Biosfera é a porção da Terra onde a vida se faz presente. Envolve a crosta terrestre, as águas, a atmosfera e, hoje, sofre alterações significativas, rápidas e desastrosas, com a destruição sistemática de seus habitats e recursos naturais de que depende a comunidade planetária.
Reserva da Biosfera é um instrumento de conservação que favorece a descoberta de soluções para problemas como o desmatamento das florestas tropicais, a desertificação, a poluição atmosférica, o efeito estufa etc.
A Reserva privilegia o uso sustentável dos recursos naturais nas áreas assim protegidas. A UNESCO mantém um sistema de informações que assegura o equacionamento de seus problemas, segundo a melhor tecnologia disponível.
Cada Reserva da Biosfera é uma coleção representativa dos ecossistemas característicos da região onde se estabelece.
Terrestre ou marinha, busca otimizar a convivência homem-natureza em
projetos que se norteiam pela preservação dos ambientes significativos,
pela convivência com áreas que lhe são vizinhas, pelo
uso sustentável de seus recursos.
A Reserva é um centro de monitoramento, pesquisas, educação
ambiental e gerenciamento de ecossistemas, bem como centro de informação
e desenvolvimento profissional dos técnicos em seu manejo.
Seu gerenciamento é o trabalho conjunto de instituições governamentais, não governamentais e centros de pesquisa. Esta integração busca o atendimento às necessidades da comunidade local e o melhor relacionamento entre os seres humanos e o meio ambiente.
Esse gerenciamento se dá através do zoneamento de sua área em três categorias de uso que se interrelacionam:
1ª) zona núcleo ou zona principal, que abrange a região mais preservada de um ecossistema representativo, habitat favorável ao desenvolvimento de numerosas espécies de plantas, animais e seu cenário de convivência com seus predadores naturais.
Registra-se, aí, a ocorrência de endemismos, espécimes raros de importante valor genético e lugares de excepcional interesse científico.
Amparada sempre em proteção legal segura, só se permitirá em seus limites atividades que não prejudiquem ou alterem os processos naturais e a vida selvagem. Exemplo: a zona inatingível de um Parque ou de uma Estação Ecológica, uma Reserva Biológica ou áreas de preservação permanente
2ª) zonas tampão ou zonas intermediárias são as que envolvem as zonas núcleos.
Nelas, as atividades econômicas e o uso da terra devem garantir a integridade das zonas núcleos.
3ª) zonas de transição são as mais externas da Reserva. Nelas, incentiva-se o uso sustentado da terra e atividades de pesquisa que serão úteis à região no entorno da Reserva da Biosfera.
Seus limites não têm definição geográfica precisa porque sua demarcação se faz em conseqüência de ajustes periódicos ditados pelos conhecimentos conservacionistas, sendo conquistados na dinâmica da relação planejamento-execução das atividades econômicas características da região.
Além dessas, o zoneamento de uma Reserva da Biosfera contempla também a definição de Áreas Experimentais de Pesquisa e Áreas de Uso Tradicional, tanto nas Zonas Tampão quanto na de Transição.
As Áreas Experimentais de Pesquisa têm por finalidade a realização de experimentos que visem a obtenção das melhores formas de manejo da flora, da fauna, das áreas de produção e dos recursos naturais, bem como o incremento e a recuperação da diversidade biológica e dos processos de conservação.
As Áreas de Uso Tradicional são as que apresentam uma exploração econômica baseada em práticas tradicionais, onde são procurados manejos mais eficientes sem, contudo, adulterar seus procedimentos básicos.
Numa Reserva da Biosfera, as áreas de agricultura de subsistência permanecem como tal, buscando-se que suas práticas se adeqüem ao plano de manejo definido para todo o conjunto.
Fonte: www.unesco.org.br
Além de interferir nos ambientes através da produção de resíduos e poluentes, a humanidade tem alterado o equilíbrio dos ecossistemas, quando introduz espécies estranhas em ecossistemas naturais, ou leva inúmeras espécies à extinção. A interferência em comunidades equilibradas pode colocar em risco toda a intrincada trama de relações, que levou centenas ou milhares de anos para se estabelecer.
A expansão dos terras cultivadas e o crescimento das cidades têm levado à destruição das florestas naturais. Calcula-se que o mundo perde, todo ano, enormes extensões de florestas tropicais. As matas são derrubadas, prejudicando o solo e causando poluição atmosférica.
Os desmatamentos indiscriminados, além de levarem comunidades e espécies à extinção, têm outras graves conseqüências: a erosão e o empobrecimento do solo. A erosão é causada principalmente pelas chuvas e pelo vento que , sem a proteção da cobertura vegetal, carregam a camada fértil do solo, que se torna pobre e acidentado.
Assim como a introdução de novas espécies, a extinção também pode causar sérios distúrbios ao equilíbrio de um ecossistema. Embora o fenômeno da extinção de espécies seja comum na natureza, a extinção recente de um grande número de espécies é conseqüência da atividade humana.
A destruição de seus habitats e a caça e a pesca excessivas, denominadas caça e pesca predatórias, têm levado inúmeras espécies à extinção. O tamanho mínimo que uma população tem de atingir para não se extinguir varia de espécie para espécie. Ele depende da sua capacidade reprodutiva, da sua vulnerabilidade às influências do meio e da duração de seu ciclo vital, entre outras coisas. Das espécies que o homem caça atualmente, muitas estão ameaçadas de extinção, uma vez que suas populações já estão atingindo o limite de tamanho mínimo necessário para sua manutenção. Outras, mesmo que a caça para imediatamente, já não terão capacidade de se recuperar e, fatalmente, se extinguirão.
Fala-se que a espécie humana, por agredir a natureza, está a caminho da auto destruição. Será que corremos riscos reais de catástrofes causadas pela poluição, ou de se esgotarem as fontes de energia e outros importantes recursos naturais?
Jornais e revistas disparam informações desencontradas. A maioria dos estudiosos acredita que a humanidade se encontra muito perto de provocar danos irreparáveis ou planeta. De vez em quando, porém, alguns proclamam que os alertas dos ecologistas são exagerados e que a humanidade saberá solucionar todos os problemas que criar. Em quem acreditar?
Em primeiro lugar, é preciso ficar claro que espécie humana não pode sobreviver se não explorando os recursos do ambiente. Temos, necessariamente, de matar para viver. Ao comermos plantas e animais, deles extraímos energia e matéria-prima para nossa vida. Além disso, temos de combater as espécies que nos causam doenças (bactérias, fungos, vermes, insetos etc.) e também aquelas que competem conosco pelo alimento (parasitas e predadores de nossas lavouras e rebanhos).
A civilização moderna está voltada para uma alto consumo de energia. Atualmente , a maior parte da energia empregada nas sociedades industrializadas provém de combustíveis fósseis: carvão e petróleo.
Os combustíveis fósseis são recursos não-renováveis, isto é, que se esgotarão em um futuro relativamente próximo, e sua duração depende de como forem utilizados e economizados. Enquanto isso a humanidade precisa pesquisar formas alternativas de produção de energia.
A energia hidroelétrica é uma das formas mais "limpas" de produzir energia, mas também não deixa de produzir impacto sobre o ambiente, uma vez que é necessário desviar cursos de rios e alagar regiões para construir as usinas hidroelétricas, o que pode provocar alterações no clima e levar à extinção comunidades que habitam a região alagada.
A energia nuclear tem se revelado perigosa. Não se pode ignorar a gravidade dos acidentes nucleares, dos quais a Usina de Chernobyl, na ex-União Soviética, é o mais recente exemplo.
A produção de combustíveis renováveis, como o álcool e o biogás (metano), obtidos através da fermentação, constituem alternativas viáveis para suprir parte da demanda energética.
A energia solar e uma das maiores esperanças da humanidade. Ainda em fase de estudos, a energia solar não é utilizada em larga escala, mas as pesquisas indicam possibilidades promissoras, a médio prazo.
A natureza pode suportar a atividade exploradora do homem, desde que ele não ultrapasse certos limites. Teoricamente a humanidade pode viver em harmonia com o ambiente. O que se vê, porém, é flagrantemente o contrário: os problemas da humanidade parecem aumentar vertiginosamente, e nada parece capaz de deter a marcha da destruição do ambiente natural. Muitos ainda não se deram conta da gravidade e da extensão dos danos causados à natureza, mas, dentro de pouco tempo, a defesa do ambiente natural será uma das prioridades de todos os povos.
Teoria formulada no final dos anos 60 pelo físico inglês James Lovelock e pela microbiologista norte-americana Lynn Margulis. Afirma que as características da Terra teriam sido criadas pelos organismos vivos nela existentes, ao longo do seu processo de evolução. Para os dois cientistas, são os seres vivos que moldam o meio ambiente às suas características e criam as condições necessárias para sua sobrevivência. Desse modo, contradizem a teoria tradicional que defende o raciocínio exatamente inverso: o de que a vida teria surgido e se desenvolvido de acordo com as condições atmosféricas e climáticas.
Pela Hipótese Gaia, o planeta se comportaria como um organismo inteligente, capaz de enfrentar e superar situações ameaçadoras e recriar a harmonia. A adaptação das espécies a novas condições, a extinção de muitas delas e o surgimento de outras fazem parte desse processo de reequilíbrio. Esses mecanismos reguladores foram chamados pelos dois cientistas de Gaia, como era chamada a deusa Terra dos gregos antigos. Vem daí o nome da hipótese, que influencia fortemente o movimento ambientalista.
Fonte: www.chavedotempo.hpg.ig.com.br

A noção de Biosfera foi criada há mais de uma centena de anos atrás. Em 1875 o geólogo austríaco Edouard Zuss utilizou esse termo pela primeira vez, ao se referir aos vários invólucros do globo terrestre.
Em 1926, as conferências do mineralogista russo V.I.Vernadsky foram publicadas. Esse cientista considerou a biosfera como sendo aqueles estratos da crosta terrestre que tinham estado sob a influência dos organismos vivos por toda a história geológica. Assim, no estrato superior dos dois invólucros: na litosfera e na hidrosfera, estariam situados todos os seres vivos. Contudo, a biosfera não termina naquelas áreas não atingidas pela luz. Devido à gravidade, o fluxo de energia alonga-se mais: a partir do estrato iluminado descem incessantemente para as profundezas do oceano excrementos e organismos vivos e mortos.
Os organismos vivos penetram na litosfera em uma profundidade infinitesimal. A grande maioria deles está na camada superior do solo, a qual tem algumas dezenas de centímetros de espessura. Muito raramente algum atinge alguns metros ou algumas dezenas de metros em profundidade (raízes de plantas, vermes terrestres). Animais e bactérias podem descer a grandes profundidades (2,5-3km) utilizando fendas na crosta terrestre, minas e perfurações. O óleo que com freqüência permanece profundamente enterrado abaixo da superfície terrestre tem uma flora bacteriológica peculiar. A penetração profunda na litosfera por plantas verdes é impossível por causa da falta de luz. Os animais não encontram alimento ali, e propriedades mecânicas das rochas da litosfera também impedem nelas o desenvolvimento da vida. No mínimo, enquanto se move para baixo, dentro das entranhas da Terra, a temperatura aumenta, e à profundidade de três quilômetros ela atinge 100 C. Isto significa que à uma profundidade de mais do que três quilômetros da superfície da Terra os organismos vivos não podem existir. A partir da superfície da litosfera, os organismos vivos situam-se à uma altura desde a alguns centímetros a alguns metros. Insetos, morcegos e pássaros atingem algumas centenas de metros dentro da atmosfera. Correntes de ar ascendentes podem carregar estágios de dormência (esporos, cistos, sementes) de animais e plantas à uma altura de alguns quilômetros. Contudo, são desconhecidos organismos que passem toda a sua vida no ar, isto é, ligados a ele como seu principal ambiente.
A hidrosfera, ao contrário da atmosfera e da litosfera, é cheia de vida em toda a sua espessura. Os pesquisadores encontraram nela organismos vivos em todos os locais distantes ou profundos onde os instrumentos de coleta puderam penetrar. Então nós podemos concluir que a água líquida é mais importante como fator limitante para a presença dos organismos do que a luz.
Nas partes mais altas, a extensão da biosfera á limitada pela falta de água líquida e pela baixa pressão parcial e dióxido de carbono. Nas montanhas, plantas clorofiladas não podem viver à uma altura maior do que 6220 metros (como o Himalaia). A área montanhosa da biosfera é chamada zona eólica.
Se os fatores limitantes da biosfera são a água líquida e a luz solar, o ótimo da vida situa-se na interface dos ambientes. Pesquisas em fotossíntese mostraram que a maior produção de matéria orgânica é sempre atingida pelas plantas que sejam capazes de utilizar as três fases: sólida, líquida e gasosa. Numerosos esforços foram feitos para compreender e estimar a produção inicial da biosfera. As enormes áreas da Terra são de baixa produção em virtude de fatores limitantes como água (em desertos) ou nutrientes (em mar aberto). Embora a área terrestre seja cerca que 1/4 da área total do Globo, ela ultrapassa os oceanos em produtividade porque a maior parte das águas oceânicas é "desértica".
No mundo oceânico, os valores da produção primária diferem grandemente em diferentes regiões. Os recifes de coral são os mais produtivos, e eles são tão bons como florestas tropicais. A produtividade das áreas oceânicas abertas é menor do que a produtividade das zonas de ressurgência e do que áreas costeiras, e é próxima àquela da tundra.
Em grandes áreas marinhas, análises de avaliações de valores médios mostram que a produtividade flutua entre dois valores: de 200 a 20000 quilocalorias por metro quadrado por ano, enquanto que a produtividade média da Terra como um todo é de cerca de 1018 quilocalorias por ano.
A circulação dos elementos químicos gerais não necessita parar nos limites da biosfera para existir. Os padrões desses processos podem ser diferentes. O leito oceânico move-se lentamente para faixas orogenéticas nas partes distantes dos continentes. O cálcio retorna à terra. Aparentemente a circulação só é terminada após algumas centenas de milhões de anos. Sabe-se que a circulação do fósforo é como a circulação do cálcio, e a circulação do nitrogênio é semelhante à do carbono, embora haja mais nitrogênio na atmosfera.
Em várias áreas da biosfera o desenvolvimento da vida é limitado por diferentes substâncias. Podemos dizer que nos desertos a vida é limitada pela falta do hidrogênio e do oxigênio que formam a água. Em mar aberto, o ferro é freqüentemente um fator limitante. O ferro em geral existe como hidróxido de ferro, que é inacessível para os organismos. Em outras circunstâncias, por exemplo, no solo de locais muito úmidos, nos lagos, e nos mares litorâneos, é o fósforo que constantemente se constitui o fator limitante.
Fonte: www.ecositebr.bio.br