O Cerrado possui 2.036.448km2 de extensão. É o segundo maior bioma brasileiro e considerado a savana mais rica em diversidade do mundo. Possui um número exorbitante de espécies endêmicas, um dos fatos que o fez considerado pela UNESCO, um hotspot, área de alta biodiversidade e ameaçada no mais alto grau.
É constituído por um mosaico formado por grande diversidade ambiental. Dos campos limpos com peculiares espécies de fauna e flora, passando pelo Cerrado propriamente dito com curiosas árvores de troncos retorcidos às imponentes Florestas secas e Veredas, o bioma Cerrado, é um complexo de vida e beleza!
Os principais rios brasileiros que fluem a partir da região central nascem e crescem no Cerrado. Estima-se que 95% da população brasileira dependem de energia elétrica gerada ao menos em parte com águas provenientes desse bioma. Para se ter uma idéia, a Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco tem 47% da sua área no Cerrado e essa área é responsável por 94% da vazão de toda a água a bacia.
Na bacia Tocantins-Araguaia essas porcentagens são de 71% da área e 78% da vazão total e na Bacia do Rio Paraná, 45% da área e 75% da vazão total. Destaque-se, ainda, os imensos aqüíferos encontrados neste bioma, entre eles o Guarani. Assim, o Cerrado é fundamental para a manutenção do equilíbrio hidrológico do país e por seu importante papel na questão hídrica é considerado o Berço das águas.
A ocupação desse bioma começou nos anos 40 com a Marcha para o Oeste. A partir dos anos 60, com programas de incentivos à prática da agricultura na região, o Cerrado passou a ser considerado, então, simples fronteira agrícola. O descaso com sua manutenção e a falta de conhecimento sobre o bioma ocorrem desde então.
Apesar de toda riqueza e sua contextualização no âmbito nacional, o Cerrado é carente de políticas ambientais e de programas voltados à proteção. O Ministério do Meio Ambiente, por exemplo, que deveria ser aliado defensor do Cerrado, desconhece a realidade e omite informações sobre sua degradação.
Personagem principal da maioria massiva dos projetos voltados para preservação e proteção de áreas nativas, a Amazônia, que ocupa 4.239.000km2 do território brasileiro, é o maior bioma do país. É, sim, merecedora de toda a preocupação nacional e internacional por sua importante função ecológica.
Deve-se considerar, portanto, que há delicada interdependência entre os biomas e que proteger o Cerrado, elo entre os demais biomas brasileiros, é proteger a Amazônia também. Urge, assim, a necessidade de maior atenção ao bioma Cerrado, tão rico e tão carente de ações e prioridades voltadas às questões ambientais e sociais.
Algumas iniciativas passaram a aparecer em prol do Cerrado por volta dos anos 90. Em 1998 houve a divulgação de um estudo no qual pesquisadores identificaram 87 áreas prioritárias para a preservação da biodiversidade nos biomas Cerrado e Pantanal. Foi realizado em cada área um diagnóstico da importância biológica e uma avaliação das ações prioritárias para sua conservação. Estas ações se refletem na proteção, no estudo científico, no uso direto dos recursos bióticos e na restauração ou recuperação de áreas antropizadas.
O resultado apresentou diversos padrões significativos. As áreas de maior importância biológica concentram-se nos estados de Goiás, Bahia, Mato Grosso e Tocantins, ao longo do eixo central da distribuição do bioma Cerrado.
Um número substancial de áreas, entretanto, teve informação insuficiente para avaliar sua importância. Isto ressalta a carência de dados biológicos para a região, e a necessidade urgente de proceder inventários de campo na maior parte do Cerrado e Pantanal. Além da carência de inventários, o reduzido número de área em Unidades de Conservação é um problema sério. Em quase todas as áreas prioritárias, a criação de novas unidades foi assinalada como a ação mais urgente.
Das áreas identificadas e consideradas prioritárias, classificaram-se de extrema importância aquelas com maior urgência de serem protegidas. No Cerrado, 70% das áreas prioritárias enquadram-se nessa classificação. Na Amazônia, essa porcentagem é de apenas 15%.
Há a necessidade da criação de Unidades de Conservação para garantir a preservação de algumas áreas. Nessa comparação o Cerrado sai perdendo. Em 2005, o Cerrado possuía apenas 2,2% de sua área em Unidades de Proteção Integral. A porcentagem na Amazônia já era mais que o dobro, 5,7%. Comparando as Unidades de Uso Sustentável, a diferença é ainda mais discrepante: 7,7% na Amazônia e apenas 1,9 no Cerrado.
A área remanescente na Amazônia corresponde a 85% da original. No Cerrado, dados mais otimistas apontam uma área de apenas 60%. O ritmo de desmatamento é, também, bem diferente nos dois biomas. Na Amazônia é em torno de 10.000Km2 por ano. No Cerrado, essa taxa é de 30.000Km2. Nesse ritmo, o Cerrado corre o risco de desaparecer em poucos anos.
No que diz respeito à Reserva Legal nesses dois biomas, as porcentagens dessa área de cada propriedade particular onde não é permitido o desmatamento (corte raso), mas que pode ser utilizada através de uso sustentável destinada à preservação são bem diferentes. Enquanto a área de Reserva Legal da Amazônia é de 80 %, no Cerrado, essa porcentagem é simplesmente o seu complemento: apenas 20%.
O governo federal quer restringir crédito ao produtor que desmatar ou descumprir as leis ambientais na Amazônia. Pois então a mesma restrição seja aplicada no Cerrado. Quer também que a Amazônia não seja palco da expansão desordenada da atividade agrícola e que se respeitem as áreas de preservação permanente e as reservas legal. Queremos o mesmo para o Cerrado. Exigimos que a lei seja aplicada em todos os biomas brasileiros com a mesma rigidez.
Pois então, que recuperemos as áreas já desmatadas, tanto no Cerrado quanto na Amazônia, e aí sim, utilizemos essas áreas para as atividades agropecuárias importantes para a economia do Brasil. Estudos em diversos setores comprovam a possibilidade de aumentar a produção agropecuária sem desmatar novas áreas. Tecnologia para isso já existe, falta apenas incentivo governamental para pô-las em prática.
Alguém mais tem dúvida da importância do Cerrado no contexto nacional? Talvez apenas alguns congressistas que resistem em aprovar a Proposta de Emenda à Constituição - PEC 115/95 que após 11 anos encravada no parlamento está, agora, pronta para ser apreciada pelo Congresso Nacional. A aprovação dessa PEC que inclui o Cerrado e a Caatinga como Patrimônio Nacional além de resgatar um equívoco da Constituição Cidadã será uma alavanca para a atenção que esses biomas merecem.
Fonte: www.faser.org.br
Possui cerca de 2 milhões de km²
O domínio morfoclimático é a grande região das savanas sul-americanas
Está situado quase exclusivamente em território brasileiro, com áreas marginais na Bolívia e Paraguai
Ocupa o divisor de águas das grandes bacias fluviais do continente (Prata, Amazonas e São Francisco)
Está em contato com formações abertas vizinhas como o Pantanal, o Chaco e a Caatinga
Está também conectado à Amazônia e à Mata Atlântica, através de matas ciliares e de galeria
A posição central e o contato com diferentes domínios adjacentes são fatores que favorecem níveis elevados de diversidade biológica no domínio do Cerrado.
VEGETAÇÃO E TIPOS DE HÁBITAT
O domínio morfoclimático do Cerrado caracteriza-se pela vegetação de savana, formada por dois estratos principais, um árbóreo e outro rasteiro;
A flora do Cerrado é adaptada ao fogo natural e aos solos ácidos e ricos em alumínio, além de apresentar elevado grau de riqueza e endemismo;
O mosaico de ambientes típico do Cerrado é portanto condicionado por fatores físicos ligados á topografia local;
Tipos de hábitat divididos em dois grupos principais:
Ripários
Formas de vegetação associadas a cursos d água, nos fundos de vales, como matas de galeria, veredas e campo úmido
De Interfúvio
Englobam tipos de ambiente que variam desde o campo limpo e campo sujo até o cerradão
Outros tipos de vegetação incluem os campos rupestres, em áreas mais altas (geralmente acima de 1100m) e as matas secas sobre solos mais férteis, encostas ou afloramentos calcáreos.

Campo Limpo

Campo Sujo

Campo Cerrado

Cerrado Típico
RELEVO
O domínio do Cerrado ocorre sobre dois tipos básicos de unidades de relevo:
Planaltos cristalinos ou sedimentares, nas regiões mais elevadas, geralmente entre 700 e 1700 m, em terrenos antigos, formando os divisores de águas das principais bacias hidrográficas brasileiras (Amazonas, Prata, São Francisco e Parnaíba);
Depressões interplanalticas, geralmente entre 200 a 450m, em áreas de deposição e dissecção mais recente, em grandes bacias de drenagem (vão do Paranã; vales do Araguaia, Tocantins, Paraná e Paranaíba)
Muitas vezes os limites entre planaltos e as depressões são bastante definidos, formando escarpas abruptas, características da variação topográfica no Cerrado.

Planalto Cristalino Chapada dos Veadeiros

Limite entre planalto e depressão do alto Rio Taquari