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Desertos

 

Desertos
Deserto

Os desertos constituem um componente natural de nosso meio ambiente. Alguns seres vivos foram aos poucos se adaptando para viver neles. Mas, atualmente, os desertos estão se expandindo, engolindo terras agrícolas e povoados, ameaçando plantas nativas e animais em extinção e criando desertos artificiais. Este problema tem implicações globais, já que vastas áreas de países subdesenvolvidos, dos Estados Unidos e da Austrália estão sendo seriamente afetadas.

A vida nos desertos

Há muitos seres vivos nos desertos, como pessoas, animais e plantas. Geralmente, eles têm comportamentos ou características especiais que lhes permitem sobreviver neles.

Vida noturna

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Uma caravana de nômades tuaregues cruza o Saara.
Como os nômades estão equipados para resistir ao sol?

Mesmo com suas excelentes adaptações, poucos animais conseguem sobreviver às severas temperaturas do dia. Eles permanecem dentro de abrigos durante a maior parte do dia, refugiando-se sob rochas ou em tocas, onde não é só mais fresco, como também mais abafado, o que permite que a própria respiração dos animais aumente a umidade do ar circundante. Dessa forma, o corpo deles perde menos água pela evaporação.

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No caso do escorpião, é sua dura carapaça externa que o ajuda a obter umidade.

Quando o sol começa a se por, o deserto se agita. No Saara, o gerbo comum e o gerbo-saltador, com suas longas pernas, saem de suas tocas, à procura de sementes e restos vegetais.

Também os caçadores aparecem: lagartixas correm entre as pedras procurando besouros, enquanto os fenecos, com suas grandes orelhas alertas, farejam o chão atrás dos odores que os levarão, com toda certeza, a um gerbo desatento.

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Neste oásis da Tunísia, o deserto estéril foi transformado em terra fértil.
Mas o deslocamento das dunas de areia do deserto é uma ameaça sempre presente.

A história é a mesma em qualquer deserto do mundo.

Mudam somente os animais: no deserto da América do Norte, a raposa kit substitui o feneco; no Deserto Australiano, o rato-canguru toma o lugar do gerbo.

As noites, porém, são muito frias. Os animais que precisam do calor ambiente para manter a temperatura de seu corpo (animais de sangue frio, como lagartos, cobras, insetos e escorpiões) começam a ficar mais lentos quando a temperatura cai. Logo eles têm de parar de caçar e de procurar alimento e retirar-se para seus esconderijos até o dia seguinte. Mesmo os mamíferos de sangue quente – as raposas, os gerbos e os ratos – acham a temperatura noturna muito &ia para seu gosto e retornam para seus esconderijos e tocas bem antes que surja um novo amanhecer.

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O tetraz da Namíbia encharca suas penas peitorais com água
e a leva para seus filhotes.

O turno matutino

Quando o sol nasce, surge um novo grupo de animais. Nas terras secas do oeste norte-americano, o gila começa sua patrulha diária. Enquanto o sol aquece seu corpo atarracado, ele devora insetos, ovos de aves e até filhotes de pássaros. Na Austrália, o lagarto moloque tem de encontrar e consumir 7 mil formigas no café da manhã, sua única refeição no dia. O rápido aumento da temperatura o forçará, e aos outros animais do turno matutino, a voltar o quanto antes ao seu abrigo.

Como se expandem os desertos

Se os desertos são regiões naturais do planeta, qual é o problema? O problema é que eles estão cercados por vastas áreas de terras áridas e semi-áridas.

Terras áridas significa realmente "secas", embora elas não sejam tão secas quanto os desertos: seu índice pluviométrico anual está em torno de 200-250 mm e o das semi-áridas, ao redor de 250-600 mm. Em geral, as chuvas caem todas numa determinada época do ano, mas, algumas vezes, elas falham e ocorre seca. As terras áridas e semiáridas normalmente são cobertas por pastagens ou pelo cerrado, com arbustos e árvores pequenas. São freqüentemente muito férteis e ideais para o cultivo e a criação de gado, e é aí que o problema começa.

Todas as áreas sofrem mudanças naturais. Um campo, se não for cultivado, poderá eventualmente tornar-se uma floresta; um pequeno lago poderá se transformar gradualmente em terra seca, enquanto a vegetação se renova. As terras áridas e semiáridas também se modificam ao longo dos anos, dependendo de como são utilizadas e das mudanças no clima local. Elas podem passar de pastagem a um denso cerrado e, depois, voltar novamente a ser pastagem.

Essas mudanças não causam danos, pois fazem parte do ciclo da natureza, Uma mudança para pastagens ajudará o pecuarista a alimentar o gado; uma mudança para o cerrado favorecerá o fornecimento de lenha para a aldeia. Esse ciclo, porém, pode ser interrompido.

Se o pecuarista tiver gado demais ou se os habitantes da aldeia cortarem lenha em excesso, um tipo diferente de mudança ocorrerá: a vegetação será afetada e se tornará mais rala; o solo ficará exposto, sendo mais facilmente levado pelas chuvas ou carregado pelo vento na estação seca. Esse processo é chamado erosão.

Até esse ponto, o dano pode ser revertido e o solo se recomporá se o pecuarista reduzir seus rebanhos ou se menos lenha for cortada. Do contrário, a parte fértil do solo – o solo arável – estará perdida e sua recuperação poderá tornar-se impossível. A mudança não é mais um ciclo, mas um declínio sem volta para a destruição. É assim que a desertificação – a expansão dos desertos – começa.

Geograficamente, pode-se dizer que Deserto é uma região que recebe pouca precipitação pluviométrica.

Como consequência, os desertos são áreas com pouca capacidade de sustentar vida. Ao serem comparados com regiões mais úmidas isto pode ser verdade, porém, ao se observar mais detalhadamente, os desertos frequentemente abrigam uma riqueza de vida que normalmente permanece escondida (especialmente durante o dia) para poder assim conservar a umidade. Aproximadamente 20% da superfície continental da Terra são áreas desérticas.

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Dunas em Tadrart Acacus, uma área desértica no Leste da Líbia.

As paisagens desérticas apresentam alguns elementos em comum. O solo do deserto é principalmente composto de areia, e dunas podem estar presentes.

Paisagens de solo rochoso são típicas, e refletem o reduzido desenvolvimento do solo e a escassez de vegetação. As terras baixas podem ser planícies cobertas com sal. Os processos de erosão eólica (provocados pelo vento) são importantes fatores na formação das paisagens desérticas.

Os desertos algumas vezes contêm depósitos minerais valiosos que foram formados em um ambiente árido ou que foram expostos pela erosão. Por serem locais secos, os desertos são locais ideais para a preservação de artefatos humanos e fósseis. Sua vegetação é constituída por gramíneas e pequenos arbustos, é rala e espaçada, ocupando apenas lugares em que a pouca água existente pode se acumular (fendas do solo ou debaixo das rochas).

As maiores regiões desérticas do globo situam-se na África (deserto do Saara) e na Ásia (deserto de Gobi).

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Deserto da Líbia-África

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Deserto de Gobi-Ásia

A fauna predominante no deserto é composta por animais roedores (ratos-cangurus), por répteis (serpentes e lagartos), e por insetos.

Os animais e plantas têm marcantes adaptações à falta de água. Muitos animais saem das tocas somente à noite, e outros podem passar a vida inteira sem beber água, extraindo-a do alimento que ingerem.

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Suricata – Deserto de Kalahar

Etimologia

A palavra deserto provém do latim desertus, particípio passado de deserere, cujo significado é "abandonar".

Tipos de desertos

A maioria das classificações tem por base a relação entre o número de dias de chuva por ano, a quantidade pluviométrica anual, a temperatura, a umidade e outros fatores. Segundo Peveril Meigs (1953), este dividiu as regiões desérticas da terra em três categorias, de acordo com o total de chuva que recebiam. Por este sistema, hoje amplamente aceito, terras extremamente áridas são as que têm pelo menos 12 meses consecutivos sem chuva; terras áridas têm menos de 250 mm de chuva anual, e terras semi-áridas têm uma média de precipitação anual entre 250 e 500 mm. As terras áridas e extremamente áridas são os desertos, e terras semi-áridas cobertas de gramíneas geralmente são chamadas de estepes.

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Deserto Thar na Índia

Entretanto, a aridez sozinha não fornece uma descrição exata do que é um deserto.

Por exemplo: a cidade de Phoenix, no estado do Arizona nos EUA, recebe menos de 250 mm de chuva por ano, e é imediatamente reconhecida como sendo localizada em um deserto. Porém, algumas regiões gélidas do Alasca ou da Antártida também recebem menos de 250 mm de chuva por ano, e não podem ser consideradas desertos.

A diferença reside no processo de evapotranspiração. A evapotranspiração é a combinação da perda de água, por evaporação atmosférica, da água do solo, junto com a perda de água, também em forma de vapor, através dos processos vitais das plantas. O potencial de evapotranspiração é, portanto, a quantidade de água que poderia evaporar numa dada região. A cidade de Tucson, no Arizona, recebe uns 300 mm anuais de chuva, no entanto, uns 2500 mm, de água poderiam evaporar no período de um ano.

Em outras palavras, significa que quase 8 vezes mais água poderia evaporar da região do que normalmente cai.

Já as taxas de evapotranspiração em regiões do Alasca são bastante inferiores; então, mesmo recebendo precipitações mínimas, estas regiões específicas são bem diferentes da definição mais simples de um deserto: um lugar onde a evaporação supera o total da precipitação pluviométrica. A principal característica de um deserto é a seca.

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Dunas no Deserto de Namibe - Angola.

Existem diferentes formas de desertos. Desertos frios podem ser cobertos de neve; esses locais não recebem muita chuva, e a que cai permanece congelada como neve compacta. Essas áreas são comumente chamadas de tundra, quando nelas existe uma curta estação com temperaturas acima de zero grau Celsius e alguma vegetação floresce neste período; ou de regiões de capa de gelo, se a temperatura permanece abaixo do ponto de congelamento durante todo o ano, deixando o solo praticamente sem formas de vida.

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Tundra com vegetaçã

A maioria dos desertos não-polares ocorrem devido ao fato deles terem pouquíssima água. A água tende a refrescar, ou pelo menos a moderar, os efeitos do clima. Em algumas partes do mundo, os desertos surgem devido à existência de barreiras à chuva, quando as massas de ar perdem a maior parte de sua umidade sobre uma cadeia de montanhas; outras áreas são áridas em virtude de serem muito distantes das fontes mais próximas de umidade (isto é verdade em algumas áreas do globo em latitudes médias, particularmente na Ásia).

Os desertos também são classificados por sua localização geográfica e padrão climático predominante, como ventos alísios, latitudes médias, barreiras antichuvas, costeiros, de monção, e polares. Antigas áreas desérticas presentes em regiões não-áridas formam os chamados paleodesertos. Há ainda os desertos extraterrestres, em outros planetas.

Desertos em regiões de ventos contra-alísios

Os ventos contra-alísios ocorrem em duas faixas do globo, as quais são divididas pela linha do Equador, e se formam pelo aquecimento do ar junto à região equatorial. Estes ventos secos dissipam a cobertura de nuvens, permitindo que mais luz do Sol aqueça o solo. A maioria dos grandes desertos da Terra está em regiões cruzadas por ventos contra-alísios. O maior deserto do nosso planeta, o Saara, no norte da África, que já alcançou temperaturas de 57°C, é um deserto de ventos contra-alísios.

Durante a última glaciação, o deserto do Saara foi mais úmido do que é agora, e já possuiu densas florestas tropicais. Seu clima era tão diferente que recentes estudos revelaram que o rio Nilo corria antigamente para o oceano Atlântico em vez de desaguar no Mediterrâneo. Uma mudança de poucos graus no eixo de rotação terrestre causou, há cerca de 10 mil anos, uma grande transformação climática gerando o Saara. Essa alteração, segundo alguns cientistas, gerou as condições necessárias à formação da civilização egípcia quando obrigou pessoas que já haviam desenvolvido formas de vida sedentárias (agricultura e pastoreio) e tradições históricas (civilização) a se deslocarem para o leito atual do rio Nilo. O deserto é rico em história, e diversos fósseis de dinossauros e outros animais bem como resquícios de diversas civilizações já foram encontrados ali. O Saara moderno geralmente é isento de vegetação, exceto no vale do Nilo, em poucos oásis e em algumas montanhas nele dispersas.

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Deserto do Saar

Desertos de latitudes médias

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Dunas de areia no Vale da Morte, Califórnia (Estados Unidos)

Desertos de latitudes médias ocorrem entre os paralelos 30° e 50°N e também na mesma faixa no hemisfério sul, em zonas de alta pressão subtropicais. Estes desertos estão em bacias de drenagem distantes dos oceanos e têm grandes variações de temperaturas anuais.

O deserto de Sonora, no sudoeste da América do Norte é um típico deserto de latitude média. O deserto de Tengger, na China, é um outro exemplo.

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Deserto de Sonora - Arizona

Desertos devido a barreiras ao ar úmido

Desertos deste tipo se formam devido a grandes barreiras montanhosas que impedem a chegada de nuvens úmidas nas áreas a sotavento (ou seja, áreas protegidas do vento). À medida em que o ar sobe a montanha, a água se precipita e o ar perde seu conteúdo úmido. Assim, um deserto se forma do lado oposto.

O deserto da Judéia em Israel e Palestina, é um exemplo, assim como o deserto do Vale da Morte, nos EUA, que é formado pelos ventos Chinook que formam uma zona de sombra de chuva no local.

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Deserto da Judéia

Desertos costeiros

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Deserto de Atacama, no Chile

Desertos costeiros geralmente se localizam nas bordas ocidentais de continentes próximos aos Trópicos de Câncer e de Capricórnio. Eles são afetados por correntes oceânicas costeiras frias, que correm paralelamente à costa. Devido aos sistemas de vento locais dominarem os ventos alísios, estes desertos são menos estáveis que os de outros tipos. No inverno, nevoeiros, produzidos por correntes frias ascendentes, frequentemente cobrem os desertos costeiros com um manto branco que bloqueia a radiação solar. Os desertos costeiros são relativamente complexos, pois eles são o produto de sistemas terrestres, oceânicos e atmosféricos. Um deserto costeiro, o Atacama, é o mais seco da Terra. Nele, uma chuva possível de ser medida - isto é, de um milímetro ou mais - pode ocorrer uma vez a cada cinco ou até a cada vinte anos

Dunas em forma de lua crescente são comuns nos desertos costeiros, como o Namibe, na África, onde prevalecem os ventos do continente para o mar

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Deserto do Namibe-África (Duna com 383m de altura)

Desertos de monção

"Monção," derivada de uma palavra árabe que significa "estação climática", refere-se a um sistema de ventos com acentuada reversão sazonal. As monções se desenvolvem em resposta as variações de temperatura entre os continentes e os oceanos. Os ventos alísios do sul do oceano Índico, por exemplo, despejam pesadas chuvas na Índia ao chegarem à costa. Conforme a monção cruza a Índia, ela perde sua umidade no lado oriental da cadeia montanhosa de Aravalli. O deserto do Rajastão na Índia, e o deserto Thar no Paquistão, são partes de uma região de deserto de monção a oeste da cadeia de montanhas.

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Deserto de Cholistão-Paquistã

Desertos polares

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Região desértica da Antártida

Desertos polares são áreas com precipitação anual inferior a 250 mm e uma temperatura média no mês mais quente do ano inferior a 10°C. Os desertos polares do planeta cobrem quase cinco milhões de km² e são principalmente leitos de rocha ou planícies de cascalho. Dunas de areia não são típicas destes desertos, porém dunas de neve comumente ocorrem em áreas onde a precipitação local é mais abundante. As mudanças de temperatura em desertos polares frequentemente ultrapassam o ponto de congelamento da água. Esta alternância gelo-degelo deixa marcas características no solo, que chegam a 5 m de diâmetro.

Os vales secos da Antártida têm permanecido livres de gelo há milhares de anos. Em campos de gelo permanente se encontram ecossistemas simples. Sobre a neve antiga se desenvolvem algas, os nutrientes tendem a se concentrar à medida que neve e gelo se evaporam. Algumas destas algas são de cor vermelha brilhante. Existem ecossistemas marinhos ativos no gelo e na água, debaixo do grande mar de gelo que cobre o oceano polar. Um ecossistema diversificado de algas e pequenos consumidores vive no lado inferior do gelo; estes sistemas utilizam luz solar que penetra no gelo durante o verão, como fonte de energia. As águas que fluem por debaixo do gelo também carregam matéria orgânica produzida em outros lugares, abastecendo de alimento uma grande população de peixes.

Muitos mamíferos marinhos vivem de pescado; assim, focas, orcas (baleias) e ursos polares estão no topo da cadeia alimentar polar. Algumas espécies de peixes e anfíbios que vivem debaixo das águas congeladas ainda não foram reconhecidas pelo homem.

Paleodesertos (desertos "fósseis")

Pesquisas em mares de areia (vastas regiões de dunas) antigos, mudanças em bacias lacustres, análises arqueológicas e de vegetação indicam que as condições climáticas mudaram consideravelmente em vastas áreas do planeta, num passado geológico recente. Durante os últimos 12.500 anos, por exemplo, partes de alguns desertos já foram bem mais áridas do que são hoje. Cerca de 10% da terra situada entre as latitudes de 30°N e 30°S é hoje coberta por mares de areia.

No entanto, 18.000 anos atrás, mares de areia formando dois imensos cinturões ocupavam quase 50% desta área. Tal como ocorre hoje, florestas tropicais e savanas ocupavam a zona entre estas duas faixas.

Sedimentos fósseis de desertos com até 500 milhões de anos foram encontrados em muitas partes do globo. Padrões de sedimentos de dunas foram encontrados em áreas que hoje não são desérticas. Muitas destas "relíquias" de dunas hoje recebem entre 80 e 150 mm de chuva por ano. Algumas antigas regiões de dunas hoje são ocupadas por florestas tropicais úmidas.

As montanhas de areia chamadas Sand Hills são campos de dunas inativos de 57.000 km² no centro de Nebraska. O maior mar de areia no hemisfério ocidental está hoje estabilizado por vegetação, e recebe cerca de 500 mm de chuva por ano. As dunas de Sand Hills chegam aos 120 m de altura. O deserto do Kalahari também é um paleodeserto.

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Paleodeserto de Kalahari-Namíbia

Desertos em outros planetas

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Aspecto do deserto marciano fotografado
pelo veículos explorador geológico Spirit, em 2004.

Marte é o único dentre os outros planetas do sistema solar no qual já se identificaram desertos eólicos. Apesar da pressão atmosférica na sua superfície ser apenas 1/100 da terrestre, os padrões de circulação atmosférica em Marte formaram um mar de areia circumpolar com mais de 5 milhões de km², maior que os maiores mares de areia da Terra. Os mares de areia marcianos consistem principalmente de dunas em forma de meia-lua em áreas planas próximas à camada perene de gelo do pólo norte do planeta. Campos de dunas menores ocupam o fundo de muitas crateras nas regiões polares marcianas.

Definir um deserto somente pela ausência de chuva, ao invés de também considerar fatores eólicos, classificaria como tal todos os fenômenos similares a este fora do nosso planeta. O único corpo celeste onde se considera possível que exista precipitação é Titã, a lua de Saturno; ela não tem água em estado líquido, no entanto é possível que tenha metano e outros hidrocarbonetos em estado líquido.

Características dos desertos

Desertos
Dunas de gesso no deserto White Sands, no Novo México (EUA).

A areia cobre apenas 20% dos desertos terrestres. A maior parte da areia está em forma de lençóis e de bancos.

Quase 50% das superfícies dos desertos são planícies onde a ação eólica - removendo os pequenos grãos de areia - expôs cascalho solto composto principalmente de fragmentos ásperos, mas às vezes com formas arredondadas.

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Deserto pedregoso de Gobí-Mongólia

Outras superfícies de terras áridas são compostas de leitos de rochas aflorantes, solos desérticos e depósitos fluviais, incluindo depósitos aluviais, leitos secos, lagos de desertos e oásis. Afloramentos de leitos de rochas normalmente ocorrem como pequenos montes, cercados por extensas planícies erodidas.

Oásis são áreas com vegetação irrigada por fontes subterrâneas, poços ou por irrigação. Muitos são artificiais. Os oásis são frequentemente o único lugar nos desertos que permitem ao homem efetuar plantios e fixar moradia permanente.

Desertos
Um oásis nas montanhas Hoggar-Saar

Iran Carlos Stalliviere Corrêa

Fonte: www.ufrgs.br

Desertos

Os desertos apresentam localização muito variada e caracterizam-se por uma vegetação muito esparsa.

O solo é muito árido e a pluviosidade baixa e irregular, permanecendo abaixo de 250 mm anuais.

Durante o dia a temperatura é alta, mas à noite ocorre perda rápida de calor, que se irradia para a atmosfera, e a temperatura torna-se excessivamente baixa. As plantas que se adaptam ao deserto geralmente apresentam um ciclo de vida curto. Durante o período favorável (chuvoso), observa-se uma vegetação sazonal, que cresce, floresce, frutifica, dispersa sementes e morre.

As plantas perenes, como os cactos, apresentam sistemas radiculares superficiais que cobrem grandes áreas. Essas raízes estão adaptadas para absorver as águas das chuvas passageiras. O armazenamento de água é muito grande (parênquimas aqüíferos). As folhas são transformadas em espinhos e o caule passa a realizar fotossíntese.

Os consumidores são predominantemente roedores, obtendo água do próprio alimento que ingerem ou do orvalho.

No hemisfério norte, é muito comum encontrar, nos desertos, arbustos distribuídos uniformemente, como se tivessem sido plantados em espaços regulares. Esse fato explica-se como um caso de amensalismo, isto é, os vegetais produzem substâncias que eliminam outros indivíduos que crescem ao seu redor.

Fonte: www.objetivo.br

Desertos

O que é um deserto?

Existem muitos critérios para definir uma região biogeográfica desértica, mas o parâmetro mais importante é a aridez, pois a falta de água que limitará os processos biológicos naturais.

A maneira mais comum de avaliar a aridez é a utilização do “Índice de Aridez”, ou seja, a relação entre a Precipitação (P) e a Evapotranspiração (EVT) (Índice de Aridez =Desertos ).

A tabela a seguir apresenta uma classificação das áreas áridas e hiperaridas do planeta segundo o “Índice de Aridez”, podendo ser um critério para a definição dos desertos.

Classificação Índice de Aridez Área
(10 6 km²)
Área
(%mundo)
Hyperarido < 0,05 10 7,5
Arido 0,05 - 0,20 16,2 12,1

Os desertos, representam um quinto (19,6%) da terra e se estendem sobre cerca de 33,7 milhões de km².

Os desertos podem também ser definidos a partir de um critério bio-ecológico, analisando a presença de algumas plantas características (“xerophilous life-forms”), ou seja, a cobertura vegetal do planeta. Qualquer que seja o critério considerado, as cartas dos desertos no planeta são muito parecidas.

De maneira resumida, um deserto será uma região que tem solos desnudos, com pouca cobertura vegetal, com um “Índice de Aridez” menor que 20%, e onde os animais e o vegetais mostram capacidades de adaptação evidentes.

Existem 3 grandes tipos de desertos: os desertos continentais, os desertos costeiros e os desertos tropicais.

Essa divisão depende, em parte, da latitude (exposição solar), das condições meteorológicas e climáticas (circulações de massas de ar e dos oceanos) e da topografia (efeito de “rain shadow”).

Mudanças climáticas e Precipitações

Os desertos são caracterizados por condições climáticas extremas; além de uma exposição solar intensa, com temperaturas diurnas de até 80°C , seguida por noites frias (temperatura até - 20°C ), eles são submetidos a uma alternância de períodos breves de precipitações abundantes com períodos longos de secas intensas. Esse fenômeno é chamado de “Pulsos de chuva” (“Rainfall pulses”).

Apesar de serem raros e imprevisíveis, os “pulsos de chuva” são a “força” que estrutura os ecossistemas desérticos; é justamente essa heterogeneidade que favorece a grande biodiversidade destes ecossistemas desérticos. Como veremos mais a frente, os animais e os vegetais desenvolveram uma capacidade de adaptação para sobreviver nessas condições extremas.

Esses “pulsos de chuva” dependem das condições atmosféricas globais e dos fenômenos oceânicos.

Dois importantes sistemas podem trazer chuvas aos desertos:

Tranporte horizontal (pelo vento) do ar úmido do mar para os continentes, durante o inverno, o que causa condensação sobre os continentes e precipitações. Essas precipitações são chamadas de “precipitações de inverno”.
Ascenção vertical (sobre os continentes) do ar quente, num processo chamado de convecção. As precipitações resultantes são chamadas “precipitações de verão”, ou monções.

As monções são localizadas nas regiões tropicais, enquanto as precipitações de inverno serão localizadas em latitudes mais altas.

Adaptações biológicas à aridez

A escassez de água e a aridez implicam uma seleção natural mais intensa nos desertos que em todos os outros lugares do mundo. Assim, o deserto é o primeiro ecossistema a ser estudado para entender o fenômeno de evolução.

Adaptações das plantas à aridez

As plantas desenvolvem diferentes estratégias para sobreviver sob as condições extremas dos desertos.

Podemos classificar as plantas em duas grandes categorias, segundo a estratégia de adaptação:

a) sobreviver às piores condições graças a um uso eficiente da água, ou

b) sobreviver de maneira efêmera aproveitando as melhores condições, usando a água para uma reprodução abundante.

Estratégia Forma de adaptação Características Exemplo
Sobreviver as secas Adaptação Morfologia e Metabolismo 1. Extração e uso extremamente eficiente da água
2. Proteção contra evaporação
3. Acumulo de água em tecidos
Cactus, Acacias,
"True Xerophytes"
Sobreviver sob formas diferentes Ciclo de vida efêmero 1. Uso rápido dos recursos abundantes e efêmeros
2. Reprodução abundante
 

Essas plantas efêmeras têm um papel muito importante no ciclo ecológico sendo elas o alimento de base para muitas espécies animais.

Adaptações dos animais à aridez

O problema fisiológico mais básico para os animais dos desertos é manter o balanço hídrico do corpo, maximizando a entrada de água e minimizando a saída (através da urina, da respiração ou da transpiração).

Os camelos são um exemplo perfeito de uma adaptação a esse problema: eles podem beber uma quantidade de água enorme durante um tempo mínimo, causando uma diluição do sangue suficiente para causar morte para outros animais. Além disso, eles podem suportar uma elevação da temperatura do corpo até 44°C , o que minimiza a transpiração.

Um outro exemplo da minimização das perdas de água é a produção de urina muito concentrada, ou seja que contém muito pouco água.

Além das adaptações fisiológicas, anatômicas e morfológicas, os animais podem desenvolver um comportamento particular. Durante os períodos críticos de secas, enquanto certos animais (como muitas aves) vão migrar para outras regiões, os pequenos animais vão se esconder embaixo da terra durante o dia e buscar alimentos durante a noite.

No caso das serpentes, obrigadas a ficar no chão, onde a temperatura pode alcançar 80° C durante o dia, elas desenvolvem uma maneira particular de mover-se no chão, minimizando a superfície de contato com ele.

Os animais que não podem evitar o sol durante o dia adotam uma posição ótima para minimizar o impacto dos raios solares (ex: o esquilo).

Existem finalmente interações entre a fauna e a flora: as plantas podem fornecer abrigo para pequenos animais, enquanto os animais podem ajudar na regulação das plantas (ex: transporte do pólen pelos insetos). Essa interação entre a fauna e a flora significa que o desaparecimento de uma planta, por exemplo, pode levar ao desaparecimento de animais, e vice-versa.

O deserto e o homem

Os seres humanos habitam os desertos há tempos imemoriais, onde as atividades são definidas por seus parâmetros básicos: precipitações, essenciais para o crescimento de qualquer forma de vida, altas temperaturas e ventos fortes.

Da mesma maneira que os animais e as plantas, os homens se adaptaram para enfrentar essas condições extremas. Em vez de adaptações morfológicas ou fisiológicas, os seres humanos modificaram os seus comportamentos, e desenvolveram uma cultura e uma tecnologia especiais.

Para enfrentar as altas temperaturas (positivas e negativas), os povos dos desertos usam roupas que limitam a evaporação, geralmente de cor branca, para refletir os raios solares.

Calor, aridez e ventos fortes são também parâmetros importantes para a construção civil: paredes finas e pequenas janelas protegem do calor diurno, mas não protegem do frio noturno, e não podem resistir aos ventos intensos. Assim, barracas (ex: “yourte” na Mongólia) aparecem como uma boa solução para abrigar-se nos desertos.

Povos tradicionais dos desertos

(a) A caça e a colheita foram certamente os primeiros meios nos desertos (assim como no mundo inteiro) usados pelos seres humanos para sobreviver. Geralmente, uma árvore frutífera que dá frutos estocáveis constituía a base do regime alimentar, porque era possível o armazenamento e o deslocamento desses recursos. Antes da lenta evolução da agricultura e da pastoragem, a caça e a colheita foram o único modo de vida nos desertos.

(b) A criação de animais permite o aproveitamento de vários recursos, tais como o leite, a carne e a pele por exemplo. Podemos citar o camelo, que é o único animal domesticado nos desertos hiperaridos, porque ele pode suportar alta temperatura do corpo, e perdas de água que podem representar até 25% do seu peso total, recuperando essas perdas em apenas três minutos.

Cordeiros, cabras e bois, apesar de apresentarem menor adaptação, são também muitos importantes para os criadores.

Os criadores, assim como os caçadores, se deslocam muito a fim de procurar as regiões mais férteis do deserto.

(c) A agricultura se desenvolveu de maneira diferente segundo o tipo de deserto, sendo ela mais importante nos locais de maior precipitação. Os grandes rios perenes, tais como o Nilo, o Tigre e o Eufrates, abastecem os povos dos desertos, notadamente a irrigação, durante séculos.

Frente a essas condições extremas, os homens dos desertos mostraram engenhosidade para cultivar a terra: na área de irrigação, eles usaram sistemas de terraços sucessivos, ou micro drenagem, a fim de maximizar o aproveitamento da água. Por outro lado, foram escolhidas plantas que precisam de pouca água, tais como os cereais “Millet” e “Sorgo”.

Caça e Colheita, Criação de animais, e Agricultura foram os três grandes recursos usados pelos povos tradicionais dos desertos. O modo de vida atual nos desertos evoluiu muito nesse ultimo século, assim como a gestão dos recursos.

Povos “modernos” dos desertos

A gestão dos recursos para um desenvolvimento moderno nos desertos concentra-se em dois recursos principais: a água, que é limitada, e a energia, que é muito abundante.

Apesar de alguns grupos continuarem a viver de maneira tradicional, a maioria dos povos convertem-se para as novas atividades que se desenvolvem nos desertos: o turismo e a mineração.

(a) O turismo: os homens que continuam viver tradicionalmente estão se tornando “atrações” para as turistas que se interessam por essas culturas e esses modos de vida diferentes. No entanto, a maioria das pessoas vivendo de maneira tradicional converteram-se a fim de participar às novas atividades, tornando-se guias, ou trabalhando nos complexos turísticos.
(b) A mineração:
Petróleo e urânio são também fontes de interesse para grandes empresas, o que favorece o desenvolvimento de regiões urbanas, que podem depender até 100% dos recursos importados, tais como alimentação e água.

Veremos mais a frente que os desertos têm também um impacto, uma influência importante nas pesquisas mundiais, notadamente na área da biologia.

Interações entre desertos e regiões não desérticas

Os desertos e o resto do planeta estão ligados por vários processos que vamos detalhar nesse parágrafo.

Processos físicos

(a) As relações entre os oceanos e a atmosfera determinam as precipitações nos desertos (pelos processos de transporte vertical ou horizontal do ar): os fenômenos cíclicos “El Niño” e “ La Niña ” são um bom exemplo dessa idéia, uma vez que afetam diretamente e de maneira significativa as precipitações dos desertos costeiros da América (ex: Atacama) e da Austrália.
(b) As mudanças climáticas globais afetam também os desertos:
uma variação das precipitações, assim como um aumento das temperaturas foram registrados durante o período 1976-2000 (+0,45° em média). Uma redução das precipitações implica, de maneira resumida, uma redução da umidade do solo, e portanto da vegetação e da biodiversidade. Embora as mudanças globais impliquem em um aumento das temperaturas nos desertos, esses mesmos desertos estão paradoxalmente esfriando a atmosfera global, refletindo a radiação solar pelo espaço.
(c)
Por outro lado, a “poeira dos desertos” está afetando o mundo inteiro: as pequenas partículas minerais são levadas pelo vento e transportadas a milhares de quilômetros de distância. Elas afetam a visibilidade, a saúde e até os processos de formação de chuva, assim como a produtividade de plânctons nos oceanos.

Por fim, os rios que escoam nos desertos, os “cross-desert rivers”, têm sempre as suas fontes numa zona não desértica, o que significa que uma modificação do clima na região da fonte irá afetar a vazão do rio no deserto.

Ligações entre homens dos desertos e os outros

Alem dos fluxos físicos, tais como a circulação do ar ou da poeira, existem fluxos de bens, de serviços e de homens através dos desertos.

(a) Uma quantidade importante de recursos renováveis e não renováveis são exportados dos desertos. Assim, eles contribuem para 50% da produção mundial de petróleo, 52% da extração de cobre, 38% da extração de bauxita e 33% da extração de diamante no mundo. Além desses recursos não renováveis, o clima nos desertos é favorável à cultura de certas plantas e à aqüicultura; eles também têm um importante potencial para a prospecção biológica (“Bioprospecting”), a flora desértica apresentando características biológicas interessantes para a medicina.
(b)
O desenvolvimento do turismo e a industrialização favoreceu a urbanização dos desertos, ou seja, o crescimento das cidades na direção dos espaços abertos dos desertos (onde os terrenos são mais baratos).

Desertos como “corredores”

Os desertos são cortados por “corredores”, ou seja vias preferenciais usadas pelas caravanas de camelos e pelas aves.

a) Muitos desertos são cortados por vias preferenciais, rotas de comércio, há milênios: geralmente, essas vias representam um conjunto de segmentos ligando oásis, e minimizando a distância entre dois pontos extremos de um deserto.

Além de permitir o trânsito de mercadorias, esses corredores constituem uma cadeia de comunicação, de informação e de troca cultural entre duas regiões não desérticas.

Apesar de um enfraquecimento desse trânsito a partir do século XVI (por causa da preferência para as rotas marítimas), essas vias estão conhecendo hoje uma modernização, devido principalmente ao desenvolvimento da indústria do turismo. Por outro lado, 60% do ópio afegão ainda transita pelos desertos.

b) Milhares de aves são migratórias; indo do Norte para o Sul, elas geralmente têm que cruzar (duas vezes por ano) os desertos situados nas regiões subtropicais: esses itinerários preferenciais são chamados de “corredores de migração”.

Os gafanhotos também percorrem os desertos: durante a estação de chuva, eles se reproduzem de maneira intensa, um enxame pode contar com 50.000 milhões de gafanhotos. Deslocando-se graças ao vento, eles podem atingir regiões não desérticas e danificar até 100.000 toneladas de vegetação por dia.

O impacto dos desertos nas pesquisas mundiais

a) De um certo ponto de vista, um deserto aparece como uma região adversa à todas formas de vida: é assim mesmo que os pesquisadores do espaço consideram o deserto, como um simulador para testar os equipamentos mandados depois ao espaço (ex: a NASA testou um robô no deserto do Atacama antes de manda-lo para Marte). O deserto aparece também como um reservatório de meteoritos, e uma base de observação para os astrônomos (ex: o VLT, “Very Large Telescope” no deserto do Atacama).

b) Sendo eles o berço das três grandes religiões mundiais, os desertos enterram inúmeros tesouros culturais, arqueológicos e paleontológicos. Os desertos podem então ser visto como um laboratório natural a ser preservado.

c) Devido às condições climáticas extremas, o deserto é um lugar privilegiado de uma evolução natural intensa (parte 3): a reposta fisiológica das plantas e a adaptação de comportamento dos animais são de primeiro interesse para compreender a teoria da evolução. Por outro lado, o ecossistema desértico aparece como um ecossistema simplificado (só tem um parâmetro importante: a água), o que favorece o entendimento dos mecanismos da diversidade e da cadeia alimentar entre animais e vegetais.

Desafios e oportunidades - Mudanças, Desenvolvimento e Conservação

A força da Mudança

a) De maneira geral, a População tradicional dos desertos não vai evoluir muito; os criadores e os mineradores, assim como os povos rurais não conhecerão grandes mudanças no futuro. Todavia, a migração dos “povos modernos” vai continuar a aumentar nos próximos anos.

b) Os Investimentos, que concernem principalmente as áreas de energia, de turismo, assim como o aproveitamento de regiões imensas (ex: treinamento militar ou testes nucleares), deverão conhecer um crescimento menor, por causa do esgotamento dos recursos ou da saturação do mercado turístico. Mas o aumento da demanda em Energia, e assim o aumento dos custos de gás e de petróleo, deverão favorecer os investimentos em energia.

c) A evolução do Clima é também um parâmetro importante da equação: um grande aumento da temperatura da Terra pode afetar diretamente a presença de água nos desertos. Assim, o IPCC indica que as precipitações podem diminuir de 30% nas próximas décadas em alguns desertos da África. Como conseqüência direta, podemos destacar a diminuição da eficiência das colheitas, que levam riscos para a saúde humana.

d) A Reabilitação de áreas degradas, por causa do sal por exemplo, será também um grande desafio para o futuro.

Finalmente, o controle e a racionalização do uso da água parecem cruciais a fim de evitar conflitos entre países onde já há escassez de água.

Desafios e Oportunidades de Desenvolvimento

a) Água: em vez de investir em imensos projetos como foi realizado no passado, a tendência para o futuro será o desenvolvimento de melhores políticas de gestão e de distribuição da água. Assim, por exemplo, a cultura de produtos que consumem muita água (ex: algodão) deverá diminuir, assim como a construção de reservatórios para produção de energia elétrica ou lazer. O abastecimento de água será então melhorado somente por uma combinação de tecnologias novas (ex: irrigação por “microsprinklers” que permitem uma eficiência de 95%, reuso de água) com uma gestão eficiente.

b) Turismo: esse setor representa uma grande oportunidade para o desenvolvimento dos desertos, mas investir nele tem riscos. Mas a instabilidade política de certos paises (ex: Namíbia, Chade) ou a alta taxa de criminalidade (ex: México) pode diminuir o número de visitantes. Da mesma forma, a recessão e os altos custos energéticos podem enfraquecer os investimentos. Só um eco turismo cuidadosamente definido e controlado terá potencial para contribuir ao desenvolvimento local.

c) Uso do espaço: a grande disponibilidade de espaços combinado ao afastamento destes de qualquer forma de vida humana permite o desenvolvimento de projetos militares e espaciais (parte 5). As condições naturais hostis dos desertos justificam a implantação desses programas de treinamento nesses lugares. Esses grandes e vazios espaços têm também um potencial energético único; assim, a implantação de instalações de energia solar e eólica pode ser uma solução para a problemática energética mundial. Cientistas afirmam que a instalação de painéis solares sobre uma área de 800x800km no deserto do Saara produziria bastante energia para todo o planeta. Da mesma forma, agricultura, horticultura e aqüicultura têm um grande potencial nos desertos, por causa da intensidade das radiações solares e do ritmo das estações, caso haja bastante água.

Conservação e Uso Sustentável

Além de todas as perspectivas econômicas, energéticas e demográficas nos desertos, é importante analisar a evolução de parâmetros tais como a conservação do solo, a biodiversidade ou simplesmente a beleza natural.

a) A agricultura e a criação de animais podem danificar definitivamente a estrutura do solo, favorecendo a erosão, o que aumenta a quantidade de sedimentos a serem transportados aos reservatórios. A agricultura favorece também a produção de poeira, que pode ser considerado como um poluente nos desertos, por causa da formação de tempestades de poeira. Assim, o controle da agricultura será um parâmetro importante a fim de conservar os desertos.

b) Mas a irrigação será certamente uma prioridade muito maior na perspectiva de conservação dos desertos. O sistema de irrigação permitirá evitar a salinização dos solos, assim como a saturação destes em água. Isso significa uma otimização do dimensionamento da rede de irrigação de maneira a evitar a deposição de sal no solo (o que impede a entrada de água) e a saturação do solo em água.

c) As regiões úmidas, e particularmente os rios perenes, são os lugares biologicamente mais ricos dos desertos. Conservar esses rios significa simplesmente assegurar um fluxo permanente de água de boa qualidade, limitando particularmente o fluxo de retorno de irrigação (que volta no rio) que tem maior salinidade depois da irrigação. Além disso, a presença de reservatórios afeta o regime de escoamento de um rio, assim como a biodiversidade a montante.

d) O controle da caça e da criação de animais, e a definição de prioridade de conservação serão também parâmetros importante para a conservação da biodiversidade nos desertos. Historicamente, a caça é uma das maiores ameaças para a sustentabilidade das espécies, e hoje, uma grande parte destas esta sob ameaça de extinção.

Abastecimento de água, planejamento energético, conservação da biodiversidade, mudanças climáticas, controle do crescimento urbano: a gestão desses problemas interessa hoje a todas as regiões do mundo. Nesse relatório “Global Deserts Outlook”, percebemos a urgência de propor soluções para resolver essas grandes questões nos desertos. A escassez de água, por exemplo, é um problema de grande interesse nos desertos sabendo-se que sua disponibilidade é fraca. O futuro dos desertos, considerando como paisagens naturais e culturais, depende então de nossa capacidade de desenvolver bens e serviços sem degradar o meio ambiente. O bem estar humano (definido pelo “Millenium Ecosystem Assessment - MA)” e a sustentabilidade ambiental serão assim os dois primeiros parâmetros a serem levados em consideração antes de qualquer ação.

Finalmente, nossa gestão dos desertos pode ser considerada como um “teste” para o futuro, sabendo-se que a maioria dos problemas dos desertos vão se generalizar para o mundo inteiro daqui até algumas décadas (ex: escassez de água e de recursos naturais).

Fonte: www.brasilpnuma.org.br

Desertos

Os Desertos cobrem cerca de 31 milhões de km2 da superfície terrestre. a maior parte dessa área está compreendida na região do Saara e cerca de 2,6 milhões de km2 se acham no deserto do centro da Austrália, que é menos conhecido, porém maior que o deserto arábico.

Desertos

Nos Desertos quentes do tipo saariano, entre os quais se inclui o australiano, a temperatura durante o dia pode chegar a mais de 49ºC no verão (57ºC no deserto de Darakil, na Etiópia); as noites, por outro lado, são frias ou quase geladas. Nas zonas temperadas da Terra, de espaço a espaço ocorrem grandes áreas desérticas.

Entre esses Desertos estão o de Atacama, no litoral chileno, o do sudoeste norte-americano e sobretudo o de Gobi, no norte da China.

Todos os Desertos são grandes áreas de areia (dunas) ou rochas (planaltos) sem irrigação.

A maior parte da água pluvial que ocorre nessas regiões é absorvida pela areia ou se evapora sob a ação de ventos secos. somente nas franjas externas dos Desertos se encontra alguma vegetação esparsa. Essa flora abrange plantas cujas raízes permanentes se cobrem de brotos depois de cada chuva e de cactos que armazenam água em seus ramos grossos e espinhosos. Essa vegetação oferece suprimento de água minguado e incerto para a fauna desértica.

Os animais estão protegidos contra a perda de água por sua pele sem poros (é o caso de artrópodes e répteis) ou pela ausência de glândulas sudoríparas (como ocorre com os esquilos terrestres da África). A maior parte desses animais (com exceção das aves migratórias) se refugia do calor e do frio enterrando-se na areia. Um metro abaixo da superfície, a temperatura é de 20ºC, não importa se a da superfície é de 60º ou 30ºC.

Os roedores só deixam suas tocas no princípio da noite e voltam quando a noite está fria. nos Desertos temperados alguns animais têm hábitos noturnos no verão e diurnos no inverno.

Grandes mamíferos não existem ou são muitos raros: algumas gazelas e antílopes, além do camelo, com sua temperatura corporal variável e seu dom de armazenar água.

O impacto do homem sobre o deserto tem sido pouco significativo: algumas construções, uma ou outra trilha ou estrada e, mais recentemente, poços de petróleo.

O horizonte muda pouco de uma geração para outra.

Mas os Desertos vão absorvendo pouco a pouco as planícies limítrofes.

Regiões hiperáridas, áridas e semi-áridas que ocupam mais de um terço da superfície terrestre – cerca de 50.000.000 km².

O deserto do Saara (localizado no norte da África), o maior de todos, com 8.600.000 km², corresponde aproximadamente ao tamanho do Brasil e se estende pelo território de dez nações: Argélia, Chade, Egito, Líbia, Mali, Marrocos, Mauritânia, Níger, Tunísia e Sudão.As áreas desérticas do mundo têm crescido anualmente, por causa de fatores naturais e da ação do homem.

Características gerais

Os Desertos possuem índices pluviométricos baixíssimos: menos de 100 mm de chuva anuais nas porções hiperáridas, menos de 250 mm nas partes áridas e entre 250 mm e 500 mm nas regiões semi-áridas.

A grande maioria dos Desertos do mundo é quente, mas existem também alguns Desertos frios.

Podem ser de dunas de areia, como o Takli Makan, no norte da China; de montanhas rochosas, como Gobi, situado entre a Mongólia e o nordeste da China; ou mistos, formados por uma combinação de dunas e montanhas. São poucas as espécies animais e vegetais adaptadas à escassez de água. Entre os animais destacam-se alguns mamíferos – como o camelo –, répteis e aracnídeos. Os tipos de vegetação mais freqüentes nas áreas desérticas são as estepes e a caatinga.

Desertos quentes

Caracterizam-se pelos contrastes térmicos entre o dia, extremamente quente, com temperatura que pode atingir mais de 50°C, e a noite, bastante fria em virtude da baixa umidade relativa do ar e da irradiação do calor para a atmosfera.

A maior parte dos Desertos quentes do mundo, como o Saara e o Kalahari, no sudoeste da África, concentra-se ao longo dos trópicos de Câncer, no hemisfério norte, e de Capricórnio, no hemisfério sul. Essas regiões são propícias à aridez porque se localizam em zonas de alta pressão, onde o ar permanentemente seco impede a ocorrência de chuva.

Já os Desertos costeiros, como o da Namíbia, no sudoeste da África, e o Atacama, no norte do Chile, se originam da presença de correntes oceânicas frias, que inibem as precipitações.

O Atacama é o recordista mundial em aridez: durante 45 anos, entre 1919 e 1964, não recebeu uma gota de chuva.

Há também Desertos próximos das cadeias montanhosas, que retêm a umidade, impedindo as precipitações. Um exemplo é o deserto da Grande Bacia, no sudoeste dos EUA.

Desertos frios

Apresentam temperatura média anual inferior a 18°C. Resultam dos mesmos fatores que originam os Desertos quentes, mas são frios porque se localizam em regiões de média latitude (entre 40°C e 60°C). A aridez da Patagônia (sul da Argentina) e do deserto de Gobi, por exemplo, decorre da existência de cordilheiras. No caso de Gobi, a continentalidade, ou seja, a distância dos oceanos, também contribui para a falta de chuva.

Fonte: www.achetudoeregiao.com.br

Desertos

Com tudo isso que acabamos de ver, é demasiadamente difícil imaginar a escala em que a expansão dos desertos está acontecendo.

Entretanto, nos é possível obter alguns dados aterradores:

Um terço das terras emersas do planeta é árida ou semiárida, abrigando mais de 600 milhões de pessoas. Mais da metade delas está diretamente sujeita à desertificação.

A expansão dos desertos ocorre no mundo todo e afeta dois terços das nações da Terra. Não está limitada aos países em desenvolvimento, embora eles possam ser os mais atingidos por seus efeitos. Nos Estados Unidos, Canadá e México, estima-se que uma área de 10,5 milhões de km', maior que todo o continente africano ao sul do Saara (6,9 milhões de km²), esteja se tornando um deserto.

Os efeitos sobre as pessoas

A expansão dos desertos afeta as pessoas – em geral populações pobres da área rural, sem recursos e com pouca ou nenhuma terra. Talvez essa expansão comece por causa da falta de chuvas ou, quem sabe, devido ao empobrecimento gradual do solo, por ser tão exigido pela população. As sa&as falham, e o gado começa a morrer de fome ou de doenças. Os animais que sobrevivem são obrigados a buscar áreas maiores para sua alimentação, maltratando a terra; fazendeiros são forçados a irrigar terras montanhosas ou áreas antes consideradas inférteis demais para o cultivo; árvores são cortadas para fornecer forragem aos animais famintos; o vento começa a levar o solo seco e o deserto se espalha.

A adversidade, no entanto, está apenas começando. Eventualmente, as pessoas também precisam mudar-se, do contrário, poderão morrer de fome. Muitas ficam nos campos; outras vão para a cidade ou mesmo para outros países; algumas não conseguem chegar a lugar nenhum.

Mesmo na cidade não há fim para o sofrimento: há falta de emprego, pouca comida, moradias miseráveis, excesso de população, condições anti-higiênicas e doenças. Esse é o resultado da expansão dos desertos para o homem.

Por que os desertos se expandem

Este capítulo analisa mais detalhadamente algumas das causas da desertificação e como elas se combinam para transformar uma situação já bastante difícil em outra impossível.

Safras excessivas esgotam o solo

Embora as terras áridas e semiáridas sejam férteis, elas têm somente uma fina camada de húmus. Isso significa que não possuem grande quantidade de matéria orgânica (restos de plantas e resíduos animais). No passado, após quatro ou cinco anos de safras seguidas, a terra era deixada em pousio ou usada como pastagem para o gado por alguns anos. Durante esse tempo, o solo estaria protegido por uma cobertura vegetal, nutrientes vitais poderiam formar-se e a camada de húmus aumentaria.

Esse não era o único meio que os fazendeiros usavam para proteger a si mesmos e a suas terras. Diferentes plantações eram cultivadas para reduzir os riscos de um fracasso total nas colheitas; eram usadas espécies resistentes à seca, como o sorgo e o painço; esterco do gado criado por pastores nômades ajudava a recuperar o solo esgotado; cereais poderiam ser trocados, numa espécie de comércio, por carne. Além disso, havia também pequenas quantias de dinheiro que passavam de mão em mão continuamente.

O fator humano

Nos últimos anos, as populações humanas cresceram muito em diversos países do mundo. Mais pessoas precisam de alimento, e isso significa que mais terras serão cultivadas ou aquelas já existentes serão cultivadas com maior intensidade. Como resultado, não serão aplicados os métodos tradicionais de agricultura; extensões de terras poderão diminuir ou mesmo desaparecer; áreas mais secas, adequadas a pastagens, serão usadas para o cultivo. Com isso, a fertilidade do solo cai e, portanto, ao invés de mais alimento, produz-se menos.

Culturas para exportação

Quando você toma chá ou café, come chocolate, banana, amendoim ou veste uma camiseta de algodão, talvez esteja contribuindo, indiretamente, para a expansão dos desertos.

Como? Todos os países precisam exportar para pagar as mercadorias que compram de outras nações. Alguns plantam produtos agrícolas que interessam aos outros países, mas que não são utilizados por eles mesmos. São as chamadas culturas para extração. Muitas vezes, um país pode exportar alimentos, enquanto seu povo passa fome. Por exemplo, durante a escassez no Sahel, nos anos 70, as exportações de itens alimentares cresceram, enquanto a população do país morria de fome. Uma situação similar ocorre no México, onde 80% das crianças da área rural estão subnutridas, enquanto o gado ingere mais grãos que a população inteira. Ironicamente, os animais são criados basicamente para exportação e terminam em hambúrgueres nos países ricos, como os Estados Unidos.

Agora a terra está estéril e as chuvas lavam-na rapidamente, formando profundos sulcos.

Nas melhores terras, muitas vezes, fazem-se culturas para exportação. Isso pode obrigar pequenos agricultores a trabalhar para os grandes proprietários ou a mudar-se para terras mais pobres. Além disso, as culturas para exportação geralmente não estão adaptadas ao clima e ao solo do lugar, sendo necessário o uso de fertilizantes e pesticidas. Quando os produtos químicos são usados em excesso, o solo sofre as conseqüências. Enquanto isso ocorre, as terras mais pobres, tendo de alimentar cada vez mais pessoas, transformam-se com maior rapidez em desertos.

É fácil verificar que sistemas como esses são injustos, mas também bastante complexos. Freqüentemente, os países envolvidos têm dívidas com as nações ricas da Europa e da América do Norte e necessitam desesperadamente de moedas fortes, como o dólar, para pagar suas contas. É importante entender que a expansão dos desertos não é somente uma questão de superpopulação ou de problemas climáticos; é também uma questão política.

Fonte: www.meusestudos.com

Desertos

MAIORES DESERTOS DO MUNDO

Ordem Deserto Continente km²
1 Saara África 8.396.000
2 Australiano Austrália 1.549.000
3 Arábia (da) Ásia 1.300.000
4 Gobi Ásia 1.038.000
5 Kalahari África 520.000
6 Turquestão Ásia 360.000
7 Takla Makan Ásia 321.000
8 Sonoran América do Norte 310.000
9 Namib África 310.000
10 Thar Ásia 260.000

Fonte: www.diretoriadeitapevi.com.br

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