O Japão tem 53 reatores em operação que, em 2008, produziram 251,75 TWh, o que representa cerca de 25 % da energia do país. O país conta ainda 8 reatores em manutenção e 2 usinas em construção, além de planos para ampliações de vida útil e potência. Em maio de 2006, o Instituto Japonês de Economia (IEEJ) liberou relatório informando que a energia elétrica no Japão até 2030 deverá ser 40% de fonte nuclear e que para isso as usinas existentes deverão operar por 60 anos, além de ser necessário construir pelo menos mais 10 unidades.
A queda de produção em 2008 deveu-se às paradas mais longas que o planejado e à paralisação para realização de testes sísmicos da sua maior central - Kashiwasaki-Kariwa, com 7 reatores com capacidade total de 8.212 MW, após o grande terremoto em julho de 2007 e também ao longo processo de manutenção das usinas Hamaoka 1 e 2 (1380 MW) que poderá durar até 2011. Em maio de 2009 a unidade 7 de Kashiwasaki-Kariwa retornou a operação.
O país reprocessa o seu resíduo nuclear em usinas de reprocessamento na França (Central de reprocessamento La Hague) e na Inglaterra, mas está construindo sua própria central de reprocessamento comercial em Rokkasho-mura, na ilha de Honshu. A operação em teste dessa usina foi iniciada em 31.03.06 e a sua operação comercial deverá se iniciar em 2009 com o reprocessamento de 800 toneladas de urânio irradiado e a produção de 4 toneladas de plutônio que junto com mais urânio será convertido em combustível MOX, para as usinas nucleares do país. Este combustível já foi testado e aprovado para várias usinas no país.
Em maio o primeiro carregamento de MOX proveniente da fábrica de combustíveis Melox, na França, chegou ao Japão para alimentar a Usina Genkai-3, que será a primeira a usar MOX comercialmente.
O Japão importa cerca de 80% de suas necessidades energéticas. Hoje sua maior fonte de energia o plutônio resultante do reprocessamento do resíduo nuclear das usinas existentes.
O Paquistão tem duas usinas nucleares em operação (Chasnupp 1, PWR 300 MW e Kanupp, PHWR - 125 MW) e uma em construção (Chasnupp 2, PWR 300 MW) na região do Punjab. Em 2008 foram gerados 1,7 TWh de eletricidade de fonte nuclear , cerca de 2% do total do país no ano.
Em abril de 2009, foi noticiado que o governo paquistanês aprovou a construção de mais dois reatores nucleares que se localizarão no Complexo de Chashma e terão 340 MW de capacidade instalada cada um, sendo fornecidos pela China. Uma vez que o Paquistão é detentor de armas nucleares, a China não revelou detalhes da negociação para evitar ainda mais controvérsias neste assunto.
A Rússia tem 31 usinas em operação (sendo 15 delas com reator RBMK o mesmo modelo da usina ucraniana Chernobyl), 8 usinas em construção (1 RBMK e 7 VVER) e 4 planejadas. Em julho de 2008 o diretor geral da Rosatom empresa estatal nuclear russa, Sr. Sergei Kiriyenko declarou que o governo russo prevê a construção de 42 novas usinas nucleares até 2020, o que corresponderá a cerca de 42 GW. Em 2008, a Rússia produziu 152,05 TWh de energia elétrica por fonte nuclear o que representou cerca de 17% de sua energia elétrica. O país pretende chegar a 25% ou 30% até 2020. O consumo per capita do país é quase 3 vezes maior que o brasileiro.
A eficiência da geração nuclear cresceu fortemente na última década (o fator de disponibilidade passou de 56% para 76%), e toda a matriz energética está tentando acompanhar o crescimento do consumo, que tem se mantido em níveis bastante expressivos.
O foco em geração nuclear pela política energética russa visa permitir a exportação de seu gás natural para a Europa mais lucrativa do que seu uso para a geração doméstica de eletricidade e a substituição de seu parque gerador, já no fim de sua vida útil.
A Rússia vem firmando uma série de acordos comerciais e de cooperação com diversos países para construção de novos reatores, desenvolvimento e exploração de combustíveis nucleares e pesquisa em geral na área nuclear formando uma grande rede de influência mundo afora, que segundo seus dirigentes permitirá ao país ser fornecedor de 30% dos novos negócios na área nuclear.
A crise econômico-financeira do final de 2008 atingiu fortemente a economia russa com a produção industrial caindo mais de 7% e, consequentemente, diminuindo o consumo de energia. Apesar disso, seus dirigentes afirmam que os planos nucleares serão apenas alongados no tempo, permitindo que as novas usinas sejam conectadas mais tarde, em 2020.
A Ucrânia tem 15 reatores em operação com capacidade instalada de 13.880 MW (13 VVER 1000MW e 2 VVER 400 MW) e 4 unidades fechadas (a central de Chenobyl 3 RBMK 925 MW e 1 RBMK 725 MW). A central nuclear de Zaporozhe, no leste da Ucrânia, é a maior da Europa com 6 reatores tipo VVER de 950 MW cada um.
Em 2008 as usinas nucleares ucranianas produziram 89,84 TWh que representaram 47,40% da energia elétrica do país. As fontes primárias de energia da Ucrânia são o urânio e o carvão, sendo que petróleo e gás são importados da Rússia, que também fornece o combustível nuclear.
Em 2004 a Ucrânia completou, comissionou e colocou em operação comercial a unidade 2 da central Khmelnitski (1000MW VVER), também a unidade 4 (1000MW VVER) da central Rovno foi comissionada e entrou em operação.
A empresa russa Atomstroyexport irá terminar a construção das unidades 3 e 4 da central Khmelnitski (1000MW VVER, cada), conforme aprovado em outubro de 2008. A construção havia sido suspensa em 1990. A usina 3 está com 75% dos trabalhos concluídos e a usina 4 com 28%.
O ministro da Indústria e Comércio do Vietnam anunciou que o governo pretende construir 2 centrais nucleares, com dois reatores cada uma, na província de Ninh Thuan, que deverão estar em operação entre 2020 e 2022.
A central 1 (Ninh Thuan Nuclear Power Plant 1, com dois reatores) se localizará em Phuoc Dinh Commune, no distrito de Ninh Phuoc e a central 2 (Ninh Thuan Plant 2, com dois reatores) se localizará em Vinh Hai Commune, distrito Ninh Hai .
A AIEA afirmou que o Vietnam está bem preparado para começar a desenvolver um parque nuclear e que apoiará o país no desenvolvimento de procedimentos de segurança e de resposta a emergências. Atualmente já existe uma equipe de mais de 800 pessoas trabalhando nos institutos de energia, radiologia e segurança nuclear no país.
As Filipinas, a Indonésia e a Malásia estão em processo de reavivamento de seus antigos programas nucleares. No caso das Filipinas inicialmente um grupo de especialistas da AIEA foi convidado para organizar um processo multidisciplinar e independente para verificar se a antiga usina nuclear Bataan Nuclear Power Plant, que apesar de pronta, nunca operou, pode ser ligada com segurança, tornando-se uma alternativa local para a geração de energia. Atualmente, está em vigor o contrato com a empresa coreana Kepco para a execução destes mesmos estudos.
A Malásia já tem luz verde de sua população, que apóia a construção de usinas nucleares e está em processo de reconstrução do conhecimento técnico necessário através de programas de visitas técnicas e de treinamento para projeto, construção e operação de centrais.
A Armênia tem uma usina em operação (Armênia 2, VVER 400MW) que é responsável por cerca de 40% da energia elétrica do país. Uma nova usina já foi contratada e deverá ser construída até 2016 para substituir a existente que é muito antiga e enfrenta problemas quanto à sua segurança, sendo que os países próximos (Turquia) têm demandado providências da AIEA.
Segundo a AIEA, a descarga anual de combustível irradiado proveniente de todos os reatores de geração de energia elétrica é de 10.500 toneladas (de metal pesado).
Existem duas estratégias de gerenciamento deste material sendo implementadas no mundo. A primeira é o reprocessamento ou armazenagem para futuro reprocessamento, de forma a extrair o combustível ainda existente no material irradiado (Urânio e Plutônio) para produzir o MOX (óxido misto de Urânio e Plutônio) que será usado como combustível em usinas preparadas para este combustível. Cerca de 33% da descarga mundial tem sido reprocessada.
Na segunda estratégia o combustível usado é considerado rejeito e é armazenado preliminarmente até a sua disposição final. A experiência de 50 anos no manuseio deste material se mostrou segura e eficiente em ambas as tecnologias até agora empregadas - Wet and Dry tecnologies.

Ciclo do Combustível Nuclear
Hoje os países que reprocessam combustível nuclear são China, França, Índia, Japão, Rússia e Reino Unido.
Os que guardam para possível reprocessamento no futuro são Canadá, Finlândia e Suécia.
Os Estados Unidos não estão completamente definidos sobre a tecnologia a usar. A grande maioria dos demais países sequer definiu a estratégia e estão armazenando seu combustível usado e aguardando maior desenvolvimento das tecnologias associadas a ambas as estratégias.
Em 2006 cerca de 180 toneladas de MOX foram usadas em dois reatores BWR e em 30 reatores PWR em diversos países (Bélgica, França, Suíça, Alemanha, etc.). O maior uso é esperado no Japão e na Índia a partir de 2010.
Programas de depósitos definitivos para combustível irradiado estão em andamento em diversos lugares, mas nenhum deles deve operar comercialmente antes de 2020. O fato de não haver nenhum depósito definitivo não significa que não se tenha concebido uma solução para o tratamento dos rejeitos. A tecnologia de tratamento para deposição definitiva compreende o isolamento dos materiais através de blindagem e vitrificação e em seguida o seu depósito em cavidades rochosas estáveis. Neste local o material deverá permanecer contido até o seu decaimento a níveis que não causem danos à espécie humana ou ao meio ambiente.
Por cerca de 30 anos o desenvolvimento de novas usinas nucleares no mundo esteve estagnado. Contudo, em anos recentes, o interesse por esta fonte de geração de eletricidade tem crescido, principalmente quando se leva em conta o volume de energia que se pode gerar sem maiores emissões de poluentes, e num espaço físico reduzido.
Utilizando a tecnologia atual, uma tonelada de urânio produz a mesma energia que 10 mil a 16 mil toneladas de óleo. Com o avanço tecnológico da energia nuclear, espera-se que esse desempenho seja ainda mais aprimorado.
Utilizando a tecnologia atual, uma tonelada de urânio produz a mesma energia que 10 mil a 16 mil toneladas de óleo. Com o avanço tecnológico da energia nuclear, espera-se que esse desempenho seja ainda mais aprimorado.
A intensificação da crise financeira internacional, bem como a deteriorização das perspectivas de crescimento econômico nas principais economias desenvolvidas aliadas as restrições de crédito internacional sobre países emergentes (Europa Central e Leste Europeu em especial) apontam para certa dificuldade na manutenção das expectativas de retomada mais forte da energia nuclear no mundo. Revisões para cima são pouco prováveis a curto prazo na área nuclear por ser intensiva em capital. Contudo, a demanda por energia é uma característica marcante das sociedades mais afluentes e a busca por um melhor padrão de vida é uma aspiração legítima das sociedades em desenvolvimento.
Assim, fica o desafio para os planejadores de prover a necessária oferta de energia, minimizando os custos ambientais.
O ciclo de crescimento econômico que certamente sucederá ao final da crise atual não poderá ser inibido em função de restrições de fornecimento. Nesse contexto a Energia Nuclear tem um importante papel a desempenhar.
Referências
IAEA 2009, Country Nuclear Power Profiles
Nucnet - vários
Nucleonics Week nr. 9 -05.03.09
NuclearFuel - vários
IAEA PRIS - http://www.iaea.org/programmes/a2/index.html
WNA World Nuclear Association - http://www.world-nuclear.org/
International Energy Outlook-2008 US DoE
INB Indústrias Nucleares do Brasil http://www.inb.gov.br
Empresa de Pesquisa Energética EPE http://www.epe.com.br
Fonte: www.eletronuclear.gov.br