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Línguas Indígenas no Brasil

As Línguas Indígenas e sua relação com seus universos sócio-culturais

Até 1.500, marco histórico da colonização, eram faladas no Brasil aproximadamente 1.300 línguas indígenas. Epidemias e doenças contagiosas, guerras, caça aos escravos, campanhas de extermínios, destruição dos meios de subsistência, redução dos territórios de caça, coleta e pesca, imposição dos costumes estrangeiros, obrigando a uma assimilação forçada, entre outros, levaram muitos povos indígenas à morte física e cultural. Atualmente, 180 línguas são encontradas pelo território brasileiro, o que significa a destruição de cerca de 85% dessa diversidade.

Apesar dessa violência histórica, ainda hoje há grupos inteiros que só falam a sua língua indígena materna. Há alguns grupos bilíngües, que falam o português e a sua língua indígena. Hoje existem aproximadamente 216 povos indígenas e alguns destes não possuem mais sua língua materna e falam apenas o português (cerca de 46 povos falam apenas o português).

As línguas indígenas brasileiras possuem grande importância cultural e científica. Quando falamos da língua de um povo, estamos também falando da sua cultura, história, percurso geográfico, cosmovisão.

A diversidade lingüística existente no Brasil foi classificada de acordo com suas semelhanças e diferenças. Este estudo sobre as línguas indígenas brasileiras produz um conhecimento a respeito dos universos culturais desses povos. A cultura de um povo é um conjunto de respostas que ele dá às experiências pelas quais ele passa e aos desafios que lhe são feitos ao longo de sua história. E a língua é uma das mais importantes chaves para se iniciar o conhecimento sobre um povo.

A língua, assim como a cultura, também é uma construção social, ou seja, se forma junto com o povo e vai sendo moldada ao longo do tempo, passando por mudanças e sendo, por isso, dinâmica. Um povo pode crescer demograficamente, ter dificuldades com a alimentação, abrigo, defesa, ou pode se dividir, tomando direções diferentes. Tais fatores vão acarretando diversas experiências de vida e respostas diferentes a estes desafios. Tudo isso pode contribuir para a diferenciação entre as línguas.

Pelo grande número de Línguas Indígenas no Brasil, podemos deduzir que por aqui passaram muitos e muitos grupos humanos. Portanto, o conhecimento das línguas indígenas, suas semelhanças e diferenças, nos levam ao conhecimento das experiências e aprendizados acumulados pelos povos que as falam.

Para facilitar a compreensão da classificação das línguas, vejamos uma análise semelhante realizada com as línguas que se originam do Latim. Na medida em que os povos latinos foram vivendo sua história e se estabelecendo em diferentes lugares, compondo e trilhando diferentes experiências, o latim foi se modificando e criando as diversas línguas: como o português, o espanhol, o italiano e outras, agrupadas em "famílias lingüísticas". O Latim é a origem comum de diversas famílias lingüísticas e recebe o nome de "Tronco Lingüístico". .

Uma análise semelhante realizada com as línguas que se originam do Latim: O mesmo processo aconteceu com as línguas indígenas brasileiras, com um agravante: a amarga história de invasão do Brasil pelos colonizadores. Colonização esta que gerou não apenas o extermínio de diversas etnias, mas também a assimilação aos usos, costumes e língua dos colonizadores, que foi tão violenta quanto o genocídio aqui ocorrido.

A maior parte das línguas indígenas se concentra na parte norte ou oeste do Brasil, pelo fato dos primeiros contatos terem acontecido na região leste. Apenas quatro povos desta região conseguiram conservar suas línguas e suas culturas: os Fulni-ô em Pernambuco, os Maxakali em Minas Gerais, os Xokleng em Santa Catarina e os Guarani que migram pelas regiões litorâneas do sul e sudeste.

A classificação em Troncos e Famílias Indígenas Lingüísticas mais aceita pelos estudiosos foi a realizada pelo Professor Aryon Rodrigues (1986). As línguas indígenas brasileiras são classificadas em dois troncos lingüísticos: o TUPI (com cerca de 10 famílias lingüísticas) e o MACRO-JÊ (com aproximadamente 12 famílias). E há ainda outras línguas que não puderam ser agrupadas em troncos e foram consideradas por Rodrigues como famílias lingüísticas de uma etnia apenas (10 línguas que não se identificam com nenhum dos dois troncos). Seguindo este raciocínio, o Brasil tem cerca de trinta e cinco famílias de línguas indígenas.

O tronco Tupi é o maior e o mais conhecido. Os povos indígenas pertencentes a este tronco lingüístico se encontram dispersados geograficamente pelo território brasileiro, geralmente, em regiões úmidas e com florestas ou no litoral.

Os povos indígenas constituintes do Tronco Macro-Jê situam-se em regiões de cerrado e caatinga que vão desde o sul do Pará até o sul do país.

A vida dos povos indígenas é regulamentada por normas e tradições e existe uma profunda ligação com o mundo sobrenatural, o mundo cósmico. Os mitos são narrativas que explicam a origem do mundo e dos seres para cada etnia. E os rituais são cerimônias que marcam as várias fases da vida de um povo, como a gestação, o nascimento, a passagem para a vida adulta, o casamento e a morte. Existem também rituais ligados à plantação, à colheita, à caça e à guerra.

Todos estes momentos rituais são celebrados de acordo com as particularidades culturais de cada povo. Os rituais, a forma da aldeia, a maneira de celebrar a vida e a morte, entre outras características possuem uma profunda ligação com as línguas e o caminho histórico e geográfico percorrido pelos indígenas. Sendo assim, o estudo das línguas e sua classificação, nos aproxima da compreensão dos universos de sentido dos indígenas em toda a sua diversidade.

Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

Línguas Indígenas no Brasil

As línguas indígenas do Brasil, assim como as demais línguas do mundo, por apresentarem semelhanças nas suas origens tornam-se parte de grupos linguísticos que são as famílias língüísticas, e estas por sua vez, fazem parte de grupos ainda maiores, classificadas como troncos lingüísticos. Os troncos com maior número de línguas são Tupi e Macro-Jê. Existem também, povos que falam o Português, no entanto estes casos são considerados como perdas linguísticas ou identidades emergente.

Há famílias, entretanto, que não puderam ser identificadas como relacionadas a nenhum destes troncos. São elas: Aikaná, Arawá, Aruak, Iranxe, Jabutis, Kanoé, Karib, Koazá, Pano, Máku, Makú, Yanomami, Mura, Trumái, Tikuna, Tukano, Katukina, Txapakura, Nambikwára e Guaikuru.

Além disso, outras línguas não puderam ser classificadas pelos lingüistas dentro de nenhuma família sequer, permanecendo à categoria de não-classificadas ou línguas isoladas, como a língua falada pelos Tükúna, a língua dos Trumái, a dos Irântxe etc. Ainda existem as línguas que se subdividem em diferentes dialetos, como, por exemplo, os falados pelos Krikatí, Ramkokamekrá (Canela), Apinayé, Krahó, Gavião (do Pará), Pükobyê e Apaniekrá (Canela), que são, todos, dialetos diferentes da língua Timbira.

Fonte: pt.wikipedia.org

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