A educação profissional e tecnológica tem contribuído para formar e incluir, no mundo do trabalho, os cidadãos brasileiros. Na busca por inovação tecnológica, desenvolvimento sustentável e geração de emprego e renda, as escolas da rede federal de educação tecnológica, em parceria com setores produtivos locais, estão desenvolvendo diferentes pesquisas com produtos regionais. A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (Setec/MEC) tem a satisfação de apresentar, nesta publicação, alguns desses trabalhos.
Estes volumes, sobre aqüicultura, biodiesel e licuri, integram a coleção de cartilhas temáticas da Setec e abordam projetos desenvolvidos pelas escolas agrotécnicas federais de Alegre e Colatina, no Espírito Santo, e de Muzambinho, em Minas Gerais, e do Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia (Cefet/BA). As edições anteriores trataram de pesquisas e programas de estudos relacionados à cachaça, ao café e ao vinho.
A política adotada pelo Ministério da Educação busca promover uma educação capaz de formar trabalhadores conscientes de suas responsabilidades e comprometidos com o desenvolvimento socioeconômico do país e com a redução das desigualdades sociais brasileiras.
Eliezer Moreira Pacheco
Secretário de Educação Profissional e Tecnológica
A história do biodiesel data de 1895, quando dois grandes visionários, Rudolf Diesel e Henry Ford, descobriram nos óleos vegetais um combustível e um caminho para o desenvolvimento industrial. Pesquisaram diversos combustíveis que pudessem ser utilizados em motores, entre eles o álcool produzido a partir de biomassa. Embora tivessem seus sonhos para o desenvolvimento dos combustíveis de biomassa adiados pelo rápido avanço da indústria do petróleo, deixaram sementes férteis.
Passados mais de cem anos, a associação dos óleos vegetais com o álcool, em um processo químico conhecido como transesterificação (processo de separação da glicerina do óleo vegetal), pode viabilizar um novo combustível de origem renovável para o Brasil: o éster de óleo vegetal, também conhecido como biodiesel.

Girassol
As alternativas de matéria-prima para o fornecimento do óleo vegetal são diversas no Brasil, caso do girassol, do pinhão manso, da soja, do amendoim, do algodão, do dendê, do milho, entre tantas outras que podem ser cultivadas de acordo com a aptidão agrícola e o clima de cada região do País.

A idéia do uso do biodiesel no Brasil não é nova. As primeiras avaliações de viabilidade do uso de óleos vegetais in natura e de biodiesel (mistura do óleo vegetal + álcool) começaram em 1982, quando foram realizados diversos testes com a colaboração da indústria automobilística. Dentre os vários combustíveis testados, vale mencionar o éster etílico de soja puro e a mistura de 30% de éster etílico de soja e 70% de óleo diesel.
Embora os resultados dos testes tenham sido especialmente animadores para o biodiesel, e várias tentativas de desenvolvimento de um mercado tenham sido feitas, os altos custos do produto, à época, inibiram o seu uso comercial. Com a elevação dos preços do óleo diesel e dos demais derivados de petróleo, o biodiesel passou a ser visto como uma alternativa economicamente viável.
Considerado um produto nobre, biodiesel pode ser adicionado ao óleo diesel em concentração de 1% a 2%, simplesmente com o objetivo de melhorar a lubricidade do combustível.
Experiências realizadas demonstram que, para misturas de óleo diesel com até 20% de biodiesel, não há necessidade de alterações no veículo ou no motor. Mas já estão sendo feitas pesquisas, com sucesso, para o caso de utilização do biodiesel na forma pura, em alguns transportes coletivos, tratores, caminhões e caminhonetes.

Soja
O Brasil tem, hoje, potencial para ser líder mundial na produção de biodiesel. Nenhum outro lugar é tão apropriado para diferentes culturas de oleaginosas como o nosso País. O clima favorável, a vocação agrícola e a disponibilidade de cerca de 100 milhões de hectares virgens de terras boas para a agricultura (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE) o credenciam a ser o maior fornecedor mundial do mais ecologicamente correto combustível – o petróleo verde.
Atualmente, o consumo nacional de óleo diesel está em torno de 45 bilhões de litros, por ano, e importamos cerca de 15% desse total. Com apenas seis milhões de hectares de cultivo de oleaginosas, poderemos substituir por completo o volume necessário de diesel para atender à demanda interna. Aproveitando somente as terras já desmatadas no Cerrado ou na Amazônia, a atividade pode proporcionar uma economia de pelo menos um bilhão de dólares anuais com as importações do óleo derivado de petróleo.
Com o avanço na produção do biodiesel, países como o Brasil terão grande importância estratégica para o mundo inteiro, tendo em vista que as reservas de petróleo já conhecidas deverão acabar dentro de, no máximo, cinqüenta anos (as do Brasil têm vida útil de 19,6 anos).
