso direto, vizualizado como a conecção direta dos efluentes de uma estação de tratamento de esgotos a uma estação de tratamento de águas e, em seguida, ao sistema de distribuição.

Como reuso indireto, se compreende a diluição dos esgotos, após tratamento, em um corpo hídrico (lago, reservatório ou aquífero subterrâneo), no qual, após tempos de detenção relativamente longos, é efetuada a captação, seguida de tratamento adequado e posterior distribuição. O conceito de reuso indireto implica, evidentemente, que o corpo receptor intermediário, seja um corpo hídrico não poluido, para, através de diluição adequada, reduzir a carga poluidora a níveis aceitáveis. A prática do reuso para fins potáveis, como vem se pretendendo efetuar em São Paulo, na qual água altamente poluida por efluentes, tanto domésticos como industriais, é revertida, sem nenhum tratamento, para outro manancial, também extensivamente poluido por esgotos domésticos e por elevadas concentrações de cobre, utilizados para contrôle de algas, não se classifica, portanto, como reuso indireto.

Fonte: wwwaguabolivia.org

Reuso da Água

Os 1,36 x 1018 metros cúbicos de água existentes na Terra distribuem-se da seguinte forma:

Água do mar: 97,0%  
Geleiras 2,2%  
Água doce 0,8%
............. água subterrânea: 97%
............. água superficial: 3%
Total 100,0%  

Fonte: von Sperlin, Marcos. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 3. ed. Belo Horizonte: Depto de Engenharia Sanitária e Ambiental; UFMG; 2005".

É hoje um fato comprovado que o volume de água doce e limpa (menos que um por cento de toda a água disponível no planeta) está se reduzindo em todas as regiões do mundo. Inclusive no Brasil.

A região da Grande São Paulo é um exemplo típico desse problema.

O consumo exagerado das reservas naturais de água por causa do alto crescimento populacional está sendo maior do que a natureza pode oferecer, e a poluição produzida pelo homem está contaminando e diminuindo cada vez mais essas reservas.

Por sorte, a população já está sendo conscientizada desses problemas pelos órgãos encarregados em educação ambiental e pelas próprias distribuidoras de água.

As pessoas mais lúcidas de nossa população já fazem uma boa economia dentro de casa com as orientações sugeridas, tais como:

Fechar torneiras enquanto escovam os dentes, fazem a barba, ensaboam a louça, etc.;
Não usar mangueira para lavar pisos, calçadas, automóveis, etc.;
Trocar as válvulas de descargas por caixas acopladas ao vaso sanitário com limitador de volume por descarga;
Diminuir o tempo no banho, etc.
Procurar usar a máquina de lavar roupas apenas quando tiver roupas (sujas) o suficiente para usar o volume máximo da máquina.
Aproveitar a água do segundo enxágue da máquina de lavar-roupas para lavar o quintal.

Muitos querem apoiar ainda mais esse esforço pela economia de água, mas nem sempre têm acesso a exemplos suficientemente funcionais e simples de serem seguidos.

A Sociedade do Sol estudou alguns caminhos possíveis para gerar uma economia significativa e está desenvolvendo um projeto de simples aplicação que permitirá uma redução de aproximadamente 30% do consumo de água potável consumida em um lar.

Caminhos possíveis para economia de água potável

Aproveitamento da água de chuva

É o projeto mais envolvente de todos. É um sonho permanente. Mas não tem aplicação imediata para a população citadina.

Existe a falta de espaço para instalação de cisternas.
Existe um obrigatório controle das primeiras águas de chuva coletadas, bastante perigosas, pois são o resultado da lavagem da poluição aérea e das sujeiras acumuladas nos telhados.
Existe também o alto custo de todas essas instalações.

A chuva, devidamente acumulada e tratada em regiões com grande índice pluviométrico, poderia suprir perto de 100% da água de um lar.

Reuso da água presente no esgoto
É o projeto mais aplicado em nível mundial, inclusive no Brasil.
Um esgoto tratado a ponto de ser devolvido aos rios e aquíferos é suficientemente limpo para lavagem de ruas, rega de parques e aplicações de cunho industrial. No lar essa água tem uso na limpeza de vasos sanitários, rega de jardins e lavagem de carros.
Essa água poderia substituir cerca de 40% da água potável consumida no lar. Mas a distribuidora não tem condições de oferecer essa água ao usuário final, pois isto representaria a instalação de mais um sistema de distribuição de água, paralelo ao que já foi implantado para a água potável.

Fica a alternativa da compra e os obrigatórios cuidados na manutenção de caras estações de tratamento mono ou multi-familiares, que poderiam fornecer a água de reúso proveniente do esgoto familiar ou comunitário.

Reuso da água originada no banho familiar

Estudando as opções, verificamos que o reúso da água do banho é um caminho interessante para a redução de uso da água potável em aplicações simples como por exemplo nas descargas dos vasos sanitários. Essa água é denominada de "Greywater" ou água cinza. Bastante utilizada para irrigação em outros países.
Mantendo o conceito da auto montagem, e com materiais de fácil obtenção, estamos desenvolvendo alguns projetos que permitem reduzir o uso da água residencial em cerca de 30%, sem aplicação de tecnologias complexas e sem perigos para a saúde do usuário.

Existe certa correlação entre a água consumida no chuveiro e a consumida no vaso sanitário, equilibrando essas demandas.

Veja a seguir os cálculos que nos levaram a essa conclusão:

Cálculos de consumo de água

Consumo médio de água por pessoa:

4,5R (R = m³) por mês = 4,5m³ por mês = 4.500 Litros por mês = 150 Litros por dia.

Consumo médio diário com banho:

obs.: chuveiro com vazão média de 3,5 Litros por minuto, e banho de +/- 15 minutos

1)- 15 X 3,5 = 52,5 Litros;
2)- 52,5 X 30 (dias) = 1575 Litros/mês = 1.57m³
3)- Isso significa 34,88% do consumo mensal.

Consumo médio diário com descargas:

Obs.: cada descarga tem vazão de +/- 10L

1)- média de descargas = 5 vezes ao dia = 50Litros/dia.
2)- 50 X 30 = 1500 Litros/mês = 1.5m³.
3)- Isso significa 33,33% do consumo mensal.

Baseados nos cálculos acima, buscamos algumas ALTERNATIVAS PARA ECONOMIZAR ÁGUA COM AS DESCARGAS.

Dentre elas temos:

1ª- ALTERNATIVA

Usar vasos sanitários com caixa acoplada para limitar o volume de água por descarga (vários modelos disponíveis no mercado).

Nesse caso pode-se escolher vasos que sejam projetados para usar um volume mínimo de água, e que esse volume seja suficiente para uma boa limpeza do vaso (por volta de seis litros). O usual é em torno de dez litros por descarga.

Em alguns modelos é possível diminuir o nível de água dentro da caixa de descarga ajustando a torneira bóia para fechar em um nível mais baixo. Cremos que o mínimo esteja por volta de 4,5 litros por descarga.

Existem outros modelos bem interessantes como os sistemas a vácuo e os banheiros secos.

2ª- ALTERNATIVA

Eliminar todo o consumo de água (potável) com as descargas.

Para isso será reaproveitada a água do banho.

Isso vai significar +/- 30% de economia por mês.

Veja a figura da operação conceitual

Reuso da Água

Como fazer?

Desviar a água do ralo do box para um reservatório passando por filtros e tratamentos para depois reutilizar essa água nos vasos sanitários. Para isso muitos projetos e muitas variáveis poderão ser feitos. Na sequência dessa apresentação demonstramos dois projetos básicos de reúso de água.

Não sugerimos ampliar o sistema de reúso com a adição de água da pia do banheiro, água de enxágue de máquina de lavar ou de água de chuva. O excesso de água fará com que se gaste a água em outras aplicações que não a do vaso sanitário. Essas aplicações só devem ser feitas caso a água do banho não supra a demanda no vaso sanitário. Para esses casos a água da pia, do enxágue ou da chuva deve ser desviada para o circuito de entrada do sistema de reúso, passando por todo o processo que a água do banho passa antes de ser direcionada para o vaso sanitário.

Esse sistema, além de muito barato, é seguro por ser um circuito fechado, (Chuveiro, ralo do box, reservatório fechado e vaso sanitário), sem fácil acesso para manuseio ou ingestão por familiares ou terceiros.

Esse é o único sistema, que estimamos ser o mas indicado para aplicação imediata nos lares urbanos e que se paga pela economia da água.

Do banho familiar para o vaso sanitário

Reuso da Água

Reúso da Água de Banho: Técnicas de Tratamento

A água de banho, apesar de muito mais limpa do que a do esgoto, apresenta aspectos químicos e biológicos especiais, cuja solução está sendo estudada por muitos grupos interessados no seu reúso.

Essa água é pouco homogênea, constituída por: resíduos de pele, sabões, detergentes, creme dental, cabelos, gorduras, suor, urina, saliva, placas bacterianas provenientes de ralos e outros.

Desta mistura resultam depósitos escuros no reservatório “A”, de difícil limpeza e aspecto pouco convidativo.

A tecnologia para o trato desse tipo de água ainda não é publica. A literatura das técnicas de reúso é extensa, mas sem oferecer claramente as informações que procurávamos.

SoSol e outros grupos de estudo empenham-se para que a água que chega aos vasos sanitários tenha aspecto limpo, seja estéril, sem cheiro ou cheiro agradável e atenda às "futuras" normas sobre água de reúso para esse fim.

Reforçando o aspecto da esterilidade, ela é perseguida para evitar uma eventual multiplicação de germens (infecção) nas partes mais sensíveis do corpo humano, os seus órgãos genitais, órgãos estes usualmente expostos a respingos provenientes dos vasos sanitários.

Em adição, buscamos técnicas de tratamento da água de reúso do chuveiro que sejam simples até para o usuário menos capacitado. Só assim esse projeto pode ser liberado para uso público.

Os caminhos de tratamento dessa água envolvem, entre outros:

Sistema de filtro simples e de fácil limpeza

Um sistema de filtro simples (peneira de malha fina, normalmente usada em cozinha) é colocada na entrada do reservatório "A". Esse sistema irá reter grande parte da sujeira vinda do banho. Essa sujeira (espécie de lodo) poderá ser removida facilmente e depositada no lixo orgânico (lixo da cozinha), diminuindo assim o volume de compostos sólidos que, se forem para a rede pública de esgoto, deverão ser eliminados em uma estação de tratamento, exigindo mais equipamentos e produtos químicos para limpar essa água.

Sistema de desinfecção e conservação

Após essa filtragem a água será tratada dentro de um reservatório com "cloro orgânico" (produto que não formam sub-produtos cancerígenos) que garantirá a desinfecção e conservação, deixando a água segura para o reúso no vaso sanitário.

A Sociedade do Sol e sua equipe tem consciência da seriedade da tarefa que está sendo enfrentada. Saiu-se da física dos fenômenos térmicos solares, (com o seu primeiro projeto do aquecedor solar popular - ASBC) para envolver-se em novos e ainda pouco conhecidos processos químicos e biológicos.

Fonte: www.sociedadedosol.org.br

Reuso da Água

ÁGUA: ABUNDÂNCIA, USO, REUTILIZAÇÃO E POLUIÇÃO

A água é uma substância única, sem ela a vida no nosso planeta seria impossível.

Existe muita água, mas ela não está distribuída com igualdade, alguns locais do planeta possuem muita água, outros locais não tem virtualmente nenhuma.

As propriedades da água vem de sua polaridade, de sua não usual alta constante dielétrica, e das ligações de hidrogênio que faz consigo mesma. Essas propriedades fazem com que ela carregue compostos dissolvidos, alguns bastante tóxicos, e ainda vírus e bactérias perigosos.

Nos países desenvolvidos do mundo a água pura é tomada como certa, mas é muito difícil obter água que seja pura o suficiente para o consumo humano, para os animais e plantas.

O trabalho de purificar a água está se tornando mais difícil, devido à contaminação de resíduos químicos da indústria, da mineração, da agricultura e das atividades caseiras. Em alguns Estados existem sérios problemas de abastecimento, e o ideal seria que fossem tomadas atitudes pessoais e medidas oficiais para qualquer tipo de racionamento possível. Assim sendo, geralmente nós não temos água suficiente, e aquela disponível corre o risco de estar contaminada por produtos químicos que podem por nossa vida em risco.

A água é a substância mais abundante na face da Terra, ela cobre 72% do nosso planeta. Os oceanos são o reservatório, sendo responsável pela guarda de 97,2 % da água disponível. As geleiras glaciais respondem pelo depósito de outros 2,16%, 0,01% da água do planeta se encontra em lagos salgados; a água na atmosfera amonta a 0,001%; portanto só 0,297% da água do planeta corre nos rios ou está presente em lençóis subterrâneos.

Aqui vale uma mensagem de cunho ecológico: a água é o maior constituinte dos seres vivos - coincidência ou sentimento de irmandade do Criador, um humano adulto é 70% água, a mesma proporção da água na superfície do planeta.

O pequeno valor apontado para a água disponível em rios e lençóis freáticos posam um grande problema ao consumo em países industrializados, mesmo em lugares bem servidos, como no nosso caso. A falta d'água, muito comum em muitas de nossas cidades, junto com o problema da poluição, requerem um estudo cuidadoso das possíveis soluções e de uma cooperação geral. Uma solução a longo prazo requer a conservação, a reutilização, e principalmente a consciência do cidadão de não tomar como garantida a presença perene de fontes de água limpa.

Conteúdo de água %

Invertebrados marinhos: 97
Feto humano com 1 mês:
93
Humano adulto:
70
Fluídos corporais:
95
Tecidos nervosos:
84
Músculos:
77
Pele:
71
Tecidos conectivos:
60
Vegetais:
89
Leite:
88
Peixe:
82
Frutas:
80
Carne bovina: 76

No Brasil, menos nos Estados do Nordeste, nós sempre tivemos a água como coisa garantida. Isso valeu para nossos avós e nossos pais, continua valendo para nós, por inércia.

Entretanto notícias recentes (Folha de S. Paulo e outros jornais, Quinta feira, 31 de agosto de 2000) apregoam que o consumidor vai pagar mais caro pela energia elétrica que usa, porque o consumo de energia está levando o País a uma crise: o consumo de energia cresce mais do que nossas hidrelétricas podem suportar.

Deveremos construir uma dúzia de termelétricas, a um custo hoje de 1,3 bilhão de dólares, financiados, e, se o dólar subir, o consumidor paga a conta...

Isso significa, para bons entendedores, que o nível das nossas águas está baixando, e as represas existentes não estão dando conta da demanda por energia que o País necessita.

Os jornais notificam ainda um filão rentável economicamente: os fornecedores de energia.

Foi criado até o MAE, ou "Mercado Atacadista de Energia". Ribeirão Preto, SP., é uma zona de grande concentração de usinas canavieiras (incluido São Carlos, Araraquara e região), que produzem energia elétrica através do bagaço da cana. O excedente dessa energia deverá ser vendida para as distribuidoras de energia elétrica já no futuro próximo final de 2000 ou começo de 2001.

De qualquer forma, quem mais utiliza a água é a Indústria; a tabela abaixo dá alguns exemplos.

Indústria  
 Por unidade de produção
       Por produto finalizado
Papel                      75600 L / tonelada         4 L / 8 folhas de escrever
Refinaria    75600 L / barril de óleo cru  20 L / L gasolina
Siderurgia         189000 L / tonelada   190 L /1 Kg de pregos
Estação de Força  1360 L / minuto / Mw      193 L / lâmpada de 100 W acesa 24 horas

Entretanto, merece ser dito que grande parte da água utilizada pela Indústria é água reciclada; a água é utilizada para resfriamento de equipamentos e produção de vapor, sendo depois resfriada e reciclada, de formas a evitar poluição térmica dos rios e lagos onde ela é descarregada (tratada se necessário). O vapor serve como uma fonte importante de energia térmica industrial.

A água que nós bebemos é uma quantidade ínfima da água que utilizamos no nosso dia a dia, onde a gastamos com os fatos corriqueiros de apertar o botão da privada, para o banho, lavagem de roupas, louças, etc. Todos esses usos faz com que um cidadão típico da classe média represente em média um gasto de algo como 300 L de água por dia. Assim, a conservação residencial da água torna-se uma forma importantíssima de diminuir a demanda pelo suprimento de água limpa.

Água poluída

A água que não é útil para beber, lavar, irrigar ou ter uso industrial é chamada de água poluída. A poluição pode ser térmica, por radioisótopos, metais tóxicos, solventes orgânicos, ácidos ou bases. A água pode ser considerada poluída para alguns usos, mas não para outros. A água é poluída principalmente pela atividade humana, mas causas naturais como o assoreamento dos rios, a lixiviação de metais de rochas e do solo, e a presença de matéria orgânica oriunda de animais ou de taninos de vegetais em decomposição também são fontes de poluição.

Como a atividade poluidora humana é contínua, muitos governos tem passado legislações para a conservação e a não poluição da água disponível. As principais leis nesse sentido obrigam os agentes poluidores a tratar a água utilizada antes que ela seja devolvida ao rio ou lago, e são leis lógicas, pois é sempre mais fácil tratar a água antes de devolve-la ao meio ambiente, do que despoluir um rio ou um lago.

Hoje em dia, são geralmente aceitas oito categorias gerais de poluentes:

Classes de poluentes da água Exemplos
Lixo que desoxigenam a água Materiais vegetais e animais
Agentes infecciosos Bactérias e viruseses
Nutrientes vegetais Fertilizantes como nitratos e fosfatos
Compostos químicos orgânicos Pesticidas e detergentes
Outros produtos químicos Ácidos de mineração e ferro de siderúrgicas
Sedimentos de erosão Areia e lama no leito do rio, que pode destruir organismos que vivem na interface sólido-líquido
Substâncias radioativas Lixo da mineração e processamento de materiais radiativos; material radiativo usado
Calor oriundo da Indústria Água para refrigeração industrial

Órgãos como o do Serviço Público de Saúde dos EUA tem preparado listas contendo o teor máximo permitido de níveis de contaminação da água potável, que são aceitas como base para legislações locais em muitos países, assim como o Brasil.

Alguns exemplos de contaminantes inorgânicos:

Contaminante Concentração máxima (mg / L)
Arsênio* 0,05
Bário** 1
Cádmio*** 0,01
Chumbo**** 0,05
Mercúrio# 0,002

*A preparação desse elemento foi descrita com precisão por Paracelso (1520); era portanto conhecido desde os tempos medievais pelos alquimistas. Todos os meteoritos contém As, o que indica que a sua existência é comum no Universo. A maioria das formas alotrópicas do elemento, e quase a totalidade dos compostos de As são tóxicos.

O próprio Paracelso, considerado o Pai da Farmacologia, deve ter sido morto pela auto ingestão de sais de arsênio. O isótopo artificial 76As é utilizado como traçador radiativo em toxicologia; o elemento é usado na manufatura de certos tipos de vidros especiais, e principalmente no endurecimento de ligas de cobre e chumbo. Recentemente foi feito um exame pericial de traços de fios de cabelo do célebre Napoleão Bonaparte. Tudo indica que ele morreu, extraditado que era (numa prisão!?) na ilha de Elba, pela inalação de compostos de arsênio provenientes da cola e dos papéis de parede de (a cela!?) onde estava preso.

**Todos os compostos de bário que são solúveis em água ou em ácidos são venenosos. Metal alcalino terroso da família do cálcio e do magnésio, tem amplo espectro de absorção dos raios x, e o composto praticamnte insolúvel sulfato de bário é utilizado como contraste para radiogfrafias do estômago e intestino. Sua capacidade de absorver radiação o torna útil como carreador de rádio (Rd) em usinas nucleares. É facilmente oxidável pelo ar.

***Da família do Bário, é subproduto da mineração do zinco. A substância e seus compostos devem ser considerados carcinogênicos. Utilizado como amálgama (com mercúrio) por dentistas. Usado na indústria eletrônica em várias aplicações, como nas baterias cádmio-níquel dos telefones celulares outras baterias epilhas recarregáveis.

****Um dos metais conhecidos desde a antiguidade. Macio, maleável, facilmente moldado e extrudado, é atacado pela água pura. A toxicidade humana aguda pode se desenvolver em crianças, onde pode causar danos ao cérebro, irreversíveis. Em adultos, a contaminação geralmente ocorre como dano ocupacional. 0,005 mg / L no sangue ou 0,008 mg / L na urina são indícios de envenenamento sério por chumbo. O chumbo, como o mercúrio, se acumula principalmente no cérebro, causando uma série de deficiências, desde a cegueira e paralisia, até a morte.

O uso de canos de chumbo como material de canalização de água tem sido descontinuado desde a introdução de canos de PVC (cloreto de polivinila, ou do inglês, poly vinyl chloride). Muito utilizado em baterias de automóveis e como barreiras de proteção contra os raios x. Seus compostos servem como pigmentos para tintas a óleo, inclusive as residenciais, principalmente as amarelas. Existem evidências que demonstram que Cândido Portinari pode ter morrido por envenenamento por chumbo pela sua mania de lamber os pincéis para limpá-los das tintas a óleo utilizadas, antes da próxima pincelada.

Também chamado de prata líquida, ou prata rápida, é levemente volátil à temperatura ambiente, o que aumenta a sua toxicidade ocupacional, pela possibilidade da inalação contínua dos vapores do metal por trabalhadores em ambintes que empregam continuamente o elemento. O termo "liga" ou amálgama, significa a união de qualquer metal - exceto o ferro - com mercúrio. Combina-se facilmente com o enxofre à temperatura ambiente.

Esse método, polvilhar enxofre sobre gotículas de mercúrio, é o método mais indicado de evitar a contaminação de organismos vivos pelo metal, pois HgS é razoavelmente insolúvel, quimicamente bastante inerte, e não volátil. O vapor é rapidamente absorvido pelo trato respiratório, mas engolir acidentalmente o metal não causa, aparentemente, nenhum dano a humanos. Mercúrio derramado ou os seus sais solúveis e vapores são corrosivos, e envenenamento crônico pode provocar a morte em até dez dias.

No Brasil, garimpeiros de ouro, principalmente na Serra Pelada, tem sido envenenados e poluído grandes áreas de terras e águas por utilizarem o mercúrio: derramando o metal sobre minérios de ouro faz com que o amálgama - a liga entre Hg e Au - escorra do resto do minério; os garimpeiros então usam uma tocha produzida à partir de um botijão de gás de cozinha para evaporar o mercúrio e assim, obter o ouro puro.

Utilizado em termômetros, barômetros, em lâmpadas que produzem raios ultravioleta, em lâmpadas fluorescentes (cuidado! Tente nunca quebrar uma delas!), na obtenção de metais à partir de seus minerais, principalmente o ouro e a prata, na preparação de amálgamas, como os utilizados por dentistas até hoje, em produtos farmacêuticos e agriculturais.

Outro uso do mercúrio é como eletrodo em aparelhos eletroanalíticos, e na preparação industrial do alumínio.

O maior acidente ecológico envolvendo mercúrio ocorreu na baía de Minamata, no Japão, logo após a II Grande Guerra: uma planta de produção de alumínio rachou, vazando toneladas de mercúrio para o mar. Algas das profundezas, que não necessitam de oxigênio (anaeróbicas), metabolizam o metal, produzindo um dos piores carcinogênicos que se conhece, o dimetilmercúrio, que passa à cadeia alimentar dos peixes. No Japão, o Sashimi, a carne de peixe crua, é um prato tradicional.

Resultado: até hoje a baía de Minamata é completamente desolada (50 anos depois do acidente!), desabitada, considerada área proibida, e os descendentes daquela população continuam sofrendo de doenças e deformidades decorrentes do acidente. O "Mercúriocromo" foi uma tintura até recentemente utilizada como antibactericida caseiro e hospitalar.

Por muito tempo foi a base do produto organometálico mais produzido pela indústria, o chumbo tetraetila, aditivante da gasolina, ainda hoje utilizado par melhorar a performance de motores a combustão submetidos a combustíveis ruins.

Alguns exemplos de contaminantes orgânicos:

Contaminante Concentração máxima (mg / L)
Endrin* 0,0002
Lindano** 0,004
Toxafeno*** 0,005
2,4,5 TP (silvex)**** 0,01
Trihalometanos, incluindo o clorofórmio# 0,1

*Da família de inseticidas à qual pertence o aldrin, muito utilizado no Brasil para umedecer sementes de arroz e milho, tornando-as tóxicas para cupins e assim proteger o plantio. O uso desses cupinicidas foi descontinuado nos EUA, mas a sua fabricação e exportação para países como o Brasil e a América do Sul e Ásia, continuam.

**Um dos isômeros biologicamente ativos do hexaclorociclohexano. Pode ter uso veterinário como ectoparasiticida. Inseticida, também é indicado para o tratamento e controle da infestação em humanos por piolhos. Consta da lista das substâncias carcinogênicas.

***Uma mistura complexa, porem reprodutível, de 177 possíveis compostos clorados resultado da clorinação industrial do canfeno, por isso também chamado de policlorocanfeno, entre outras de suas denominações. Tem um odor agradável de pinus. Utilizado como inseticida, não recomendado para estábulos de vacas e outros animais leiteiros, pois pode acabar sendo incorporado ao leite. A Dose Letal (LD50) desse (mistura de) produto é 90 mg /kg.

****Um dos nomes comerciais do ácido propiônico triclorofenoxi. Herbicida utilizado no controle de plantas lenhosas em áreas de plantio.

#Como todos os halogenados, suspeitos de serem carcinogênicos. Utilizados como solventes industriais. Antigamente, o clorofórmio era usado como anestésico, e é um dos principais componentes do lança-perfume, banido no Brasil.

A demanda bioquímica pelo oxigênio (DBO) da água

A forma como materiais orgânicos são oxidados na purificação natural das águas merece uma atenção especial, pois esse processo se opõe à eutroficação (do grego eutrofos, nutrir) da água.

É fácil de se compreender a raiz da preocupação: mesmo em águas naturais, os organismos vivos estão constantemente liberando lixo orgânicos na água (na camiseta de um banhista, em uma praia conhecida, lia-se a mensagem "não bebo água, os peixes fazem sexo nela"). Ora, para transformar esses materiais em compostos inorgânicos simples, como CO2 e H2O, há a necessidade de reservas de oxigênio. A necessidade de oxigênio necessária para oxidar certo tipo de material é chamada, tecnicamente, de "demanda bioquímica de oxigênio".

Os microoganismos e bactérias requerem o oxigênio para converterem matéria orgânica em comida, e dado o tempo necessário, em condições normais, tais organismos podem converter quantidades enormes de matéria orgânica em:

Carbono orgânico à CO2
Hidrogênio orgânico à H2O
Oxigênio orgânico à H2O
Nitrogênio orgânico à N2 ou NO3-

Existem métodos analíticos de se medir a demanda por oxigênio, mas o importante é notar que águas altamente poluídas por (micro)organismos orgânicos requerem grandes quantidades de oxigênio, e se esse oxigênio natural é pouco ou não está disponível, vai haver a putrefação. Com ela, os peixes e outras formas de vida aquática não poderão mais sobreviver. As bactérias aeróbicas, aquelas que necessitam de oxigênio para realizar o processo da decomposição da matéria orgânica, irão morrer. Com a morte dessas criaturas, mais matéria orgânica sem vida vai estar disponível, e a demanda biológica pelo oxigênio vai se elevar às alturas.

Felizmente a Natureza tem um sistema de "backup" para tais ocasiões. Bactérias anaeróbicas começam a tomar conta do pedaço, e, dado tempo suficiente, utilizam o oxigênio contido na matéria orgânica disponível, e a transformam nos desejados gás carbônico, água e nitrogênio gasoso. Daí, o processo aeróbico recomeça.

O problema começa com os resíduos industriais e domésticos de compostos orgânicos - muitos deles não biodegradáveis, que são lançados ao meio ambiente todos os dias. Esses resíduos podem, e geralmente o fazem, destruir por um tempo muito longo - dezenas de anos, ou uma ou mais gerações inteiras - toda a vida em um curso de um rio ou em um lago inteiro.

A demanda bioquímica por oxigênio pode ser bastante reduzida pelo tratamento dos resíduos industriais com oxigênio ou com ozone. Muitas das operações de "limpeza" das indústrias utilizam esse método, com o benefício extra de tornar, por oxidação parcial, alguns compostos não biodegradáveis em biodegradáveis. Um desses esforços é feito pela empresa Cutrale, de Araraquara, que produz suco concentrado de laranja. Em sua usina de tratamento, parte da água é chafarizada para aumentar o teor de oxigênio do caldo expelido no processo de amassagem das frutas.

Lixos industriais podem ser um caso sério de poluição, por não serem removidos, ou por serem removidos com dificuldade ou por serem removidos muito lentamente por processos naturais. Geralmente, eles não são removidos de forma nenhuma por plantas municipais de tratamento de água típicos. O problema é que geramos poluentes importantes à partir de produtos que são importantes no nosso dia a dia.

Veja só:

Produtos importantes e o lixo perigoso consequente

Plásticos Compostos organoclorados
Pesticidas Compostos organoclorados e organofosforados
Produtos medicinais Solventes orgânicos, metais pesados (por exemplo o mercúrio)
Tintas Metais pesados, pigmentos, solventes, resíduos orgânicos
Derivados de petróleo, óleo diesel e gasolina Óleos, fenóis, chumbo de aditivos, ácidos, bases, e uma infinidade de outros compostos orgânicos. Monóxido e dióxido de carbono e óxidos de nitrogênio, coadjuvantes na formação de chuva ácida
Metais Metais pesados, fluoretos, cianetos, limpadores ácidos e básicos, solventes, pigmentos, abrasivos sais diversos, óleos, fenóis
Couro Chumbo e zinco
Indústria têxtil Metais pesados, tinturas, compostos organoclorados, solventes orgânicos

O depósito de lixo tem sido, há décadas, o método principal de se livrar de lixo urbano, industrial e agricultural. O líquido mal cheiroso produzido e liberado pelo "lixão", também conhecido por xorume, impregna a terra e afeta os canais aquíferos subterrâneos. Esse tipo de poluição carrega consigo todos os ingredientes possíveis de serem tragados pela água, por suas propriedades químicas e físicas. Outro meio de poluição é o descuido, o derramamento acidental ou intencional, de produtos, ou simplesmente lixo, diretamente no meio ambiente.

No ano passado reportamos em nosso site o derramamento de compostos orgânicos com consequências desastrosas para a população, aqui mesmo em Araraquara, que afetou as águas de um córrego de importância econômica para a cidade. Outros exemplos bem paulistas são os canais dos rios Tietê e Pinheiros que circundam a megacidade de São Paulo, e cuja despoluição têm levado embora rios de reais, sem que o problema tenha sido solucionado. O que é sempre necessário dizer é que locais que são (ou foram) duramente poluídos, custarão bilhões de reais para se tornarem novamente habitáveis por organismos vivos sadios.

Foi noticiado no jornal Folha de São Paulo em 31 de Agosto de 2000: 47% do lixo industrial de São Paulo não é tratado. Como o Estado produz algo como 21 milhões de toneladas de lixo sólido por ano, 10 milhões de toneladas são simplesmente jogadas no meio ambiente. A Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo, CETESB, assume que pelo menos 250 mil toneladas (um quarto de trilhão de quilos / ano) desse lixo está na lista dos poluentes considerados perigosos. O custo para o Estado da despoluição ambiental decorrente da ação humana nesse, assim como em outros casos, é simplesmente inimaginável; o custo para a natureza, impensável.

Mesmo no caso do Estado de São Paulo, resíduos que são considerados perigosos, são depositados em um campo que foi tornado impermeável pelo uso de plásticos fortificados, ou então são incinerados, ou ainda, tratados quimicamente de uma forma a torna-los não perigosos. Mesmo assim, o perigo de poluição de águas subterrâneas tem de ser continuamente monitorado para a prevenção de graves acidentes ambientais, com consequência direta ao bem estar da população.

O lixo caseiro como lixo tóxico

Normalmente nós não damos a mínima para aquilo que nós jogamos no saco de lixo, mas o que descartamos, e a forma que o fazemos, pode influir na qualidade da água subterrânea que, eventualmente, nós iremos necessitar. Se o nosso lixo caseiro é incinerado, poderemos estar contribuindo para a poluição atmosférica (principalmente no tocante à formação de gases de enxôfre e nitrogênio, grandes responsáveis pela chuva ácida). Entretanto, a maior parte, ou a totalidade dela, dependendo do município em que vivemos, vai mesmo para os lixões, depósitos a céu aberto sem nenhuma, ou muito pouca, proteção ambiental. Portanto nós também estamos contribuindo ativamente para o aumento da poluição da água subterrânea.

Veja uma coleção de tralhas caseiras, e o que elas contém, e o método recomendado para o descarte:

Tipo de produto Ingrediente perigoso Método de descarte
Mata moscas Pesticidas e solventes orgânicos Especial
Limpador de forno Produtos cáusticos Pia
Limpadores de banheiros Cáusticos ou ácidos Pia
Polidor de móveis Solventes orgânicos Especial
Latas aerosol vazias Solventes e propelentes Lixo
Removedor de esmalte de unhas Solventes orgânicos Especial
Esmalte de unhas solventes Lixo
Anticongelantes Metais e solventes orgânicos Especial
Inseticidas Pesticidas e solventes Especial
Baterias de automóveis Ácido sulfúrico e chumbo Especial
Remédios com validade vencida Compostos orgânicos Pia
Tinta latex Polímeros orgânicos Pia
Gasolina Solventes orgânicos Especial
Óleos de motores Solventes orgânicos e metais Especial
Desentupidor de ralos cáusticos Pia
Graxa de sapatos Graxas e solventes Lixo
Tintas a base de óleo Solventes orgânicos Especial
Baterias de mercúrio, ou níquel-cádmio Metais pesados Especial
Mata baratas Compostos orgânicos clorinados Especial

Nota: especial refere-se ao tratamento de um lixo perigoso, a princípio, tem de ser feito por um profissional; pia significa o descarte na pia, tanque ou pelo vazo sanitário. Lixo quer dizer lixo normal, não há danos à água subterrânea. Normalmente, nós colocamos os itens marcados como Especial no lixo comum, contribuindo assim para a poluição das nossas águas.

Em todo o mundo, não só no Brasil, as (os) donas (donos) de casa tem dificuldades em jogar fora produtos químicos que são potencialmente perigosos. Mesmo que cidades modelos tenham projetos ativos para a reciclagem de papel, vidro, metais e plásticos, a maioria delas não tem condições de recolher em separado tais materiais do lixo comum que é destinado ao lixão.

Os "descartes profissionais" que existem no Brasil - e a regra serve para o mundo todo - são privativos das indústrias, que não fornecem serviços ao cidadão comum a preços que ele pode pagar, portanto não há saída. Até o Instituto de Química de Araraquara tem dificuldade em descartar os resíduos gerados pelo ensino da Química, e pela pesquisa aqui realizada. Essa condição é comum a todas as Universidades do País.

Como é que podemos dispor de lixo caseiro perigoso ao lençol aquífero? Algumas cidades européias, principalmente na Holanda, tem caminhões especiais para cada tipo de lixo.

Mas podemos tomar medidas pessoais, como só comprar, ou levar para casa, o que acharmos necessário: qualquer tentativa de levar muita coisa para casa, para aproveitar o preço baixo, por exemplo, é um convite para que eventualmente tenhamos um monte de inutilidades, muito lixo para jogarmos fora. A reciclagem de lixo doméstico pode ser um fator muito importante para diminuir a carga das autoridades municipais em reciclar o lixo das cidades.

Campanhas de reciclagem de papel, de latas de alumínio, de óleos de motor, e outros itens devem ser acatados e incentivados. De qualquer forma, a consciência do cidadão deve sempre estar voltada no sentido de diminuir a sua parcela de agente poluidor do lençol aquífero de sua cidade e da região onde crescerão os seus filhos e, possivelmente, seus netos.

A purificação da água na Natureza

O ciclo natural da água - evaporação e condensação - oferece muitas maneiras da Natureza auto purificar a água, o que, dentro de certas limitações, renova o potencial de água potável no planeta. O processo de destilação, por exemplo, forma vapores que contém um mínimo de impurezas não voláteis e gases dissolvidos no ar. A cristalização do gelo nos mares produz água relativamente pura (dessalinizada) nos icebergs, a aeração das águas dos rios, como as que passam por corredeiras ou caem em cascatas permite que impurezas voláteis sejam liberadas, aumentando o teor de oxigênio disponível, a sedimentação de partículas sólidas ocorre nos lagos e nos leitos lentos dos rios, a filtração da água através de bancos de areia limpa a água de lama e de algas, por exemplo.

Extremamente importante são os processos de oxidação, mencionados acima, onde materiais orgânicos de origem natural são convertidos a substâncias simples.

Finalmente, há o processo de diluição: a maioria, senão todos os poluentes, se tornam seguros abaixo de certos níveis, por diluição em água.

Antes da explosão do contingente humano na Natureza, e do advento da Revolução Industrial, os mecanismos d purificação naturais da água eram suficientes para fornecer água de qualidade para todas as regiões do planeta, exceto, é claro, as regiões desérticas. Um exemplo de como a natureza não dá conta do aumento da poluição vem da sua inabilidade de remover a lama dos leitos dos rios.

Essa lama consiste de pedregulhos misturados com areia e outras argilas (cais), como os óxidos de alumínio misturados com água, típicos formadores da lama utilizada na fabricação de tijolos, etc. por vários quilômetros rio abaixo desse tipo de poluente a vida aquática desaparece, mas eventualmente a vida marinha pode reaparecer novamente rio abaixo.

Um exemplo mais complexo e que para o qual não existe muita esperança de que o sistema natural de purificação da água vá funcionar, refere-se à biodegradabilidade. Uma substância é biodegradável se ela é decomposta em substâncias simples por microorganismos.

A celulose suspensa em água é um exemplo clássico: ela eventualmente vai ser convertida em CO2 e água. Outras substâncias, notadamente aquelas qrtificiais que nós mesmos criamos, permanecem por muito tempo no meio ambiente, e acabam sendo incorporadas aos organismos vivos, passando a fazer parte da cadeia alimentar. Uma dessas substâncias - outro exemplo clássico - é o DDT. Até a chuva pode ser um problema. Se há uma concentração grande o suficiente de poluentes (entre eles íons tipo Nh2+, K+, Ca2+, Mg2+, Cl-, NO3-, SO42-), principalmente óxidos de enxofre e nitrogênio, ela será ácida o suficiente para se tornar um problema ambiental, pois pode acidificar lagos, atacar seres vivos e danificar monumentos.

O quê podemos fazer: o tratamento da água como processo necessário

Processo de Tratamento da Água

As "casinhas" daquelas casas rurais foram obviamente transferidas para as cidades, só que ali, o agrupamento humano requeria que elas fossem limpas de tempos em tempos; esses sanitários eventualmente foram unidos entre si, formando um sistema de esgotos. Esse sistema também requeria ser limpo de tempos em tempos para poder abrigar o aumento da população. O esgoto era canalizado para um grande poço, assim como fazia a "casinha" rural.

Para uma cidade maior, o uso de um grande poço de descarga é inviável, e o sistema de tratamento começou a ser desenvolvido. Nesse sistema, não se retém o esgoto, mas se trata a água, tenta-se limpá-la o máximo possível, e então retorná-la ao meio ambiente ou recanalizá-la para uso doméstico. Um sistema simples de tratamento é mostrado na figura acima. No tanque de sedimentação é adicionado o sulfato de alumínio, da mesma forma que os lipadores de piscinas o fazem hoje em dia, juntamente com hidróxido de cálcio.

A reação química:

3 Ca(OH)2 + Al2(SO4)3à 2 Al(OH)3 + 3 CaSO4

produz hidróxido de alumínio que é uma borra insolúvel, que ao precipitar (como na piscina) carrega consigo partículas de sujeira e microorganismos. Cloro pode ser então adicionado para matar - por oxidação - a matéria orgânica (lixo biológico) remanescente, e a água está pronta para ser reutilizada.

O cloro é introduzido na água na forma elementar (Cl2), que é um gás bastante solúvel, e muito tóxico, o que o torna um matador de bactérias que sobrevivem aos tratamentos de água ditos como primários. Essas bactérias podem disseminar cólera, tifo, paratifo e desinteria, assim como vários distúrbios gastrointestinais coletivamente tidos como giardioses.

Entretanto, se o lixo orgânico estiver presente em uma quantidade muito acima do desejado, um segundo tratamento se faz necessário.

Veja bem: se muito cloro for utilizado para oxidar a matéria orgânica disponível, então haverá o risco de poluição por compostos orgânicos clorinados, a maioria dos quais suspeitos de serem carcinogênicos. Assim, em um processo mais avançado, o material que não pode ser sedimentado vai para um tanque de aeração, onde uma bomba de ar comprimido aumenta o teor de oxigênio do meio, para aumentar a ação das bactérias aeróbicas na destruição do material orgânico ainda disponível. Esse processo é ilustrado na figura abaixo.

Tanto o sistema simples como o mais complexo não descartam materiais inorgânicos dissolvidos (como sais de metais pesados, por exemplo), nem quantidades residuais de compostos orgânicos nocivos. Esses materiais são eventualmente removidos em processos que são chamados de processos terciários. Das tecnologias empregadas satisfatoriamente hoje em dia, duas "inorgânicas" são importantes. A primeira utiliza carvão ativado, que imita o tratamento de água dos aquários caseiros.

Todo o bom aquarista sabe como funciona: o carvão (carbono) pode ser ativado por tratamento à altas temperaturas.

Dessa forma, ele fica com uma grande área superficial, o que significa algo como ficar com poros limpos. Esses poros podem reter vvapores e materiais solúveis em água, e como resultado, deixar a água remanescente mais "limpa". Nos aquários o material importante que o carvão ativado ajuda a reter é a amônia, resultante da ação orgânica dos peixinhos.

Se essa amônia fosse deixada perambular pelo aquário, a reação:

Nh2 + H2O « Nh2+ + OH-

tornaria a água básica demais para sustentar a vida dos peixes e plantas do aquário. Assim, muitas substâncias tóxicas podem ser removidas pelo carbono cozido (ativado).

A outra forma "inorgânica" de se purificar a água não é tão inorgânica assim, pois depende de se manter uma forma de lama "ativada", o que nesse caso significa uma lama que é rica em microorganismos, capazes de degradar compostos e matéria orgânica em geral à substâncias simples, como gás carbônico e água.

Essa lama é uma imitação, digamos assim, grosseira, do processo natural de purificação da água: enquanto que a água vai sendo forçada a passar pela lama, bactérias e microorganismos vão degradando material orgânico indesejável; se a água assim tratada for destinada ao consumo humano, ela será agora fluoretada - um método de manter oxidantes na água potável para a destruição de componentes orgânicos nocivos, e ao mesmo tempo, um método de prevenção de cáries dentais na população em geral. Caso contrário, a água tratada estará pronta para retornar ao meio ambiente.

Stanlei I. Klein

Fonte: inorgan221.iq.unesp.br

Reuso da Água

A reutilização ou o reuso de água ou o uso de águas residuárias não é um conceito novo e tem sido praticado em todo o mundo há muitos anos.

Existem relatos de sua prática na Grécia Antiga, com a disposição de esgotos e sua utilização na irrigação. No entanto, a demanda crescente por água tem feito do reuso planejado da água um tema atual e de grande importância.

Neste sentido, deve-se considerar o reuso de água como parte de uma atividade mais abrangente que é o uso racional ou eficiente da água, o qual compreende também o controle de perdas e desperdícios, e a minimização da produção de efluentes e do consumo de água.

Dentro dessa ótica, os esgotos tratados têm um papel fundamental no planejamento e na gestão sustentável dos recursos hídricos como um substituto para o uso de águas destinadas a fins agrícolas e de irrigação, entre outros.

Ao liberar as fontes de água de boa qualidade para abastecimento público e outros usos prioritários, o uso de esgotos contribui para a conservação dos recursos e acrescenta uma dimensão econômica ao planejamento dos recursos hídricos. O reuso reduz a demanda sobre os mananciais de água devido à substituição da água potável por uma água de qualidade inferior. Essa prática, atualmente muito discutida, posta em evidência e já utilizada em alguns países é baseada no conceito de substituição de mananciais. Tal substituição é possível em função da qualidade requerida para um uso específico.

Dessa forma, grandes volumes de água potável podem ser poupados pelo reuso quando se utiliza água de qualidade inferior (geralmente efluentes pós-tratados) para atendimento das finalidades que podem prescindir desse recurso dentro dos padrões de potabilidade.

Tipos de Reuso

A reutilização de água pode ser direta ou indireta, decorrentes de ações planejadas ou não:

Reuso indireto não planejado da água: ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade humana, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada a jusante, em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada. Caminhando até o ponto de captação para o novo usuário, a mesma está sujeita às ações naturais do ciclo hidrológico (diluição, autodepuração).

Reuso indireto planejado da água: ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados de forma planejada nos corpos de águas superficiais ou subterrâneas, para serem utilizadas a jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico.

O reuso indireto planejado da água pressupõe que exista também um controle sobre as eventuais novas descargas de efluentes no caminho, garantindo assim que o efluente tratado estará sujeito apenas a misturas com outros efluentes que também atendam ao requisito de qualidade do reuso objetivado.

Reuso direto planejado das águas: ocorre quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reuso, não sendo descarregados no meio ambiente. É o caso com maior ocorrência, destinando-se a uso em indústria ou irrigação.

Aplicações da Água Reciclada

Irrigação paisagística: parques, cemitérios, campos de golfe, faixas de domínio de auto-estradas, campus universitários, cinturões verdes, gramados residenciais.
Irrigação de campos para cultivos:
plantio de forrageiras, plantas fibrosas e de grãos, plantas alimentícias, viveiros de plantas ornamentais, proteção contra geadas.
Usos industriais:
refrigeração, alimentação de caldeiras, água de processamento.
Recarga de aquíferos:
recarga de aquíferos potáveis, controle de intrusão marinha, controle de recalques de subsolo.
Usos urbanos não-potáveis:
irrigação paisagística, combate ao fogo, descarga de vasos sanitários, sistemas de ar condicionado, lavagem de veículos, lavagem de ruas e pontos de ônibus, etc.
Finalidades ambientais:
aumento de vazão em cursos de água, aplicação em pântanos, terras alagadas, indústrias de pesca.

Usos diversos

Aquicultura
Construções
Controle de poeira
Dessedentação de animais

Aproveitamento de Águas de Chuva

As águas de chuva são encaradas pela legislação brasileira hoje como esgoto, pois ela usualmente vai dos telhados, e dos pisos para as bocas de lobo aonde, como "solvente universal", vai carreando todo tipo de impurezas, dissolvidas, suspensas, ou Simplesmente arrastadas mecanicamente, para um córrego que vai acabar dando num rio que por sua vez vai acabar suprindo uma captação para Tratamento de Água Potável. Claro que essa água sofreu um processo natural de diluição e autodepuração, ao longo de seu percurso hídrico, nem sempre suficiente para realmente depurá-la.

Uma pesquisa da Universidade da Malásia deixou claro que após o início da chuva, somente as primeiras águas carreiam ácidos, microorganismos, e outros poluentes atmosféricos, sendo que normalmente pouco tempo após a mesma já adquire características de água destilada, que pode ser coletada em reservatórios fechados.

Para uso humano, inclusive para como água potável, deve sofrer evidentemente filtração e cloração, o que pode ser feito com equipamento barato e simplíssimo, tipo Clorador Embrapa ou Clorador tipo Venturi automático. Em resumo, a água de chuva sofre uma destilação natural muito eficiente e gratuita.

Esta utilização é especialmente indicada para o ambiente rural, chácaras, condomínios e indústrias. O custo baixíssimo da água nas cidades, pelo menos para residências, inviabiliza qualquer aproveitamento econômico da água de chuva para beber. Já para Indústrias, onde a água é bem mais cara, é usualmente viável sim esse uso.

O Semi árido Nordestino tem projetos onde a competência e persistência combatem o usual imobilismo do ser humano, com a construção de cisternas para água de beber para seus habitantes.

Fonte: www.cetesb.sp.gov.br

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