Traçar, no entanto, um perfil da população na região deve levar em conta vários aspectos. Com a construção de rodovias como a Belém-Brasília e a implantação de grandes projetos, uma expressiva migração para região aconteceu. No sul do Pará, por exemplo, é comum algumas cidades terem metade da população vinda do Maranhão. Boa parte dos prefeitos e autoridades das pequenas cidades amazônicas são paulistas, mineiros, matogrossenses ou gaúchos.
Assim como no resto do País, há expressiva população de imigrantes e descendentes. Os portugueses foram os primeiros e, na época dos jesuítas, chegaram a mudar o nome de praticamente todos municípios para os de cidades portuguesas como Belém, Santarém, Bragança e Viseu. Os japoneses, por exemplo, aportaram na região no início do século 20, cultivando pimenta e posteriormente frutas.
Não muito comuns no interior da região, os negros tiveram uma
presença marcante na área litorânea do Amapá, Pará e
Maranhão.
Os principais representantes da cultura amazônica, no entanto, são
as populações tradicionais: caboclos e índios. Fortemente
enraizada na floresta, essa população é considerada extremamente
importante para a conservação ambiental, já que conhecem
a mata e, cada vez mais, tem consciência de sua importância.
São poucos os índios na Amazônia atualmente, cerca de 150 mil. Mesmo pequena e extremamente heterogênea, essa população tem uma importância ambiental grande, já que normalmente vivem em grandes extensões de terra nas reservas indígenas e são detentoras de culturas ameaçadas de extinção. Atualmente, além do português, outras 180 línguas indígenas são faladas no Brasil, a maioria está na Amazônia. A culinária da região é extremamente influenciada pela cultura indígena. É o caso do tucupi, um caldo amarelo e azedo extraído da mandioca que vai virar farinha e que é usado em deliciosas caldeiradas seja com pato ou peixe.
Assim, a cultura amazônica está arraigada a essa diversidade humana. A música, as artes plásticas e a literatura produzidas na região misturam tanto heranças européias como africanas e indígenas. O carimbó, por exemplo, é um ritmo típico do litoral paraense que tem influências africanas e indígenas. O nome vem de curimbó, uma palavra tupinambá que significa pau oco. O curimbó é tocado num ritmo com grande influência africana.
Outra manifestação cultural interessante na região é o Boi de Parintins. No meio do Estado do Amazonas, a cidade lota durante os dias do festival em que dois grupos: o do boi Garantido e do boi Caprichoso duelam na arena. O Boi-Bumbá tem origem nas festas juninas portuguesas, mas, em Parintins, a música com um tom épico fala das belezas da floresta, tem passos que lembram os indígenas e uma produção que, guardada as devidas proporções, é tão grandiosa e luxuosa quanto o carnaval carioca.
Alternativas
O futuro da Amazônia é uma grande incógnita. Há várias pressões sociais sobre a região. A população em geral deseja melhorias econômicas e de infra-estrutura. Do outro lado, cientistas e ambientalistas batalham por uma diminuição da pressão contra a floresta. Empresários nacionais e internacionais se interessam em usar a riqueza em prol dos seus negócios. O governo vê na região um grande potencial para suprir problemas de infra-estrutura do País, por exemplo, com a construção de hidrelétricas.
Uma discussão comum em todos esses setores é qual a verdadeira vocação da região. Uns dizem que é o extrativismo; outros, a industrialização.
A maioria considera imprescindível um zoneamento econômico-ecológico da região, que o Ministério do Meio Ambiente vem delineando nos últimos anos.
A grosso modo, o zoneamento é uma divisão territorial da região em pólos econômicos e ecológicos específicos. Nesse zoneamento, estão as grandes unidades de conservação da região, que, pelo menos na teoria, são inibidores do desmatamento. Cerca de 40% dos 5 milhões de quilômetros quadrados da Amazônia Legal estão protegidos de alguma forma, segundo os dados levantados pela Fundação Vitória Amazônica e publicados na revista Política Ambiental, da organização Conservação Internacional.
É bom lembrar que nem todas as unidades de conservação têm o intuito de deixar a natureza intacta. Reservas indígenas, por exemplo, prevêem a utilização da terra para cultivo, em pequena escala. Além disso, desde 2002, o governo criou uma nova modalidade de unidade que é reserva de desenvolvimento sustentável (RDS), onde é possível a exploração dos recursos naturais com baixo impacto e pela população tradicional que já vive no local. A primeira foi a Itatupã-Baquiá no estuário do rio Amazonas.
Além disso, é unânime a necessidade de aumentar a fiscalização tanto nas reservas quanto nos pólos madeireiros. A fiscalização e a punição de corruptos em órgãos de desenvolvimento como a extinta Sudam também é condição sine-qua-non para uma melhoria no trabalho.
Fonte: ambiente.hsw.uol.com.br