Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Rio Amazonas  Voltar

Rio Amazonas

INFORMAÇÕES DETALHADAS SOBRE O RIO AMAZONAS

Nasce no lago Lauri ou Lauricocha (em quíchua, cocha, 'lago'), nos Andes do Peru, a pouco mais de 10° de Lat. S. Corre primeiramente na direção geral sul-norte, como um rio de montanha, com forte gradiente e vertentes muito altas. A partir do Pongo de Manseriche, seu curso se inverte definitivamente para a direção oeste-leste, até a foz, no Atlântico.

Corre, então, quase sempre, a menos de 5° de latitude meridional. Nesse trecho, correspondente à maior parte do curso, o Amazonas tem declive muito fraco e divaga seu leito numa várzea, limitada pelas escarpas de um baixo tabuleiro sedimentar.

No Brasil, o rio Amazonas desce de 65m de altitude, em Benjamin Constant AM, ao oceano, após um percurso de mais de 3.000Km. Tem, portanto, um gradiente médio de 20mm/Km.

O curso médio do Amazonas vai do Pongo de Manseriche, no Peru, até a cidade brasileira de Óbidos, a cerca de 1.000Km da foz, e onde já se fazem sentir os primeiros efeitos das marés.

Os países diretamente banhados pelas águas do Amazonas são: Peru, Colômbia (num curto trecho) e Brasil; mas, compreendidos em sua bacia, estão, ainda: Bolívia, Equador, pequenos trechos da Venezuela e a Guiana (antiga Guiana Inglesa).

No Peru, o rio tem os nomes de Tunguragua, na parte mais alta, e Marañón, até a foz do Ucayali; no Brasil, entre as bocas dos rios Javari e Negro, é conhecido pela denominação de Solimões.

O rio Amazonas tem 5.825Km de extensão. Repete-se , com frequência, que ele ocupa o terceiro lugar entre os rios mais longos do mundo, depois do Nilo (com 7.400Km) e do Mississippi-Missouri (6.418Km); no entanto, este último só é mais extenso que o Amazonas se o seu principal formador for considerado o Missouri.

Na realidade, isto requer uma fixação do conceito de "formador principal".

Nenhum critério físico pode ser considerado de valor absoluto em tal determinação, a saber: o formador de maior volume de águas; o que segue a direção do vale principal; o mais extenso para montante de confluência; o de perfil longitudinal mais rebaixado. Ora, tais condições são preenchidas pelo Ucayali, e não pelo Marañón. Se aquele for considerado o formador principal do Amazonas, terá este último 6.571Km e será superado em extensão apenas pelo Nilo.

Mas a tradição indica o Marañón como o caudal mais importante, assim como também considera o Missouri como tributário do Mississippi. É, pois, o Amazonas o segundo rio mais extenso do planeta.

A bacia do Amazonas é a mais vasta do mundo; tem 5.846.100Km2, sem contar 992.000Km2 da bacia do Tocantins, em geral erradamente adicionada à do Amazonas, embora não deságüe no mesmo, já que tem embocadura independente. A descarga do rio Amazonas é também, por larga margem, a mais volumosa.

Em junho de 1963, o U.S. Geological Survey, associado a universidade do Brasil e à marinha de guerra deste país, mediu a vazão do Amazonas em Óbidos, encontrando um valor de 216.342m3, de água, por segundo.

Vale a pena notar que, mais abaixo do citado local, o Amazonas recebe ainda caudalosos afluentes, como os rios Tapajós, Xingu, Pará e Jari. Estima-se que o Amazonas lance ao oceano uma descarga equivalente a 11% da de toda a massa de águas continentais. É verdade que, geralmente em julho, o rio Amazonas, em Óbidos, já ultrapassou o máximo das enchentes (alcançado em junho), porém está acima do nível médio das águas. O mínimo de vazante ocorre em outubro-novembro. Entre um e outro, o nível das águas do Amazonas varia, em média, 10,55m.

No médio e baixo cursos, as águas do Amazonas correm com uma velocidade média de 2,5Km por hora, que pode aumentar até 7 a 8Km/hora, em Óbidos, onde o grande rio transpõe sua garganta mais estreita em território brasileiro, com cerca de 2.600 metros de largura. Nas águas baixas, sua colossal largura é disfarçada por numerosas ilhas, que dividem o rio-mar em vários braços, chamados, paranás. Somente durante os aguaceiros se perdem de vista as margens.

Fora do estuário, o trecho mais largo do Amazonas, não interrompido por ilhas, fica a cerca de 20Km para montante da boca do Xingu, onde tem 13Km de largura. É claro que, durante as grandes cheias, o Amazonas, pode alcançar, em determinados trechos, 40 a 50Km ou mais de largo.

Desde a embocadura até a cidade de Iquitos, numa distância de 3.700Km, o rio Amazonas é regularmente navegado por navios de alto-mar (da Booth Line), sem qualquer perigo, visto que, em seu talvegue, as profundidades só se tornam inferiores a 20m nas vizinhanças da fronteira peruano-brasileira. Em Óbidos, a profundidade máxima de sua seção tem mais de 50m.

O rio Amazonas recebe grande número de afluentes.

Da margem direita, os mais importantes são: Huallaga, Ucayali (no Peru); Javari, Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu (no Brasil).

Pela margem esquerda: Pastaza, Napo (no Peru); Içá, Japurá, Negro, Trombetas, Paru e Jari (no Brasil).

Em sua foz, o Amazonas se divide em dois braços: o braço norte é o mais largo e corresponde ao verdadeiro estuário; o braço sul é conhecido pelos nomes de rio Pará e baía de Marajó. Na realidade, esta é uma saída falsa, qual o rio Amazonas se liga através de uma série de canais naturais ( os furos de Breves), dos quais o mais importante é o furo de Tajapuru.

As principais ilhas formadas pelo Amazonas são: Marajó, Caviana, Mexiana e Grande de Gurupá. Fora da embocadura, a maior ilha é a de Tupinambarana, junto à confluência do Madeira.

A portentosa hidrografia amazônica apresenta fenômenos muito curiosos. No baixo curso, o mais famoso é a chamada pororoca, encontro violento das águas do rio com as do mar, sobretudo no mês do outubro, quando as águas estão baixas, e por ocasião das marés altas de sizígia. O fenômeno é particularmente sensível nos lugares pouco profundos, onde a sucessão de ondas fortíssimas pode causar danos e naufrágios.

No Guamá e outros rios de planície que desembocam no estuário amazônico, verificam-se duas enchentes por dia, as marés de água doce, provocadas pela variação diurna do nível do mar. Outro fenômeno que se observa no Amazonas e grandes afluentes, em todo o seu percurso de planície, é o das terras caídas, resultante do solapamento das margens.

Especial interesses tem resultado das pesquisas recentes efetuadas sob a direção de H. Sioli, relativamente à coloração das águas dos rios da Amazônia. Os rios negros têm essa cor devido à dissolução de ácido húmico. São portanto águas de pH baixo, e que carregam muito poucos sedimentos.

Esses rios formam belas praias.

São exemplos de rios de água preta: o rio Negro, o Nhamundá, o Maués. Os chamados rios brancos têm águas barrentas; carregam muita matéria sólida fina, e têm por isso, várzeas de solos ricos. Destes são exemplos o próprio Amazonas, o rio Branco (afluente do Negro), o Juruá, o Purus e o Madeira. Os rios transparentes tomam, após as primeiras chuvas, tonalidades verdes, em virtude da grande quantidade de partículas de musgo que transportam. É o caso de Tapajós e do Xingu.

As águas tisnadas de argila do rio Amazonas tingem o oceano Atlântico até uma distância superior a 200Km da costa e diminuem sensivelmente sua salinidade.

Por esse motivo, seu descobridor, o navegador espanhol Vicente Pinzón, deu-lhe, em 1500, a denominação de Mar Dulce. Quem primeiro desceu o Amazonas e lhe deu o nome que tem hoje foi Francisco Orellana, em 1542. Enviado por Gonzalo Pizarro desde o Peru para reconhecer o grande rio, fez de sua viagem uma narrativa fantasiosa, em que, entre outras peripécias, teria sido atacado por índios. A estes, Orellana confundiu com guerreiras, que assimilou às da lenda grega.

Os afluentes mais importantes do Amazonas descem de regiões elevadas, com clima úmido (mais de 1.500mm de chuvas por ano). Têm, por isso, um imenso potencial hidrelétrico. Apesar disso, o rio Amazonas não tem enchentes particularmente danosas.

O Amazonas recebe águas provenientes do sistema Parima ou Guiano, situado no hemisfério norte, e do planalto Brasileiro no hemisfério sul. Uns e outros têm enchentes causadas pelas chuvas de verão. Como as estações se alternam nos dois hemisférios, há uma compensação no regime das águas do coletor principal, denominada interferência. Os rios vindos do sul (margem direita) preponderam, entretanto, pelo volume, desempenhando assim maior papel no ritmo e na altura das enchentes do Amazonas. Menor influência que os afluentes brasileiros tem os formadores que descem dos Andes, cujas águas são alimentadas pelo derretimento das neves.

O médio, como o baixo Amazonas, não corre exatamente no eixo da bacia sedimentar: está ligeiramente deslocado para o norte. Isto faz com que os tributários da margem direita sejam mais longos ( o Juruá, o Purus e o Madeira têm mais de 3.000Km) e mais navegáveis, enquanto os da esquerda são mais curtos e encachoeirados.

O baixo platô de sedimentos terciários do Amazonas é mais largo no interior e se estreita perto do Atlântico. É que antes do soerguimento dos Andes havia lá um grande golfo, aberto para o Pacífico. O levantamento da cordilheira formou um mediterrâneo, que na era terciária foi sedimentado e passou a drenar as águas para leste. A denominação dada por Pinzón, pois, um sentido genético.

Fonte: www.transportes.gov.br

Rio Amazonas

Estudos recentes demonstram que a nascente do Amazonas fica no Nevado de Mismi, uma montanha no sul do Peru. As águas brotam da fralda norte da Cordilheira da Chila, em um paredão denominado Quebrada Carhuasanta, 5.300 metros acima do nível do mar.

O Apurímac-Ucayali corre em direção norte, encontrando-se com o Marañón e tomando a direção geral leste. Após receber o rio Napo e atravessar a fronteira do Peru com o Brasil, passa a ser chamado Solimões.

Em Manaus, o rio Solimões recebe o Negro e daí até a foz é chamado Amazonas. Não apenas seu comprimento e seu volume de água dão destaque ao Amazonas, mas também seus afluentes, entre os quais se encontram alguns dos outros maiores rios do mundo, como o Negro e o Madeira.

Dentro do Brasil, os principais afluentes da margem esquerda do Amazonas são Iça, Japurá, Negro, Trombetas, Paru e Jarí; os da margem direita são Javari, Jataí, Juruá, Tefé, Madeira e Xingu.

Água branca, preta e clara

Os rios chamados de água branca carregam abundantes sedimentos e apresentam na realidade uma cor levemente amarelada. São característicos o próprio Amazonas, o Purus, a Madeira e o Juruá. Os rios de água preta não transportam material em suspensão; suas águas são ácidas e praticamente desprovidas de nutrientes minerais. São casos típicos o Negro e o Urubu. Os rios de águas claras (ou cristalinas) são transparentes ou levemente esverdeados. Carregam poucos materiais em suspensão. São exemplos o Tapajós e o Xingu.

Um mar doce

O Amazonas lança no oceano 176 mil metros cúbicos de água por segundo. Essa vazão é 10 vezes maior que o Mississipi, de 17 mil metros cúbicos por segundo, e quatro vezes maiores que a do Gongo, de 40 mil metros cúbicos por segundo. Avançando sobre o mar, o rio forma uma camada de água doce de dezenas de quilômetros sobre a água salgada. Por isso os primeiros europeus que visitaram o Amazonas o chamaram de “mar de água doce”.

A ictiofauna mais variada

Outra riqueza da bacia amazônica é a sua ictiofauna de água doce, a mais variada do mundo: mais de 2.000 espécies de peixes já foram identificadas. Alguns desses peixes têm ótimo sabor e são apreciados tanto no mercado nacional como no internacional. A demanda de peixes amazônicos para aquário tem aumentado gradualmente.

Amazonas o maior rio do mundo

Considerando que o Nevado de Mesmo, no Peru, é a verdadeira nascente do Amazonas, e que seu canal principal está formado pelo sistema Apurimac-Ucayali-Amazonas, o rio é o maior do mundo não só em volume de água como também em comprimento, pois o seu curso mede 6.850 quilômetros, ultrapassando o Nilo, com seus 6.671 quilômetros.

Há 50 mil anos

Tudo indica que os vales profundos que o rio Amazonas atravessa foram escavados nos sedimentos há 50 mil anos, quando o oceano se encontrava 100 metros abaixo do seu nível atual. Terminada a última glaciação, há 15 mil anos, iniciou-se a elevação do nível do mar e em conseqüência ocorreu um represamento dos rios em seus próprios vales. No decorrer dos milênios seguintes o Amazonas atingiu sua situação atual.

Uma Hidrovia Natural

A profundidade do rio em alguns pontos é de mais de 50 metros; no estreito de Óbidos chega a 100 metros. As melhores condições de navegabilidade ocorrem no canal principal, por onde podem trafegar navios de grande calado durante o ano todo, desde a foz até lquitos, no Peru. Navios oceânicos também podem navegar em alguns dos afluentes, como o Madeira. O sistema fluvial da Amazônia é uma hidrovia natural.

Uma largura variável

De uma margem à outra o rio Amazonas pode apresentar uma largura de até 15 quilômetros, como ocorre na confluência com o Tapajós. Durante as enchentes a diferença de nível pode oscilar entre 10 e 15 metros, de modo que as várzeas inundadas dão ao Amazonas uma largura de até 100 quilômetros.

Se o rio deixasse de correr

O Amazonas é um rio de planície. A partir de Iquitos, que a 3.600 quilômetros do Atlântico, o curso do rio está a 100 metros acima do nível do mar. Na foz do rio Negro, em Manaus, ainda a 1.500 quilômetros do oceano, o desnível em relação ao mar é de apenas 15 metros. No entanto, como a profundidade nesse trecho é de 50 metros, se por algum motivo o rio deixasse de correr, o Atlântico invadiria a calha, formando uma faixa de água salgada que se estenderia até as proximidades de Tefé, várias centenas de quilômetros a oeste de Manaus.

Fonte: www.istoeamazonia.com.br

Rio Amazonas

Nossa paixão sempre foi viajar pelo Brasil. A cada expedição, descobrimos coisas novas, nessa parte do planeta que prima pela megadiversidade de ecossistemas e de culturas. Há vinte anos, quando começamos a planejar nossas viagens, eu e Roberto já tínhamos um projeto de documentar a verdadeira nascente do Amazonas.

Sabíamos que este é o maior rio do mundo em comprimento. Tínhamos lido algumas publicações questionando os critérios adotados para a medição desse grande rio, e que só faltava um fato; os cientistas localizarem a verdadeira nascente, o que acabou acontecendo no final da década de 1980, com auxílio de imagens de satélite.

Em 1994, o Guinness Book já citava o Amazonas como o maior rio do mundo, mas acreditávamos que a medida ali consignada (de 6,750km) ainda não era a correta. Continuamos nossas pesquisas junto a instituições peruanas e então iniciamos, em novembro de 1994, nossa expedição à nascente do maior rio do mundo.

O critério para a medição de todos os rios do planeta é a utilização de seu formador mais extenso - no caso do Amazonas. o Ucayali. Medido, então, a partir de sua nascente verdadeira, a 5.300 metros de altitude, nos Andes no sul do Peru, o Amazonas passaria a medir 6.840 quilómetros - quase 240 quilómetros a mais que a medida atual do rio Nilo depois da construção da represa de Assua. Retornando da expedição, pedimos a ajuda do ÏNPE, Instituto de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos, São Paulo.

E, a partir das coordenadas que fornecemos, o INPE - que é o centro de excelência para imagens de satélite em toda a América do Sul - está fazendo estudos minuciosos para anunciar para o mundo a medida correia do Amazonas, nunca antes divulgada.

Paulo Martini, pesquisador do INPE, de posse dos dados, disse: "As informações que vocês trouxeram foram fundamentais.

Sem dúvida o local da nascente do Amazonas fica nessas encostas da cordilheira de Chila onde vocês estiveram, e não no monte Huagra - portanto, cerca de noventa quilômetros de rio mais ao sul. Uma vez conhecido o lugar onde nasce o Amazonas, fica muito mais fácil chegar à medida final. Os trabalhos deverão ser concluídos em quatro meses."

Os primeiros exploradores chamaram o rio Amazonas de mar - mar Dulce. ou mar doce. E não é para menos. Esse rio monumental despeja no Atlântico um quinto de toda a água doce lançada ao mar por todos os rios do mundo. Na foz, o Amazonas literalmente empurra o oceano até uma distância de 150 quilômetros da costa. E a cada ano esse rio colossal avança um quilômetro, depositando sedimentos sobre o Atlântico.

Em território peruano, o início da saga que revelaria a nova nascente

Rio Amazonas

Estudiosos da Amazónia peruana afirmam há muitos anos que o grande rio sul-americano é o maior do planeta. Em Iquitos, quando o casal de viajantes falou do objetivo da expedição, a população mostrou-se encantada. "Todos queriam nos mostrar cada detalhe do lugar", conta Paula. Na foto da direita, crianças peruanas brincam num igarapé próximo ao Ucayati.

Rio Amazonas

No começo do trecho peruano do rio Amazonas, não se vêem mais as majestosas florestas da Amazônia brasileira. Cem anos depois do período áureo da borracha, as matas estão seriamente desbastadas e só se encontram algumas serrarias inoperantes. Enquanto na época havia navios que saíam diariamente de Iquitos para Manaus e Belém, hoje apenas uma linha cobre o percurso - e só uma vez a cada semana.

Mas nossa perplexidade diante do Amazonas foi ainda maior quando percebemos, nessa expedição, que esse rio nasce junto ao oceano Pacífico e corta transversalmente todo o continente sul-amerícano até desaguar no Atlântico - atravessando dois países e diferentes regiões e culturas. Curiosamente, o Amazonas nasce nos cumes nevados dos Andes do sul do Peru, um dos lugares mais secos do mundo, e corre para a região úmida e quente da maior floresta tropical do planeta. Além disso, é o único grande rio de águas ainda puras, que formam o maior reservatório de água potável do planeta. Junto com seus afluentes, cobre sete milhões de quilômetros quadrados. Só na parte brasileira, esta malha de rios corta regiões de floresta alta, matas de igapó, áreas de cerrado e campos naturais-as várias Amazônias.

Nas muitas expedições que fizemos pela Amazónia brasileira, durante meses. usamos vários tipos de barcos, caminhonetes, tratores, helicópteros e pequenos aviões. Fizemos também longas caminhadas pela mata densa, a chamada floresta alta, compacta e contínua, que compõe a denominada Hiléía Amazônica. Em muitas viagens, nos afastamos do curso do Amazonas e chegamos a percorrer até 1.500 quilómetros de alguns de seus afluentes.

Navegamos em canoa pelas águas do rio Uraricoera, no norte de Roraima, quase fronteira com a Venezuela, num dos pontos mais ao norte da bacia amazôníca.

O Uraricoera é afluente do rio Branco, que é tributário do Negro. Por outro lado, em nosso trabalho de documentação dos garimpos do rio Teles Pires,um dos formadores do Tapajós, já estávamos em Mato Grosso, a cerca de 1.500 quilómetros ao sul do rio Amazonas.

Para quem viaja pelo grande rio, é muito difícil ver animais. A exuberância das matas altas e dos igapós aparece ao longe, nas margens - afastadas por cerca de cinco a seis quilómetros. Nos trechos em que fizemos a viagem de barco, a monotonia tomava conta de nós. Mas, quando entramos nos canais e nos igarapés, pudemos apreciar a riqueza da vida animal da região. Observamos, entre outros, onças, macacos e muitas aves.

Já em território peruano, percorrendo de lanchinha o Amazonas até a confluência do rio Maranon com ollcayali, chegamos a uma distância de 3.800 quilômetros da foz do Amazonas. Há cem anos, no período áureo da borracha, navios saíam diariamente de Iquitos para Manaus e Belém. Hoje só existe uma linha que opera uma vez por semana - um barco chamado de rápido. Nesta parte da Amazónia, próxima à cidade de Iquitos, a floresta é mais baixa, bem menos densa.

Não vemos mais as imensas árvores das florestas do Estado do Amazonas. Ao longo das margens do grande rio, além das casas de palha, encontramos algumas serrarias flutuantes completamente paradas. Uma prova de que naquela região não existe mais madeira nobre para explorar. Mesmo com a floresta já bem desbastada e

pouca diversidade de paisagens, a Amazónia peruana atrai gente de todas as partes do mundo - resultado do forte esquema turístico do Peru. Iquitos, todavia, parece parada no tempo. Ficou isolada, com o fim da era da borracha. Continua uma cidade pequena, com pouquíssimos automóveis circulando.

Explicamos a nossos guias que estávamos fazendo uma reportagem sobre o maior rio do mundo. Todos ficaram encantados. Queriam nos mostrar cada detalhe.

O Instituto de Investigações Científicas da Amazónia Peruana, com sede em Iquitos, já afirma, há muitos anos, que o Amazonas é o mais longo dos rios.

Seguimos então de lanchinha até uns 120 quilômetros ao sul de Iquitos.

Pernoitamos num acampa mento no meio da selva, à margem de um pequeno afluente do Amazonas. Tratava-se de uma instalação rústica, toda de madeira e palha, mas com um pouco de conforto para pesquisadores.

De manhã cedinho, partimos rio acima, em direção à confluência dos rios Ucayali e Maranon - os quais, ao se encontrarem, formam o rio Amazonas. Há muito tempo pensava-se que a nascente do Maranon (e não a do Ucayali, a ver dadeira. como comprovamos) era também a nascente do Amazonas.

Rio Amazonas

No vale do Colca, que alcança 3.223 metros de profundidade, o Amazonas se estreita, para depois seguir recebendo cada vez mais águas ao longo do caminho.

O rio sagrado dos incas, o Urubamba, também é parte do Amazonas

Chegando à foz do Ucayali. percebemos uma coisa fantástica, que não tinha sido citada por nenhum pesquisador: esse rio tem uma vazão muito maior que a do Maranon (este é mais largo, mas muito mais raso). O volume de água e sedimentos que o Ucayali joga no Amazonas forma uma corrente fortíssima nesse trecho peruano. A todo momento tínhamos que tomar cuidado para não bater em imensas árvores arrancadas pela correnteza. Muitas dessas árvores, troncos, galhos e sedimentos vêm de longe, do trecho em que o Ucayali desce a cordilheira dos Andes, formando imensas cachoeiras e corredeiras - os chamados pongos.

O Ucayali, que é o maior formador do Amazonas, tem cerca de três mil quilómetros de extensão e quase dois quilômetros de largura no trecho em que corre na selva. Ele se origina nas nascentes mais remotas do rio Apurimac. nos Andes do sul do Peru.

Decidimos pegar um avião de Iquitos para Lima e depois para Cuzco, evitando a subida dos pongos do Ucayali.

Cuzco, considerada capital arqueológica da América do Sul, impressiona pela beleza da arquitetura colonial espanhola, infelizmente erguida sobre construções inças. Tivemos uma surpresa quando entramos no subsolo de um casario de estilo espanhol e demos de cara com paredes de pedra, primorosamente construídas no estilo inça - blocos com encaixes perfeitos, sem argamassa.

Cuzco, antiga capital do império inça, reúne à sua volta belíssimas ruínas. Mas a antiga cidade de Pisac, encravada na encosta de uma das montanhas do Vale Sagrado, é, pela sua localização, a mais imponente de todas.

De Cuzco fomos de trem até Machu Picchu, descendo depois as montanhas em direção às encostas orientais dos Andes. voltadas para a região amazônica. O trem segue pelo famoso Vale Sagrado, em parte formado pelo Urubamba (o rio sagrado dos inças). O Urubam ba leva prosperidade aos pequenos agricultores da região - proprietários rurais que conseguiram suas terras com a reforma agrária.

Enquanto filmávamos e fotografávamos, percorríamos trechos de montanhas que há meio milénio já tinham um excelente sistema de estradas, ligando Cuzco a todas as partes do império inça. Um império que se estendia por quatro mil quilômetros, desde o noroeste da Argentina até o Equador, mas que estava centrado ali, nos Andes peruanos. No topo dessas montanhas, já cobertas por manchas de mata amazônica, os inças construíram a cidadela de Machu Picchu, que permaneceu majestosa, livre da destruição dos espanhóis. Um pouco mais ao norte dali, as águas do Urubamba se encontram com as do Ucayali, e seguem em direção ao Amazonas.

Deixando para trás a região de Cuzco e Machu Picchu, continuamos a viagem para o sul dos Andes peruanos, em direção a Arequipa.

Nesse trecho da cordilheira dos Andes existem lugares impressionantes: ao viajar entre Arequipa e Andagua, passamos pelo nevado Coropuna, com cerca de 6.500 metros de altitude, e por Toro Muerto, vale repleto de rochas com inscrições.

No lado noroeste da cordilheira de Chila fica o vale dos Vulcões, com 62 vulcões extintos. A paisagem é estranha - pura lava. Quando subíamos as montanhas, sentindo já os efeitos dos 4.500 metros de altitude, demos de cara com um vulcão em plena atividade, expelindo fumaça a cada dez minutos. É o Sabancaya, que tem espalhado cinzas por toda a região. Sabancaya quer dizer língua de fogo em quíchua.

Rio Amazonas

A nascente do rio (ao lado) fica nos Andes, vizinha aos desertos de Atacama e Nazca (foto embaixo). No paredão foi colocada uma placa em honra de Loren Mcintyre; fotógrafo que esteve na primeira expedição científica ao rio, em 1971, mas não na nascente.

Machu Picchu, que permaneceu majestosa, livre da destruição dos espanhóis. Um pouco mais ao norte dali, as águas do Urubamba se encontram com as do Ucayali, e seguem em direção ao Amazonas.

Deixando para trás a região de Cuzco e Machu Picchu, continuamos a viagem para o sul dos Andes peruanos, em direção a Arequipa.

Nesse trecho da cordilheira dos Andes existem lugares impressionantes: ao viajar entre Arequipa e Andagua, passamos pelo nevado Coropuna, com cerca de 6.500 metros de altitude, e por Toro Muerto, vale repleto de rochas com inscrições.

No lado noroeste da cordilheira de Chila fica o vale dos Vulcões, com 62 vulcões extintos. A paisagem é estranha - pura lava. Quando subíamos as montanhas, sentindo já os efeitos dos 4.500 metros de altitude, demos de cara com um vulcão em plena atividade, expelindo fumaça a cada dez minutos. É o Sabancaya, que tem espalhado cinzas por toda a região. Sabancaya quer dizer língua de fogo em quíchua.

Dos áridos desertos do Peru até a floresta tropical úmida

O sul do Peru é uma região extremamente seca. Vizinha ao deserto de Atacama, no Chile (ao sul), e ao deserto de Nazca (a oeste), essa parte da cordilheira dos Andes tem paisagens lunares de areia e pedra. Os vales onde correm os rios e as margens dos lagos são como verdadeiros oásis para plantas e animais - em especial para os flamingos, que vivem em colónias. Os rios de águas cristalinas que descem das montanhas nevadas ficam, aos poucos, cada vez mais volumosos e formam corredeiras - os chamados rápidos.

Fomos em direção às águas que descem do outro lado das montanhas de Chila. Contornamos o lado leste da cordilheira, até a cidadezinha de Chivay. Essa região é tão seca que não tem árvores. As poucas que conseguem crescer nos povoados são regadas diariamente. Em Chivay, que é a capital da província de Cayloma, fizemos três dias de aclimatação, enquanto nosso guia providenciava as mulas para carregar o equipamento.

Nossa alimentação até essa parte da viagem tinha sido ótima: trutas frescas todos os dias, pescadas em vários pontos do rio Colca.

Rio Amazonas

Essa região do vale do Colca era o celeiro dos incas. Recentemente, arqueólogos descobriram, nos penhascos do canyon formado pelo rio, depósitos para armazenamento de grãos. Eles acreditam que os incas escondiam suas reservas de alimento em trechos quase inacessíveis desse canyon, que é o maior do mundo em profundidade, com 3.223 metros. Por toda parte desses vales e montanhas, havia ainda pontes inças e terraços de agricultura com mais de mil anos.

A 3.800 metros de altitude, a passagem por Tuti, o último povoado

Rio Amazonas

Na noite anterior à chegada à nascente, uma nevada se abateu sobre as barracas, tendo a neve atingido a espessura de cerca de trinta centímetros. O vento rompeu os fechos da barraca principal. Embaixo, a barraca-cozinha depois da tempestade. Uma tempestade deixou trinta centímetros de neve entre as barracas

Contornando a cordilheira de Chila, fomos de carro em direção às águas que descem para o Amazonas. Na região da cidadezinha de Cayloma, o rio Apurimac recebe as águas do rio Hornillos e, à medida que vai descendo o Altiplano, vai mudando de nome, sendo rebatizado como Ene, Tambo e Ucayali. Mas, apesar de receber vários nomes, o curso de água formado pelo Apurimac, Ucayali e Amazonas é um só, do sul do Peru até o Atlântico.

Rio Amazonas

Acampar na encosta do nevado Mismi a cinco mil metros de altitude não foi tarefa fácil. Pela manhã, era quase impossível acender um fogo, com tudo 'a volta congelado. Roberto tentou combater o al de altitude, o sorocho tomando chá de folha de coca. O casal desfiou a sorte, subindo a encosta sem cilindros de oxigênio.

Há mais de uma década a maioria das instituições científicas, entre elas a National Geographic Society, dos Estados Unidos, aceita como principal formador do Amazonas o rio Apurimac-Ucayali. Para os cientistas, não há qualquer dúvida - o Amazonas é o maior rio do mundo.

E, a partir de estudos minuciosos de fotos de satélite, foi confirmada a localização precisa da sua verdadeira nascente: no lado norte da cordilheira de Chila, nas encostas do nevado Mismi, lugar conhecido como Quebrada Carhuasanta, província de Cayloma, departamento de Arequipa (15"30'49" de latitude sul e 71"40'36" de longitude oeste, segundo o Instituto Geográfico Nacional, do Peru).

Para chegar lá, saímos de caminhonete de Chivay. Seguimos por uma estradinha entre as montanhas escarpadas, passando por pequenas propriedades rurais e pastos de carneiros e lhamas.

Quase não se vê gente nessa região. O último povoado por onde passamos de carro foi Tuti, a 3.800 metros. Depois seguimos por um difícil caminho de terra até um vale chamado Aquenta, a 4.200 metros. Esse era o lugar onde nosso guia tinha combinado o encontro com os donos das mulas que nos levariam à nascente.

Não dava mais para seguir de carro. Despedimo-nosdo motorista e saltamos com equipamentos e barracas. Para nossa surpresa, os animais eram dois pequenos jumentos da altura de nossa cintura e um cavalinho quase do tamanho deles. Mal deu para colocar nos animais as barracas, o tripé e a mala de equipamento.

Câmaras, VTs e máquinas fotográficas foram na mão.

A partir desse vale, iniciamos uma viagem de quatrodias a pé, subindo as montanhas, mantendo uma altitude média de cinco mil metros.

Tivemos a ajuda de três homens, chamados de arrieros, e de nosso guia, Ivan Bedregal, que explicava: "O problema aqui nos Andes é sempre a altura.

Vamos caminhar entre 4.200 e 5.000 metros e temos que estar bem equipados." Apesar de nossa viagem ocorrer numa região de grande altitude e distante da civilização, não tivemos tempo para providenciar cilindros de oxigénio. Se houvesse algum imprevisto, se alguém passasse mal, estaríamos realmente em apuros.

Deixamos para trás (isto é,para baixo) os últimos vales com um pouquinho de vegetação - os pastos das lhamas, alpacas e carneiros. Dali para a frente, só veríamos terra seca, pedra e um vento frio e cortante. Depois de caminhar durante um dia inteiro, chegamos a uma encosta do nevado Mismi, com um vale um pouco mais abrigado do vento. Nesse lugar montamos acampamento. Desde o início da caminhada, havíamos subido cerca de seiscentos metros.

O problema nessa região não são só as distâncias, mas a dificuldade de transpor montanhas e fazer esforço em tamanha altitude. Ao iniciarmos a subida ao nevado Mismi, eu e Roberto sofremos falta de ar,tonteira, enjoo, muita dor de cabeça e taquicardia. A essa altitude, o coração bate mais rápido para compensar a diminuição do oxigénio no ar.

No último acampamento, 15º abaixo de zero

Rio Amazonas

Roberto comentava: "Vou tomar chá de folha de coca para ver se adianta alguma coisa. Até para tirar uma foto ou caminhar pela encosta a gente se cansa... Já estou me sentindo exausto. O enjoo e a dor de cabeça passaram, mas agora será pior, porque subiremos mais!"

A comida que levamos era bem leve, para facilitar a digestão nas grandes altitudes: maçã, bolachas cream crackers,granola (de dia) e sopa (à noite).

Comíamos muito pouco, mas não sentíamos fome. Além do problema da altitude, estávamos bastante ansiosos. Não podíamos falhar, tínhamos que alcançar nosso objetivo, que era subir até a nascente.

De manhã cedo, tornava-se difícil fazer o chá, porque estava tudo congelado. Como não existem árvores ou arbustos, os arrieros arrancavam a raiz de uma espécie vegetal parecida com um musgo gigante, para servir de combustível. Mas, mesmo com sol, o gelo demorava a derreter.

Rio Amazonas
O esplendor e o perigo se unem no nevado Mismi, o berço do Amazonas. na região, o oxigênio é muito rarefeito

A cinco mil metros de altitude, o majestoso nevado Mismi é uma aventura arriscada mesmo para os que já se acostumaram com as alturas. "A cada dez metros de subida, faltava mais oxigênio", lembra Paula. "Sentimos falta de ar, taquicardia e dor de cabeça." Seus guias, porém, apertavam o passo, sem nada sentir.

Rio Amazonas
Rio Apurimac, depois Ucayali e Amazonas: diversos nomes para as mesmas águas que atravessam a América do Sul

O rio Apurimac (na foto, a quatro mil metros de altitude) é um dos muitos tributários do Amazonas. Em certos trechos, não passa de uma lâmina de água com cerca de dois palmos de espessura. Recebendo águas de outros rios, muda de nome à medida que desce o Altiplano, passando a chamar-se, por exemplo, Ene, Tambo e Ucayali.

Rio Amazonas
Uma das estapas mais difíceis da viagem: a subida final do paredão em direção à verdadeira nascente

Foi uma luta contra o tempo nos dois sentidos: o desejo de chegar ao destino da expedição fez com que todos como que corressem pela encosta em direção à nascente;

E as tempestades de neve sucessivas tornaram a emoção final ainda maior. "Não dá para escrever a sensação: a experiência é de algo que vai marcar para sempre nossas vidas."

Pelo caminho, visões irretocáveis: Machu Picchu e as montanhas de Chila

Rio Amazonas
O pôr-do-sol entre as montanhas de Chila e a beleza da cidadela inca de Machu Picchu foram duas das visões que Paula e Roberto tiveram no decorrer de sua viagem. Muitos dos prédios espanhóis de Cuzco, antiga capital do império inça, foram erguidos sobre engenhosas construções nativas.

Nosso guia e os rapazes que puxavam as mulas andavam num ritmo mais acelerado. Estão acostumados com a altitude desde que nasceram. Mas confessaram que sentiam muito frio, principalmente à noite. Eu e Roberto, que vivemos no Rio de Janeiro, ao nível do mar, caminhávamos mais devagar. Estávamos com o mal da altitude, chamado sorocho.

E precisávamos ficar inteiros para as gravações: Roberto tinha que manter a mão firme para a câmara e eu deveria conservar o fôlego

Nosso guia e os rapazes que puxavam as mulas andavam num ritmo mais acelerado. Estão acostumados com a altitude desde que nasceram. Mas confessaram que sentiam muito frio, principalmente à noite. Eu e Roberto, que vivemos no Rio de Janeiro, ao nível do mar, caminhávamos mais devagar. Estávamos com o mal da altitude, chamado sorocho.

E precisávamos ficar inteiros para as gravações: Roberto tinha que manter a mão firme para a câmara e eu deveria conservar o fôlego para fazer as apresentações.

Não havíamos feito nenhum condicionamento físico para essa viagem, mas estávamos preparados psicologicamente.

A preocupação maior eram as tempestades que naquela época começam a cair na região. Durante nossa caminhada, subindo as encostas do Mismi, víamos ao longe as tormentas rondando pelas imensas montanhas que nos cercavam. De onde estávamos já podíamos ver o cume do nevado Mismi coberto de densas nuvens.

No primeiro dia de subida ao Mismi, tivemos sorte com o tempo, pegamos céu azul e muito sol. Mas na metade do segundo dia uma tempestade finalmente nos pegou. A temperatura baixou muito e uma nevada começou a castigar a região. Mal deu tempo de cobrir o equipamento com plásticos. Em poucos minutos, o vale estava totalmente branco.

A nevasca continuou até a noite, e tivemos que montar acampamento no vale descampado. A neve chegou a trinta centímetros em volta de nós. Foi difícil dormir.

O vento gelado entrava em nossas barracas. Os dois fechos de nosso abrigo arrebentaram e a salvação foi o imenso plástico de proteção do equipamento. Ivan embrulhou nossa barraca, enquanto eu e Roberto a prendíamos por dentro com fita crepe, alfinetes, agulha e linha. Fizemos um envelope com os dois sacos de dormir e nos encolhemos até o dia amanhecer. Durante a madrugada, a temperatura atingiu -15°.

Terceiro dia: depois do mau tempo, veio o sol, que começou a derreter toda a neve na região. Deixamos os animais de carga com um dos arrieros no acampamento, pegamos o mínimo de equipamento necessário para um dia de gravação e fotografias e subimos as encostas do nevado Mismi, até a nascente do Amazonas.

Depois de caminhar a manhã inteira, já estávamos perto da Quebrada Carhuasanta, o local da nascente. Parecia fácil - era só subir um paredão de uns quatrocentos metros e encontrar água brotando da pedra, a verdadeira nascente do Amazonas. Mas a etapa final dasubida foi a mais difícil. Na escalada do paredão, tínhamos que tomar cuidado para não escorregar no gelo que cobria as imensas pedras. Esse gelo é formado pela água que escorria lá de cima, da nascente.

Já estávamos a 5.200 metros de altitude. A cada dez metrosque subíamos, faltava mais oxigénio. Depois de três dias nas montanhas, com pouca comida, pouca água e muito cansaço, estávamos chegando ao nosso objetivo final e a emoção começava a tomar conta de todos nós. Cada um teve uma reação diferente. Na encosta íngreme, os dois rapazes pararam calados, olhando para o nevado Mismi, exaustos, por carregar nas costas tripé, VTs e uma das câmaras. Mesmo o nosso guia, Ivan, que só tinha ido até a base no nevado (nunca até a nascente), ficou visivelmente emocionado. O tempo começou a fechar e o vento forte jogava floquinhos de neve sobre o paredão. A emoção de Roberto virou nervosismo, porque era dele a responsabilidade de registrar tudo em fotografia e vídeo. Antes mesmo de chegar lá em cima, desatei a chorar. Todos pensaram que eu não estava aguentando a subida. Entretanto, mais que de cansaço, o choro era mesmo de emoção - estávamos a cem metros da nascente do maior rio do planeta!

No alto da encosta, todos pareciam correr em direção à nascente. Nunca escalei pedras tão altas em tão pouco tempo, apesar da falta de ar e da grande altitude... Afinal, conseguimos. Lá estava ela, na nossa frente - linda, jorrando do paredão!

Logo que chegamos e que Roberto armou o tripé e a câmara nas pedras de cima da encosta, gravei um trecho que mostra minha alegria: "O rio Amazonas nasce aqui neste paredão, a 5.300 metros de altitude, nos Andes peruanos. Brota aqui nesta pedra, corre por esses vales, recebe vários nomes e desagua no Apurimac, que desagua no Ucayali, que vai dar no Amazonas."

Na nascente, a cascata forma uma poça de neve e gelo na rocha nua

No local da nascente foi colocada uma cruz em homenagem a Loren Mcintyre, fotógrafo que participou da primeira expedição científica à região da nascente do Amazonas.

A imagem da nascente é de rara beleza. A cascata que sai do paredão forma uma pequena poça de neve e gelo sobre o musgo das pedras. Os próprios respingos que caíam do alto chegavam em forma de flocos de neve às nossas cabeças. Ficamos tanto tempo olhando maravilhados para o alto da cascata e para os flocos de neve, que mal percebemos a beirada do precipício de quatrocentos metros abaixo do local de nossa gravação.

Estávamos num local difícil, escorregadio, perigoso, e ainda tínhamos que gravar e fotografar tudo o que víamos: o imenso vale verde lá embaixo, por onde correm os filetes de água que descem da nascente e formam o riacho (riachuelo) principal; as neves sobre o pico do Mismi; e a Quebrada Carhuasanta, com sua bela nascente em forma de cascata. Aqui, a 5.300 metros de altitude, nos Andes peruanos, essas águas já correm em direção ao Amazonas, até o Atlântico!

Fomos vítimas do mau tempo mais uma vez. Começou a nevar na nascente do Amazonas. Tivemos que fechar nosso equipamento e descer as encostas do nevado Mismi, evitando a tempestade. Não me lembro muito bem da descida. A imagem da nascente, no entanto, ficou gravada por muito tempo em nossas mentes... Algo maravilhoso, emocionante, que vai marcar parasempre nossas vidas.

Rio Amazonas

O vale que leva ao ponto de origem do Amazonas já havia sido explorado ao longo dos anos por órgãos científicos do Peru. O Instituto Geográfico Nacional dá a exata localização: Quebrada Carhuasanta, no nevado Mismi, aos 15º30'49" de latitude sul e 71º40'36" de latitude oeste - dados que agora serão confirmados pelo INPE, de São José dos Campos, SP.

Fonte: www.expedicoes.tv

Rio Amazonas

Lenda da Origem do Rio Amazonas

Há muitos anos, moravam na selva amazônica dois noivos apaixonados que sonhavam ser um casal. Ela vestia-se de prata e seu nome era Lua. Ele vestia-se de ouro e o seu nome era Sol. Lua era a dona da noite e Sol era dono do dia.

Havia um obstáculo para a namoro de ambos. Se eles se casassem o mundo se acabaria. O ardente amor de sol queimaria a terra toda. O choro triste da Lua toda a terra afogaria.

Rio Amazonas

Apesar de apaixonados, como poderiam se casar? A Lua apagaria o fogo? O Sol faria toda a água evaporar? Apaixonados, se separaram e nunca puderam se casar.

Os noivos ficaram tristíssimos. A Lua, de prata e o Sol, de ouro.

No desespero da saudade, a Lua chorou durante todo um dia e uma noite. Suas lágrimas escorreram por morros sem fim até chegar ao mar. Mas o oceano, bravio, não queria aceitar tanta água. A sofrida lua não conseguiu misturar suas lágrimas às águas salgadas do mar e foi assim que algo estranho aconteceu.

As águas formadas com as lágrimas da lua escavaram um imenso vale, onde também muitas serras se levantaram.

Um imenso rio apareceu inundando vales, florestas e lugares sem fim. Eram as lágrimas da lua, que de tanta tristeza, formaram o rio Amazonas, o rio-mar da Amazônia.

Fonte: portalamazonia.globo.com

Rio Amazonas

O fenômeno da Pororoca

A pororoca pode ser um espetáculo aterrador ou fantástico dependendo de onde você estiver. Em segurança, pode-se presenciar a única ocasião em que o oceano Atlântico vence a resistência do rio.

Normalmente, o rio Amazonas, por causa do grande volume de água consegue empurrar a água do mar por muitos quilômetros,mas durante a lua nova a situação se inverte.

O choque dessas águas é tão intenso que se reflete em todos os estuários rasos dos rios que desembocam no golfo amazônico.

No rio Araguari, alguns quilômetros acima do rio Amazonas, esse fenômeno pode ser melhor observado. As ondas atingem até 5m de altura e com sua força vão derrubando e arrastando árvores e modificando o leito do rio. Isso acontece todos os dias, mas é mais intenso entre abril e junho.

Os índios do baixo Amazonas tem uma boa palavra para definir a pororoca: poroc-poroc significa destruidor.

A pororoca não acontece somente no estuário do Amazonas. Existe em alguns estuários e trechos finais de rios do litoral amazônico, que deságuam direto ou indiretamente no Atlântico.

Na costa do Amapá, o fenômeno ocorre em quase todos os rios que ali desembocam e, de forma bem violenta, no estuário do rio Araguarí, no município de Cutias.

Mais ao sul da foz do Araguari, nos rios e canais das ilhas de bailique, Curuá, Caviana, Janauaçu, Juruparí e Mexiana, o fenômeno se manifesta igualmente destruidor.

O mesmo acontece nos trechos finais dos rios que deságuam nas costas norte e leste da Ilha de Marajó. Apesar de muitos comentários, o fenômeno não existe na baia de Marajó, no rio Pará e no estuário do rio Tocantins.

A “pororoca” é antes de tudo um agente destruidor.

A baixa costa do Amapá, de formação flúvio-marinha recente, está em longos trechos recuando constantemente devido ao ataque periódico das vagas das marés de lançantes à ação da pororoca nos estuários; correndo as margens destes últimos, o fenômeno vai alargando-se progressivamente, tornando-os cada vez mais raso.

Veja alguns dados complementares:

Período de maior intensidade: época das chuvas, nos meses de Janeiro a maio e no mês de Setembro, durante as luas novas e cheias.
Altura das ondas:
três a seis metros.
Duração da onda:
40 minutos.
Espaço percorrido:
30 Km por mais de uma hora e meia.
Área de ocorrência com maior intensidade:
Próximo da Fazenda Redentor (margem direita) e o Sítio Paraíso (margem esquerda) até a Foz do Rio Araguari.
Velocidade:
A proximamente 20 Km/h
Freqüência:
de 12 em 12 horas.
Acesso:
Rodoviário: BR 156 até Ferreira Gomes BR 156, com entrada no quilômetro 50 AP 070, através da Rodovia do Curiaú.
Fluvial:
Voadeira (Ferreira Gomes)
Embarcação de médio porte via Foz do Rio Amazonas até a Foz do rio Araguari.
Aéreo:
Saindo de Macapá em vôo 50 minutos, (pista de pouso localizada na Fazenda Santa Isabel).

Rio Amazonas

LOCALIZAÇÃO: Dista da Capital do Estado do Amazonas (Manaus) 328 km em linha reta e 420 km por via fluvial. Está localizada no baixo Amazonas.

ÁREA TERRITORIAL: 5.749,80 Km2

LIMITES: Limita-se com os municípios de Maués, Parintins, Boa Vista do Ramos, Urucurituba e com o Estado do Pará.

HISTÓRIA: Foi iniciado o trabalho no ano de 2009 com a expedição médico-missionária, realizada entre os índios Saterê-Mawes e liderado pelo missionário voluntário Brad Mills. Muitas comunidades tem sido alcançadas com a mensagem do advento, mas ainda existem muitas que não foram alcançadas.  Algumas destas comunidades já com a presença do adventismo foram evangelizads pelo própio Leo Halliwell.

Fonte: www.amapa.net

Rio Amazonas

O maior rio do mundo é o Amazonas

Até um dia desses, um monte de gente acreditava que o Rio Nilo, lá do Egito - onde estão as múmias e foram construídas as pirâmides - era o maior de todo o planeta. O Nilo nunca aproveitou esse título sossegado. Isso porque o Rio Amazonas, que nasce no Peru, na cordilheira dos Andes e deságua no Atlântico, depois de passar por todo o norte do Brasil, sempre esteve colado no páreo.

Tão, tão colado que o pódio dessa disputa mudou. É que recentemente, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) concluíram que o rio brasileiro é o maior de todos, por uma pontinha de aproximadamente 50 quilômetros de diferença. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores usaram imagens de satélite da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Crianças e jovens de vários países do mundo sempre aprenderam nos livros de geografia que o Rio Nilo tinha 6.670 km. Pela medição do Inpe, o tamanho dele seria, na verdade, de aproximadamente 6.610 quilômetros.

Pelos dados oficiais, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rio Amazonas tem 6.570 quilômetros. Já pela pesquisa do Inpe, que está quase acabando, dependendo de quais desvios do rio sejam considerados como leito principal, ele teria 6.627 ou 6.992 quilômetros.

Curiosidade

Os egípcios navegam nas águas do rio Nilo há muito tempo. Mas até 150 anos atrás ninguém sabia onde ele começava.

A descoberta da nascente do Nilo desafiou os exploradores e aconteceu só em 1858. Foi então que dois viajantes ingleses, chamados Richard Burton e John Hanning Speke, descobriram o lago Tanganica e o lago Vitória, no coração da África, em uma região que os africanos chamavam de "as montanhas da Lua".

Fonte: www.plenarinho.gov.br

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal