Não. O termo chuva ácida foi cunhado por um químico, Robert Angus Smith, quando descrevia a poluição em Manchester, Inglaterra, há mais de um século. Entretanto, a nível mundial, a percepção da acidez da chuva só ocorreu a partir da década de 1950, quando diversos ecossistemas (lagos e florestas, principalmente) já estavam seriamente comprometidos. Esta percepção tardia deve-se ao fato de que os ambientes naturais possuem um longo tempo de resposta a agressões como a acidificação. A água e o solo possuem a capacidade de neutralizar adições de ácidos e bases, e só depois de esgotada esta capacidade é que o pH destes ambientes sofre mudanças bruscas e acentuadas.
Quais os efeitos da chuva ácida sobre o solo e a vegetação?
A solubilidade de metais potencialmente tóxicos como o alumínio, manganês e cádmio é dependente do pH e aumenta rapidamente com a diminuição do pH da solução do solo. O alumínio é fitotóxico e causa prejuízos ao sistema de raízes, diminuindo a habilidade das plantas para absorver os nutrientes e a água do solo, afetando o crescimento das sementes e a decomposição do folhedo, e interagindo sinergisticamente com os ácidos para aumentar o prejuízo às plantas e aos ecossistemas aquáticos. Outro efeito líquido sobre a vegetação é a redução no seu crescimento ou, no pior caso, a morte, devido não só à lixiviação dos nutrientes como o magnésio e o potássio pelo percolado ácido, mas também por causas secundárias afetando a planta enfraquecida.
Incentivar o transporte coletivo.
Utilizar metrôs em substituição à frota de ônibus a diesel.
Incentivar a descentralização industrial.
Dessulfurar os combustíveis com alto teor de enxofre antes da sua distribuição e consumo.
Dessulfurar os gases de combustão nas indústrias antes do seu lançamento na atmosfera.
Subsidiar a utilização de combustíveis limpos (gás natural, energia elétrica de origem hidráulica,energia solar e energia eólica) em fontes de poluição tipicamente urbanas como hospitais, lavanderias e restaurantes.
Utilizar combustíveis limpos em veículos, indústrias e caldeiras.
Fonte: www.fontedosaber.com
Um dos problemas ambientais mais graves que muitas nas regiões no mundo vêm enfrentando atualmente é a chuva ácida. Dentro desse termo genérico, outros fenômenos como neblina ácida e a neve ácida, todos relacionados a precipitações substanciais de ácido.
O fenômeno da chuva ácida foi descoberto na Grã-Bretanha, na metade do Século XIX, pelo cientista Argus Smith. Naquela oportunidade ele utilizou a expressão chuva ácida para descrever a precipitação ácida que ocorreu sobre a cidade de Manchester, no início da Revolução Industrial.
A chuva ácida conduz a conseqüências ecológicas danosas, e a presença de partículas de ácido no ar, provavelmente também tem efeitos diretos sobre a saúde humana.
A chuva "natural", isto é, não poluída, já é ligeiramente ácida, devido à presença de dióxido de carbono atmosférico dissolvido, que forma ácido carbônico:
CO2 (g) + H2O (aq.) H2CO3 (aq.)
Em seguida o H2CO3 ioniza-se parcialmente liberando um íon de hidrogênio, com a resultante redução do pH do sistema:
H2CO3 (aq.) H+ + HCO3-
Como conseqüência dessa fonte de acidez, o pH da chuva natural, não poluída é de cerca de 5,6.
Define-se como chuva ácida, apenas aquela que é substancialmente mais ácida que isso, ou seja, com pH menos que 5,0, tendo em vista a presença de quantidades de traço de ácidos fortes naturais, o que leva a acidez da chuva em ar puro a um nível um pouco mais alto que aqueles existentes pela presença apenas de dióxido de carbono - as erupções vulcânicas liberam ácidos fortes como HCl, que podem produzir temporariamente chuva ácida.
Uma grande quantidade de eletricidade consumida atualmente nos países desenvolvidos é proveniente da queima de combustíveis fósseis como carvão mineral, gás natural e óleo. Os dois principais poluentes e maiores responsáveis pela deposição ácida, dióxido de enxofre (SO2) e óxidos de nitrogênio (NOx), são liberados para atmosfera ou emitidos quando estes combustíveis são queimados.
O carvão mineral é o maior responsável pelas emissões de dióxido de enxofre (SO2)- e também pôr uma porção significativa das emissões de óxidos de nitrogênio (NOx).
Quando o carvão é queimado, o enxofre presente reage com o ar, formando então o SO2. Ao contrário, os óxidos de nitrogênio (NOx) são formados quando qualquer combustível fóssil é queimado.
Estes compostos SO2 e NOx, reagem na atmosfera com vapor d'água, oxigênio e oxidantes para formar gotas de ácido, chuva, neve, neblina, e outras formas de precipitações que contêm mistura de ácido sulfúrico e ácido nítrico, que caem sobre a terra na forma de chuva ácida, como deposição úmida. As partícula em suspensão no ar podem também se depositar sobre o solo na forma seca, isto é, sem serem precipitações de chuva.
De fato, praticamente toda a acidez da chuva ácida pode ser atribuída à presença desses dois ácidos, sulfúrico (H2SO4) e ácido nítrico (HNO3). Entretanto, outros gases como o ácido clorídrico e o ácido fluorídrico, causam também a acidificação das águas de chuva.
A Tabela 1, extraída de MOTA, Suetônio, Introdução à Engenharia Ambiental, mostra a origem dos gases responsáveis pela chuva ácida, principalmente, da queima de combustíveis fósseis e das atividades industriais.
Tabela 1 - Gases responsáveis pela chuva ácida e suas origens
O processo de deposição úmida abrange a transferência de poluentes para a superfície da terra pela chuva, neve, neblina, ou seja, pôr soluções aquosas.
A extensão em que a precipitação ácida afeta a vida biológica em uma determinada área, depende muito da composição do solo e das rochas nesta área. As áreas mais fortemente afetadas são constituídas de granitos ou de quartzo, porque o solo tem menor capacidade de neutralizar o ácido.
A chuva ácida tem se apresentado como um dos piores problemas ecológicos de algumas regiões dos Estados Unidos, do Canadá e da Europa. Calcula-se entre 5 a 10 milhões de quilômetros quadrados (superfície equivalente ao território brasileiro) a área afetada nesses locais (MOTA, Suetônio, obra citada).
Estudos têm revelado que, embora os níveis de dióxido de enxofre tenham caído significativamente nas últimas décadas, tanto nos EUA quanto na Europa, houve pouca variação no pH das precipitações. Na Europa, pôr exemplo, o pH médio da chuva ácida ainda está entre 4,0 e 4,5. Atribui-se esta falta de redução da acidez a uma diminuição, no mesmo período, nas emissões de partículas de cinzas incombustíveis de chaminés e de outras partículas sólidas, todas alcalinas, neutralizando uma parte do dióxido de enxofre e do ácido sulfúrico da mesma maneira que o carbonato de cálcio atua no solo.
A acidificação dos solos tem provocado enormes perdas de produtividade na agricultura, como conseqüência da lixiviação dos nutrientes; da eliminação de organismos que contribuem na decomposição e nitrificação; da liberação de metais pesados e alumínio, tornando-os mais solúveis; da esterilização, com impactos sobre a vegetação.
Outro impacto danoso é a acidificação da água, principalmente em lagos de reservatórios voltados para o abastecimento e produção de energia elétrica, onde a água com maior acidez provoca desgaste em equipamentos, tais como bombas e turbinas, tubulações, etc., além de poder provocar a morte de peixes e a morte da vegetação.
A destruição de florestas pela chuva ácida é um fato constatado em diversas parte do mundo. De acordo com o Fundo Mundial para a Natureza, cerca de 35% dos ecossistemas europeus já estão seriamente alterados e cerca de 50% das florestas da Alemanha e da Holanda estão destruídas pela acidez da chuva. Na costa do Atlântico Norte, a água do mar está entre 10 e 30% mais ácida que nos últimos vinte anos. Nos EUA, onde as usinas termelétricas são responsáveis pôr quase 65% do SO2 lançado na atmosfera, o solo dos Montes Apalaches também está alterado: tem uma acidez dez vezes maior que a das áreas vizinhas, de menor altitude, e cem vezes maior que a das regiões onde não há esse tipo de poluição.
No Brasil, o problema que apresentou maior destaque foi o da cidade de Cubatão. As encostas da Serra do Mar, próximas à cidade, são uma ameaça, através de seus escorregamentos constantes, escorregamentos estes, provocados pelo desmatamento intenso ocorrido na região , principalmente pela ação dos poluentes emitidos no próprio centro industrial.
O Governo do Estado de São Paulo e as empresas locais precisaram investir recursos em uma série de obras para conter as ondas de lama produzidas durante as chuvas:
Outro grande dano provocado pela chuva ácida é a destruição de obras civis e monumentos. Nesses últimos anos, os principais monumentos históricos sofreram severas agressões provocadas pelo ácido. Um exemplo muito conhecido é da Acrópole, em Atenas, na Grécia, onde os efeitos dessas agressões nos últimos quarenta anos são equivalentes àqueles observados nos dois mil anteriores. Também podem ser citados: o Coliseu, em Roma; as Catedrais de Notre Dame, em Paris, e de Colônia, na Alemanha; o Taj Mahal, na Índia.
Os efeitos que a chuva ácida tem sobre a saúde humana não podem ser deduzidos das leis gerais da biologia ou fisiologia, devendo ser estabelecidos experimentalmente. Pesquisadores continuam a estudar os possíveis efeitos da respiração de partículas ácidas do ar e da ingestão de água acidificada, contendo metais tóxicos liberados pela chuva ácida.
A redução da chuva ácida deve ser realizada por ações governamentais, através da implementação e/ou criação da legislação pertinente; investimento em eficiência energética, bem como em fontes alternativas mais limpas de geração de energia.
As pessoas também podem contribuir na conservação da energia, considerando que a produção desta é a causa responsável pela maior deposição ácida.
São conhecidas as principais fontes da chuva ácida - usinas de geração de energia e veículos automotores. Através do Protocolo de Kyoto (1997) as nações mais desenvolvidas estão se comprometendo a reduzir suas emissões que além de provocarem a chuva ácida, também provocam o aquecimento do Planeta Terra, conhecido como Efeito Estufa .
É urgente que medidas mais eficazes sejam tomadas para que a chuva ácida seja reduzida em todo o planeta, beneficiando assim toda a biota: espécie humana, animais, vegetais, água e microrganismos.
Fonte: www.amda.org.br