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Amazônia

Amazônia, ampla região natural que se estende entre o maciço das Guianas e o Planalto Brasileiro, e desde o Atlântico até os Andes, na América do Sul, com uma superfície de 7 milhões km2 compartilhada pelo Brasil (em sua maior parte), Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.

Tudo na Amazônia é superlativo: a maior floresta tropical úmida do mundo se encontra em torno da mais extensa rede fluvial do planeta, que por sua vez movimenta o maior volume de água doce disponível na Terra. Ao desembocar no Atlântico, o rio Amazonas tem um caudal de 100 mil m3 por segundo, causador do fenômeno conhecido como pororoca, e a evaporação de parte desse líquido é responsável pelas abundantes chuvas (em torno de 2.500 mm ao ano) que garantem a sobrevivência da vegetação.

A REGIÃO

Em linhas gerais, a região amazônica corresponde à bacia do Amazonas e seus mais de mil afluentes; mas a parte sul dessa rede fluvial está numa outra região natural, a do cerrado do centro do Brasil, enquanto a maior parte da bacia do Orinoco e dos rios das Guianas tem características amazônicas. A inclusão da extensa região dos cerrados do centro do Brasil na área amazônica é produto do conceito de Amazônia Legal, estabelecido pelo governo brasileiro em 1966, que considera parte dos estados do Maranhão e Mato Grosso, bem como a totalidade do estado de Tocantins, como integrantes daquela região, com a finalidade de que também se beneficiassem dos incentivos fiscais criados para os estados realmente amazônicos.

Sua conformação física corresponde à sua origem sedimentar, alimentada pela erosão dos últimos contrafortes andinos e dos dois antigos escudos pré-cambrianos (o maciço das Guianas e o Planalto Central do Brasil) que a definem, ao norte e ao sul. O resultado foi uma amplíssima depressão com um ligeiro caimento para o leste, que explica as numerosas curvas dos rios amazônicos e o caráter inundável da maior parte do território.

Se vista de um avião a Amazônia parece um imenso tapete verde bastante homogêneo; por baixo das copas das árvores se distingue uma diversidade que é condicionada pela relação entre o terreno, a vegetação e as águas, além de evidenciar a existência de vários "andares" de vegetação, cada um com características próprias bem marcadas.

A chamada várzea alta ou pestana é substituída pelas terras que só são inundadas nas enchentes excepcionais e, por contar com os solos de melhor qualidade, é a parte mais habitada da floresta.

As várzeas são aquelas áreas que permanecem inundadas durante quatro ou cinco meses por ano, na estação das chuvas, o que limita consideravelmente sua utilização econômica, enquanto os igapós, ou floresta inundada, correspondem às áreas que, mesmo ocupadas por vegetação arbórea, permanecem sob as águas a maior parte do ano (nove a dez meses).

Além dessas diferenças, em vários setores aparecem terras altas de pouca fertilidade que são ocupadas por campos abertos com vegetação de transição, como os lavrados de Roraima e os llanos da Colômbia e a Venezuela, verdadeiras ilhas de pradaria em meio à exuberância vegetal da floresta.

CARACTERISTICAS

Segundo o autor essas características, que por um lado alimentam a enorme biodiversidade da região, que conta com mais de 60 mil espécies só de árvores, por outro lado determinam a considerável fragilidade dos ecossistemas amazônicos. As árvores gigantescas (algumas ultrapassam os 100 m de altura) vivem muito mais do húmus produzido pela vegetação em decomposição do que dos nutrientes dos solos pobres, que seriam rapidamente degradados se privados de sua cobertura vegetal.

OCUPAÇÃO

A ocupação humana, que se intensificou na segunda metade do século XIX durante o chamado "ciclo da borracha", não ameaçava diretamente aquele equilíbrio uma vez que não precisava retirar as árvores; a economia coletora dos seringueiros, assim como a extração das chamadas "drogas do sertão", destinadas à produção de medicamentos, harmonizava-se com o equilíbrio ecológico.

Essa economia combinava com uma reduzida criação de gado nas áreas abertas e a existência de pouquíssimos centros urbanos de certa importância, como Iquitos, Leticia, Manaus, Óbidos, Santarém e Belém do Pará.

No entanto, especialmente nas últimas duas décadas, a ocupação do território adquiriu novas características que claramente entram em conflito com a preservação do meio ambiente.

A criação da Zona Franca de Manaus teve como resultado um crescimento demográfico sem precedentes na região, e esse impacto foi complementado com a atividade de garimpeiros e empresas mineradoras no amplo arco que acompanha a vertente sul do maciço das Guianas e nas bacias dos afluentes da margem direita do Amazonas. O garimpo, em particular, teve conseqüências graves do ponto de vista ambiental, devido à contaminação por mercúrio dos rios amazônicos.

A isso se somou o avanço da pecuária, trazendo consigo as grandes queimadas destinadas a eliminar a vegetação arbórea para abrir espaço às pastagens, e mais recentemente à atividade das madeireiras, que exploram as madeiras nobres requeridas pelos mercados consumidores dos países ricos.

CONCLUSÃO

A proliferação de centros urbanos, cada vez mais numerosos, cria novas necessidades de terras agrícolas próximas, e o resultado global dessa situação é que dez por cento da área total amazônica já foi desmatada.

Os riscos dessa ocupação desorganizada foram postos em evidência em março de 1998, quando as queimadas feitas pelos agricultores no estado de Roraima saíram do controle humano, com a ajuda da seca que afetava a região desde novembro, e provocaram o mais grave incêndio registrado em terras amazônicas. Segundo o governador de Roraima, foram seriamente afetados 40 mil km2 de campos abertos e 10 mil km2 de florestas, enquanto técnicos do grupo ecológico Amigos da Terra calcularam que a quantidade de carbono liberada na atmosfera pelo incêndio foi equivalente à poluição produzida por todas as indústrias de São Paulo em dez anos.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

Souza, Márcio. Breve História da Amazônia. Ed.Marco Zero. São Paulo, 1994.

Fonte: www.webartigos.com

Amazônia

No passado disputada por vários países, a Amazônia vem sendo lentamente integrada à economia brasileira. "Pulmão do mundo", maior reserva da natureza selvagem, seu desafio, para o Brasil, é o de um aproveitamento equilibrado, ecológico.

Geograficamente, a região a que se dá o nome de Amazônia corresponde à bacia do rio Amazonas, um gigantesco losango verde que, na largura, vai da pequena cidade peruana de Pongo Manseriche até o norte do Maranhão, e na altura, cuja altura vai do delta do Orinoco, na Venezuela, ao norte de Mato Grosso, no curso médio do rio Juruena.

Há, no entanto, pelo menos duas outras classificações.

Uma é a da Amazônia como região Norte do Brasil, compreendendo cinco estados: Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, Acre e Rondônia, o que soma em seus limites políticos 3.581.180km2 (42% da extensão territorial do país); outra é a denominada Amazônia Legal, criada pela lei n 5.173, de 27 de outubro de 1966, para fins de planejamento: alcança, além da área acima, a maior parte do Maranhão, o norte de Mato Grosso e o estado do Tocantins, totalizando 5.033.072km2 (59,1% do Brasil).

A Amazônia é terra de clima equatorial, de calor intenso e úmido, com temperaturas médias acima de 25o C e uma variação do mês mais quente ao mais frio de menos de 2o C. No sudoeste, porém, a oscilação térmica é bem maior no inverno, quando a massa polar atlântica faz a temperatura descer a 10o C ou menos, no que localmente chamam friagem. Importantes são os totais pluviométricos anuais, que ultrapassam os 1.500mm.

Apesar disso, na Amazônia não é particularmente perigosa a incidência de doenças tropicais, e a região apresenta, nesse aspecto, ameaças muito menores que as de regiões parecidas da África e da Ásia.

Assim como a bacia hidrográfica do Amazonas é a maior do mundo, a floresta amazônica também é a maior floresta equatorial da face da Terra, assentada sobre a desmedida planície sedimentar que se estende entre o maciço Guiano e o planalto Brasileiro. Nesse maciço se acham as elevações mais notáveis do relevo brasileiro, como o pico da Neblina, ponto culminante do país, com 3.014m; o 31 de Março, com 2.992m; e o monte Roraima, com 2.875m. A presença da água é perene sobre depósitos aluviais holocênicos e de fertilidade variável, mas em geral específica, indissociável de seu ecossistema, com vastas extensões alagadas na maior parte do ano (igapós) e contínua rede de pequenos canais entre os rios (igarapés).

O solo é, portanto, raso, de escasso aproveitamento agrícola, mas fantástica riqueza vegetal: árvores (inclusive excelentes madeiras), fetos, epífitas, milhares de plantas, muitas das quais ainda não classificadas ou conhecidas (onde se podem achar, segundo ilustres farmacólogos os princípios ativos de novos medicamentos para inúmeras doenças).

A fauna é característica da selva tropical fechada sul-americana, onde impera a onça ou jaguar como o felino mais representativo. Compreende também antas, caititus, primatas, capivaras, cervídeos, uma das maiores concentrações de aves do mundo, sobretudo psitacídeos (araras, papagaios) e rapineiros, fauna aquática opulenta em peixes, mamíferos, crocrodilianos, e ainda a mais extraordinária reunião de insetos do planeta.

História. Pelo Tratado de Tordesilhas (1494), toda a região da Amazônia caberia ao reino de Castela. Portugal, no entanto, jamais se acomodou a esse artifício e, com enorme dificuldade, esforçou-se por desbravá-la e colonizá-la ao longo de mais de 200 anos. Só nas seis décadas em que amargou a dominação espanhola encontrou em seus maiores adversários aliados contra as outras potências européias. De difícil assimilação econômica e política, a região permaneceu quase completamente isolada do resto do país até o fim do Império.

Apesar disso, muitas de suas sociedades ameríndias originais já tinham sido irremediavelmente devastadas. As desastrosas tentativas de escravização, os massacres, o próprio atrito cultural com os colonizadores contribuíram para o sacrifício quase total dos representantes das línguas aruaque, caraíba, jê, tupi e pano. Graças à existência dos aruaques, responsáveis pela cerâmica marajoara, pôde-se datar a ocupação pré-histórica da Amazônia, isto é, anterior à descoberta européia, concluindo-se que ela já se fizera no século X.

De todas as regiões brasileiras, seguramente nenhuma contou com uma participação tão ampla do índio em seus processos de conquista e transformação econômica, na formação das etnias regionais, no vagaroso crescimento dos núcleos urbanos. Durante a primeira e efêmera fase de prosperidade, o ciclo da borracha, também o índio e seus descendentes tornaram-se mão-de-obra decisiva nas trilhas do duro trabalho dos seringais. Não obstante todas as dificuldades (pois as tribos brasileiras remontam a padrões sociais do neolítico), sua adaptação à sociedade nacional chegou muitas vezes a resultados espantosos, sobretudo em anos mais recentes, a partir da implantação da Zona Franca de Manaus (1972).

No início, a cobiça espanhola, francesa -- que levou até à criação da França Equinocial (1612-1615) no Maranhão --, inglesa e holandesa mobilizou os portugueses para muitas medidas de ocupação ostensiva, como erguer o forte do Presépio (1616), germe da Cidade de Belém (1621) e instituir o estado do Maranhão e Grão-Pará (1612), que ia deste último até o Ceará. Vieram depois as capitanias donatárias, a viagem de Pedro Teixeira pela Amazônia em 1639 e especialmente a colonização missionária, que em meados do século XVII chegou a reunir mais de cinqüenta mil índios em aldeias de aculturação, produção agrícola e artesanato.

Na época do marquês de Pombal esses núcleos originais foram secularizados, as aldeias viraram cidades como Santarém, Silves e Bragança, a produção agrícola passou a incluir o café, o algodão, o tabaco e o arroz, e a pecuária invadiu muitos dos claros da floresta, começando a abrir outros e a se expandir durante o século XIX. Na passagem deste para o século XX a Amazônia se tornou atração universal. Ainda não por suas maravilhas naturais, mas por causa da borracha, na primeira arrancada da indústria automobilística nos Estados Unidos e na Europa.

Exploração violentamente predatória, antagonismo social entre seringalistas e seringueiros, muita ganância e pouco planejamento provocaram um processo rápido de urbanização, desenvolvimento corrido e de alicerces precários: com a perda do monopólio e a queda dos preços, o fracasso reanimou alguns dos maiores problemas da região.

De 1903 a 1930 as questões de fronteira encontraram soluções adequadas e implantou-se a experiência da Fordlândia e suas plantations, que chegou a promover um novo e ilusório surto de progresso, de curta duração: em 1945 estava liquidado. Vem daí uma outra história dentro da história da Amazônia que é a do interesse científico, muitas vezes entre aspas, dos países estrangeiros, no fundo não muito diferente dos motivos que originaram as disputas iniciais.

Desde Alexandre von Humboldt foram feitos estudos sobre a região, sendo ele até precedido por um brasileiro formado em Coimbra, Alexandre Rodrigues Ferreira. Depois vieram Spix, Von Martius, Henri-Anatole Coudreau, todos ao longo do século XIX, tempo de muita ciência mas também de revolução industrial e colonialismo. Na década de 1850 o projeto americano de Matthew E. Maury de exploração da região foi sabiamente absorvido por D. Pedro II que, sem desautorizar o empreendimento, criou uma porção de outros, paralelos, que acabaram por esvaziá-lo.

Já no século XX apareceram tentativas frustradas de internacionalizar a região. Assim a UNESCO (1945), propondo o Instituto Internacional da Hiléia Amazônica, para pesquisas, foi embargado pelo Congresso brasileiro, e os lagos projetados pelo Hudson Institute de Nova York (1964), viram-se desaprovados pelas forças armadas brasileiras, por motivos estratégicos.

Dessa etapa para cá a ênfase vem sendo dada à construção de grandes rodovias "integradoras", que nem sempre atuaram efetivamente nesse sentido. A Belém-Brasília e a Brasília-Acre foram as mais bem-sucedidas. Outras, como a Transamazônica, mostraram-se excessivamente agressivas à natureza e às peculiaridades regionais. Na atualidade, a discussão sobre a Amazônia empolga o mundo, no domínio principalmente da ecologia. São veementemente condenadas todas as formas de agressão a suas condições naturais (desmatamentos, queimadas, garimpo poluidor e tantas outras pragas) e perseguidas como solução, até aqui em termos ideais, iniciativas que conciliem o progresso econômico, humano e social com o respeito ao meio ambiente, à riqueza da fauna e da flora amazônica. Embora ainda a maior reserva de vida selvagem do planeta, especialistas garantem que dez por cento de suas matas já foram destruídas.

Fonte: www.emdiv.com.br

Amazônia

A Amazônia está situada em sua porção centro-norte; é cortada pela linha equatorial e, portanto, compreendida em área de baixas latitudes. Ocupa cerca de 2/5 do continente e mais da metade do Brasil. Inclui 9 países (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela).

A Amazônia brasileira compreende 3.581 Km2, o que equivale a 42,07% do país. A chamada Amazônia Legal é maior ainda, cobrindo 60% do território em um total de cinco milhões de Km2. Ela abrange os estados do Amazonas, Acre, Amapá, oeste do Maranhão, Mato Grosso, Rondônia, Pará, Roraima e Tocantins.

O clima é do tipo equatorial, quente e úmido, com a temperatura variando pouco durante o ano, em torno de 26ºC.É muito comum na região, os períodos de chuva provocados em grande parte pelo vapor d'água trazido do leste pelos ventos.

A grande bacia fluvial do Amazonas possui 1/5 da disponibilidade mundial de água doce e é recoberta pela maior floresta equatorial do mundo, correspondendo a 1/3 das reservas florestais da Terra.

Apesar de ser o maior estado brasileiro (Amazonas), possui a menor densidade demográfica humana, com menos de 10% da população do país, 7.652.500 habitantes.

Meios de transportes e Zona Franca

O transporte fluvial é ainda o mais importante, mas começa a ser complementado pelas rodovias federais, como a Transamazônica, a Belém - Brasília e a Manaus - Porto Velho. O aeroporto de Manaus tornou-se um dos principais do país em volume de carga embarcada, sendo utilizado para o escoamento da produção das indústrias eletrônicas da Zona Franca, estabelecida em 1967como área livre de importação e exportação. Nessa área, as mercadorias procedentes do exterior não pagam impostos de importação, quando se destinam ao consumo local, às indústrias da região, ou à reestocagem para reexportação.

Economia

A economia é dominada pelo extrativismo vegetal, exercido sobre uma flora com enorme variedade de espécies. Além da seringueira e do caucho, de onde se extrai a borracha, são coletadas a castanha-do-pará, vários tipos de madeira, gomas, guaraná, babaçu, malva e muitas outras.

O extrativismo mineral, de gemas e pedras preciosas começa a assumir maior importância, já que a região possui inúmeros recursos, até hoje pouco explorados: ouro no Pará, no Amazonas, em Roraima e no Amapá; ferro no Pará (serra dos Carajás), no Amapá e no Amazonas; sal-gema no Amazonas e no Pará; manganês no Amapá (serra do Navio), no Pará e no Amazonas; bauxita no Pará (Oriximiná, no rio Trombetas, e em Tucuruí), além de calcário, cassiterita, linhita, gipsita, cobre, estanho, chumbo, caulim, diamante e níquel.

Na agricultura, as principais lavouras são as de juta, pimenta-do-reino, arroz, milho, cacau e mandioca. A criação de gado bovino concentra-se na região de Marajó, nos arredores de Porto Velho (Roraima), no Amapá e no norte dos Estados de Tocantins e Mato Grosso. A pesca do pirarucu e de outros peixes serve ao consumo local. Várias hidrelétricas, como as de Tucuruí, no rio Tocantins, no Estado do Pará, e a de Balbina, no Estado do Amazonas, próxima de Manaus, foram construídas.

Desmatamento da Floresta Amazônica

A Amazônia abriga 33% das florestas tropicais do planeta e cerca de 30% das espécies conhecidas de flora e fauna. Hoje, a área total vítima do desmatamento da floresta corresponde a mais de 350 mil Km2, a um ritmo de 20 hectares por minuto, 30 mil por dia e 8 milhões por ano.

Com esse processo, diversas espécies, muitas delas nem sequer identificadas pelo homem, desapareceram da Amazônia.

Sobretudo a partir de 1988, desencadeou-se uma discussão internacional a respeito do papel da Amazônia no equilíbrio da biosfera e das conseqüências da devastação que, segundo os especialistas, pode inclusive alterar o clima da Terra.

Povos primitivos

A Amazônia é um dos poucos redutos do planeta onde ainda vivem povos humanos primitivos, dezenas de tribos que espalham-se em territórios dentro da mata, mantendo seus próprios costumes, linguagens e culturas, inalterados por milhares de anos.

Antropólogos acreditam que ainda existam povos primitivos desconhecidos, vivendo nas regiões mais inóspitas e inacessíveis.

As características do clima e do solo da região amazônica, pouco propícias conservação de materiais, não deixaram muitos vestígios sobre a vida dos povos pré-colombianos. Mas o patrimônio arqueológico é precioso, com registros que chegam a 10.000 a.C. A riqueza da cerâmica, com suas pinturas elaboradas, demonstra que muitos desses povos atingiram um estágio avançado de organização social, sempre guiados por uma forte relação com a natureza.

Folclore

As origens do folclore da região amazônica se perdem no tempo, mas as raízes negras, indígenas e africanas continuam presentes e são encontradas em diversas manifestações culturais, mostrando influência de todos esses povos, transformada em rituais próprios e característicos da região. Na dança, na música como o carimbó, marabaixo e o boi-bumbá.

Tribos Indígenas:

Arara
Bororo
Gavião
Katukina
Kayapó
Kulína
Marubo
Sateré - Mawé
Tenharim
Tikuna
Tukâno
Wai-Wai
Yanomami

Chuvas e inundações na bacia amazônica

A bacia amazônica é um dos locais mais chuvosos do planeta, com índices pluviométricos anuais de mais de 2.000 mm por ano, podendo atingir 10.000 mm em algumas regiões. Durante os meses de chuva, a partir de dezembro, as águas sobem em média 10 metros, podendo atingir 18 metros em algumas áreas. Isso significa que durante metade do tempo, grande parte da planície amazônica fica submersa, caracterizando a maior área de floresta inundada do planeta, cobrindo uma área de 700.000 Km2.

Rio Amazonas

Em 1541, o espanhol Francisco de Orellana e seus homens navegavam no rio Napo (que desemboca em outro rio maior), a leste dos Andes. Passaram-se meses, e era incontável o número de afluentes que engrossavam as águas do imenso rio. A certa altura, a embarcação é atacada por um grupo de indígenas, que disparam flechas envenenadas. Orellana dá ordem para seus homens desviarem o barco, afastando-o do alcance dos índios. Após safar-se do perigo, Orellana, impressionado com o aspecto dos indígenas, que acredita serem mulheres, lembra-se das Amazonas - as guerreiras da mitologia grega - e batiza o rio que passa a se chamar rio das Amazonas.

O rio Amazonas começa no Peru, na confluência dos rios Ucayali e Maranõn. Entra no Brasil com o nome de Solimões e passa a chamar-se Amazonas quando recebe as águas do rio Negro, no interior do Estado do Amazonas.

No período das chuvas, os rio chega a crescer 16 metros acima de seu nível normal e inunda vastas extensões da planície, arrastando consigo terras e trechos da floresta. Sua largura média é de 12 quilômetros, atingindo freqüentemente mais de 60 quilômetros durante a época de cheia. As áreas alagadas influenciadas pela rede hídrica do Amazonas, formam uma bacia de inundação muito maior que muitos países da Europa juntos. Apenas a ilha do Marajó, na foz do Amazonas, é maior que a Suíça.

O rio Amazonas conta com mais de 1.000 afluentes e é o maior e mais largo rio do mundo e o principal responsável pelo desenvolvimento da floresta Amazônica.

O volume de suas águas representa 20% de toda a água presente nos rios do planeta. Têm extensão de 6.400 quilômetros, vazão de 190.000 metros cúbicos por segundo (16 vezes maior que a do rio Nilo). Na foz, onde deságua no mar, a sua largura é de 320 quilômetros. A profundidade média é de 30 a 40 metros.

O rio Amazonas disputa com o Nilo o título de maior rio do mundo, mas é imbatível em volume d'água. Recebe cerca de 200.00 Km2 água por segundo e, em alguns pontos, o rio é tão largo que não dá para ver a outra margem.

Pororoca

Na foz do rio Amazonas, quando a maré sobe, ocorrem choques de águas, elevando vagalhões que podem ocasionar naufrágios e são ouvidos a quilômetros de distância, é a pororoca.

O volume de água do rio Amazonas é tão grande que sua foz, ao contrário dos outros rios, consegue empurrar a água do mar por muitos quilômetros. O oceano atlântico só consegue reverter isso durante a lua nova quando, finalmente, vence a resistência do rio. O choque entre as águas provoca ondas que podem alcançar até 5m e avança rio adentro. Este choque das águas tem uma força tão grande que é capaz de derrubar árvores e modificar o leito do rio.

No dialeto indígena do baixo Amazonas o fenômeno da pororoca tem o seu significado exato, poroc-poroc, que significa destruidor.

Embora a pororoca aconteça todos os dias, o período de maior intensidade no Brasil acontece entre janeiro e maio e não é um fenômeno exclusivo do Amazonas. Acontece nos estuários rasos de todos rios que desembocam no golfo amazônico e no rio Araguari, no litoral do Estado do Amapá, e também nos rios Sena e Ganges.

Rio Negro

Suas águas são mesmo muito escuras. Isso acontece por causa da decomposição da matéria orgânica vegetal que cobre o solo das florestas e é carregada pela inundações.

Como a água é muito ácida e pobre em nutrientes, é este processo que garante a maior parte dos alimentos consumidos pela fauna aquática.

Rio Solimões

Quando o rio Solimões se encontra com o Negro (ganhando o nome de rio Amazonas), ele fica bicolor. Isso acontece por que as águas, com cores contrastantes, percorrem vários quilômetros sem se misturar.

Fonte: www.webciencia.com

Amazônia

A história da Amazônia tem sido uma trajetória de perdas e danos

A HISTÓRIA da região tem sido, da chegada dos primeiros europeus à Amazônia até os dias atuais, uma trajetória de perdas e danos. E nela, a Amazônia tem sido, e isso paradoxalmente, vítima daquilo que ela tem de mais especial — sua magia, sua exuberância e sua riqueza.

Não se trata de uma queixa, mas de uma constatação simples: a Amazônia foi sempre mais rentável e, por isso, mais útil economicamente à Metrópole no passado e hoje à Federação, do que elas o tem sido para a região. A Amazônia foi no passado "um lugar com um bom estoque de índios" para servirem de escravos, no dizer dos cronistas da época; uma fonte de lucros no período das "drogas do sertão", enriquecendo a Metrópole; ou ainda a maior produtora e exportadora de borracha, tornando-se uma das regiões mais rentáveis do mundo, numa certa fase. Na Segunda Guerra Mundial, fez um monumental esforço para produzir borracha para as tropas e equipamentos dos Aliados.

Mas é mais recentemente que ela tem sido mais explorada: seja como fonte de ouro, como em Serra Pelada, que serviu para pagar parte da dívida nacional, deixando na região apenas as belas reproduções das fotografias que percorreram o mundo, mostrando a condição subumana do trabalho dos homens no garimpo; seja como geradora de energia elétrica para exportar para outras regiões do Brasil e para os grandes projetos, que a consomem a preços subsidiados, enquanto o morador da região paga pela mesma energia um preço bem mais elevado; seja como última fronteira econômica para a qual milhões de brasileiros têm acorrido nas últimas décadas, com vistas a fugirem da persistente crise econômica do país, buscando na Amazônia um destino melhor (o que, infelizmente, poucos encontram).

E, se poucos migrantes têm conseguido ascender socialmente no novo lugar de destino (a Amazônia), em compensação, devido à histórica política de abandono das classes pobres pelo Estado brasileiro, a região vem se convertendo desde as últimas décadas num espaço onde se registram o conflito no campo, a miséria urbana e o desperdício de recursos naturais. Embora seja, talvez, a maior província mineral de todo o planeta e produza ferro e outros minérios, ajudando o país a manter sua balança comercial, pouco se tem beneficiado das exportações em geral, já que a maioria dos impostos não fica retida na região.

Se a Amazônia tem gerado riqueza, a riqueza não se vê nem se fixa nela. É verdade que tem havido um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Amazônia nas últimas décadas. No caso do Pará, por exemplo, onde houve um crescimento econômico expressivo, no ano de 1975 o PIB era US$ 2,408 bilhões e em 1987 havia ascendido a US$ 5,332 bilhões, o que significa um fantástico aumento de 121% no período. No entanto, como o crescimento da população foi igualmente grande (face à migração), a renda per capita que era de US$ 946,83 em 1975 passou para US$ 959,01 em 1987, com um crescimento relativo de apenas 1,29% no período. Em contrapartida, os recursos naturais da Amazônia vêm sendo engajados nesse esforço de exploração da região pela União com uma força extraordinária e com grande desperdício, já que é justamente para explorá-los a custo baixo, ou próximo de zero (como no caso da floresta), que os novos capitais vêm se dirigindo nas últimas décadas para a região.

Ao longo de sua história, a Amazônia tem gerado sempre mais recursos para fora (Metrópole e Federação) do que tem recebido como retorno; tem sido, permanentemente, um lugar de exploração, abuso e extração de riquezas em favor de outras regiões e outros povos. Mesmo nos últimos trinta anos, quando grandes investimentos foram feitos em infra-estrutura, estes visaram possibilitar a exploração de riquezas em favor da Federação.

Uma história construída entre o mito e a violência

O primeiro europeu a pisar as terras amazônicas, o espanhol Vicente Pinzon (em janeiro de 1500), percorreu a foz do Amazonas, conheceu a ilha de Marajó e surpreendeu-se em ver que se tratava de uma das regiões mais intensamente povoadas do mundo então conhecido. Ficou perplexo vendo a pororoca e maravilhado com as águas doces do mais extenso e mais volumoso rio do mundo. Foi bem acolhido pelos índios da região.

Mas, apesar de fantástica, sua viagem marca o primeiro choque cultural e o primeiro ato de violência contra os povos da Amazônia: Pinzon aprisiona índios e os leva consigo para vender como escravos na Europa.

A viagem de Orellana (em 1549) instaura o momento fundador dos primeiros mitos, como o das Amazonas — índias guerreiras, bravas habitantes de uma aldeia sem homens. Outros viajantes, aventureiros e exploradores que procuravam riquezas espalharam mundo afora mitos e fantasias.

De todos, o mito mais persistente parece ter sido sempre o da superabundância e da resistência da natureza da região: florestas com árvores altíssimas que penetravam nas nuvens, frutos e flores de cores e sabores indescritíveis, rios largos a se perderem no horizonte (povoados de monstros engolidores de navios nas noites escuras), animais estranhos e abundantes por todo o chão; pássaros cobrindo o céu e colorindo-o em nuvens de penas e plumas de todas as cores.

A viagem de Orellana inaugura, também, o ciclo dos mitos sobre a Amazônia. Refiro-me aos mitos construídos sobre a região pelo olhar e a alma do estrangeiro, a partir de uma visão da terra e da gente da Amazônia fundada no imaginário do homem de fora da região. Desde então, a Amazônia tem sido definida, interpretada, explorada, amada e mal-amada a partir do olhar, da expectativa e da vontade do outro. As primeiras viagens dos estrangeiros iniciam, também, um ciclo dos preconceitos que, desde então, nunca mais abandonaram essa visão, fortemente distorcida, sobre o homem e sobre a região, eivada de preconceitos que ficaram colados nela desde os primeiros momentos.

Os primeiros conquistadores e colonizadores não se conformaram em ver aquela terra, que lhes parecia ser o paraíso terrestre, ocupada por povos que julgavam bárbaros, primitivos, rudes, preguiçosos e, possivelmente desprovidos de uma alma! Dos primeiros séculos da colonização aos governantes, políticos e planejadores dos dias atuais, a história da Amazônia tem sido o penoso registro de um enorme esforço para modificar aquela realidade original. Trata-se de uma tentativa de domesticar o homem e a natureza da região, moldando-os à visão, à expectativa de exploração do homem de fora (estrangeiros no passado, brasileiros e estrangeiros no presente).

A história dos homens na Amazônia tem sido construída a partir de dois eixos norteadores, mas conflitantes: de um lado, a visão paradisíaca criada pela magia dos mitos da região e sobre a região; de outro, a violência cotidiana gestada pela permanente exploração da natureza e desencadeada pelos preconceitos em relação a ambos — homem e natureza.

Ao longo de quatro séculos (1) perdeu-se, gradativa mas persistentemente, a identidade original do homem e os referenciais da vida anterior, face aos sucessivos e constantes choques culturais. Hoje, o homem da Amazônia procura reconstruir, sem cessar, um nova identidade e uma nova forma de vida que lhe possibilitem harmonizar uma nova cultura com a conservação da natureza, os benefícios e o usufruto do progresso técnico e científico do mundo moderno.

Preconceitos, mitos e equívocos do final do século

Ao longo do século XX, outros mitos (e também, equívocos e preconceitos) juntaram-se àqueles dos primeiros séculos.

A Amazônia foi considerada como a terra da superabundância e o celeiro do mundo. Estrangeiros e brasileiros imaginaram que uma floresta tão exuberante devia estar sustentada por um solo igualmente fértil. Assim, a Amazônia poderia ser, no futuro, o celeiro do mundo - um lugar bíblico ao qual, no período de escassez, como ocorreu no passado, todos poderiam recorrer para dele sobreviver. Posteriormente, fizeram-nos acreditar que a Amazônia seria o pulmão do mundo.

A análise dos planos, programas e projetos federais dos últimos 35 anos permite enumerar uma série desses equívocos e distorções (2). Destacarei aqui aqueles que estão mais evidentes e presentes nas políticas públicas para a Amazônia.

Equívocos sobre a natureza da Amazônia

Gostaria aqui de citar pelo menos três grandes equívocos que estão presentes e bastante destacados nos planos e projetos dos últimos 35 anos:

A Amazônia seria um macro-sistema homogêneo de floresta, rios e igarapés em toda a sua extensão.
A natureza em geral, e a floresta em especial, seria a expressão do primitivismo e do atraso regionais; os planos governamentais estimulam, sempre, sua substituição por atividades ditas "racionais", produtivas.
A natureza amazônica seria resistente, superabundante, auto-recuperável e inesgotável.

Evidentemente, nenhum desses pressupostos tem fundamento.

Somente no que concerne à biodiversidade dos seus sistemas florestais, a Amazônia conta, grosso modo, com dois grandes tipos de ecossistemas: as florestas de áreas inundáveis (com várzeas, igapós e mangais) e as florestas de terra firme (com florestas altas e densas, florestas baixas, florestas de encostas; campos naturais, savanas, cerrados e lavrados).

O modelo econômico posto em ação na região tem ignorado e menosprezado a diversidade dos inúmeros ecossistemas amazônicos. Na prática, a Amazônia brasileira tem sido considerada nos planos governamentais como um sistema natural homogêneo em seus quase cinco milhões de km2.

A maior riqueza da Amazônia — sua biodiversidade — tem sido, na prática, ignorada, questionada e combatida sistemática e implacavelmente pelas políticas públicas. Essas políticas estabeleceram uma oposição (que é, na verdade, um falso dilema) entre desenvolvimento e conservação ambiental. O desenvolvimento sustentável, como uma forma de desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer as necessidades das futuras gerações, não integra as políticas públicas como condição essencial. Quando aparece, está confinado e limitado a alguns programas específicos dos setores e órgãos ambientais.

Face a esses e a outros pressupostos equivocados sobre a natureza, as políticas voltadas para o planejamento regional, que ao longo dos últimos 35 anos estiveram a cargo dos organismos nacionais e regionais, criaram instrumentos e estímulos diversos à exploração da natureza aplicados, sem cuidado ou distinção alguma, a quaisquer dos ecossistemas existentes. Atividades econômicas tão diversas como a pecuária, a exploração madeireira, a mineração, a garimpagem e outras, que apresentam diferentes impactos sobre a natureza, vêm sendo desenvolvidas indiferentemente sobre áreas de florestas densas, nascentes e margens de rios, regiões de manguezais, nas planícies em encostas, em solos frágeis ou nos raros solos bem estruturados. E a maior parte dessas atividades tem produzido enorme e injustificável desperdício de recursos naturais.

Ao invés de considerar a natureza como um dom, uma aliada do desenvolvimento, as políticas públicas têm adotado uma estranha lógica de combate e agressão à natureza, estimulando nas últimas décadas a transformação da mais vasta, rica e exuberante floresta tropical do mundo em áridas pastagens, em áreas de plantação de grãos, etc., sem levar em conta que a Amazônia dispõe de extensos campos naturais e várzeas, que poderiam ser aproveitados economicamente, sem danos ambientais.

Nas últimas décadas, enormes massas vegetais, que incluem madeiras nobres, vêm sendo queimadas impiedosamente. De 1500 a 1970, ou seja, em 470 anos, apenas 2% de toda a floresta amazônica havia sido destruído; em apenas 30 anos (1970 a 2000), segundo o INPE, 14% foi devastado. Trata-se de um desastre sem precedentes contra o maior patrimônio natural do planeta Terra, contra a economia e a sobrevivência dos habitantes naturais — caboclos, ribeirinhos, índios e outros. E, pode-se mesmo dizer, contra o futuro da região e das novas gerações que precisarão dela para viver! A natureza não tem sido considerada como parceira e aliada para estabelecer um real desenvolvimento da região. Ao contrário disso, a floresta aparece nos planos e programas federais para a região nas últimas décadas ora como um obstáculo a ser vencido, ora como simples objeto a ser explorado, ora como um almoxarifado inesgotável de riquezas — que, portanto, não se precisa ser reposto.

O modelo tem se apoiado, também, na crença (equivocada) de que os ecossistemas amazônicos são ricos e, portanto, resistentes aos impactos ambientais e naturalmente auto-regeneráveis. Os planos, programas e projetos econômicos, desde o fim dos anos 1960 aos dias atuais, em sua maioria, pressupõem uma inesgotabilidade e uma alta resistência da natureza amazônica.

Governantes, políticos, técnicos e empresários em geral não compreenderam ainda ou simplesmente não deram importância ao fato de que os ecossistemas amazônicos são frágeis e que sobrevivem à custa de um equilíbrio muito delicado dos três elementos-chave, que se articulam simultaneamente: chuva-mata-solo.

Seus ecossistemas são ricos mas, paradoxalmente, são também extremamente frágeis. Os solos amazônicos — diferentemente dos solos de outras regiões do mundo onde as florestas foram devastadas sem provocar grandes danos ambientais — são solos rasos, mal estruturados, pobres, em sua maioria; e sobrevivem à custa dos nutrientes que recebem da floresta.

Na Amazônia, não se pode desmatar sem replantar, por várias razões combinadas, todas elas igualmente importantes. Em primeiro lugar, a copa das árvores abranda o impacto das fortes chuvas que caem durante quase seis meses por ano na região; os solos descobertos não resistem às intensas e constantes chuvas, que os lavam e os deixam surpreendentemente pobres. Segundo, porque os solos vivem da biomassa oriunda das árvores e que apodrece sobre eles, formando uma importante camada de nutrientes; por sua vez, os solos são alimentados, também, pelos nutrientes que escorrem pelos galhos e troncos junto com as águas.

Finalmente, porque o regime de chuvas amazônico depende da evaporação da floresta, sem o que o ecossistema se desequilibra, desorganiza-se, empobrece rapidamente e entra em crise (3).

Assim, a Amazônia constitui-se num conjunto de ecossistemas muito delicados, formados pelas unidades chuva-floresta-solo-floresta-chuva, etc., no qual cada um dos três é indispensável e insubstituível.

Diferentemente de outros solos no mundo, em que as florestas se sustentam graças à fertilidade desses solos, nos espaços amazônicos a situação difere radicalmente: com poucas exceções, é a rica floresta que sustenta um solo que é, quase sempre pobre. Retirando-se a cobertura florestal, perde-se não apenas a floresta, mas o solo e a fauna nele existentes.

Com muita freqüência, a natureza amazônica, e em especial sua floresta, tem sido considerada como expressão do primitivismo e do atraso regionais. Ou ainda, como simples material, biomassa barata, apropriável a custo zero por investidores, que não se deram ao trabalho nem arcaram com os custos de plantá-la.

Planos, programas e projetos (e especialmente os Planos de Desenvolvimento da Amazônia — PDAs — formulados pelo Governo Federal para a região: PDA-I, II, III da Nova República e outros que os seguiram), sugerem claramente que a mata nativa deve ser substituída por empreendimentos mais "modernos", mais "racionais", mais "econômicos".

Preconceitos quanto à cultura do homem da região

Dos vários preconceitos relativos à cultura do homem da Amazônia, pelo menos dois deles estão claramente expressos e são constantes nos planos e nas políticas públicas federais para a região:

Índios e caboclos viveriam em terras excessivamente vastas e as ocupariam em atividades pouco rentáveis para o Estado e de forma incompatível com a economia e a sociedade modernas;

Índios, negros (quilombolas) e caboclos têm sido considerados nos planos e nos projetos econômicos criados para a região como sendo portadores de uma cultura pobre, primitiva, tribal e, portanto, inferior. Assim, eles nada teriam a aportar de positivo ao processo de desenvolvimento. Com isso, esses grupos étnicos e sociais não têm sido priorizados nas políticas públicas para a região.

Como conseqüência deste e de outros pressupostos e preconceitos do gênero, índios, negros e caboclos se tornaram "invisíveis" no conjunto das políticas públicas. Não foram no passado, e continuam não sendo, ainda hoje, tratados como atores sociais importantes no processo das mudanças em curso.

Por fim, os índios e caboclos, depois de perdidas a identidade e o modo de vida tradicional, acabam eles próprios a vender suas terras e suas matas, reforçando o preconceito já estabelecido contra eles. Com frequência, tendo sido desestruturada sua forma de vida e trabalho anteriores, à falta de outras alternativas, engajam-se em atividades predatórias (como a exploração madeireira e a garimpagem) e passam, eles também, a defendê-las, já que constituem-se agora no seu novo meio e modo de vida. Para completar, trata-se de um modelo que não aproveita o saber acumulado pelo homem da região no uso dos recursos florestais; pelo contrário, ao invés de apoiá-lo e de oferecer a ele oportunidades de uma modernização democrática e verdadeira, simplesmente o alija do processo de mudança.

Pressupostos, preconceitos e mitos relativos ao capital, ao trabalho e às atividades produtivas em geral.

Na esfera do trabalho e das diversas atividades produtivas, os preconceitos e equívocos parecem transbordar dos mais diversos documentos legais, planos e projetos, tão abundantes são. No entanto, gostaria de me limitar àqueles que parecem exercer maior influência sobre os destinos da região e de sua gente.

Destaco aqui os seguintes:

1º — Os governos têm entendido (o que é também um equívoco) que o desenvolvimento é tarefa e virtude exclusiva do capital e, principalmente, do grande capital. Mais ainda, têm entendido que somente o grande capital teria o impulso capaz de desenvolver a região, dada sua grande extensão. O capital e somente ele, o que exclui o homem da região, representaria riqueza. Atraindo-se grandes capitais para a região, como uma conseqüência "natural" ter-se-ia a riqueza econômica, da qual, a longo prazo, todos se beneficiariam. Em nenhuma instância o modelo levou em conta que, sem uma política de desconcentração de renda, o grande capital somente aumentaria as desigualdades sociais e a formação de bolsões de pobreza em contraste com os grandes empreendimentos.
2º —
Os abusos, as exorbitâncias e o arbítrio desse novo capital que se instala na região são incontáveis: a criação e a recriação do trabalho escravo; a expulsão e a morte de posseiros, índios, trabalhadores rurais em geral; a grilagem de terras; as queimadas; a poluição de rios, lagos; e muitos outros. Contudo, sob a nova ótica economicista, esses problemas devem ser entendidos como fenômenos característicos de uma fase inicial do desenvolvimento amazônico, cuja tendência seria a de desaparecerem, a longo prazo, quando o processo de desenvolvimento tiver atingido sua fase avançada (sic)! No entanto, é visível que a superação dessa "fase" não vem ocorrendo.
3º —
Quanto à política de trabalho e emprego, para os governos vale mais a geração de um emprego num dos novos empreendimentos recém-criados (mineração, extração de madeiras, etc.), pois, apesar dos danos ambientais graves que provocam, geram impostos e, assim, são preferíveis às atividades não-geradoras de impostos como as atividades tradicionais dos caboclos da região. Trata-se de uma estranha contabilidade pública na qual os governos, ao prestarem contas à sociedade dos investimentos feitos visando o desenvolvimento regional, apontam apenas os ganhos, sem registrar e descontar as perdas econômicas e sociais: uma contabilidade que não leva em conta a formação de grandes massas de desempregados, constituída pelos habitantes naturais que ficam sem condições de permanecer em suas terras, vilas e povoados depois de expulsos delas para que sejam implantados os grandes empreendimentos — que, supostamente, promoverão o desenvolvimento da região. Uma contabilidade que não considera como problema a população migrante que, atraída pelos grandes empreendimentos, fica desempregada, formando as periferias miseráveis das cidades amazônicas. Trata-se de uma estranha lógica que não contabiliza os custos dos subsídios, vantagens e facilidades financeiras concedidas pelo setor público, que sacrifica o restante da sociedade ao canalizar esses recursos para fins privados; que não computa o desperdício dos recursos naturais implicados no processo de atração de novos capitais para a região, nem os custos de uma infra-estrutura que, com freqüência, serve diretamente e apenas aos empreendimentos de grandes grupos econômicos e não à população em geral.
4º —
O extrativismo vegetal tem sido considerado primitivo, antieconômico e, por isso mesmo, pouco merecedor de apoio, modernização e aperfeiçoamento. Assim, as políticas públicas têm entendido que deve ser substituída a mata nativa por atividades econômicas consideradas mais "modernas". Não se tem promovido uma política efetiva visando enriquecer a floresta, adensando-a com espécies rentáveis, substituindo as espécies de baixo valor comercial por outras de elevado valor no mercado; não se cogitou de definir claramente a forma de extração, conservação e aproveitamento da madeira, ou de fiscalizar rigidamente a exploração madeireira, punindo sistematicamente os infratores, para desestimular os abusos e as reincidências; e também não se tem levado em conta, seriamente, que a Amazônia constitui-se no maior banco genético do mundo e no maior reservatório de espécies florestais — o que possibilitaria o desenvolvimento e a produção de medicamentos os mais variados, inseticidas orgânicos, cosméticos, perfumes, novos alimentos, novas frutas e essências, enfim, produtos industrializados os mais diversos e não apenas produtos semi-elaborados, como tem sido a maioria dos produtos gerados pelos novos investimentos (e.g., a madeira em tábuas e toras, e o minério em lingote). Para aproveitar economicamente a floresta dessa forma, há necessidade de investimentos continuados em pesquisa e na produção. Mas, lamentavelmente, não se estabeleceu até hoje um programa nacional consistente, duradouro e eficiente para esse fim, embora a Amazônia seja, sabidamente por todos, o maior banco genético do mundo. Pelo contrário, os recursos destinados à fiscalização e à pesquisa vêm diminuindo gradativamente, enquanto cresce o contrabando de produtos florestais para o exterior, tal como ocorreu com a borracha no passado.
5º —
Nos planos e projetos governamentais, a riquíssima biodiversidade da natureza amazônica — ou, mais propriamente, sua mega-biodiversidade — aparece como um elemento negativo. Para a maior parte dos empresários, seria preferível se a natureza amazônica tivesse poucas espécies (como o cat fish, o mogno, o pau d'arco e outras poucas espécies já conhecidas no mercado internacional). Numerosos tipos de madeiras, com características as mais diversas; peixes de água doce e salgada, com variados sabores, tamanho e aparência; uma enorme quantidade de essências vegetais — tudo isso, tão variado, segundo os empresários, dificulta a comercialização, porque o mercado internacional conhece apenas algumas poucas espécies.

Com freqüência, a enorme biodiversidade da natureza amazônica é concebida como um obstáculo do ponto de vista econômico. Isso porque a moderna sociedade industrial opera a partir de uma produção em escala que não se coadunaria com a fantástica biodiversidade da natureza da Amazônia. Assim, estabeleceu-se um danoso e equivocado mito da incompatibilidade entre biodiversidade e desenvolvimento. Daí porque as políticas públicas têm visado sempre quebrar a "barreira" da biodiversidade e trabalhar com homogeneidade na produção e produção de escala, tal como exige um mercado globalizado.

A que nos levará esse modelo?

O modelo econômico concebido há mais de trinta anos e ainda em curso na Amazônia padece de males inconciliáveis com a vida social, cultural e com a natureza da região.

Do ponto de vista da economia, os governos têm esperado que os investimentos para os quais contribuem sob a forma de facilidades, subsídios, incentivos e infra-estruturas de apoio venham a compensar, largamente, no longo prazo, os empréstimos contraídos para esse fim. Ora, o preço dos produtos primários ou dos produtos semi-elaborados, que se têm constituído na base das atividades econômicas estimuladas pelo modelo econômico, tem caído sistematicamente no mercado mundial.

Trata-se de uma forma de inserção de países subdesenvolvidos no mercado internacional em que os primeiros garantem seu lugar no mercado global à custa de um alto endividamento. Somente um item — a energia subsidiada — já significa uma enorme transferência de renda para os países centrais. De um lado, permanece a dependência aos conglomerados internacionais, posto que estes são os maiores compradores. De outro, as empresas internacionais consorciadas ao capital nacional controlam os preços no mercado interno. Ao final do processo, se há vantagens, elas são muito reduzidas, e isso tende a perdurar enquanto a Amazônia produzir semi-elaborados para o mercado externo.

A expectativa de melhoria nos preços desse tipo de produtos pelos governos chega a ser algo curioso e surpreendente, já que, desde os anos 60, a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) havia desenvolvido teorias demonstrando uma tendência histórica de queda dos preços de produtos semi-elaborados. Na mesma época, divulgou amplamente a tese de que somente a produção de produtos industrializados poderia agregar valor e lucro.

Torna-se, portanto, difícil compreender por que, décadas depois, políticos e técnicos de nível nacional e regional, e dirigentes do Banco Mundial e de bancos brasileiros continuam a insistir no modelo de produção de bens semi-elaborados na região.

Resta perguntar: a quem beneficia essa política, realmente?

É verdade que alguns governos estaduais (o do Pará, em especial) têm se esforçado em completar as cadeias produtivas e exportar produtos acabados.

Contudo, essas iniciativas não têm força suficiente para redirecionar os grandes empreendimentos, já inseridos na economia global sob a forma de produtores de semi-elaborados. Além do que, são experiências isoladas, não alterando os objetivos e políticas federais para a região, que se estruturaram e caminham em direções opostas.

O atual modelo não levará ao desenvolvimento, porque os novos empreendimentos estão constituídos à base de enclaves de produção de semi-elaborados para exportação. Eles não se integram à economia da região e não produzem efeitos em cadeia, isto é, não induzem à instalação de novos empreendimentos decorrentes dos primeiros, porque visam, simplesmente, a exportação de bens num estágio primário ou de semi-elaborados. Se persistir por mais tempo ainda, o atual modelo apenas aumentará as desigualdades sociais, aprofundará os desequilíbrios regionais e levará à destruição enormes estoques de recursos naturais que poderiam servir de real impulso ao desenvolvimento regional.

Assim, as políticas públicas em curso na Amazônia apresentam vários problemas. Mas o mais fundamental é que, ao conceber povo e natureza da região como primitivos, tribais e atrasados, elas submetem o homem da Amazônia em geral a um conflitivo processo econômico que não respeita a cultura e o homem da região. Ao contrário disso, desenraíza o homem, empurrando-o como marginalizado para as periferias das cidades. Na Amazônia, o modelo econômico, além de ser gerador de enormes conflitos sociais, entra em choque com as populações naturais da região ao destruir sua forma de vida, seu ambiente natural e sua identidade cultural. O modelo procura repetir experiências históricas que deram certo noutros países, noutros tempos, noutros contextos culturais e naturais, mas que não são adequadas à nossa região.

Considerações finais

Ao aproximar-me do final deste texto, gostaria de fazer uma série de considerações.

A primeira consideração é a de que, como conseqüência de séculos de exploração e abusos, restou hoje uma estranha sensação de sermos estrangeiros: a sensação de vivermos num lugar desconhecido para nós, lugar onde o outro, o de fora, continua a nos apontar o tipo de cultura desejável para nós, aquilo que devemos valorizar, que coisas devemos explorar, a que sonhos devemos aspirar e o que devemos esperar como futuro. É essa pesada história de esmagamento da identidade cultural dos habitantes da região que nos faz sentir, hoje, como estrangeiros vivendo em nossa própria terra.

A segunda consideração diz respeito à real situação da Amazônia brasileira, despojada ela dos falsos mitos que envolvem sua imagem.

No início de um novo século, a Amazônia vive uma situação sem precedentes: a informação que circula no mundo pôs a nu os danos ambientais ao maior patrimônio natural do planeta Terra, sem que um novo modelo substitutivo tenha sido estruturado.

Mais do que nunca, o governo brasileiro e a Amazônia sofrem pressões internacionais, sem terem respostas e propostas substitutivas e consistentes a oferecer e sem meios concretos de combater a biopirataria ao maior banco de espécies vivas do planeta. É do amplo conhecimento do governo brasileiro que empresas internacionais levam espécies vegetais conhecidas e utilizadas amplamente pelas populações tradicionais (índios e caboclos), desenvolvem com elas medicamentos já conhecidos na região para doenças várias, patenteiam os produtos e os colocam no mercado internacional como mercadorias.

Apesar disso, pouco tem sido efetivado porque a longa crise de quase vinte anos na economia brasileira levou o governo federal a priorizar a contabilidade nacional, em detrimento da organização da sociedade e do apoio à estrutura produtiva das regiões brasileiras.

Diante do quadro, as reações da sociedade têm sido tímidas. Isso porque, ao longo de uma história autoritária e excludente como a da sociedade brasileira, em que o Estado procurou tomar, quase sempre, a liderança na condução dos processos históricos e sociais, a sociedade civil acabou se tornando refém do Estado.

Salvo poucos momentos, a sociedade tem sido, quase sempre, submissa e pouco crítica. E assim, a região entra no terceiro milênio sem uma identidade cultural própria e sem um projeto de desenvolvimento compatível com a sua riqueza natural, com sua gente e com sua variedade cultural.

A terceira consideração diz respeito à necessidade e à urgência em colocar em prática um novo modelo, não apenas econômico, mas que busque um real desenvolvimento para a região amazônica, que não se contente em corrigir os efeitos perversos que caracterizam o atual, mas que comporte também e, ao menos, os seguintes princípios humanísticos ou condições fundamentais:

Respeitar as populações locais e sua cultura, incorporando-as como elementos importantes nas transformações em curso;
Desenvolver uma economia fundada nas noções de ecodesenvolvimento e sustentabilidade da natureza, de modo a preservá-la para as gerações futuras;
Promover a mudança da base produtiva regional (hoje apoiada na exportação de produtos semi-elaborados num extremo e em atividades tradicionais de baixa produtividade noutro), verticalizando a produção — isto é, completando as cadeias produtivas por meio do setor industrial e complementando-as até se chegar a um produto final beneficiado e gerador de riqueza;
Intensificar, através da pesquisa, o estudo do aproveitamento de espécies florestais e animais da Amazônia, reforçando as equipes de pesquisa e os laboratórios de universidades e institutos da região, especialmente nas áreas de biotecnologia, integrando-os com equipes e laboratórios dos centros mais desenvolvidos do país. Assim se poderá desenvolver um modelo econômico que propicie um real aproveitamento do patrimônio florestal em favor da sociedade brasileira. A pesquisa beneficiará a economia, já que ela permite aumentar a produção de espécies atualmente com baixa rentabilidade, encurtar o ciclo de cultivos de longa duração, adensar e enriquecer a floresta com as espécies mais demandadas pelo mercado, etc.;
Disseminar, através de políticas tecnicamente bem orientadas e financeiramente viáveis, viveiros de espécies florestais. Além disso, desenvolver bancos de células de espécies com risco de extinção e o criatório de espécies animais naturais da região — sempre respeitando uma certa biodiversidade, já que, como se tem constatado historicamente, os ecossistemas amazônicos não toleram a homogeneidade que o mercado quer exigir deles. Assim, estaríamos apontando uma nova via econômica com um amplo leque de possibilidades e real aproveitamento dos recursos em favor da sociedade brasileira;
Desenvolver oportunidades de geração de emprego e renda na própria região, para que a Amazônia seja não apenas um lugar de abundância natural, mas também um lugar de justiça e de bem-estar social;
Ser democrático na distribuição da renda, possibilitando à população de baixa renda a participação nos frutos do progresso que, um dia, possam advir para a região.

A quarta consideração concerne à Amazônia como sujeito de sua própria história.

Somente passando a ser o sujeito de sua própria história, e não o objeto de uma história definida e escrita pelo estranho à região, é que o homem da Amazônia poderá reencontrar ou recriar sua identidade perdida, usufruir de uma verdadeira liberdade político-cultural e assim traçar seu próprio destino, para viver como um ser moderno, integrado à natureza e à sua própria cultura, construindo uma história da Amazônia também, ou principalmente, para sua gente.

Se o balanço de quatro séculos não é positivo, não se pode dizer que não existam possibilidades de mudança no futuro. Como mencionou Euclides da Cunha, "A Amazônia é a última página do Gênesis a ser escrita". Neste início de século, resta-nos escrever, e urgentemente, a página anunciada e tão esperada por Euclides da Cunha, apontando as possibilidades e vias para um futuro digno do novo século. O ciclo dos últimos quatrocentos anos pode ter sido um tempo longo, mas talvez necessário e suficiente, para uma tomada de consciência e para a construção de um projeto de vida autenticamente amazônico, compatível com a gente, o rio, a mata, os verdadeiros mitos da terra e com a modernidade de um novo século.

Violeta Refkalefsky Loureiro

Notas

1 Belém, a primeira povoação fundada na Amazônia pelos europeus, data de 1616.
2
E os planos estaduais, com poucas exceções, em poucos momentos se distanciaram dos objetivos e métodos das propostas federais para a região.
3
Estudos científicos indicam que a retirada das árvores mudará o regime de chuvas da região, de vez que quase 50% das chuvas amazônicas resultam da evaporação da floresta.

Fonte: www.scielo.br

Amazônia

Cultura Amazônica

Entende-se por cultura amazônica aquela que tem sua origem ou está influenciada em primeira instância, pela cultura do caboclo. A Cultura amazônica recebe importante influência dos povos indígenas. Os povos indígenas são habitantes originais do Pará. Formam, ainda hoje, sociedades que ajudam a entender o universo amazônico, já que se tratam de povos específicos, com um rico e diversificado patrimônio étnico e cultural. Os registros atuais mostram a presença de 32 povos no território paraense, com aproximadamente 16.000 índios.

A maioria desses grupos fala línguas de três troncos distintos: Macro-jê, Tupi e Karib. São 39 terras indígenas oficialmente reconhecidas, que representam 24,52% da área total do Estado. O calendário de eventos das cidades da região explora elementos como a música, as artes plásticas, o artesanato, e folclores regionais.

A riqueza oferecida pela cultura ribeirinha ocorre pela extensão dos rios e as particularidades do meio onde foi socializado cada grupo, porém oferece um rico arsenal de histórias locais com um olhar próprio.

A Cultura Amazônica onde predomina a motivação de origem rural ribeirinha é aquela na qual melhor se expressam e mais viva se mantêm as manifestações decorrentes de um imaginário unificador refletido nos mitos, na expressão artística propriamente dita e na visualidade que caracteriza suas produções de caráter utilitário – casas, barcos. Mello (2000).

O mito torna-se um elemento fundamental para compreender o processo da cultura amazônica uma vez que decorre de um imaginário unificador e transfigurado. Por meio do mito o ribeirinho materializa a vida da própria natureza, ele cria seu mundo diante do mundo físico que já encontrou construído.

O mito torna-se um elemento fundamental para compreender o processo da cultura amazônica uma vez que decorre de um imaginário unificador e transfigurado.

Por meio do mito o ribeirinho materializa a vida da própria natureza, ele cria seu mundo diante do mundo físico que já encontrou construído.

Como bom exemplo de demonstração da cultura amazônica pode ser citado: o Boi-Bumbá de Parintins, que já conquistou o prestígio internacional e todo o ano atrai milhares de visitantes para a pequena cidade do Baixo Amazonas, para assistir ao grande espetáculo que conta as lendas da Amazônia, retrabalhando os aspectos indígenas.

Em Manaus, uma grande programação pode ser conferida o ano inteiro, desde o carnaval no sambódromo, em fevereiro, até o Carnaboi, em outubro, passando pelo Festival Folclórico do Amazonas, em junho. No interior, diversos municípios também realizam suas festas próprias como Manacapuru, com seu Festival de Cirandas, ou o Festival da Canção em Itacoatiara, com artistas e compositores locais.

Para os admiradores de óperas e shows eruditos, durante todo o ano, o Teatro Amazonas reserva diversas montagens no belo palco do período da Borracha. O Festival Amazonas de Ópera é referência no gênero na América Latina, acontecendo nos meses de abril e maio. Há ainda diversos museus e centros culturais com exposições permanentes que contam a rica história da região.

Mas cada região possui cultura e lendas próprias. Em outros estados da região também existem essas demonstrações culturais.

O folclore é uma das manifestações da cultura popular. E a Amazônia têm um folclore rico que já faz parte do imaginário dos turistas e habitantes de toda a Região. As lendas amazônicas fazem parte da vida de cada morador nos mais distantes recantos verdes.

Desde criança, é comum ouvir histórias como a do boto que se transforma no homem bonito e encanta as mulheres. O mito da Vitória-régia que conta a história da índia que se imortaliza em uma flor. A história da cobra-grande assusta, e para muitos é a explicação para a origem de alguns dos grandes rios. Algumas lendas contam que a floresta é habitada por seres mitológicos que a protegem da fúria de caçadores e madeireiros.

A crença em entes como o curupira, a Iara, o Mapinguari, a Matinta Perera dão a idéia da magia amazônica e das raízes culturais do homem da região. O folclore reserva ainda a formação de grupos folclóricos com músicas próprias, roupas típicas, dançarinos, e ritmos contagiantes, como carimbo.

E como não poderia deixar de ser, a culinária também faz parte da cultura da região e é muito bem servida pela variedade de pratos típicos e riquíssimos em sabores de influência indígena. A culinária regional destaca-se pela enorme oferta de pratos à base de peixes ou frutos existentes apenas nesta porção do planeta.

Cada ingrediente quando combinado com elementos regionais ou o tempero caboclo resulta num paladar impossível de não encantar pelo exotismo do preparo.

Temperos como a pimenta malagueta, pimenta de cheiro e o tucupi são ingredientes essenciais. Os peixes podem ser cozidos, fritos ou assados.

Só é preciso escolher entre o tucunaré, o tambaqui, o jaraqui ou o bacalhau da Amazônia, o delicioso pirarucu, entre tantos outros apreciados com o complemento específico: a farinha de mandioca.

Os povos indígenas são habitantes originais do Pará. Formam, ainda hoje, sociedades que ajudam a entender o universo amazônico, já que se tratam de povos específicos, com um rico e diversificado patrimônio étnico e cultural. Os registros atuais mostram a presença de 32 povos no território paraense, com aproximadamente 16.000 índios.

A maioria desses grupos fala línguas de três troncos distintos: Macro-jê, Tupi e Karib. São 39 terras indígenas oficialmente reconhecidas, que representam 24,52% da área total do Estado.

TRONCOS LINGÜÍSTICOS

O termo genérico "índio" abrange uma variedade de povos muito diferentes entre si do ponto de vista social, lingüístico e cultural. A língua talvez seja o caminho mais fácil para tornar clara essa diversidade entre os vários povos.

No Estado do Pará destacam-se basicamente três troncos lingüísticos: MACRO JÊ, TUPI e KARIB.

MACRO JÊ

No Estado do Pará a maioria dos povos indígenas, que fala línguas oriundas do tronco linguístico MACRO-JÊ, filia-se à família linguística JÊ, onde se incluem os Parketjê (Gavião) e os Kaipó, divididos em vários subgrupos: A' ukre, Gorotire, Kararaô, Kikretum, Kokraimoro, Kuben-Kranken, Mebgnokre, Menkranotí, Pukanu, Xicrin do Bacajá e Xicrin do Cateté. Esses grupos apresentam características comuns, como o formato das aldeias.

As casas são posicionadas em círculos, com um "centro" formando uma grande praça, considerada o lugar dos homens. Ali eles se reúnem quase todo dia para tomar as decisões. Outro círculo, onde ficam as casas, é o lugar das mulheres, da vida , da reprodução dos indivíduos. O uso da pintura corporal é outra característica marcante desses povos. A pintura define o sexo, a faixa etária, a condição social e momentos importantes na vida do indivíduo (fim do resguardo, nomeação, etc.).

TUPI

Os povos TUPI, em relação à língua, podem ser divididos basicamente em famílias linguísticas TUPI-GUARANI, ou simplesmente TUPI. Há grande variação entre eles: o estilo das aldeias, as formas das casas, terminologias de parentesco, as estruturas cerimoniais, a atitude face à guerra e a importância do Xamanismo.

No Estado do Pará os TUPI são: Juruna, Kuruaya, Munduruku e Xipaya e os Tupi-Guarani são: Amanayé, Anambé, Apiaká, Assuriní, Araweté, Guarani, Kaapor, Kayabí, Parakanã, Suruí, Tembé e Z' oé.

As aldeias Tupi apresentam, aparentemente, forma desordenada, composta, na maioria das vezes, de uma família extensa. As casas ficam perto umas das outras sem uma ordenação aparente, agrupando uma ou mais famílias nucleares. Também fazem uso da pintura corporal, principalmente nas festas cerimoniais. No cotidiano podem ficar sem ela.

KARIB

No Estado do Pará todos os povos KARIB, com exceção dos Arara, situam-se ao Norte do Rio Amazonas. São formados pelos Arara, Aparaí, Hixkaryana, Karafawyana, Katuena, Kaxuyana, Tiryió, Xereu, Wai Wai e Wayana. Entre os do Norte e os do Sul há uma grande afinidade lingüística. No entanto, em outros aspectos culturais, se diferenciam bastante a partir do seu meio ambiente, como o tempo e a freqüência do contato interétnico com outros povos indígenas e com a sociedade nacional. O parentesco tem um papel importante na organização social desses povos. Entre os Wayana-Apalai a composição das aldeias baseia-se, essencialmente, nos laços de parentesco. Geralmente o líder - chamado tamuxi ou tipatakim - é o fundador da aldeia. As aldeias Karib são geralmente pequenas.

Esses povos baseiam-se na cooperação para o trabalho das roças e casas, na troca de alimentos e nas atividades de pesca e caça coletiva.

ECONOMIA INDÍGENA

Os povos indígenas convivem secularmente com a floresta, por isso são exímios conhecedores de seu meio.

Isto lhes capacitou a dominar o meio ambiente e desenvolver tecnologias eficientes e apropriadas na extração, utilização e manutenção dos recursos naturais e fontes disponíveis como: florestas, rios, lagos, igarapés, etc. Assim eles desenvolvem uma economia sustentável produtiva e diversificada, gerando alimentos, medicamentos, utensílios e ferramentas.

Os indígenas observam as regiões e o clima para executar agricultura, caça, pesca e coleta de frutos. Produzem todos os alimentos necessários a uma dieta alimentar rica e balanceada. A atividade comercial decorre de como os grupos julgam necessário. Arte e cultura também integram sua economia. Essa estrutura é alterada a partir de pressões externas.

ÍNDIO E MEIO AMBIENTE

Os povos indígenas habitam o Pará desde tempos imemoriais, vivendo geralmente em territórios específicos, de acordo com o modo de vida sócio - cultural peculiar à cada grupo. Ao longo da História conviveram e se desenvolveram de forma sustentável, preservando o meio ambiente e adquirindo minucioso conhecimento e domínio de sua diversidade biológica e ecológica .

Esta relação interativa com a natureza permitiu-lhes conhecer e criar técnicas específicas de manejo dos diversos ecossistemas, empregando seus conhecimentos no desenvolvimento de tecnologias adequadas à exploração e manutenção do acervo natural e ambiental. O conhecimento indígena, secularmente repassado a seus descendentes, permite que milhões de caboclos produzam e se reproduzam, até hoje, no interior amazônico.

ARTE INDÍGENA

A produção artística das sociedades indígenas cumpre um objetivo sócio - cultural determinado, conforme a estrutura social de cada grupo. É a expressão dos códigos simbólicos produzidos e compartilhados por cada povo a partir de suas experiências e relações com a natureza, entre si e com o sagrado. Estes elementos mostram seu modo de viver, entender e perceber o mundo.

A cultura material indígena é produzida a partir de sua realidade. Isto envolve recursos naturais disponíveis, finalidade, tecnologia, concepções religiosas, estéticas e filosóficas.

Esta junção de elementos acaba por influenciar nas tendências artísticas de cada grupo como: plumária, cestaria, cerâmica e ainda a pintura corporal. Cada peça produzida tem função específica, demonstrando que os índios associam arte e trabalho.

FILOSOFIA E LEI

Os povos indígenas, enquanto habitantes originais do Estado do Pará, tiveram sempre seus direitos fundamentais pouco respeitados, fato responsável pelo desaparecimento gradativo de muitos grupos e de suas culturas. A legislação pertinente aos indígenas foi historicamente baseada na proteção e assistência, objetivando "integração" e "civilização" na perspectiva da sociedade nacional.

A concepção assistencialista está sendo paulatinamente superada, a partir da organização, luta e pressão dos próprios índios que, desta forma, já fizeram avançar consideravelmente seus direitos, assim como assegurá-los na Constituição Federal de 1988, Constituição do Estado do Pará e Lei Ambiental do Estado do Pará Nº 5.887.

CONSTITUIÇÃO FEDERAL

A partir da luta dos índios foi inserido, na Constituição Federal de 1988, o capítulo denominado "DOS ÍNDIOS" (CAPÍTULO VIII- artigos 231 e 232), cujo conteúdo introduz avanços políticos e jurídicos significativos, assegurando direitos cruciais à reprodução biológica e cultural desses grupos.

Desta forma, o Estado reconhece os povos indígenas enquanto povo diferenciado, respeitando e garantindo seus direitos à organização social, língua, costumes, crenças e tradições. Admite ainda seus direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam e os recursos naturais que nelas existem. Cabe à União proteger e demarcar as terras e oferecer educação dentro dos processos de aprendizado próprios desses povos.

CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO PARÁ

A Constituição do Estado do Pará, promulgada em 05 de Outubro de 1989, definiu, em seu CAPÍTULO IX (DOS ÍNDIOS), obrigações institucionais relativas aos povos indígenas que habitam Estado e Municípios. O poder público estadual os defenderá judicialmente através do Ministério Público e apoiará também a implementação de projetos, planos e programas da União quando destinados aos indígenas deste Estado.

As atribuições contidas nesta lei têm substancial importância devido à presença expressiva de indígenas no território paraense, onde toda e qualquer ação e atuação deve observar o respeito quanto à organização social, costumes, línguas, crenças e tradições e, ainda, garantir a posse dos índios às suas terras, assim como o usufruto exclusivo das riquezas existentes nas mesmas.

LEI AMBIENTAL

A Lei Ambiental do Estado do Pará, nº 5.887, de 09 de Maio de 1995, tem como finalidade normatizar os procedimentos, política e ações referentes ao meio ambiente dentro de uma nova perspectiva, que conjuga crescimento econômico, proteção ambiental e desenvolvimento social. O Artigo 2º, parágrafo VIII da referida lei, dispõe especificamente sobre os povos indígenas, observando o respeito à sua organização social e formas tradicionais de organização, visto que indígenas e comunidade regional são partes inseparáveis do meio ambiente amazônico. Deste modo, toda e qualquer política destinada a esse Estado tem que, necessariamente, contemplar as populações que habitam tradicionalmente este território.

Fonte: www.istoeamazonia.com.br

Amazônia

CLIMA DA AMAZÔNIA

1. Introdução

A Bacia Amazônica possui uma área estimada de 6,3 milhões de quilometros quadrados, sendo que aproximadamente 5 milhões em território brasileiro e o restante divido entre os países da Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Esta região é limitada à oeste pela Cordilheira dos Andes (com elevações de até 6000 m), à norte pelo Planalto das Guianas (com picos montanhosos de até 3000 m), ao sul pelo Planalto Central (altitudes típicas de 1200 m) e à leste pelo Oceano Atlântico, por onde toda a água captada na bacia escoa para o mar. Segundo o IBGE, a área da Amazônia Legal no Brasil é de 5032925 km2, compreendidos pelos estados do Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima, Acre e Amapá e parte dos estados do Tocantins, Mato Grosso e Maranhão. Imagens de satélites analisadas pelo INPE estimam em 126.000 km2 a área já desmatada até 1991, com uma taxa de desmatamento anual de 21000 km2.ano-1, durante o período de 1978-1989, decrescendo este valor para 11.130 km2.ano-1 durante os anos de 1990-1991 (INPE, 1992). As regiões que mais sofreram com o desmatamento são as partes Sul e Leste do Pará (após a construção da rodovia Belém-Brasília) e as partes Norte do Mato Grosso e Sul de Rondônia (devido à rodovia Cuiabá-Porto Velho).

A convecção na região Amazônica é um importante mecanismo de aquecimento da atmosfera tropical e suas variações, em termos de intensidade e posição, possue um papel importante na determinação do tempo e clima desta região. A liberação de calor durante a época chuvosa é tipicamente de 2,5 K.dia-1 (Figueroa e Nobre, 1990), o equivalente à uma precipitação de 10 mm.dia-1.

Molion (1987, 1993) estuda as circulações de macro e meso-escala que atuam na Amazônia e os processos dinâmicos que organizam e promovem a precipitação naquela área.

Segundo este autor, os mecanismos que provocam chuva na Amazônia podem ser agrupados em 3 tipos:

a) convecção diurna resultante do aquecimento da superfície e condições de larga-escala favoráveis;
b)
linhas de instabilidade originadas na costa N-NE do litoral do Atlântico;
c)
aglomerados convectivos de meso e larga escala, associados com a penetração de sistemas frontais na região S/SE do Brasil e interagindo com a região Amazônica;

Este trabalho abordará vários aspectos que caracterizam e determinam o clima da região Amazônica. Na seção 1, descreve-se o paleoclima amazônico com base em dados obtidos por estudos geomorfológicos e palinológicos. A descrição geral do clima é realizada no ítem 2, ao passo que os principais sistemas e fenômenos meteorológicos atuantes nesta região são analisados na seção 3 e uma resumo dos principais resultados micrometeorológicos de áreas de floresta e desmatadas (pastagens) são apresentados na seção 4, sendo que resultados de simulações climáticas do efeito do desmatamento encontram-se no ítem 5. Uma descrição suscinta dos principais experimentos realizados a partir dos anos 80 (ítem 6). Este trabalho busca apresentar, de uma maneira compacta, os principais resultados científicos já alcançados pela comunidade brasileira e regional sobre pesquisas na Amazônia.

2. PALEOCLIMATOLOGIA

A Amazônia situa-se na região equatorial e possui um clima quente e úmido, embora este comportamento não tenha sido uma constância durante os últimos 15.000 anos. Alterações da relação Terra-Sol provocaram mudanças significativas na quantidade de energia solar recebida pelo planeta Terra, modificando a composição dos sistemas atmosféricos predominantes e, consequentemente, o clima. A menor insolação provocou movimentos do anti-ciclone do Atlântico Sul e correntes oceânicas frias (corrente das Malvinas) em direção ao equador. Com o resfriamento da temperatura do oceano Atlântico, os ventos alíseos penetraram no continente com menos umidade, provocando um aumento da região de aridez. As principais mudanças climáticas e fitográficas ocorridas durante o período quaternário foram resultados de frequentes alterações interglaciais e glaciais, os quais produziam mudanças bruscas, tais como a troca de vegetação predominante de floresta para savanas, durante períodos de clima mais frio e seco (glacial).

Observações de pólen (Absy, 1985) encontradas em sedimentos indicam que, durante parte do Holoceno (entre 5.000 e 3.000 anos passados), grandes áreas de savanas existiam na Amazônia, aonde atualmente existia floresta. Associado à este resfriamento, ocorreram um abaixamento do nível dos mares, com consequências na quantidade de água na Bacia Amazônica. Diagramas de pólen indicam que também não havia floresta ao final do Pleistoceno (aproximadamente 11.500 anos passados). Entre os anos de 4.000 e 2.100 antes do presente e ao redor do ano de 700 (1200 DC), Absy (1985) sugere que ocorreu grandes variações de precipitação na região Amazônica, causando o abaixamento (e em alguns casos secamento) de rios amazônicos, com mudanças significativas na fauna e flora.

3. CLIMATOLOGIA

O clima atual da região Amazônica é uma combinação de vários fatores, sendo que o mais importante é a disponibilidade de energia solar, através do balanço de energia. A Amazônia, situada na região entre 5 N e 10 S recebe no topo da atmosfera um valor máximo de 36,7 MJ.m-2.dia-1 em Dezembro/Janeiro e um valor mínimo de 30,7 MJ.m-2.dia-1 em Junho/Julho (Salati e Marques, 1984). Estes valores são reduzidos pela transmissão atmoférica mas são, em média, da ordem de 15 MJ.m-2.dia-1. Medidas realizadas na Amazônia Central (Manaus-AM) indicam que os maiores totais de radiação que chegam na superfície ocorrem nos meses de Setembro/Outubro, sendo que os mínimos são nos meses de Dezembro à Fevereiro. Esta distribuição é controlada pela nebulosidade advinda da migração SE/NW da convecção amazônica (Horel et al., 1989).

Devida aos altos valores de energia que incide na superfície, o comportamento da temperatura do ar mostra uma pequena variação ao longo do ano, com excessão da parte mais ao sul (Rondônia e Mato Grosso), que inclusive sofrem a ação de sistemas frontais (denominados localmente por Friagens - veja ítem 3.3). A amplitude térmica sazonal é da ordem de 1-2 C, sendo que os valores médios situam-se entre 24 e 26 C. Especificamente, Belém (PA) apresenta a temperatura média mensal máxima de 26,5 C em Novembro e a mínima temperatura de 25,4 C em Março. Manaus (AM), por outro lado, possui seus extremos de temperatura nos meses de Setembro (27,9 C) e Abril (25,8 C). Salati e Marques (1984) apresentam as médias mensais de 48 estações meteorológicas espalhadas pela Amazônia.

A energia que atinge a superfície terrestre é devolvida para a atmosfera na forma de fluxo de calor sensível (aquecimento) e latente (evapotranspiração). Desta forma, o balanço de energia e umidade interagem, sendo que o saldo de radiação é particionado em termos de calor sensível e/ou latente, dependendo das condições ambientais e de água no solo.

A região Amazônica possui uma precipitação média de aproximadamente 2300 mm.ano-1, embora tenham regiões (na fronteira entre Brasil e Colômbia e Venezuela) em que o total anual atinge 3500 mm. Nestas regiões não existe período de seca. Estes valores de precipitação elevada próximo à Cordilheira dos Andes deve-se à ascenção orográfica da umidade transportada pelos ventos alíseos de leste da Zona de Convergencia Intertropical (ZCIT). Na região costeira (no litoral do Pará ao Amapá), a precipitação também é alta e sem período de seca definido, devido a influência das linhas de instabilidade que se formam ao longo da costa litorânea durante o período da tarde e que são forçadas pela brisa marítima. A distribuição espacial e temporal das chuvas na Amazônia foi detalhadamente estudada por Figueroa e Nobre (1990), utilizando-se de 226 estações pluviométricas, e por Marengo (1995), que usou dados de convecção (Radiação de Ondas Longas) do International Satellite Cloud Climatology Project (ISCCP). O máximo da chuva na região central da Amazônia (próximo de 5 S), pode estar associada com a penetração de sistemas frontais da região sul, interagindo e organizando a convecção local. A distribuição espacial e temporal da precipitação derivada por Figueroa e Nobre (1990) é apresentada na Figura 1 . O período de chuvas ou forte atividade convectiva na região Amazônica é compreendido entre Novembro e Março, sendo que o período de seca (sem grande atividade convectiva) é entre os meses de Maio e Setembro. Os meses de Abril e Outubro são meses de transição entre um regime e outro. A distribuição de chuva no trimestre Dezembro-Janeiro-Fevereiro (DJF) apresenta uma região de precipitação alta (superior a 900 mm) situada na parte oeste e central da Amazônia, em conexão com a posição geográfica da Alta da Bolívia. Por outro lado, no trimestre Junho-Julho-Agosto (JJA), o centro de máxima precipitação deslocou-se para o norte e situa-se sobre a América Central. A região Amazônica, principalmente na parte central, está sobre o domínio do ramo descendente da Célula de Hadley, induzindo um período de seca bem característico. Este comportamente está completamente de acordo com o ciclo anual da atividade convectiva na região, conforme demonstrado por Horel et al. (1989).

Um estudo climatológico da circulação troposférica sobre a região Amazônica foi efetuado por Kousky e Kagano (1981). Usando radiossondagens realizadas na Amazônia Central (Manaus, AM) e Oriental (Belém, PA) durante o período de 1968-1976, os autores encontraram que o vento em altos níveis (200 hPa) é de oeste durante os meses de inverno (junho à agosto) nas duas localidades, embora a intensidade e ocorrência sejam variáveis. Este autores também sugerem, que a distribuição de chuvas na Amazônia esteja relacionada com a posição da Alta da Bolívia. Em relação à água precipitável, esta é aproximadamente constante ao longo do ano, com pequeno decréscimo nos meses de sêca. Salati e Marques (1984) apresentam que o valor médio de água precipitável para Belém (PA) e Manaus (AM) são de 4,2 e 4,4 g.cm-2, com amplitude anual de 1,1 e 0,9 cm, respectivamente.

O balanço hídrico na região Amazônica é difícil de ser calculado, devido a falta de continuidade espacial e temporal das medidas da precipitação, inexistência de medidas simultâneas de vazões fluviais, desconhecimento do armazenamento de água no solo, etc. Entretanto, algumas tentativas de se entender melhor o regime hídrico dentro da bacia hidrográfica tem sido realizadas, através de várias técnicas, tais como o método climatonônico (Molion, 1975), balanço hídrico (Villa Nova et al., 1976), e aerológico ( Salati et al., 1979; Rocha, 1991). Através do balanço de vapor d'água em toda a região Amazônica, Salati et al. (1979) determinou que a precipitação na região é uma composição da quantidade de água evaporada localmente (evapotranspiração) adicionada de uma contribuição de água advinda do Oceano Atlântico. Desta maneira, pode-se estimar que 50 % do vapor d'água que precipita pelas chuvas é gerado localmente (pela evapotranspiração), sendo o restante importado para a região pela fluxo atmosférico proveniente do Oceano Atlântico. Marques et al. (1980) estimou o balanço de água na Amazônia usando a divergência do fluxo de vapor d; água. Em média, a precipitação da bacia é 11,9 x 1012 m3.ano-1 (Villa Nova et al., 1976), sendo que a descarga fluvia do Rio Amazonas no Estreito de Óbidos é 5,5 x 1012 m3.ano-1 (Oltman, 1967). A estimativa da evapotranspiração (método de Penman) foi estimada por Marques et al. (1980), obtendo um valor de 6,4 x 1012 m3.ano-1 . Estes valores são totalmente coincidentes entre si, embora tenham sido obtidos por métodos e fontes diferentes. O balanço hídrico da região também foi estudada por Matsuyama (1992) utilizando-se dados em pontos de grade do ECMWF obtidos durante o período do FGGE. Em seus cálculos para um ciclo sazonal completo, Matsuyama (1992) encontrou uma evapotranspiração (calculada pelo balanço hídrico) de 1139,1 mm, que representa 53% da precipitação de 2152,6 mm. O escoamento superficial foi calculado em 1013,5 mm, sendo a contribuição do fluxo atmosférico de 737,3 mm.

A evapotranspiração da floresta na região Amazônica tem sido objeto de vários estudos (Villa Nova et al., 1976, Marques et al., 1980, Shuttleworth et al., 1987, entre outros), principalmente em casos da evapotranspiração potencial. As estimativas são de que a evapotranspiração potencial média seja de 4,0 mm.dia-1, com variações sazonais decorrentes da existência ou não de chuvas. Entretanto, poucas são as medidas ou estimativas da evapotranspiração real. Marques Filho et al. (1986) e Fisch (1990) realizaram estudos comparativos entre medidas da evapotranspiração real (medida com aparelhos de vórtices turbulentos) e estimativas da evapotranspiração potencial e, utilizando de métodos diferentes (Penman-Monteith no caso de Fisch (1990) e teoria da similaridade para Marques Filho et al. (1986)), chegaram a valores entre a razão das evapotranspirações real e potencial de 0,30 para Fisch (1990) e 0,4 para Marques Filho et al. (1986).

Estes valores são típicos para a estação seca, sendo que, na época chuvosa, Shuttleworth et al. (1987) sugere que a evapotranspiração real seja igual a potencial, uma vez que o solo possui muita umidade.

3. SISTEMAS ATMOSFÉRICOS ATUANTES NA REGIÃO AMAZÔNICA

3.1 - Circulação Geral e Alta da Bolívia

A circulação geral da alta troposfera sobre a América do Sul tem sido bastante estudada nos últimos anos (entre outros Santos, 1986; Carvalho, 1989). Esta região possui uma característica muito particular de apresentar o desenvolvimento de um anti-ciclone em altos níveis (200 hPa), durante os meses de verão, associado com a forte convecção da região Amazônica. Este anti-ciclone foi denominado de Alta da Bolívia (AB), pois situa-se sobre a região do altiplano boliviano. Durante a época de inverno, ocorre a desintensificação da AB, com o seu completo desaparecimento. A localização geográfica da AB possui variação intra-sazonal e inter-anual, associado com a convecção na Amazônia. Santos (1986) observou que, durante anos menos chuvosos na região Amazônica, os centros da AB eram menos intensos. Analisando anos de ocorrência de El-Niño, Jones e Horel (1989) reportam que, a AB localiza-se, em geral, à oeste de sua posição climatológica. Também foi observado por Carvalho (1989) que, para o evento do ENOS 82-83, a atividade convectiva e precipitação na Amazônia diminuiu (veja ítem 3.2), com a desintensificação da AB. A manutenção deste centro quente anti-ciclonônico é devido à convergência, em baixos níveis da umidade que vem de nordeste e de leste. Esta convergência provoca forte convecção, condensação e liberação de calor latente na média/alta troposfera, associada à atividade convectiva. Entretanto, esta atividade convectiva possui um ciclo anual de migração SE/NW, partindo da região Amazônica durante o trimestre DJF e deslocando-se até a América Central (trimestre JJA). A investigação deste fenômeno pode ser efetuada pelas observações pluviométricas (Marengo, 1992) ou pela radiação de ondas longas (ROL), emitida pelo topo de nuvens e aglomerados convectivos (Horel et al., 1989, Marengo e Hastenrath, 1993) e medidos por satélites meteorológicos de órbita polar. Já foi demonstrado que as observações de ROL é um estimador conveniente da precipitação tropical (Carvalho, 1989). Segundo os resultados de Horel et al. (1989), a atividade convectiva sobre a América Tropical possui um deslocamento sazonal ao longo do eixo SE/NW, permanecendo aproximadamente 5 meses em cada hemisfério.

3.2 - El - Niño

O evento do El Niño/Oscilação Sul (ENOS) de 1982-1983 foi um dos mais intensos e afetou o tempo e clima da América do Sul de várias maneiras (Kayano e Moura, 1986). No caso da região Amazônica, este episódeo provocou um período extremamente seco (janeiro/fevereiro) durante a estação chuvosa na Amazônica Central. O desvio da precipitação neste período (valor climatológico menos o valor observado de 82/83), apresentou valores de até - 70% na área de Manaus (AM), com um valor menor na parte mais próxima do Oceano Atlântico ( -20 % em Belém). Este comportamento foi devido ao ramo descendente da célula de Walker deslocar-se para a região sobre a Amazônia, inibindo a formação de atividades convectivas (Nobre e Rennó, 1985; Nobre e Oliveira, 1986). Este período (Janeiro/Fevereiro 82/83) foi caracterizado por possuir o menor índice pluviométrico nos últimos 50 anos. Em Manaus (AM), por exemplo, o total mensal de precipitação foi nulo, época em que a normal climatológica apresenta um valor superior à 300 mm (Nobre e Oliveira, 1986). Em um estudo complementar à este, Kayano e Moura (1986) analisaram a precipitação na América do Sul durante todo o evento do El Niño (junho de 1982 à agosto de 1983), indicando que a Amazônia sofreu uma seca durante todo este período, com total de chuva de aproximadamente 0,5 desvio normalizado menor. Devido a natureza heterogenea da precipitação e da localização de pluviometros/pluviografos (Molion e Dallarosa, 1990), a medida da vazão de rios é uma medida robusta do ciclo hidrológico na área da Bacia. Neste sentido, Molion e Carvalho (1987) analisaram a descarga fluvial de rios na Amazônia e correlacionaram suas vazões com o evento ENOS 82/83. Os resultados obtidos para os Rios Trombetas e Ji-Paraná indicaram que as correlações são positivas, sugerindo que o índice de oscilação sul possa ser um preditor da variabilidade de chuva nesta região. Richey et al. (1989) também mostraram que variabilidade inter-anual do regime de precipitação e descarga fluvial dos rios está associada com eventos de ENOS e possue escala de tempo de 2-3 anos.

Uma série de outros estudos também demonstraram os efeitos do evento ENOS na hidrologia da Amazônia. Aceituno (1988) mostrou uma tendência da diminuição de chuva na Amazonia do Norte, durante anos de El-Niño. Marengo (1991, 1992) mostrou que em anos de El-Niño muito intenso, como foram os anos de 1925-26, 1976-76 ou 1982-83, a precipitação do verão foi mais baixa que nos anos normais sobre a Amazônia do Norte, resultado este que também se observa nos níveis de água anormalmente baixos dos Rios Negro e Amazonas. Um estudo recente de Marengo (1996) para a Amazônia Peruana mostra que os níveis de água do Rio Solimões em Iquitos e as chuvas registradas mostram anomalias negativas durante anos de El-Niño muito intenso. Estudos observacionais realizados por Marengo e Hastenrath (1993), e que foram comprovados por estudos de modelagem do clima de Marengo et al. (1993), mostram que, durante anos de grande aquecimento das águas do Pacifico equatorial central (fenômeno do El-Niño), a ZCIT situa-se anômalamente mais ao norte do que sua posição normal sobre o Atlântico tropical. Consequentemente os ventos alíseos de NE são mais fracos, reduzindo a umidade que penetra no interior da região Amazônica. Sobre o lado oeste do Andes, a convecção que produce chuvas abundantes ao norte do Peru, provoca, por sua vez, movimentos de ar de subsidncia compensatória no lado este, contribuindo para uma menor quantidade de chuva na parte oeste da Amazonia.

3.3 - Friagens

Embora a região Amazônica situa-se geograficamente próxima ao Equador, a parte meridional sofre, eventualmente, da ação de sistemas frontais, provocando o fenômeno localmente denominado de Friagem. O efeito destas invasões de ar polar na Amazônia tem sido pouco estudado e apenas os estudos de Brinkman e Ribeiro (1972), Hamilton e Tarifa (1978), Fisch (1996) e Marengo et al. (1996) detalharam estes efeitos. Fisch (1996) realizou uma estatística simples do número de eventos de Friagem na região do Sul do Pará durante os anos de 1992 e 1993 e obteve uma frequência de ocorrência de 7 casos por ano, durante os meses de maio à agosto. Brinkman e Ribeiro (1972) citam que, no caso da Amazônia Central, ocorrem de 2 a 3 Friagens por ano, durante os meses de seca (junho a outubro). Analisando o evento de uma Friagem que atingiu a região de Manaus (julho de 1969), Brinkman e Ribeiro (1972) mostraram que a temperatura mínima naquele evento foi 12 C menor do que a média climatológica, provocando ventos intensos. No caso das variações dos elementos climáticos, Hamilton e Tarifa (1978) analisaram a penetração de uma intensa frente fria (ocorrida em 1972), que provocou decréscimos na temperatura do ar em Cuiabá (MT) de até 13 C.

Outras observações importantes são a de que ocorre uma mudança de direção do vento (de Norte para Sul), a cobertura de nuvens é total e que o evento se extende até 700 hPa (aproximadamente 3000 m), prolongando-se por 3 dias. Ainda com relação às características meteorológicas da superfície, Marengo et al. (1996) analisaram a extensão espacial das modificações causadas por duas Friagens moderadas ocorridas em 1994, observando que os efeitos mais pronunciados foram obtidos na região do sul de Rondônia (Ji-Paraná), na qual a temperatura do ar atinge valores de 10 C, aproximadamente 8 C abaixo da média climatológica. Nas regiões central e oeste da Amazônia (Manaus - AM e Marabá - PA, respectivamente), o decréscimo da temperatura do ar não foi tão grande, embora a quantidade de umidade atmosférica também tenha diminuído, induzindo que ocorreu a invasão de ar polar (frio e seco). As modificações na estrutura vertical da atmosfera foram estudadas por Fisch (1996a), que observou um aumento intenso da velocidade do vento (principalmente na componente meridional do vento), associado com um forte resfriamento (ao redor de 15 C na camada limite atmosférica). Estas informações foram coletadas em julho de 1993, durante a realização do experimento de campo do RBLE.

3.4 - Linhas de Instabilidade

As Linhas de Instabilidade (LIs) que ocorrem na Amazônia são responsáveis pela formação de chuvas próximo à costa litorânea dos estados do Pará e Amapá, bem como de precipitação na Amazônia Central, durante a estação seca. Estudos preliminares (Coehn et al., 1989) mostraram que estas LIs são um dos sistemas atmosféricos atuantes na área leste do Pará e que contribuem com 45 % da chuva que cai durante o período chuvoso. Estas linhas são caracterizadas por possuir grandes conglomerados de nuvens cumulonimbus e são formadas devido à circulação de brisa marítima, podendo-se prolongar para o interior do continente (denominadas LIP) ou não (LIC). Devido a suas dimensões, estas LIs são facilmente observadas por imagens de satélites. De acordo com Coehn et al. (1989), as LICs constituem 62 % dos casos observados, sendo o restante (38 %) compreendido de LIPs. Cavalcanti (1982) realizou um estudo climatológico e observou que a formação destas linhas posiciona-se ao sul da Zona de Convergência Inter-Tropical (ZCIT), sendo o período de maior frequência na época em que a ZCIT está mais organizada.

Molion (1987) descreve a influência destas LIs na distribuição de chuva da Amazônia Central, observando que, durante à noite e devido à diminuição do contraste térmico oceano-continente, estas LIs praticamente se dissipam, para revigorarem-se no dia seguinte, com o aquecimento da superfície. Os aspectos climatológicos destas LIs na Amazônia foram estudadas observacionalmente por Coehn et al. (1989).

Os resultados obtidos foram de que estas LIs podem atingir o extremo oeste da Amazônia, com velocidade de deslocamento entre 12 e 15 m.s-1 (aproximadamente 13 graus de longitude por dia). O comprimento e a largura médios destas LIs é de aproximadamente 1500 km e 170 km, respectivamente, sendo que os meses com maior frequência de ocorrência é entre abril e agosto (Coehn et al., 1989). Por outro lado, Coehn et al. (1995) estudaram a penetração de Linhas de Instabilidade na região Amazônia Central, durante o experimento ABLE-2B (Garstang et al., 1994) nos meses de Abril-Maio de 1987.

Neste período as LIC compreenderam 23 % dos casos, sendo o restante de LIPs.

Em um estudo de caso de uma LIP intensa ocorrida no início de maio, observou-se que foram 2 mecanismos que provavelmente originaram e propagaram esta LIP: ventos de leste intensos em baixos níveis (entre 900 e 650 hPa) e presença de uma fonte de calor a oeste da Amazônia.

Os autores concluem que as LIs que se propagam na Amazônia são mecanismos complexos, em que ocorre interação entre escalas: larga, meso e micro-escala, sendo esta última provocada por circulações entre nuvens e o ambiente adjacente.

3.5 - Brisa Fluvial

A precipitação é um dos elementos climáticos mais importantes a ser analisado na região tropical, pois induz as características e comportamento dos outros, tais como temperatura, umidade relativa, ventos, etc. Entretanto, a despeito da simplicidade de sua medida, é uma das variáveis meteorológicas mais dificies de ser medida, uma vez que possue erros instrumental, de exposição e mesmo de localização (Molion e Dallarosa, 1990). A brisa fluvial é um mecanísmo físico no qual o ar, devido ao contraste térmico entre água-terra, move-se em direção do continente durante o dia e vice-versa à noite. Imagens de satélites mostram que as nuvens formam-se preferencialmente sobre o continente durante o dia, com movimentos de subsidência na área dos rios. Oliveira e Fitzjarrald (1993) comprovam a existência desta circulação fluvial nos baixos níveis (até 1500-2000 m), possuindo o sentido floresta/rio durante à noite e início da manhã, revertendo o sentido (rio/floresta) durante a tarde e início da noite. Observações radiométricas feitas por avião durante o experimento ABLE observou um gradiente térmico enter rio/floresta de -3 C durante o dia e +6 C à noite (Oliveira e Fitzjarrald, 1993). Certamente estas influências são mais intensas nas regiões em que a largura do rio é considerável, tais como próximo `a Manaus (confluência os Rios Negro e Solimões), Santarém (Rios Tapajós e Amazonas) e Belém (Rios Tocantins e parte sul da Foz do Rio Amazonas). Molion e Dallarosa (1990) mostraram que, considerando-se 4 postos pluviométricos (1978-1988) próximos à Manaus, o menor índice anual (1843 mm) foi o da estação instalada em uma ilha no Rio Negro, sendo o maior indíce (2303 mm) na localidade distante cerca de 100 km.

3.6 - Penetração de Sistemas Frontais e organização da convecção na Amazônia.

Oliveira (1986) realizou um estudo climatológico sobre a interação desta convecção tropical e a penetração de sistemas frontais na região SE do Brasil, utilizando de 5 anos (1977/1981) de imagens de satélites meteorológicos. Estes sistemas frontais provocam a organização e formação de uma banda de nuvens orientada no sentido NW/SE (referenciar a ZCAS), que possue sua máxima intensidade nos meses de verão, aumentando o regime de precipitação da região (época chuvosa). Este aumento de convecção está relacionado com a intensificação do cavado em altos níveis, que é gerado pela penetração da frente.

4 - SIMULAÇÕES CLIMÁTICAS DO DESMATAMENTO DA FLORESTA TROPICAL

Na última década, a Amazônia tem sido foco de atenção mundial devido à sua riqueza mineral, à sua grande biodiversidade de espécies florestais e também pelos efeitos que o desmatamento em grande escala pode provocar no clima regional e global.

Com relação à associação floresta-clima, o desenvolvimento da informática facilitou a utilização de modelos numéricos de Circulação Geral da Atmosfera (MCGAs) para se estudar o efeito das trocas de energia entre a superfície e a atmosfera. Como ferramenta de análise da problemática do desmatamento, vários estudos de simulação numérica do clima em situações de floresta e desmatamento (troca de superfícies vegetadas de floresta po pastagens) já foram realizados (por exemplo Dickinson e Henderson-Sellers, 1988; Lean e Warrilow, 1989, Nobre et al., 1991; Henderson-Sellers et al., 1993; Lean e Rowtree, 1993; Manzi, 1993, Lean et al., 1996). De modo geral, os resultados obtidos convergem em que ocorrerá um aumento de temperatura do ar próximo à superfície (variando de 0,6 à 2,0 C), uma redução nos totais de precipitação e evaporação (de 20 a 30% do valor de floresta) e uma estação seca mais prolongada. Estas modificações certamente acarretarão implicações ecológicias gravíssimas. Em um estudo preliminar, Nobre et al. (1989) estudaram os impactos climáticos devido ao desmatamento e obtiveram um aumento da temperatura do ar de 1,3 C. Este aquecimento relativo da superfície de terra desmatada e do ar imediatamente acima é consistente com reduções na evapotranspiração e no fluxo de calor latente, uma vez que uma maior fração de energia radiativa está disponível para aquecer a superfície terrestre e o ar acima.

Além disso, a redução no comprimento de rugosidade diminui a eficiência dos processos de troca turbulenta, contribuindo para um aumento de calor na superfície e na camada próxima à ela.

No caso do balanço de energia à superfície (média espacial da área considerada) mostra que a radiação solar absorvida pela superfície é menor no caso desmatado (186 W.m-2) do que na área de floresta (204 W.m-2), devido às variações do albedo: aumentou de 12,5 % no caso floresta para 21,6 % no cenário pastagem.

O estudo efetuado por Lean et al. (1996) representa as condições de fronteira e inicial mais realistas do cenário da Amazônia, uma vez que os parâmetros de controle (por exemplo fração da vegetação coberta, tipo de solo, difusividade hidraúlica, etc) e de superfície (albedo, comprimento de rugosidade, índice de área foliar, etc) foram extraídos do conjunto de dados do ABRACOS. Os resultados obtidos foram coincidentes com os descritos por Nobre et al. (1989) com redução na evaporação e precipitação e aumento da temperatura do ar na superfície.

A diferença mais notável foi que a redução na evaporação de 0,81 mm.dia-1 (do cenário de floresta (4,32 mm.dia-1) para pastagem (3,51 mm.dia-1)) foi parcialmente compensada por um aumento de convergência de umidade, resultando em uma redução de precipitação menor (redução de 7 % do caso floresta para pastagem).

Também ocorrem diferenças regionais (Amazônia Sul e Norte): no caso da precipitação, por exemplo, ocorrem uma redução em todos os meses da parte sul, embora existam meses com redução e outros meses com aumento na parte norte. Para a temperatura do ar, o valor global na pastagem foi a de um aumento de 2,3 , devido à um crescimento do fluxo de calor sensível (+ 30 % do caso de floresta).

Estes dois artigos supra citados abordaram as modificações climáticas a nível regional. Por outro lado, Fisch et al. (1996c) analisaram com detalhes o comportamento de variáveis meteorológicas na região específica de Ji-Paraná (RO) em áreas de floresta e pastagem, utilizando-se de resultados gerados por Lean at al. (1996). Nestas análises usou-se um conjunto de dados (valores horários durante um período de 15 meses) gerados após 5 anos de integração. De modo geral, a substituição de floresta por pastagem provoca, a nível sazonal, uma redução no saldo de radiação de ondas curtas (8%) e total (3 %), um aumento na temperatura média do ar (0,9 C), uma redução pequena na umidade específica do ar, um aumento da velocidade do vento, uma redução na evaporação e precipitação (de 20 % e 14 %, respectivamente) e um período de seca mais prolongado (a época seca (total mensal inferior a 50 mm) estende-se de junho-julho no cenário floresta para maio à agosto no caso pastagem. Com a escolha de um mês tipicamente úmido (janeiro) e um mês ao final da época seca (setembro), analisou-se o comportamento horário dos fluxos de energia e dos elementos climáticos. O saldo de radiação (ondas curtas e total) é superior na floresta em relação à pastagem, em ambas as estações. A razão de Bowen é tipicamente de +0,3 durante a época chuvosa, aumentando para valores entre 1,0 e 3,0 durante a estação seca. No caso da temperatura do ar, a floresta apresenta um valor máximo maior do que de pastagem (1,2 C) durante o período das chuvas e é inferior ao mínimo da temperatura da pastagem na estação seca (-2,5 C) . Obteve-se valores de umidade específica similares na floresta e pastagem durante a estação chuvosa (típicamente 16 g.kg-1), embora diferentes (floresta 16 g.kg-1 e pastagem 10 g.kg-1) na época seca. A velocidade do vento é mais intensa na pastagem em relação à floresta, sendo que no período seco a pastagem apresenta ventos de até 3,5 m.s-1.

Comprovando estes resultados, Paiva e Clarke (1995) analisaram estatísticamente as séries temporais de 48 postos pluviométricos na Amazônia e encontraram que, embora haja tendências estatísticas sobre as anomalias positivas ou negativas, há indícios de que tendências negativas são mais comuns de ocorrerem do que as positivas, sendo também mais frequentes nas partes da Amazônia Central e Oeste. A parte leste possui mais tendências positivas, provavelmente em função da proximadade do Oceano Atlântico e brisa marítima. Ressalta-se que, neste estudo, algumas séries temporais continham apenas 15 anos ou menos. Outros estudos que demonstram a variabilidade da precipitação são os de Rocha et al. (1989) e Chu e Hastenrath (1994).

5 - MICROMETEOROLOGIA DE FLORESTA

A seguir, descrever-se-á os principais resultados de micrometeorologia de floresta e pastagem, obtidos pelo Projeto ABRACOS e que foram extraídos de Nobre et al. (1996).

Em média os sítios experimentais de floresta absorveram 11% mais radiação do que as pastagens. Isto advém do fato de que a floresta reflete menos radiação solar e emite menos radiação de ondas longas. O albedo médio da floresta foi de 0,13, ligeiramente mais alto do que o valor usualmente utilizado em simulações numéricas de desmatamento, enquanto que o albedo médio da pastagem foi de 0,18, ligeiramente menor que os valores habitualmente utilizados. Surpreendentemente as gramíneas das pastagens não apresentaram uma forte sazonalidade do albedo, ao passo que o albedo da floresta mostrou uma variação sazonal bem definida, que não ocorre devido aos efeitos de variações do ângulo de elevação solar ou as variações de nebulosidade, mas está correlacionado com a umidade do solo. Embora o albedo dos sítios de pastagem não tenha mostrado uma clara tendência sazonal, variações de mês a mês foram observadas, estando associadas ao índice de área foliar. Em Ji-Paraná, diferenças sistemáticas na radiação solar incidente entre os sítios experimentais de floresta e pastagem foram observadas durante a estação seca. Estas diferenças podem estar relacionadas com o aumento de nebulosidade sobre a pastagem durante aquela época do ano, fato este evidenciado por Cutrim et al. (1995). Em se confirmando essas observações, é um resultado importante na medida que indica um efeito direto da mudança de cobertura vegetal em um fenômeno atmosférico de mesoescala.

As pastagens apresentaram temperaturas máximas durante o dia mais altas e amplitudes de temperatura também mais altas. Geralmente o mínimo de temperatura foi menor à noite para a pastagem. Este resultado está associado provavelmente as baixas velocidades do vento próximo à superfície para as pastagens à noite, o que pode levar à redução dos processos turbulentos de mistura na vertical e maior estabilidade atmosférica. A temperatura durante o dia na área urbana de Manaus foi sistematicamente mais alta que aquela nas duas áreas rurais (pastagem e floresta), mas as temperaturas na cidade à noite foram similares aquelas sobre a floresta. Há pequena variação sazonal de temperatura em Manaus ou Marabá, porém há um resfriamento considerável durante a estação seca em Ji-Paraná, associada à advecção de ar frio de latitudes extratropicais no Hemisfério Sul, devido à passagem de sistemas frontais. Um marcante ciclo anual de umidade foi observado em Ji-Paraná e Marabá, mas não foi observado em Manaus. Valores mais baixos de umidade durante a estação seca estão associados à subsidência de grande escala, que é predominante próximo às fronteiras do domínio florestal (como nas regiões de Marabá e Ji-Paraná no sudeste e sudoeste da Amazônia, respectivamente).

A umidade do solo estudada continuamente durante todo o projeto ABRACOS mostrou que, durante a estação seca, houve sistematicamente maior extração de água no solo sob a floresta, resultando em perfis mais secos ao final da época seca. Há claras indicações de que a floresta está extraindo água a profundidade maiores que 3,6 m (profundidade máxima das medidas de umidade do solo). Estas indicações encontram suporte nas medidas de variações máximas de armazenamento registradas para cada um dos sítios experimentais. O termo de armazenamento do balanço de água não foi nulo ao final do ciclo anual e, se esses resultados fossem extrapolados para a escala regional, a diferença entre a precipitação e vazão fluvial não resultariam na evaporação média anual de grande escala. O quadro geral de água no solo mostra que existem grandes diferenças nas variações sazonais de conteúdo de água no solo, tanto entre floresta e pastagem como entre os sítios experimentais. Essas diferenças ocorrem como resultado dos diferentes regimes de precipitação, combinados com as diferenças propriedades do solo, comportamento do lençol freático e profundidade das raízes das florestas e gramíneas.

Nos quatros anos de medidas de campo do Projeto ABRACOS houve 7 campanhas intensivas de monitoramento do clima. O objetivo dessas campanhas de campo foi o de avaliar os parâmetros físicos que descrevem a micrometeorologia dos sítios experimentais e fornecer estimativas de todas as componentes do balanço de energia, incluindo evaporação, a qual pode ser utilizada para calibrar modelos da superfície vegetada. Durante a estação chuvosa, a partição de energia para evaporação foi similar para floresta e pastagem, mas a evaporação total da pastagem nesta estação foi tipicamente 10 a 15 % menor em comparação com a floresta devido a reduzida energia disponível na pastagem e as rugosidades aerodinâmicas mais suavizadas. Durante a estação seca, as pastagens, que tem raízes mais rasas, foram todas afetadas pela diminuição das reservas de água no solo, apesar que com intensidades variadas dependendo do tipo de solo e precipitação. Nos solos argilosos de Manaus, a transpiração das pastagens declinou rapidamente depois de somente 10 dias sem chuvas. Em contraste, nenhuma atenuação significativa em transpiração foi observada em qualquer dos sítios de floresta durante os períodos secos, inclusive durante as estações secas mais longas em Marabá e Ji-Paraná.

Medições dos fluxos turbulentos de CO2 sobre a floresta da Reserva Jaru mostraram que ocorreu um acúmulo de carbono pela vegetação, que é o resultado do balanço entre a quantidade de carbono absorvida durante a fotossínte e liberada pela respiração. Se for extrapolado para toda a região, estas estimativas significam que a Amazônia seria um sorvedouro de aproximadamente 0,5 Gtoneladas de carbono por ano e teria um papel importante no efeito estufa, se todo este carbono fosse liberado instantâneamente para a atmosfera..

A camada limite atmosférica durante o dia atingiu altura de 700 a 1000 m mais alta sobre áreas com desmatamento do que sobre áreas de florestas na região de Ji-Paraná, o que mostrou-se consistente com as observações de aumento do fluxo de calor sensível à superfície e diminuição da evaporação sobre pastagens em comparação com a floresta. Observou-se também uma pequena diminuição da quantidade total de vapor d'água sobre a pastagem e relação de floresta. A arquitetura de faixas de floresta inseridas em grandes extensões de áreas de pastagem é tal que a justaposição destes dois tipos de superfície (floresta fria e úmida e pastagem quente e seca) pode provocar movimentos de mesoescala (circulação térmica), auxiliando a erosão da camada limite noturna na pastagem. Também ocorre advecção de energia nesta situação.

Estes resultados foram baseados em observações e dados coletados nos três pontos experimentais do projeto ABRACOS. Como consequência da coleta dos dados e do melhor entendimento dos processos físicos envolvidos no efeito do desmatamento, pretende-se utilizar estes resultados para melhorar as previsões numéricas de tempo, principalmente nesta região.

6 - EXPERIMENTOS METEOROLóGICOS REALIZADOS NA REGIãO AMAZôNICA

Nas últimas 2 décadas, vários experimentos micrometeorológicos integrados (veja resumo na Tabela 1 ) foram realizados na região Amazônica, com o objetivo de aumentar os conhecimentos relativos à interação entre floresta tropical e a atmosfera. Individualmente, vários estudos foram feitos por pesquisadores do INPA, Museu Emílio Gueldi e Universidade Federal do Pará (entre outros), sobre estas interações. O experimento ARME (Amazonian Research Micrometeorological Experiment) teve como objetivo a coleta de dados micrometeorológicos da partição de energia pela floresta amazônica e estimativas de evapotranspiração. Vários resultados científicos foram encontrados, dentro dos quais ressalta-se o fato de que a floresta tropical não sofre o efeito do estress hídrico provocado pela falta de chuvas, evapotranspirando na taxa potencial ao longo do ano ( Shuttleworth et al., 1987). Posteriormente, o experimento ABLE (Amazonian Boundary Layer Experiment) foi realizado com o intuito de coletar dados da estrutura da atmosfera da região Amazônica para estudar liberação e ciclos de gases e aerossóis. Os principais resultados científicos estão compilados em dois números especiais (ABLE-2A, 1988 e ABLE-2B, 1990) e em Garstang et al. (1990). O balanço hídrico em larga-escala durante este experimento foi analisado por Souza (1991). Este mesmo assunto foi objeto de um outro experimento científico realizado em novembro e dezembro de 1989 e denominado FLUAMAZON (Fluxo de Umidade na região Amazônica). O objetivo deste experimento foi o de coletar dados de ar superior (radiossondagem) para realizar balanço de umidade na Amazônia, juntamente com medidas isotópicas do vapor d'água e seus resultados foram analisados por Rocha (1991).

Com o intuito de coletar dados dos fluxos de energia e dos elementos climáticos sobre as superfícies de floresta tropical e de pastagem em três localidades distintas da Amazônia, iniciou-se o projeto ABRACOS (Anglo Brazilian Amazonian Climate Observational Study), que teve a realização de missões de coleta de dados em épocas sêcas e úmidas, durante os anos de 1991-1995. Vários resultados científicos importantes foram alcançados, dentre os quais destaca-se a sazonalidade do albedo de floresta tropical (Culf et al., 1995), a sazonalidade da evapotranpiração na área de pastagem, mas não na floresta (Wright et al., 1992), etc.

Estes resultados estão compilados em um livro ("Amazonian Climate and Deforestation" Gash, Nobre, Roberts e Victoria (eds.), 1996). Os conhecimentos científicos sobre a influência do desmatamento no clima na estrutura da camada limite atmosférica foram aumentados com a realização do experimento RBLE (Rondônia Boundary Layer Experiment), com 3 campanhas de coleta de dados durante época seca, em regiões de floresta e pastagem em Ji-Paraná (RO).

As campanhas de coleta de dados foram realizadas em simultâneo com medidas do Projeto ABRACOS.

Os principais resultados estão compilados em Fisch (1996a) e mostram que a camada limite convectiva sobre a área de pastagem é muito mais desenvolvida do que sobre floresta, sendo esta diferença (em torno de 1000 metros mais profunda) devido à maneira como é feito a partição de energia na pastagem: o fluxo de calor sensível é praticamente igual ao de calor latente.

Por outro lado, durante as condições noturnas, a camada limite noturna é mais profunda na floresta (350 m de altura) do que na pastagem (230 m), pois a turbulência mecânica (ventos) auxilia o transporte de energia na floresta.

A descontinuidade térmica na pastagem é superior a da floresta. Lyra et al. (1994) mostram que a estrutura da camada limite atmosférica (CLA) sobre a região de floresta em Ji-Paraná apresenta-se compatível com as observações realizadas na floresta tropical do Congo, ressaltando que a CLA sobre a área de pastagem é, em média, 66 % superior do que no caso floresta, além de não entrar em colapso ao final da tarde/início da noite, mantendo um aspecto estacionário durante todo o período noturno. O papel da vegetação de floresta tropical na liberação/absorção de CO2 atmosférico está sendo estudado, com a realização de uma campanha de coleta de dados do MACOE (Manaus Atmospheric CO2 Experiment), realizado em novembro de 1995, na região de Manaus (AM). O objetivo deste experimento foi o de coletar dados do perfil de CO2 na camada limite noturna em regiões de floresta tropical.

Os dados coletados ainda passam pela fase de consistência e análises (Fisch e Culf, 1996b). Finalmente, em um futuro bastante próximo, será realizado um grande experimento internacional (LBA - Large Scale Biosphere-Atmosphere Experiment in Amazonia) na região Amazônica, que visa integrar todos estes resultados já obtidos, além de tentar entender como a Amazônia funciona atualmente como uma entidade regional, bem como as mudanças nos usos da terra e no clima que irão afetar o funcionamento biológico, químico e físico da Amazônia, incluindo a sustentabilidade do desenvolvimento na região e sua influência no clima. O experimento LBA será uma colaboração internacional, envolvendo Brasil, Estados Unidos e Europa (Reino Unido, Holanda, Alemanha, França, entre outros). O período de coleta de dados está planejado para ocorrer entre 1998-1999, com as análises estendendo-se até o ano 2002.

Com excessão dos dados coletados durante o MACOE, o restante dos dados já coletado na Amazônia encontra-se disponível e fará parte de um grande banco de dados a ser preparado antes do LBA, na forma de CD-ROM.

7 - AGRADECIMENTOS

Os autores desejam expressar seus agradecimentos à todos aqueles que, direta ou indiretamente, realizam pesquisas na Amazônia, tentando compreender melhor a influência da floresta na determinação e caracterização do clima da região. Estes conhecimentos visam melhorar as condições de vida dos Amazônidas.

Gilberto Fisch

José A. Marengo

Carlos A. Nobre

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Fonte: climanalise.cptec.inpe.br

Amazônia

Amazônia abrange uma área de 7.584.421 km2, compreendendo os seguintes países da América do Sul: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela.

Originariamente, foi ocupada por grupos indígenas selvagens e espécies nativas pertencentes à flora e fauna da América do Sul.

O processo de civilização dessas comunidades indígenas teve início a partir da ocupação colonial européia nos fins do século XVIII, com a fundação de missões religiosas, que tinham por finalidade domesticar e catequizar as populações que habitavam as áreas ribeirinhas da Bacia Amazônica. Na ocasião da catequese houve muitos conflitos entre colonos e colonizados, o que provocou a extinção e a fuga de muitas comunidades para o interior da região.

Grupos de cientistas, etnólogos e etnógrafos que estudam a Região desde os primórdios registraram até hoje a existência de milhares de grupos de etnias autóctenes, que ocuparam e ainda ocupam as áreas territoriais dos países da América do Sul, que se diferenciam em seus aspectos culturais, nos usos, costumes e na linguagem.

A Amazônia brasileira inclui os estados do Pará, Amazonas, Maranhão, Goiás, Mato Grosso, Acre, Amapá, Rondônia e Roraima. São 5.033.072 km2 de florestas, terras e águas, equivalente a 5% da biodiversidade mundial e mais de 66% de toda a Amazônia.

A presença de florestas contínuas abrange cerca de 3.650.000 km2, que corresponde a 15% do total da massa biológica vegetal terrestre, formando um ecossistema equilibrado e auto- suficiente, que transforma e reabsorve tudo o que nela morre. Como é o caso das árvores que ao mesmo tempo em que se desagregam do solo e caem, logo surgem do lodo diversas espécies de plantinhas que irão contribuir para a grande variedade de árvores milenares, que variam entre 40 a 300 espécies diferentes por hectare.

Atualmente a biodiversidade da Floresta Amazônica atinge cerca de 5.000 espécies de árvores com mais de 15cm de diâmetro. Nela o ecossistema interage diante das constantes mudanças ambientais, favorecendo a preservação da fauna e da flora, promovendo o perfeito equilíbrio entre a os seres vivos e o meio ambiente.

Exemplos típicos deste fenômeno natural são o reflorestamento que se dá através dos detritos das aves e da contribuição dos peixes, habitantes das águas do rio Amazonas, que além de fazer parte da fauna marinha, desempenham importante papel na preservação florestal, no período das chuvas, quando as árvores permanecem submersas, por muitos meses. Eles se alimentam de seus frutos e depositam as sementes em outros locais, onde em breve surgem novas plantas. Com o tronco das árvores, as raízes e os cogumelos que se aglomeram sob o solo da floresta, dá-se a osmose, que é o processo de filtração dos compostos nutritivos orgânicos e inorgânicos, contidos nas águas das chuvas, evitando que os mesmos escoem para os rios e mares.

A fauna amazônica é considerada uma das maiores reservas da biomassa viva do planeta. Estima-se que exista cerca de 6.000 espécies de animais mamíferos, aves, peixes, insetos, vermes, ratíferos, protozoários, bactérias e fungos.

A bacia hidrográfica da Amazônia é caracterizada por inúmeros rios e igarapés. Seu principal rio é o Amazonas, cuja largura varia entre quatro e cinco quilômetros, chegando a medir em alguns trechos até dez quilômetros de extensão. É o mais extenso e o maior rio do mundo em volume de água. Nasce na geleira de Yarupa no Peru, a cinco mil metros de altitude e percorre cerca de 6.577 Km. Durante este percurso, recebe o nome de Marañon. Quando entra no território brasileiro passa a chamar-se rio Solimões e ao se encontrar com o rio Negro, de Amazonas. Antes de desembocar no Oceano Atlântico, recebe água de mais de mil afluentes, formando a maior e mais complexa rede hidrográfica do mundo com cerca de 6.000.000 km2.

Apesar de existirem, na Constituição Federal, cláusulas que regulamentam a exploração dos recursos naturais renováveis da Amazônia, dentro dos padrões legais de uma política ambiental, com utilização de tecnologias modernas, as práticas de extração de minérios, vegetais (desmatamento), a pesca e caça predatórias tem sido praticadas de forma abusiva, ao longo dos anos. Os próprios habitantes nativos, os posseiros e grandes empresários, utilizando técnicas rudimentares, que provocam graves problemas ao meio ambiente, destroem a biodiversidade, provocando desequilíbrio no ecossistema mundial e influenciando negativamente na qualidade de vida dos habitantes da região.

Há algumas décadas a Amazônia tem se tornado atração universal para brasileiros e estrangeiros, não somente pela extrema beleza natural da fauna e da flora que nela habita, mas pela necessidade de uma intervenção política urgente no gerenciamento socioambiental, a fim de preservar e garantir a sustentabilidade, os recursos naturais não renováveis, a biodiversidade e a qualidade de vida dos povos do planeta.

Regina Coeli Vieira Machado

REFERÊNCIAS
FURTADO, Lourdes Gonçalves. Amazônia: desenvolvimento, sóciodiversidade e qualidade de vida. Belém: UFPA, 1997. 165 p.
LEONEL, Mauro. A morte social dos rios. São Paulo: Perspectiva; Instituto de Antropologia e Meio Ambiente; Fapesp, 1998. 263 p.
SALATI, Eneas et al. Amazônia: desenvolvimento, integração e ecologia. Sâo Paulo: Brasiliense, 1983. 327 p.

Fonte: www.fundaj.gov.br

Amazônia

A Floresta Amazônica está localizada na Região Norte do Brasil, e possui uma área de cerca de 5,5 milhões de km².

Fazendo parte de nove países: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa, é a maior floresta tropical úmida do planeta e com a maior biodiversidade.

No Brasil, a Amazônia Legal se estende por nove estados brasileiros: Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá, Maranhão, Tocantins e parte do Mato Grosso, representando mais de 61 % do Território Nacional.

O Amazonas é o maior estado da Amazônia e também do Brasil, com mais de 1,5 milhão de km². Muito maior que vários países da Europa como Portugal, Inglaterra, Holanda ou Alemanha, por exemplo.

Clima

Localizada na Região Norte do Brasil e cortada pela linha do Equador, a Amazônia tem o clima Equatorial predominante, quente e úmido, com temperaturas anuais variando entre 21ºC e 42º. A temperatura média anual é de 28ºC e caracterizado por umidade elevada durante todo o ano, o que favorece a formação da cobertura vegetal de floresta ombrófila (densa), com árvores de grande porte e folhagens sempre verdes. As chuvas são muito abundantes (entre 3500 e 6000 mm/ano) e, em certos períodos do ano, provoca enchentes, inundando vastas regiões e fertilizando a terra. As precipitações contribuem para a cheia dos rios e auxiliam na transformação das paisagens amazônicas no meio tempo entre a estiagem e o período de chuvas.

População

Não se pode confirmar exatamente desde quando a Amazônia é habitada, mas sabe-se que desde antes da chegada dos europeus, no século XVI, os índios já viviam na região.

Desses mais de 500 anos de história, a formação populacional da Amazônia, assim como a brasileira, preserva ainda hoje características da grande miscigenação entre as diversas raças. Herança da colonização européia, o brasileiro, e o povo amazônico, em particular, apresentam traços do índio, o branco e o negro, como nenhum outro no mundo. Ribeirinhos, índios, seringueiros, garimpeiros, pescadores, operários, executivos.

Com cerca de 20 milhões de pessoas vivendo nos nove estados da Amazônia Legal, a densidade demográfica é de cerca de 3,4 habitantes por Km2, com 62% da população vivendo nos centros urbanos.

Economia

A Economia se desenvolveu com a preocupação de inserção da Amazônia ao contexto brasileiro.

Ao longo da História, diversas fases marcaram o crescimento econômico da região, como o período da Borracha, na segunda metade do século XIX, quando a Amazônia presenciou um período rico e de crescimento de grandes cidades como Manaus e Belém, e durou até a década de 20. Hoje a região apresenta atividades econômicas estruturadas em um Pólo Industrial com empresas certificadas pelo nível zero de poluição, e essencial para o equilíbrio financeiro local, por meio da geração de milhares de empregos diretos e indiretos na capital e interior. O sistema de importação e exportação do Pólo Industrial de Manaus (PIM), a maior capital da Região Norte, desenvolveu os sistemas de transporte fluviais e aéreos, com base no Porto Flutuante de Manaus e no aeroporto internacional Eduardo Gomes, um dos principais terminais de carga do país. A criação da Zona Franca de Manaus representou ainda um crescimento demográfico sem precedentes na região, complementado com o grande registro de imigrantes, a atividade de garimpeiros e o êxodo rural.

Biodiversidade

A biodiversidade amazônica ainda reserva muitos segredos desconhecidos da humanidade. As florestas da região concentram 60% de todas as formas de vida do planeta, mas calcula-se que somente 30% de todas elas são conhecidas pela ciência. Quantos segredos e novas espécies de peixes, pássaros, bichos ou microorganismos ainda desconhecemos? A enorme biodiversidade conta com mais de 3 mil espécies só de árvores, por outro lado determinam a considerável fragilidade dos ecossistemas amazônicos. As árvores gigantescas - algumas com mais de 100 m de altura - vivem basicamente do húmus resultantes da vegetação em decomposição. Da variedade total de espécies animais, vegetais e das propriedades biomedicinais ainda se sabe pouco. Estima-se que a diversidade de árvores na Amazônia varia entre 40 a 300 espécies diferentes por hectare.

Culinária

A Amazônia é muito bem servida pela variedade de pratos típicos e riquíssima em sabores de influência indígena.

A culinária regional destaca-se pela enorme oferta de pratos à base de peixes ou frutos existentes apenas nesta porção do planeta. Cada ingrediente quando combinado com elementos regionais ou o tempero caboclo resulta num paladar impossível de não encantar pelo exotismo do preparo. Temperos como a pimenta malagueta, pimenta de cheiro, o tucupi são essencias.

Os peixes podem ser cozidos, fritos ou assados.

Só é preciso escolher entre o tucunaré, o tambaqui, o jaraqui ou o bacalhau da Amazônia, o delicioso pirarucu, entre tantos outros apreciados com o complemento específico: a farinha do uarini.

Frutas tropicais

A imensa diversidade de árvores frutíferas na Amazônia permite descobrir sabores absolutamente únicos que encantam o paladar de qualquer pessoa. Aromas inusitados, sabores únicos e formas que encantam o olhar misturam-se na diversidade amazônica e fornecem energia e vitaminas a quem as consome. O Cupuaçu tem um sabor muito sutil e ímpar, e dos seus frutos pode-se extrair a polpa para fazer sucos, doces, sorvetes e outras preciosidades. O Açaí, que ficou famoso como poderoso energético, é consumido diariamente em forma de "vinho". Já há, inclusive, registro de consumo do açaí em outros países; os frutos do açaizeiro são sovados em uma peneira e da polpa se extrai o sumo oleaginoso servido com farinha de tapioca. E a pupunha, a uva da Amazônia, com seus deliciosos frutos em cachos, protegidos por espinhos do tronco da árvore, podem ser consumidos apenas após o cozimento.

Folclore

O folclore é uma das manifestações da cultura popular. E a Amazônia têm um folclore rico com suas lendas, os mitos, as músicas populares, a poesia, as danças, que encantam e fazem parte do imaginário dos turistas e habitantes de toda a Região. As lendas amazônicas fazem parte da vida de cada morador nos mais distantes recantos verdes. Desde criança, é comum ouvir histórias como a do boto que se transforma no homem bonito e encanta as mulheres. A história da cobra-grande assusta, e para muitos é a explicação para a origem de alguns dos grandes rios. Algumas lendas contam que a floresta é habitada por seres mitológicos que a protegem da fúria de caçadores e madeireiros. A crença em entes como o curupira, a Iara, o Mapinguari, o Matinta Perera dão a idéia da magia amazônica e das raízes culturais do homem da região. O folclore reserva ainda a formação de grupos folclóricos com músicas próprias, roupas típicas, dançarinos, e ritmos contagiantes.

Artesanato

As peças que compõem o artesanato amazônico são ricas em detalhes indígenas. Cerâmica, colares, pulseiras, utensílios domésticos, e uma infinidade de outras peças decorativas podem ser apreciadas e compradas. O artesanato regional está diretamente ligado a elementos da cultura local, e até mesmo a matéria-prima utilizada para a produção das peças têm origem na floresta, como sementes, fibras, madeiras, ou a argila para compor peças em cerâmicas. Tudo aproveitado pelos artesãos com criatividade, originalidade e beleza, resultando em belos produtos para a venda. Em Manaus, é fácil encontrar produtos do tipo em feiras permanentes e diárias no centro da cidade, ou nos fins de semana, como a Feira do Artesanato, da avenida Eduardo Ribeiro. Outras preciosidades podem ser encontradas ainda em lojas de artesanato ou à exposição em museus. As cerâmicas mais antigas de que se tem registro na Amazônia datam de cerca de 7.000 a 8.000 anos

Cultura

A Cultura amazônica recebe importante influência dos povos indígenas. O calendário de eventos das cidades da região exploram elementos como a música, as artes plásticas, o artesanato, e folclores regionais. O Boi-Bumbá de Parintins, já conquistou o prestígio internacional e todos os anos atrai milhares de visitantes para a pequena cidade do Baixo Amazonas, para assistir ao grande espetáculo que conta as lendas da Amazônia, retrabalhando os aspectos indígenas. Em Manaus, uma grande programação pode ser conferida o ano inteiro, desde o carnaval no sambódromo, em fevereiro, até o Carnaboi, em outubro, passando pelo Festival Folclórico do Amazonas, em junho. No interior, diversos municípios também realizam suas festas próprias como Manacapuru, com seu Festival de Cirandas, ou o Festival da Canção em Itacoatiara, com artistas e compositores locais. Para os admiradores de óperas e shows eruditos, durante todo o ano, o Teatro Amazonas reserva diversas montagens no belo palco do período da Borracha. O Festival Amazonas de Ópera é referência no gênero na América Latina, acontecendo nos meses de abril e maio. Há ainda diversos museus e centros culturais com exposições permanentes que contam a rica história da região.

História da Amazônia

História da Amazônia Portuguesa

As ações dos luso-brasileiros que conduziram à conquista e à manutenção da Amazônia - hoje patrimônio incontestável do povo brasileiro - constituem uma das mais belas páginas de nossa história.

Em quase 200 anos, sobraram coragem, determinação, desprendimento e incontáveis sacrifícios. Homens, em sua grande maioria, mas também mulheres e crianças; brancos, negros e, principalmente, índios, que com enormes dificuldades e vencendo desafios, levaram a cabo a tarefa gigantesca de desbravar tão grande quanto desconhecida região.

Tratado de Tordesilhas

Em fins do século XV, as duas superpotências da época, Portugal e Espanha, com as bençãos da Igreja Católica, acordaram pelo tratado de Tordesilhas a divisão das terras por descobrir, onde atualmente se situam a África e as Américas. Pelo combinado, grande parte do que se conhece hoje por Amazônia brasileira tocaria aos espanhóis.

E realmente foram esses que tomaram a dianteira no reconhecimento da Região. A Francisco de Orellana, intrépido navegador espanhol, credita-se o descobrimento do grande rio Amazonas, por ele navegado, desde a nascente, nos contrafortes dos Andes, a sua foz, nos anos de 1540 e 1541.

Origem do nome

As narrativas fantasiosas do escrivão de bordo, reportando a existência de mulheres guerreiras nas margens do grande rio, as Amazonas, são responsáveis pelo nome que hoje o identifica e à região que acolhe seu vasto caudal.

Expulsão dos Franceses

Seguiram-se outras expedições espanholas com finalidade exploratória, até que franceses tentassem, no norte do Brasil, estabelecer a França Equinocial.

A expulsão do invasor do Maranhão alertou os portugueses para a importância da região contígua: a Amazônia. Como conseqüência, Francisco Caldeira Castelo Branco fundou, em 1616, na foz do grande rio, o Forte do Presépio, origem da atual cidade de Belém. A Amazônia começava a ser brasileira.

É bem verdade que a União das Coroas Ibéricas, a partir de 1580, tornando letra morta a linha de Tordesilhas, facilitara as coisas para Portugal. Afinal de contas, só havia um rei e senhor, o da Espanha; e todas as terras lhe pertenciam. Astutamente, os portugueses se valeriam dessa circunstância histórica para ampliar, o mais a Oeste possível, suas terras na América.

Expedições de Pedro Teixeira e Raposo Tavares

Duas expedições - verdadeiras epopéias - foram decisivas na conquista da Amazônia portuguesa: a de Pedro Teixeira e a de Raposo Tavares.

Em 1637, o Capitão Pedro Teixeira, a frente de um expedição cujo efetivo chegava a cerca de 2.500 pessoas, lançou-se para Oeste, contra a correnteza, pela calha do rio Amazonas, com a finalidade de reconhecer e explorar a região e colocar marcos de ocupação portugueses, até aonde pudesse chegar. E assim foi feito. Valendo-se do conhecimento e da adaptação à selva de mais de um milhar de índios, levou a cabo sua penosa missão, tendo chegado a Quito, na América Espanhola. Tal empreitada, que durou cerca de 2 anos, constitui feito memorável e de suma importância para o reconhecimento, com base no "Uti-possidetis", da presença portuguesa na Amazônia.

Outro grande desbravador da região foi Raposo Tavares. Saindo de São Paulo, em 1648, pela tradicional via de acesso do rio Tietê, atingiu o rio Paraguai, daí o Guaporé, o Madeira e finalmente o Solimões-Amazonas, o qual navegou até Gurupá, no atual estado do Pará, de onde retornou a São Paulo. Três anos foram consumidos nessa jornada reveladora do espírito aventureiro do Bandeirante.

Muitas outras entradas e bandeiras foram empreendidas pelos luso-brasileiros aos rincões da Amazônia, seja em busca do tão sonhado "El Dorado", seja para colher as chamadas "drogas-do-sertão", especiarias muito apreciadas à epoca.

Fortes portugueses

Conquistada a custo de sofrimentos e sacrifícios, a Amazônia precisava agora ser mantida. Era de se esperar que, além dos espanhóis, franceses, holandeses e ingleses, não se conformassem, pacificamente, com a posse portuguesa da Amazônia.

E assim foram à luta. Os últimos tentaram se estabelecer, na margem Norte, junto à foz. Quanto aos espanhóis pressionaram de Oeste para Este, pretendendo conduzir suas ações ao sabor da correnteza. Foi aí que se depararam com as sentinelas de pedra, os fortes da Amazônia, erigidos pelos luso-brasileiros para barrar-lhes o caminho.

Fiéis ao sábio princípio militar de que quem domina a embocadura de um rio domina seu curso, os portugueses estabeleceram suas fortificações na Amazônia em posições estratégicas, ao longo das vias fluviais, em sítios privilegiados para os defensores.

Foi a partir das pranchetas rudimentares de seus engenheiros que os luso-brasileiros começaram a ganhar a guerra pela manutenção da Amazônia.

Entre os mais importantes, além do já mencionado Forte do Presépio, desempenharam papel de fundamental importância para a consolidação da conquista da Amazônia portuguesa, os Fortes de São José do Rio Negro, de Gurupá, de Macapá, de São José de Marabitanas, de São Gabriel das Cachoeiras, de São Joaquim, de São Francisco Xavier de Tabatinga e Príncipe da Beira, entre outros.

Fonte: portalamazonia.globo.com

Amazônia

História da Amazônia

As ações dos luso-brasileiros que conduziram à conquista e à manutenção da Amazônia - hoje patrimônio incontestável do povo brasileiro - constituem uma das mais belas páginas da história da humanidade.

No curso desse mister, que demandou quase 200 anos, sobraram coragem, determinação, desprendimento e incontáveis sacrifícios. Homens, em sua grande maioria, mas também mulheres e crianças; brancos, negros e, principalmente, índios, arrostando dificuldades e vencendo desafios, levaram a cabo a tarefa gigantesca de desbravar tão grande quanto desconhecida região. O que se lerá a seguir é um pequeno relato dessa epopéia que orgulha todos os brasileiros.

Em fins do século XV, as duas superpotências da época, Portugal e Espanha, com as bençãos da Igreja Católica, acordaram pelo tratado de Tordesilhas a divisão das terras por descobrir, onde atualmente se situam a África e as Américas.

Pelo combinado, grande parte do que se conhece hoje por Amazônia brasileira tocaria aos espanhóis.

E realmente foram esses que tomaram a dianteira no reconhecimento da Região. A Francisco de Orellana, intrépido navegador espanhol, credita-se o descobrimento do grande rio, por ele navegado, desde a nascente, nos contrafortes dos Andes, a sua foz, nos anos de 1540 e 1541. As narrativas fantasiosas do escrivão de bordo, reportando a existência de mulheres guerreiras nas margens do grande rio, as Amazonas, são responsáveis pelo nome que hoje o identifica e à região que acolhe seu vasto caudal. Seguiram-se outras expedições espanholas com finalidade exploratória, até que franceses tentassem, no norte do Brasil, estabelecer a França Equinocial.

A expulsão do invasor do Maranhão alertou os portugueses para a importância da região contígua: a Amazônia.

Como conseqüência, Francisco Caldeira Castelo Branco fundou, em 1616, na foz do grande rio, o Forte do Presépio, origem da atual cidade de Belém.

A Amazônia começava a ser brasileira.

É bem verdade que a União das Coroas Ibéricas, a partir de 1580, tornando letra morta a linha de Tordesilhas, facilitara as coisas para Portugal. Afinal de contas, só havia um rei e senhor, o da Espanha; e todas as terras lhe pertenciam. Astutamente, os portugueses se valeriam dessa circunstância histórica para ampliar, o mais a Oeste possível, suas terras na América.

Duas expedições - verdadeiras epopéias - foram decisivas na conquista da Amazônia portuguesa: a de Pedro Teixeira e a de Raposo Tavares.

Em 1637, o Capitão Pedro Teixeira, a frente de um expedição cujo efetivo chegava a cerca de 2.500 pessoas, lançou-se para Oeste, contra a correnteza, pela calha do rio Amazonas, com a finalidade de reconhecer e explorar a região e colocar marcos de ocupação portugueses, até aonde pudesse chegar. E assim foi feito. Valendo-se do conhecimento e da adaptação à selva de mais de um milhar de índios, levou a cabo sua penosa missão, tendo chegado a Quito, na América Espanhola. Tal empreitada, que durou cerca de 2 anos, constitui feito memorável e de suma importância para o reconhecimento, com base no "Uti-possidetis", da presença portuguesa na Amazônia.

Outro grande desbravador da região foi Raposo Tavares. Saindo de São Paulo, em 1648, pela tradicional via de acesso do rio Tietê, atingiu o rio Paraguai, daí o Guaporé, o Madeira e finalmente o Solimões-Amazonas, o qual navegou até Gurupá, no atual estado do Pará, de onde retornou a São Paulo. Três anos foram consumidos nessa jornada reveladora do espírito aventureiro do Bandeirante.

Muitas outras entradas e bandeiras foram empreendidas pelos luso-brasileiros aos rincões da Amazônia, seja em busca do tão sonhado "El Dorado", seja para colher as chamadas "drogas do sertão", especiarias muito apreciadas à epoca.

Conquistada a custo de sofrimentos e sacrifícios, a Amazônia precisava agora ser mantida.

Era de se esperar que, além dos espanhóis, franceses, holandeses e ingleses, não se conformassem, pacificamente, com a posse portuguesa da Amazônia.

E assim foram à luta. Os últimos tentaram se estabelecer, na margem Norte, junto à foz. Quanto aos espanhóis pressionaram de Oeste para Este, pretendendo conduzir suas ações ao sabor da correnteza.

Foi aí que se depararam com as sentinelas de pedra, os fortes da Amazônia, erigidos pelos luso-brasileiros para barrar-lhes o caminho.

Fiéis ao sábio princípio militar de que quem domina a embocadura de um rio domina seu curso, os portugueses estabeleceram suas fortificações na Amazônia em posições estratégicas, ao longo das vias fluviais, em sítios privilegiados para os defensores.

Foi a partir das pranchetas rudimentares de seus engenheiros que os luso-brasileiros começaram a ganhar a guerra pela manutenção da Amazônia.

Entre os mais importantes, além do já mencionado Forte do Presépio, desempenharam papel de fundamental importância para a consolidação da conquista da Amazônia portuguesa, os Fortes de São José do Rio Negro, de Gurupá, de Macapá, de São José de Marabitanas, de São Gabriel das Cachoeiras, de São Joaquim, de São Francisco Xavier de Tabatinga e Príncipe da Beira, entre outros.

Porém, de nada valeriam os Fortes, não fosse a têmpera - mais rija até que a dos canhões apoiados nas amuradas - dos homens que conduziram, principalmente pelo exemplo, os luso-brasileiros à vitória em numerosos embates. Chefes da estirpe de um Francisco Caldeira Castelo Branco, de um Bento Maciel Parente, de um Joaquim Tinoco Valente e de um Manuel da Gama Lobo d’Almada , para os quais nada, inimigo feroz, selva fechada, doenças desconhecidas, índios bravios, clima inclemente, animais selvagens, era capaz de detê-los; quem sabe a morte, no último alento.

Em suma, as ações de desbravamento da Amazônia promovidas pelos luso-brasileiros, via de regra, implicavam a expulsão dos invasores, o estabelecimento de fortificações, a fundação de vilas, a extração de recursos vegetais, o descobrimento de acidentes geográficos, enfim o conhecimento da área.

Como se viu, em conseqüência da conquista e da manutenção da Amazônia, vasto e rico território foi legado ao patrimônio dos brasileiros, de ontem e sempre, que, hoje, só têm o dever de desenvolvê-lo e defendê-lo.

Fortes Região Norte

Centenas de anos antes de a Amazônia virar bandeira ambientalista do mundo inteiro, a região já despertava o interesse de vários países.

Naquele tempo, embora já existissem o boto cor-de-rosa, o peixe-boi, as plantas típicas e a grande biodiversidade de espécies, havia outra preocupação muito menos ecológica: o extrativismo vegetal, que impulsionava a ocupação e o povoamento da Amazônia.

As "drogas do sertão". Como o guaraná, o urucum e alguns tipos de pimenta rendiam bons lucros no mercado internacional e eram alguns dos produtos monopolizados pela metrópole.

Para enriquecer, os desbravadores não se intimidam em avançar pela floresta e os povoados foram surgindo as margens dos rios. Nesse movimento de ocupação, a região foi logo invadida por holandeses, ingleses e franceses, que ali ergueram vários fortes durante os séculos 16, 17 e 18. Portugal só organizou a primeira expedição à região em 1615. Logo depois, montou suas primeiras fortalezas.

Já no Centro-Oeste, a busca de mão-de-obra indígena e a mineração foram as atividades que empurraram os portugueses para o interior. Organizaram-se as bandeiras, expedições exploratórias muitas vezes compostas por milhares de homens, imbuídos de intenso espírito aventureiro, que vagavam durante meses e anos pelo interior do país, conquistando fronteiras e estabelecendo povoados.

Os fortes, em ambas as regiões, foram construídos para garantir o domínio das ricas terras e das fronteiras, conter a cobiça dos invasores e dominar índios rebeldes. Propiciaram também o desenvolvimento de cidades e garantiram o livre trânsito pelas bacias hidrográficas do interior. Cumpriram, por assim dizer, a tarefa de ser guardiões dessas estradas naturais que mantinham as populações locais em contato com o resto do país e escoavam a riqueza do interior.

Fonte: www.exercito.gov.br

Amazônia

AMAZÔNIA, PULMÃO DO PLANETA

Com 60% de sua área em território brasileiro, mais de 200 espécies diferentes de árvores por hectare, 1.400 tipos de peixes, 1.300 pássaros e 300 de mamíferos, totalizando mais de 2 milhões de espécies, a Amazônia representa um terço de toda a área de florestas tropicais do mundo e é essencial para o clima e a diversidade biológica do planeta.

Área de 5,2 milhões de km² , correspondente a 61% do território nacional:

16, 5 milhões de habitantes
12% da população do país
Densidade demográfica de 3,2 habitantes/km²
Maior bacia de água doce do planeta (considerando o aumento populacional e a redução das fontes, a água será uma riqueza inestimável no século XXI)
Mais de 200 espécies diferentes de árvores por hectare
1.400 tipos de peixe
1.300 espécies de pássaros
Mais de 300 mamíferos diferentes
Maior fonte natural no mundo para produtos farmacêuticos e bioquímicos
Áreas de florestas tropicais equivalentes a 1/3 do total do planeta (estimando-se em US$ 1,7 trilhão a reserva de madeiras de lei)
Mais de 30% da biodiversidade da Terra
Jazidas minerais de metais nobres dos mais variados tipos, acumulando recursos da ordem de US$ 1,6 trilhão
Último espaço inexplorado do planeta, com terras propícias à ocupação, significando a possibilidade de aumentar-se entre 60 a 80% o potencial agrícola do país.

Potencial econômico em:

Minerais
Madeiras
Flora
Agropecuária
Biodiversidade
Fonte de matérias-primas farmacêuticas

Amazônia, ampla região natural que se estende entre o maciço das Guianas e o Planalto Brasileiro, e desde o Atlântico até os Andes, na América do Sul, com uma superfície de 7 milhões km2 compartilhada pelo Brasil (em sua maior parte), Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.

Tudo na Amazônia é superlativo: a maior floresta tropical úmida do mundo se encontra em torno da mais extensa rede fluvial do planeta, que por sua vez movimenta o maior volume de água doce disponível na Terra. Ao desembocar no Atlântico, o rio Amazonas tem um caudal de 100 mil m3 por segundo, causador do fenômeno conhecido como pororoca, e a evaporação de parte desse líquido é responsável pelas abundantes chuvas (em torno de 2.500 mm ao ano) que garantem a sobrevivência da vegetação .

Em linhas gerais, a região amazônica corresponde à bacia do Amazonas e seus mais de mil afluentes; mas a parte sul dessa rede fluvial está numa outra região natural, a do cerrado do centro do Brasil , enquanto a maior parte da bacia do Orinoco e dos rios das Guianas tem características amazônicas. A inclusão da extensa região dos cerrados do centro do Brasil na área amazônica é produto do conceito de Amazônia Legal, estabelecido pelo governo brasileiro em 1966, que considera parte dos estados do Maranhão e Mato Grosso, bem como a totalidade do estado de Tocantins, como integrantes daquela região, com a finalidade de que também se beneficiassem dos incentivos fiscais criados para os estados realmente amazônicos.

Sua conformação física corresponde à sua origem sedimentar, alimentada pela erosão dos últimos contrafortes andinos e dos dois antigos escudos pré-cambrianos (o maciço das Guianas e o Planalto Central do Brasil) que a definem, ao norte e ao sul. O resultado foi uma amplíssima depressão com um ligeiro caimento para o leste, que explica as numerosas curvas dos rios amazônicos e o caráter inundável da maior parte do território.

Se vista de um avião a Amazônia parece um imenso tapete verde bastante homogêneo; por baixo das copas das árvores se distingue uma diversidade que é condicionada pela relação entre o terreno, a vegetação e as águas, além de evidenciar a existência de vários "andares" de vegetação, cada um com características próprias bem marcadas.

A chamada várzea alta ou pestana é substituída pelas terras que só são inundadas nas enchentes excepcionais e, por contar com os solos de melhor qualidade, é a parte mais habitada da floresta.

As várzeas são aquelas áreas que permanecem inundadas durante quatro ou cinco meses por ano, na estação das chuvas, o que limita consideravelmente sua utilização econômica, enquanto os igapós, ou floresta inundada, correspondem às áreas que, mesmo ocupadas por vegetação arbórea, permanecem sob as águas a maior parte do ano (nove a dez meses).

Além dessas diferenças, em vários setores aparecem terras altas de pouca fertilidade que são ocupadas por campos abertos com vegetação de transição, como os lavrados de Roraima e os llanos da Colômbia e a Venezuela, verdadeiras ilhas de pradaria em meio à exuberância vegetal da floresta.

Essas características, que por um lado alimentam a enorme biodiversidade da região, que conta com mais de 60 mil espécies só de árvores, por outro lado determinam a considerável fragilidade dos ecossistemas amazônicos. As árvores gigantescas (algumas ultrapassam os 100 m de altura) vivem muito mais do húmus produzido pela vegetação em decomposição do que dos nutrientes dos solos pobres, que seriam rapidamente degradados se privados de sua cobertura vegetal.

A ocupação humana, que se intensificou na segunda metade do século XIX durante o chamado "ciclo da borracha", não ameaçava diretamente aquele equilíbrio uma vez que não precisava retirar as árvores; a economia coletora dos seringueiros, assim como a extração das chamadas "drogas do sertão", destinadas à produção de medicamentos, harmonizava-se com o equilíbrio ecológico.

Essa economia combinava com uma reduzida criação de gado nas áreas abertas e a existência de pouquíssimos centros urbanos de certa importância, como Iquitos, Leticia, Manaus, Óbidos, Santarém e Belém do Pará.

No entanto, especialmente nas últimas duas décadas, a ocupação do território adquiriu novas características que claramente entram em conflito com a preservação do meio ambiente.

A criação da Zona Franca de Manaus teve como resultado um crescimento demográfico sem precedentes na região, e esse impacto foi complementado com a atividade de garimpeiros e empresas mineradoras no amplo arco que acompanha a vertente sul do maciço das Guianas e nas bacias dos afluentes da margem direita do Amazonas. O garimpo, em particular, teve conseqüências graves do ponto de vista ambiental, devido à contaminação por mercúrio dos rios amazônicos.

A isso se somou o avanço da pecuária, trazendo consigo as grandes queimadas destinadas a eliminar a vegetação arbórea para abrir espaço às pastagens, e mais recentemente à atividade das madeireiras, que exploram as madeiras nobres requeridas pelos mercados consumidores dos países ricos.

A proliferação de centros urbanos, cada vez mais numerosos, cria novas necessidades de terras agrícolas próximas, e o resultado global dessa situação é que dez por cento da área total amazônica já foi desmatada.

Os riscos dessa ocupação desorganizada foram postos em evidência em março de 1998, quando as queimadas feitas pelos agricultores no estado de Roraima saíram do controle humano, com a ajuda da seca que afetava a região desde novembro, e provocaram o mais grave incêndio registrado em terras amazônicas. Segundo o governador de Roraima, foram seriamente afetados 40 mil km2 de campos abertos e 10 mil km2 de florestas, enquanto técnicos do grupo ecológico Amigos da Terra calcularam que a quantidade de carbono liberada na atmosfera pelo incêndio foi equivalente à poluição produzida por todas as indústrias de São Paulo em dez anos.

Fauna amazônica

Os peixes e seus companheiros dos rios foram os primeiros moradores do Éden, afinal foi n'água que tudo começou.
Na imensidão do vazio dos céus está a esperança e o sonho de liberdade. Cada pássaro traz em si o desejo de toda a criação pelo infinito e o impossível.
Andar sobre o verde que é mais verde é o destino de animais ainda mais belos que o tapete onde pisam.

A Amazônia tem uma fauna imaginária que supera a realidade mais fantástica.

Cobra grande

É para alguns uma gigantesca sucuri (Eunectes murinus), cobra de hábitos aquáticos. Para outros trata-se de uma descomunal jibóia (Constrictor constrictor), cobra de terra firma, que pelo seu porta avantajado já não pode mais deslocar-se em terra. Existem relatos de cobras com mais 200 metros, sendo suas aparições mais freqüentes no período de secas quando atravessa as terras que separam os lagos onde estão presas, buscando os rios de águas mais profundas.

Dizem que possui força capaz de virar embarcações, matando seus ocupantes. Nas noites escuras seus olhos de fogo encandeiam e hipnotizam os ribeirinhos.

Tapirê-Iauara ou Onça D'água

Vive na várzea de vegetação cerrada e sua aparência é bizarra: cor avermelhada, cabeça e corpo semelhante aos da onça. As patas dianteiras lembram as daquele felino, mas as pats traseiras parecem com as do cavalo. As orelhas, enormes, caem pelos lados da cabeça fazendo estrépito ao bater na água. Dizem que tem o tamanho de boi adulto e é excelente nadadora.

Mapinguari

O Mapinguari é o animal lendário mais fantástico da Amazônia.

Relatos de sua existência são muito freqüentes entre os seringueiros do Acre e Purus. Seria uma espécie de Yeti amazônico ou quem sabe um elo perdido entre o homem e o macaco. Tem um porte avantajado, corpo peludo e aspecto assustador. Recentemente uma equipe de cientistas esteve no Acre em busca de sinais do Mapinguari.

Guariba Bóia

É um outro tipo de cobra que vive na lama ou em poços profundos dos lagos, podendo eventualmente visitar a várzea ou o igapó. Sua principal característica é emitir um ruído muito semelhante ao do macaco guariba, do qual também teria uma cabeça semelhante.

Boto Tucuxi

Existem duas espécies de botos amazônicos. O boto vermelho, que Costeau rebatizou de boto cor de rosa e o boto tucuxi, menor e acinzentado. É história comum entre os ribeirinhos que nas noites de lua cheia o boto tucuxi deixa os rios e transformando-se em um belo rapaz, sai para namorar as moças do lugar.

Como tem o seu respirador na cabeça, o boto sempre de terno branco, traz invariavelmente um chapéu a esconder este orifício. E assim, belo e fogoso, sai a conquistar as moças que mais tarde ficam a chorar saudosas nos barrancos amazônicos.

Fonte: www.geocities.com

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