Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  Aquecimento Global - Página 10  Voltar

Aquecimento Global

Aquecimento Global

CAMADA DE OZÔNIO

Nas últimas décadas muito se tem falado da camada de ozono e do perigo que o planeta corre com a sua destruição. Mas qual é realmente o papel do ozono?

O ozono é um gás que existe na atmosfera, constituído por três atómos de oxigénio (O3). É produzido pela energia das descargas eléctricas, que quebra as ligações entre os dois átomos do oxigénio molecular (O2), libertando o oxigénio atómico (O) que fica livre para se ligar com o O2, formando-se, deste modo, a molécula triatómica de ozono.

Apesar de estar presente em reduzida quantidade, os seus efeitos estão longe de ser negligenciáveis. Na troposfera (estrato da atmosfera, desde a superfície até aos 10 km de altitude), o ozono em elevadas concentrações pode exercer um efeito tóxico nos animais, originando problemas respiratórios e irritação ocular, e um efeito corrosivo em diversos materiais. Misturado com outros gases e partículas, ele é responsável pela formação do smog (nevoeiro fotoquímico que cobre os grandes centros urbanos e industriais, resultado da poluição atmosférica).

Contudo, este gás acumula-se, principalmente, numa camada com cerca de 15 km de espessura, na estratosfera (estrato compreendido entre os 10 e os 50 km de altitude), designada por "camada de ozono".

É aqui que ele desempenha o papel de escudo protetor, de filtro a favor da vida. Com efeito, absorvendo grande parte (mais de 95%) das radiações ultravioleta (parte do espectro eletromagnético das radiações emitidas pelo sol, que têm efeitos funestos), ele preserva da sua ação nefasta todas as formas vivas.

Aquecimento Global

Em termos de composição, parece não existirem grandes diferenças entre oxigénio e ozono - apenas um átomo. No entanto, terá sido esta pequena diferença a permitir a colonização do planeta, já que sem a camada de ozono, as radiações ultravioleta não teriam nenhuma barreira entre a sua fonte de emissão e a superfície da Terra e nenhuma forma de vida, pelo menos das que atualmente conhecemos, poderia sobreviver.

De notar, no entanto, que em quantidades adequadas (muito pequenas), as radiações ultravioleta são salutares, contribuindo para a produção de vitamina D, indispensável ao normal desenvolvimento dos ossos.

Aquecimento Global

A maior parte da radiação ultravioleta é, então, absorvida pela camada de ozono, mas mesmo a pequena fração que atinge a superfície é potencialmente perigosa para quem a ela se expõe por períodos prolongados.

A Agência Norte-Americana de Protecção Ambiental estima que a redução de apenas 1% na espessura da camada de ozono é suficiente para cegar 100 mil pessoas por cataratas e desencadear um aumento de 5% no número de casos de cancro de pele. Está provado também que a exposição prolongada a radiação ultravioleta pode afetar as defesas imunológicas do Homem e de outros animais, permitindo o desenvolvimento de doenças infecciosas. A supressão de respostas locais e sistémicas a uma grande variedade de antigenes pode mesmo ser a causa para o desenvolvimento de diversos tipos de carcinomas.

Aquecimento Global

Mas os seres humanos não são os únicos afetados pelos raios ultravioleta, pois a sua intensificação interfere em muitos processos biológicos e químicos dos ecossistemas terrestres.

As alterações provocadas pelas radiações prendem-se com modificações no material genético das células dos organismos, o que se traduz na perturbação de diversas funções, como o metabolismo e a produção de biomassa. Porém, mais do que alterarem indivíduos, as radiações alteram as relações entre eles, nomeadamente as relações de competição entre plantas superiores, a extensão da herbivoria pelos insetos e a susceptibilidade a elementos patogénicos, quer na agricultura, quer em ambiente natural.

Acredita-se mesmo que níveis altos de radiação podem diminuir a produção agrícola, com a consequente redução na produção alimentar.

Sabe-se, igualmente, que as radiações ultravioleta afetam os microorganismos, embora não se tenha noção da extensão de tais alterações. Este é um fenómeno preocupante, já que estes organismos participam em tarefas tão relevantes, em termos ecológicos, como a decomposição de resíduos, intervindo no ciclo dos nutrientes e interagindo com plantas e animais na forma de agentes patogénicos ou simbióticos.

Aquecimento Global

Do mesmo modo, nos ecossistemas aquáticos, a intensificação das radiações ultravioleta coloca problemas inquietantes, pois interfere no crescimento, na fotossíntese e na reprodução do plâncton. São estas plantas e animais microscópicos que se encontram na base das cadeias alimentares e que são responsáveis por grande parte da productividade de oxigénio do planeta e absorção do dióxido de carbono, atuando como um tampão contra o aquecimento global do planeta.

Ao intervir em todas as escalas dos ecossistemas, a radiação ultravioleta afeta, igualmente, os ciclos biogeoquímicos, como o ciclo do carbono, do azoto e o ciclo dos nutrientes minerais, entre outros, lesando globalmente toda a biosfera do planeta.

A camada de ozono tem, pois, um papel crucial para a vida na Terra. É por este motivo que a sua destruição é encarada como um dos maiores problemas ambientais deste século e dos vindouros.

Apesar da composição da camada de ozono se ter mantido inalterada por milhões de anos, nas últimas décadas têm-se assistido à sua rápida degradação, com o consequente aparecimento dos designados "buracos de ozono", zonas da estratosfera onde esta camada se apresenta extremamente fina, com redução óbvia dos seus efeitos protetores. O maior responsável por esta situação é o cloro, presente nos clorofluorcarbonetos (CFCs), utilizados em sprays, embalagens de plástico, chips de computador, solventes para a indústria eletrônica e, especialmente, aparelhos de refrigeração, como os frigoríficos e os ares condicionados.

Aquecimento Global

Existem já alguns indicadores preocupantes do resultado de tal destruição. Por exemplo, a incidência de cancro de pele está já a aumentar de uma forma dramática. Entre 1980 e 1989, o número de novos casos praticamente duplicou nos EUA. Em 1995 já se observava um aumento de número de casos em regiões do Hemisfério Sul, como a Austrália, a Nova Zelândia, África do Sul e Patagónia; no Chile, desde o aparecimento do buraco do ozono sobre o pólo Sul, os casos de carcinoma de pele cresceram 133%.

Mas existe ainda um outro problema. É que este cenário não pode ser analisado independentemente de outros fenómenos que atualmente aumentam de importância, tal como o aumento da concentração do dióxido de carbono atmosférico e o resultante aquecimento global do planeta. Muitas vezes estes efeitos interagem e tornam-se aditivos.

Como seria de esperar, já começaram a surgir algumas ideias surpreendentes para resolver o problema crescente da destruição da camada de ozono. Pesquisadores russos apresentaram um estudo segundo o qual seria possível reparar esta camada, utilizando equipamentos de raios laser e satélites.

O projeto consiste na montagem de um sistema de 30 a 50 satélites que bombardeiam a atmosfera com raios laser de grande potência, estimulando a produção de ozono. Estes cientistas acreditam que o problema pode ser contornado em dez anos, embora com custos (literalmente) astronómicos.

Porém, mesmo que exequível, este projeto, tal como muitos outros do mesmo cariz, e tendo por base a amostragem de todos os fracassos humanos já coleccionados nas tentativas de dominar, intervir ou mesmo prever fenómenos da natureza, estaria provavelmente votado ao fracasso.

Aquecimento Global

Será melhor que se continuem a apesentar iniciativas não tão grandiosas, mas também não tão dispendiosas, como a proibição da utilização dos CFCs, a pesquisa de alternativas inócuas para o ambiente e decretar o "Dia Internacional do Ozono", comemorado a 16 de Setembro, dia em que se celebra a assinatura do Protocolo de Montreal, de 1987, que preconiza a redução da utilização de substâncias destruidoras do ozono.

UM BURACO NA ALTA ATMOSFERA

A rarefação da camada de ozono tornou-se num dos maiores problemas ambientais do planeta. Ainda que a reação a este problema comece a produzir resultados positivos, só dentro de 1 ou 2 séculos se poderá atingir uma recuperação completa.

São diversas as substâncias químicas que reagem com o ozono, destruindo-o. A lista negra dos produtos danosos inclui óxidos nítricos e nitrosos expelidos pelos escapes dos veículos e o dióxido e monóxido de carbono libertados pela combustão do carvão e do petróleo. Mas em termos de efeitos destrutivos sobre a camada de ozono, nada se compara ao grupo de gases designados por clorofluorcarbonetos, os conhecidos CFCs.

Aquecimento Global

Os clorofluorcabonetos foram sintetizados pela primeira vez há cerca de 70 anos, entrando nos circuitos comerciais pouco depois. Foram desenvolvidos como substitutos seguros dos refrigerantes tóxicos, à base de dióxido de enxofre e amónia, usados na altura e passaram a ser integrados numa grande variedade de aplicações industriais, comerciais e domésticas, primeiro como gases refigeradores e depois como agentes propulsores. Constituídos por cloro, flúor e carbono, os CFCs foram muito utilizados como isolantes em aparelhos de refrigeração (frigoríficos e aparelhos de ar condicionado), em solventes de limpeza na indústria eletrônica, em espumas sintéticas usadas no combate a incêndios, na produção de materiais plásticos para embalagens, entre outras aplicações.

Junto da superfície terrestre, os CFCs são relativamente inofensivos e não reagem com qualquer outro tipo de material, inclusive a pele humana. Não são tóxicos, inflamáveis ou corrosivos e possuem propriedades termodinâmicas estáveis, o que fez com que fossem saudados como substâncias capazes de solucionar uma boa parte dos problemas da vida moderna. Durante 50 anos eles foram o exemplo perfeito de uma solução técnica supostamente benéfica para o ambiente e para os problemas de engenharia, sem nenhuma contrapartida negativa. Por esta razão, a sua produção foi subindo exponencialmente a partir dos anos 50, chegando às 100 000 toneladas por ano, na década de 60.

Como é óbvio, a concentração destes compostos na atmosfera acompanhou a produção, mas manteve-se num nível não detectável pelos instrumentos de controlo de qualidade do ar utilizados na altura, até ao início dos anos 70, quando um cientista britânico detectou um dos compostos clorofluorcarbonados (CFC-11) no ar da Irlanda, com um aparelho muito sensível, por ele construído. Após esta descoberta, foram realizadas medições extensivas por todo o planeta, e verificou-se que este gás era claramente detectado em todas as regiões da atmosfera da superfície. No entanto, os seus efeitos ainda não haviam sido determinados.

Só no final de 1973 é que o destino dos CFCs foi investigado e as primeiras conclusões foram preocupantes. Depois de libertadas à superfície, as moléculas destes compostos, por serem extremamente estáveis, são virtualmente indestrutíveis, pois são insolúveis e pouco reativas com os agentes oxidantes atmosféricos. Deste modo, embora possam permanecer mais de oito anos na baixa atmosfera, estas moléculas migram lentamente para a estratosfera (acima dos 10 km de altitude), onde uma sequência de reações tem início.

Aquecimento Global

Já na camada superior da atmosfera, atingidas pela intensa e extremamente energética radiação solar ultravioleta, as ligações destas moléculas são quebradas e os átomos de cloro são libertados. Cada átomo de cloro é capaz de quebrar a ligação entre os átomos de oxigénio do ozono, levando à formação de monóxido de cloro (ClO) e oxigénio (O2). Como o monóxido não é estável, ele rapidamente reage com o oxigénio atómico (O), originando mais uma molécula de oxigénio e libertando o cloro para uma nova reação de degradação de moléculas de ozono. É uma reação catalítica em cadeia, onde cada átomo de cloro pode destruir 100 000 moléculas de ozono, antes de ser destruído, o que pode levar mais de 100 anos, dependendo da composição das moléculas de CFCs.

Apesar de se formar oxigénio, ele não é capaz de proteger o planeta dos raios ultravioleta. A combinação das reações de destruição de moléculas de ozono, com a libertação de mais de um milhão de toneladas de CFCs por ano, coloca a perda da camada de ozono como uma das mais problemáticas questões criadas pelo Homem.

Aquecimento Global

Após a primeira "explosão" de interesse por esta matéria, entre 1974 e 1977, o assunto passou das primeiras páginas dos jornais para a comunidade científica.

A maioria das pessoas pensou, então, que o problema tinha sido resolvido, até que em 1980 foram tomados de surpresa, quando se noticiou, pela primeira vez, a existência de uma região na atmosfera antárctica, onde a camada de ozono era muito menos espessa. Medições anuais demonstraram que este "buraco" aparecia todas as Primaveras na mesma localização e que a sua extensão aumentava a uma velocidade alarmante.

Não se percebia, porém, a relação entre a concentração de CFCs e a localização deste buraco, já que o nível de emissões poluentes era maior no Hemisfério Norte.Foi apenas em 1984 que todo o fenómeno foi compreendido. A conjunção de características físico-químicas únicas da estratosfera antárctica, com a circulação das massas de ar, permite que os reservatórios inativos de cloro (os CFCs) sejam convertidos mais facilmente em radicais de cloro destrutivos.

As massas de ar circulam em camadas sobrepostas, dos Pólos para o Equador e no sentido inverso, sendo capazes de transportar poluentes para milhares de quilómetros de distância do seu local de emissão. Na Antárctica, por sua vez, devido ao rigoroso Inverno de Abril a Agosto, em que toda a área permanece na escuridão, a circulação é interrompida, formando-se círculos de convecção exclusivos daquela área.

Os poluentes trazidos pelas correntes no Verão permanecem na Antárctica até nova época de circulação. Ao chegar a Primavera, com os seus primeiros raios de sol, as reações químicas que destroem o ozono são estimuladas. Forma-se, então, o buraco. Em Novembro, o ar que chega de outras regiões permite uma recomposição parcial do escudo de ozono; o buraco diminui de tamanho, mas não fecha completamente.

Aquecimento Global

Entre Setembro e Outubro, a camada de ozono na Antárctica tem tido, nos últimos anos, apenas 30% do ozono que existia na mesma área entre os anos 50 e 60. É uma falha que se estende por mais 20 milhões de km2 e que parece funcionar como um ralo, sugando partes da camada de ozono de outras regiões da Terra, adelgaçando-as. Por isso, o perigo já não se restringe ao inóspito e desabitado continente Antárctico. Em várias outras regiões do planeta, a camada está a tornar-se progressivamente mais fina, permitindo a intensificação, nada salutar, dos raios ultravioleta.

Em Março de 1987, a Direcção de Metereologia da NASA anunciou que as perdas de ozono estavam igualmente a ser observadas sobre a América do Norte, a Europa e o Japão e os fabricantes rapidamente concordaram em que a produção de CFCs deveria ser limitada.

Face a esta ameaça, mais de 60 países assinaram em Setembro desse mesmo ano o Protocolo de Montreal, comprometendo-se a reduzir em 50% o uso dos CFCs até finais de 1999. Mas em 1990, na Conferência de Londres, 70 países concordaram em acelerar o processo de eliminação destes compostos, decidindo, não a redução, mas a proscrição total da produção até ao ano 2000, tendo sido criado um fundo de ajuda aos países em desenvolvimento, para que estas medidas fossem implementadas. Para além dos CFCs, o Protocolo impõe igualmente a interdição da utilização do metilclorofórmio, tetracloreto de carbono e moléculas brometadas, que também possuem uma ação destrutiva sobre o ozono. Atualmente, 155 países são signatários do acordo.

Aquecimento Global

De 1988 a 1992 o consumo global destes gases decresceu, pois muitos estados baniram quase por completo a sua produção e importação, e conseguiram produzir aerossóis que usam propulsores alternativos inócuos para a camada de ozono. É imperativo que a procura de alternativas continue, para garantir a total eliminação destes gases. É, igualmente, vital promover a cooperação técnica entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento, para que todas as nações adoptem as novas tecnologias. Afinal, a camada de ozono protege todo o planeta.

Os cientistas começam agora a notar os resultados dos seus esforços para diminuir a libertação dos CFCs. Mas mesmo assim, recentemente foi descoberta uma área com a camada de ozono muito destruída no Hemisfério Norte (sobre a Europa do Norte). Isto pode trazer consequências dramáticas, já que a densidade populacional é bem maior sob este novo buraco do que sob o da Antárctida. O que vai acontecer ao ozono no futuro depende de como o problema for encaminhado. No entanto, uma certeza existe - é que a camada de ozono só retornará à normalidade quando os CFCs tiverem desaparecido por completo da atmosfera, o que só acontecerá daqui a um ou dois séculos a partir deste momento.

Aquecimento Global

A concentração de gases causadores do efeito de estufa aumentou significativamente nos últimos 200 anos. A minimização deste problema planetário passa pela concertação de ações internacionais e, em boa medida, por medidas de intervenção florestal.

A humanidade expandiu-se na Terra durante o último e mais recente período da era quaternária - o Holoceno - em especial após a última glaciação. Quanto ao impacto na natureza, a presença do Homem distingue-se dos outros animais pela capacidade de alterar o espaço à sua volta. O mundo, tal como o conhecemos hoje, é o resultado de milhares de anos de evolução do pensamento do Homo sapiens sapiens.

Importância do problema - o efeito de estufa

As alterações do clima são acontecimentos naturais que ocorrem desde sempre. Durante o último século, contudo, as alterações registadas têm sido mais pronunciadas do que em qualquer período registado até ao momento. Uma das conclusões do relatório do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) de 1995 indica que estas alterações são resultado de intensas intervenções humanas sobre o meio natural com repercussões no clima e que se refletem a uma escala regional e global. Este organismo prevê que as temperaturas médias globais aumentem entre 1 e 3.5ºC até 2100 e que o nível médio das águas do mar aumente entre 15 e 95 cm.

O aumento da concentração dos gases de estufa na atmosfera, principalmente o dióxido de carbono, tem sido apontado como uma das principais causas destas alterações no clima, que terão impatos diretos negativos sobre os ecossistemas terrestres, nos diversos setores socio-económicos mundiais, na saúde pública e na qualidade de vida das pessoas em geral. A camada protetora da Terra, constituída por vapor de água e gases de estufa como o metano (Ch2), o óxido nitroso (N2O) e principalmente o dióxido de carbono (CO2), reflete a radiação infravermelha emitida pela superfície da terra impedindo que parte desta seja perdida para o espaço, tal como uma parede de vidro numa estufa. Como consequência dá-se o aquecimento da superfície da troposfera.

Aquecimento Global

Sendo um processo essencial para a manutenção de vida no planeta, o efeito de estufa que ocorre naturalmente, impede que a superfície da Terra se torne excessivamente fria (cerca de 30ºC mais fria). O aumento da concentração de CO2 atmosférico tem ocorrido de forma gradual desde a última glaciação mas os fluxos de carbono após a revolução industrial têm vindo a aumentar a uma taxa nunca antes presenciada durante os últimos mil anos.

O CO2 resulta da queima de matéria orgânica e da respiração dos animais e plantas. O grande aumento de CO2 na atmosfera resulta do fato das emissões deste gás resultantes das atividades humanas (por exemplo, a queima de combustíveis fósseis - petróleo, carvão) não serem totalmente compensadas pela assimilação fotossintética do carbono na biosfera.

Aquecimento Global

Protocolo de Quioto

O protocolo de Quioto surgiu de uma reunião conhecida oficialmente pela Terceira Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas e teve lugar de 2 a 11 de Dezembro de 1997 em Quioto no Japão.

Esta conferência, onde participaram cerca de 125 entidades governamentais de todo o mundo, teve como principal objetivo a adopção de um protocolo legalmente vinculativo em que 39 países industrializados (do Anexo I do Protocolo de Quioto) se comprometeram a limitar durante o período de 2008-2012 as suas emissões de gases com efeito de estufa na atmosfera. Em termos globais, a redução deverá ser de cerca 5%.

Calcula-se porém, que seria necessária uma redução imediata da ordem dos 60% para evitar alterações climáticas claramente atribuíveis ao aumento da concentração dos gases de estufa na atmosfera em resultado da atividade humana.

As negociações são de uma extrema complexidade já que a economia mundial está fortemente alicerçada no consumo de combustíveis fósseis. Para que muitos países se comprometam a cumprir o estabelecido no protocolo, muito provavelmente terão que suportar reduções mais ou menos acentuadas do respectivo Produto Interno Bruto, tornando muito complicada a aprovação interna do protocolo. Parece ser este o caso dos Estados Unidos da América. Para ultrapassar esta situação é necessário que haja um esforço de consciencialização global sobre a importância do problema.

Aquecimento Global

O ciclo Global do Carbono

A questão do efeito de estufa está portanto relacionada com as emissões antropogénicas (i.e. que resultam das ações humanas) de gases de estufa (segundo o relatório do IPCC de 1995) e tem preocupado a comunidade científica, os governos e a opinião pública, pelas repercussões diretas e indiretas nas sociedades e na economia mundial. Dada a incerteza na definição de cenários futuros, a comunidade científica tem investigado as causas e consequências do aumento destes gases no funcionamento do sistema climático. Tendo sido claramente demonstrado o aumento do CO2 na atmosfera, tem havido um grande interesse no melhor conhecimento do ciclo global do carbono.

O carbono na Terra está essencialmente na forma de compostos orgânicos e carbonatos ou sob a forma de gás (CO2) na atmosfera. O ciclo do carbono consiste na transferência deste elemento (via queima, respiração, reações químicas) para a atmosfera ou para o mar e a sua reintegração na matéria orgânica via assimilação fotossintética. Na era pré-industrial a concentração de CO2 na atmosfera manteve-se estável em resultado do equilíbrio entre as emissões e a assimilação.

No entanto, durante os últimos 200 anos cerca de 405 +/- 30 gigatoneladas (gigatoneladas, 1012 kg) de Carbono foram libertadas para a atmosfera como resultado de :

Queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural) e produção de cimento (70%)

Alterações no uso do solo, principalmente destruição das florestas (30%)

Estas emissões adicionaram-se às que ocorriam naturalmente e, por não serem compensadas totalmente pela assimilação fotossintética, levaram ao aumento da concentração de CO2 na atmosfera. Em comparação com o período pré-industrial, este aumento foi de cerca de 30%.

Aquecimento Global

Stocks de Carbono na terra - armazenamento no curto e longo prazo

O oceano, a vegetação e o solo são importantes reservatórios que trocam ativamente Carbono com a atmosfera. A concentração de Carbono na atmosfera é de 775 Gt. O oceano contém 50 vezes mais carbono do que a atmosfera e a vegetação e o solo cerca de 3 vezes e meia mais.

 

Aquecimento Global

A Dinâmica do ciclo de Carbono é muito variável, quer no espaço quer no tempo. As emissões de carbono são influenciados por fatores de origem humana e natural. Por exemplo, uma erupção vulcânica de grandes dimensões pode fazer aumentar temporariamente a concentração de Carbono na atmosfera.

É muito importante ter presente que apesar de alguns sistemas naturais constituírem grandes reservatórios de Carbono (como o oceano), a dinâmica do seu ciclo é sobretudo controlada pelos sistemas que têm capacidade de o trocar ativamente com a atmosfera, como é o caso da vegetação e do solo. Já o oceano tem baixa capacidade de sumidouro porque a molécula de CO2 não se dissolve facilmente na água e grande parte dos oceanos tem uma baixa produtividade de matéria orgânica (isto é, as plantas que aí vivem, por exemplo algas, são poucas e com a fotossíntese limitada pela falta de nutrientes e pela fraca penetração da luz). Por outro lado, a fotossíntese que ocorre nas plantas terrestres é responsável pela retenção de carbono atmosférico no material vegetal e, eventualmente, na matéria orgânica no solo.

Assim, é claro que ecossistemas com grande biomassa e com o solo pouco perturbado, como as florestas, retêm o carbono numa escala temporal muito maior, na ordem de décadas e séculos.

Esta capacidade de retenção e armazenamento do Carbono pelas florestas a longo prazo, representa um dos pontos importantes no debate no ciclo global do Carbono e nos impatos das alterações climáticas, de tal forma que está previsto no Protocolo de Quioto. O artigo 3.3 e 3.4 do Protocolo de Quioto (UNFCCC) considera que as fontes e os sumidouros de Carbono (nomeadamente as florestas) podem ser contabilizadas para cumprir os objetivos a que os países signatários se comprometem no período de 2008-2012.

Aquecimento Global

Importância do problema - o setor agro-florestal (Fontes e Sumidouros)

Aquecimento Global

Como vimos, para além das emissões de CO2 pela indústria e pelo sistema de transportes, as alterações de uso do solo, nomeadamente a transformação de florestas em zonas agrícolas, constituem uma fonte líquida de CO2 para as atmosfera a nível global.

Estima-se que cerca de 20% da floresta desapareceu durante os últimos 140 anos em resultado da conversão de floresta em agricultura, para satisfazer as necessidades alimentares de uma população em crescimento (na ordem do bilião por década).

A exploração intensiva de culturas agrícolas, que têm uma baixa taxa de retenção de Carbono, a que se junta o crescente uso de fertilizantes, são também responsáveis pelo aumento dos gases de estufa Ch2 e NO2 na atmosfera.

A floresta, em contrapartida, pode acumular, a longo prazo, grandes quantidades de Carbono, quer no material vegetal, quer na matéria orgânica do solo. As florestas são assim, em larga medida, o reservatório de Carbono mais importante da biosfera em termos globais. Uma redução global da área destes ecossistemas naturais terá impatos negativos sobre a capacidade de sumidouro da biosfera.

Aquecimento Global

Algumas questões pertinentes: Incertezas do futuro

O aumento das emissões de gases de estufa e respectivas consequências sobre as alterações globais do clima são questões recentes que preocupam a sociedade e a comunidade científica. Predominam incertezas associadas à modelação do sistema climático, na definição de padrões de alteração no espaço e no tempo.

Há poucas dúvidas quanto à ocorrência de alterações climáticas. Os modelos climáticos que existem atualmente só conseguem prever padrões de alteração à escala continental.

As consequências práticas do aquecimento global para um país ou região em particular ainda permanecem uma incógnita.

As incertezas que persistem têm gerado divergências de opiniões entre os países, principalmente no que diz respeito à definição e adopção de estratégias de adaptação e mitigação.

Algumas questões permanecem em aberto:

PROBLEMA DO "EFEITO DE RUÍDO"

Aquecimento Global

Um dos principais problemas com que se debatem os cientistas é o fato de não existir uma forma direta de observar o que teria acontecido ao clima se não tivessem ocorrido influências da ação humana. Desta forma, não existe maneira de comparar as presentes alterações verificadas, com um possível "efeito de RUÍDO" causado por uma variabilidade climática natural.

"SOURCES" E "SINKS" TERRESTRES : COMPORTAMENTO NO ESPAÇO E NO TEMPO

Dada a dificuldade de previsão do comportamento das fontes e sumidouros (sources e sinks) dos ecossistemas da Terra num espaço temporal de 100 anos, pode especular-se sobre vários cenários para o ciclo de Carbono terrestre. É contudo difícil prever, com margem de erro razoável, o que irá de fato acontecer. Como irão reagir as principais fontes e sumidouros de carbono face às alterações climáticas?

Sabe-se, por exemplo, que as florestas não só representam o principal reservatório de carbono como respondem positivamente ao aumento de concentração de CO2 atmosférico, através de aumentos nas taxas de crescimento (veja-se o que tem acontecido nas florestas do norte e centro da Europa, com aumentos substanciais de produtividade em consequência do aumento de CO2, aquecimento e deposição de azoto). Mas, até que ponto o aumento da área e da produtividade florestais pode compensar o aumento nas emissões antropogénicas de CO2? Sem dúvida que as ações de florestação/reflorestação terão que respeitar outros princípios inerentes à qualidade ambiental (por exemplo, manutenção dos recursos hídricos e da biodiversidade).

CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO E ECONOMIA MUNDIAL vs ESTRATÉGIAS DE ADAPTAÇÃO E MITIGAÇÃO

Aquecimento Global

As alterações da composição da atmosfera e dos ciclos biogeoquímicos, como o do carbono, estão muito dependentes do crescimento da população e do desenvolvimento económico e tecnológico.

Face ao crescimento demográfico e à expansão da economia mundial, é necessário adoptar medidas no que respeita à eficiência de utilização da energia, e proceder a alterações noutros setores da economia, de modo a limitar as emissões de CO2 e a aumentar a capacidade de sumidouro da biosfera através da preservação e aumento das áreas florestais. Por outro lado, parece necessário desenvolver simultaneamente estratégias de adaptação às alterações climáticas e de cooperação na investigação científica. Reduções significativas nas emissões líquidas de gases de estufa são tecnicamente possíveis, usando um conjunto de políticas e medidas que acelerem o desenvolvimento e a transferência de tecnologia.

A ratificação do protocolo de Quioto que deverá ocorrer, na melhor das hipóteses, em 2002 representará certamente um progresso na redução das emissões. Se algum dia ele for posto em prática !.

Fonte: www.naturlink.pt

voltar 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 avançar
Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal