Um dos maiores desafios da humanidade no século 21 é aprender a lidar com o aumento da temperatura média no planeta, que causa mudanças climáticas.
A Terra fica mais quente a cada ano e uma das principais causas é o uso intensivo de combustíveis fósseis, como o gás natural, o carvão e o petróleo. As queimadas também agravam o aquecimento global. No Brasil, elas são mais comuns na região Norte, onde fazem parte do processo de desmatamento.
Em geral, este começa com a retirada da madeira para uso comercial e, na seqüência, é ateado fogo ao que sobra para a abertura de novas áreas que são, então, aproveitadas para a agropecuária.
De acordo com Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em entrevista à Agência Estado em fevereiro deste ano, cerca de 75% das emissões brasileiras de dióxido de carbono (CO2) cujas concentrações elevadas provocam aquecimento da Terra são provenientes de queimadas, os outros 25% procedem de indústrias, meios de transporte e outras fontes. Por conta disso, o Brasil está entre os cinco maiores emissores de gás carbônico do mundo, segundo Carlos Nobre, pesquisador e também membro do IPCC à mesma agência de notícias.
A concentração de gás carbônico e de outros gases na atmosfera, como o metano (originário da decomposição vegetal e da criação de gado) e o óxido nitroso (originário da indústria de fertilizante e da combustão do petróleo), causa o aquecimento global ao inibir a saída da radiação infravermelha (calor) da Terra. Os gases poluentes transformamse em uma barreira, bloqueando e rebatendo de volta ao planeta parte dessa radiação. Nesse processo, o calor fica retido na Terra e provoca o aumento da temperatura.
Algumas das conseqüências desse fenômeno são alteração de paisagens vegetais, derretimento das massas de gelo (aumentando o nível do mar), enchentes, furacões mais intensos nos Estados Unidos, incêndios nas florestas européias e secas mais prolongadas no Nordeste brasileiro.
A agricultura mundial pode ser muito prejudicada por esses efeitos, e ações para enfrentar as adversidades climáticas devem ser imediatas. O setor não deve esperar o aumento dos riscos climáticos sobre a produção para tomar atitudes. Desde já, os agentes devem compreender os efeitos do aquecimento global e suas conseqüências na agricultura brasileira e investir em pesquisa e políticas agrícolas que evitem riscos à segurança alimentar do País.
Nesse contexto, a Hortifruti Brasil reuniu seus analistas de mercado para apontar algumas ações que o setor deve tomar para se precaver dos possíveis efeitos do aquecimento global sobre as regiões produtoras de frutas e hortaliças no País. A análise que se apresenta foi realizada com base em pesquisas recentes sobre previsões climáticas no Brasil, levando em conta os atuais calendários de plantio e de colheita dos hortifrutícolas, e também em projeções de alterações climáticas para 2050. Até essa data, podem ser adotadas políticas que reduzam, portanto, ou mesmo aumentem a emissão de poluentes, alterando as previsões dos atuais estudos sobre as mudanças climáticas. O objetivo da Hortifruti Brasil é fomentar a discussão no setor. Para esta edição, não foi possível avaliar se, por conta do aquecimento global, a hortifruticultura terá um novo zoneamento agrícola. Para isso, é necessário um estudo completo a respeito da fisiologia das culturas-alvo do projeto sob condições de maior estresse climático.
Unidas (ONU) publicado pelo jornal The New York Times em abril deste ano, o aquecimento global pode estimular a proliferação de ervas daninhas, pragas e insetos e ter um efeito negativo sobre a produtividade da agricultura mundial.
O aumento da temperatura favorecerá os insetos de ciclo de vida curto, mais facilmente encontrados em climas quentes, pois podem evoluir rapidamente e se adaptar às mudanças climáticas.
Com isso, doenças e pragas que hoje não são relevantes podem se tornar inimigos importantes. O controle das plantas daninhas também poderá tornar-se um problema grave e gerar impactos negativos sobre a produtividade agrícola.
Com o aquecimento global, a previsão é que haja um processo natural de seleção das daninhas de ciclo curto, o que poderá inviabilizar muitos dos atuais princípios ativos dos herbicidas.
Outra questão muito discutida atualmente é a disponibilidade futura de água para a produção de alimentos. Caso a previsão de mudança do regime e da intensidade das chuvas se confirme, a quantidade de água no solo e também o nível de água nos lençóis freáticos poderão diminuir. Pode haver até desertificação ou limitação de água no campo em detrimento das cidades em algumas regiões.
Culturas muito dependentes da irrigação, como a fruticultura no Nordeste brasileiro, terão de ser mais bem adaptadas às condições de elevado estresse hídrico e altas temperaturas.
O calendário de plantio também terá de ser repensado para muitas culturas para concentrar a produção em um período de menor possibilidade de perda do vigor produtivo.
Outra consequência da previsão de menor disponiblidade de água diz respeito à geração de energia. A matriz brasileira ainda é muito dependente de hidrelétricas e uma menor disponiblidade energética pode gerar efeitos desastrosos na economia e na produção das agroindústrias.
Também é importante analisar o impacto fisiológico na planta, pois essas condições podem levar a vários problemas de produtividade e até inviabilizar a produção em algumas regiões. As plantas disponíveis atualmente são menos resistentes a essas condições, visto que a seleção genética preferiu, até então, outros atributos que a resistência à seca, como a resistência a pragas e a doenças e ao aumento da longevidade do produto no póscolheita.
Também existe um alerta para a possibilidade de ocorrência de chuvas de granizos e fortes tempestades no Brasil, de acordo com Marcelo Enrique Seluchi, doutor em meteorologia e chefe da diretoria de operações do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/Inpe), em entrevista ao Ministério da Ciência e Tecnologia (30/09/2005). Furacões brasileiros não deverão ser iguais aos do Hemisfério Norte, mas parecidos com o Catarina, que ocorreu no Sul do País em 2004, com ventos de mais de 150 km/h, segundo Seluchi.
No geral, pesquisadores acreditam que as mudanças climáticas poderão alterar o zoneamento agrícola atual. Em algumas áreas, poderá haver o plantio de culturas que hoje não são viáveis e vice-versa. Essa mudança no zoneamento, em função do clima, não deve ocorrer só no Brasil, mas em todo o mundo.
Por enquanto, não há estudos sobre alterações no zoneamento da hortifruticultura no Brasil em decorrência do aquecimento global. Diante disso, os analistas da Hortifruti Brasil lançaram-se ao desafio de discutir o assunto e fazer algumas considerações sobre o impacto no setor tomando como base previsões de alterações climáticas para o País por região até 2050. Algumas conclusões em comum de nossos analistas são de que o calendário de produção dos hortifrutícolas será alterado no País e que os riscos climáticos sobre a cultura se intensificarão nos próximos anos. O setor vai conviver com períodos mais prolongados de seca, chuvas intensas no verão, elevadas oscilações de temperatura e até fortes tempestades, com possibilidade de formação de furacões.

Não é preciso chegar em 2050 para concluir que o clima está mudando e que já traz impacto negativo sobre a economia global e a qualidade de vida da população. Nos últimos anos, o setor hortifrutícola já convive com maior risco climático, e tudo indica que isso não é uma condição atípica e, sim, uma tendência que deve se acentuar nas próximas décadas.
O ideal seria que toda a cadeia de produção na área de frutas e hortaliças desde pesquisadores, empresas de insumos, produtores e comerciantes se conscientizasse dessa tendência e desenvolvesse políticas preventivas para garantir a produção hortifrutícola e uma participação ativa do setor para a segurança alimentar e a qualidade de vida da população no longo prazo.
Algumas ações devem ser implementadas por agentes do setor para limitar a elevação da temperatura do planeta, como: reduzir as emissões de dióxido de carbono; evitar queimadas; substituir combustíveis fósseis por renováveis; reflorestar áreas degradadas dentro das propriedades e conservar vegetação nativa; investir em variedades resistentes às altas temperaturas e à seca; e ampliar as pesquisas a respeito de ingredientes ativos para o controle de novas pragas e doenças.
Também é importante utilizar amplamente os conceitos das Boas Práticas Agrícolas (BPA) para reduzir a degradação do meio ambiente, preservando a biodiversidade, o solo e os recursos hídricos.
Desenvolver um zoneamento da produção hortifrutícola no País com base nas previsões climáticas é outra ação necessária para identificar quais regiões têm melhores condições climáticas para produzir determinada cultura e quais vão se tornar inviáveis, no médio e longo prazo. Com o zoneamento, também é possível direcionar melhor a pesquisa genética e uma política agrícola de segurança alimentar mais eficiente. Outra atitude a ser tomada é a avaliação do impacto das mudanças da produção de frutas e hortaliças no mundo para analisar o mapa da competividade mundial do setor nas próximas décadas.
Além disso, é importante que o setor comece a se proteger de prejuízos de quebra de produção e de qualidade do produto, em decorrência de adversidades climáticas como granizo, geada, seca, vento forte, incêndio, variação brusca da temperatura. Para isso, seria de grande valia o desenvolvimento de um seguro agrícola adaptado ao setor hortifrutícola, que poderia viabilizar a permanência do produtor no setor tendo em vista a indenização financeira por eventuais perdas na produção.
Dependendo do ponto de vista, pode-se constatar que o aquecimento global tem impactos exclusivamente negativos para a produção de alimentos no País.
Mas, a mudança do clima no mundo pode trazer também muitas vantagens para o setor hortifrutícola nacional caso ele consiga desenvolver ações que contribuam para inibir esse fenômeno.
Uma delas é a venda de créditos de carbono, que ocorre quando a propriedade consegue minimizar suas emissões atuais do gás, explica Daniela Bacchi Bartholomeu, doutora em Economia Aplicada e pesquisadora de Economia Ambiental do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea Esalq/USP). Para a venda de crédito de carbono, é necessária a realização de um projeto dentro da propriedade para comprovar a diminuição da emissão de carbono.
A redução conseguida pode ser comercializada. A venda é efetuada através de empresas credenciadas.
A diminuição das emissões de gases em uma propriedade pode ser alcançada de diversas maneiras, como a partir do reflorestamento de áreas degradadas, utilização de técnicas agrícolas de consórcio e aumento da eficiência energética.
Segundo Daniela, existem cerca de 240 projetos no Brasil que visam à redução das emissões de carbono, e cerca da metade desses refere-se ao setor agropecuário. Tais projetos visam à co-geração de energia a partir de bagaço de cana, de arroz e de madeira, por exemplo, e também a partir de dejetos em granjas de suínos. Daniela afirma que o resíduo gerado em propriedades hortifrutícolas poderia ser utilizado como alternativa de fonte de energia. A substituição de combustível de origem fóssil por um renovável nos meios de transporte também é uma ação que pode reduzir a emissão de carbono. Essa atitude aliada a certificados já consolidados na hortifruticultura, como os de Boas Práticas Agrícolas e de Responsabilidade Social, poderiam gerar uma imagem diferenciada do setor hortifrutícola e agregar valor ao produto brasileiro.
No geral, o lado positivo do aquecimento global está em ampliar os estudos de inovação tecnológica para propiciar o uso dos recursos produtivos de uma forma mais sustentável.
Isso tem despertado o ressurgimento de uma área de estudo na economia mundial, a chamada Bioeconomia agora Nova Bioeconomia.
Com base nas tecnologias agrícolas de clima tropical já desenvolvidas, o País pode liderar não só na produção, como também transferir tecnologia aplicada aos trópicos para países atualmente de clima temperado. O primeiro passo rumo a essa liderança é a conscientização sobre os impactos negativos do aquecimento global e o desenvolvimento de ações pró-ativas para a sustentabilidade do agronegócio e geração de oportunidades de negócios com a produção e transferência de tecnologia tropical.

A elevação da temperatura na Terra está relacionada com o aumento da emissão de gases poluentes, como o óxido nitroso (N2O), o metano (Ch2) e o dióxido de carbono (CO2). Esses gases formam uma barreira que impede a saída da energia solar da Terra, elevando a temperatura do planeta.
A emissão de gases poluentes aumenta a cada dia e as suas principais causas são:
Desmatamento e queimadas de florestas
Extração e queimada de combustíveis fósseis: carvão, petróleo e gás natural
Emissão de gases pelas indústrias
Previsões apontam que o aquecimento global pode ocasionar:
Inundações, secas, tempestades, ondas de calor e outros fenômenos naturais, como tufão e furacão
Falta de água potável
Mudanças drásticas nas condições de produção de alimentos
Alteração de paisagens vegetais
Extinção de parte da fauna e flora
Fonte: cepea.esalq.usp.br

O Aquecimento global é um fenômeno climático de larga extensão -- um aumento da temperatura média superficial global que vem acontecendo nos últimos 150 anos. Entretanto, o significado deste aumento de temperatura ainda é objeto de muitos debates entre os cientistas. Causas naturais ou antropogênicas (provocadas pelo homem) têm sido propostas para explicar o fenômeno.
Grande parte da comunidade científica acredita que o aumento de concentração de poluentes antropogênicos na atmosfera é causa do efeito estufa. A Terra recebe radiação emitida pelo Sol e devolve grande parte dela para o espaço através de radiação de calor. Os poluentes atmosféricos retêm uma parte dessa radiação que seria refletida para o espaço, em condições normais.
Essa parte retida causa um importante aumento do aquecimento global.
O Protocolo de Quioto visa a redução da emissão de gases causadores do efeito-estufa.
A principal evidência do aquecimento global vem das medidas de temperatura de estações meteoreológicas em todo o globo desde 1860. Os dados com a correcção dos efeitos de "ilhas urbanas" mostra que o aumento médio da temperatura foi de 0.6+-0.2 C durante o século XX.
Os maiores aumentos foram em dois períodos: 1910 a 1945 e 1976 a 2000. (fonte IPCC).
Evidências secundárias são obtidas através da observação das variações da cobertura de neve das montanhas e de áreas geladas, do aumento do nível global dos mares, do aumento das precipitações, da cobertura de nuvens, do El Niño e outros eventos extremos de mau tempo durante o século XX.
Por exemplo, dados de satélite mostram uma diminuição de 10% na área que é coberta por neve desde os anos 60. A área da cobertura de gelo no hemisfério norte na primavera e verão também diminuiu em cerca de 10% a 15% desde 1950 e houve retração das montanhas geladas em regiões não polares durante todo o século XX.(Fonte: IPCC).
Aumento nas emissões de gases do efeito estufa, como CO2.
Esta conclusão depende da exatidão dos modelos usados e da estimativa correta dos fatores externos. A maioria dos cientistas concorda que importantes características climáticas estejam sendo incorretamente incorporadas nos modelos climáticos, mas eles também pensam que modelos melhores não mudariam a conclusão. (Source: IPCC)
Assim, a parte do aquecimento global causado pela ação humana poderia ser menor do que se pensa atualmente. (Fonte: The Skeptical Environmentalist)
Devido aos efeitos potenciais sobre a saúde humana, economia e meio ambiente o aquecimento global tem sido fonte de grande preocupação.
Importantes mudanças ambientais têm sido observadas e foram ligadas ao aquecimento global. Os exemplos de evidências secundárias citadas abaixo (diminuição da cobertura de gelo, aumento do nível do mar, mudanças dos padrões climáticos) são exemplos das consequências do aquecimento global que podem influenciar não somente as atividades humanas mas também os ecossistemas. Aumento da temperatura global permite que um ecosistema mude; algumas espécies podem ser forçadas a sair dos seus habitats (possibilidade de extinção) devido a mudanças nas condições enquanto outras podem espalhar-se, invadindo outros ecossistemas.
Entretanto, o aquecimento global também pode ter efeitos positivos, uma vez que aumentos de temperaturas e aumento de concentrações de CO2 podem aprimorar a produtividade do ecossistema. Observações de satélites mostram que a produtividade do hemisfério Norte aumentou desde 1982. Por outro lado é fato de que o total da quantidade de biomassa produzida não é necessariamente muito boa, uma vez que a biodiversidade pode no silêncio diminuir ainda mais um pequeno número de espécies que esteja florescendo.
Uma outra causa de grande preocupação é o aumento do nível do mar. O nível dos mares está aumentando em 0.01 a 0.02 metros por década e em alguns países insulares no Oceano Pacífico são expressivamente preocupantes, porque cedo eles estarão debaixo de água.
O aquecimento global provoca subida dos mares principalmente por causa da expansão térmica da água dos oceanos, mas alguns cientistas estão preocupados que no futuro, a camada de gelo polar e os glaciares derretam. Em consequência haverá aumento do nível, em muitos metros. No momento, os cientistas não esperam um maior derretimento nos próximos 100 anos. (Fontes: IPCC para os dados e as publicações da grande imprensa para as percepções gerais de que as mudanças climáticas).
Como o clima fica mais quente, a evaporação aumenta. Isto provoca pesados aguaceiros e mais erosão. Muitas pessoas pensam que isto poderá causar resultados mais extremos no clima como progressivo aquecimento global.
O aquecimento global também pode apresentar efeitos menos óbvios. A Corrente do Atlântico Norte, por exemplo, provocada por diferenças de temperatura entre os mares. Aparentemente ela está diminuindo conforme as médias da temperatura global aumentam, isso significa que áreas como a Escandinávia e a Inglaterra que são aquecidas pela corrente devem apresentar climas mais frios a despeito do aumento do calor global.
Fonte: pt.wikipedia.org