No dia 17 de junho, de todos os anos, comemora-se o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca.
A Desertificação é definida como processo de destruição do potencial produtivo da terra nas regiões de clima árido, semi-árido e sub-úmido seco. O problema vem sendo detectado desde os anos 30, nos Estados Unidos, quando intensos processos de destruição da vegetação e solos ocorreu no Meio Oeste americano.
Muitas outras situações consideradas como graves problemas de Desertificação foram sendo detectadas ao longo do tempo em vários países do mundo. América Latina, Ásia, Europa, África e Austrália oferecem exemplos de áreas onde o homem, através do uso inadequado e/ou intensivo da terra, destruiu os recursos e transformou terras férteis em desertos ecológicos e econômicos.
A medida que o estudo sobre a origem dos desertos evoluiu, surgiram conceitos a respeito do assunto:
Região de clima árido; a evaporação potencial é maior que a precipitação média anual.
Caracteriza-se por apresentar solos ressequidos; cobertura vegetal esparsa, presença de xerófilas e plantas temporárias.
Desertificação: origina-se pela intensa pressão exercida por atividades humanas sobre ecossistemas frágeis, cuja capacidade de regeneração é baixa.
Processo de Desertificação: diz respeito a atividade predatória que irá conduzir a formação de desertos.
Área de Desertificação: é a área onde o fenômeno já se manifesta.
Área propensa à Desertificação: área onde a fragilidade do ecossistema favorece o processo de instalação da Desertificação.
Deserto específico: a Desertificação já se manifesta em grau máximo.
As causas mais freqüentes da Desertificação estão associadas ao uso inadequado do solo e da água no desenvolvimento de atividades agropecuárias, na mineração, na irrigação mal planejada e no desmatamento indiscriminado.
A Desertificação ocorre em mais de 100 países do mundo. Por isso é considerada um problema global. No Brasil existem quatro áreas, que são chamadas núcleos de Desertificação, onde é intensa a degradação. Elas somam 18,7 mil km² e se localizam nos municípios de Gilbués, no Piauí; Seridó, no Rio Grande do Norte; Irauçuba, no Ceará e Cabrobó, em Pernambuco. As regiões áridas, semi-áridas e subúmidas secas, também chamadas de terras secas, ocupam mais de 37% de toda a superfície do planeta, abrigando mais de 1 bilhão de pessoas, ou seja, 1/6 da população mundial, cujos indicadores são de baixo nível de renda, baixo padrão tecnológico, baixo nível de escolaridade e ingestão de proteínas abaixo dos níveis aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde - OMS. Mas a sua evolução ocorre em cada lugar de modo específico e apresenta dinâmicas influenciadas por esses lugares.
As regiões sul-americana e caribenha têm inúmeros países com expressivas áreas de seus territórios com problemas de Desertificação. Os mais significativos são Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Peru e México.
Possíveis causas da Desertificação podem ser apuradas.
O desmatamento, que além de comprometer a biodiversidade, deixa os solos descobertos e expostos à erosão, ocorre como resultado das atividades econômicas, seja para fins de agricultura de sequeiro ou irrigada, seja para a pecuária, quando a vegetação nativa é substituída por pasto, seja diretamente para o uso da madeira como fonte de energia (lenha e carvão).
O uso intensivo do solo, sem descanso e sem técnicas de conservação, provoca erosão e compromete a produtividade, repercutindo diretamente na situação econômica do agricultor. A cada ano, a colheita diminui, e também a possibilidade de ter reservas de alimento para o período de estiagem. É comum verificar-se, no semi-árido, a atividade da pecuária ser desenvolvida sem considerar a capacidade de suporte da região, o que pressiona tanto pasto nativo como plantado, além de tornar o solo endurecido, compacto.
A irrigação mal conduzida provoca a salinização dos solos, inviabilizando algumas áreas e perímetros irrigados do semi-árido, o problema tem sido provocado tanto pelo tipo de sistema de irrigação, muitas vezes inadequado às características do solo, quanto, principalmente, pela maneira como a atividade é executada, fazendo mais uma molhação do que irrigando.
Além de serem correlacionados, esses problemas desencadeiam outros, de extrema gravidade para a região. É o caso do assoreamento de cursos d'água e reservatórios, provocado pela erosão, que, por sua vez, é desencadeada pelo desmatamento e por atividades econômicas desenvolvidas sem cuidados com o meio ambiente.
Como perda de biodiversidade (flora e fauna), a perda de solos por erosão, a diminuição da disponibilidade de recursos hídricos, resultado tanto dos fatores climáticos adversos quando do mau e a perda da capacidade produtiva dos solos em razão da baixa umidade provocada, também, pelo manejo inadequado da cobertura vegetal.
Abandono das terras por partes das populações mais pobres, a diminuição da qualidade de vida e aumento da mortalidade infantil, a diminuição da expectativa de vida da população e a desestruturação das famílias como unidades produtivas. Acrescente-se, também, o crescimento da pobreza urbana devido às migrações, a desorganização das cidades, o aumento da poluição e problemas ambientais urbanos.
Destacam-se a queda na produtividade e produção agrícolas, a diminuição da renda do consumo das populações, dificuldade de manter uma oferta de produtos agrícolas de maneira constante, de modo a atender os mercados regional e nacional, sobretudo a agricultura de sequeiro que é mais dependente dos fatores climáticos.
Há uma perda da capacidade produtiva do Estado, sobretudo no meio rural, que repercute diretamente na arrecadação de impostos e na circulação da renda e, por outro lado, criam-se novas demandas sociais que extrapolam a capacidade do Estado de atendê-las.
As áreas desertificadas brasileiras apresentam características geoclimáticas e ecológicas, as quais contribuíram para que o processo fosse acelerado.
Diversas regiões brasileiras padecem deste problema, como por exemplo:
Semi-árido: Sua área total é de aproximadamente 1.150.662 Km² o que corresponde a 74,30% da superfície nordestina e 13,52% do Brasil.
Bahia: Corresponde a 9,3% da superfície estadual (52,5 mil Km²) em processo de Desertificação. Localiza-se na margem direita do rio São Francisco abrangendo o sertão de Paulo Afonso.
Pernambuco: Dados (Sema 1986) mostram que cerca de 25 Km² (25%) do estado estão tomados pela Desertificação atingindo os municípios de Itacombira, Cabrobó, Salgueiro e Parnamirim.
Piauí: 1.241 Km² da área piauiense encontram-se em acelerado processo de Desertificação, exemplo deste fenômeno pode ser visto na região de Chapadas do Vale do Gurgéia, município de Gilbués.
Sergipe: Estão em processo de Desertificação no Sergipe cerca de 223Km².
Rio Grande do Norte: Representa 40% do estado tomado pela Desertificação; a intensiva extração de argila e a retirada da cobertura vegetal para a obtenção de lenha para as olarias acelera ainda mais o processo.
Ceará: A área desertificada corresponde a 1.451 Km² no município de Irauçuba.
Paraíba: A região do semi-árido é a mais propensa ao processo de Desertificação, principalmente onde os solos são utilizados de maneira irracional. A Desertificação atinge cerca de 27.750 Km² (49,2%), abrangendo 68 municípios.
Amazônia: Também apresenta áreas em processo de savanização decorrentes de desmatamentos indiscriminados.
Rondônia: Corre grande risco de início do processo de Desertificação; várias áreas são desmatadas para fins agrícolas e ocupação indiscriminada do solo.
Paraná: Apresenta problemas de degradação nas áreas de ocorrência do arenito Caiuá; a agricultura é praticada sem haver uma preocupação com o manejo e a conservação do solo, problema acentuado pela devastação de florestas nativas.
Mato Grosso do Sul: O processo ocorre principalmente na região sudoeste do estado, área de ocorrência do Arenito Caiuá, apresentando aspectos avançados de degradação (50 mil hectares).
São Paulo: Dados da SEMA de 1986 já identificavam que, aproximadamente 70% das áreas agriculturáveis do estado estavam tomadas por intenso processo erosivo.
Rio Grande do Sul: Área do sudoeste do estado como os municípios de Alegrete, São Francisco de Assis, Santana do Livramento, Rosário do Sul, Uruguaiana, Quaraí, Santiago e Cacequí são atingidos pela Desertificação. Outras áreas passíveis de degradação estão presentes no sul-riograndense, em especial onde predominam os solos originários do Arenito Botucatu; faz-se necessário um estudo de capacidade de uso, conservação e manejo para que tais áreas não iniciem rapidamente o processo de degradador.
Minas Gerais: De acordo com estudos realizados, 12.862 Km² estão propensos à Desertificação, sendo divididos em 3 áreas:
I - engloba as bacias dos rios Abaeté, Borrachudo e Indaiá na região centro-oeste do estado (11.446 Km²).
II - ocorre na bacia do rio Gorotuba, região centro-norte ocupando 42 Km² de área.
III - localizada nas bacias dos Médios e Baixos São Pedro e São Domingos compreendendo 1.375 Km² de área.
Diante de tudo o que foi abordado, conclui-se que o processo de recuperação de uma área desertificada é complexo, pois necessita de ações capazes de controlar, prevenir e recuperar as áreas degradadas. Paralelamente a estas ações, cabe uma maior conscientização política, econômica e social no sentido de minimizar e/ou combater a erosão, a salinização, o assoreamento entre outros.
Está previsto no Capítulo 12 da Agenda 21, a criação de seis áreas-programas para combate a Desertificação com ações regionais.
Fonte: www.ambientebrasil.com.br
A definição de aridez deriva de metodologia desenvolvida por Thornthwaite, C. W.(1941) Atlas of Climatic Types in the United States. Miscell Publ. No.421. U.S. Departament of Agriculure, Forest Service, e foi posteriormente utilizada para a elaboração do Map of the World Distribution of Arid Regions, elaborado pela UNESCO como resultado do Programa Hidrológico Internacional, iniciado em 1952.
Conforme esta definição, o grau de aridez de uma região depende da quantidade de água advinda da chuva (P) e da perda máxima possível de água através da evaporação e transpiração (ETP), ou a Evapo-Transpiração Potencial.
A fórmula de Thornthwaite, como é conhecido o índice de aridez, foi posteriormente ajustada por Penman, H. L.(1953). The Physical Bases of Irrigation Control, in Report 13th Int. Hort. Congr.,2, p. 913-924. Royal horticultural Society, london, a fim de que se elaborasse a classificação que é hoje aceita. A razão entre estas duas variáveis foi utilizada para o estabelecimento das áreas de risco e a elaboração do mencionado mapa da UNESCO, que tem servido de parâmetro para os estudos em todo o mundo.
A seguir mostra-se o índice de aridez para os vários climas da terra:
Hiper-Árido < 0,05 Árido 0,05 - 0,20 Semi-Árido 0,21 - 0,50 Sub-Úmido Seco 0,51 - 0,65 Sub-ümido e Úmido > 0,65
A tabela abaixo mostra a distribuição de terras no mundo segundo os diferentes tipos de clima.
Fonte: Atlas Mundial Times, 1995.
Como se vê no quadro acima, do total de 136 milhões de km2 de superfície, 51.720.000 km2 compõe as chamadas terras secas (áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas). São mais de 37% do total da superfície do planeta.
As principais causas da degradação das zonas áridas são o sobreuso ou uso inapropriado dos recursos da terra, agravados pelas secas.
Dentre os usos mais nocivos ao ambiente podemos citar:
Finalmente, deve-se enfatizar que todos esses elementos estão, atualmente, num contexto onde:
Dentre os impactos da Desertificação mencionados anteriormente, encontram-se aquelas mais imediatos decorrentes da perda de cobertura vegetal (com implicações sobre a exploração de madeira), da perda de solo pelo processo erosivo, da redução das reservas hídricas superficiais e subterrâneas, dos impactos sobre o regime de chuvas e aumento da insolação, etc. Além desses impactos tipicamente econômicos, somam-se impactos na saúde humana (o que gera prejuízos econômicos de grande monta) e na própria capacidade de arrecadação dos municípios.
O primeiro trabalho para o dimensionamento desses custos foi realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente-PNUMA no início dos anos 70, como parte do processo de preparação da Conferência de Nairobi de 1977.
Os parâmetros definidos e utilizados para o dimensionamento das perdas com Desertificação foram estimados somente para as questões agrícolas e são os seguintes:
US$ 7,00/ha/ano para as áreas de pastos nativos
US$ 50,00/ha/ano para a agricultura de sequeiro
US$ 250,00/ha/ano para agricultura irrigada
Já os custos de recuperação das áreas degradadas são bem mais elevados. Estima-se que seriam necessários:
US$ 50.00/ha/ano para a recuperação de pastos nativos
US$ 250,00 ha/ano para áreas de agricultura de sequeiro;
US$ 2.000,00/ha/ano para áreas salinizadas.
Conforme mostram Vasconcelos,R & Matallo,H. Estimativa de Perdas Econômicas provocadas pelo processo de Desertificação na Região do Semi-Arido do NE, Brasília, Unesco, 1999, há muitos problemas envolvidos na consideração desses valores e, dentre eles, podem ser citados: a) o fato de terem sido desenvolvidos há mais de 25 anos, com valores apropriados somente para as condições africanas; b) não há clareza da metodologia para a apropriação dos custos, ou seja, não se sabe quanto é atribuído à perda de solos, à perda de vegetação, à degradação de recursos hídricos, etc; c) não se considera o valor da terra nos custos, d) não há uma forma concreta de diferenciar as perdas em decorrência da Desertificação e aquelas decorrentes da seca, e, finalmente, e) não se dimensiona os custos para implementação de medidas corretivas ou preventivas, como custos do trabalho, administrativos ou créditos.
Todos esses elementos indicam a necessidade de novos estudos para uma melhor definição e quantificação das perdas econômicas devidas à Desertificação.Estimativa de Perdas Econômicas provocadas pelo processo de Desertificação na Região do Semi-Arido do NE
Fonte: www.desertdesmat.hpg.ig.com.br
Ecossistemas frágeis são ecossistemas importantes, com aspectos e recursos únicos. Incluem desertos, terras semi-áridas, montanhas, áreas alagadas, pequenas ilhas e certas áreas costeiras. A maioria destes ecossistemas é regional em extensão, pois transcendem as fronteiras de países.
A Desertificação é definida pelo Artigo 1º da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação como sendo: "a degradação da terra nas zonas áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas resultantes de fatores diversos tais como as variações climáticas e as atividades humanas". Entende-se o termo degradação da terra como sendo: a degradação dos solos e recursos hídricos, da vegetação e da biodiversidade, e redução da qualidade de vida da população afetada.
O fenômeno é uma ameaça à biodiversidade e está associada à mudança climática. O fenômeno se caracteriza pela perda da produtividade do solo em regiões áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas, devido principalmente ao mau uso, associado à ocupação humana. Atinge especialmente a Ásia e África e está claramente ligado à sobrevivência humana, por causar a fome que mata e ameaça a vida de milhares de pessoas em lugares onde a terra racha e nada cresce.
A Desertificação é a degradação das terras em áreas áridas, semi-áridas, e sub-úmidas secas; resultando de vários fatores, incluindo variações climáticas e atividades humanas.
As regiões áridas são residência para mais de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo, vivendo em áreas rurais e centros urbanos de 100 países susceptíveis ao processo de Desertificação, compreendendo aproximadamente 40% da população total mundial, e destas, cerca de 200 milhões já são afetadas.
A Desertificação afeta por volta de um sexto da população humana (por volta de 1 bilhão de pessoas), ocupa mais de 33% da superfície terrestre (51.720.000 Km2), e 70% de todas as zonas áridas do planeta, ( este dado inclui as áreas onde existe alguma degradação da vegetação com a existência de degradação dos solos), totalizando 3,6 bilhões de hectares, e um quarto do território do planeta. O impacto mais óbvio da Desertificação, junto à pobreza difundida, é a degradação de 3.3 bilhões de hectares da área total dos campos, constituindo 73% dos campos com uma baixa capacidade de sobrevivência humana e animal; queda da fertilidade e da estrutura dos solos em 47% das áreas secas; e a degradação de plantações irrigadas, atingindo 30% das áreas secas com uma alta densidade populacional e grande potencial na agricultura.
Este processo vem colocando fora de produção, anualmente, cerca de 6 milhões de hectares, devido ao sobrepastoreio, salinização dos solos por irrigação e processos de uso intensivos e sem manejo adequado na agricultura. As perdas econômicas anuais devido à Desertificação giram em torno de 1 bilhão de dólares e o custo de recuperação das terras em todo o mundo chega a 2 bilhões de dólares por ano.
Além disso, a grande maioria dos países afetados são países em desenvolvimento, sendo que o fenômeno ocorre também em 18 países "desenvolvidos". Além desses países diretamente afetados, outros são afetados indiretamente através dos processos de migração, provocados pelas situações de miséria.
O desmatamento desenfreado e as práticas erradas de uso do solo fazem com que a cada minuto, 12 hectares de terra virem deserto no mundo. O fenômeno da Desertificação já afeta quase um terço da superfície do planeta Terra. Segundo estudos feitos pela ONU, há mais de 10 milhões de refugiados ambientais, ou seja, pessoas que foram obrigadas a migrar para outros países devido à seca e à perda da fertilidade do solo. A África é o continente mais afetado, notadamente na região subsaariana, mas o problema é também particularmente grave na América Latina. No Brasil, grandes áreas estão se transformando em desertos, principalmente no Nordeste e no Rio Grande do Sul. Especialistas que estudaram o assunto chegaram a conclusões pessimistas. Serão necessários 40 bilhões de dólares por ano para aplicar em obras que possam conter a Desertificação em todo o mundo. O dobro da previsão da ONU.
Cerca de 70 países são afetados pela perda acelerada da fertilidade dos solos. Se a erosão do solo e a Desertificação continuarem nos níveis atuais, 75 milhões de hectares de terras agricultáveis serão retirados da cadeia de produção até o ano 2000. A América do Norte, com 74% de terras áridas ou semi-áridas, e a África, com 73%, são as regiões onde a situação é mais preocupante. Mas, a médio prazo, processos de Desertificação ameaçam áreas onde isso pareceria impensável há algumas décadas. A intensidade das secas registradas recentemente na Espanha e no Sul da Itália causa temores. Na Ásia, com sua alta densidade populacional, se calcula em quase 1,5 milhão o número de hectares em que já não se pode cultivar, devido à Desertificação.
O fenômeno climático El Niño, que, inicialmente, causa fortes inundações e em seguida grandes períodos de seca, agrava o problema, cuja seriedade a ONU compara com a ameaça do aquecimento global. De acordo com alguns especialistas, porém, a relação entre Desertificação e mudanças climáticas pode ser ainda mais complexa. Alguns acreditam que a Desertificação está alterando o clima, muito mais do que sendo afetada por ele.
Os especialistas salientam também que nas áreas suscetíveis à Desertificação e à seca em todo o mundo coincidem do ponto de vista sócio-econômico com os maiores bolsões de pobreza nos países do Terceiro Mundo, fazendo parte da baixa produtividade agrícola e da má qualidade de vida resultantes, um quadro dramático. Esse processo vem colocando fora de produção anualmente cerca de seis milhões de hectares (60 mil km2), devido ao pastoreio incorreto, salinização dos solos por irrigação e processo indevidos de uso intensivo e manejo inadequado da água disponível.
O documento brasileiro de Diretrizes para a Política Nacional de Controle da Desertificação, define as zonas "susceptíveis à Desertificação" como sendo aquelas onde "a razão de precipitação anual e evapotranspiração potencial está compreendida entre 0,05 e 0,65". Ou seja, estão fora, além das zonas polares, os desertos hiper-áridos (abaixo de 0,05) e as zonas sub-úmidas e úmidas (acima de 0,65).
Essas classes climáticas, no âmbito da questão da Desertificação, são determinadas de acordo com Índice de Aridez. Esse índice é definido como a razão entre a quantidade de água advinda da chuva e a evapotranspiração potencial, ou seja a perda máxima possível de água pela evaporação e transpiração, determinando as seguintes categorias:
| Hiper-árido | <0,03 |
|---|---|
| Árido | 0,03 - 0,20 |
| Semi-árido | 0,21-0,51 |
| Sub-úmido seco | 0,51-0,65 |
| Sub-úmido úmido | >0,65 |
A Mesopotamia, situada entre dois rios que cortam hoje países como a Síria, o Iraque e o Irã, no Oriente-Médio, é considerada o "berço da civilização". Ali, foi provavelmente inventada a agricultura há mais de dez mil anos atrás e foi, também, a região onde surgiram as primeiras cidades-estados. Essa região, que já foi extremamente próspera graças a um complexo sistema de irrigação, virou progressivamente um deserto por causa do desmatamento e da salinização dos solos devido à falta de drenagem.
O Sahel é hoje uma zona semi-árida de cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados situada ao sul do deserto do Saara. Essa imensa faixa de transição ficou mundialmente conhecida durante a seca de 1968-1973, quando mais de cem mil de seus habitantes morreram de fome. Registros antigos mostram que, há mais de sete mil anos atrás, no coração do atual deserto do Saara havia ciprestes, pradarias e água. Ali também, a vegetação foi destruída e os solos se degradaram.
Nos anos 30, períodos de seca prolongada provocaram forte erosão eólica (houve tornados gerando turbilhões de poeira) no Meio-Oeste norte-americano (Oklahoma e outros estados vizinhos). A erosão destruiu os solos de grandes áreas nessas regiões de clima semi-árido e solos rasos, que já eram conhecidas como Dust Bowls ("Bacias de poeira"). Vale notar que essa calamidade foi precedida pelo desmatamento das estepes (espécies de cerrados) naturais, transformadas, por pouco tempo, em terras agricultáveis. Isso motivou os cientistas a iniciarem pesquisas sobre o fenômeno que, mais tarde, seria designado pelo nome de "Desertificação".Brasil:
No Brasil, as áreas susceptíveis localizam-se nas partes áridas, semi-árida e sub-úmidas; a maior parte no semi-árido nordestino. A região semi-árida brasileira caracteriza-se por evapotranspiração elevada, ocorrência de períodos de secas, solos de pouca profundidade, alta salinidade, baixa fertilidade e reduzida capacidade de retenção de água, o que limita seu potencial produtivo. Além disso, o processo de Desertificação é intensificado pela pobreza, e vice-versa.
Esta área do nordeste compreende uma área de 900.000 Km2, onde vivem aproximadamente 10 milhões de pessoas e os estudos mostram que, deste total, 223.000 Km2 estão gravemente afetados pelo processo e imprestáveis para a agricultura. Somando-se a área onde a Desertificação ocorre ainda de forma moderada, o total de terrenos atingidos pelo fenômeno sobe para 574.362 quilômetros quadrados - cerca de 1/3 de todo o território nordestino. Ceará e Pernambuco são os mais castigados, embora, proporcionalmente, a Paraíba seja o estado com maior extensão de área comprometida: 71% do seu território já sofre com os efeitos da Desertificação. O semi-árido nordestino é o maior e mais populoso do mundo, com quase 18 milhões de habitantes.
Em alguns estados do Nordeste, o modelo de produção baseado em intenso desmatamento, provocou mudanças climáticas que evoluíram para um tipo de Desertificação somente visto no continente africano. Embora haja uma situação de alto risco à economia daqueles estados, a degradação ambiental não é irreversível, pois as áreas afetadas necessariamente não se transformarão em áridos desertos de areia. Mas existem grandes áreas dentro de cada estado que se não se transformarem em deserto, perderão ainda mais sua fertilidade e com isso sua capacidade produtiva ficará seriamente ameaçada. São eles: Paraíba, 63%; Ceará, 52%; Rio Grande do Norte, 36% e Pernambuco, 25%. Também estão ameaçadas pela Desertificação diversas áreas do estado da Bahia, especialmente aquelas localizadas no sertão e no semi-árido baianos.
É importante ressaltar que, no Brasil, as áreas susceptíveis a grave degradação dos solos, dos recursos hídricos, da vegetação e a redução da qualidade de vida das populações afetadas, não se limitam às regiões semi-árida ou sub-úmida seca. Têm sido identificados processos de degradação das terras em outras partes do país, como no Rio Grande do Sul (onde no sudoeste do estado, 100 quilômetros quadrados já não servem mais para a agricultura, sendo a cidade de Alegrete incluída no cenário), norte de Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Rondônia. Situação preocupante de degradação é a da região do cerrado, pois o solo é naturalmente fraco, formado por areia quartzonita. Embora a vegetação compense a fragilidade do ecossistema, mantendo uma pequena camada de solo fértil, as freqüentes queimadas e a ação do gado, que consome todos os brotos, a terra enfraquece e a camada de terra produtiva cede lugar à areia. Entretanto, essas áreas não são enquadradas no conceito de Desertificação de acordo com a metodologia das Nações Unidas.
Tem 2.341 km2 de sua área afetada, e um total de 244 mil pessoas habitam o local. As causas da Desertificação desta área podem ser citadas como sendo: O desmatamento da caatinga para extração de lenha e argila, uso intensivo dos recursos naturais e sobrepastoreio (superpopulação de animais numa área muito restrita). Os municípios atingidos são: Currais Novos, Cruzeta, Equador, Carnaúba dos Dantas, Acaraí e Parelhas. Estes locais se caracterizam por ter solos rasos e pedregosos, com baixa capacidade de retenção de água. Em muitos locais, o desgaste da terra provocou o afloramento das rochas, tornando impossível o cultivo agrícola. Para alimentar os fornos das mais de 80 fábricas de cerâmicas que se espalham pela região, a vegetação nativa é desmatada, sem o controle do Ibama.
Tem 4.000 km2 de sua área afetada, e 34.250 pessoas habitam o local. Metade do território cearense está em franco processo de Desertificação. Nesta área moram 50% da população do Estado, o município de Fortaleza incluído.
As principais causas da Desertificação são: Intensos desmatamentos, prática de queimadas, aridez do solo, e ocupação desordenada do solo, podendo ser demonstrada a partir da área dedicada a culturas de subsistência comparada à área total do município, a relação entre extensão de terras e consumo de eletricidade, o número de caprinos e ovinos em relação ao município todo, e a densidade demográfica — grandes fluxos de pessoas para um mesmo território, por exemplo, reforçam a degradação ambiental como fator de Desertificação. Estes locais se caracterizam por ter solos rasos e pedregosos. As camadas de terra foram retiradas em grande quantidade e de forma uniforme, provocando o afloramento das rochas.
É o que os técnicos chamam de erosão laminar. Muitas dessas áreas estão localizadas em terrenos altos e inclinados, o que aumenta o processo de degradação. A monocultura do algodão, nas décadas de 50 e 60, contribuiu para o desgaste do solo, que também sofreu com os desmatamentos ocorridos nos anos 70, quando a madeira foi usada, indiscriminadamente, para a produção de energia.
Tem 6.131 km2 de sua área afetada pela Desertificação, e um total de 10 mil pessoas habitam o local. As principais causas são citadas como sendo a mineração e pecuária extensiva.
Esta área se caracteriza por ter solos arenosos, com formação de grandes dunas e voçorocas (crateras) provocadas por uma grave erosão eólica e hídrica que avança em direção à parte urbana da cidade. Pelo nível acelerado da erosão, Gilbués apresenta um dos quadros mais graves do mundo.
O problema é agravado tanto no inverno (quando as chuvas arrastam grandes quantidades de terra), quanto na seca, época em que os solos ficam esturricados e a ação do vento acentua ainda mais o processo erosivo. Os brejos e leitos dos rios estão sendo soterrados pelos solos erodidos. Por causa disso, a temperatura da região já aumentou cerca de 2 graus nos últimos anos.
Tem 4.960 km2 de sua área afetada pela Desertificação, e um total de 24 mil pessoas habitam o local. As principais causas da Desertificação são: o sobrepastoreio, o desmatamento e a salinização do solo. Os municípios atingidos são: Cabrobó, Belém do São Francisco e Floresta.
A área se caracteriza por apresentar grandes crateras abertas na terra pela erosão; e ter um grave processo de salinização do solo, em conseqüência, principalmente, da implantação desastrosa de projetos de irrigação. O município de Rodelas, no norte da Bahia, está se transformando num grande areal, com formação de dunas de até cinco metros de altura.
A Desertificação (fenômeno antrópico) não é necessariamente relacionada com o avanço físico do deserto (da areia), nem deve ser confundida com a seca (fenômeno natural). Tem mais a ver com a formação progressiva de um deserto econômico, devido ao uso insustentável dos recursos naturais. A seca pode até ser uma das causas da Desertificação mas, inversamente, o fenômeno da seca pode também mascarar o processo de Desertificação. Com efeito, a perda brutal, pontual e cíclica de produção devido à seca faz com que o produtor possa não se aperceber da perda progressiva de produtividade, a longo prazo, devido à Desertificação.
A seca, em diferentes graus de freqüência e gravidade, é um fenômeno recorrente em muitas partes do mundo, especialmente a África. Estima-se que 3 milhões de pessoas morreram no anos 80 devido à seca na África Sub-Sahariana. Os custos econômicos de desastres relacionados à seca são também altos em termos de perda de produção, erro nas aplicações, e diversidade de recursos de desenvolvimento.
Sistemas de aviso prévio para prever secas vão possibilitar a implementação de esquemas de preparação contra as secas. Através da conservação de água e solo, e estratégias alternativas de plantação, podem aumentar a capacidade da terra em lidar com a seca e prover necessidades básicas, minimizando assim o número de refugiados e a necessidade de socorro emergencial.
Fonte: www.bio2000.hpg.ig.com.br
Na Europa , 400 anos atrás, havia cerca de 9 milhões de quilometros quadrados de florestas, hoje existem menos de 2 milhões. Do século XVII até hoje, foram exterminadas centenas de espécies de aves e mamíferos e outras tantas estão ameaçadas de extinção. Também alguns Ecossistemas são destruídos e ameaçados, juntamente com as especies de animais que vivem neles. Exemplo disso, é a eliminação sistemática dos pântanos nas regiões temperadas. Isso é um erro, porque os pântanos funcionam como esponjas, regulando os níveis dos lençois de água subterrânea : alimentam esses lençois no verão e recolhem a água nas estações chuvosas, evitando inundações. Outros Ecossistemas que correm grave risco são as florestas tropicais. Elas são destruídas para dar lugar a lavouras, estradas, instalações industriais, e, para extração de madeira. Com o desmatamento, elimina-se a cobertura vegetal que protege o solo da erosão provocada pelas águas correntes e isso facilita as inundações. O desmatamento de grandes extensões provoca mudanças no clima, que se torna mais árido.
A ECOLOGIA nos ensina que que a manutenção das espécies e dos Ecossistemas, é um dos aspectos mais importantes da conservação da natureza.
Pântanos e florestas, e também todos os outros ecossistemas devem ser respeitados, porque constituem um elemento fundamental do grandioso mecanismo da vida na natureza.
No fundo do mar : Mesmo onde a água é muito rasa, o fundo do mar abriga uma grande variedade de animais que, em sua maioria, vivem fixados às pedras ou se deslocam muito lentamente. Os mais típicos e numerosos habitantes do fundo, pertencem ao grupo dos Equinodermos( do grego, pele espinhosa), entre eles estão o ouriço-do-mar, as estrelas do mar e os Holuturióides, também chamados de pepino-do -mar.
Num costão rochoso : Nesse ambiente agitado, só conseguem viver animais capazes de permanecer firmemente aderidos às rochas, senão seriam varridos pelas ondas. Nesse ambiente vivem também outros animais, como cracas, crustáceos fixos de aparência curiosa e pequenos caranguejos que se movimentam agilmente entre as irregularidades das rochas.
Debaixo das pedras : Levantando-se uma pedra, no campo, em qualquer jardim, é quase certo que encontraremos numerosos animaizinhos, geralmente tatuzinho, lacraias, centopéias, besouro, carrapatos.
Em uma fonte : Qualquer fonte de jardim, pode constituir um pequeno ambiente muito rico em formas de vida. Nos tanques, se a água estiver limpa, pode-se observar no fundo, uma espécie de algodão verde, formado por muitos filamentos, são as algas verdes.
Nos parques e jardins : localizados no interior das cidades, estes parques e jardins são tranquilas ilhas de vegetação, abrigando uma fauna muito rica em pardais, sabiás, pombas, esquilos, serelepes e uma infinidade de outras aves e animais. Mas nestes parques, os animais são tratados e alimentados pelo homem, o que já não acontece na periferia urbana, sobretudo nos campos e terrenos baldios, colonizados por uma flora muito especial. Aí, sem a interferência humana, criou-se um habitat natural para uma enorme quantidade de pequenos animais.
"Mesmo entre prédios, ruas, carros, enfim, no ambiente artificial de uma cidade, os animais e plantas são capazes de invadir e até de conquistar pequenos ambientes, onde sobrevivem e se reproduzem".
Água, madeira, solo, plantas, minerais, são recursos que existem na Terra, para melhorar a vida do Homem. Mas tem havido um exagero nesse aproveitamento e, como as riquezas na Terra não são inesgotáveis, está havendo uma devastação generalizada desses recursos.
A prática da monocultura, torna as terras improdutivas, que logo são abandonadas.
A destruição da cobertura vegetal protetora, os cultivos errados, o excesso de pastagens, acabam com a vegetação.
A erosão, que provoca uma Desertificação, a aridez, enfim, tudo isso torna os ambientes inabitáveis.
Desertificação é o empobrecimento dos ecossistemas áridos, semi-áridos e subúmidos em virtude de atividades humanas predatórias e, em menor grau, de mudanças naturais. Atualmente, 34% (49.384.500 km²) das terras emersas do planeta são propensas à Desertificação. As áreas mais afetadas são o oeste da América do Sul, o Nordeste do Brasil, o norte e o sul da África, o Oriente Médio, a Ásia Central, a Austrália e o sudoeste dos Estados Unidos.
Desde a primeira Conferência Mundial sobre Desertificação, no Quênia, em 1977, os cientistas têm mostrado que o aumento das regiões áridas do mundo não decorre somente da progressão natural dos desertos , em geral resultado de alterações climáticas e fenômenos tectônicos ao longo de milhares de anos. Esse alastramento vem sendo provocado principalmente pelo homem, por meio do desmatamento de extensas áreas de floresta; da agropecuária predatória, que emprega técnicas inadequadas de cultivo e pastoreio; e de alguns tipos de mineração, como a extração dos cristais de rocha, que removem a camada superficial do solo. Essas atividades levam à diminuição da cobertura vegetal, ao surgimento de dunas, ao esgotamento dos solos, à perda de água do subsolo, à erosão e ao assoreamento dos rios e lagos. E o problema é agravado pelo efeito estufa , pela chuva ácida e pelo buraco na camada de ozônio.
Quando o solo se desertifica, as populações buscam outras terras, onde repetem os mesmos erros cometidos anteriormente. Com isso criam novas áreas desertificadas, num ciclo contínuo. A conseqüência é a migração, que acaba formando cinturões de pobreza ao redor dos centros urbanos. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), existem atualmente 500 milhões de refugiados ecológicos em todo o mundo, número que deve dobrar até o final da década. Esses refugiados foram obrigados a abandonar suas terras devido à degradação ambiental.
Solo desertificado
A Desertificação, a longo prazo, poderá causar uma diminuição drástica das terras férteis, o que, aliado ao aumento da demanda por alimentos, pode levar a um aumento da fome no mundo. Para evitar que isso ocorra, é necessário conter o avanço dos desertos com medidas como o reflorestamento, o controle do movimento das dunas e a rotação de culturas. É possível também controlar a erosão com o plantio em terraços e curvas de nível nos terrenos inclinados e o cultivo direto sobre os restos da cultura anterior, evitando a exposição do solo ao sol, à chuva e ao vento.
Na medida em que o gelo derrete das calotas polares, o nível do mar se eleva, provocando a inundação de terras mais baixas e, talvez, a submersão de países inteiros no Oceano Pacífico.
O derretimento das geleiras das montanhas poderá provocar avalanches, erosão dos solos e mudanças no fluxo dos rios, aumentando o risco de enchentes. Alterações bruscas na composição da Atmosfera poderão desencadear mudanças dramáticas no clima. Furacões, tormentas e enchentes, de um lado, secas graves, de outro, poderão se tornar mais frequentes. Tudo isso vai repercutir negativamente na produção dos alimentos, levando à extinção de várias espécies. Se a temperatura do planeta aumenta, aumentam também as ocorrências de epidemias, a proliferação de bactérias e outros organismos prejudiciais à saúde humana.
Fonte: br.geocities.com