Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  Efeito El Niño - Página 2  Voltar

Efeito El Niño

Uma componente do sistema climático da terra é representada pela interação entre a superfície dos oceanos a baixa atmosfera adjacente a ele. Os processos de troca de energia e umidade entre eles determinam o comportamento do clima, e alterações destes processos podem afetar o clima regional e global.

El Niño representa o aquecimento anormal das águas superficiais e sub-superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Assim, definiu o pesquisador do Inpe, Gilvan Sampaio, em seu livro o “El Niño e Você – o fenômeno climático” .

A palavra El Niño é derivada do espanhol, e refere-se a presença de águas quentes que todos os anos aparecem na costa norte de Peru na época de Natal. Os pescadores do Peru e Equador chamaram a esta presença de águas mais quentes de Corriente de El Niño em referência ao Niño Jesus ou Menino Jesus.

Na atualidade, as anomalias do sistema climático que são mundialmente conhecidas como El Niño e La Niña representam uma alteração do sistema oceano-atmosfera no Oceano Pacífico tropical, e que tem conseqüências no tempo e no clima em todo o planeta. Nesta definição, considera-se não somente a presença das águas quentes da Corriente El Niño mas também as mudanças na atmosfera próxima à superfície do oceano, como o enfraquecimento dos ventos alísios (que sopram de leste para oeste) na região equatorial.

Com esse aquecimento do oceano e com o enfraquecimento dos ventos, começam a ser observadas mudanças da circulação da atmosfera nos níveis baixos e altos, determinando mudanças nos padrões de transporte de umidade, e portanto variações na distribuição das chuvas em regiões tropicais e de latitudes médias e altas. Em algumas regiões do globo também são observados aumento ou queda de temperatura.

A figura abaixo mostra a situação observada em dezembro de 1997, no pico do fenômeno El Niño 1997/98.

Efeito El Niño
Anomalia de temperatura da superfície do mar em dezembro de 1998 mostrada na figura acima.
Os tons avermelhados indicam regiões com valores acima da média e os tons azulados as regiões com valores abaixo da média climatológica.
Pode-se notar a região no Pacífico Central e Oriental com valores positivos, indicando a presença do El Niño

Que é o El Niño-Oscilação Sul (ENOS)?

O El Niño–Oscilação Sul (ENOS) representa de forma mais genérica um fenômeno de interação atmosfera-oceano, associado a alterações dos padrões normais da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) e dos ventos alísios na região do Pacífico Equatorial, entre a Costa Peruana e no Pacifico oeste próximo à Austrália.

Além de índices baseados nos valores da temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial, o fenômeno ENOS pode ser também quantificado pelo Índice de Oscilação Sul (IOS). Este índice representa a diferença entre a pressão ao nível do mar entre o PacÍfico Central (Taiti) e o Pacifico do Oeste (Darwin/Austrália). Esse índice está relacionado com as mudanças na circulação atmosférica nos níveis baixos da atmosfera, conseqüência do aquecimento/resfriamento das águas superficiais na região. Valores negativos e positivos da IOS são indicadores da ocorrência do El Niño e La Niña respectivamente.

Algumas observações:

Evento de El Niño e La Niña tem uma tendência a se alternar cada 3-7 anos. Porém, de um evento ao seguinte o intervalo pode mudar de 1 a 10 anos;

As intensidades dos eventos variam bastante de caso a caso. O El Niño mais intenso desde a existência de "observações" de TSM ocorreu em 1982-83 e 1997-98.

Algumas vezes, os eventos El Niño e La Niña tendem a ser intercalado por condições normais.

Como funciona a atmosfera durante uma situação normal e durante uma situação de El Niño?

El Niño resulta de uma interação entre a superfície do mar e a baixa atmosfera sobre o Oceano Pacifico tropical. O inicio e fim do El Niño e determinado pela dinâmica do sistema oceano-atmosfera, e uma explicação física do processo é complicada para que o leitor possa entender um pouco sobre isso, propõe-se um "modelinho simples", extraído do livro El Niño e Você, de Gilvan Sampaio de Oliveira.

Como funciona a atmosfera durante uma situação normal e durante uma situação de El Niño?

Efeito El Niño

1) Imagine uma piscina (obviamente com água dentro), num dia ensolarado

2) Coloque numa das bordas da piscina um grande ventilador, de modo que este seja da largura da piscina

3) Ligue o ventilador

4) O vento irá gerar turbulência na água da piscina

5) Com o passar do tempo, você observará um represamento da água no lado da piscina oposto ao ventilador e até um desnível, ou seja, o nível da água próximo ao ventilador será menor que do lado oposto a ele, e isto ocorre pois o vento está "empurrando" as águas quentes superficiais para o outro lado, expondo águas mais frias das partes mais profundas da piscina.

É exatamente isso que ocorre no Oceano Pacífico sem a presença do El Niño, ou seja, é esse o padrão de circulação observado. O ventilador faz o papel dos ventos alísios e a piscina, é claro, do Oceano Pacífico Equatorial. Águas mais quentes são observadas no Oceano Pacífico Equatorial Oeste. Junto à costa oeste da América do Sul as águas do Pacífico são um pouco mais frias.

Com isso, no Pacífico Oeste, devido às águas serem mais quentes, há mais evaporação. Havendo evaporação, há a formação de nuvens numa grande área. Para que haja a formação de nuvens o ar teve que subir. O contrário, em regiões com o ar vindo dos altos níveis da troposfera (região da atmosfera entre a superfície e cerca de 15 km de altura) para os baixos níveis raramente há a formação de nuvens de chuva.

Mas até onde e para onde vai este ar ?

Um modo simplista de entender isso é imaginar que a atmosfera é compensatória, ou seja, se o ar sobe numa determinada região, deverá descer em outra. Se em baixos níveis da atmosfera (próximo à superfície) os ventos são de oeste para leste, em altos níveis ocorre o contrário, ou seja, os ventos são de leste para oeste.

Com isso, o ar que sobe no Pacífico Equatorial Central e Oeste e desce no Pacífico Leste (junto à costa oeste da América do Sul), juntamente com os ventos alísios em baixos níveis da atmosfera (de leste para oeste) e os ventos de oeste para leste em altos níveis da atmosfera, forma o que os Meteorologistas chamam de célula de circulação de Walker.

Outro ponto importante é que os ventos alísios, junto à costa da América do Sul, favorecem um mecanismo chamado pelos oceanógrafos de ressurgência, que seria o afloramento de águas mais profundas do oceano.

Estas águas mais frias têm mais oxigênio dissolvido e vêm carregadas de nutrientes e micro-organismos vindos de maiores profundidades do mar, que vão servir de alimento para os peixes daquela região. Não é por acaso que a costa oeste da América do Sul é uma das regiões mais piscosas do mundo. O que surge também é uma cadeia alimentar, pois os pássaros que vivem naquela região se alimentam dos peixes, que por sua vez se alimentam dos microorganismos e nutrientes daquela região.

Condições normais

Efeito El Niño

Circulação observada no Oceano Pacífico Equatorial em anos sem a presença do El Niño ou La Niña, ou seja, anos normais. A célula de circulação com movimentos ascendentes no Pacífico Central/Ocidental e movimentos descendentes no oeste da América do Sul e com ventos de leste para oeste próximos à superfície (ventos alísios, setas brancas) e de oeste para leste em altos níveis da troposfera é a chamada célula de Walker.

No Oceano Pacífico, pode-se ver a região com águas mais quentes representadas pelas cores avermelhadas e mais frias pelas cores azuladas. Pode-se ver também a inclinação da termoclima, mais rasa junto à costa oeste da América do Sul e mais profunda no Pacífico Ocidental.

Deve ser notado, na figura acima, que existe uma região chamada de termoclina onde há uma rápida mudança na temperatura do oceano. Esta região separa as águas mais quentes (acima desta região) das águas mais frias (abaixo desta região). Os ventos alísios "empurrando" as águas mais quentes para oeste, faz com que a termoclina fique mais rasa do lado leste, expondo as águas mais frias.

Vamos imaginar o seguinte:

Desligue o ventilador, ou coloque-o em potência mínima. O que irá acontecer?

Agora, o arrasto que o vento estava provocando na água da piscina irá desaparecer ou diminuir. As águas do lado oposto ao ventilador irão então refluir para que o mesmo nível seja observado em toda a piscina. O Sol continuará aquecendo a piscina e as águas deverão, teoricamente, estar aquecidas igualmente em todos os pontos da piscina. Certo?

Então vamos correlacionar novamente com o Oceano Pacífico. O ventilador desligado ou em potência mínima, significa neste caso o enfraquecimento dos ventos alísios. Veja que os ventos não param de soprar. Em algumas regiões do Pacífico ocorre até a inversão dos ventos, ficando estes de oeste para leste.

Agora, todo o Oceano Pacífico Equatorial começa a aquecer. E como dito anteriormente: aquecimento gera evaporação com movimento ascendente que por sua vez gera a formação de nuvens. A diferença agora é que ao invés de observarmos a formação de nuvens com intensas chuvas no Pacífico Equatorial Ocidental, vamos observar a formação de nuvens principalmente no Pacífico Equatorial Central e Oriental.

Condições El Niño

Efeito El Niño

Padrão de circulação observada em anos de El Niño na região equatorial do Oceano Pacífico. Nota-se que os ventos em superfície, em alguns casos, chegam até a mudar de sentido, ou seja, ficam de oeste para leste. Há um deslocamento da região com maior formação de nuvens e a célula de Walker fica bipartida.

No Oceano Pacífico Equatorial podem ser observadas águas quentes em praticamente toda a sua extensão. A termoclina fica mais aprofundada junto à costa oeste da América do Sul principalmente devido ao enfraquecimento dos ventos alísios.

Gilvan Sampaio de Oliveira

Fonte: www.cptec.inpe.br

Efeito El Niño

O que é

Denomina-se «El Niño» ao aumento anormal na temperatura da superfície do mar na costa oeste da América do Sul, durante o verão no hemisfério sul. Esta ocorrência de águas quentes foi identificada séculos atrás por pescadores peruanos, que deram o nome de El Niño (menino, em espanhol) ao observarem anos em que ocorria uma enorme diminuição na quantidade de peixes, sempre próxima ao Natal (nascimento do menino Jesus).

Este fenômeno, que se apresenta normalmente em intervalos de dois a sete anos, caracteriza-se com a temperatura da superfície do mar e a atmosfera sobre ele apresentando uma condição anormal durante um período de doze a dezoito meses. Entretanto, com as alterações climáticas que vêm ocorrendo no planeta, tanto a periodicidade quanto a duração ou mesmo a época têm variado.

O que ocorre com El Niño

Quando ocorre o fenômeno El Niño, as temperaturas das águas superficiais ficam acima da média no setor leste da bacia (costa oeste da América do Sul) e em torno ou até abaixo no setor oeste (região da Indonésia e setores norte/nordeste da Austrália) desta bacia. Os ventos relaxam chegando, em algumas áreas na faixa tropical, a inverterem o sentido soprando de oeste para leste. Esta condição, associada ao enfraquecimento de um sistema de alta pressão em superfície (que gira no sentido anti-horário) atuante no sudeste do Pacífico preferencialmente junto à costa do Chile, favorece ao aquecimento das águas no setor leste da bacia.

O que ocorre normalmente

Normalmente os ventos tropicais sopram em direção à Ásia (de leste para oeste) nesta área do oceano Pacífico, "empilhando" as águas mais aquecidas no setor oeste do mesmo, fazendo com que o nível do oceano na Indonésia fique cerca de meio metro acima do nível da costa oeste da América do Sul.

A temperatura na superfície do mar é cerca de 8°C mais elevada no setor oeste (região da Indonésia e setores norte/nordeste da Austrália), sendo que a temperatura menor na costa oeste da América do Sul deve-se as águas frias que sobem de níveis mais profundos do oceano.

Estas águas frias são ricas em nutrientes, permitindo a manutenção de diversos ecosistemas marinhos e atraindo cardumes.

Em anos sem El Niño há forte movimento ascendente (formação de nuvens e consequente chuvas) no setor oeste (região da Indonésia e setores norte/nordeste da Austrália) e movimento subsidente (de cima para baixo, de ar seco e frio) na parte leste, em particular na costa oeste da América do Sul. Este fato inibe a formação de nuvens acarretando a ocorrência de pouca chuva nessa última região.

EFEITOS DO EL NIÑO NO ESTADO DE SANTA CATARINA

As conclusões sobre as relações entre El Niño e o aumento da precipitação em Santa Catarina são feitas pela observação que ocorre normalmente nesses anos no Estado. Essas observações, indicam que existe um aumento na precipitação média e no número de cheias no Estado nos anos de El Niño. Nota-se, também, que o efeito do El Niño no Estado depende da intensidade do mesmo, sendo que nos anos El Niños de forte intensidade o efeito em Santa Catarina é mais pronunciado.

Estudos estatísticos mostram que, normalmente, durante o final do inverno e primavera, inicia o período de maior influência do El Niño em Santa Catarina, devendo manter essa influência durante todo o ano seguinte.

O El Niño faz com que os ventos em altos níveis (12 Km de altura), chamados de Jato Subtropical, (fig. 6) sejam mais intensos que o normal e, assim, as frentes frias ficam estacionárias sobre o Sul do país. Dessa forma, a precipitação e temperatura média do inverno observadas em anos de anomalias positiva (El Niño), sejam acima da média climatológica.

Apesar de fases positivas (El Niño) estarem associadas à grande probabilidade de ocorrência de um número de cheias acima da média no Estado, isso não significa necessariamente que em anos de El Niño ocorram enchentes em uma bacia hidrográfica em particular. A ocorrência de cheias dependem do tamanho da bacia e da posição e período de tempo que a frente fria ficar estacionária, além da intensidade da chuva.

Além do El Niño, existem outros fatores que influenciam na climatologia de chuvas e enchentes no Estado. As temperaturas do Oceano Atlântico, na costa catarinense, por exemplo, podem ser responsáveis pelo aumento da precipitação no Litoral. Apesar da meteorologia ter compreendido, ainda falta muito por ser estudado sobre outros mecanismos como Complexos Convectivos de Mesoescala (CCM) e a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), etc.

CONCLUSÕES

O El Niño não é o único causador de enchentes no Estado

Anos de El Niño chove acima da média em Santa Catarina

Anomalias positivas na TSM (Temperatura da Superfície do Mar) do Atlântico podem influenciar nas precipitação no Litoral.

Nos invernos de anos de El Niño as temperaturas médias são maiores que a média

Anos de El Niño ocorrem mais cheias que a média em Santa Catarina

As maiores enchentes desse século (1911 e 1983) foram nos El Niño de maior intensidade

O El Nino de 1983 foi o mais intenso deste século

O presente El Niño tem intensidade igual ao de 1983, sendo que a sua formação é a mais rápida de todos

Fonte: www.angelfire.com

voltar 12345avançar
Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal