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Cerrado Brasileiro

 

Cerrado é o nome regional dado às savanas brasileiras. Cerca de 85% do grande platô que ocupa o Brasil Central era originalmente dominado pela paisagem do cerrado, representando cerca de 1,5 a 2 milhões de km2, ou aproximadamente 20% da superfície do País. O clima típico da região dos cerrados é quente, semi-úmido e notadamente sazonal, com verão chuvoso e inverno seco. A pluviosidade anual fica em torno de 800 a 1600 mm.

Os solos são geralmente muito antigos, quimicamente pobres e profundos. A paisagem do cerrado é caracterizada por extensas formações savânicas, interceptadas por matas ciliares ao longo dos rios, nos fundos de vale.

Entretanto, outros tipos de vegetação podem aparecer na região dos cerrados, tais como os campos úmidos ou as veredas de buritis, onde o lençol freático é superficial; os campos rupestres podem ocorrer nas maiores altitudes e as florestas mesófilas situam-se sobre os solos mais férteis.

Mesmo as formas savânicas exclusivas não são homogêneas, havendo uma grande variação no balanço entre a quantidade de árvores e de herbáceas, formando um gradiente estrutural que vai do cerrado completamente aberto - o campo limpo, vegetação dominada por gramíneas, sem a presença dos elementos lenhosos (árvores e arbustos) - ao cerrado fechado, fisionomicamente florestal - o cerradão, com grande quantidade de árvores e aspecto florestal.

As formas intermediárias são o campo sujo, o campo cerrado e o cerrado stricto sensu, de acordo com uma densidade crescente de árvores.

As árvores do cerrado são muito peculiares, com troncos tortos, cobertos por uma cortiça grossa, cujas folhas são geralmente grandes e rígidas. Muitas plantas herbáceas têm órgãos subterrâneos para armazenar água e nutrientes.

Cortiça grossa e estruturas subterrâneas podem ser interpretadas como algumas das muitas adaptações desta vegetação às queimadas periódicas a que é submetida, protegendo as plantas da destruição e capacitando-as para rebrotar após o fogo.

Acredita-se que, como em muitas savanas do mundo, os ecossistemas de cerrado vêm co-existindo com o fogo desde tempos remotos, inicialmente como incêndios naturais causados por relâmpagos ou atividade vulcânica e, posteriormente, causados pelo homem.

Tirando proveito da rebrota do estrato herbáceo que se segue após uma queimada em cerrado, os habitantes primitivos destas regiões aprenderam a se servir do fogo como uma ferramenta para aumentar a oferta de forragem aos seus animais (herbívoros) domesticados, o que ocorre até hoje.

A grande variabilidade de habitats nos diversos tipos de cerrado suporta uma enorme diversidade de espécies de plantas e animais. Estudos recentes, como o apresentado por J.A.Ratter e outros autores em "Avanços no Estudo da Biodiversidade da Flora Lenhosa do Bioma Cerrado", em 1995, estimam o número de plantas vasculares em torno de 5 mil; e que mais de 1.600 espécies de mamíferos, aves e répteis já foram identificados nos ecossistemas de cerrado (Fauna do Cerrado, Costa et al., 1981). Entre a diversidade de invertebrados, os mais notáveis são os térmitas (cupins) e as formigas cortadeiras (saúvas).

São eles os principais herbívoros do cerrado, tendo uma grande importância no consumo e na decomposição da matéria orgânica, assim como constituem uma importante fonte alimentar para muitas outras espécies animais. Por outro lado, a pressão urbana e o rápido estabelecimento de atividades agrícolas na região vêm reduzindo rapidamente a biodiversidade destes ecossistemas.

Até meados de 1960, as atividades agrícolas nos cerrados eram bastante limitadas, direcionadas principalmente à produção extensiva de gado de corte para subsistência ou para o mercado local, uma vez que os solos de cerrado são naturalmente inférteis para a produção agrícola.

Após esse período, porém, o crescimento urbano e industrial da região Sudeste forçou a agricultura para o Centro-oeste. A mudança da capital do País para Brasília foi outro foco de atração de população para a região central.

De 1975 até o início dos anos 80, muitos programas governamentais foram lançados com o propósito de estimular o desenvolvimento da região do cerrado, através de subsídios para o estabelecimento de fazendas e melhorias tecnológicas para a agricultura, tendo, como resultado, um aumento significativo na produção agropecuária.

Atualmente, a região do cerrado contribui com mais de 70% da produção de carne bovina do País (Pecuária de corte no Brasil Central, Corrêa, 1989) e, graças à irrigação e técnicas de correção do solo, é também um importante centro de produção de grãos, principalmente soja, feijão, milho e arroz. Grandes extensões de cerrado são ainda utilizadas na produção de polpa de celulose para a indústria de papel, através do cultivo de várias espécies de Eucalyptus e Pinus, mas ainda como uma atividade secundária.

A conservação dos recursos naturais dos cerrados é representada por diversas categorias de unidades de conservação, de acordo com objetivos específicos: oito parques nacionais, diversos parques estaduais e estações ecológicas, compreendendo cerca de 6,5% da área total de cerrado (Cerrado: caracterização, ocupação e perspectivas, Dias, 1990). Entretanto, esta extensão é ainda insuficiente e mais unidades de conservação precisam ser criadas para proteger a biodiversidade que ainda preserva.

Vânia R. Pivello

Fonte: www.tecsi.fea.usp.br

Cerrado Brasileiro

O Cerrado possui 2.036.448km2 de extensão. É o segundo maior bioma brasileiro e considerado a savana mais rica em diversidade do mundo.

Possui um número exorbitante de espécies endêmicas, um dos fatos que o fez considerado pela UNESCO, um hotspot, área de alta biodiversidade e ameaçada no mais alto grau.

É constituído por um mosaico formado por grande diversidade ambiental. Dos campos limpos com peculiares espécies de fauna e flora, passando pelo Cerrado propriamente dito com curiosas árvores de troncos retorcidos às imponentes Florestas secas e Veredas, o bioma Cerrado, é um complexo de vida e beleza!

Os principais rios brasileiros que fluem a partir da região central nascem e crescem no Cerrado. Estima-se que 95% da população brasileira dependem de energia elétrica gerada ao menos em parte com águas provenientes desse bioma. Para se ter uma idéia, a Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco tem 47% da sua área no Cerrado e essa área é responsável por 94% da vazão de toda a água a bacia.

Na bacia Tocantins-Araguaia essas porcentagens são de 71% da área e 78% da vazão total e na Bacia do Rio Paraná, 45% da área e 75% da vazão total. Destaque-se, ainda, os imensos aqüíferos encontrados neste bioma, entre eles o Guarani. Assim, o Cerrado é fundamental para a manutenção do equilíbrio hidrológico do país e por seu importante papel na questão hídrica é considerado o  Berço das águas.

A ocupação desse bioma começou nos anos 40 com a Marcha para o Oeste. A partir dos anos 60, com programas de incentivos à prática da agricultura na região, o Cerrado passou a ser considerado, então, simples fronteira agrícola. O descaso com sua manutenção e a falta de conhecimento sobre o bioma ocorrem desde então.

Apesar de toda riqueza e sua contextualização no âmbito nacional, o Cerrado é carente de políticas ambientais e de programas voltados à proteção. O Ministério do Meio Ambiente, por exemplo, que deveria ser aliado defensor do Cerrado, desconhece a realidade e omite informações sobre sua degradação.

Personagem principal da maioria massiva dos projetos voltados para preservação e proteção de áreas nativas, a Amazônia, que ocupa 4.239.000km2 do território brasileiro, é o maior bioma do país. É, sim, merecedora de toda a preocupação nacional e internacional por sua importante função ecológica.

Deve-se considerar, portanto, que há delicada interdependência entre os biomas e que proteger o Cerrado, elo entre os demais biomas brasileiros, é proteger a Amazônia também. Urge, assim, a necessidade de maior atenção ao bioma Cerrado, tão rico e tão carente de ações e prioridades voltadas às questões ambientais e sociais.

Algumas iniciativas passaram a aparecer em prol do Cerrado por volta dos anos 90. Em 1998 houve a divulgação de um estudo no qual pesquisadores identificaram 87 áreas prioritárias para a preservação da biodiversidade nos biomas Cerrado e Pantanal. Foi realizado em cada área um diagnóstico da importância biológica e uma avaliação das ações prioritárias para sua conservação. Estas ações se refletem na proteção, no estudo científico, no uso direto dos recursos bióticos e na restauração ou recuperação de áreas antropizadas.

O resultado apresentou diversos padrões significativos. As áreas de maior importância biológica concentram-se nos estados de Goiás, Bahia, Mato Grosso e Tocantins, ao longo do eixo central da distribuição do bioma Cerrado.

Um número substancial de áreas, entretanto, teve informação insuficiente para avaliar sua importância. Isto ressalta a carência de dados biológicos para a região, e a necessidade urgente de proceder inventários de campo na maior parte do Cerrado e Pantanal. Além da carência de inventários, o reduzido número de área em Unidades de Conservação é um problema sério. Em quase todas as áreas prioritárias, a criação de novas unidades foi assinalada como a ação mais urgente.

Das áreas identificadas e consideradas prioritárias, classificaram-se de  extrema importância aquelas com maior urgência de serem protegidas. No Cerrado, 70% das áreas prioritárias enquadram-se nessa classificação. Na Amazônia, essa porcentagem é de apenas 15%.

Há a necessidade da criação de Unidades de Conservação para garantir a preservação de algumas áreas. Nessa comparação o Cerrado sai perdendo. Em 2005, o Cerrado possuía apenas 2,2% de sua área em Unidades de Proteção Integral. A porcentagem na Amazônia já era mais que o dobro, 5,7%.

Comparando as Unidades de Uso Sustentável, a diferença é ainda mais discrepante: 7,7% na Amazônia e apenas 1,9 no Cerrado.

A área remanescente na Amazônia corresponde a 85% da original. No Cerrado, dados mais otimistas apontam uma área de apenas 60%. O ritmo de desmatamento é, também, bem diferente nos dois biomas. Na Amazônia é em torno de 10.000Km2 por ano. No Cerrado, essa taxa é de 30.000Km2. Nesse ritmo, o Cerrado corre o risco de desaparecer em poucos anos.

No que diz respeito à Reserva Legal nesses dois biomas, as porcentagens dessa área de cada propriedade particular onde não é permitido o desmatamento (corte raso), mas que pode ser utilizada através de uso sustentável destinada à preservação são bem diferentes.

Enquanto a área de Reserva Legal da Amazônia é de 80 %, no Cerrado, essa porcentagem é simplesmente o seu complemento: apenas 20%.

O governo federal quer restringir crédito ao produtor que desmatar ou descumprir as leis ambientais na Amazônia. Pois então a mesma restrição seja aplicada no Cerrado. Quer também que a Amazônia não seja palco da expansão desordenada da atividade agrícola e que se respeitem as áreas de preservação permanente e as reservas legal. Queremos o mesmo para o Cerrado. Exigimos que a lei seja aplicada em todos os biomas brasileiros com a mesma rigidez.

Pois então, que recuperemos as áreas já desmatadas, tanto no Cerrado quanto na Amazônia, e aí sim, utilizemos essas áreas para as atividades agropecuárias importantes para a economia do Brasil. Estudos em diversos setores comprovam a possibilidade de aumentar a produção agropecuária sem desmatar novas áreas. Tecnologia para isso já existe, falta apenas incentivo governamental para pô-las em prática.

Alguém mais tem dúvida da importância do Cerrado no contexto nacional? Talvez apenas alguns congressistas que resistem em aprovar a Proposta de Emenda à Constituição - PEC 115/95 que após 11 anos encravada no parlamento está, agora, pronta para ser apreciada pelo Congresso Nacional. A aprovação dessa PEC que inclui o Cerrado e a Caatinga como Patrimônio Nacional além de resgatar um equívoco da Constituição Cidadã será uma alavanca para a atenção que esses biomas merecem.

Fonte: www.faser.org.br

Cerrado Brasileiro

A conservação do Cerrado brasileiro

O Cerrado é um dos hotspots para a conservação da biodiversidade mundial. Nos últimos 35 anos mais da metade dos seus 2 milhões de km2 originais foram cultivados com pastagens plantadas e culturas anuais.

O Cerrado possui a mais rica flora dentre as savanas do mundo (>7.000 espécies), com alto nível de endemismo. A riqueza de espécies de aves, peixes, répteis, anfíbios e insetos é igualmente grande, embora a riqueza de mamíferos seja relativamente pequena.

As taxas de desmatamento no Cerrado têm sido historicamente superiores às da floresta Amazônica e o esforço de conservação do bioma é muito inferior ao da Amazônia: apenas 2,2% da área do Cerrado se encontra legalmente protegida. Diversas espécies animais e vegetais estão ameaçadas de extinção e estima-se que 20% das espécies ameaçadas ou endêmicas não ocorram nas áreas legalmente protegidas.

As principais ameaças à biodiversidade do Cerrado são a erosão dos solos, a degradação dos diversos tipos de vegetação presentes no bioma e a invasão biológica causada por gramíneas de origem africana.

O uso do fogo para a abertura de áreas virgens e para estimular o rebrotamento das pastagens também é prejudicial, embora o Cerrado seja um ecossistema adaptado ao fogo. Estudos experimentais na escala ecossistêmica e modelos de simulação ecológica demonstraram que mudanças na cobertura vegetal alteram a hidrologia e afetam a dinâmica e os estoques de carbono no ecossistema.

A agricultura no Cerrado é lucrativa e sua expansão deve continuar em ritmo acelerado. A demanda por melhorias da infra-estrutura para baratear os custos de transporte da safra agrícola, deverá impactar tanto o Cerrado quanto a floresta Amazônica.

Devido à grande extensão das modificações ambientais já ocorridas e à ameaça às numerosas espécies renovou-se o interesse dos governos, das ONGs, da academia e mesmo do setor privado na busca da conservação do Cerrado, particularmente por meio do fortalecimento e ampliação do sistema de áreas protegidas e da criação de parcerias com o setor produtivo.

O CERRADO BRASILEIRO

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, sendo superado em área apenas pela Amazônia. Ocupa 21% do território nacional e é considerado a última fronteira agrícola do planeta (Borlaug, 2002).

O termo Cerrado é comumente utilizado para designar o conjunto de ecossistemas (savanas, matas, campos e matas de galeria) que ocorrem no Brasil Central (Eiten, 1977; Ribeiro et al., 1981). O clima dessa região é estacional, onde um período chuvoso, que dura de outubro a março, é seguido por um período seco, de abril a setembro.

A precipitação média anual é de 1.500mm e as temperaturassão geralmente amenas ao longo do ano, entre 22oC e 27oC em média. Os remanescentes de Cerrado que existem nos dias de hoje desenvolveram-se sobre solos muito antigos, intemperizados, ácidos, depauperados de nutrientes, mas que possuem concentrações elevadas de alumínio (muitos arbustos e árvores nativos do Cerrado acumulam o alumínio em suas folhas Haridasan, 1982).

Para torná-los produtivos para fins agrícolas, aplicam-se fertilizantes e calcário aos solos do Cerrado. A pobreza dos solos, portanto, não se constituiu em obstáculo para a ocupação de grandes extensões de terra pela agricultura moderna, especialmente a cultura da soja, um dos principais itens da pauta de exportações do Brasil, e as pastagens plantadas.

Cerca de metade dos 2 milhões de km² originais do Cerrado foram transformados em pastagens plantadas, culturas anuais e outros tipos de uso (Tabela 1). As pastagens plantadas com gramíneas de origem africana cobrem atualmente uma área de 500.000km², ou seja, o equivalente à área da Espanha. Monoculturas são cultivadas em outros 100.000km², principalmente a soja.

A área total para conservação é de cerca de 33.000km², claramente insuficiente quando comparada com os principais usos da terra no Cerrado.

A destruição dos ecossistemas que constituem o Cerrado continua de forma acelerada. Um estudo recente, que utilizou imagens do satélite MODIS do ano de 2002, concluiu que 55% do Cerrado já foram desmatados ou transformados pela ação humana (Machado et al., 2004a), o que equivale a uma área de 880.000km², ou seja quase três vezes a área desmatada na Amazônia brasileira.

As taxas anuais de desmatamento também são mais elevadas no Cerrado: entre os anos de 1970 e 1975, o desmatamento médio no Cerrado foi de 40.000km² por ano 1,8 vezes a taxa de desmatamento da Amazônia durante o período 1978 1988 (Klink & Moreira, 2002). As taxas atuais de desmatamento variam entre 22.000 e 30.000km² por ano (Machado et al., 2004a), superiores àquelas da Amazônia.

Estas diferenças se devem em parte ao modo que o Código Florestal trata os diferentes biomas brasileiros: enquanto é exigido que apenas 20% da área dos estabelecimentos agrícolas sejam preservadas como reserva legal no Cerrado, nas áreas de floresta tropical na Amazônia esse percentual sobe para 80%.

As transformações ocorridas no Cerrado também trouxeram grandes danos ambientais fragmentação de hábitats, extinção da biodiversidade, invasão de espécies exóticas, erosão dos solos, poluição de aqüíferos, degradação de ecossistemas, alterações nos regimes de queimadas, desequilíbrios no ciclo do carbono e possivelmente modificações climáticas regionais. Embora o Cerrado seja um ecossistema adaptado ao fogo, as queimadas utilizadas para estimular a rebrota das pastagens e para abrir novas áreas agrícolas causam perda de nutrientes, compactação e erosão dos solos, um problema grave que atinge enormes áreas, especialmente nas regiões montanhosas do leste goiano e oeste mineiro.

A eliminação total pelo fogo pode também causar degradação da biota nativa pois, devido ao acúmulo de material combustível (biomassa vegetal seca) e à baixa umidade da época seca, uma eventual queimada nessas condições tende a gerar temperaturas extremamente altas que são prejudiciais à flora e à fauna do solo (Klink & Moreira, 2002).

RIQUEZA DE ESPÉCIES

A biodiversidade do Cerrado é elevada, porém geralmente menosprezada.

O número de plantas vasculares é superior àquele encontrado na maioria das regiões do mundo: plantas herbáceas, arbustivas, arbóreas e cipós somam mais de 7.000 espécies (Mendonça et al., 1998). Quarenta e quatro por cento da flora é endêmica (Tabela 2) e, nesse sentido, o Cerrado é a mais diversificada savana tropical do mundo.

Existe uma grande diversidade de habitats e alternância de espécies. Por exemplo, um inventário florístico revelou que das 914 espécies de árvores e arbustos registradas em 315 localidades de Cerrado, somente 300 espécies ocorrem em mais do que oito localidades, e 614 espécies foram encontradas em apenas uma localidade (Ratter et al., 2003).

Embora a mais recente revisão da fauna de mamíferos aponte um número de espécies maior do que as compilações anteriores cerca de 199 espécies para o
bioma (Aguiar 2000, Marinho-Filho et al., 2002), a riqueza do grupo ainda é relativamente pequena.

Os mamíferos estão principalmente associados ou restritos aos fragmentos florestais ou matas de galeria (Redford & Fonseca, 1986). A avifauna é rica (> 830 espécies), mas o nível de endemismo é baixo (3,4%). Os números de peixes, répteis e anfíbios são elevados. Apesar do número de peixes endêmicos não ser conhecido, a diversidade de formas endêmicas da herpetofauna é numericamente muito superior à das aves (Tabela 2).

Os invertebrados são muito pouco conhecidos, mas estimativas sugerem uma riqueza em torno de 90.000 espécies (Dias, 1992); outras indicam a presença de 13% das borboletas, 35% das abelhas e 23% dos cupins da região Neotropical (Cavalcanti & Joly, 2002).

A despeito dessa elevada biodiversidade, a atenção reservada para sua conservação tem sido muito menor que aquela dispensada à Amazônia ou à Mata Atlântica. Somente 2,2% do bioma estão legalmente protegidos (Tabela 3) e existem estimativas indicando que pelo menos 20% das espécies endêmicas e ameaçadas permanecem fora dos parques e reservas existentes (Machado et al., 2004b).

O Cerrado é um dos hotspots mundiais de biodiversidade (Myers et al., 2000; Silva & Bates, 2002). Pelo menos 137 espécies de animais que ocorrem no Cerrado estão ameaçadas de extinção (Fundação Biodiversitas, 2003; Hilton-Taylor, 2004) em função da grande expansão da agricultura e intensa exploração local de produtos nativos.

No Distrito Federal (Brasília), por exemplo, o sustento de centenas de pessoas carentes depende do comércio de plantas nativas ornamentais uma das espécies exploradas já está extinta e outras 30 estão ameaçadas (L. Marsicano, dados não publicados).

A perda de habitat está causando o desaparecimento de variedades selvagens de cultivares. Por exemplo, o Cerrado é o centro de diversidade da mandioca (Manihot sp.), a maior fonte de alimento para mais de 600 milhões de pessoas nos trópicos (Olsen & Schaal, 1999). Espécies selvagens de Manihot retêm variedades genéticas vitais para a seleção de, por exemplo, substâncias protéicas ou tolerância à estiagem. De um total de 41 localidades identificadas e amostradas no final dos anos 70 como centros de diversidade de Manihot, somente uma permanece hoje em dia (Nassar, 2004).

PRINCIPAIS AMEAÇAS À BIODIVERSIDADE

A degradação do solo e dos ecossistemas nativos e a dispersão de espécies exóticas são as maiores e mais amplas ameaças à biodiversidade.

A partir de um manejo deficiente do solo, a erosão pode ser alta: em plantios convencionais de soja, a perda da camada superficial do solo é, em média, de 25ton/ha/ano, embora práticas de conservação, como o plantio direto, possam reduzir a erosão a 3ton/ha/ano (Rodrigues, 2002).

Aproximadamente 45.000km2 do Cerrado correspondem a áreas abandonadas, onde a erosão pode ser tão elevada quanto a perda de 130ton/ha/ano (Goedert, 1990). Práticas agrícolas no Cerrado incluem o uso extensivo de fertilizantes e calcário (Müller, 2003), os quais poluem córregos e rios. Além disto, o amplo uso de gramíneas africanas para a formação de pastagens é prejudicial à biodiversidade, aos ciclos de queimadas e à capacidade produtiva dos ecossistemas (Berardi, 1994; Barcellos, 1996; Pivello et al., 1999; Klink & Moreira, 2002).

Para a formação das pastagens, os cerrados são inicialmente limpos e queimados e, então, semeados com gramíneas africanas, como Andropogon gayanus Kunth., Brachiaria brizantha (Hochst. ex. A. Rich) Stapf,B. decumbens Stapf, Hyparrhenia rufa (Nees) Stapf e Melinis minutiflora Beauv. (molassa ou capim-gordura) (Barcellos, 1996). Metade das pastagens plantadas (cerca de 250.000km2 - uma área equivalente ao estado de São Paulo) está degradada e sustenta poucas cabeças de gado em virtude da reduzida cobertura de plantas, invasão de espécies não palatáveis e cupinzeiros (Barcellos, 1996; Costa & Rehman, 2005).

As gramíneas africanas invasoras são os maiores agentes de mudanças no Cerrado. Uma das variedades mais utilizadas é o capim-gordura, altamente impactante para a biodiversidade e para o funcionamento dos ecossistemas (Mack et al., 2000). Embora a substituição pelas gramíneas africanas ocorra em função de sua maior produtividade, tais espécies são amplamente dispersas em áreas perturbadas, faixas laterais de estradas, plantações abandonadas e reservas naturais no Cerrado (Berardi, 1994; Pivello et al., 1999).

Essas gramíneas podem alcançar biomassas extremamente elevadas e, quando secas, são altamente inflamáveis, iniciando uma interação gramíneas-fogo capaz de impedir o brotamento da vegetação nativa (Berardi, 1994). Nas áreas onde o capim-gordura se torna abundante, a flora local é consideravelmente depauperada. Incêndios de áreas dominadas pelo capim- gordura são mais quentes, mais prolongados e possuem chamas altas que podem alcançar o dossel das árvores.

Essas condições alteram a sucessão na superfície do solo e são mais danosas para a fauna do solo e espécies fossoriais do que queimadas típicas da vegetação do Cerrado.

O fogo é geralmente usado para limpar terrenos. Tansey e colaboradores (2004) estimaram que 67% da área queimada no Brasil em 2000 estavam no Cerrado.Queimadas freqüentes afetam negativamente o estabelecimento de árvores e arbustos (Hoffmann & Moreira, 2002), além de liberar para a atmosfera dióxido de carbono (CO2) e outros gases causadores do efeito estufa (Krug et al., 2002). Simulações que modelaram a conversão do Cerrado natural em pastagem plantadas mostraram que a precipitação pode ser reduzida em pelo menos 10%, os veranicos podem se tornar mais freqüentes e a temperatura média do ar superficial pode aumentar em 0,5oC (Hoffmann & Jackson, 2000), com grandes implicações para a agricultura. Estudos de campo demonstraram que a habilidade das árvores e arbustos do Cerrado em tamponar, durante a estação seca, a água armazenada no solo pode ser crítica para a manutenção do ciclo hídrico (Oliveira et al., no prelo). Alguns cenários de mudanças climáticas predizem diminuições na distribuição de muitas espécies arbóreas do Cerrado em mais de 50% (Siqueira & Peterson, 2003).

Em 1998, 49% da bacia do rio Tocantins tinha sido convertida em áreas de plantio e pastagens, aumentando a descarga do rio em 24% (Costa et al., 2003).

Desmatamentos amplos e ilegais das matas de galeria reduzem os suprimentos de água doce para áreas urbanas (Müller, 2003).

A maior parte da biomassa do Cerrado está no subsolo até 70%, dependendo da vegetação dominante (Castro & Kauffmann, 1998). Ao considerar as extensas alterações na paisagem é igualmente esperado que tenham ocorrido alterações no estoque regional de carbono.

Pastos plantados podem acumular carbono se forem bem manejados (Davidson et al., 1995; Silva et al., 2004), mas considerando a grande extensão das pastagens degradadas, é possível que esse ambiente já não sirva mais como seqüestrador de carbono atmosférico (Silva et al., 2004). Os fluxos de CO2 dos pastos plantados para a atmosfera são mais rápidos e sazonalmente mais variáveis do que aqueles do Cerrado nativo (Varella et al., 2004).

INICIATIVAS PARA A CONSERVAÇÃO

As amplas transformações ocorridas nas paisagens do Cerrado e o status de ameaça de muitas de suas espécies têm provocado o surgimento de iniciativas de conservação por parte do governo, de organizações não governamentais (ONGs), pesquisadores e do setor privado.

Uma rede de ONGs (a Rede Cerrado) foi estabelecida para promover localmente a adoção de práticas para o uso sustentável dos recursos naturais (Fundação Pro-Natureza, 2000). Em 2003, a Rede Cerrado encaminhou um documento conceitual ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) com recomendações para a adoção de medidas urgentes para a conservação do Cerrado. O MMA conseqüentemente definiu um grupo de trabalho que, em 2004, propôs um programa de conservação denominado Programa Cerrado Sustentável ,baseado nos resultados e proposições do seminário que definiu as prioridades para a conservação do Cerrado, em 1998 (Fundação Pró-Natureza et al., 1999).

A proposta visou também a integração de ações para conservação em regiões onde atividades agropecuárias são especialmente intensas, danosas e amplamente disseminadas.

Governos estaduais, como o de Goiás, estão trabalhando para a criação de áreas protegidas e ampliação e consolidação da rede existente de unidades de conservação, particularmente com o objetivo de se estabelecer corredores ecológicos.

A capacitação e assistência técnica a fazendeiros têm sido implementadas simultaneamente. Como um importante passo inicial,Goiás preparou sua própria avaliação do estado do meio ambiente . Com base no plano de trabalho do Global Environment Outlook do Programa das Nações Unidaspara o Meio Ambiente, a avaliação identificou impactos sobre a biodiversidade e estabeleceu as ações estaduais,envolvimento da sociedade civil (por exemplo, a Agenda 21 de Goiás), uma base legal e recomendações de prioridades (Galinkin, 2003).

A Conservação Internacional (CI-Brasil), a The Nature Conservancy (TNC) e a WWF-Brasil possuem programas especificamente voltados para a conservação do Cerrado.

A CI-Brasil está trabalhando com os estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, ONGs locais, universidades e o setor privado para o estabelecimento de corredores de biodiversidade, como os corredores Emas-Taquari e Uruçuí-Mirador , que objetivam manter a integridade das áreas protegidas em paisagens alteradas. A CI-Brasil também participa na criação de unidades de conservação estaduais e federais naregião do complexo do Jalapão (estado do Tocantins), a maior área contínua de conservação no Cerrado.

Desde 1994, a WWF-Brasil trabalha no estabelecimento da Reserva da Biosfera na região do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e tem projetos-piloto que apóiam comunidades indígenas no desenvolvimento de planos de manejo (em Mato Grosso e Goiás). A instituiçãoatua, ainda, de maneira colaborativa no manejo de ecossistemas aquáticos no Distrito Federal (WWF, 1994).

A TNC esteve envolvida na recente ampliação (maio de 2004) em 147.000ha do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, localizado no noroeste do estado de Minas Gerais, que se estende para o estado da Bahia num total de 231.000 hectares (TNC, 2004). Todas as três ONGs iniciaram a promoção de atividades econômicas alternativas (por exemplo, ecoturismo, uso sustentável de produtos da fauna e da flora, plantas medicinais) para apoiar a sobrevivência de comunidades locais.

O Banco Mundial propôs um amplo zoneamento ecológico-econômico (World Bank, 2003) para estimular o apoio de agências nacionais e internacionais para a conservação e o desenvolvimento racional da região.

O programa de pequenos projetos (PPP) que conta com recursos do Global Environment Facility (GEF) e apoio do PNUD-Brasil, promove ações de ONGs locais e pequenas comunidades rurais do Cerrado que buscam o uso sustentável dos recursos naturais.

DESAFIOS FUTUROS: COMO CONCILIAR USO DA TERRA COM CONSERVAÇÃO NO CERRADO

A expansão da agricultura e o uso de tecnologias modernas no Cerrado geraram benefícios socioeconômicos inegáveis: aumento da oferta dos produtos agrícolas tanto para uso doméstico como para exportação, ganhos na produtividade da agricultura, diversificação das economias locais e aumento da renda de municípios, e melhorias sociais em várias localidades (Bonelli, 2001).

A recente aprovação pelo Congresso Nacional do cultivo de culturas geneticamente modificadas, particularmente a soja e o algodão, possivelmente beneficiará a agricultura do Cerrado por intermédio da redução dos custos de produção e estimulará sua expansão na região.

A conjunção desses fatores implica que a expansão agrícola no Cerrado seguirá no futuro e certamente trará impactos tanto para o Cerrado quanto para outros ecossistemas, particularmente a floresta Amazônica.

Dentre os aspectos mais importantes está o desenvolvimento da infra-estrutura. A falta de investimentos desde meados dos anos 80 sucateou o sistema de transportes no Cerrado. O governo federal provavelmente investirá em melhorias nesse setor de modo a diminuir os custos de frete dos produtos agrícolas, especialmente a soja, já que os sojicultores do Cerrado têm custos de transportes mais elevados que seus competidores no mercado internacional, particularmente os EUA e a Argentina.

Tais melhorias expandirão as conexões existentes entre o Cerrado e a Amazônia (por exemplo a pavimentação da rodovia BR163 que liga Cuiabá ao porto de Santarém no Rio Amazonas), o que causará mais desmatamento na floresta Amazônica (Alencar et al., 2004).

Um dos principais desafios na conservação do Cerrado será demonstrar a importância que a biodiversidade desempenha no funcionamento dos ecossistemas. O conhecimento sobre a biodiversidade e as implicações das alterações no uso da terra sobre o funcionamento dos ecossistemas serão fundamentais para o debate desenvolvimento versus conservação .

No passado, a falta de conhecimento e as incertezas sobre os principais fatores que causavam o desmatamento no Cerrado prejudicaram sua conservação e manejo. Apesar de avanços recentes na pesquisa científica (Oliveira & Marquis, 2002), seu impacto ainda tem sido modesto na tomada de decisões, em parte pela inexistência de uma pesquisa mais orientada para a resolução de problemas, e em parte pela ausência de um programa regional de prioridades em pesquisa (que poderia identificar potenciais beneficiários dos resultados científicos, por exemplo).

O conhecimento já obtido não é amplamente disseminado pois a região carece de uma rede e canais de comunicação. A disseminação de melhores práticas deveria ser uma prioridade, como ocorreu com a introdução da prática do plantio direto para a conservação dos solos na agricultura no início dos anos 80. Esta prática disseminou-se rapidamente entre os produtores e hoje prevalece nas principais zonas agrícolas do Cerrado (Müller, 2003; Rodrigues, 2002).

No passado as políticas públicas negligenciaram as implicações do desenvolvimento na conservação do Cerrado, em parte porque a floresta Amazônica foi seu foco principal. Contudo existe hoje uma grande oportunidade para ações que envolvam vários setores da sociedade na busca da conservação e uso sustentável desse bioma.

Dada a escala de alteração e degradação já ocorridas, prioridade deveria ser dada à execução de ações que fortaleçam as áreas protegidas já existentes e que criem novas áreas de proteção. O seminário que estabeleceu critérios de prioridades para o estabelecimento de ações de conservação , em 1998, apontou 87 áreas para conservação com base no conhecimento biológico existente, como riqueza de espécies e distribuição de espécies endêmicas, raras, ameaçadas ou migratórias. Contudo, apenas recentemente esse conhecimento tem sido colocado em uso (Cavalcanti & Joly, 2002).

O estabelecimento de prioridades deveria considerar também a grande diversidade de habitats e ecossistemas existentes dentro do Cerrado. As políticas para conservação das áreas remanescentes de Cerrado deverão considerar portanto uma análise espacial da região. Por exemplo, foi reportado que a topografia, a proximidade de mercados consumidores, a existência de infra-estrutura e a presença de ONGs determinam o grau e forma de ocupação agrícola do solo do Cerrado (Pufal et al., 2000).

Em conclusão, as recomendações para as políticas públicas devem considerar o conhecimento já existente, tanto sobre espécies e habitats quanto sobre funcionamento de ecossistemas, uma vez que as modificações da paisagem têm implicações sobre o regime de queimadas, a hidrologia, a ciclagem e os estoques de carbono e possivelmente o clima.

Igualmente importante é o envolvimento dos vários setores da sociedade, inclusive o setor produtivo. Por exemplo, a criação de instrumentos, como os mecanismos de compensação, atrairia o interesse do setor privado ao mesmo tempo em que beneficiaria a conservação do Cerrado.

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Fonte: www.conservation.org.br

Cerrado Brasileiro

O cerrado é uma vegetação característica da parte central do Brasil. Ocupa cerca de 20% do território nacional, aproximadamente 2 milhões de km2, sendo a segunda maior formação vegetal brasileira. Trata-se de uma das principais áreas de ecossistemas tropicais da Terra, sendo um dos centros prioritários para a preservação da biodiversidade do planeta. O cerrado engloba 1/3 da biota (flora e fauna juntas) brasileira e 5% da mundial.

O clima típico da região dos cerrados é quente, semi-úmido, com verão chuvoso e inverno seco. Os solos são geralmente muito antigos, quimicamente pobres e profundos.

A paisagem do cerrado é caracterizada por extensas formações savânicas, interceptadas por matas ciliares ao longo dos rios e nos fundos de vale.

Estudos, estimam o número de espécies vegetais em torno de 10 mil; e que mais de 1.600 espécies de mamíferos, aves e répteis já foram identificados nos ecossistemas de cerrado.

O relevo do Cerrado é em geral bastante plano ou suavemente ondulado, estendendo-se por imensos planaltos ou chapadões. Cerca de 50% de sua área situa-se em altitudes que ficam entre 300 e 600 m acima do nível do mar; apenas 5,5% vão

Cerrado Brasileiro
Fruta-de-lobo

Representa 40% da alimentação do Lobo-guará. O alimento ajuda na sua digestão e serve como um vermífugo natural contra uma parasitose renal e na ausência deste fruto, o animal morre.

Cerrado Brasileiro
Cipó-de-são-joão

De suas flores faz-se xarope para a tosse.

Cerrado Brasileiro
Ipê do Cerrado

Cerrado Brasileiro
Flor do Pequi

É bastante disseminada na medicina popular regional a utilização do óleo do pequi adicionado ao mel de abelha contra gripes e bronquites.

Cerrado Brasileiro
Pára-tudo

Abundante flor do cerrado de rara beleza

Cerrado Brasileiro
Tucaneira (ou Pau-de-tucano)

ANIMAIS DO CERRADO

Entre os invertebrados, os mais notáveis são os cupins e as formigas cortadeiras (saúvas). São eles os principais herbívoros do cerrado, tendo uma grande importância no consumo e na decomposição da matéria orgânica, assim como constituem uma importante fonte alimentar para muitas outras espécies animais. Abelhas também têm papel fundamental na polinização das flores e gafanhotos apresentam grande riqueza de espécies e significativa importância como herbívoros.

Entre as aves do cerrado destacam-se: andorinha, anu-preto, anu-branco, azulão, beija-flor, bem-te-vi, canário-da-terra, chupim, codorna, coruja, gavião-carrapateiro, gavião carcará (caracará), gavião-pomba*, gralha, joão-de-barro, macuco*, maritaca, mergulhão*, mutum*, papagaio*, pássaro-preto, perdiz, pica-pau*, quero-quero, rolinha, sabiá*, seriema, tiziu, tucano (tucanuçu), urubu-preto.

Entre os animais, destacam-se: anta, capivara, cateto, queixada, paca, onça-parda*, onça-pintada*, jaguatirica*, lobo-guará*, cachorro-do-mato*, gambá, preguiça*, lontra*, tatu-bola*, tatu-canastra*, preá, tamanduá*, veado-campeiro*, calango, teiú, sauá*, guariba*, sagüi*, cobra-coral verdadeira e falsa, cobra-cipó, jibóia, urutu, cascavel, jararaca e morcego.

VEGETAÇÃO DO CERRADO

As árvores do cerrado são muito peculiares, com troncos tortos, cobertos por uma cortiça grossa, cujas folhas são geralmente grandes e rígidas. Os troncos tortos podem ser considerados como um efeito do fogo no crescimento dos caules, impedindo-os de se tornarem retilíneos pois pelas mortes de sucessivas gemas terminais e brotamento de gemas laterais, o caule acaba tomando uma aparência tortuosa. A espessa camada de súber (tecido formado por células mortas) que envolve troncos e galhos no Cerrado é outra característica interpretada como uma adaptação ao fogo. Agindo como isolante térmico, o súber impediria que as altas temperaturas das labaredas atingissem os tecidos vivos mais internos dos caules. Muitas plantas herbáceas (porte de erva) têm órgãos subterrâneos, onde são armazenados água e nutrientes. Cortiça grossa e estruturas subterrâneas podem ser interpretadas como algumas das muitas adaptações desta vegetação, que lhe permite subsistir às secas e às queimadas periódicas a que é submetida, protegendo as plantas da destruição e capacitando-as para rebrotar após o período de estiagem e/ou após o fogo. Dentro do solo, a 1, 2, 5 cm de profundidade, a temperatura pode elevar-se apenas em alguns poucos graus. Uma pequena camada de terra é suficiente para isolar termicamente todos os sistemas subterrâneos que se encontram sob ela, fazendo com que mal percebam o fogaréu que lhes passa por cima. Graças a isto, estas estruturas conseguem sobreviver e rebrotar poucos dias depois, como se nada houvesse acontecido.

O Cerrado não é uma região uniforme quanto a vegetação.

Existem ali classificações diferentes de vegetação, conforme a densidade de árvores por área:
Campo limpo:
Com vegetação predominante e quase exclusiva de gramíneas.
Campo sujo:
Possui cerca de 15% de árvores e arbustos, os quais concentram-e geralmente em "ilhas" de vegetação.
Cerrado típico:
Com árvores mais espaçadas e de menor porte.
Cerradão:
Com vegetação exuberante, composta de árvores médias e altas, porém ainda com um percentual de vegetação baixa e arbustos.
Campo rupestre:
Encontrado em áreas de contato do cerrado com a caatinga, solo raso e sofrem bruscas variações em relação à profundidade, drenagem e conteúdo nutricional. Composto por vegetação arbustiva.
Matas ciliares:
Matas fechadas que ocorrem em nascentes ou ao longo de cursos d água, em regiões mais férteis. Se assemelham à região de Mata Atlântica, muitas vezes repetindo as mesmas espécies desta.
Vegetação de afloramento de rocha maciça:
Representada por cactos, liquens, musgos, bromélias e ervas.

A diversidade das árvores do Cerrado é muito grande, e por esperarmos sempre uma vegetação dura e de  casca grossa em todos os sentidos, sempre nos surpreendemos com flores de grande beleza e delicadeza. Muitas vezes, na época de chuvas, as próprias folhas novas têm uma suave tonalidade de flor, destacando-se na paisagem agreste.

Fonte: www.itutinga.tur.br

Cerrado Brasileiro

O QUE É CERRADO?

O cerrado é uma formação vegetal típica do Brasil Central. No Estado de São Paulo ocorre nas regiões Centro - Oeste. Impressiona pelas árvores e arbustos retorcidos, caules recobertos de espessas cascas e folhas grossas, brilhantes ou revestidas por um denso conjunto de pêlos.

A aparência do cerrado não decorre da falta de água, mas sim dos solos profundos de baixa fertilidade e alta permeabilidade, aliados à topografia plana e períodos secos e chuvosos bem definidos.

FISIONOMIA DO CERRADO

A maior ou menor densidade de árvores e arbustos diferencia os tipos de cerrados: Campo cerrado caracteriza- se por vegetação predominante rasteira com ocorrência de árvores e arbustos bastante espaçados entre si.

Cerrado apresenta vegetação retorcida de até 5 metros, revestida de casca espessa, galhos baixos, e copas assimétricas.

Cerrado é uma formação florestal constituída por três estratos distintos: Superior, com árvores esparsas que podem atingir de 6 a 12 metros, predominando as de madeira dura ; Intermediário com árvores e arbustos retorcidos ; e Inferior constituído por vegetação rasteira.

FAUNA E FLORA

As espécies vegetais mais comuns no cerrado são o faveiro, a copaíba, o angico preto, o barbatimão e a lixeira.

O cerrado é riquíssimo em espécies animais devido ao seu grande número nicho ecológicos. Abriga algumas espécies ameaçadas de extinção como o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra, o tatu-bola, o veado campeiro, o lobo guará e ainda, a onça pintada, a ema e o perdiz.

As áreas de cerrado são alvo constante de expansão agrícola pela facilidade de mecanização do, terreno.
Além disso, apresentam características que as tornam muito suscetíveis ao fogo.

Fonte: www.consultoriaambiental.com.br

Cerrado Brasileiro

Cerrado é o nome regional dado à savana brasileira e se localiza no grande platô que ocupa o planalto central brasileiro (veja mapa).

Por fazer fronteira com os biomas Mata Atlântica, Caatinga, Amazônia e Pantanal, a fauna e flora do cerrado são extremamente ricas. O clima do cerrado é quente, semi-úmido, com verão chuvoso e inverno seco.

O cerrado é o segundo maior bioma brasileiro com uma área total de aproximadamente 2 mil km2 (20% do territóreo brasileiro), dos quais 300.000 km2 foram reconhecidos em 1993 como Reserva da Biosfera.

Os Parques Nacionais Chapada dos Veadeiros e Emas foram declarados Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2001.

O bioma do cerrado se caracteriza por grandes extensões cobertas de vegetação fantasmagórica, um solo aparentemente árido e pouca vida animal visível. Suas árvores e arbustos têm a aparência que costumamos atribuir à vegetação que vive em ambientes onde a água é escassa. Mas a água não é o fator limitante do cerrado (diferente da Caatinga).

Mesmo na estação seca, o solo contêm um teor apreciável de umidade, a partir de 2 metros de profundidade. O problema do cerrado é a falta de nutrientes no solo, a excessiva acidez e a grande quantidade de alumínio, substância tóxica para a maioria dos vegetais.

Todos esses fatores dão às plantas o aspecto xeromórfico: casca grossa, galhos retorcidos e pequeno porte.

O cerrado é um verdadeiro mosaico de formações vegetais, que vão desde o cerradão (com árvores altas, densidade maior e composição distinta), passando pelo cerrado mais comum no Brasil central (com árvores baixas e esparsas), até o campo cerrado, campo sujo e campo limpo (com progressiva redução da densidade arbórea). Ao longo dos rios há fisionomias florestais, conhecidas como florestas de galeria ou Mata Ciliar.

Outro fator importante na caracterização do cerrado é o fogo, que chega a aparecer nos incêndios espontâneos em épocas de seca. Ele pode ser gerado de diversas formas naturais, mas a principal delas são as descargas elétricas. Mas a vegetação do cerrado já está adaptada às queimadas, como demostra a grande rebrota após, principalmente das gramíneas.

O cerrado brasileiro é reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade com a presença de diversos ecossistemas, riquíssima flora com mais de 10.000 espécies de plantas, com 4.400 endêmicas (exclusivas) dessa área.

A fauna do cerrado apresenta 837 espécies de aves; 161 espécies de mamíferos, sendo que 19 são endêmicas; 150 espécies de anfíbios, das quais 45 endêmicas;120 espécies de répteis, das quais 45 endêmicas; apenas no Distrito Federal, há 90 espécies de cupins, mil espécies de borboletas e 500 espécies de abelhas e vespas.

Cerrado Brasileiro

Fauna do cerrado

Avifauna

Andorinhão, beija-flor, curiango, urutau, quero-quero, curicaca , rolinha, rola-caldo-de-feijão, fogo - apagou, pomba-de-bando, anu, gavião-caboclo , caracará, urubu, gavião, seriema, gralha-do-cerrado, arapaçu-do-cerrado, papa-capim-de-crista, curió, bicudo, azulão, canário-da-terra, coleirinha, tisiu, joão-de-barro, andorinha, pássaro-preto, chupim, sabiá, siriri, bem-te-vi, tesourinha, pica-pau-branco, chanchã, tucanuçu, papagaio, arara, periquito, maritaca, ema, coruja, inhambu-xororó, codorna, perdiz.

Mamíferos

Veado, catingueiro, queixada, caitetu, cachorro - do - mato , lobo-guará, suçuarana, jaguarundi, onça-pintada, cangambá, jaritataca, morcego, vampiro comum, tatu, peba, tamanduá, tapiti, gambá, musaranha, cuíca, anta, sagüi, paca, preá, cutia, ouriço-caxeiro, coandu, jabuti, Irara.

Répteis

Cobras, calango, teiú.

Animais pouco conhecidos

Cerrado Brasileiro
Curiango

Cerrado Brasileiro
Irara

Cerrado Brasileiro

Cerrado Brasileiro
Curicaca

Cerrado Brasileiro
Rola-caldo-de-feijão

Clima do cerrado

O clima predominante no Cerrado é o Tropical Sazonal, de inverno seco. A temperatura média anual é de 25°C, podendo chegar a marcações de até 40°C. As mínimas registradas podem chegar a valores próximos de 10°C ou até menos, nos meses de maio, junho e julho.

A precipitação média anual fica entre 1.200 e 1.800 mm, sendo os meses de março e outubro os mais chuvosos. Curtos períodos de seca, chamados de veranicos, podem ocorrer no meio da primavera e do verão. No período de maio a setembro os índices pluviométricos mensais reduzem-se bastante, podendo chegar a zero.

Nos períodos de estiagem, o solo se desseca muito, mas somente em sua parte superficial (1,5 a 2 metros de profundidade). Mas vários estudos já demonstraram que, mesmo durante a seca, as folhas das árvores perdem razoáveis quantidades de água por transpiração, evidenciando a disponibilidade deste mineral nas camadas profundas do solo. Outra evidência é a floração do ipê-amarelo na estação da seca, porém a maior demonstração deste fato é a presença de extensas plantações de eucaliptos, crescendo e produzindo plenamente, sem necessidade de irrigação.

Ventos fortes e constantes não são características gerais do Cerrado.

Normalmente a atmosfera é calma e o ar fica, muitas vezes, quase parado. Em agosto costumam ocorrer algumas ventanias, levantando poeiras e cinzas de queimadas a grandes alturas, através de redemoinhos que se podem ver de longe.

A radiação solar é bastante intensa, podendo reduzir-se devido à alta nebulosidade nos meses excessivamente chuvosos do verão.

Relevo do Cerrado

Os pontos mais elevados do Cerrado estão na cadeia que passa por Goiás em direção sudeste-nordeste. O Pico Alto da Serra do Pireneus, com 1.385 metros de altitude, a Chapada dos Veadeiros, com 1.250 metros e outros pontos com elevação consideradas que se estendem em direção noroeste; a Serra do Jerônimo e outras serras menores, com altitudes entre 500 e 800 metros.

O relevo é um tanto acidentado, com poucas áreas planas. Nos morros mais altos são encontrados pedregulhos, argila com inclusões de pedras e camadas de areia.

Outra formação é constituída por aflorações e rochas calcárias, com fendas, grutas e cavernas em diferentes tamanhos. Por cima das rochas há uma vegetação silvestre. Possui campos e vales com vegetação bem característica e há ainda uma mata ciliar rodeando riachos e lagoas.

Os solos apresentam-se intemperizados, devido à alta lixiviação e possuem baixa fertilidade natural. Apresenta pH ácido, variando de 4,3 a 6,2. Possui elevado conteúdo de alumínio, baixa disponibilidade de nutrientes, como fósforo, cálcio, magnésio, potássio, matéria orgânica, zinco, argila, compondo-se de caulinita, goetita e gibsita. O solo é bem drenado, profundo e com camadas de húmus.

Há estruturas do solo bem degradadas, devido às atividades agrícolas e pastagens, sendo recuperados com reflorestamento de espécies como Eucalyptus, associado com plantio de milho, feijão, café, freijó, maniçoba ou palma.

Flora no Cerrado

Mesmo que não totalmente conhecida, a flora do Cerrado é riquíssima. Sua cobertura vegetal é a segunda maior do Brasil, abrangendo uma área de 20% do território nacional. Apresenta as mais diversas formas de vegetação, desde campos sem árvores, ou arbustos, até o cerrado lenhoso denso com matas ciliares. Reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade com a presença de diversos ecossistemas, riquíssima flora com mais de 10.000 espécies de plantas, sendo 4.000 endêmicas desse bioma.

Os campos cobrem a maior parte do território, denominada campestre. É essencialmente coberto por gramíneas, com árvores e arbustos. É subdividido em campo de cerrado e campo limpo, que se diferenciam na formação do terreno e na composição do solo, com declives ou plano.

A vegetação dos brejos é composta por gramíneas, ciperáceas, arbustos, pequenas árvores isoladas, algumas ervas, entre outras espécies.

As árvores mais altas do Cerrado chegam a 15 metros de altura e formam estruturas irregulares. Apenas nas matas ciliares as árvores ultrapassam 25 metros e possuem normalmente folhas pequenas. Nos chapadões arenosos e nos quentes campos rupestres estão os mais exuberantes e exóticos cactos, bromeliáceas e orquídeas, contando com centenas de espécies endêmicas. E ainda existem espécies desconhecidas, que devido à ação do homem podem ser destruídas antes mesmo de serem catalogadas.

Plantas comuns do Cerrado

A vegetação do Cerrado apresenta diversas paisagens florísticas diferenciadas, como os brejos, os campos alagados, os campos altos, os remanescentes de mata atlântica. Mas as fitopaisagens predominantes são aquelas dos Cerrados, como o cerrado típico, o cerradão e as veredas. Nestas, há desde palmeiras, como Babaçu , Bacuri, Brejaúba, Buriti, Guariroba, Jussara e Macaúba, até plantas de plantas frutíferas como Araticum-do-cerrado, Araçá , Araçá-boi , Araça-da-mata, Araça roxo, Bacuri, Bacupari, Baru, Café-de-bugre, Figueira, Fruta do lobo, Jabuticaba, Jatobá, Marmelinho, Pequi, Goiabeira, Gravatás, Marmeleiro, Genipapo, Ingá, Mamacadela, Mangaba, Cajuzinho do Campo, Pitanga do Cerrado, Guapeva, Veludo-branco; Madeiras, tais quais Angico branco, Angico , Aroeira branca, Aroeira-do-sertão, Cedro, Monjoleiro, Vinhático, Bálsamo do Cerrado, Pau-ferro, Ipês, além de plantas características dos Cerrados, como Amendoim-do-campo , Araticum cagão, Aroerinha , Capitão , Embaúba , Guatambu-de-sapo , Maria-pobre , Mulungu , Paineira , Pororoca , Quaresmeira roxa , Tamboril , Pata- de - Vaca, Algodão-do-cerrado , Assa-peixe , Pau-terra , Pimenta de macaco, Tamboril , Gameleira, sem falar em uma grande variedade de gramíneas, bromeliáceas, orquidáceas e outras plantas de menor porte

Fonte: www.colegiotecnologico.g12.br

Cerrado Brasileiro

Um quarto do território brasileiro mais de 200 milhões de hectares era originalmente ocupado pelo cerrado. Na década de 1990, porém, 47 milhões de hectares já haviam sido substituídos por pastagens plantadas ou culturas de grãos.

Formação vegetal característica do Centro-Oeste brasileiro, o cerrado éconstituído de árvores relativamente baixas e tortuosas, disseminadas em meio a arbustos, subarbustos e gramíneas.

A estrutura do cerrado compreende basicamente dois estratos: o superior, formado pelas árvores e arbustos; e o inferior, composto por um tapete de gramíneas.

As árvores típicas do cerrado atingem em média dez metros de altura, apresentam casca grossa, protegida às vezes por uma camada de cortiça, troncos, galhos e copas irregulares; algumas possuem folhas coriáceas, em certos casos tão duras que chegam a chocalhar com o vento; em outras, as folhas atingem dimensões enormes e caem ao fim da estação seca.

Um quarto do território brasileiro mais de 200 milhões de hectares era originalmente ocupado pelo cerrado. Na década de 1990, porém, 47 milhões de hectares já haviam sido substituídos por pastagens plantadas ou culturas de grãos.

Formação vegetal característica do Centro-Oeste brasileiro, o cerrado é constituído de árvores relativamente baixas e tortuosas, disseminadas em meio a arbustos, subarbustos e gramíneas.

O solo típico do planalto central, onde se encontra a maior parte do cerrado, é constituído de areias e argilas, soltas ou consolidadas em arenitos e filitos, e de calcários e pedregulhos, resultantes do levantamento dos sedimentos do oceano primitivo.

Os elementos que formam o estrato superior são providos de raízes profundas, que lhes permite atingir o lençol freático, situado de 15 a 20m de profundidade.

Essa circunstância lhes confere melhores condições de sobrevivência ao longo do período de estiagem. As gramíneas do estrato inferior, devido a suas raízes curtas, ressentem-se mais da estiagem, quando entram em estado de latência, ou morte aparente.

O tapete rasteiro apresenta então aspecto de palha seca, que favorece a propagação de incêndios, desencadeados pelas queimadas.

Mas logo após as primeiras chuvas tudo reverdece e viceja. Quando devidamente preparado, o solo do cerrado é fértil, como comprovam as grandes plantações de soja, milho, sorgo e outras culturas.

No entanto, no Centro-Oeste, imensas áreas foram submetidas a queimadas, para a formação de pastagens, o que provocou o empobrecimento do solo, pela queima de materiais orgânicos, e colocou em risco de extinção certas espécies vegetais e animais, como o tamanduá-bandeira e o lobo guará.

Outra ameaça à riqueza desse ecossistema é o plantio indiscriminado de florestas homogêneas de pinheiros e eucaliptos. Mais de 150.000 espécies animais vivem no cerrado, entre elas a ema e o veadocampeiro.

Fonte: www.fisgall.com

Cerrado Brasileiro

SITUAÇÃO GEOGRÁFICA

Possui cerca de 2 milhões de km²
O domínio morfoclimático é a grande região das savanas sul-americanas
Está situado quase exclusivamente em território brasileiro, com áreas marginais na Bolívia e Paraguai
Ocupa o divisor de águas das grandes bacias fluviais do continente (Prata, Amazonas e São Francisco)
Está em contato com formações abertas vizinhas como o Pantanal, o Chaco e a Caatinga
Está também conectado à Amazônia e à Mata Atlântica, através de matas ciliares e de galeria
A posição central e o contato com diferentes domínios adjacentes são fatores que favorecem níveis elevados de diversidade biológica no domínio do Cerrado.

VEGETAÇÃO E TIPOS DE HÁBITAT

O domínio morfoclimático do Cerrado caracteriza-se pela vegetação de savana, formada por dois estratos principais, um árbóreo e outro rasteiro;
A flora do Cerrado é adaptada ao fogo natural e aos solos ácidos e ricos em alumínio, além de apresentar elevado grau de riqueza e endemismo;
O mosaico de ambientes típico do Cerrado é portanto condicionado por fatores físicos ligados á topografia local;

Tipos de hábitat divididos em dois grupos principais:

Ripários: Formas de vegetação associadas a cursos d água, nos fundos de vales, como matas de galeria, veredas e campo úmido
De Interfúvio:
Englobam tipos de ambiente que variam desde o campo limpo e campo sujo até o cerradão

Outros tipos de vegetação incluem os campos rupestres, em áreas mais altas (geralmente acima de 1100m) e as matas secas sobre solos mais férteis, encostas ou afloramentos calcáreos.

Cerrado Brasileiro
Campo Limpo

Cerrado Brasileiro
Campo Sujo

Cerrado Brasileiro
Campo Cerrado

Cerrado Brasileiro
Cerrado Típico

RELEVO

O domínio do Cerrado ocorre sobre dois tipos básicos de unidades de relevo:

Planaltos cristalinos ou sedimentares, nas regiões mais elevadas, geralmente entre 700 e 1700 m, em terrenos antigos, formando os divisores de águas das principais bacias hidrográficas brasileiras (Amazonas, Prata, São Francisco e Parnaíba);

Depressões interplanalticas, geralmente entre 200 a 450m, em áreas de deposição e dissecção mais recente, em grandes bacias de drenagem (vão do Paranã; vales do Araguaia, Tocantins, Paraná e Paranaíba)

Muitas vezes os limites entre planaltos e as depressões são bastante definidos, formando escarpas abruptas, características da variação topográfica no Cerrado.

Cerrado Brasileiro
Planalto Cristalino Chapada dos Veadeiros

Cerrado Brasileiro
Limite entre planalto e depressão do alto Rio Taquari

SOLOS

Há o predomínios de solos profundos e bem drenados.

Os solos típicos do Cerrado foram submetidos a sucessivos ciclos de lixiviação, sendo, por isso, ácidos e pouco férteis.

Podem ocorrer sob várias formas:

Latossolos, formados principalmente por argila e silte, geralmente de coloração avermelhada pela grande concentração de óxidos de ferro
Areias quartzosas, onde a argila e o silte são muito pouco representados, formando solos ainda mais pobres, geralmente de cor clara
Litossolos, solos rasos e pedregosos, em encostas com laterita cobertas por campos, ou em áreas elevadas, com afloramentos rochosos, cobertos por campos ou cerrados rupestres
Hidromórficos, sazonalmente inundados, com maior concentração de matéria orgânica e nutrientes carreados pelo lençol freático. Onde ocorrem principalmente os campos úmidos, as veredas e as matas de galeria drenadas ou alagáveis.

BIODIVERSIDADE

O Cerrado é reconhecido como a savana mais rica do mundo em biodiversidade
Mais de 10.000 espécies de plantas, com 4.400 endêmicas (exclusivas) dessa área
A fauna apresenta 837 espécies de aves; 67 gêneros de mamíferos, abrangendo 161 espécies e dezenove endêmicas; 150 espécies de anfíbios, das quais 45 endêmicas; 120 espécies de répteis, das quais 45 endêmicas
Apenas no Distrito Federal, há 90 espécies de cupins, mil espécies de borboletas e 500 espécies de abelhas e vespas.

OCUPAÇÃO HUMANA

Os primeiros registros humanos na região do Cerrado datam de cerca de 10.000 anos antes do presente,e referem-se a povos caçadores-coletores;

Os Xavante, Bororo, Krixá, Nhambiquara, Kadiwéu, Pareci, Krahô e Karajá são exemplos dos diferentes grupos indígenas recentes do Cerrado, que substituíram os primeiros povos;

As primeiras incursões não-indígenas de exploração territorial e econômica no Cerrado ocorreram no início do século XVII, quase cem anos após o descobrimento, com as Entradas e Bandeiras ;

Nas décadas recentes, com a expansão da fronteira agrícola, a região do Cerrado sofre a sua mais rápida e significativa mudança. A partir de então as paisagens naturais do Brasil central têm sido alteradas e destruídas de forma rápida e irreversível, com a séria ameaça a um patrimônio cultural e biológico desprotegido, pouco valorizado e pouco estudado.

CONSERVAÇÃO

A visão do Cerrado antes da onda de destruição

Nos anos 60 e 70 o Cerrado era considerado, até mesmo no meio científico, como ecossistema pouco importante. Mas boa parte de sua área natural encontrava-se livre de impactos antrópicos;

À primeira vista chamava atenção o aspecto repetitivo, considerado monótono, dos chapadões cobertos por árvores baixas e retorcidas, com sinais de queimadas que pareciam exterminar boa parte da fauna e flora;

Mas um olhar mais detalhado e cuidadoso revelou a riqueza do Cerrado, só recentemente reconhecido como área prioritária para conservação;

A maior parte da riqueza e endemismo da flora do Cerrado está representada no estrato herbáceo, em plantas rasteiras e pouco exuberantes;

Grande parte da riqueza e do endemismo da fauna concentra-se nos pequenos vertebrados, pouco conspícuos, por vezes raros e em muitos casos adaptados á vida em galerias e cavidades no solo.

O quadro atual

O ciclo de colonização do Cerrado teve início nos anos 60 e 70, a partir da implantação de acesso rodoviário e expansão da fronteira agrícola para o Brasil central, com o desenvolvimento das técnicas de correção do solo, estimuladas por diversas políticas governamentais, que tinham como objetivo a produção de commodities para exportação;

Estudos recentes indicam que apenas cerca de 20% do domínio do Cerrado ainda possui vegetação nativa em estado relativamente intacto;

Setores importantes da sociedade, inclusive o próprio governo brasileiro, acreditam que o Cerrado ainda é o grande celeiro do mundo e alardeiam a possibilidade de abertura de novas áreas para a cultura de grãos, ameaçando a reduzida área remanescente;

Ações como a formulação de políticas de conservação específicas para o Cerrado, via identificação de áreas prioritárias para a conservação ou via incentivo ao desenvolvimento sustentável e recuperação de áreas degradadas, são extremamente importantes para garantir a conservação das áreas naturais nas savanas brasileiras.

Uma reversão do quadro de destruição teria que passar necessariamente pela mudança do modelo de exploração, ou seja, pela identificação de formas sustentáveis de exploração econômica;

Outra mudança necessária é da forma como os gestores de políticas públicas e a própria população vêem o Cerrado;

Há pouca informação acessível ao grande público sobre a importãncia do Cerrado em temos de riqueza de espécies e berço de importantes bacias hidrográficas;

A legislação que define as áreas de vegetação nativa que devem ser preservadas em propriedades privadas, denominadas reservas legais:

Nas áreas de Cerrado, a reserva legal deve compreender 20% da área total da propriedade, enquanto na Amazônia, esse valor sobe para 50%;

Infelizmente, apesar do recente (e ainda restrito) reconhecimento nos meios científicos, o Cerrado está longe de ser protegido e valorizado como as regiões de floresta úmida, como Amazõnia e Mata Atlântica;

É muito importante documentar a diversidade biológica nas poucas regiões com remanescentes de Cerrado, tanto dentro como fora de unidades de conservação, antes que os padrões originais de diversidade e distribuição da fauna sejam modificados de forma irreversível.

A documentação e o mapeamento da diversidade são fundamentais para que se possa conhecer e propor medidas eficazes de conservação das áreas naturais do Cerrado.

Fonte: www.ucg.br

Cerrado Brasileiro

Com uma extensão de mais de 8,5 milhões de km2, distribuídos por latitudes que vão desde aproximadamente 5º N até quase 34º S, o espaço geográfico brasileiro apresenta uma grande diversidade de clima, de fisiografia, de solo, de vegetação e de fauna. Do ponto de vista florístico, já no século passado C.F.Ph.

Martius reconhecera em nosso país nada menos do que cinco Províncias Fitogeográficas (grandes espaços contendo endemismos a nível de gêneros e de espécies), por ele denominadas Nayades (Província das Florestas Amazônicas), Dryades (Província das Florestas Costeiras ou Atlânticas), Hamadryades (Província das Caatingas do Nordeste), Oreades (Província dos Cerrados) e Napaeae (Província das Florestas de Araucária e dos Campos do Sul). Tais endemismos refletem, sem dúvida, a existência daquela grande diversidade de condições ambientais, as quais criaram isolamentos geográficos e/ou ecológicos e possibilitaram, assim, o surgimento de taxa distintos ao longo da evolução.

Com pequenas modificações, estes grandes espaços geográficos brasileiros são hoje também conhecidos como Domínios Morfoclimáticos e Fitogeográficos, sendo eles: o Domínio Amazônico, o Domínio da Mata Atlântica, o Domínio das Caatingas, o Domínio dos Cerrados, o Domínio da Araucária e o Domínio das Pradarias do Sul, segundo a acepção de Aziz N. Ab'Saber. Como tais espaços não têm limites lineares na natureza, faixas de transição, mais ou menos amplas, existem entre eles.

A palavra Domínio deve ser entendida como uma área do espaço geográfico, com extensões subcontinentais, de milhões até centenas de milhares de Km2, onde predominam certas características morfoclimáticas e fitogeográficas, distintas daquelas predominantes nas demais áreas. Isto significa dizer que outras feições morfológicas ou condições ecológicas podem ocorrer em um mesmo Domínio, além daquelas predominantes. Assim, no espaço do Domínio do Cerrado, nem tudo que ali se encontra é Bioma de Cerrado. Veredas, Matas Galeria, Matas Mesófilas de Interflúvio, são alguns exemplos de representantes de outros tipos de Bioma, distintos do de Cerrado, que ocorrem em meio àquele mesmo espaço.

Não se deve, pois, confundir o Domínio com o Bioma. No Domínio do Cerrado predomina o Bioma do Cerrado. Todavia, outros tipos de Biomas também estão ali representados, seja como tipos "dominados" ou "não predominantes" (caso das Matas Mesófilas de Interflúvio), seja como encraves (ilhas ou manchas de caatinga, por exemplo), ou penetrações de Florestas Galeria, de tipo amazônico ou atlântico, ao longo dos vales úmidos dos rios. Para dirimir dúvidas, sempre é bom deixar claro se estamos nos referindo ao Domínio do Cerrado, ou mais especificamente, ao Bioma do Cerrado. O Domínio é extremamente abrangente, englobando ecossistemas os mais variados, sejam eles terrestres, paludosos, lacustres, fluviais, de pequenas ou de grandes altitudes etc.

O Bioma do Cerrado é terrestre. Assim, podemos falar em peixes do Domínio do Cerrado, mas não em peixes do Bioma do Cerrado. A ambigüidade no uso destes dois conceitos - Domínio e Bioma - deve sempre ser evitada. Por esta razão, usaremos Domínio do Cerrado quando for o caso, e Bioma do Cerrado ou simplesmente Cerrado quando quisermos nos referir especificamente a este tipo de ecossistema terrestre, de grande dimensão, com características ecológicas bem mais uniformes e marcantes.

Clima do Cerrado

O clima predominante no Domínio do Cerrado é o Tropical sazonal, de inverno seco. A temperatura média anual fica em torno de 22-23ºC, sendo que as médias mensais apresentam pequena estacionalidade. As máximas absolutas mensais não variam muito ao longo dos meses do ano, podendo chegar a mais de 40ºC. Já as mínimas absolutas mensais variam bastante, atingindo valores próximos ou até abaixo de zero, nos meses de maio, junho e julho. A ocorrência de geadas no Domínio do Cerrado não é fato incomum, ao menos em sua porção austral.

Em geral, a precipitação média anual fica entre 1200 e 1800 mm. Ao contrário da temperatura, a precipitação média mensal apresenta uma grande estacionalidade, concentrando-se nos meses de primavera e verão (outubro a março), que é a estação chuvosa. Curtos períodos de seca, chamados de veranicos, podem ocorrer em meio a esta estação, criando sérios problemas para a agricultura. No período de maio a setembro os índices pluviométricos mensais reduzem-se bastante, podendo chegar a zero.

Disto resulta uma estação seca de 3 a 5 meses de duração. No início deste período a ocorrência de nevoeiros é comum nas primeiras horas das manhãs, formando-se grande quantidade de orvalho sobre as plantas e umidecendo o solo. Já no período da tarde os índices de umidade relativa do ar caem bastante, podendo baixar a valores próximos a 15%, principalmente nos meses de julho e agosto.

Água parece não ser um fator limitante para a vegetação do cerrado, particularmente para o seu estrato arbóreo-arbustivo. Como estas plantas possuem raízes pivotantes profundas, que chegam a 10, 15, 20 metros de profundidade, atingindo camadas de solo permanentemente úmidas, mesmo na sêca, elas dispõem sempre de algum abastecimento hídrico. No período de estiagem, o solo se desseca realmente, mas apenas em sua parte superficial ( 1,5 a 2 metros de profundidade). Consequência disto é a deficiência hídrica apresentada pelo estrato herbáceo-subarbustivo, cuja parte epigéia se desseca e morre, embora suas partes hipogéias se mantenham vivas, resistindo sob a terra às agruras da sêca.

Vários experimentos já demonstraram que, mesmo durante a sêca, as folhas das árvores perdem razoáveis quantidades de água por transpiração, evidenciando sua disponibilidade nas camadas profundas do solo. Muitas espécies arbóreas de cerrado florescem em plena estação seca como o ipê-amarelo, demonstrando o mesmo fato. A maior evidência de que água não é o fator limitante do crescimento e produção do estrato arbóreo-arbustivo do cerrado é o fato de aí encontrarmos extensas plantações de Eucalyptus, crescendo e produzindo plenamente, sem necessidade de irrigação. Outras espécies cultivadas em cerrado, como mangueiras, abacateiros, cana-de-açúcar, laranjeiras etc, fazem o mesmo. A termoperiodicidade diária e estacional parece ser um fator de certa importância para a vegetação do cerrado, particularmente para o estrato herbáceo-subarbustivo. Geadas, todavia, prejudicam bastante as plantas matando suas folhas, que logo secam e caem, aumentando em muito a serapilheira e o risco de incêndios.

Ventos fortes e constantes não são uma característica geral do Domínio do Cerrado. Normalmente a atmosfera é calma e o ar fica muitas vezes quase parado. Em agosto costumam ocorrer algumas ventanias, levantando poeira e cinzas de queimadas a grandes alturas, através de redemoinhos que se podem ver de longe. Às vezes elas podem ser tão fortes que até mesmo grossos galhos são arrancados das árvores e atirados à distância.

A radiação solar no Domínio do Cerrado é geralmente bastante intensa, podendo reduzir-se devido à alta nebulosidade, nos meses excessivamente chuvosos do verão. Por esta possível razão, em certos anos, outubro costuma ser mais quente do que dezembro ou janeiro. Como o inverno é seco, quase sem nuvens, e as latitudes são relativamente pequenas, a radiação solar nesta época também é intensa, aquecendo bem as horas do meio do dia. Em agosto-setembro esta intensidade pode reduzir-se um pouco em virtude da abundância de névoa seca produzida pelos incêndios e queimadas da vegetação, tão freqüentes neste período do ano.

Por estas características de clima, o Domínio do Cerrado faz parte do Zonobioma II, na classificação de Heinrich Walter.

Solo do Cerrado

Originando-se de espessas camadas de sedimentos que datam do Terciário, os solos do Bioma do Cerrado são geralmente profundos, azonados, de cor vermelha ou vermelha amarelada, porosos, permeáveis, bem drenados e, por isto, intensamente lixiviados.

Em sua textura predomina, em geral, a fração areia, vindo em seguida a argila e por último o silte. Eles são, portanto, predominantemente arenosos, areno-argilosos, argilo-arenosos ou, eventualmente, argilosos. Sua capacidade de retenção de água é relativamente baixa.

O teor de matéria orgânica destes solos é pequeno, ficando geralmente entre 3 e 5%. Como o clima é sazonal, com um longo período de seca, a decomposição do húmus é lenta. Sua microflora e micro/mesofauna são ainda muito pouco conhecidas. Todavia, acreditamos que elas devam ser bem características ou típicas, o que, talvez, nos permitisse falar em "solo de cerrado" e não apenas em "solo sob cerrado", como preferem alguns. Afinal, a flora e a fauna de um solo são partes integrantes dele e deveriam permitir distingüí-lo de outros tantos solos, física ou quimicamente similares.

Quanto às suas características químicas, eles são bastante ácidos, com pH que pode variar de menos de 4 a pouco mais de 5. Esta forte acidez é devida em boa parte aos altos níveis de Al3+, o que os torna aluminotóxicos para a maioria das plantas agrícolas. Níveis elevados de ions Fe e de Mn também contribuem para a sua toxidez. Baixa capacidade de troca catiônica, baixa soma de bases e alta saturação por Al3+, caracterizam estes solos profundamente distróficos e, por isto, impróprios para a agricultura.

Correção do pH pela calagem (aplicação de calcário, de preferência o calcário dolomítico, que é um carbonato de cálcio e magnésio) e adubação, tanto com macro quanto com micronutrientes, podem torná-los férteis e produtivos, seja para a cultura de grãos ou de frutíferas. Isto é o que se faz em nossa grande região produtora de soja, situada, como se sabe, em solos de Cerrado de Goiás, Minas, Mato Grosso do Sul, etc. Além da soja, outros grãos como milho, sorgo, feijão, e frutíferas como manga, abacate, abacaxi, laranja etc, são também cultivados com sucesso. Com a calagem e a adubação, os cerrados tornaram-se a grande área de expansão agrícola de nosso país nas últimas décadas. A pecuária também se expandiu com o cultivo de gramíneas africanas introduzidas, de alta produção e palatabilidade, como a braquiária, por exemplo.

Em parte dos Cerrados, o solo pode apresentar concreções ferruginosas - canga - formando couraças, carapaças ou bancadas lateríticas, que dificultam a penetração da água de chuva ou das raízes, podendo às vezes impedir ou dificultar o desenvolvimento de uma vegetação mais exuberante e a própria agricultura.

Quando tais couraças são espessas e contínuas, vamos encontrar sobre estas superfícies formas mais pobres e mais abertas de Cerrado. Que porcentagem dos solos apresenta este tipo de impedimento físico não sabemos, embora ela deva ser significativa.

Quando pastagens nativas de cerrado são sobrepastejadas, o solo fica muito exposto e é facilmente erodido. Devido às suas características texturais e estruturais ele é também frequentemente sujeito à formação de enormes voçorocas.

Estas características dos solos do Bioma do Cerrado permitem-nos considerá-lo como um Pedobioma, do Zonobioma II de Heinrich Walter.

Vegetação do Cerrado

A vegetação do Bioma do Cerrado, considerado aqui em seu "sensu lato", não possui uma fisionomia única em toda a sua extensão. Muito ao contrário, ela é bastante diversificada, apresentando desde formas campestres bem abertas, como os campos limpos de cerrado, até formas relativamente densas, florestais, como os cerradões. Entre estes dois extremos fisionômicos, vamos encontrar toda uma gama de formas intermediárias, com fisionomia de savana, às vezes de carrasco, como os campos sujos, os campos cerrados, os cerrados "sensu stricto" (s.s.).

Assim, na natureza o Bioma do Cerrado apresenta-se como um mosaico de formas fisionômicas, ora manifestando-se como campo sujo, ora como cerradão, ora como campo cerrado, ora como cerrado s.s. ou campo limpo. Quando percorremos áreas de cerrado, em poucos km podemos encontrar todas estas diferentes fisionomias. Este mosaico é determinado pelo mosaico de manchas de solo pouco mais pobres ou pouco menos pobres, pela irregularidade dos regimes e características das queimadas de cada local (freqüência, época, intensidade) e pela ação humana.

Assim, embora o Bioma do Cerrado distribua-se predominantemente em áreas de clima tropical sazonal, os fatores que aí limitam a vegetação são outros: a fertilidade do solo e o fogo. O clímax climático do Domínio do Cerrado não é o Cerrado, por estranho que possa parecer, mas sim a Mata Mesófila de Interflúvio, sempre verde, que hoje só existe em pequenos relictos, sobre solos férteis tipo terra roxa legítima. As diferentes formas de Cerrado são, portanto, pedoclímaces ou piroclímaces, dependendo de ser o solo ou o fogo o seu fator limitante. Claro que certas formas abertas de cerrado devem esta sua fisionomia às derrubadas feitas pelo homem para a obtenção de lenha ou carvão.

De um modo geral, podemos distingüir dois estratos na vegetação dos Cerrados: o estrato lenhoso, constituído por árvores e arbustos, e o estrato herbáceo, formado por ervas e subarbustos. Ambos são curiosamente heliófilos. Ao contrário do caso de uma floresta, o estrato herbáceo aquí não é formado por espécies de sombra, umbrófilas, dependentes do estrato lenhoso. O sombreamento lhe faz mal, prejudica seu crescimento e desenvolvimento

O adensamento da vegetação lenhosa acaba por eliminar em grande parte o estrato herbáceo. Por assim dizer, estes dois estratos se antagonizam. Por esta razão entendemos que as formas intermediárias de Cerrado - campo sujo, campo cerrado e cerrado s.s. - representem verdadeiros ecótonos, onde a vegetação herbácea/subarbustiva e a vegetação arbórea/arbustiva estão em intensa competição, procurando, cada qual, ocupar aquele espaço de forma independente, individual. Aqueles dois estratos não comporiam comunidades harmoniosas e integradas, como nas florestas, mas representariam duas comunidades antagônicas, concorrentes.

Tudo aquilo que beneficiar a uma delas, prejudicará, indiretamente, à outra e vice-versa. Elas diferem entre si não só pelo seu espectro biológico, mas também pelas suas floras, pela profundidade de suas raízes e forma de exploração do solo, pelo seu comportamento em relação à seca, ao fogo, etc., enfim, por toda a sua ecologia. Toda a gama de formas fisionômicas intermediárias parece-nos expressar exatamente o balanço atual da concorrência entre aqueles dois estratos.

Troncos e ramos tortuosos, súber espêsso, macrofilia e esclerofilia são características da vegetação arbórea e arbustiva, que de pronto impressionam o observador. O sistema subterrâneo, dotado de longas raízes pivotantes, permite a estas plantas atingir 10, 15 ou mais metros de profundidade, abastecendo-se de água em camadas permanentemente úmidas do solo, até mesmo na época seca.

Já a vegetação herbácea e subarbustiva, formada também por espécies predominantemente perenes, possui órgãos subterrâneos de resistência, como bulbos, xilopódios, sóboles, etc., que lhes garantem sobreviver à seca e ao fogo. Suas raízes são geralmente superficiais, indo até pouco mais de 30 cm. Os ramos aéreos são anuais, secando e morrendo durante a estação seca. Formam-se, então 4, 5, 6 ou mais toneladas de palha por ha/ano, um combustível que facilmente se inflama, favorecendo assim a ocorrência e a propagação das queimadas nos Cerrados. Neste estrato as folhas são geralmente micrófilas e seu escleromorfismo é menos acentuado.

Flora do Cerrado

Se bem que ainda incompletamente conhecida, a flora do Cerrado é riquíssima.Tomando uma atitude conservadora, poderíamos estimar a flora do bioma do cerrado como sendo constituída por cerca de 3.000 espécies, sendo 1.000 delas do estrato arbóreo-arbustivo e 2.000 do herbáceo-subarbustivo. Como famílias de maior expressão destacamos as Leguminosas (Mimosaceae, Fabaceae e Caesalpiniaceae), entre as lenhosas, e as Gramíneas (Poaceae) e Compostas (Asteraceae), entre as herbáceas.

Em termos de riqueza de espécies, esta flora deve ser superada apenas pelas florestas amazônicas e pelas florestas atlânticas. Outra característica sua é a heterogeneidade de sua distribuição, havendo espécies mais típicas dos Cerrados da região norte, outras da região centro-oeste, outras da região sudeste etc. Por esta razão, unidades de conservação, com áreas significativas, deveriam ser criadas e mantidas nas mais diversas regiões do Domínio do Cerrado, a fim de garantir a preservação do maior número de espécies da flora deste Bioma, bem como da fauna a ela associada.

Fauna do Cerrado

A fauna do Bioma do Cerrado é pouco conhecida, particularmente a dos Invertebrados. Seguramente ela é muito rica, destacando-se naturalmente o grupo dos Insetos. Quanto aos Vertebrados, o que se conhece são, em geral, listas das espécies mais freqüentemente encontradas em áreas de Cerrado, pouco se sabendo da História Natural desses animais, do tamanho de suas populações, de sua dinâmica etc. Só muito recentemente estão surgindo alguns trabalhos científicos, dissertações e teses sobre estes assuntos.

Entre os Vertebrados de maior porte encontrados em áreas de Cerrado, citamos a jibóia, a cascavel, várias espécies de jararaca, o lagarto teiú, a ema, a seriema, a curicaca, o urubu comum, o urubu caçador, o urubu-rei, araras, tucanos, papagaios, gaviões, o tatu-peba, o tatu-galinha, o tatu-canastra, o tatu-de-rabo-mole, o tamanduá-bandeira e o tamanduá-mirim, o veado campeiro, o cateto, a anta, o cachorro-do-mato, o cachorro-vinagre, o lobo-guará, a jaritataca, o gato mourisco, e muito raramente a onça-parda e a onça-pintada.

Excetuando-se a maioria das aves, segundo alguns autores a fauna do Cerrado caracteriza-se, em geral, pelos seus hábitos noturnos e fossoriais ou subterrâneos, tidos como formas de escapar aos rigores do tempo reinantes durante as horas do dia. Todavia, há autores que não concordam que isto seja uma característica da fauna do cerrado. Embora consideradas ausentes, espécies umbrófilas talvez ocorram no interior de cerradões mais densos, onde predomina a sombra e certamente sob o estrato herbáceo-subarbustivo. Segundo diversos zoólogos, parece não haver uma fauna de Vertebrados endêmica, restrita ao Bioma do Cerrado. De um modo geral estas espécies ocorrem também em outros tipos de Biomas. Todavia, entre pequenos roedores e pássaros existem diversos endemismos, a nível de espécies pelo menos.

Entre os Invertebrados, pesquisas futuras mostrarão seguramente muitas espécies endêmicas. Neste grupo da fauna merece especial destaque o Phylum Arthropoda e entre estes a Classe Insecta.

Os cupins, insetos da Ordem Isoptera, Família Termitidae, são de grande importância seja pela sua riqueza em gêneros e espécies, seja pelo seu papel no fluxo de energia do ecossistema, como herbívoros vorazes que são e servindo de alimento para grande número de predadores (tamanduá, tatu, cobra-de-duas-cabeças, lagartos, etc.).

Ordem de grande importância é a dos Hymenoptera, onde se destacam as Famílias Formicidae (formigas), como as saúvas (Gênero Atta) por exemplo, e Apidae (abelhas), esta última pelo seu importante papel na polinização das flores. Os gafanhotos (Ordem Orthoptera, Família Acrididae) também apresentam grande riqueza de espécies e significativa importância como herbívoros.

Fogo sobre o Cerrado

Antes de mais nada, atente muito bem o leitor para o fato de que vamos tratar dos efeitos do fogo sobre o cerrado nativo, não sobre aquelas áreas em que ele é derrubado, destruído em sua vegetação e sua fauna,para a implantação de agricultura ou pecuária em pastagens cultivadas. Neste caso a situação é muito diversa, os efeitos por vezes totalmente opostos. Intencionalmente deixamos para discutir por último este fator, de extraordinária importância para o Bioma do Cerrado, seja pelos múltiplos e diversificados efeitos ecológicos que exerce, seja por ser ele uma excelente ferramenta para o manejo de áreas de Cerrado, com objetivos conservacionistas. "Mas"... o leitor diria intrigado: "como conservar, ateando fogo ao Cerrado?".

A resposta é simples: proteção total e absoluta contra o fogo no Cerrado é uma utopia, é extremamente difícil.

O acúmulo anual de biomassa seca, de palha, acaba criando condições tão favoráveis à queima que qualquer descuido com o uso do fogo, ou a queda de raios no início da estação chuvosa, acabam por produzir incêndios tremendamente desastrosos para o ecossistema como um todo, impossíveis de serem controlados pelo homem. Neste caso é preferível prevenir tais incêndios, realizando queimadas programadas, em áreas limitadas e sucessivas, cujos efeitos poderão ser até mesmo benéficos.

Tudo depende de sabermos manejar o fogo adeqüadamente, levando em conta uma série de fatores, como os objetivos do manejo, a direção do vento, as condições de umidade e temperatura do ar, a umidade da palha combustível e do solo, a época do ano, a freqüência das queimadas etc. É assim que se faz em outros biomas savânicos, semelhantes aos nossos Cerrados, de países como África do Sul, Austrália, onde a cultura ecológica é mais científica e menos emocional do que a nossa.

"Mas..." diria ainda o leitor: "... e quando o homem não estava presente em tais regiões, no passado remoto, incêndios desastrosos também não ocorriam em conseqüência dos raios? Não seria melhor deixar queimar, então, naturalmente?". Grandes incêndios certamente ocorriam, só que não eram desastrosos. Não existiam cêrcas de arame farpado prendendo os animais. Eles podiam fugir livremente do fogo, para as regiões vizinhas. Por outro lado, áreas eventualmente dizimadas pelo fogo podiam ser repovoadas pelas populações adjacentes. Hoje é diferente.

Além das cêrcas, a vizinhança de um Parque Nacional ou qualquer outra unidade de conservação, é formada por fazendas, onde a vegetação e a fauna natural já não mais existem. O Parque Nacional das Emas, no sudoeste de Goiás, por exemplo, é uma verdadeira ilha de Cerrado, em meio a um mar de soja.

Se a sua fauna for dizimada por grandes incêndios, ele não terá como ser naturalmente repovoado, uma vez que essa fauna já não mais existe nas vizinhanças. Manejar o fogo em unidades de conservação como esta é uma necessidade urgente, sob pena de vermos perdida grande parte de sua biodiversidade.

Conservação do Cerrado

Poucas são as nossas unidades de conservação, com áreas bem significativas, onde o Cerrado é o bioma dominante. Entre elas podemos mencionar o Parque Nacional das Emas (131.832 ha), o Parque Nacional Grande Sertão Veredas (84.000 ha), o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (33.000 hs), o Parque Nacional da Serra da Canastra (71.525 ha), o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (60.000 ha), o Parque Nacional de Brasília (28.000 ha).

Embora estas áreas possam, à primeira vista, parecer enormes, para a conservação de carnívoros de maior porte, como a onça-pintada e a onça-parda, por exemplo, o ideal seria que elas fossem ainda maiores.

Se considerarmos que cerca de 45% da área do Domínio do Cerrado já foram convertidos em pastagens cultivadas e lavouras diversas, é extremamente urgente que novas unidades de conservação representativas dos cerrados sejam criadas ao longo de toda a extensão deste Domínio, não só em sua área nuclear mas também em seus extremos norte, sul, leste e oeste. A criação de unidades de conservação com áreas menos significativas não deve, todavia, ser menosprezada.

Quando adequadamente manejadas, elas também são de enorme importância para a preservação da biodiversidade. Só assim se conseguirá, em tempo, conservar o maior número de espécies de sua rica e variadíssima flora e fauna.

A grande maioria das atuais unidades de conservação, sejam elas federais, estaduais ou municipais, acha-se hoje em uma situação de completo abandono, com sérios problemas fundiários, de demarcação de terras e construção de cêrcas, de acesso por estrada de rodagem, de comunicação, de gerenciamento, de realização de benfeitorias necessárias, de pessoal em número e qualificação suficientes etc. Quanto ao manejo de sua fauna e flora, então nem se fale.

Pouco ou nada se faz para conhecer as populações animais, seu estado sanitário, sua dinâmica etc. Admite-se "a priori" que elas estão bem pelo simples fato de estarem "protegidas" por uma cerca, quando esta existe.

Na realidade, isto poderá significar o seu fim. Problemas de consangüinidade, viroses, verminoses, epidemias, poderão estar ocorrendo entre os animais, dizimando-os dramaticamente, e nem se sabe disto. Pesquisas a médio e longo prazo são essenciais para que possamos compreender o que acontece com as populações animais remanescentes nos cerrados.

Paralelamente, espécies exóticas de gramíneas, principalmente as de origem africana, como o capim-gordura, o capim-jaraguá, a braquiária, estão invadindo estas unidades de conservação e substituindo rapidamente as espécies nativas do seu riquíssimo estrato herbáceo/subarbustivo. Dentro de alguns anos, ou décadas que seja, estas unidades transformar-se-ão em verdadeiros pastos de gordura, jaraguá ou braquiária e terão perdido, assim, toda a sua enorme riqueza de espécies de outrora.

É urgente inverter-se esta situação.

Fonte: eco.ib.usp.br

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